Capitulo trinta e seis

Snape quase explodiu completamente a cabeça loira de seu afilhado pra fora de seus ombros. Por um momento selvagem e aterrorizante, ele pensou que era Lucius que estava andando calmamente em sua direção.

O jeito de andar era o mesmo. O cabelo era o mesmo, branco prateado na luz temprana. Mas Draco ainda tinha que ganhar a circunferência de seu pai e o pisar mais leve nos pés. Havia também o pequeno detalhe que Lucius não seria pego morto usando uma camiseta e tênis velhos.

"De volta, eu vejo," Snape disse. Ele alcançou em suas vestes e puxou um relógio prata. "Você está exatamente cinco horas atrasado, Sr Malfoy. Sua permissão de saída ontem se estendia até as onze horas da noite. Fechado. Eu imagino que você não esqueceu como ver as horas?" O esporro casual de Snape não mostrava o leve pânico sofrido por ele e pela Chefe de Casa de Hermione, Professora McGonagall.

Três permissões para a Londres Mágica tinha sido assinados na manhã passada, e apenas Blaise Zabini tinha achado certo voltar a Hogwarts antes que o toque de recolher noturno se instalasse. McGonagall podia apenas rolar os olhos com o desrespeito de Draco por toques de recolher, mas não era comum da Prêmio Anual ser tão descuidada.

Draco nunca tinha sido alguém de brincadeiras, não importando que sua mãe tinha tentado injetar a importância de boas maneiras em seu crânio. "Eu apenas vim da visão de uma segunda Marca Negra na Travessa do Tranco," ele informou bruscamente.

Snape parecia alarmado, mas sem exagero. Ele fechou seu relógio com um 'snap' alto e guardou de volta em seu bolso. "Nós acabamos de ser informados. O Professor Lupin deve assumir a patrulha no final do meu turno. Eu gostaria muito de falar com você e a senhorita Granger antes de vocês se acomodarem."

Sem sarcasmo, chicotadas verbais. Sem olhares fulminantes ou ameaças de detenções até os vinte anos de Draco.

Não havia nada disso. Também havia uma estranha suavidade na voz de Snape que Draco não tinha notado.

Na maior parte, isso foi devido ao choque.

O queixo de Draco caiu para seu peito com a menção quase casual de Hermione por Snape. "Você sabe sobre nós."

"Sim, Eu sei," Snape respondeu, irritado. "Tomou uma grande quantidade de persuasão para convencer a McGonagall de não mandar uma coruja para os pais de Granger para checar sobre ela já que ela também estava convenientemente atrasada. Onde está agora, por acaso? Você a trouxe de volta com você né?"

Draco estava insultado com a pergunta. "É claro que eu a trouxe de volta. Ela está nos arbustos," ele disse, como se fosse um lugar completamente normal para Hermione estar, naquele momento em particular.

Com algum desdém, Snape olhou para a cobertura de samambaias na distância, onde havia atualmente um barulho notável. "Senhorita Granger," ele chamou.

Hermione saiu de uma fronde, parecendo envergonhada e apreensiva. "Bom dia, Professor."

"Não, não é," ele cuspiu. "Vocês dois, espere em meu escritório. Agora."

"Esta é a primeira vez que estive aqui," Hermione sussurrou para Draco. Ela estava de pé em frente a uma enorme estante de livros. Os títulos eram extraordinários o suficiente para fazer os dedos dela quererem tocá-los.

"Eu deveria malditamente esperar por isso, já que esse é o aposento pessoal de Snape," Draco murmurou.

Hermione olhou pra ele por cima dos ombros. Ele estava sentado numa poltrona perto da lareira, uma perna dobrada sobre a outra, os dedos batendo no braço de couro da poltrona. Ele parecia em casa. Hermione podia facilmente imagina-lo sentado por vários sermões de Snape, sentado bem onde ele estava agora, dando a ela um olhar do tipo 'e agora o que você irá dizer'.

Era estranho estar na casa da Sonserina, ainda mais no que era sem dúvidas, seu coração.

Capitãs escolares eram permitidos em qualquer lugar, é claro, mas nunca tinha havido uma necessidade de ela visitar a sala comum da Sonserina ou além dela, porque Blaise cuidada da maioria das obrigações de sua própria casa. Harry tinha, é claro, estado nos aposentos de Snape em várias ocasiões para as aulas de oclumancia, mas ele nunca entrava em muitos detalhes além de reclamar sobre tais classes.

O espaço de Snape era pequeno mas agradavelmente mobiliado. Parecia ter três quartos. A entrada principal dos corredores da Sonserina abriam pra uma área comum e um escritório. Os quartos, separados por portas duplas em cada ponta da sala central provavelmente abriam para dormitórios e o laboratório pessoal de Snape.

Era tudo bem masculino, Hermione decidiu, e escolar. Isto era esperado.

