Bella's POV

Não surpreendentemente, Esme gostou da pequena homenagem que Edward e eu fizemos a ela com relação ao nome da nossa filha. Na verdade, "gostar" era um termo um pouco fraco: Esme havia adorado a notícia, e ficou tão emocionada que, por um bom tempo, não conseguia parar de chorar.

- Eu tenho certeza que sua mãe se sentiria tão lisonjeada quanto eu se estivesse aqui, querida. - Ela falou, limpando os olhos com mais um lenço de papel.

Eu gostaria que ela estivesse aqui.

Ter Renesmee agora me fazia sentir mais a falta dos meus pais, e eu não sabia o motivo. Alguma parte de mim queria tê-los por perto para mostrá-los a incrível obra de arte que eu havia trazido ao mundo, e vê-los felizes com uma netinha linda que eles jamais puderam ter. Queria também mostrá-los o tamanho da minha felicidade, e como, na verdade, tudo melhorou depois que Edward apareceu na minha vida.

Eu queria que eles tivessem conhecido Edward.

Eu gostaria que eles estivessem aqui.

Era bom ter Esme e Carlisle sempre por perto. Era em momentos onde minha tristeza órfã aumentava que eles faziam com que eu me sentisse em casa, dentro de uma família, sem nunca achar que aquilo era apenas gentileza. Eu realmente pertencia àquela família, e isso era algo maravilhoso. Mais maravilhoso ainda era saber que a minha filha, a pessoinha que eu mais amava no mundo, fazia parte dela também.

Embora os cortes da minha operação ainda doessem, tudo no que eu conseguia prestar atenção era a presença dela. Talvez eu pudesse até me importar com o fato do parto não ter sido da forma como eu queria, mas depois do Dr. Lewis ter explicado exatamente o que havia acontecido e de toda a dificuldade do processo (porque tudo havia passado tão rápido que eu não fazia idéia de nada), tudo que fiz foi agradecer por simplesmente ter minha filha comigo. Viva, saudável e faminta.

Esme e Carlisle pareciam radiantes com a presença dela nos horários de visita, e tudo que Edward fazia era encará-la como se ela se fosse uma mini bomba atômica. Renesmee era assustadoramente quieta, exceto quando estava com fome. Por isso era comum vê-la entrando no quarto aos berros no colo de uma enfermeira e assisti-la ficar repentinamente calma quando alcançava meu peito.

Doía um pouco. Ela era violenta e nada sutil. Mas eu não conseguia realmente sentir a dor.

O sono parecia tomá-la depois de cada furiosa refeição, mas ela não se dava por vencida antes de passar algum tempo analisando cheia de curiosidade os rostos sorridentes ali. O rosto de Edward era sempre o que parecia chamar mais a sua atenção, e era sempre no colo dele que ela acabava dormindo, exausta da tentativa de entender quem era ele e por que parecia se derreter todo por ela.

Ele, por sua vez, não disfarçava sua mais nova obsessão, e mesmo que passasse todo o tempo permitido do meu lado, me mimando da forma que sabia fazer muito bem, era só Renesmee entrar em cena para que eu fosse imediatamente esquecida e substituída por ela. Mas eu não ficava chateada. Na verdade, sinceramente, achava aquilo adorável.

- Contanto que ela seja a única mulher que você prefira a mim, tudo bem. - Falei repentinamente enquanto ele a ninava depois do almoço.

Edward sorriu de maneira simples, desviando o olhar da filha só por um segundo para me encarar com uma expressão que dizia "não seja boba".

- Não estou reclamando. - Concluí.

- Claro que não está. - Ele murmurou, voltando a encará-la - Você sabe que eu amo as duas de formas diferentes.

- Tudo bem. - Ajeitei o travesseiro atrás de mim e deitei devagar, agindo de maneira casual - Mas quando a quarentena acabar eu vou exigir que você me mostre isso.

Levantei uma sobrancelha tentando parecer sedutora, mas me achei ridícula. Ele me encarou outra vez, com a mesma expressão tranquila de antes. Isso era bom: Pelo menos Edward não estava rindo da minha cara.

- Ah, meu amor... - Ele começou de maneira simples, como se estivéssemos conversando sobre presentes de Natal - Assim que a quarentena acabar eu vou te mostrar exatamente de que forma eu te amo.

Ele deu um sorriso simples, mas muito largo, talvez não tendo a intenção de ser provocante, enquanto ainda ninava com paciência a nossa filha adormecida no colo. Era uma visão interessante. Meus ovários estariam explodindo caso eu não estivesse sentindo uma dor altamente anti-tesão.

Mas tudo bem. Eu só precisava esperar.

Meu aniversário, dois dias depois do nascimento de Renesmee, passou quase em branco. Mas não me importei. Receber os votos de felicidades de Edward, dos pais dele e até dos irmãos por telefone era mais do que o suficiente, mesmo que todo mundo evitasse me abraçar com medo de que me machucassem. Edward se desculpou repetidas vezes por não podermos fazer nada de bom como comemoração, e tentei explicá-lo que o fato de não conseguir dar dois passos sem sentir dor não era culpa dele. Deixei bastante claro que não queria comemoração alguma, com medo de que ele trouxesse os Doutores da Alegria até o meu quarto junto com balões coloridos e bolo, mas o que mais o fez se sentir culpado foi o fato de não ter me dado nenhum presente - fora um "simples" bracelete grosso cravejado de brilhantes -, porque ele "não conseguiu se concentrar suficientemente para pensar em um presente melhor".

- Mas eu ainda vou te dar um outro...

- Se você fizer isso eu peço divórcio.

- Mas isso foi só uma coisa pra não deixar passar em branco...

- Divórcio, Edward.

Ele sabia que não adiantava bufar quando eu parecia estar falando sério. É claro que eu não estava falando sério, mas sabia que ameaças desse tipo provavelmente funcionariam como forma de controlar seus exageros. Edward sempre havia sido assim, e algo me dizia que agora, com o nascimento da nossa filha, a coisa só tendia a piorar.

Quando finalmente recebi alta do hospital, fui recepcionada de forma calorosa por Esme, Carlisle e Emma na casa que agora eu já conseguia chamar de "minha também". Fui saber mais tarde que Edward havia cogitado a possibilidade de contratar mais duas empregadas, já que eu não poderia sequer me servir de um copo d'água sozinha e que, por isso, o número de empregados deveria aumentar. Felizmente (e isso porque Esme ainda tinha algum poder de persuasão sobre o filho), a idéia foi esquecida, chegando-se à conclusão de que uma empregada e uma avó por perto já era mais do que o suficiente para não deixar que a nossa filha morresse de fome ou de frio.

Quanto a Renesmee, tudo que ela fazia consistia em chorar, comer e dormir. Eram coisas bastante monótonas na teoria, mas não deixavam de exercer um certo poder hipnótico sobre Edward e, confesso, sobre mim também. Talvez fosse coisa de pais de primeira viagem, mas seus avós também pareciam obcecados quando ela começava a piscar os olhinhos devagar, o que me fez imaginar que talvez fosse um encanto natural seu mesmo.

A primeira vez que tive que dar banho nela, implorei para que Esme estivesse presente. Eu nunca havia feito aquilo, e nos meus piores pesadelos Renesmee se debatia toda molhada nas minhas mãos, escorregava pelos meus dedos e se estatelava no chão.

- Você não vai deixá-la cair, querida.

- Eu não sei...

- Ela é tão quietinha...

- É, mas eu sou um pouco estabanada...

Mas não foi difícil. Minha filha era mesmo estranhamente calma, e nem o primeiro banho foi o suficiente para fazê-la espernear, como era bastante comum de acontecer com bebês. Ela parecia tranquila enquanto eu fazia pequenas ondas com as mãos em concha e molhava sua barriga e seu pescoço.

- Acho que ela está gostando. - Edward falou do outro lado, e Renesmee olhou para ele. Sempre que ele falava ela fazia isso.

- É claro que está. - Esme respondeu, encarando-a como se estivesse conversando com ela - A água está quentinha, não é?

Edward estendeu o dedo e tocou em uma de suas mãozinhas fechadas. Ela reconheceu o toque e abriu os dedos para logo em seguida espremê-los contra a ponta do mindinho do pai.

- Caramba, você é forte!

- Ei, não precisa segurar, a mamãe não vai te afogar. - Esme falou de bom humor.

- Ah meu Deus, tomara. - Balbuciei, tentando firmar a mão e ao mesmo tempo não machucá-la.

No final, tudo deu certo. Renesmee estava limpa, cheirosa e um pouco entediada até. Depois de algumas horas com Edward tentando entretê-la de alguma forma, ela finalmente se rendeu e adormeceu.

- Ela é tão calma...

- É...

Estávamos observando-a dormir há mais ou menos quinze minutos. Havia pombinhas de plástico girando em cima do berço, presas por cordas finas, e um mosquiteiro (mesmo que não houvesse mosquitos àquela época do ano - coisas de Edward). Uma caixinha de música tocava uma melodia muito baixa e infantil, e a iluminação fraca do quarto estava quase me fazendo dormir também.

- E você vai pra sua cama. - Senti dois braços me envolverem de leve por trás, tomando cuidado para não pressionar minha barriga.

- O que te faz pensar que eu estou com sono? - Perguntei distraidamente.

- Você está de olhos fechados. - Edward respondeu de bom humor atrás de mim, e me dei conta de que realmente sequer havia me dado ao trabalho de abri-los.

- Você vai se sentir melhor quando der ao seu corpo o descanso de que ele está precisando. - Esme concluiu - Ainda está com dor? Se quiser eu posso ajudá-la no banho.

- Não precisa, eu estou bem. Obrigada pela ajuda, Esme.

O fato é que só na hora do banho eu me dei conta de que talvez aquela ajuda oferecida viria a calhar bem.

- Está doendo?

- Está.

- Muito? - Ele fez cara de dor.

- Um bocado.

- Quer tomar banho na banheira? Você não precisaria ficar de pé...

- O médico disse que não era aconselhável usar a banheira até cicatrizar. - Respondi sem prestar muita atenção - Tenho que me lembrar de tomar banho antes de Emma ir embora.

Edward fez uma cara de desafio e estufou o peito.

- Eu te ajudo.

- Você vai se molhar todo.

- Esse é o grande argumento pra sua objeção?

Realmente, aquele era um argumento patético. Mas como ele parecia bastante disposto a me ajudar e, para falar a verdade, o corte estava me incomodando bastante, aceitei sua ajuda e o aluguei como apoio para não perder o equilíbrio no box e me estatelar no chão, abrindo todos os pontos na minha barriga e sangrando até a morte.

Dormir foi uma tarefa difícil naquela primeira noite. Os órgãos pareciam soltos dentro da minha barriga. Era uma sensação estranha. Como se não bastasse, meus ouvidos estavam a postos, atentos para captar o menor som vindo do outro lado do corredor, fossem gritos de fome ou uma simples tosse quase inaudível. Por isso não consegui relaxar e dormir antes das 2h da manhã.

E nem depois, porque foi exatamente a essa hora que Renesmee acordou, chorando como se estivesse sendo esfaqueada. Minha condição delicada me impedia de levantar da cama no escuro e sair correndo ao seu socorro, por isso Edward teve que trazê-la até mim. Depois de analisarmos a situação e chegarmos à conclusão de que não lhe faltava nenhum braço, concluímos que aquele choro era devido à sua exigência de um "lanchinho da madrugada".

O lugar certo do berço era, esteticamente falando, no quarto do bebê. Mas na prática a coisa mudava de figura. Até Edward acordar, conseguir ficar de pé e ir até o quarto dela sem tropeçar e quebrar o nariz no chão, se certificando de que não havia acontecido nada, eu já estaria imaginando minha filha sendo devorada por uma tarântula gigante ou qualquer coisa assim. Tempo era uma coisa preciosa quando ela chorava, porque se ela chorasse, algo estava errado. E se algo estava errado, eu tinha que consertar o quanto antes.

Por isso, no dia seguinte, o berço de Renesmee veio parar no nosso quarto, ao lado da nossa cama.

Infelizmente, a rotina de sono da nossa filha não parecia ser compatível com a nossa, o que fazia com que, em plena madrugada, eu tivesse que ficar acordada tentando niná-la enquanto ela me encarava com aqueles olhos grandes acinzentados, não demonstrando sono algum por ter dormido tudo que podia durante o dia. A coisa piorava quando Edward decidida, em um ato de companheirismo, permanecer acordado comigo enquanto ela não me deixasse dormir. Era pior porque Edward ficava encarando Renesmee hipnotizado, e Renesmee encarava Edward de volta cheia de curiosidade. E enquanto eles estivessem dentro da bolha deles - o que às vezes, dependendo do meu sono, parecia durar décadas -, eu não poderia dormir.

