Ensaio

Entrou no banheiro rapidamente, se fechando em um dos boxes. A única coisa que queria era estar sozinha e chorar. Sentiu as lágrimas derramarem-se rapidamente por seu rosto claro e sabia que agora não poderia mais pará-las. Ouviu as vozes das garotas que estavam no banheiro se afastarem e, finalmente, estava só.

Por que não podia esquecer Naruto? Um garoto que só a fazia sofrer. Fechou os olhos, derramando mais lágrimas.

Não, pensou. A culpa não era do loiro, pelo menos, não totalmente. Afinal, ele nunca dissera que a amava e ela também nunca tinha dito que o amava. Eles não eram nada um do outro, ele não tinha o porquê se afastar de Sasame ou qualquer outra garota que chegava nele.

Por um momento, queria ser como elas, as líderes de torcida, que todos os garotos desejavam. Queria poder não ter vergonha de chegar perto de Naruto.

Sorriu tristemente deixando mais lágrimas caírem por seu rosto.

Afinal, o loiro chegara a comentar o fato dela sempre ficar corada. Mas também falara que gostava desse jeito dela.

Sentiu vontade de gritar, talvez aliviasse a sua dor e principalmente a confusão que estava a sua mente.

Suspirou ao escutar o som do termino do intervalo. Saiu do boxe e foi até a pia, lavar o rosto. Teria que dar um jeito de parecer menos triste. Tinha certeza que as garotas a questionariam sobre o porquê de ter sumido e o que havia acontecido. Suspirou com a certeza que não queria falar com ninguém.

Olhou-se no espelho grande, que ficava na parede acima das pias e viu seus olhos vermelhos pelo choro.

– Olha só quem esta aqui... É a estranhinha.

Fechou os olhos ao escutar a voz de Kin e as risadas ao fundo. Sabia que as outras estariam juntas e teria que sair daquele lugar logo.

Abriu os olhos e pegou uma toalha de papel, secando o rosto e as mãos.

– Olha só, Kin, ela estava chorando – Karin sorriu alto, contagiando as outras amigas.

Olhou para elas com raiva, mas baixou os olhos e a cabeça para não arranjar confusão.

– Tadinha da estranha – murmurou Kin.

– Por que estava chorando? – Tayuya perguntou.

– Oh, e quem quer saber? – Karin falou debochada. – Vai ver ela se olhou no espelho e percebeu que é uma fracassada sem graça.

Respirou fundo e caminhou rumo à porta, passando pelas garotas que apenas riram maldosamente.

As lágrimas estavam prontas para caírem, mas não podia se deixar levar. Caminhou até sala entrando rapidamente de cabeça baixa, sentando-se em seu lugar.

– O que aconteceu?

Escutou a voz de Tenten perguntar.

– Nós estávamos te procurando.

Agora era a voz de Sakura. Pela entonação, sabia que elas estavam preocupadas, mas sua voz não saia. E se saísse, tinha certeza que cairia no choro novamente.

– Hina, fala com a gente – murmurou Tenten.

Em resposta, cruzou os braços sobre a mesa e pousou sua cabeça ali.

Escutou as vozes das líderes de torcida quando estas entraram na sala, sorrindo e soltando piadinhas. Mas ignorou, já que a única coisa que queria era estar em outro lugar.

– É melhor deixarmos ela quieta – Sakura falava aquilo para Tenten.

–Sim.

– E, Hina, – sentiu uma mão delicada tocá-la nas costas – se precisar, é só falar, está bem?

Não respondeu, mas sabia que Sakura entenderia aquilo como um "sim".

Escutou a aula começar, mas seu corpo não reagia. Continuou com a cabeça escorada nos braços, mas agora olhava para frente, tentando prestar atenção na matéria nova que era passada pelo professor Kakashi.

Passou a aula preocupada com Hinata, afinal, alguma coisa havia acontecido e tinha certeza que Karin e suas seguidoras tinham algo haver com isso. Pois viu a amiga estremecer logo que estas entraram na sala de aula. Mas por que a morena ficaria tão chateada por causa daquelas garotas? Afinal, Hinata não era do tipo que se estressava por pouca coisa. Tinha mais ali do que imaginava, mas teria que esperar a amiga querer falar.