Havia estantes de mogno estabelecidas em duas das paredes de pedra, sobrecarregadas e praticamente gemendo. Os outros moveis também eram de mogno, com exceção de uma mesa bonita, de pé de garra de jacarandá e de madrepérola, que foi mantida relativamente livre de desordem. Não combinava com o resto dos moveis, mas o local onde estava colocada e a boa condição mostrava a estima em que seu dono a tinha.

Ela sentou-se em uma poltrona damasco verde, em frente de Draco, e bocejou. Era fácil esquecer o pouco de sono que conseguiram apertar na semana passada.

"Então como diabos Snape sabe sobre nosso problema de Fida Mia?"

Draco deu de ombros. Ele estava definitivamente irritado por este fato. "Como ele sabe a maioria das coisas? Ele apenas o faz. Eu descobrirei, no entanto."

Hermione percebeu que ele estava parecendo um pouco pálido. Ele estava descansando a testa em sua palma. Ok, ele já era tão branco como bunda de neném, mas neste momento também havia algo acinzentado em sua aparência. Já que ela tinha recentemente visto tudo que tinha pra ver da pele dele, ela pensou que podia notar a diferença com alguma autoridade.

"Malfoy, você está se sentindo bem?"

Ele beliscou a ponte de seu nariz. "Minha cabeça ainda está me matando," ele admitiu e então conseguiu forçar uma expressão sensual por baixo de seus dedos. "Eu estou drenado, isso sim."

Hermione não aprovava sua malicia em circunstancias tão graves. Apenas Malfoy podia manter sua rudeza habitual com aurores sequestrados, Marcas negras voando sobre suas cabeças e sabe-se lá o que prestes a acontecer.

"Oh, pare com isso. Seu padrinho vai andar através daquela porta a qualquer segundo agora."

"Ah sim, o olhar na sua face quando você descobriu." Ele soava pensativo. "Eu achava que metade da escola tinha tido pelo menos uma ideia agora."

"Tem um monte que eu não sei sobre você com as roupas postas," ela disse, bastante primordial.

Ele riu, inclinou-se para trás na poltrona e a observou com uma expressão carinhosa. Poderia ter sido porque ele estava cansado e então, muito exausto para ser adulador, mas seu olhar estava genuinamente quente. "Não ponha um ponto muito fino para sua inteligência-"

Havia passos se aproximando. Hermione olhou para a porta. "Alguém está vindo."

"Por medo de ser embotada," ele adicionou, balançando as sobrancelhas.

A porta abriu sem fazer o mínimo barulho – algo que era praticamente desconhecido no castelo de Hogwarts quando se tratava de portas – e Snape entrou na sala. Ele mal olhou pra eles, "Sentem-se."

Eles já estavam sentados. "Como estávamos então," Draco gracejou.

"Sua brincadeira é de mal gosto, Sr Malfoy."

"Desculpe."

"Professor, há alguma notícia de Nymphadora Tonks ou algum outro Auror desaparecido?" Hermione perguntou. Ela se sentiu miserável por não perguntar antes.

"Se houver, Senhorita Granger, eu dificilmente acho que você está apta a esta informação." Veio a resposta fria.

Hermione imediatamente se eriçou. Que absurdo! Ela era tanto um membro da Ordem quanto ele!

Ah, mas Draco não era. Snape tinha se lembrado deste fato, mesmo que ela não o tenha feito. Hermione, de repente, percebeu que ela ainda tinha alguns segredos de Draco (quem estava no processo de encara-la estranhamente). Ela coçou o nariz e voltou sua atenção para Snape.

"Não está indo bem, não é?" Draco disse para seu chefe de casa. Hermione se lembrou então que eles estavam falando de sua prima e o sentimento miserável aumentou.

Snape foi evidentemente mais educado em sua resposta para seu afilhado. "O diretor tomou como um problema pessoal que dois membros da Execução da Lei do Ministério despareceram dentro das instalações da escola. Ele está ajudando Alastor Moody com a investigação."

"Dumbledore não sabe sobre nós, sabe?" Hermione perguntou. Dumbledore sabendo era quase tão ruim quanto Harry e Ron saber.

"Ele não o faz," Snape confirmou. Ele olhou para Draco. "Seu pai me contatou depois que você retornou com a senhorita Granger da Mansão Malfoy," ele explicou.

Draco estava surpreso. "Você fala com ele através do Flu? Eu não sabia que ele tinha esse luxo."

"Um luxo pra ele, certeza. Nem tanto para mim," Snape rebateu. Hermione pensou que havia uma diversão em sua voz, mas era provavelmente imaginação dela.

"Quem mais sabe?" Draco perguntou, com a testa franzida. Esta era a próxima pergunta de Hermione.