Aquelas primeiras semanas passaram, e conforme minha filha ia ficando mais gorda e saudável, eu me aproximava cada vez mais da perfeita descrição de um zumbi.

- Você tem certeza que quer aprender isso?

- Claro! - Ele respondeu - Que tipo de pai não sabe trocar a fralda da própria filha?

- Muitos pais não sabem...

- São uns idiotas. Me ensine.

Eu tinha que dar algum crédito a Edward. Meu preconceito quanto às frescuras do sexo masculino me fizeram pensar que ele daria um chilique na primeira golfada que levasse da nossa filha. Indo contra todas as minhas expectativas, ele se mostrou até bastante solícito e disposto a aprender muitas coisas.

- Bom, não tem muito mistério... - Comecei, me achando incrivelmente madura por estar ensinando alguma coisa a alguém, e enquanto eu demonstrava os passos para uma perfeita higienização, Renesmee contorcia os bracinhos e as perninhas como um besouro com a casca para baixo. Embora ela fizesse uma cara de choro igual às vezes que sentia fome, não se escutava um único som. Tudo que se notava era uma careta que deixava claro que ela gostaria de ser deixada em paz.

- Ok, as próximas vezes são minhas. - Ele concluiu, atento a cada movimento meu.

É claro que todas as próximas vezes não foram dele. A lei garantia a Edward uma semana de licença do trabalho, e ele já estava de volta à ativa havia algum tempo àquela altura. Eram então as fraldas da noite e - graças a Deus - da madrugada que ficavam sob a responsabilidade dele.

- E aí eu limpo aqui... - Ele falava consigo mesmo enquanto trocava Renesmee.

- Por que ela só faz careta comigo?

Olhamos para ela, que parecia completamente entretida com os olhos muito abertos e perfeitamente quieta, o rosto quase apático.

- Sei lá. Talvez ela goste mais de mim. - Ele respondeu de bom humor, checando se a fralda não tinha ficado apertada demais.

- Acho que é uma boa explicação. - Respondi, talvez disfarçadamente enciumada.

Ele riu, segurando-a com firmeza e trazendo-a para seu colo.

- Minha voz deve distraí-la. - Ele continuou - Eu sempre falei mais com ela do que você...

- Por isso ela gosta mais de você?

- Ela não gosta mais de mim.

- Sei...

Ela gostava mais dele. Era a clara e nítida impressão que eu tinha todas as vezes que os via juntos. Renesmee sempre parecia mais interessada nele do que em mim, e era incrível como algumas vezes Edward conseguia fazê-la sossegar até quando ela estava faminta. Ele não precisava ter um peito com leite, só aquela voz mansa que fazia toda vez que se dirigia a ela.

Ele, por sua vez, só tinha olhos para a filha. Sempre que chegava em casa - o que vinha acontecendo cada vez mais tarde - a primeira coisa que ele fazia era correr pelos aposentos em busca dela. Como estávamos frequentemente juntas, eu era a primeira pessoa que ele via também, mas sabia que toda aquela euforia e saudade borbulhante não eram direcionadas a mim.

Eu estaria mentindo se dissesse que não me incomodava um pouquinho aquela relação deles, porque no fundo me excluía. Éramos uma equipe de três pessoas onde duas se preferiam mutuamente, e eu, deixada de fora daquele círculo de amor, me sentia a criança que não era a melhor amiga de ninguém. Claro que eu não estava desenvolvendo nenhum transtorno obsessivo depressivo ou coisa parecida, onde acabaria assassinando minha própria filha pela atenção do meu marido e vice-versa, mas o fato é que eu era sim imatura, e estava sim me sentindo carente.

- Um mês! - Ele falou com um sorriso de orelha a orelha, levantando-a do berço e trazendo-a perto do seu rosto - Você já tem um mês! É praticamente uma adulta!

O primeiro mês de Renesmee havia coincidentemente caído num sábado. Se por acaso isso não tivesse acontecido, eu estava certa de que Edward faltaria ao trabalho para passar o dia com ela.

- Daqui a pouco já vai estar falando! - Ele completou.

- Daqui a pouco já pode dirigir. - Brinquei, mas ele estava concentrado demais para notar o deboche.

- Uuuuuh, nós vamos festejar! - Ele falou todo animado, segurando um dos braços dela e fazendo-a dar um mini-soco no ar. Edward conseguia ser adorável sem nem se dar conta disso.

- Vamos? - Perguntei - Vai ter festa?

- Bom... Vai ser uma festa particular. Mas ei, nós temos que comemorar!

A comemoração consistiu em uma reunião familiar em que o centro das atenções eram Renesmee e seu macacãozinho de lã rosa, que a embrulhava quase que completamente para protegê-la do tempo frio de Outubro. Ou seja, foi só um sábado como todos os outros, exceto pelos cinco brindes de whisky entre Carlisle e Edward.

Ela estava ficando mais gordinha e mais encantadora com o tempo. Àquela altura já tínhamos feito uma visita ao pediatra, que atualizou os diagnósticos dos testes do pezinho, do olhinho, da orelhinha e todos nesse estilo, que determinavam se nossa filha era tão perfeita quanto parecia. Seu desenvolvimento, curva de crescimento e estado nutricional haviam sido avaliados e reavaliados. Tudo estava bem. Ela era perfeita.

Enquanto isso, eu ficava cada vez mais acabada. Minha barriga ainda não havia voltado ao normal, e isso, somado ao corte da cesariana logo abaixo do umbigo, estava fazendo com que eu me sentisse bem deformada. Meus seios estavam cheios de leite e doíam pelo peso, minhas sardas - assim como qualquer pequena mancha de pele - pareciam bem mais escuras. Eu tinha a impressão de que meus cabelos, minha pele e minhas unhas estavam mais fracas, e minhas olheiras ajudavam a me aproximar gradualmente da descrição de uma semi-morta caindo aos pedaços. Talvez eu devesse tomar cuidado ao perambular pela casa de madrugada, Edward poderia me confundir com algum cadáver ambulante.

Aquilo não estava ajudando em nada a manter minha auto estima. Pensando em como eu poderia me sentir melhor, lembrei que havia lido em algum lugar que o "papai da mais nova família", como os livros gostavam de colocar, "tinha um papel super importante em apoiar, entender e dar amor à mamãe". Como aquele era um período conturbado, em que "muitas coisas estariam mexendo com o interior da mulher e blá blá blá", era importante o diálogo entre o casal, a busca de um equilíbrio e do bem estar mútuo, e mais algumas coisas que eu não me lembrava.

- Amor, tudo bem?

Pisquei algumas vezes até encontrar Edward sentado à minha frente na cama. Renesmee estava mamando às 04:30h da manhã.

- Por que está acordado? Já disse pra você parar com isso, você tem chegado muito tarde e...

- "E precisa descansar". Eu sei.

- E por que não voltou a dormir?

- Porque eu olhei pro lado e vi vocês aí.

Continuei encarando-o com meu mais novo olhar reprovador de mãe.

- Ei, você não pode me culpar por gostar de ficar assistindo vocês duas.

Aquela havia sido a primeira vez que Edward se referida não só a Renesmee, mas a mim também. E isso me pegou tão desprevenida, principalmente quando meus pensamentos estavam vagando pelos limites da minha carência, que eu não consegui segurar o sorriso.

- Nós duas? - Perguntei, esperando uma confirmação.

- É... - Ele respondeu, provavelmente não entendendo o motivo da minha dúvida - É difícil querer voltar a dormir depois de uma cena dessas.

Corei. Mesmo que eu soubesse que a cena a que Edward estava se referindo consistia em Renesmee mamando e eu fosse só um peito com leite naquele processo, era bom ouvi-lo me incluir na equação. É claro que o centro das atenções dele era ela, e ainda haveria de ser provavelmente pelo resto da vida, mas receber um pouquinho de consideração naquele momento foi bom.

Foi bom porque eu sentia falta dele, e porque, mesmo como mãe, eu tinha inseguranças que melhoravam com um simples ato de atenção. Não que eu quisesse a mesma atenção que ele dava (e deveria dar mesmo) à nossa filha - obviamente -, mas só um pouco dela. O mínimo necessário.

- Nós estaremos aqui quando você acordar. - Respondi com um novo humor, me permitindo incluir a mim mesma na sentença - Durma.

Ele sorriu um daqueles sorrisos simples, calmos.

- Espero que estejam. - Edward concluiu, chegando mais perto de mim e beijando o meu ombro - Eu dependo disso.

- Amor, eu tenho uma notícia. - Edward proclamou meio desanimado ao entrar pela porta.

Continuei encarando-o com uma expressão neutra, talvez pensando se deveria me preocupar com o fato da tal "notícia" possivelmente ser tão importante que precisava ser anunciada.

- Está tudo bem? - Falei de repente, cansada de esperá-lo desfazer o nó na gravata.

- Mais ou menos... Temos alguns probleminhas na empresa, e...

Respirei fundo. Eu sabia da competência de Carlisle para não deixar nada de grave acontecer à sua empresa, e mesmo que esse não fosse o caso, era bom saber que os probleminhas em questão eram relacionados ao trabalho, e não à vida pessoal de Edward.

- … e aí o pessoal vai ter que fazer uma viagem...

- Viagem? - Voltei a prestar atenção.

- É, mas é só por uma semana, depois nós voltamos...

- Você vai? - Perguntei, um pouco surpresa. Ele me encarou confuso.

- É, eu vou... Você estava me escutando?

- Mais ou menos... - Admiti - Você vai viajar por uma semana?

- Sim. Nós vamos pra Bristol, e depois pra Liverpool.

Pensei por algum tempo.

- Quem vai? Só você?

- Não, eu e mais algumas pessoas.

Me perguntei se havia alguma mulher dentre aquelas "algumas pessoas". Poderia haver mais de uma, inclusive. Eu deveria estar pensando naquilo? Aquilo deveria estar me incomodando?

- Carlisle vai? - Perguntei, tentando soar normal.

- Vai.

Ótimo. O pai dele iria. Ele não ousaria fazer alguma besteira com o pai lá. Ele não ousaria fazer alguma besteira de forma alguma, certo?

Como continuei calada, ele prosseguiu.

- E nós vamos amanhã...

- Amanhã? - Perguntei surpresa.

- É... O vôo é de manhã, às 9h... Mas nós voltamos em uma semana, eu juro. E minha mãe vai estar aqui o tempo todo...

Eu sabia que Esme me ajudaria, mas não queria que Edward se afastasse. Por algum motivo eu gostaria muito que ele não saísse do meu lado.

- Eu sei que vai ser ruim... - Ele continuou, quase fazendo beicinho - Eu também não sei como vou conseguir passar uma semana longe de vocês agora...

"Nós". "Longe de nós".

Aquela era a segunda vez que ele me incluía nas suas demonstrações de amor, e eu estava começando a me sensibilizar com isso. Por mais que a falta da qual ele falava fosse obviamente muito mais direcionada a Renesmee do que a mim.

- Bom... - Comecei, já meio derrotada - Você pode aproveitar o resto de hoje.

Sim, aquilo foi uma tentativa de flerte, mas como eu havia imaginado, Edward não reparou. Provavelmente a anormal naquela história era eu, já que todos os livros que eu havia lido sobre gravidez me informavam que, logo após o parto, era normal as atenções estarem voltadas totalmente para o bebê, e que a mulher particularmente não teria nenhum interesse em sexo. Só que, bom, eu estava começando a ter. Então isso provavelmente fazia de mim uma mãe horrível, que ao invés de prestar atenção somente à filha começava a traçar planos de sedução para poder aplicá-los no marido.

Será que Edward já tinha reparado no fim da quarentena? Será que ele tinha reparado que àquela altura nós já poderíamos ter retomado as relações há mais ou menos duas semanas? Os maridos não se ligavam mais nisso? Era eu que deveria estar fazendo essas perguntas?

Não importava. O importante - e um pouquinho frustrante - era que ele havia tomado o meu "aproveite a noite" como uma indicação de que deveria passar mais tempo com Renesmee. Em parte, eu concordava. Sabia que ele sentiria saudades dela, e achava mesmo que ele tinha que aproveitar enquanto estivesse por perto. Mas...

- Você está se tornando bom em fazê-la dormir. - Falei.

- Eu sei. - Ele brincou, colocando-a no berço com cuidado, mas não sem antes trazê-la até perto do seu rosto e dar um beijo apaixonado em uma das bochechas rosas dela. Meu coração derreteu como calda quente, me fazendo suspirar.

- Vocês ficam lindos juntos... - Soltei sem me dar conta disso, e ele simplesmente sorriu de maneira inocente. Era a mais pura verdade: Eu poderia sentar ali e ficar assistindo os dois sendo fofos um com o outro para sempre. Mas o fato era que, intimamente, eu queria um pouquinho de atenção também.

