Comentário aos reviews:

DWS, você tem toda razão. O Brian não está totalmente errado em seu discurso. Jensen poderia sim, no futuro, começar a se interessar por mulheres. O problema é ele ser tão homofóbico... É por causa dessa homofobia que ele não pode aceitar de jeito nenhum que Jensen se envolva com Jared de uma maneira romântica.

Sara2013, a praia é mesmo trágica. Ao mesmo tempo faz parte da história de Tristan e Ross, e eu também acho que seja o lugar mais romântico para eles... E quanto ao Brian... kkkkk. Coitado, ele não agrada muita gente mesmo...

Fada, muito bom ver uma leitora nova aparecendo por aqui! Fico muito feliz que esteja gostando. Estou atualizando com menos frequência ultimamente, mas pretendo melhorar isso!

Muito obrigada a todos pelos comentários!


Capítulo 35

Eram 4:30h da manhã. Jared virou-se na cama e fechou os olhos em mais uma tentativa de adormecer. Foi em vão. A ansiedade o dominava por completo. Não era para menos... Aquele dia parecia fechar um ciclo: o primeiro dia de visitas de Roger ao colégio. A dor e a tristeza estavam ficando definitivamente para trás... Jared suspirou fundo e agradeceu a Deus o momento de paz que estavam vivendo. Além disso, o menino tinha ainda mais um motivo para estar ansioso: planejava para aquela noite a sua tão sonhada noite de amor. Já tinha tudo cuidadosamente arquitetado.


Os dias que antecederam o primeiro dia de visitas dos pais ao colégio, desde a fuga dos meninos, passaram depressa. O romance entre Jensen e Jared ia às mil maravilhas. Encontravam-se fora das aulas sempre que possível e, juntos, passavam momentos muito agradáveis: quer fosse namorando, conversando, estudando ou brincando...

Padalecki pouco pensava agora em Tristan, Ross e sua trágica história de amor. Já tinha tudo resolvido em sua cabeça. Sua missão agora era ser feliz ao lado de sua alma gêmea: Jensen. O louro, por sua vez, estava muito aliviado ao perceber que a obsessão de Jared pelos amantes da gruta finalmente parecia ter chegado ao fim. O moreno agora se comportava de maneira carinhosa e atenciosa o tempo todo.

Jared nem mesmo reclamava mais da amizade entre Jensen e Brian. Não ia com a cara do garoto mais velho, isso era verdade... Sentia ciúmes também, mas aprendeu a se controlar. Além disso, respeitava a vontade do namorado em permanecer no time de basquete do colégio.

Jensen, Brian e o restante do time já haviam saído do colégio para competir algumas vezes. Jared, claro, sentia-se inseguro, mas segurava as pontas. Sabia que Brian continuava tentando jogar Jensen para cima das garotas... O louro não mentia quanto a isso. Mas Jensen agora sabia se defender muito bem. Sempre se desvencilhava delas, da maneira mais educada possível.

Além de Jensen e Jared, quem passava por uma fase muito feliz era Tom. O garoto, cada vez mais confiante, estava agora definitivamente fora da mira dos valentões. Por vezes ele inclusive ajudava os meninos menores e mais fracos a se defenderem também.

Com toda a energia positiva que circulava ao seu redor, D.J. também se beneficiava. Há tempos os quatro meninos não estavam tão em paz...


O sentimento que dominava aquela manhã, entretanto, não era exatamente de paz. Jared pensou em Jensen. Se ele estava acordado, ansioso, o louro provavelmente deveria estar subindo pelas paredes...

E ele estava certo... Jensen também mal pregara os olhos à noite. O louro ficou surpreso quando o namorado bateu em sua porta ainda de madrugada, todo arrumadinho e de banho tomado.

- Jay, o que você está fazendo aqui a essa hora? – o louro perguntou, forçando um bocejo.

- Você estava dormindo? – Jared pareceu surpreso.

Jensen fez que sim com a cabeça. Claro, o que mais ele haveria de estar fazendo às 5h da manhã? De forma alguma iria admitir toda a angústia que sentia. Não queria parecer um garotinho idiota...

- Ah, desculpa... É que eu pensei... Ahh, deixa pra lá... Pode dormir... – Jared falou sem graça.

- Hey, tudo bem... Não está me incomodando... Uma visita sua é sempre bem-vinda. – E dizendo isso, Jensen deu um selinho no namorado e convidou-o a se sentar com ele na cama.

- Jen... – o moreno então perguntou – Você não está ansioso? Com a visita do seu pai e tudo mais?

A pergunta pegou Jensen de surpresa. Para que falar sobre algo que o atormentava? A verdade é que Jensen estava com tanto medo de se decepcionar que nem se permitia ter muitas esperanças de que o pai viesse de fato visitá-lo.

- Não... Eu nem sei se ele vem mesmo, Jay... – o louro respondeu então de cabeça baixa.

Jared arregalou os olhos. Como assim não sabia? Roger havia prometido! É claro que ele vinha...

- Jen... Por que está dizendo isso...?

- Sei lá, Jay... Talvez ele não possa vir. Não sei...

- Não possa vir? Por quê? – o moreno definitivamente não estava entendendo todo aquele pessimismo...

- Bem, contratempos acontecem. – Jensen falou de forma um tanto brusca, como se quisesse pôr um fim na conversa. Era exatamente isso que ele queria: dar um fim àquele assunto. Seu pai podia mesmo não aparecer... Aliás, era quase provável. E se isso acontecesse, Jensen não queria que se apiedassem dele. Não aparecer não era sinônimo de tê-lo abandonado de novo... A mãe não aparecia também, e até onde ele sabia, ela não o tinha abandonado de vez. Contratempos acontecem mesmo, e nem sempre é possível para uma pessoa cumprir com sua palavra...