Snape respondeu sem hesitar. "Professor Lupin. Como vocês sabem, seus sentidos são consideravelmente mais acentuados que os de um humano normal. Ele foi capaz de detectar o funcionamento do feitiço em vocês dois na aula da última quarta."

O pensamento de que Lupin tinha literalmente 'cheirado eles', era alarmante. "Mais alguém seria capaz de descobrir desta forma?"

"Eu duvido, senhorita Granger."

"Foi um erro estupido, senhor," Hermione disse. "Acredite. Sob circunstancias normais-"

A mão de Snape voou no ar num borrão pálido. "Eu não pedi ou desejo aguentar uma explicação. Este não é o motivo que pedi para falar com vocês. Seu documentado e contínuo desrespeito pelas regras atesta ao fato que vocês dois acham que tem idade o suficiente para se matarem. Merlin sabe que vocês são idiotas o bastante. Minha única preocupação é que vocês escolheram exercitar esse desrespeito durante horas escolares e que sua recente saída para Londres apenas acabou por coincidir com um assassinato."

Draco jurou. Snape deixou passar.

"A Marca Negra na Travessa do Tranco. Você está dizendo que alguém foi realmente morto desta vez?"

"Sim, Senhor Malfoy," Snape disse, o epitomo da paciência atenciosa, "a menos que você possa pensar em algum outro resultado de assassinato?"

"Quem foi?"

"A identidade da vítima ainda não é conhecida. O seu encontro com o especialista em Fida Mia deu resultados?" A mudança de assunto foi rápida, se não muito suave.

Snape não precisou esperar por uma resposta. O cenho no rosto de Draco e o rubor pronunciado sobre Hermione, foi resposta suficiente.

"Eu vejo, isto é de fato falta de sorte." Snape suspirou. Cruzou os braços e suspirou mais uma vez. "Há… Há algo mais que eu preciso lhes dizer."

Eles esperaram.

Draco estava sem palavras. Ele nunca tinha visto seu padrinho com as palavras presas. Ele se virou para olhar para Hermione e notou que ela também estava encarando Snape como se o homem tivesse acabado de anunciar sua preferência pela cor rosa.

"Draco," Snape começou. "É sobre sua mãe."

Algo pesado e gelado se materializou e então caiu no estomago de Draco.

"O que tem ela?"

"Foi anunciado na primeira página de ontem do Profeta Diário, mas eu suponho que você não teve a oportunidade de ler o jornal ainda? Não. Não, é claro que você não teve." "Senhor?" Draco apressou, quando Snape não continuou.

"Draco, eu realmente sinto muito por te contar sobre isso. Sinto mais do que posso dizer."

"Me contar o que?" Draco exigiu.

"Sua mãe está morta." O anuncio foi feito com um tom desapaixonado. "Ela morreu três meses atrás. O laudo original era que tinha sido suicídio e tem havido uma longa investigação desde então. Os detalhes do caso tinham sido mantidos cuidadosamente guardados."

'Cuidadosamente guardados' era um eufemismo. A mão de Hermione voou para sua boca. O choque era enorme, mas o repentino aperto em seu peito foi o que roubou sua respiração. Ela tinha experimentado uma sensação similar quando Draco tinha ficado inconsciente pelo golpe de um balaço; exceto que então, tinha havido um estranho vazio gelado; um indicador que algo desagradável tinha acontecido com ele. Agora, ela estava sentindo uma torrente de emoções escuras vindo dele.

Ela não podia diferença a dor, da raiva ou do choque. Por alguns instantes, sua visão era uma bagunça negra e turbulenta. Era quase fisicamente doloroso.

Ele não se moveu, não falou. Ele apenas continuou a encarar o carpete perto da lareira. Ela queria andar até ele e segurar sua mão, mas ela se sentiu presa a cadeira com a força do que ela estava sentindo.

Snape estava franzindo a testa. "Draco, você ouviu o que eu disse?"

"Sim. Como você gostaria que eu respondesse? Ela partiu sem uma palavra de adeus e agora ela se foi permanentemente. Eu não consigo ver a diferença."

"Há uma diferença!"

"Como ela morreu?" Hermione sussurrou.

Snape transferiu seus intensos olhos escuros para ela. "Uma overdose de ópio, no entanto-"

"Você já contou ao meu pai?" Draco interrompeu.

Snape realmente parecia aflito quando ele disse isso. "Draco, seu pai sabe. Ele sabe há meses, mas ele não foi capaz de te dizer."

Hermione estava além de enojada. "Lucius Malfoy atingiu novos níveis de baixeza, não é mesmo?"

Draco levantou a vista. Algo como esperança piscou sobre a face dele. "Mas o dinheiro que tem sido depositado na minha conta no Gringotts a cada mês... Era suposto de vir da Ma- Narcissa. Como isso é possível?"

Snape hesitou por um segundo. "O dinheiro vem de mim. Eu também sabia. Era nosso plano informa-lo no momento certo."