- Aaah, não quero ir! - Ele disse de repente, apoiando o queixo no berço enquanto deixava Renesmee espremer a ponta do seu indicador entre os dedinhos inconscientemente.

- Eu também não quero que você vá... - Comecei, aproximando-me dele e mexendo nos fios do seu cabelo. Havia tanto tempo que eu não tocava nele daquela forma - na verdade, de forma alguma -, que por um momento senti a pele dos meus braços ficar ligeiramente arrepiada. Quando o encarei, notei que seus olhos piscavam devagar conforme o movimento que meus dedos faziam. Ele estava quase dormindo.

Parei instantaneamente.

- Eu vou tomar um banho... - Falei, tentando acordá-lo.

- Hmmm, ok. - Ele respondeu, já bocejando.

Antes que Edward desse um fim a qualquer iminente tentativa minha, me apressei em dizer:

- Nós poderíamos aproveitar enquanto ela está dormindo... Ver um filme ou algo assim... Sabe, passar algum tempo juntos já que você vai viajar amanhã...

Eu não precisava me explicar tanto. Sempre que fazia isso acabava parecendo um pouco boba, mas eu não queria que ele pensasse que eu era uma idiota que estava disputando a atenção dele com a nossa própria filha. Isso seria deprimente.

- Ah... - Edward começou se espreguiçando, e me perguntei se ele tinha entendido o que exatamente eu tinha sugerido - Claro. Eu te espero aqui.

Depois de dizer isso, ele me beijou com muita delicadeza e se deitou na cama, ligando a tv. Bom, aquilo não parecia muito com um Edward "cheio de vontade" como eu me lembrava, mas tudo bem. Talvez se eu deixasse que nossas vontades nos levassem, poderíamos ter uma noite interessante sem ser previamente não fosse nada selvagem, mas eu só queria ficar um pouco nos braços dele mesmo, por mais exageradamente romântico que isso soasse.

Entrei no banho e me ensaboei duas vezes, querendo que o perfume do sabonete cobrisse cada poro meu. Lavei o cabelo com o shampoo e condicionador mais cheirosos que estavam ali, e depois de finalmente vestir uma camisa social vermelha dele - porque eu não tinha camisola, nunca tive -, saí do banheiro confiante.

Unicamente para dar de cara com Edward dormindo na cama enquanto um programa de animais passava na tv.

Suspirei profunda e lentamente. Aquilo me deixou desanimada, mas eu entendia. Sabia que ultimamente ele andava trabalhando o dobro do que sempre trabalhou, e talvez fosse menos egoísta da minha parte deixá-lo descansar.

Sem muito o que fazer, desliguei a tv, chequei Renesmee no berço e me deitei para dormir também.

Eu não sabia se aquilo era possível, mas achava que Renesmee estava com saudade de Edward. Não tinha como definir uma coisa dessas, mas eu tinha a impressão de que ela andava não só entediada como também mais mal humorada.

- Mas ela está bem? - Ele perguntou pela quinta vez. Estávamos falando no telefone havia quarenta minutos, dos quais trinta e cinco foram focados nela.

- Já disse que sim. Só acho que ela está cansando da minha cara. Hoje ela chorou quando eu troquei a fralda...

- Mas ela nunca gosta quando você troca.

- Eu sei que não! - Respondi um pouco irritada - Mas ela nunca chorou. Hoje foi a primeira vez...

- Ela tem dormido direito?

- Sim... Ela só demora um pouco pra voltar a dormir depois que acorda...

Ele suspirou do outro lado da linha.

- Se for possível voltar antes, eu volto.

Eu não sei por que, mas a impressão que eu tinha era de que Edward estava dando a entender que eu não sabia tomar conta da nossa filha sem ele.

- Não precisa. - Respondi meio seca.

- Mas ela está sentindo a minha falta...

- Mas ela consegue viver sete dias sem você.

Ele não respondeu, e conforme os segundos de silêncio passavam eu me dava conta de que havia sido rude. Não só isso, como também injusta, tanto com Edward quanto com Renesmee. Eles gostavam da companhia um do outro, e eu não tinha o direito de dizer nada para impedir que eles matassem as saudades.

- Certo... - Ele pigarreou - Você deve estar cansada, eu ligo amanhã. Dê um beijo nela por mim.

- Me desculpa...

- Tudo bem. Eu tenho que ir agora. Um beijo.

E desligou.

Ótimo. Perfeito. Edward provavelmente me achava uma mãe possessiva que queria mantê-lo longe da nossa filha para que eu pudesse ficar com ela. Ou então, que Renesmee fosse a única pessoa ali que estivesse sentindo a falta dele. Talvez ele achasse as duas coisas, e as duas coisas não poderiam estar mais longe da verdade.

No dia seguinte, ao ligar outra vez, ele não pareceu abalado. Fez as mesmas perguntas padrão e me contou um pouco do que sua equipe estava fazendo lá, sempre em um tom bastante casual. Quando tentei pedir desculpas outra vez pela minha atitude infantil do dia anterior, fui impedida de me explicar, ouvindo dele que "estava tudo bem".

E foi assim até o último dia da sua viagem.

- Eu devo chegar amanhã por volta das 21h.

- Você quer que a gente vá pegar você no aeroporto?

- Nem pensar! Está muito frio na rua. Não se preocupe, eu vou correndo pra casa assim que pousar em Londres.

- Tudo bem... - Respondi, sentindo corar aos poucos - Estou com saudades...

Ele suspirou do outro lado da linha.

- Também estou... Mas é só até amanhã.

Eu sabia. Era só até o dia seguinte, mas aquela semana sem ele havia despertado um lado bastante passional em mim. Se já era difícil dormir direito de noite, porque Renesmee sempre acabava me acordando, a tarefa se tornava impossível sem Edward ao meu lado. Eu já tinha me acostumado com a presença dele, já havia me acostumado a dormir com o corpo dele perto do meu. O vazio do outro lado daquele colchão enorme me dava uma sensação de solidão esmagadora, e talvez minha saudade estivesse mais corrosiva porque eu ainda me sentia culpada pelas palavras rudes que havia dito a ele.

Assim, no dia seguinte, contando as horas para revê-lo, dei um banho caprichado em Renesmee, alimentei-a e fiquei brincando um pouco com ela no meio da cama. Ela fazia uns barulhinhos engraçados com a boca, e eu acho que aquilo me hipnotizava, porque eu não vi as horas passarem. De repente, depois de sabe-se lá quanto tempo, ouvi um barulho de carro na frente da casa.

Um minuto depois - o que era um recorde, dado o tamanho daquele lugar -, o maior urso de pelúcia branco que eu já havia visto na vida entrou pela porta com Edward agarrado à suas costas.

- Voltei!

Ele deu a volta, deixando o urso ao pé da cama e indo para perto de Renesmee. Ela sempre parecia um besourinho com a casca para baixo, balançando lentamente os braços e as pernas enquanto continuava soltando pequenos estalos com a língua.

- Você sabe como foi difícil ficar longe de você? Sabe? - Ele perguntou enquanto beijava sua barriga. Seus bracinhos abraçaram a cabeça dele como se ele fosse um travesseiro - Que saudade de você!

Os olhos dela continuavam arregalados, como se dormir fosse a última coisa que ela quisesse fazer. Renesmee e Edward continuaram "conversando" animadamente, onde ele perguntava uma coisa e ela respondida com um estalinho baixo da língua. Eles ficaram naquilo por mais ou menos um minuto, e eu fiquei ali assistindo toda aquela fofura sem falar nada.

- Ei, o urso é seu! - Ele disse de repente, se pondo de pé e agarrando a pelúcia esquecida perto da cama - Embora eu ache que você precise crescer um pouquinho pra brincar com ele.

Ele colocou o urso ao lado de Renesmee no colchão. Ela devia ser do tamanho de uma das pernas do bicho.

- E isso é pra você. - Ele falou, voltando a sentar no colchão e chegando perto de mim pela primeira vez. No momento seguinte, Edward segurava uma caixa de jóia nas mãos, e eu já estava pronta para agredi-lo fisicamente. Mas quando ele a abriu, me mostrando o que havia dentro, não consegui conter a admiração. - A pedra é um citrino.

Era um cordão de couro, diferente das jóias absurdamente caras que ele costumava me dar. Do meio pendia um pingente em forma de coração, com entalhes dourados muito delicados nas bordas. A pedra brilhante era amarela, mas o fascinante era que o amarelo era quase o mesmo amarelo dos olhos de Edward.

- Acho que vai ficar bem em você. Gostou? - Ele perguntou.

- É... Lindo! - Respondi, já colocando-o no pescoço - Obrigada... É da cor...

Ele me interrompeu, me puxando para os seus braços com um pouco de força e me beijando como há muito tempo não fazia. Não ofereci resistência, surpresa demais pela sua atitude.

- Senti sua falta também. Já disse que não consigo dormir sem você? - Ele falou, ainda muito próximo à minha boca. Meus olhos ainda estavam fechados.

- Então garanta suas noites de sono e não saia mais do meu lado. - Respondi, beijando-o de leve outra vez. Ele riu.

- Se dependesse de mim eu não tinha ido. Foram sete dias infernais. Por mais que consigam viver sem mim durante esse tempo, eu não consigo viver sem algumas pessoas...

Ele piscou e sorriu para mim, mas por mais que parecesse uma brincadeira eu estava convencida de que Edward tinha ficado chateado com as minhas palavras. O simples fato de lembrar delas já provava isso.

- Eu só disse aquilo porque parecia...

- Já passou, deixa isso...

- Parecia que você estava insinuando que eu não conseguia cuidar dela tão bem quanto você. - Continuei me explicando, como se ele não tivesse me interrompido.

Edward arregalou os olhos.

- Eu jamais insinuaria isso! É uma coisa idiota de se pensar...

- Não, não é. - Concluí meio triste - Você é muito melhor nisso do que eu. Você sabe lidar com ela. Ela gosta mais de você...

Ele segurou meu rosto de uma maneira firme nas mãos, me forçando a encará-lo e parar de falar.

- Não seja boba. Você sabe lidar com ela melhor do que ninguém. E ela não gosta mais de mim.

- Qual é, Edward. Você sabe que isso é verdade. Eu não estou reclamando...

- Você tem uma visão muito deturpada das coisas. Talvez não note como ela fica quieta quando você brinca com o cabelo dela, ou como ela olha pra você quando está mamando, ou como ela gosta de sentir o cheiro da sua pele.

Fiquei calada por um momento, talvez pensando se o que ele dizia poderia ser verdade.

- De onde você tirou isso...

- Eu vejo o que você não vê. - Ele concluiu - Se ela procura em mim alguém que a divirta, ela busca em você alguém que a acalme. Não quer dizer que ela goste mais de mim. Quer dizer que temos papéis diferentes na vida dela.

De onde ele tinha tirado aquilo? De algum livro de auto-ajuda?

E por que ele tinha conseguido me convencer?

- Você é uma mãe excelente. - Ele concluiu - Não deixe que sua insegurança a convença do contrário.

Eu estava quase me debulhando em lágrimas e pulando no colo dele por simplesmente confiar em mim daquela forma, mas foi nesse momento que notei o urso gigante caindo de barriga no colchão, consequentemente soterrando a minha filha.

- Ai, meu Deus!

Tirei a pelúcia de cima dela, encontrando-a se debatendo e contorcendo as perninhas e os bracinhos desesperadamente. Oh, sim, eu era uma excelente mãe. Uma mãe que deixava a própria filha ser esmagada por um urso de pelúcia assassino.

- Oooh, ela se assustou! - Edward disse, não conseguindo segurar o riso.

Renesmee soltou um choro fraco, manhoso, como se estivesse realmente magoada com quem tivesse permitido que aquela tragédia tivesse acontecido. Peguei-a no colo e a abracei, silenciosamente pedindo desculpas pela falta de atenção. Chequei se ela tinha se machucado, o que obviamente não tinha acontecido, e a beijei até fazê-la parar de chorar.

- Esse bicho vai ficar longe dela até que ela consiga sair debaixo dele sozinha se precisar! - Falei meio nervosa, o que fez com que Edward risse ainda mais da minha cara.

- Sim senhora. - Ele respondeu, prestando continência.

Naquela noite Edward ficou com Renesmee até dormir. Isso se repetiu o resto da semana, e eu achava justo deixá-los se curtirem depois de tanto tempo afastados, ainda mais porque ainda me sentia mal pelo que havia dito a ele. É claro que aquilo significava que eu havia sido momentaneamente deixada de lado, o que, como consequência, aflorou minha carência e uma vontade abdicada por um bom tempo.

Mas talvez já estivesse na hora de lembrar Edward que eu era a mulher dele.