Suspirou e encarou o professor que explicava a matéria. Nada que lhe interessasse no momento, mas algo que precisaria no futuro.

Percebeu Sai a cutucando, então o encarou. Este lhe passou uma bolinha de papel e apontou para trás. Olhou discretamente na direção que o moreno apontara e viu os olhos verdes do namorado a encarando. Ele sorria discretamente o que o deixava ainda mais lindo. Viu-o piscar com um olho e depois voltar-se para o professor. Rapidamente o imitou, olhando para Kakashi que parecera não ter percebido sua distração.

Abriu a bolinha de papel, vendo o pequeno bilhete que Gaara a mandara. Sorriu ao ver que ele queria levá-la embora e, em resposta, olhou por sobre os ombros para a direção do ruivo e fez sinal afirmativo com a cabeça. Pelo canto dos olhos percebeu o olhar ônix de certo moreno, mas ignorou. Não podia cair em tentação.

O resto da manhã passou rápido, já que adorava as aulas de Kakashi. Assim que o sinal tocou, arrumou suas coisas e foi até as garotas que estavam juntas em um bolinho na sala.

– Bem, nos vemos amanhã, certo? – sorriu para as amigas que acenaram em afirmativo.

– Então, vai embora com o meu irmão? – Temari sorria animada demais para quem estava sem carona para ir embora.

– Vou, ele me chamou – disse simplesmente. – Espero que tenha carona.

– Oh, sim - sorriu a loira.

– Vamos, Temari?

Todas as garotas olharam na direção de Shikamaru, que acabara de falar. Não pode deixar de rir da reação de Temari, que apenas acenou e saiu andando quase saltitante.

– Ela esta apaixonada – Tenten falou rindo e as levando junto.

Sentiu alguém te abraçar por trás e beijar seu pescoço.

– Acho que está na hora de nós irmos também, Sakura – Gaara falava alto.

– Claro – sorriu e olhou para as amigas. Observou a expressão triste de Ino e teve vontade de abraçá-la, perguntando o que estava acontecendo, mas não podia naquele momento, já que Sasuke chegara e a abraçara. – Até amanha, pessoas.

Acenou e saiu caminhando de mãos dadas com o namorado. Entraram no carro e olhou para Gaara antes que este desse a partida.

– Quer almoçar lá em casa hoje? – perguntou sorrindo docemente.

– Hum, eu não morrerei depois? – viu o sorriso zombeteiro do ruivo e, em resposta, deu um tapa no braço forte dele.

– Eu cozinho desde novinha e não farei algo tão difícil assim – disse fazendo-se de brava, cruzando os braços e olhando pela janela.

– Então eu almoço lá, mas com uma condição.

Sentiu as mãos do ruivo em seu rosto e voltou-se para ele.

– Qual?

– Que eu te ajude. – Sorriu acompanhando o belo sorriso do namorado.

– Hum, e isso não é perigoso? – falou zombeteira.

– Não mesmo, cozinho desde novo – falou com um leve tom de ironia na voz. Ambos riram.

O garoto deu a partida e ligou o rádio. A música encheu o ambiente e mais nenhuma palavra foi dita até chegarem a sua casa.

Caminharam lado a lado até o carro do garoto. Sentia-se trêmula e nervosa demais para quem só queria uns beijos. Entrou no carro, ainda em silencio e se acomodou. O que estava acontecendo com ela? Sentiu o coração acelerado.

– Você está tão quieta que chega a me assustar – Shikamaru falava baixo encarando-a.

Sorriu para ele e mordeu o lábio sensualmente.

– Talvez esteja tensa demais – sorriu marota. – Você não quer me ajudar a relaxar?

O sorriso fixou-se na face máscula do moreno, que apenas se aproximou e beijou-lhe nos lábios lentamente. Ele não parecia ter pressa e por mais que quisesse aprofundar o beijo, este apenas voltava a dar-lhe apenas selinhos.

– Você está com pressa? - ouviu a voz rouca do garoto falando em seu ouvido, depois de se afastar.

– Você é que parece não querer me beijar – disse irritada. O que mais queria era beijá-lo loucamente, como fizeram da outra vez.

– Eu quero lhe beijar, Temari, como nunca quis beijar outra mulher – a voz máscula a fez tremer e se arrepiar.