Jared se calou. Pensou que encontraria o namorado tão otimista quanto ele... Imaginou que naquele momento poderiam estar rindo, imaginando como seria o encontro de seus familiares, naquele dia que tinha tudo para ser especial. O moreno foi invadido por um sentimento confuso. Estava decepcionado.

Jensen mudou de assunto. Conversar sobre qualquer outra coisa parecia apropriado naquele momento. Quanto menos se preocupasse com a possível visita do pai, melhor...

Quando o relógio marcou oito horas, entretanto, nenhum dos dois meninos conseguia pensar em outra coisa, apesar de não conversarem sobre o assunto. A chegada dos familiares estava marcada para as 9h.

- Jen, você devia ir tomar banho... Começar a se ajeitar... – Sugeriu o moreno.

Jensen não discutiu e as 8:30h já estava pronto. Os dois meninos então foram para o salão, chegando bem mais cedo que a hora marcada. Não foram os primeiros a chegar, entretanto. Uma meia dúzia de garotos já estava lá, ansiosos também por reencontrar seus parentes. A medida que o tempo foi passando, mais meninos foram chegando, inclusive Tom e D.J.. Mas Jared, e principalmente Jensen, não queriam mais ninguém ao seu redor, e permaneceram sentados em uma mesa afastada.

Quando deu nove horas, ansiosos, os meninos olhavam para a porta principal do salão. Os pais começavam a chegar. D.J. foi um dos primeiros a avistar seu pai, mãe e irmãos, e saiu correndo em direção a eles, feliz da vida. Em seguida levou-os para passear pelos jardins do colégio. Os pais de Tom também não custaram a aparecer. Mas onde estava o pai de Jensen? Jared olhou no relógio aflito. Eram 9:10h.

O moreno olhou para Jensen, que exibia o olhar mais triste do mundo.

- Ele já vem, Jen... Não se preocupe. – o menino disse baixinho, segurando a mão do namorado.

Jensen apenas suspirou, e nada disse. Ele estava se sentindo muito mal por ter que esperar o pai, sem nem mesmo saber se ele realmente viria. Seu coração batia descompassado e ele sentia sua respiração falhar.

Vendo o sofrimento aparente do louro, Jared tentava animá-lo.

- Meus pais também ainda não chegaram, Jen... É normal as pessoas se atrasarem um pouco. Ainda tem muita gente esperando...

Jensen conferiu o relógio. Onze minutos haviam se passado agora. Onze minutos não era muito tempo, afinal... Mas quanto tempo precisaria sofrer ali até ter a certeza de que Roger não apareceria para vê-lo? Em qual momento ele decidiria que não adiantava mais ter esperança alguma? Jensen teve tanto medo que sentiu uma lágrima se formando. Tratou de engoli-la, porque Jared já lançava olhares piedosos em sua direção. Detestava mostrar o quão quebrado estava por dentro.

- Talvez ele não possa vir... – Disse Jensen então, dando de ombros. – Mas se não vier, tudo bem.

O coração de Jared batia mais forte. Roger tinha que aparecer... Se ele não viesse, não estaria nada "tudo bem". Longe disso! Jensen não iria aguentar...

Foi com pouca felicidade que o moreno avistou seus pais chegando. Preferia que eles sim, estivessem mais atrasados, pois sua chegada apenas agravava as coisas. Sem opção, levantou-se e foi até eles, fazendo questão de levar Jensen consigo.

- Esse é o Jensen, meu melhor amigo. – disse Jared, apresentando o louro a Sharon e Gerald, depois de receber dos dois abraços apertados.

Jensen foi simpático, e sorriu para eles.

- E quem é aquele? – perguntou Gerald um tanto alarmado quando viu Tom passeando por ali com sua calça prateada.

- É o Tom... é meu amigo também... – respondeu Jared, interrogativo. Qual era o interesse do pai em Tom afinal?

- E andar desse jeito aqui é permitido? Em que mundo estamos vivendo? – o homem disse em tom de reclamação.

Jared então explicou ao pai que eles tinham alguns dias livres. Na maior parte do tempo, usavam uniforme, mas nesses dias especiais, podiam escolher o que vestir. O dia de visitas era um desses dias, mas alguns poucos dias de aula também eram livres. E existiam regras... Não era permitido usar saias, por exemplo, se não com certeza Tom já haveria de ter arranjado a sua...

Gerald balançou a cabeça em desaprovação.

Jensen, ao lado dos dois, escutava àquela conversa sem prestar muita atenção. O que importava a roupa que Tom vestia? Ele poderia andar nu, se assim desejasse... Jensen pouco se importava.

O menino se desculpou, retirando-se em seguida. Infelizmente não aguentaria passar o dia ao lado de Jared e de seus pais. Roger não viria, agora tinha certeza. Ele tinha sido um idiota por ter tido um pingo de esperança, e agora sofria as consequências desse erro. Devia ter mantido os pés no chão, e jamais acreditado que teria a visita do pai. Quem mandou ser tão burro?

Jensen andava em direção ao dormitória sentindo seu coração esmagado dentro do peito. As lágrimas já começavam a rolar em seu rosto. Tudo o que ele queria era se esconder em baixo das cobertas e fingir que, por um momento, ele não era ele mesmo.

- Jensen! – A voz do namorado trouxe o louro de volta à realidade. Jensen o amava, mas naquele momento precisava ficar sozinho... Será que Jared não entendia? Por que tinha ido atrás dele? O menino enxugou as lágrimas depressa, e olhou para trás.

Jared estava lá e acenava para ele, exibindo um sorriso largo no rosto. Ao seu lado, não apenas Roger, mas também sua mãe, Sarah, e sua irmãzinha, Mackenzie, esperavam por ele.