- Estava procurando você. - Ele falou ao entrar na sala de vídeo enquanto tirava o casaco do avesso para vesti-lo da maneira certa. Eu estava esperando-o sair do banho havia alguns minutos, largada no sofá e assistindo qualquer coisa na tv.

Eu havia vestido a camisa social vermelha que um dia tinha sido dele. Foi proposital, eu sabia que Edward gostava de me ver com ela.

- Você parece cansado. - Falei, abrindo os braços para ele enquanto tentava parecer sexy. Obviamente fracassei.

- Por quê? Estou assim tão acabado? - Ele riu, ignorando meu abraço oferecido e sentando no sofá, já me puxando para o seu colo. Tirei o casaco das mãos dele e o joguei longe. Ele não precisava se vestir, por mais fria que a noite estivesse.

- Você nunca está acabado. - Deixei um beijo suave nos lábios dele, pensando em como abordar aquele assunto - Estou com saudade.

Ele sorriu de maneira simples e me encarou por um momento antes de retribuir o beijo, dessa vez sendo um pouco mais intenso. Sua mão encaixou no meu pescoço, e me lembrei como eu adorava quando aquilo acontecia.

- Eu também estou com saudade... - Edward parou por um momento, mordendo meu lábio inferior e me apertando contra si - Muita saudade...

Beijei-o outra vez, agora com força, lembrando de como aquilo era bom. Ele parecia se lembrar da mesma coisa, porque fez questão de aprofundar o beijo enquanto me prendia nos braços. Àquela altura eu duvidava que mais alguma coisa precisasse ser dita para fazê-lo entender quais eram os meus planos.

Agarrei os cabelos da sua nuca, quase sentindo saudades de fazer isso. Suas mãos passearam por cima do pano da camisa que eu vestia, no início apertando minha cintura com gentileza, depois se tornando um aperto um pouco mais agressivo.

Puxei-o mais para mim e ele entendeu. Sem muito esforço, Edward me levantou um pouco e me fez deitar no sofá, se deitando em cima de mim enquanto beijava e lambia meu pescoço. Meu corpo todo começou a pegar fogo, como se implorasse pelo toque dele. Quando suas mãos começaram a subir vagarosamente pela minha perna, fazendo cada centímetro da minha pele se arrepiar, ouvi um choro agudo e baixinho vindo do lado de fora.

Edward soltou um gemido de lamento perto do meu ouvido, e embora aquilo não tivesse sido para me excitar, me excitou.

- Ela deve estar com fome... - Falei ofegante contra sua boca, enquanto ainda enrolava inconscientemente os dedos nos seus cabelos.

- É... - Ele falou em uma voz triste.

- Eu vou lá... Você...

- Eu espero. - Ele concluiu, beijando meu pescoço em um ponto muito sensível, ao mesmo tempo que forçava seu corpo contra o meu, me mostrando o quão "animado" ele estava.

- Eu não vou demorar...

Beijei-o como uma breve despedida, mas não consegui desgrudar nossos lábios. Ele também não se esforçou para isso, e quando estávamos quase nos apertando a ponto de virar agressão, o choro se tornou ainda mais agudo.

- Hmmmmfff... Eu tenho... Que ir...

Ele respirou profundamente e saiu de cima de mim.

Me levantei um pouco zonza, mas fingindo ter controle sobre mim mesma. Encarei-o com cara de choro e, silenciosamente, implorei para que ele me esperasse mesmo. Mas sua ereção evidente me dizia que ele estava disposto a se manter acordado.

- Vai...

E eu fui. Cheguei no quarto e encontrei Renesmee se debatendo e se esgoelando. O típico choro de fome. Peguei-a no colo e sentei na cama, fazendo-a abaixar um pouco o volume dos berros. Provavelmente ela já sabia que aquele procedimento antecedia o leite. Quando ela alcançou meu peito, começou a mamar como uma faminta desesperada, da forma que sempre fazia.

- Como é que consegue caber tanto leite dentro de você? - Perguntei baixinho, passando os dedos pela cabecinha dela. Renesmee continou compenetrada na sucção, os olhos arregalados e fixos nos meus.

Minha pergunta foi respondida depois de vinte minutos, tempo necessário para que ela terminasse de jantar. Ao posicioná-la no colo para fazê-la descansar da mamada ou arrotar, colocando sua cabeça por cima do meu ombro, acabei sendo completamente vomitada. Havia leite não só no meu ombro, como também nos meus cabelos, pescoço e braços.

- Não cabe tanto leite dentro de você. - Respondi a mim mesma em voz alta. Alcancei um pano limpo rapidamente e sequei a boca dela, tentando fazê-la se sentir melhor. Mas ela parecia calma como se só estivesse esperando o tempo passar.

- Viu só o que acontece com bebês gulosos?

Estendi uma toalha na cama e depositei minha filha em cima dela. Troquei suas roupinhas, descartando as sujas e deixando-a limpa outra vez. Ela já estava quase dormindo, e me perguntei se havia sobrado algum leite dentro dela. Pela quantidade que estava na minha roupa, não.

E nesse momento Edward chegou no quarto.

- Uau... Você apertou a barriga dela? - Ele perguntou, parecendo se divertir.

- Ela come mais do que pode... - Respondi.

Ele a pegou no colo e a ajustou nos braços, colocando-a deitada ali, e começou a niná-la. Quase que instantaneamente Renesmee dormiu.

- Eu sou mesmo bom...

- Claro. - Respondi debochada, assistindo-o levá-la até o berço e deixando-a lá.

Ele me encarou outra vez.

- É... - Comecei, tentando ver o meu próprio estado. Resumindo, eu estava toda vomitada e cheirando a leite azedo.

- É. - Ele pontuou.

- Eu acho que seria bom me limpar...

- É, acho que sim.

Ficamos em silêncio por um momento.

- Então eu vou tomar um banho...

- Ok.

- Vai ser um banho rápido. - Frisei.

- Vou estar aqui.

Ele se deitou na cama, encostando a cabeça nos travesseiros, e eu sabia que aquilo não ia dar certo.

- Não durma. - Pedi, pegando a primeira peça de roupa limpa dobrada em uma pilha em cima da poltrona.

- Ok. - Ele riu, colocando as mãos atrás da cabeça em posição de espera.

Corri para o banheiro e tomei um banho rápido, como prometido, mas ainda assim caprichado. Me esfreguei com o sabonete de camomila e usei meu shampoo habitual, fazendo bastante espuma para tirar qualquer resquício de leite dali. Me sequei sem muito cuidado e vesti a única peça de roupa que havia trazido comigo: Um casaco com zíper verde escuro de Edward, três vezes maior que eu.

Me penteei rapidamente e passei meu creme de amêndoas nos ombros e no peito, querendo deixá-lo mais excitado mesmo. Estava pronta para ter a minha "primeira noite" com ele outra vez, o que, depois de algum tempo de abstinência, estava me deixando bobamente ansiosa.

Deixei o casaco um pouco aberto, propositalmente caído em um dos ombros - minha ridícula tentativa de ser sexy -, e depois de dar uma última olhada no espelho (me certificando de que todos os defeitos que deveriam ficar escondidos estavam escondidos e que o que poderia ser mostrado estava à mostra), saí confiante do banheiro. Mas ao entrar no quarto mergulhei em um ambiente escuro e silencioso. Só consegui ver a silhueta de Edward esparramado na cama. As luzes estavam apagadas, enquanto ele e Renesmee dormiam tão profundamente quanto mortos.

Puta que pariu...

Suspirei, não conseguindo conter a tristeza.

Eu poderia acordá-lo a socos e exigir que ele cumprisse com seus deveres de marido. Também poderia acordá-lo com beijos e já deixá-lo "pronto" para a nossa noite. Mas eu não faria isso. Sabia o quanto ele vinha trabalhando, e por mais que achasse que Edward deveria sentir até mesmo mais falta de sexo do que eu, eu não seria desagradável a ponto de interromper seu descanso de um dia trabalhoso para saciar minha vontade.

Me arrastei desanimada de volta ao banheiro, pegando um elástico qualquer e prendendo os cabelos em um rabo-de-cavalo mal feito. Subi o zíper para proteger minha pele ainda úmida do frio do quarto, vesti uma calcinha confortável e dei uma última checada em Renesmee, como fazia todas as noites.

Por fim, escalei a cama enorme e me deitei derrotada, virando de lado e esperando que o sono chegasse.

- Ficou com sono de repente? - Ouvi sua voz ao pé do meu ouvido no escuro e pulei de surpresa. Seu braço deu a volta pela minha cintura e seu corpo se moldou às minhas costas. Ele beijou e mordeu minha orelha com pouca força, e isso fez com que meu corpo todo tremesse.

- Eu pensei que você estivesse dormindo... - Falei, tentando disfarçar o tremor na voz.

- Eu disse que não ia dormir. - Sua mão alisou minha coxa e subiu para minha barriga por dentro do casaco. Respirei fundo.

- Mas eu pensei...

- Acho que vou ter que te acordar de novo. - Ele falou com uma voz estupidamente sexy, e no mesmo segundo sua mão que antes brincava na minha barriga foi parar dentro da minha calcinha.

- Não precisa... - Me esfreguei contra o corpo dele como uma minhoca - Já estou bem acordada.

Edward ficou brincando com os dedos como se tivesse um piano entre as minhas pernas. Eu já estava ofegando tanto e tão alto que me perguntei se aquele som não acordaria Renesmee, que dormia tranquilamente no berço ao nosso lado.

Ele arrancou minha calcinha de qualquer jeito e se inclinou um pouco sobre mim, alcançando a gaveta do criado mudo ao meu lado e tirando de lá um preservativo e um tubo de lubrificante.

- Você tem camisinha? - Perguntei surpresa, olhando para ele.

- Tenho.

- Você disse que não tinha...

- Eu disse isso quando eu realmente não tinha.

- E por que agora você tem?

Ele me encarou parecendo se divertir com a minha pergunta.

- Você já quer engravidar de novo?

Parei pra raciocinar um pouco, chegando à brilhante conclusão de que ele estava certo.

- Você tem que voltar a tomar os anticoncepcionais, porque eu não consigo te comer direito com essa porra dessa borracha...

Era verdade, transar com e sem camisinha eram sensações bastante diferentes. Mas o fato era que eu tinha que procurar um anticoncepcional que não afetasse a amamentação e que conseguisse se adaptar bem ao meu corpo, então aquela tarefa ficaria para depois. Por hora, mesmo que não fosse o ideal, preservativos estavam de bom tamanho para apagar o meu fogo.

E o meu fogo estava começando a queimar de verdade.

Me virei de frente para ele e pulei em seu colo, arrancando com as unhas suas calças de qualquer jeito. Edward me agarrou pela cintura e se sentou, colando seus lábios nos meus enquanto forçava meu corpo contra o dele em um movimento de ondas. Ele estava duro como uma pedra, graças a Deus.

Agarrei seu membro com as duas mãos e fiz os movimentos certos, lembrando de como era bom tocá-lo daquela forma. Ele encostou sua testa na minha e ficou imóvel por algum tempo, talvez lembrando como meu toque era bom também. Depois de algum tempo suas mãos alcançaram a embalagem do preservativo esquecido ao nosso lado e a abriu de uma vez. Tomei-o das mãos dele e enrolei a borracha por toda a extensão do seu membro, tomando cuidado em vesti-la da maneira certa.

Por mais excitada que estivesse, minha lubrificação não estava normal. Segundo o médico, isso estava relacionado à diminuição nos níveis de estrogênio, que consequentemente diminuíam a irrigação sanguínea na vagina... Ou algo assim. De qualquer maneira, Edward se lembrava melhor do que eu dessa explicação, e por isso já tinha se adiantado e deixado a postos o lubrificante para facilitar a coisa toda.

- Não! - Falei em um tom baixo perto do seu ouvido assim que ele se virou para acender a luz do criado mudo.

- Por quê? Eu quero te ver...

- Renesmee está dormindo... A claridade vai incomodar...

Era mentira. Não era por medo de incomodá-la que eu queria as luzes apagadas - até mesmo porque Renesmee dormiria tranquilamente até com o sol na cara dela -, mas sim porque eu não queria que ele me visse. Meu corpo ainda estava muito estranho, meio desproporcional e com manchas e cicatrizes. Podia ser bobeira, mas eu me sentiria mais à vontade daquela forma. Minha auto-estima não estava tão sólida àquela altura.

Ele aceitou meu pedido, embora ainda um pouco contrariado. Esperei seus dedos mágicos passarem todo aquele líquido em mim e, depois, lambuzar seu próprio membro já vestido.

- Talvez eu te machuque. - Ele começou contra a minha boca.

- Não vai machucar... - Respondi, já me levantando um pouco no seu colo e tomando-o em uma das mãos para posicioná-lo no lugar certo.