– Então me beija, Shika – disse chegando ainda mais perto do garoto e passando as mãos pelas costas fortes dele.

– Mas irei devagar – ele falava ainda em seu ouvido. – Quero vê-la gemer com meus beijos.

– Oh, Deus... – murmurou ao sentir finalmente os lábios do moreno sobre os seus.

Nunca havia sido beijada daquela maneira antes. O moreno lambia e mordiscava seus lábios, antes de tomá-la em um beijo lento e prazeroso. Ele realmente não tinha pressa, muito pelo contrário, fazia tudo lentamente como se aproveitasse cada espaço de sua boca e seus lábios. Acompanhou-o naquele ritmo e apreciou os lábios dele da mesma forma, mordendo e lambendo o lábio inferior.

– Hum...

Escutou o gemido dele, mas sabia que era o seu também. Ambos estavam naquele sincronismo. As mãos do garoto estavam pousadas em sua cintura e costas, apoiando-a e puxando-a mais para frente. Os seus braços estavam perdidos nas costas másculas e no cabelo comprido dele.

Aos pouco foram se afastando até ficarem a centímetros um do outro, com a respiração acelerada e os lábios inchados.

Olhou-o atentamente, vendo-o com os olhos presos nela. Sentiu seu coração acelerar e crescer dentro do peito. Era uma sensação que nunca havia sentido antes, algo totalmente novo.

– Isso foi incrível – foi a única coisa que conseguiu dizer, já que ainda sentia a mente tortuosa.

– Concordo – o garoto sorriu de canto.

– É como fazer sexo com os lábios – disse sorrindo de canto maliciosamente.

– Não posso deixar de concordar novamente.

Sentiu as mãos dele puxarem-na para mais próxima.

– Shika, não podemos nos fundir - sorriu brincalhona.

– Hum, aqui não – o garoto sorriu zombeteiro.

– Pervertido – falou fingindo-se de irritada.

– Hum, talvez, mas não fui eu quem disse que acabamos de fazer sexo com os lábios.

– Oh... – deu um tapa no braço do moreno. – Você está impossível hoje.

– É que estou feliz.

Viu-o sorrir sincero e não pôde deixar de fazer o mesmo.

– Eu quero muito falar com você – Shikamaru falou sério.

– Hum – disse vendo o moreno ficar nervoso e sério.

Sentiu-o afastar-se e recostar-se no banco. Imitou-o e cruzou os braços. Podia sentir a tensão tomar conta do carro.

– Eu não posso deixar de falar, Tema – escutou-o murmurar e então olhou-o, vendo-o fazer o mesmo.

– Você não me quer? – perguntou sentindo-se tola.

– O que?

Viu-o pular no banco e ficar de frente para ela.

– Eu não consigo ficar longe de você – ele olhava-a nos olhos.

– Então por que você está tão sério? – disse encarando-o.

– Por que nunca falei isso para outra mulher – Shikamaru parecia meio desconcertado.

– Mas...

– Eu a amo, Temari no Sabaku.

Viu o brilho no olhar do moreno, assim como o amor que este sentia. Tudo estava ali, estampado na face máscula e maravilhosa dele. Como nunca havia percebido isso antes? Todas as vezes que ele a olhava era assim, com aquela devoção. Mas nunca percebera que era amor, por que nunca havia sentido esse sentimento. Agora tudo mudara e o que sentia era algo grande o suficiente para com aquelas simples palavras estar nas nuvens.

Olhou-o e sorriu, abraçando-o fortemente e depois beijando-o nos lábios ternamente.

– Temari...

Ouviu-o suspirar seu nome enquanto a tocava na cintura.

– Shika – falou olhando-o nos olhos, enquanto suas mãos seguravam o rosto do garoto. – Eu nunca amei e não sei o que é esse sentimento que sinto por você. Mas tenha certeza que é forte e bonito. Não consigo deixar de pensar em você.

Disse séria e depois sorriu de canto, sentindo-se aliviada por falar aquilo que estava em seu coração.

O garoto abraçou-a, puxando-a para seu colo e apertando-a mais em seus braços.

– Você é minha a partir deste momento – falava Shikamaru sorrindo. – Quer namorar comigo?

– O que? – estava em choque. Espantada e alegre.

– Você não quer? – ouviu-o perguntar com a face triste.