"O momento certo sendo quando notícias de seu assassinato aparecesse por todo o Profeta Diário!" Hermione bufou. Era quase como se ela estivesse falando por Draco. Merlin sabia que ela podia sentir a raiva dele bastante clara agora. Acabou por excluir todas as outras emoções. "Ao invés disse, você decidiu que sua única opção era informa-lo agora antes que ele descobrisse sozinho, da pior maneira possível!"

Draco se pôs de pé, embora um pouco tremulo. "Seu plano?" ele cuspiu. "Seu e Lucius, você quer dizer? Você sabia, ambos sabiam que minha mãe estava morta por todo esse tempo e nunca me disseram!" A voz dele ficou presa. "Eu escrevi cartas para aquela mulher por três meses e todo esse tempo eu assumi que ela simplesmente não estava inclinada a escrever de volta."

"Eu assumo total responsabilidade," foi tudo que Snape podia ou talvez, iria responder, para acusação sendo jogado aos pés dele. "Foi um lapso de julgamento da minha parte, não ter te contado antes. É imperativo que você me ouça agora, no entanto. Você está em perigo. Ambos. Você precisa ser extremamente cuidadoso. A investigação descobriu o fato de que Narcissa não cometeu suicídio como tínhamos pensado. Ela foi assassinada, Draco. Por motivos que eu posso apenas imaginar, nesse ponto, eu acredito que os Comensais da Morte estão fazendo de sua família um exemplo. Nós tínhamos os seus melhores interesses em conta quando a decisão de não lhe dizer foi feita."

"Assassinada?" Draco sussurrou com voz rouca, seus olhos se estreitaram em fendas. "Minha mãe foi assassinada?" O olhar de choque se transformou em horror doloroso e então, não havia nada.

Ele balançou a cabeça e então engoliu alto. "Eu.. Eu sinto muito, Professor," Draco começou, sua voz escorrendo com gelo, "Mas de alguma forma eu não acho que esta escola, ou o ministério, ou meu pai, ao que parece, teve alguma vez meus interesses em mente. Eu irei exigir algumas respostas, fique certo, mas elas não serão de você. Agora se me der licença, eu irei para a cama."

Ele deu um passo, tropeçou e então esticou uma mão para Hermione. O olhar em seus olhos era um pedido nu para ela ajuda-lo antes que ele caísse de uma vez. Hermione estava lá num segundo.

Snape franziu a testa profundamente. Ele ficou de pé. "Senhorita Granger, eu acredito que você precisara de assistência."

A injustiça de tudo fez Hermione querer bater em algo. Todas as coisas ruins e desagradáveis que ela já pensou sobre Snape ao longo dos anos, se juntaram em único olhar arrepiante. Ela ancorou seu braço em volta da cintura de Draco e juntos, eles fizeram seu caminho até a porta.

"Obrigado, professor, mas eu acho que posso me virar."

Ela apenas bateu a porta no rosto dele.

Snape ficou ereto, encarando a porta por vários minutos. Distraído, ele olhou para baixo para sua mão e suspirou quando viu que estava tremendo.

Ele fez um punho. A tremedeira parou.

No final, ele não era melhor que Lucius. Houve tantas oportunidades, tantas chances anteriores para sentar o garoto e lhe contar, mas ele não tinha feito.

De todas as muitas responsabilidades e obrigações que eram dele, sempre havia uma que ele tinha genuinamente gostado.

Draco.

Era tanto uma dor quanto um prazer assistir o garoto virar homem. Snape era uma escolha péssima para padrinho. Ele era velho, duro, amargo, ex Comensal; ex espião com uma lista de inimigos tanto longa quanto seu braço direito. Mas Lucius dificilmente era material paterno também. Uma pena que crianças não podiam escolher em qual família eles nasceriam.

O que era, simplesmente tinha que ser suportado.

Por muito que ele se importasse com o garoto, quando chegava a hora de finalmente prova-lo, Snape tinha falhado miseravelmente. Duas vezes ele tinha falhado com Draco. A Primeira, quando ele tinha ficado quieto quando o ministério deu ao garoto a tarefa absurda e inútil de espionagem e então, mais uma vez, quando ele poderia ter sido direto com a morte de Narcissa. Tinha sido antigos sentimentos por Lucius que tinham o segurado.

Ele tinha precisado que a garota estivesse lá, para segurar o Draco. E Granger tinha feito isso, com uma calma que ele teria aplaudido se as circunstancias não fossem tão trágicas.

Snape se lembrou do que Draco tinha dito no escritório de Dumbledore, na tarde que a primeira Marca apareceu fora de Hogsmeade. O Garoto estava correto. O ministério não parabenizava os heróis. Os usava.