- Mas se machucar...

Interrompi sua frase sentando de uma só vez nele. Era verdade que tinha doído um pouco, mas era uma dor absolutamente suportável, quase possível de ser ignorada. Talvez porque eu estivesse mais concentrada no gemido baixo que saiu da boca dele assim que o senti me invadir completamente.

Me movimentei devagar no seu colo, tomando um certo cuidado para não fazer barulho, por mais que tivesse certeza que Renesmee não acordaria. Edward fechou seus braços ao redor da minha cintura com força, reforçando os movimentos suaves que eu tentava fazer. Como de costume, agarrei seus cabelos e procurei a boca dele no escuro, encontrando-a e a atacando sem o menor pudor.

Meu Deus, como era bom estar com ele outra vez...

- Deixa que eu faço isso. - Ouvi-o dizer de repente, me levantando sem esforço e me virando até fazer com que eu estivesse deitada de costas na cama. Quando ele se colocou entre as minhas pernas e me penetrou outra vez, eu acho que vi estrelas. Senti o zíper do casaco que eu vestia descer um pouco e deixar meu peito exposto, mas o frio momentâneo durou muito pouco - A boca dele já estava ali, cobrindo e molhando com muita delicadeza um dos meus seios. Agarrei seus cabelos com ainda mais força, me concentrando em não gemer alto, mas voltei à realidade quando ouvi um riso baixo.

- Que foi? - Perguntei, ainda sem ar.

Ele demorou um pouco a responder, ainda brincando com a língua naquela região.

- Eu tinha esquecido que agora sai leite.

- Merda - Tentei puxar o casaco para limpar o líquido - Eu tinha que fazer a ordenha manual antes da gente...

- Não... Não tem problema. - Ele segurou minhas mãos e afastou o casaco. Quando meu peito estava livre de novo, ele abocanhou o mesmo seio outra vez e começou a chupar, como se aquilo fosse uma coisa completamente normal. E então um pensamento muito esquisito começou a pipocar na minha cabeça.

- Você está...

- Mamando. Estou.

- Ai, meu Deus...

Tentei soltar minhas mãos do aperto dele, mas Edward era muito forte.

- Que foi?

- Isso é... Errado... De muitas formas... - Respondi, tentando não ofegar.

- Não é bom?

- É errado principalmente porque é bom!

Ele riu enquanto passava a língua no bico de forma provocante, e meus olhos reviraram.

- Eu tenho certeza que você consegue separar as coisas. - Ele concluiu.

É óbvio que quando a nossa filha mamava era uma sensação completamente diferente de quando Edward fazia aquilo. Mas era estranho porque, na prática, era a mesmíssima coisa. Eu poderia acabar psicologicamente fodida, relacionando uma sensação à outra e deturpando questões de moralidade e tudo mais. Já havia lido relatos de mães que pararam de amamentar por não conseguirem estabelecer as diferenças necessárias entre o papel do seio na amamentação e na relação sexual, e já tinha lido também relatos de pais que se recusavam a tocar na esposa daquela maneira. Edward aparentemente não via problema algum naquilo, e se eu fosse levar em consideração a forma como ele parecia disposto a não parar o que estava fazendo, eu diria que o problema era só comigo mesmo.

Para tirar a minha atenção dali, ele resolveu voltar a se mexer dentro de mim de um jeito muito bom. Devia ser todo aquele tempo sem uma boa transa, mas o fato era que eu estava achando cada toque muito, muito melhor do que costumava ser. Talvez a gravidez tivesse me deixado mais sensível, ou talvez ele simplesmente tivesse ficado ainda melhor naquilo mesmo.

Edward se ajoelhou na cama entre as minhas pernas e segurou minha cintura com força, me fazendo ficar imóvel no colchão enquanto metia em mim com vontade. Agarrei um travesseiro próximo e o enfiei quase todo dentro da boca, tentando conter os gemidos que saíam cada vez que o pau dele voltava para dentro de mim. Era impossível controlar.

Os movimentos se mantiveram assim por algum tempo. Ele devia estar cansado, mas eu não estava prestando atenção. Fechei os olhos e me concentrei na sensação do encaixe dos nossos corpos. Era perfeito demais.

Mesmo no escuro, pude ver a forma como o corpo dele se contorcia. Ele não precisava anunciar, eu sabia que estava perto de ter um orgasmo. Como eu também estava quase explodindo, tentei fazer com que nós dois gozássemos juntos, mas não consegui e fui primeiro. Ele me seguiu tentando estrangular o grito também, o que, no meu caso, só foi possível porque eu quase havia engolido o travesseiro.

- Merda... - Ele sussurrou sem nem terminar de gozar - Merda, eu... Odeio... Essa... Borracha...!

Esperei até que ele proferisse outros palavrões e xingamentos contra o preservativo, mas Edward se calou. Depois de algum tempo retomando a respiração, ele finalmente deitou em cima de mim e permaneceu um pouco ali, cansado e suado, mesmo com o frio que fazia naquela noite.

- É sério... - Ele começou perto do meu ouvido, ficando calado por alguns segundos como se estivesse com preguiça de terminar a frase - Da próxima vez eu vou gozar fora. Não uso essa merda de novo nunca mais.

Sorri. Não me importava o que ele dizia: Eu estava bem demais para prestar atenção. Afaguei seus cabelos como de costume, talvez agradecendo em silêncio por ele me fazer tão bem. Edward parecia estar aproveitando o momento assim como eu, e foi depois de muito tempo que ele voltou a falar:

- Senti sua falta.

Eu tinha certeza de que ele já estava dormindo, por isso me assustei. Demorei um pouco a responder.

- Mesmo?

- Claro. Eu sempre sinto.

- Então por que não me procurou?

Ele apoiou o queixo no meu peito para me olhar.

- Porque eu estava "respeitando o seu espaço".

Encarei-o de volta meio confusa.

- Que espaço?

- Eu sei que tem todo esse lance de se adaptar depois do parto, que vocês só se ligam no bebê, e eu não queria te pressionar... Queria respeitar as suas vontades e tal... Não queria que você achasse que eu estava doido pra isso. Bom, na verdade eu estava, mas deixei pra que você decidisse...

- Tá. - Interrompi-o. Eu já tinha entendido - Está me dizendo que sabia que a quarentena já tinha acabado?

- Claro... - Ele deixou um beijo fofo entre os meus seios - Mas você não falou nada a respeito, então eu fiquei na minha. Acho que trabalhar demais e chegar em casa cansado me ajudou a "resistir".

Continuei olhando para ele.

- Você tem chegado tarde de propósito?

- Não! - Ele parou, pensando um pouco - Só às vezes...

- Desde quando você quer?

Ele riu, como se a pergunta tivesse sido boba.

- Desde que nós paramos de fazer. Não é óbvio?

- E se eu só fosse querer daqui a muito tempo?

- Eu teria que esperar, né? - Ele pontuou com uma expressão meio triste, voltando a me beijar - Mas você já voltou a querer, então sorte a minha.

Por um lado, aquilo era lindo. Ele estaria disposto a controlar seus hormônios enfurecidos para respeitar a minha fase de adaptação àquela novidade. O mínimo que se deveria esperar de um pai era um pouco de compreensão, mas eu sabia que era difícil. Se dispor a esperar e não tocar no assunto, com medo de que eu me sentisse pressionada, era adorável.

Entretanto, por outro lado, eu já poderia ter "mandado ver" há dias.

- Eu realmente acho que temos que exercitar a prática do diálogo entre nós dois.

- Por quê?

- Por nada.

Beijei-o apaixonadamente e nos virei na cama, tirando-o de cima de mim e me levantando.

- Ei! Vai aonde?

- Tomar outro banho.

- Mas eu nem te sujei... - Ele falou, fazendo uma careta e apontando para a camisinha ainda vestida. Ri da sua reação.

- Você colocou a boca onde a sua filha põe também. Eu tenho que me lavar. - Cheguei perto dele de novo e mordi sua orelha de leve - Quer vir junto?

Ele olhou para mim, depois para o preservativo, depois para mim outra vez.

- Posso gozar fora?

Fiz cara de reprovação, caminhando para o banheiro.

- Só estou te chamando pra um banho, Edward. Não seja depravado. - Mas antes de sair da vista dele, voltei a falar: - E sim, você pode gozar fora.

Obviamente, ele veio atrás de mim.

Renesmee sorriu pela primeira vez no exato dia em que completou dois meses, e, é claro, por causa de Edward. Ele estava determinado a fazê-la entender seus argumentos sobre música, o que aparentemente a divertia.

- Então você concorda? - Ele falou animadamente, e ela sorriu outra vez. Estávamos na casa de Esme e Carlisle, e os dois pareciam completamente admirados com a cena também. Ela passava a maior parte do tempo encarando Edward com atenção absoluta, reparando nas caretas que ele fazia e em como mexia as mãos.

Com mais algumas semanas, ela não só sorria como tentava imitar suas expressões faciais. Edward se divertia muito com aquilo, e a desafiava a conseguir fazer as caras mais bobas que conseguia. A cena era adorável, mas frequentemente eu tinha que lembrá-lo de que ele acordava cedo no dia seguinte e que, por isso, o melhor a fazer depois de passar mais de três horas "conversando" com Renesmee era dormir.

Aos três meses ela já sorria tanto que eu não entendia como os músculos do seu rosto não ficavam cansados. Ela fazia isso para qualquer um que resolvesse falar com ela, fosse Edward, eu, os avós, o pediatra ou alguém na rua. Era como se ela simplesmente adorasse todo mundo.

Além de sorrir para as pessoas, Renesmee gostava de conversar com elas. Bastava alguém falar algo com ela que se iniciava um debate. Se a pessoa continuasse com seus argumentos, ela se dispunha a balbuciar e fazer sons em resposta até que estivesse cansada. Às vezes, a palavra não precisava nem ser direcionada a ela.

- Nossa filha é comunicativa, né? - Edward riu abertamente, observando Renesmee responder ao repórter no canal de notícias da tv a cabo.

Foi nessa idade que os olhos dela começaram a mudar. Até onde podíamos ver, suas íris pareciam tender para o marrom, o que fez com que Edward já começasse a cantar vitória, e eu, a me decepcionar um pouco.

- Mas ela é toda a sua cara. - Argumentei.

- Mas os olhos são seus. - Ele rebateu - E vão ser os olhos mais lindos do mundo.

Mas conforme os dias passavam, algo começou a mudar. Simplesmente não parecia ser como deveria.

- Amor. - Ele me chamou quando saí do banho - Vem cá.

Estávamos em um sábado. Eram 9h da manhã, e o dia estava excepcionalmente claro e morno.

Caminhei até a cama e encarei Renesmee, que se divertia sozinha no colchão com Edward sentado perto dela. Ela parecia estar conversando e rindo consigo mesma.

- Que foi?

- Olha pra ela.

Encarei-a e ela me encarou de volta, já sorrindo e emitindo sons de alegria.

- Hum... - Soltei.

- Era pra ser assim?

- Não sei...

- Será que é a claridade?

- Acho que não.

Ficamos em silêncio por algum tempo enquanto ela nos ignorava, brincando com os próprios dedos como se eles fossem mágicos.

Alcancei um brinquedo colorido que ficava pendurado no seu berço e trouxe até ela. Renesmee parou de encarar as próprias mãos e olhou para o objeto à sua frente. Seus olhos brilharam.

Movimentei-o de um lado ao outro, como se estivesse hipnotizando-a. Ela seguiu com os olhos o movimento que eu fazia, parecendo muito compenetrada. Levei uma mão à frente do seu olhinho direito e repeti o movimento. Ela continuou seguindo-o com o único olho destampado. Repeti o procedimento com o olho esquerdo, e mais uma vez Renesmee seguiu o objeto com a máxima atenção.

- Não parece ter problema nenhum... - Concluí.

- Mas... Isso não é normal.

E não era mesmo.

Naquele mesmo dia, marcamos uma visita ao pediatra de última hora. Edward estava nervoso e, sinceramente, eu também.

Quando chegamos lá, explicamos a situação ao médico. Levamos conosco alguns exames feitos logo após o nascimento dela, comprovando que, aparentemente, tudo estava normal. Ele mesmo examinou-a e fez algumas outras checagens para dizer, no final das contas, o porquê daquilo.

- Vocês já ouviram falar em heterocromia? - Ele perguntou, se sentando à nossa frente.

- Já. - Edward falou - Acontece em animais...

- Não só em animais. - O médico disse calmamente - Ocorre também em seres humanos. É muito mais raro, mas ocorre.

Eu continuava encarando-os como uma tapada, tentando entender do que eles falavam. O doutor, entendendo meu desespero silencioso, se apressou em me explicar:

- Heterocromia é uma anomalia genética que faz com que uma pessoa tenha olhos de cores diferentes. Sua filha tem isso.