– Eu... Sim, claro! – sorriu ainda mais e o abraçou.

Beijaram-se ternamente e apaixonadamente, como o jovem casal que eram.

O namorado estacionou o carro e então saíram sorrindo rumo a casa. Entrou e deixou a porta aberta para que o namorado entrasse.

– Vou retirar o uniforme e já volto – sorriu, olhando para o namorado que fechava a porta. – Fique a vontade.

– Está bem.

Revirou os olhos ao perceber o sorriso malicioso de Gaara. Subiu as escadas correndo e entrou no quarto largando o material e retirando o uniforme. Vestiu uma blusa de mangas curtas branca e o short jeans que geralmente usava para ficar em casa.

Desceu sorrindo, enquanto prendia os cabelos em um rabo de cavalo, que por sinal, não ficou muito preso, deixando alguns fios soltos na parte da frente do rosto.

– Gaara! – chamou, enquanto entrava na cozinha.

Lá estava o ruivo, somente com a calça do uniforme escolar. Arqueou a sobrancelha quando este se virou. Acabou por ficar vermelha ao ver o peito descoberto e másculo.

– Ah, você disse para me sentir a vontade – sorria o garoto. – E agora estou bem à vontade.

– Estou vendo – disse sorrindo e balançando a cabeça em forma negativa.

Aproximou-se da geladeira retirando as verduras que usaria para fazer uma salada.

– Ah, eu morro se comermos só mato.

Riu alto ao escutar a voz do namorado.

– Não se preocupe, farei arroz e frango. Está bom assim, senhor? – largou as verduras sobre a pia e virou-se para o ruivo.

– Hum, agora ficou melhor – viu-o sorrir e se aproximar. – O que quer que eu faça?

Mordeu o lábio, nervosa pela aproximação. Tudo bem que não o amava, mas Gaara era um pedaço de mau caminho. Não entendia quando as garotas falavam isso, mas agora compreendia tudo nos mínimos detalhes.

– Você pode cortar a carne ou fazer a salada – disse sorrindo docemente.

– Ou os dois – Gaara pegou uma faca que estava no suporte e sorriu de canto depois de lavar as mãos.

– Certo – voltou até a geladeira e pegou o pedaço de carne, entregando-o ao garoto.

Viu-o cortar tudo, colocando em um pote para que ela, que estava no fogão, fizesse o resto.

Cozinharam sorrindo e conversando sobre amenidades, sem se preocupar com horários ou com qualquer outra coisa.

– Então, aprovou minha comida? – sorriu sincera.

– Com certeza. Pelo menos por enquanto – ele ria com a expressão de desagrado que se formava na sua face. – Não sei se amanhã poderei dizer o mesmo.

– Ah, seu sacana! – disse enquanto levantava da mesa onde estavam sentados e recolhia a louça suja. – Primeiro, come até raspar a panela e depois, reclama!

Escutou a risada alta do garoto as suas costas, já que iniciava a lavação de louça. Sentiu-o se aproximar e colocar os braços em torno de sua cintura pousando a cabeça em um de seus ombros.

– Está quente hoje não acha? – ouviu-o dizer e seu hálito quente fez com que seus pelos se arrepiassem.

– Pois é. Está chegando o verão – disse meio sem jeito, enquanto terminava de enxugar os pratos.

– Hum – ouviu-o resmungar. – Você tem um cheiro bom.

Sentiu o rosto esquentar.

– Obrigada, eu achp – sorriu sem jeito.

A pressão das mãos do garoto em sua barriga aumentaram, e fizeram-na virar-se para ele.

– Wou! – exclamou sorrindo.

– Você é linda – ele falou olhando-a nos olhos e depois beijou-a docemente.

Deixou-se levar pelos lábios do garoto e envolveu-o na nuca com os braços. Puxou-o para mais perto e sem saber direito o que fazia, acabou por aprofundar ainda mais o beijo. As mãos do garoto subiam pela lateral de seu corpo, até próximo aos seios e depois desciam até o inicio do quadril, em uma dança sensual que a deixava quente.

Desceu as mãos pelas costas nuas do garoto sentindo os músculos e a pele sobre seus dedos. Aquilo era melhor do que imaginara.