Este era um mundo que não achava nada demais colocar o peso de sua liberdade sobre os ombros de um garoto de onze anos. Esta tinha sido as boas vindas do Mundo Magico a Harry Potter. Dumbledore era tão culpado quanto um bruxo comum na rua. A comunidade também era tão rápida quanto a condenar e resmungar quando o mínimo da suspeita deles era despertada.

Draco estava ciente dessa hipocrisia. Havia mais tons de cinza do que havia Escuridão ou Luz. O jovem Snape teve ciência disso também, mas ao invés de dar as costas para as expectativas, como Draco fez eventualmente, Snape fez o contrário. Ele tinha escolhido um lado. E aquele erro antigo ecoava em tudo que ele fez hoje.

Ele faria o certo para o garoto. Ele tinha que faze-lo, se apenas para injetar algum equilíbrio no mundo. Ele teria uma longa conversa com Albus e Arthur Weasley. Eles poderiam brincar de Deus com Harry Potter, mas eles não iriam fazer o mesmo com seu afilhado.

No final, Snape estava certo. Draco não estava de jeito nenhum bem e Hermione acabou precisando de assistência.

Draco parou de repente, escorando-se na parede. Sua respiração ficou curta e fraca. Ele levantou uma mão e pressionou a palma contra a testa onde gotas de suor estavam aparecendo.

Com medo de que ele fosse desmaiar por hiperventilação. Hermione pegou as mãos dele, colocou-as em volta de seus ombros e lhe disse para usa-la como suporte. Ele não tinha dito nada desde que eles saíram dos aposentos de Snape. Draco a segurou pra ele por alguns minutos, seu rosto enterrado no cabelo dela.

Eventualmente, sua respiração diminuiu para se assemelhar a dela.

"Vai ficar tudo bem," ela disse, quase rangendo os dentes para impedir seu queixo de cair. "Você vai ficar bem." Dificilmente importava o que Narcissa tinha sido para o resto do mundo. Ela tinha sido a mãe de Draco e com certeza deve ter o amado.

Hermione aguentou a dor fantasma do luto de Draco. Ela descobriu que luto em segunda mão, não era menos duro.

"Tudo que eu toco vira poeira," ele sussurrou em seu cabelo. A agonia na voz dele partia o coração. "Tudo o que tem qualquer importância. Esta vida é uma merda. Minha família esta amaldiçoada."

Ela balançou a cabeça violentamente e se afastou para olha-lo. "Isto não é verdade, Draco."

A expressão dele era sombria, cansada, derrotada. A estava assustando. Ele colocou gentilmente um cacho atrás da orelha dela e a observou com uma expressão 'grave'. Se ele tivesse forças, Hermione tinha certeza que ele a teria balançado pelos ombros.

"Hermione, Eu não estou mais jogando. Eu não posso manter-te. O que estamos fazendo agora, Snape está certo, é perigoso. Aquela conversa no escritório de Dumbledore era sobre uma tarefa, entende? O ministério quer que eu relate os outros Sonserinos. Eles querem que eu faça isso no verão e quem sabe por mais quanto tempo depois."

Espionagem! Então isso era o que eles queriam dele e sem dúvidas eles estavam pendurando uma enorme foice sobre a cabeça dele, disfarçada de petisco.

"Eles não podem te pedir isso! Principalmente não de você!"

"Eles pedem o mesmo de Potter," foi tudo o que ele disse. Sua expressão não mudou. "Tem um treinamento de Comensais da Morte em andamento e se eu não estou enganado, alguém está tentando me mandar uma mensagem." Ele cruzou os dedos com os dela.

O olhar que ele mandou para ela a fez querer chorar publicamente. "Eu não posso cuidar de você o tempo todo, principalmente durante o verão. Você ficará na casa do Weasel, não é? Por favor, você estará a salvo lá."

"Eu não estou ouvindo isso," ela insistiu, veementemente. "O que eles estão lhe forçando a fazer é ilegal! Você não pode ser obrigado a concordar. Eles podem ter a vida do seu pai nas mãos, mas não a sua."

"Eu assinei um acordo. É legal e obrigatório." Ele pôs mais de sua cintura contra a parede e fechou os olhos. "Granger, Eu… Eu realmente acho que preciso me deitar. Minha cabeça dói." Havia uma certa honestidade crua em sua voz que deixou Hermione instantemente alarmada.

Malfoy não era de assumir que não estava se sentindo bem. Ele parecia realmente verde. Como ela poderia ter esquecido que ele tinha estado de cama, se recuperando de uma concussão não mais que dois dias atrás?

"Onde fica seu quarto?" ela sussurrou. Parecia embaraçoso que ela não sabia onde ele dormia. Era um pequeno detalhe pessoal que ela deveria saber. Ele não respondeu. Lambeu os lábios e parecia que ele estava prestes a vomitar. Ela tocou a bochecha pálida dele.