Encarei Renesmee no meu colo outra vez. Seu olho esquerdo tinha uma tonalidade marrom, da mesma cor dos meus próprios olhos, e o direito era mais claro. Mais dourado. Parecia um pouco com o dourado dos olhos de Edward.

- Ela tem uma anomalia genética? - Perguntei um pouco angustiada com como aquilo soava.

- É uma anomalia, mas não precisa se preocupar. Eu fiz os exames, e sua filha não tem nenhuma síndrome, o que, aí sim, poderia trazer problemas. Ela enxerga bem dos dois olhos. É provável que esteja envolvido algum fator genético. Talvez alguém na família tenha tido isso.

Eu não sabia responder aquilo. Minha mãe tinha olhos azuis e meu pai olhos castanhos, mas meu conhecimento sobre meus ancestrais paravam aí.

- Eu não sei. - Edward falou quando o encarei - Realmente não sei.

- Procurem saber. - O médico completou - Mas não se preocupem.

Respirei fundo. Eu não gostava de ouvir conselhos como "não se preocupe" quando estava visivelmente nervosa.

- O que isso quer dizer, na prática? - Perguntei.

- Na prática, sua filha terá olhos de cores diferentes. E só.

- Só? - Edward se certificou.

- Só. Ela será uma criança tão saudável quanto as outras. Mas seus olhos serão só um pouco mais interessantes. - Ele pontuou com um sorriso tranquilo.

Renesmee soltou um gritinho agudo e começou a brincar com a própria língua.

- Então está tudo bem! - Edward soltou aliviado, se levantando e puxando-a do meu colo para agarrá-la.

- Ok, doutor, obrigada... Mas nós vamos acompanhar isso, não é? Pra ver se continua tudo bem conforme ela cresce...

- Claro. Vamos cuidar dessa boneca.

A próxima coisa que vi foi Renesmee mexendo os braços tão violentamente que acabou puxando sem querer a touca de frio que vestia na cabeça. O pano cobriu seus olhinhos e a deixou momentaneamente confusa. O escuro a assustou e ela começou a chorar, e foi só quando Edward resolveu socorrer a pobre criança e ajeitar sua touquinha que ela voltou a sorrir ao ver o rosto do pai.

Mais tarde, ficamos sabendo por Carlisle que sua bisavó havia também apresentado a tal da heterocromia, o que confirmou as suspeitas do médico quanto aos fatores genéticos. Felizmente, a "anomalia" que minha filha apresentava não a prejudicava de nenhuma forma. Era, na verdade, até interessante notar como, com o passar dos dias, um dos olhos de Renesmee ia se firmando no tom castanho enquanto o outro clareava mais, chegando sempre mais perto do dourado do pai.

As pessoas que não estavam acostumadas sempre se viam meio hipnotizadas pela minha filha. Ela despertava uma imediata simpatia nos amigos de trabalho de Edward que eventualmente nos visitavam, ou nas pessoas que passavam por nós na rua. Não havia como negar que, apesar de causar uma certa surpresa à primeira vista, essa peculiaridade dela a tornava muito mais bonita.

Isso porque ela já era linda por si só, e essa minha opinião não tinha nada a ver com o fato de eu ser mãe dela (o que, consequentemente, me fazia achá-la linda de qualquer jeito). Minha filha era um daqueles bebês de capa de revista, aquele tipo de criança que parecia um anjo e que fazia com que os outros sorrissem inconscientemente. Mas não havia como ser diferente disso: Sendo praticamente uma xerox de Edward, era humanamente impossível ela não ser linda de doer.

- Nem os olhos são meus. Um olho é. - Constatei sem conseguir deixar de rir.

- Pelo menos alguma coisa ela puxou de você.

- É. 5% da minha filha é meu.

- É o 5% mais bonito dela.

Nossas divagações foram interrompidas por um choro estrondoso e repentino.

- Mas você acabou de mamar! - Falei surpresa, pegando-a no colo.

- "Mas eu estou com fome de novo". - Edward disse em uma voz fina e ridícula, falando por ela.

- Certo. Se não couber mais leite dentro de você, vomite no papai dessa vez, ok?

Embora o tempo passasse e eu estivesse até ciente disso, não foi o frio ou qualquer decoração brilhante nas ruas que me avisaram em que época do ano estávamos. A notícia do Natal chegou juntamente com hóspedes que, sem o menor aviso, resolveram fazer uma visitinha.

- Bella!

Quando Esme me ligou perguntando se "eles" podiam me fazer uma visita, eu havia imaginado que Carlisle tinha saído do trabalho mais cedo e fosse acompanhá-la para dar um alô para a netinha. O que eu não imaginava era que Alice, Jasper e um bebê muito gordo e com carinha de mau viessem junto.

- Alice!

- Feliz Natal! - Ela falou, entrando no hall entre um pulinho e outro e me dando um abraço.

Desejei Feliz Natal de maneira mecânica, pela primeira vez fazendo as contas mentalmente e chegando à conclusão de que estávamos no dia 23 de dezembro.

- Quando vocês chegaram? - Perguntei ainda um pouco desnorteada.

- Hoje. - Jasper respondeu, dando um sorriso largo e sincero, e pela primeira vez notei o quão vivo e brilhante o sorriso dele era. Talvez porque ele raramente sorria - Como vai?

- Bem, eu vou bem... - Olhei para baixo e encarei a bolinha rosada que Jasper carregava em um tipo de bolsa presa ao seu torso. A bolinha estava completamente encasacada e embrulhada em panos azuis, mas dava para ver duas perninhas que pendiam para os lados, assim, como dois bracinhos gordos.

- Bella, Jackson. Jackson, Bella. - Alice fez as apresentações - E sim, ele é um bebê muito sério.

Jackson me encarou pela primeira vez com curiosidade. "Quem é você?", "Onde eu estou?" e "Por que você está olhando pra mim?" deviam ser só algumas perguntas que estavam passando pela cabeça dele. Sua expressão era muito, muito séria, como se eu estivesse dizendo coisas de uma importância absoluta.

- Ora, olá lindinho! - Falei não conseguindo deixar de rir, levando o indicador até suas mãozinhas cobertas pelo macacão de lã. Elas estavam cerradas em punho, mas senti, mesmo por debaixo do tecido, que ele as tinha aberto ao meu toque. E então, como se não tivesse nada melhor para fazer, ele lançou um sorriso tímido e torto.

- Jasper. - Alice falou, e sua voz tinha um tom alarmante. Me assustei, mas em seguida entendi que era só uma ironia - Ele sorriu. Você tirou foto disso?

- Ele não ri pra mim. - Esme parecia meio triste - Nunca sorriu. Estou quase me fantasiando de Papai Noel pra tentar de alguma forma...

- Ele quase não sorri. - Jasper explicou, interessado no filho que agora já tinha voltado a ficar sério.

- Mas ele tem um sorriso tão bonito. E tão... Vivo! - Concluí, chegando à conclusão de que o brilho que emanava de Jackson quando ele sorria tinha sido herdado do próprio sorriso de Jasper.

- Pois é. Mas ele nunca mostra o sorriso que tem. Acho que é por isso que quando isso acontece todo mundo fica meio abobalhado. Parece que ele consegue controlar o humor das pessoas quando faz isso, sei lá.

Era verdade. O sorriso dele tinha mesmo deixado o clima mais aconchegante ali. A sensação era esquisita, mas muito boa.

- Mas e a sua filha? - Alice falou em uma vozinha esganiçada.

- A minha só tem olhos pro pai. - Fingi uma cara meio puta. Jackson achou isso engraçado e riu de novo. Continuei com um tom de abandono na voz - Pelo menos o filho de vocês gosta de mim.

- Ah, não seja ciumenta, querida. - Esme falou divertida - Renesmee gosta de todo mundo. Até do carteiro.

- Ouvi dizer que ela é o oposto de Jackson. - Jasper se pronunciou.

- Bom, é verdade, ela ri até de fratura exposta...

- Ouvi dizer que ela tinha uma peculiaridade.

- Mas eu não falei qual era. - Esme se apressou em dizer.

- Ela está lá em cima. Vamos. - Concluí, chamando-os para o andar de cima.

Quando chegamos no quarto, Renesmee estava dormindo tranquilamente.

- Ela é linda! - Jasper sussurrou - Realmente linda!

- Ela é a cara do Edward! - Alice o seguiu, parecendo realmente espantada.

- É, pois é.

- Ela parece normal pra mim. - Jasper voltou a falar, provavelmente procurando a peculiaridade a qual Esme havia se referido.

Nesse momento Jackson soltou um gritinho de repente, e o barulho foi suficiente não só para assustar todo mundo ali como para fazer com que Renesmee acordasse assustada.

E obviamente, quando ela abriu os olhos, Alice e Jasper reagiram da forma que eu já tinha me acostumado a ver as pessoas reagirem.

- Uau!

- Os olhos dela são diferentes!

Eu ia falar alguma coisa, mas como as primeiras coisas que Renesmee havia visto depois de ter acordado assustada foram os rostos desconhecidos de Alice e Jasper, ela começou a chorar ensurdecedoramente.

- Ei, calma! Eu estou aqui! - Falei um pouco alto, pegando-a no colo e balançando-a, tentando fazer com que ela parasse de chorar - Calma, amor... Você tem até um amiguinho pra brincar agora...

Não adiantou. Seu choro agudo era estrondoso, como se alguém tivesse arrancado à força seus dedos um a um. E então, como um super-herói ou algo esquisito assim, Edward surgiu pela porta (sem capa) com um inconfundível ar de "Isso é um trabalho para o Super-Edward!".

- Calma, amor... - Ele repetiu as minhas palavras, puxando-a para o seu colo e balançando-a da mesma forma que eu havia feito - Pronto, pronto... Passou... Shhh...

E é claro, em menos de quinze segundos, ela começou a se acalmar.

- Como eu estava dizendo - Recomecei a falar fingindo naturalidade -, ela só tem olhos pro pai.

- Oi, Alice. Oi, Jasper. - Ele falou sorrindo, abraçando a irmã como podia e estendendo a mão livre para apertar a do cunhado enquanto ainda balançava Renesmee quase como se ela fosse uma batida de limão sendo preparada. - E você deve ser o Jackson, não é?

Jackson, que àquela altura já estava entediado com toda a situação, encarou Edward como se ele fosse só mais um grão de poeira no quarto.

- É, ele prefere a Bella.

- Bom, alguém tinha que preferir... - Brinquei, observando se Renesmee estava mais calma. Edward virou-a no colo, colocando-a de frente para Jackson. Ao encontrar os olhos do primo ela parou de chorar completamente, encarando-o como se ele fosse o brinquedo mais interessante que ela já vira na vida. Ele também se interessou por ela, mais do que por Edward, e passaram-se alguns segundos - talvez minutos - até que algum dos dois fizesse alguma coisa.

Jackson então levou a mãozinha até o braço de Renesmee e ficou ali, fazendo absolutamente nada em particular, só reconhecendo-a com o tato. Quando ela sorriu abertamente para ele, talvez porque estivesse achando-o muito engraçado, ele retribuiu o sorriso e "falou" alguma coisa, que foi prontamente respondido por Renesmee. Jackson rebateu o argumento da prima e ela riu do que ele disse, e então éramos cinco adultos idiotas assistindo a crianças de três e cinco meses conversando em uma linguagem desconhecida sobre algo que, aparentemente, era muito interessante.

- Ai, meu Deus! - Esme soltou um gritinho - Que coisa linda!

- Os olhos dela, cara... - Jasper começou - São demais!

- Eu, particularmente, prefiro o esquerdo. - Edward sorriu.

- Se não fosse esse olho esquerdo eu diria que ela não é filha da Bella.

A brincadeira de Alice levou Edward a dizer que eu era a mãe com certeza porque ele havia presenciado Renesmee saindo de mim, o que, consequentemente, levou ao assunto do parto complicado, do susto que eu dei em todo mundo e da minha quase experiência de morte.

Era um bom jeito de começar o Natal.

Emmet chegou no dia seguinte, agarrando todos os bebês que encontrava pela frente. E como consequência de sua personalidade meio explosiva, tanto Renesmee quanto Jackson foram imediatamente com a cara de Emmet. Era inegável, mesmo àquela altura, que ele sempre seria o "tio favorito": Não havia como não se divertir com ele. Eu me divertia com ele.

A ceia e a reunião familiar foram, como de costume, na casa de Carlisle e Esme. Aparentemente ela tinha se dado uma máquina fotográfica, com o único propósito de registrar os netos. Para onde quer que se olhasse, lá estava Esme disparando um flash. Uma rápida olhada nas fotos salvas mostravam, em sua grande maioria, Renesmee, Jackson, Renesmee E Jackson, e Renesmee, Jackson e Emmet juntos. Poucas mostravam, de vez em quando, Alice, Jasper, Edward, Carlisle e eu conversando ou fazendo qualquer outra coisa.