Gaara começou a caminhar lentamente até deixá-la na parede, onde prensou ainda mais os corpos, como se quisesse fundir-se a ela. Suspirou e gemeu ao sentir o seu corpo quente de encontro a parede fria.

Lentamente, ele afastou-se de seus lábios e a olhou nos olhos antes de beijar suas bochechas e queixo.

– Gaara... – gemeu apertando o abraço.

– Hum? – ele murmurou enquanto beijava seu pescoço.

Não conseguia se concentrar direito, apenas pensava no calor e nas sensações novas que estava sentindo.

– Vamos, Sah – ouviu-o falar em um murmúrio em seu ouvido, antes de tomá-la nos lábios novamente.

As mãos másculas foram até seu quadril pressionando as laterais. Involuntariamente, ergueu uma das pernas encaixando-a no quadril do garoto que segurou em sua coxa trazendo-a mais perto. Sentiu a excitação do ruivo e assustou-se, parando o beijo, olhando-o nos olhos.

– Eu te desejo, Sah – ouviu-o falar sensualmente. – Não posso negar isso.

– Eu sei... – disse em um murmúrio. – Mas...

– Não faremos nada que não queira, certo? - viu os olhos de Gaara enevoados de desejo, mas a voz doce e compreensiva. - Só quero te tocar.

As mãos de Gaara já estavam passando por sua coxa exposta e subindo até sua cintura.

– Gaara... – gemeu e fechou os olhos movimentando a coluna.

– Isso, Sakura, sinta – ele murmurou em seu ouvido. – Quero que você sinta os meus toques.

A outra mão do namorado estava em baixo de sua blusa, acariciando seu ventre. Estava adorando aquelas sensações, mas se não parassem logo, teriam ultrapassado uma linha que não teriam como voltar atrás. Então, lembrou-se de Sasuke e seus olhos negros. Como queria que fosse ele ao invés de Gaara.

Pousou as mãos no peito do garoto e escutou-o gemer seu nome. Empurrou-o lentamente até vê-lo se afastar.

– O que...?

– É melhor pararmos por aqui, Gaara – disse enquanto tentava voltar a respirar normalmente.

– Hum. Está bem.

Podia sentir que ele estava decepcionado, mas teria que entender que não era o momento certo para ela ainda.

Viu-o sair da cozinha e depois o barulho de porta batendo. Sentiu os olhos lacrimejarem e sentiu-se uma idiota. Escorregou pela parede, até sentar-se no chão novamente. Abraçou as pernas, recostando a cabeça nos joelhos e chorou. Como doía saber que não poderia fazer aquilo com Gaara por estar apaixonada demais por Sasuke. Talvez um dia superasse isso, mas no momento não conseguia deixar de pensar nos toques de Sasuke.

Soluçou e sentiu seu coração doer. Agora o ruivo provavelmente estaria bravo com ela, mas não podia fazer nada. Sentia-se uma idiota e criança por ter medo de se doar ao próprio namorado.

Sentiu uma mão tocá-la no ombro, então ergueu a cabeça assustada.

– Ei, não chore.

– Gaara... – murmurou vendo-o sentado ao seu lado.

– Não gosto de lhe ver assim – disse sério, mas o olhar era de compaixão.

– Eu... Desculpe – falou por fim e soluçou, deixando algumas lágrimas caírem.

– Ei... – sentiu as mãos másculas passarem por suas bochechas, limpando as lágrimas. – Não precisa me pedir desculpas. Na verdade, eu teria que fazer isso - observou-o sorrir de canto. – Afinal, eu forcei um pouco a barra.

– Mas eu sei que você precisa disso e eu... – outra lágrima caiu.

– Eu irei te esperar se for preciso – sorria o garoto amigavelmente. – Sei que para você sexo é mais difícil do que para mim ,que sou homem.

Mordeu o lábio e encarou-o nos olhos.

– Desculpe não poder ser sua mulher, Gaara – falou tristemente. – Eu queria, mas ainda não me sinto preparada para algo assim.

– Tudo bem – o viu sorrir.

Abraçou-o com força, colocando o rosto na curva do pescoço do garoto, sentindo o cheiro bom que tinha a pele dele. O cheiro que não era igual ao de Sasuke e nem nunca seria. Tinha que parar de compará-los. Suspirou frustrada.