"Draco?"

"É por aqui," respondeu uma voz suave. "Eu vou lhe mostrar."

"Snape, lhe contou, então?" ela constatou e então assentiu antes que Hermione pudesse responder. "Goyle e eu apenas descobrimos ontem, no jornal."

Hermione estava realmente satisfeita em vê-la. A Casa da Sonserina era território desconhecido e ela estava menos que confortável em navegar por seus corredores sombrios. "Ele não está se sentindo bem," ela disse, passando as costas de sua mão sob o nariz escorrendo. "Eu acho que deveríamos avisar a Madame Pomfrey."

Se Draco desmaiasse agora, não havia jeito delas duas conseguirem levantá-lo sem um Leviosa. Hermione sabia que ele odiaria se ela acabasse pedindo ajuda a Snape.

Teria que ser Parkinson.

Pansy balançou a cabeça. Havia lagrimas em seus olhos. "Eu ajudo. Nos não precisaremos da enfermeira." Ela avançou, pegou o braço dele e o tirou, devagar, da parede. Ele agiu como se elas tivessem jogado uma bolsa de tijolos sobre sua cabeça. Ele estremeceu. Hermione estava preocupada o bastante para correr e chamar Madame Pomfrey afinal, quando Draco falou.

"Panse," ele murmurou. "Minha mãe está morta." A emoção e familiaridade pesada em sua voz fez Hermione experimentar uma ponta de ciúmes, mas ela logo a esmagou, chocada com seus pensamentos egoístas.

"Eu sei, querido."

"Está fodido, Pansy."

"Eu sei. Calma, nós vamos te levar para a cama."

A situação teria sido estranha se não fosse tão triste. Ele as permitiu envolver cada uma um braço sobre seu ombro. Ajudava que ambas as garotas eram do mesmo tamanho. O quarto dele ficava no fim do corredor, ou parecia. Hermione tinha passado por ele com Draco, mais cedo.

Ela sabia que Pansy podia ter achado seu caminho até lá no escuro bem fácil e estava agradecida que a garota manteve sua vela acesa, para o benefício de Hermione.

A porta do quarto de Draco estava trancada e tomou uma combinação de Alohomora, senhas e maçanetas antigas para finalmente abri-la.

"Ele é paranoico com segurança," ela disse, pegando o olhar de Hermione.

Uma vez dentro, velas na parede se acenderam para a vida. O quarto era exatamente igual o de Hermione, talvez um pouco menor. O teto era mais baixo também. A cama dele não era embaixo da janela, já que as masmorras não abriam para o lado de fora. Ficava de frente para a porta. Seu baú estava contra a parede a esquerda, próximo a mesa.

O ruim estava absolutamente arrumado, o que era uma surpresa. Havia um novo kit de manutenção de vassoura sentado na mesa e uma fortuna no equipamento de Quadribol pendurado em ganchos de latão na parede.

Elas tomaram os passos necessários para a cama e lá, ele caiu. Ele pôs uma mão sobre os olhos, rolou para o lado e então não moveu um musculo. A luz estava provavelmente o incomodando. Hermione assoprou as velas e então se abaixou para tirar os sapatos dele.

Pansy a deixou fazer isso, mas a parou quando ela foi ao baú dele para procurar por uma blusa de dormir.

"Deixe" a garota Sonserina disse. "Ou ele se deita com o que ele está vestindo ou ele não usado nada."

Hermione não sabia o que fazer com a informação, então ela não disse. Havia uma cadeira na mesa dele, ela começou a andar para ela, mas encontrou Pansy parada em seu caminho.

"Você não pode ficar aqui, Granger. Nós não fazemos isso. Nós nunca fazemos isso."

Com "nós", Hermione assumiu que ela se referia a sonserinos. "Pro diabo com 'não posso'", ela cuspiu.

Pansy balançou a cabeça, mas não havia nada além de fervor em sua expressão. "Estou falando sério. Algumas coisas, você não muda. Não é feito. Ele ficará irritado com ele mesmo se uma de nós duas ficarmos aqui essa noite."

Hermione fungou alto. Ela estava cheia de sonserinos teimosos, mas uma parte dela sabia que Pansy estava certa ao invés de estar sendo vingativa.

Havia algum tipo de código sonserino. Um não deve chorar em público, um não deve sair com lufa-lufas, e coisas do tipo.

"Eu não estou fazendo isso para ser difícil. É o que ele iria preferir. Eu vou checa-lo antes do café. Depois disso, ele é todo seu."

Sentindo-se dormente, Hermione tirou os cabelos da testa de Draco, sem se importar que Pansy olhasse. Era bom que ele dormisse, apenas porque Hermione não sabia de que outro jeito ajuda-lo. Ela se sentia inútil. "Eu virei e te encontrarei a primeira hora da manhã," ela lhe disse. Com a voz presa no final, "Eu prometo."