E isso era tudo que se tinha registrado daquele Natal.

Felizmente, todos haviam decidido não dar presentes naquela ocasião. Eu achei ótimo, primeiro porque não ligava para presentes, e segundo porque não tinha comprado nada para ninguém. Diferentemente do Natal anterior (em que todas as atenções estavam voltadas primeiro para mim - a nova namorada de Edward - e depois, para a gravidez de Alice), nesse não se tinha qualquer outro assunto que não fosse relacionado aos bebês.

Eles eram, realmente, as coisas mais interessantes ali.

Infelizmente, as visitas natalinas dos membros internacionais da família Cullen eram sempre rápidas, então já na manhã do dia seguinte nos despedimos de Alice, que insistiu que fôssemos visitá-los na França o quanto antes, e Emmet, que prometeu voltar no próximo Natal com uma namorada.

Uma semana depois já estávamos nos despedindo daquele ano. Não tínhamos planos para o Reveillon, o que, sinceramente, não me importei. Ao meu ver, não havia no mundo nada melhor do que terminar um ano e começar outro junto da minha família. Passar aquele momento com Edward e com a nossa filha tinha um significado ainda mais especial: Me lembrava que havia aproximadamente um ano que estávamos juntos. Um ano desde que nos reencontramos, desde que eu me sentia estupidamente feliz.

E então só um ano me pareceu muito pouco tempo. Muito pouco tempo para sentir o que eu sentia por ele. Muito pouco tempo para que eu conseguisse ser feliz daquela forma.

- Tudo bem. - Uma vozinha falou dentro da minha cabeça - Você ainda tem o resto da vida com ele. É só o começo.

Aos quatro meses Renesmee desenvolveu a capacidade de dar gritos agudos e muito longos de excitação. Ela fazia isso quando algo a agradava muito, o que significava que toda vez que Edward chegava do trabalho minha dor de cabeça aumentava, porque nossa filha parecia uma tiete do próprio pai.

- Eu também estou feliz em ver vocêêê...

Comecei a pensar que aquela situação era um pouco injusta. É claro que Renesmee tinha que gostar mais do pai: Ela tinha como sentir mais saudades dele, já que ficava o dia inteiro sem vê-lo e, no final do dia, tudo que ele fazia era diverti-la. De mim ela já não aguentava nem mais ver a cara, mas bastava ouvir a voz de Edward que seu pequeno mundo virava um parque de diversões com pôneis voadores.

- Você tem drogado a nossa filha? Não é possível ela ficar tão feliz assim em te ver.

Ele fez cara de "vai tomar no cu" antes de responder de maneira seca:

- É claro que é possível. Ela gosta de mim. Não é, minha coisa linda?

Ela respondeu à sua pergunta com um "iiih aaah".

- "Lin-da".

- "Iiiih aah". - Ela repetiu, se agarrando no rosto dele com uma mãozinha em cada lado e observando hipnotizada o movimento de sua boca a um centímetro de distância.

- Ela vai estar falando "progenitor" antes de conseguir falar "mamãe". - Balbuciei meio enciumada, mas bastante interessada nos dois.

- Ela vai ser uma gênia!

- "Eeeh iahhh".

Aos cinco meses Renesmee era só bochechas e dobras. Seus olhos estavam se diferenciando cada vez mais, o que a tornava cada vez mais bela. Se antes ela sorria abertamente para o pai, agora eu jurava que podia ouvi-la gargalhando das palhaçadas que ele fazia. Quando Edward apresentou o piano a ela, seu mundo pareceu se transformar. A partir daí nenhum dia podia ser passado sem que ele tocasse alguma coisa para ela. Como seus dedinhos ainda não tinham força suficiente para apertar a tecla e tirar algum som dela, ela se contentava em ouvir qualquer melodia que saísse dos dedos do pai, sentada no colo dele.

Enquanto isso, eu, obviamente, ia sendo esquecida pelos cantos como aquela tia chata e velha da família de quem ninguém gosta realmente.

- Amor... - Edward entrou no quarto com Renesmee no colo, chorando como se estivesse sob tortura - Acho que ela está com fome.

Abaixei o livro e fiz cara de paisagem, soltando debochada:

- Ah, seus encantos não funcionam nessas horas?

- Não... Acho que nessas horas só leite funciona, e eu não produzo isso. Quer dizer...

- Pare de falar imediatamente.

- Ok. - Ele riu de maneira irônica, me entregando Renesmee.

Como recomendado pelo médico, comecei a parar de amamentar depois que Renesmee completou seis meses de vida. Embora eu não quisesse, e me achasse uma péssima mãe por negar algo que ela visivelmente queria (e esperneava quando não tinha), tive que me manter firme quanto à essa decisão. Era um vínculo forte que tínhamos, mas que precisava ser diminuído aos poucos, ou pelo menos adaptado de alguma forma.

Foi também nessa idade que ela aprendeu como demonstrar a falta que Edward fazia. Se antes Renesmee só chorava quando sentia fome, agora, ao se dar conta de que já estava muito tempo sem ver o pai, ela abria o berreiro. O pediatra havia nos explicado que, com o tempo, a criança tendia a sofrer um pouco mais quando se via separada dos pais, porque passava a existir nela essa noção.

Seus olhos se definiam cada vez mais, cada um da sua cor. Ela passou a entender e reconhecer quando alguém chamava o seu nome, e vê-la reagir a isso era adorável. A intonação das palavras que falávamos era imediatamente repetida - ou, pelo menos, tentada. Tivemos que redobrar os cuidados quando sua mais nova mania passou a ser agarrar tudo que ela via pela frente e colocar na boca.

- A aliança do papai não!

Encarei Edward esparramado no sofá com Renesmee em cima dele, lambendo sua aliança como se ela fosse feita de chocolate.

- Bebês... - Ri.

- Quando ela vai começar a falar?

Como resposta, Renesmee soltou um barulhinho na tentativa de imitar o que Edward havia dito.

- Perto dos oito meses talvez.

Ele a encarou novamente.

- Que tal ir treinando? Sua primeira palavra vai ser "papai", não vai?

- "Aaah"

- "Paaa-paaai"

- "Aaah- aaah"

- Quase lá. - Ele concluiu, dando um beijo nela.

Suspirei.

- Que foi? - Edward perguntou, me olhando pela primeira vez.

- Vocês.

- O que tem a gente?

Renesmee abocanhou o nariz dele, fazendo-o gargalhar surpreso.

- São uma dupla e tanto. - Respondi, indo me sentar ao lado deles. Para minha surpresa, ao me ver ali perto, ela se arrastou da maneira que pôde até mim e parou no meu colo, quando parecia confortável o suficiente. Era a primeira vez que Renesmee me preferia a Edward.

- Ei. Cansou de mim? - Ele perguntou, chegando mais perto também. Ela esfregou o rosto no meu braço e bocejou, e eu tive que me controlar para não agarrá-la e enchê-la de beijos.

- Ela teve um dia muito duro. Brincou mais do que podia. Não exija mais nada dela. - Falei em tom de brincadeira, pegando-a no colo e passando os dedos na sua cabecinha.

- Hum. Isso é uma ótima estratégia.

- Que estratégia?

- Deixá-la cansada. Assim ela dorme cedo. - Ele concluiu, passando o indicador com leveza pela minha perna e me olhando com cara de maníaco sexual - E assim a gente pode ir dormir tarde. Sabe?

Eu gostava quando ele insinuava que queria alguma coisa comigo (além de conversar sobre Renesmee). Nossa rotina como casal, embora não tivesse voltado completamente ao normal ainda, caminhava para isso. Eu já estava tomando as pílulas certas e Edward já tinha jogado os preservativos no lixo, mas ainda tínhamos um bebê muito pequeno para cuidar. O que significava que sexo não podia ser feito assim, sempre que quiséssemos.

- Pára!

- Quê?

- Pára! Agora!

Ele parou de se mexer. Estávamos encaixados em concha na cama, cobertos e, até aquele momento, aproveitando o clima.

- Por quê? - Ele perguntou ofegante contra o meu ombro, não conseguindo conter a decepção na voz.

- Ela... Está... Acordada!

Renesmee estava deitada no berço com a cabecinha virada para nós, a mão na boca, os olhos arregalados e uma cara de quem achava o que via muito interessante.

Aquilo era perturbador.

- Nós estamos cobertos! Ela não está vendo o que estamos fazendo! - Ele concluiu rindo ao pé do meu ouvido, voltando a me penetrar.

- Ela está olhando!

- E mesmo que estivesse vendo... Ela não sabe o que é...

- Não! Pára!

Me afastei dele à força, procurando minha calcinha em algum lugar e vestindo-a.

- Nãããão...

Ele tentou me puxar de volta, mas me desvencilhei dos seus braços. Porra, eu não ia conseguir transar com a minha filha assistindo! Por mais que ela não fizesse a menor idéia do que estava acontecendo.

- O que foi, meu amor? Por que está acordada? - Perguntei bem baixo enquanto a tirava do berço - Quer dormir no colo da mamãe?

Depois de algumas sacudidas costumeiras e um pouco de chamego, Renesmee dormiu. Às vezes parecia que tudo que ela precisava era de um pouquinho de mimo.

- Pronto! Missão cumprida. Agora volta aqui... - Edward falou com voz de choro.

Como ela já não acordava berrando como antigamente, achamos aceitável voltar com o berço para o seu quarto. Assim não precisaríamos sair e ir para outro lugar da casa sempre que quiséssemos ficar juntos, porque Renesmee tinha pegado a mania de acordar no meio da noite e ficar silenciosamente observando as coisas no escuro como uma psicopata.

O primeiro tchauzinho que ela deu foi, obviamente, para Edward. Saindo do quarto em uma manhã de quinta-feira, ele acenou histericamente para ela, e ela retribuiu. Ele ficou tão fascinado com o feito que chegou atrasado no trabalho. Da mesma forma, Renesmee também engatinhou para ele, assistindo-o chegar em casa em um dia qualquer. Ela ainda estava aprendendo a coordenar os bracinhos e as perninhas, e por isso foi aos trancos e barrancos para o pai - mas foi. Como o chão era coberto por um carpete fofo, ela não se machucava quando se desequilibrava e caía, o que nos permitia achar seus trejeitos tortos muito engraçadinhos.

Renesmee engatinhando significava o dobro de cuidados. Se ela podia chegar onde quisesse, nós tínhamos que impedi-la. Sua aparente hiperatividade me fazia acreditar que um belo dia, ao voltar do banheiro, eu a encontraria brincando com o conjunto de facas que ficavam na cozinha ou tentando ir para o andar de baixo no meio da escada.

Em contrapartida, eu fui a primeira a vê-la ficar em pé sozinha no berço. Eu estava ao telefone com Esme, e Renesmee queria desesperadamente o meu colo. Como optei por pegá-la assim que finalizasse a ligação, ela perdeu a paciência e se equilibrou com a ajuda das grades, ficando de pé e se esticando toda para que eu a tirasse de lá. É claro que me emocionei e a peguei no colo no mesmo minuto, enchendo-a de beijos. Quando contei a Edward, ele sentiu inveja de mim.

Seu primeiro dentinho nasceu, enchendo todo mundo de orgulho. Acho que Esme chorou. A piscina se tornou um dos seus lugares favoritos no mundo, o que me fez desenvolver uma compulsão em checar sempre se todas as portas que davam para aquela área estavam devidamente trancadas. Bater palmas havia se tornado seu passatempo preferido, assim como rolar no chão e balbuciar coisas irreconhecíveis para si mesma. Se não fosse pela social que minha filha adorava fazer com qualquer estranho na rua, eu diria que ela podia ser autista. Mas não, Renesmee só se entretia sozinha mesmo.

Edward comprava livros coloridos, instrumentos musicais para bebês (um pianinho, um tamborzinho e um xilofonezinho) e brinquedos cheios de formas e cores. Ela passava horas colocando coisas dentro de um balde e tirando-as de novo, e quando cansava disso, seus próprios dedinhos gordos pareciam ser suficientes para deixá-la hipnotizada por um bom tempo.

- Viu só como você é linda? - Edward falou, apontando para o reflexo dela no grande espelho do hall de entrada. Ela se curvou para frente e colocou as duas mãozinhas ali, abriu a boca e lambeu o vidro.

- Que bom que eu limpei esse espelho há dez minutos atrás. - Concluí, organizando as coisas na bolsa. Estávamos de saída para um almoço na casa de Esme e Carlisle.