Chegou à escola meio irritada por ser um sábado e ter que estar naquele ambiente. Ao seu lado, Hinata estava com uma cara triste e os olhos possuíam olheiras negras, provavelmente não dormira direito e, sim, chorara a noite inteira. Conhecia a amiga muito bem, por isso tirava aquelas conclusões.

Entraram na sala de ensaios, vendo os colegas atirados em pufes e sofás. Passou pelas três garotas ridículas que, como sempre, sorriram zombeteiras.

– Olha só quem chegou: a procriadora solitária – Kin falava desdenhosa.

– Oh, tadinha... – ironizou Karin.

As três riram alto, mas continuou andando, fingindo não ser com ela, apesar de sentir-se triste por ser verdade.

– Bom dia – falou baixo para Sakura, que estava sentada sozinha no sofá de três lugares.

– Olá, garotas – a rosada sorria. – Como estão?

A vontade era de responder que estava bem consigo mesma, mas triste ao mesmo tempo por estar sozinha com uma criança crescendo em seu ventre.

– Estou bem – sorriu para a amiga.

– E você, querido bebê? – sentiu as mãos da rosada em seu ventre, em uma caricia amigável. - Ele já chuta?

Sorriu ainda mais com o papo da amiga e revirou os olhos. Distraiu-se ao notar Neji sentado um pouco mais afastado, mas as encarando e prestando atenção a conversa.

– Ainda não – sorriu amigavelmente, voltando sua atenção à amiga rosada. – Mas logo começarei a senti-lo. Pelo menos, foi o que o médico disse.

– Você foi ao médico quando? – Hinata finalmente falara alguma coisa.

Percebeu então que a amiga estava sentada ao lado da rosada, enquanto ela, que estava grávida, permanecia de pé diante das amigas.

– Hum, isso foi na vez passada – sorriu e fez sinal para se sentar no meio das amigas, que abriram espaço. – Mas tenho outra consulta para a segunda feira após as regionais.

– Ah, que legal! – Hinata sorria animando-se.

– Pena que terá que ser no turno da manhã e, infelizmente, não poderão ir comigo – Sorriu tristemente. – Na verdade nem meus pais irão.

– Não tem como marcar para outra data? – Sakura falava apavorada com a possibilidade de Tenten ir a uma consulta sozinha.

– Não posso, os horários são meio remotos – deu de ombros. – Mas posso fazer isso sozinha. Não irei me machucar, garotas – falou rindo ao ver a expressão incrédula das amigas.

– Olá, amores do meu coração! - sorriu ao observar Ino chegar animada.

– Nossa, que caras de espanto são essas? – Temari estava ao lado da outra loira.

– Nada demais – falou simplesmente, dando de ombros.

– Só a Tenten, que irá ao medico sozinha – falava Hinata brava.

– Ah, eu não estou invalida! – Disse cruzando os braços e fazendo beiço.

– Mas por que sozinha? – Ino falava sem entender.

– É que só consegui em horário de aula – falou simplesmente. – Mas esta tudo bem, eu juro – disse séria e depois sorriu amigavelmente. – Vocês são uns amores.

Riu ainda mais ao perceber o quanto as amigas se preocupavam com ela e o bebê.

– Certo, então – Temari respondeu pelas outras.

Observou as amigas sentarem em outro sofá, enquanto os outros também se sentavam, já que os professores entraram na sala sorrindo animados. Kurenai olhava fixamente para Asuma, como se idolatrasse cada palavra que este dizia. Já Kakashi sorria de canto, observando a expressão dos outros dois.

– Olá, alunos – Kakashi disse simpático, parando em meio aos alunos.

– Olá – Kurenai sorriu meio vermelha, o que fez os alunos sorrirem.

– Então, pessoal, prontos para um dia cheio?

Sentiu vontade de gritar que não, mas balançou a cabeça em positivo, vendo alguns colegas mais animados gritarem que sim.

– Ótimo, primeiramente preciso que vocês façam grupos para iniciar.

Viu as amigas levantarem e as imitou. Ino parecia animada, mas nada se comparava ao sorriso intenso de Temari.

– Você está sorrindo demais hoje – Ino disse para a outra loira.

– Eu também percebi isso – disse com as sobrancelhas arqueadas.