Depois que ela tivesse uma longa conversa com Harry.

E fizesse alguns planos bem sólidos.

"Vamos, eu te mostro a saída," Pansy disse, suavemente.

Com esforço, Hermione tirou os olhos para longe de seu marido dormindo, e seguiu Pansy para fora do quarto. Foi um processo sombrio. A porta se fechou atrás delas.

"Você e eu precisamos para de se esbarrar dessa forma, Granger" Pansy observou, seca. Era tão bem-humorado como era possível, dada a situação.

Elas andaram rapidamente pelo corredor, chegando mais uma vez a sala comum da Sonserina. Pansy abriu as portas e Hermione encarou por um momento para fora na escuridão do corredor mais baixo.

Havia uma crescente pressão no fundo de sua garganta, o produto de reprimir lagrimas. Pansy, em contraste, estava bem recolhida. Hermione sabia que ela tinha estado perto de chorar mais cedo, mas o nariz da garota não estava nem vermelho.

"Há quanto tempo você se sente dessa maneira sobre ele?" Hermione perguntou.

"Desde que tinha dez," Pansy respondeu sem nenhuma vergonha. "Não me dê esse olhar cético, Granger. Eu sei exatamente o que ele é na maior parte do tempo. E eu também sei que o que ele é as vezes não é sempre algo para se reclamar sobre. Nós teríamos sido bons juntos."

Hermione estava quase inclinada a concordar.

Pansy suspirou. Foi um ruído delicado. "Narcissa era uma vadia e realmente fez merda no que se tratava de ser mãe, mas ela tinha um jeito dela." Ela tocou a alça de latão das portas da sala comum. "Ele herdou sua elegância dela, você sabia. E as bochechas, é claro."

"Obrigada, Pansy" Hermione disse. Apenas precisava ser dito.

A outra garota deu de ombros. "Não pareça tão depressiva. Há apenas poucos de nós na escola agora e estamos todos indo embora de vez amanhã. Eu duvido que as coisas possam piorar tanto."

Pansy fez seu caminho de volta para seu próprio quarto. Era no meio do corredor e o mais perto da área de descanso. Ela realmente iria sentir saudade dele. O lugar onde o quarto estava situado e a acústica das masmorras significava que ela constantemente – sem querer, é claro – ouvia as conversas na sala comum.

Ela colocou a mão na fechadura para gira-la e ficou surpresa quando a porta se abriu por dentro.

"Ele está de volta, então? Você contou a ele? O que Granger tinha a dizer?" Goyle perguntou, impacientemente. Havia uma grande marca na ponta da cama onde ele estava sentado esperando por ela. Eles tinham estado fazendo isso a maior parte da noite, dado que Draco supostamente retornaria para Hogwarts as onze da noite anterior.

Pansy franziu a testa, passou por ele e não falou até que a porta estivesse fechada. "Abaixe sua voz! Eles estão de volta, sim. Acabou que nós não precisamos contar as novidades para ele. Professor Snape o fez ele mesmo."

Goyle mudou seu peso considerável do pé direito para o pé esquerdo. "Como ele está?"

"Poderia estar melhor," Pansy suspirou. "Ele está um pouco doente no momento, o que é esperado devido as notícias." Ela tirou seus sapatos de dormir e sentou na cama.

Havia um elefante amarelo de pelúcia deitado entre duas almofadas cor de creme. Ela pegou o elefante e o abraçou.

Houve uma longa pausa.

"Vendo que está feito agora, você deveria tentar dormir um pouco. Já passou do nascer do sol."

Ela não respondeu imediatamente, mas continuou a segurara as orelhas do elefante entre os dedos. "Você viu Blaise ontem?" ela perguntou a Goyle, sem olhar para cima.

"Não."

"Seria demais esperar que ele tenha feito uma curva errada em algum lugar, caído de um penhasco e morreu?" a voz dela estava sem emoção.

"Pansy-"

"você é um idiota se você acha que ele apenas te deixara desistir depois de alguns anos. Uma vez um comensal da Morte, sempre um comensal da morte, Goyle."

Goyle balançou a cabeça. "Eu não estou para o mesmo caminho que meu pai. Confie em mim. Eu encontrarei uma maneira de sair, e então eu ajudarei você e a sua família. Você não terá que se preocupar com nada. Apenas espere por mim. Isto é tudo o que peço."

Ela o olhou atenta e longamente, deixando ver sua intensa decepção. "Na inteira sórdida historia de Comensais da Morte, você deve ser o único que quer se juntar porque é o seu plano de aposentadoria."

Isto não era verdade. Muitas pessoas se juntavam por motivos igualmente dúbios. Fama, fortuna, glória... amor pela tortura.