- Graças a Deus. - Ele suspirou, observando-a parar de "se" lamber e notar o reflexo dele mesmo logo ali ao seu lado. Quando seus olhinhos encontraram com os dele no espelho, ele falou outra vez - Oi.

Ela gargalhou.

- Quem eu sou? - Ele perguntou.

Ela continuou encarando-o com curiosidade.

- "Paaa-paaai".

- "Paaah".

- "Paaa-paaai".

- "Paaah pppp".

- "Paaa-..."

- Eu espero. - Concluí.

- "Paaah-paaah".

- ELA FALOU!

Renesmee riu do berro que Edward deu.

- Ela não falou papai...

- Falou sim!

- Ela falou "pa-pa".

- É a mesma coisa!

- "Paaah-paaah".

- Ok, ela é um gênio. - Ele falou de um jeito sério, deixando-se levar pela histeria - Vou matriculá-la na faculdade!

- Ela já falou "mã" antes. - Respondi em minha defesa.

- E daí? Ela podia estar tentando falar "mão" ou "mamão".

- Ela estava tentando falar "mamãe"!

- Prove.

- "Paaah-paaah".

- Tá bem, já chega! - Falei sem conseguir conter o riso, pegando-a do colo dele e abrindo a porta para o jardim.

Edward levantou as mãos como um boxeador vitorioso.

- Minha filha falou "papai"!

Eu sabia que essa seria a primeira palavra que Renesmee diria, primeiro porque Edward passava pelo menos meia hora todos os dias tentando fazê-la falar, e segundo porque entre "mamãe" e "papai", bom, eu simplesmente sabia o que viria primeiro de qualquer forma. Mas mesmo assim, ouvi-la dizer alguma coisa pela primeira vez era realmente maravilhoso.

A partir daquele dia, Renesmee parecia uma metralhadora, atirando "papapa"s para todos os lados. Edward se divertia horrores, e agora tentava fazer com que ela se aprimorasse na palavra "papai", dizendo-a com todas as letras certas. Ao invés disso, dois dias depois, ela chamou por mim, o que, tenho que confessar, quase me fez chorar de emoção.

Nesse meio tempo, tivemos o aniversário de 1 ano de Jackson. Não era preciso Alice nos ameaçar de morte caso não comparecêssemos à festa: Carlisle e Edward conseguiram tirar alguns dias na empresa para que todos pudéssemos dar "um pulinho" na França. Àquela altura eu já tinha passaporte - coisas de Edward e seus pauzinhos mexidos, que optei por não perguntar e só agradecer.

A viagem foi tranquila. Como a distância entre os países da Europa era realmente pequena, em pouco tempo aterrisávamos em Paris, o que foi ótimo por não dar tempo a Renesmee de se entediar com o interior do avião e começar a gritar palavras irreconhecíveis, tirando a paciência dos outros passageiros.

Paris era realmente estonteante. Ficamos lá por três dias, mesmo que o aniversário de Jackson só tivesse sido no primeiro. Passeamos um pouco e conhecemos pontos turísticos, aproveitando o clima agradável do verão. Renesmee pareceu gostar particularmente dos jardins coloridos, e eu tinha certeza que se Edward não estivesse segurando-a durante todo o tempo, ela teria brincado e se esfregado na terra e na grama à primeira oportunidade.

Edward ganhou um presente fora de época de Jasper: Uma camisa básica preta com os dizeres "Ne plaisante pas avec ma fille". A piada tinha sido ótima para todos ali que sabiam falar francês, o que me deixou com cara de idiota até que Emmet e seu lado gentil resolvesse traduzir a sentença para mim: "Não mexa com a minha filha". E então eu tive a oportunidade de ver uma das cenas mais adoráveis que já tinha visto na vida: Edward com cara de gângster nos seus óculos escuros, usando aquela camisa "ameaçadora" com Renesmee no colo em seu esplêndido vestidinho roxo de babados, dando risinhos de alegria por causa das borboletas que passeavam por ali.

Vomitei arco-íris a viagem inteira, e antes que pudesse me recuperar, nossas "férias" já tinham chegado ao fim.

De volta à Inglaterra, porque nada estava tão bom que não pudesse melhorar, Renesmee decidiu que queria começar a dar os primeiros passinhos. Suas perninhas estavam começando a criar firmeza: Ela andava quando alguém a segurava pelas mãos, mas nunca tinha caminhado por si só até um dia que, convencida de que já estava apta a mexer as próprias pernas como um atleta profissional, resolveu correr até Edward assim que ele entrou no quarto.

Ela estava em cima da cama e, obviamente, caiu no colchão. Mas não se importou. Achou inclusive a queda muito engraçada. Fiz menção em ajudá-la a se levantar, mas ela conseguiu fazer isso sozinha, se apoiando nas minhas pernas, e quando já estava de pé de novo, saiu andando outra vez. E outra vez caiu.

E a queda foi repetida muitas vezes, e em todas as vezes Renesmee achava muito engraçado cair.

- Ah, vamos lá. Você consegue! - Edward encorajou-a esperando do outro lado do colchão.

Ela tentou de novo. E de novo. Os braços abertos de Edward eram um estímulo, e talvez por isso Renesmee não desistisse. Demorou um tempo, mas não muito: Quando ela finalmente ficou de pé e deu mais passos do que já havia conseguido, se concentrando na tarefa de caminhar em linha reta - ou quase -, Edward e eu torcemos em voz alta como pais corujas que éramos, e isso deve tê-la animado. Mas fizemos a festa mesmo quando ela alcançou os braços do pai e se jogou de qualquer jeito, como se fossem sua recompensa por um trabalho árduo tão bem feito.

- Minha atleta linda! - Ele soltou todo feliz, abraçando-a e beijando-a com tanta força que era difícil acreditar que ela estivesse respirando direito.

O tempo foi passando, nossa filha foi crescendo e ficando cada vez mais linda e sorridente. Ela era sociável, feliz e cada vez mais idêntica a Edward.

A vida, definitivamente, não poderia ficar melhor.

Quando Renesmee completou 1 aninho de vida, demos a ela o tipo de festa que pais dão aos filhos no primeiro aniversário, só que com algumas coisinhas a mais. Resumidamente, Edward fechou um parque de diversões para a comemoração. Cheguei a conversar com ele sobre a não necessidade de tudo aquilo, até porque Renesmee se divertiria loucamente até se comemorássemos seu aniversário em um parquinho de praça. Mas é claro que não fui sequer ouvida.

Como meu próprio aniversário era dois dias depois do dela, a festa, segundo Edward, foi para mim também. Era uma brincadeira, mas me achei meio idiota por gostar tanto de ter uma festa cheia de palhaços coloridos e uma roda-gigante. Era a melhor comemoração do "meu" aniversário em muito tempo, mesmo conhecendo somente a minha família ali. Havia tantas pessoas e tantas crianças que eu não sabia nem de onde elas tinham vindo - talvez dos amigos de trabalho de Edward e dos conhecidos de Esme.

Renesmee se divertiu tanto que tivemos que cantar um parabéns aos sussurros, porque a pobre criança, completamente exausta, dormiu profundamente no meu colo antes que a festa tivesse chegado ao fim. Foi engraçado.

Alcançada essa etapa na vida da nossa filha, Edward e eu achamos que seria um bom momento para deixá-la na companhia dos avós enquanto aproveitávamos nossa lua-de-mel adiada (e comemorávamos, de quebra, meu aniversário - agora de verdade). Foi difícil nos despedir dela, mas sabíamos que Esme e Carlisle cuidariam da nossa filha com toda a atenção e amor de que ela precisava. Além do mais, ela simplesmente adorava os avós.

Fomos para Grécia, em uma viagem de três semanas. Foi absolutamente maravilhoso. Edward estava disposto a me fazer aproveitar cada segundo que passávamos juntos, afinal aquele era um momento nosso, e por mais que fôssemos apaixonados por Renesmee, tínhamos que admitir que "momentos nossos" se tornaram raros depois da chegada dela.

Fomos a Atenas, Salônica e Pátras. Visitamos museus, templos, praias e monumentos. Tiramos tantas fotos quanto um casal de namorados faria, e compramos souvenirs para todo mundo. Ligávamos diariamente para Esme, só para nos certificarmos de que tudo estava bem. Sempre estava.

Sempre estaria.

- Que foi? - Ele perguntou, tocando de leve a ponta do meu nariz. Eu estava sozinha na varanda, enrolada em um cobertor e olhando para o mar lá embaixo enquanto deixava meus pensamentos longe dali.

- Saudade dela.

Edward riu baixinho contra o meu ombro, me abraçando por trás.

- Nós voltamos em três dias. Você vai poder matar as saudades logo.

Continuei calada por algum tempo.

- Ei... - Ele falou em uma voz divertida - Eu achei que você fosse curtir a viagem!

Me virei nos seus braços e fiquei de frente para ele. Lembrei que o havia deixado sozinho no quarto me esperando, e me senti uma idiota por fazer parecer que não estava aproveitando aquela oportunidade da maneira que deveria.

- Eu estou gostando muito. - Falei sem pestanejar, envolvendo meus braços no seu pescoço e ficando na ponta dos pés para beijá-lo - Você não faz idéia.

- Sei.

- Você só tem que me distrair pra que eu pare de lembrar que estou saudosista.

Ele riu outra vez, me puxando para mais perto.

- Mas não é isso que eu estou fazendo, com todos os passeios e todo roteiro e...

Beijei-o de novo, da maneira mais apaixonada que pude. Ele retribuiu, e por algum tempo permanecemos na nossa bolha sem que nenhum dos dois se desse conta disso.

- Me distraia agora. - Concluí com um selinho educado no canto dos seus lábios, olhando-o como se quisesse explicar algo que ele não entendia - A noite toda, se possível.

Os olhos de Edward brilharam vagamente, e então me dei conta de que ele havia entendido.

- A noite toda? Mas amanhã nós tínhamos que acordar cedo pra ir...

Abri o cobertor que me envolvia propositalmente, deixando-o cair pelos ombros e me mostrar como estava: Completamente despida, usando apenas o cordão com o coração de citrino amarelo que ele um dia havia me dado, e que, desde então, eu nunca deixei de usar.

- Esqueça o roteiro. - Falei - Não me importo de ir pra lugar nenhum contanto que você esteja comigo.

Ele suspirou. Seus olhos dourados me varreram de cima a baixo, parando no hematoma claro que havia surgido nos meus quadris, resultado de todas as noites passadas com Edward durante aquelas duas semanas e meia.

- "Só te dão homens violentos"? - Ele perguntou com ar de mistério, e eu tive a impressão de já ter ouvido aquela pergunta em algum momento do passado.

- Me dão um único homem. - Respondi de imediato, não conseguindo deixar de sorrir. E antes que Edward me pegasse no colo e me carregasse para a cama outra vez, finalizei - Simplesmente o melhor que poderiam me dar.

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Oi, gente. Eu não morri. :P

Desculpem a demora e o sumiço. Não vou ficar aqui tentando me explicar porque sei que não vai adiantar, então...

Como ninguém acertou a cor (ou as cores) dos olhos da Renesmee, ninguém ganha o doce imaginário que eu tinha prometido. :P No início eu tive a idéia de deixar os olhos dela dourados mesmo, e fazer com que só um dos olhos tivesse uma mancha pequena marrom pra remeter à Bella. (Só como curiosidade: Esse seria um outro tipo de heterocromia, a Heterocromia Sectorial. Sim, eu também pesquisei sobre isso.) Mas depois pensei melhor e achei que seria muita sacanagem com o Edward, que teria uma filha com praticamente NADA da Bella. E como a Bella queria os olhos dourados, fiz meio a meio e todo mundo sai contente. :P

Vocês devem ter notado que eu falei muito por alto da família Cullen. Isso foi porque eu não queria me aprofundar mesmo: A história já está no final, e sinceramente, a essa altura eu sinto que ela deva ser focada só no Edward, na Bella e na Renesmee mesmo. Talvez vocês também tenham notado um "erro" (e se não notaram, eu falo agora): Não escrevi sobre o aniversário do Carlisle nesse capítulo. Pela ordem cronológica, ele tinha que estar aí no meio. Mas eu não quis mesmo, porque teria que colocar outra vez a família viajando pra lá e pra cá, e como já falei, esse não é o foco da história.

Um erro que cometi e que realmente não tem explicação foi a ausência do aniversário da Esme! Que tipo de família é essa que viaja pra Inglaterra pra ver o pai no aniversário mas não faz a mesma coisa com a mãe? :P Erro meu, desculpem. Mas nada que comprometa a história, creio eu.

Muito obrigada pelas reviews! 3

E muito obrigada pela paciência também. You guys rock!

Obs: O próximo (e último) capítulo não demora a sair. Ele será curto.

Beijos, Mel.