Na verdade, ele estava se juntando porque o pai falido de Pansy tinha o proibido de fazer uma oferta por ela a menos que ele fizesse uma pequena fortuna num curto espaço de tempo. Os Goyles nunca tinham sido extremamente ricos para começar e o dinheiro que eles tinham, tinha ido para o mesmo caminho que a fortuna dos Malfoys.

Blaise, que já estava confortavelmente satisfeito por sua própria admissão, pintara uma imagem muito lucrativa.

Os indecentes malvados e megalomaníacos exigiram capital para financiar suas atividades. Enfim, um Senhor das Trevas ainda precisava de um teto sobre sua cabeça, e se a fofoca fosse verdadeira, o gosto de Voldemort era gótico e extravagante. Havia uma certa quantidade de empresas ilegais operadas secretamente por partidários de Voldemort. O comércio de substâncias ilícitas e artefatos restritos eram um dos principais exemplos. Blaise também tinha mencionado que um laboratório de poções experiente tinha sido montado com a intenção de criar drogas ilegais para venda no mercado trouxa.

Enquanto os Comensais da Morte mais velhos pareciam preocupados com vinganças e em perseguir o objetivo de Voldemort, a nova geração de seguidores como Blaise, via o movimento como mais que apenas um veiculo para espalhar as ideias de pureza de sangue de Voldemort. Músculos eram sempre necessários para manter as operações correndo. Goyle podia não ser o mais esperto, mas ele sabia como ser intimidador, ele sabia como ser segurança, como flanquear e proteger.

Ele tinha estado fazendo isso por toda sua vida.

Havia dinheiro para ser feito, poder e influencia a ser ganhado. Goyle não era tão ambicioso. Ele apenas queria um começo. Com o nome de sua família já inesperançosamente negro e um currículo acadêmico fraco, opções de carreira eram escassas.

"Draco teria se juntado, se as coisas tivessem terminado diferente." Ele achou que deveria dizer isso a Pansy, quem era a presidente não oficial do fã clube de Draco Malfoy.

Pansy bufou. "Provavelmente, mas você não é Draco. Você estará sozinho se se juntar. Ele nao estara lá para tomar conta de voce."

"Eu não preciso dele lá!" ele disse, um pouco alto demais, por que os olhos azuis dela se arregalaram.

Goyle queria chutar algo.

Ele estava fazendo uma bagunça nas coisas. Tudo o que ele queria fazer, antes de deixar Hogwarts, era ajeitar as coisas com Draco, oferecer algumas palavras de compaixão sobrem Narcissa, e então se despedir de Pansy. Ele tinha pensado sobre escrever uma carta para Millicent, mas Pansy tinha o aconselhado contra isso. Só por precaução. Estava tudo bem, porque Goyle era uma merda escrevendo cartas.

Ele era uma merda em um monte de coisas, aparentemente. Com no coração pesado, ele tomou um passo em direção a porta, pausou e então se virou para encarar Pansy.

"Estou indo agora," ele disse, claro.

O elefante estava tendo sua viga esmagada para fora dele. "Bom. Vá."

Goyle fez um som. Se a frustração masculina tivesse um som, este seria o som. "Eu provavelmente não serei capaz de vê-lo novamente por um ano ou mais."

"Ok. Tanto faz."

Ela era uma vaca. Ele não fazia ideia porque a amava tanto. "Pelas barbas de Merlim, Pansy! Voce vai me dizer adeus ou não!"

Pansy jogou o animal de pelúcia em sua cama e se levantou, seu nariz no ar.

"Adeus, Gregory. Eu espero que a morte que você vai com certeza encontrar no próximo mês ou mais seja rápida e relativamente sem dor."

Ele a encarou, incrédulo. "Relativamente?" ela o descartou com a mão. "Eu desisti de tentar mudar sua mente. Voce é um idiota. Vá e seja um Comensal da Morte. Eu provavelmente esquecerei tudo sobre você depois de uma semana."

Era um quarto pequeno. Um passo o levou ate ela. Outro passo a levou para seus braços. Ele então procedeu para beija-la como ele estava morrendo para fazê-lo por três anos. Ela resistiu no começou, e bateu nem seu bíceps direito, mas ele tinha o elemento de surpresa ao seu lado.

Também havia o fato que ele não tinha mais nada a perder nesse momento. Isto deu a ele o tipo de coragem que tinha ate o momento estado faltando ao cortejar Pansy.

Depois de alguns minutos, ele a depositou em sua cama, sem ar e com as bochechas coradas. Ela buscou, sem perceber, pelo elefante de novo.

"Você se lembrará disso," ele murmurou brusco. E então ele saiu pela porta e de sua vida.


08/12/2017

Julianaaliz: fico feliz que ainda tem pelo menos uma pessoa lendo hahaha. Existe algumas nesse modelo em ingles, traduzidas não sei. mas se quiser mandar dm sobre posso tentar procurar pra você ;))