– Ah, é que estou feliz – Temari deu de ombros, ainda sorrindo.

– Ótimo – Hinata falou baixo.

– Mas o que aconteceu para deixá-la tão feliz? – Ino perguntou curiosa.

– Até eu quero saber... – Sakura sorria. – Tem algo haver com uma carona de ontem?

– Ah, Sakura... – Temari falou vermelha.

Todas riram e Ino gritou, batendo palmas e chamando atenção dos outros grupos.

– Cala a boca, Ino! – Temari falou entre dentes.

– Vocês ficaram? – Ino ria, mas falava em tom mais baixo.

– Sim – murmurou Temari sem graça, mas com um enorme sorriso na face.

Sorria ao ver a felicidade da amiga loira por estar com alguém que gostava. Girou os olhos pela sala, enquanto escutava ao fundo Temari falando algumas coisas sobre o encontro que teve com Shikamaru. Prendeu-se no sorriso do garoto que estava junto aos outros homens da sala. Ele também parecia feliz por estar com Temari. Não pôde deixar de sentir-se emocionada, afinal alguém estava de bem com o coração. Foi então que percebeu o olhar claro de Neji sobre si. Não desviou logo, mas preferiu fechar a expressão, ainda olhando-o nos olhos. Quando percebeu que sentia vontade de chorar, é que resolveu voltar-se para as amigas.

– Então, estamos namorando – Temari cochichou feliz.

– Parabéns! – Sakura sorria animada, mas seus olhos continuavam sem o brilho que somente o amor trazia.

– Obrigada, meninas – Temari sorria ao vê-las dando felicitações.

– Certo, certo, pessoal – o professor Asuma falava alto. – Garotos para um lado e garotas para outro.

Suspirou ao ver o trio se aproximar e parar ao lado do seu grupo. Não suportava ficar perto delas, mas fazia aquele esforço pelo grupo.

– Treinarão separados, depois vocês se juntam, certo? – Asuma falava sorrindo animado.

– Ah, Sakura e Sasuke, vocês podem se juntar... – sorriu Kurenai. – Já que terão uma apresentação em dueto.

Observou o sorriso de canto do Uchiha e a cara de pavor em Sakura.

– Não se preocupem, estarei com vocês – Kakashi sorriu malicioso.

– Eu também – Kurenai falou docemente. – Vocês vão precisar ficar maravilhosos juntos.

– Mas acho que isso não será muito difícil – Asuma afirmou. – Vocês formam uma boa dupla.

A expressão de desgosto em Karin foi visível, assim como os punhos fechados. Ino não parecia se importar, o que era estranho, já que a namorada deveria sentir um pouco de ciúmes.

– E quando faremos isso? – Sakura perguntou temerosa.

– Assim que vocês pegarem a técnica de grupo – Asuma respondeu.

– Certo – Sasuke respondeu, sorrindo de canto.

Começaram os aquecimentos, mas sua mente viajava. Tinha certeza que a amiga rosada não ficara muito feliz com aquilo. Talvez estivesse nervosa em cantar em público, ou fosse o moreno de olhos ônix.

Não viaja, Tenten, pensou revirando os olhos diante dos pensamentos.

O professor os encaminhava até a sala ao lado da de onde se encontravam os outros colegas.

– Ótimo, fiquem à vontade – sorriu Kakashi simpático. – Vocês precisam se concentrar para ensaiar e, principalmente, precisam estar conectados de alguma forma.

– Sim – ouviu a voz de Sakura falar baixo.

– Nós podemos o fazer, professor – falou certo de que poderiam fazer o melhor.

– Eu sei, por isso escolhemos vocês como a dupla principal – o professor sorriu. – E querem saber de um segredo?

– Hum...

– Foi unânime a votação em vocês – o professor sorriu ainda mais. – É visível como vocês conseguem entrar no clima da música.

– Obrigada – Sakura falava vermelha pela vergonha. – Mas isso não me deixa menos nervosa.

Ouviu-a suspirar e olhou-a de canto. O rosto angelical da garota estava fixado no chão.

– Vocês são ótimos, sim – Kakashi falou encarando a rosada. – Não fique nervosa, se sairá muito bem.

Viu-a confirmar com a cabeça.

Então começaram a ensaiar pequenas notas com o som ligado e a melodia saindo pelas caixas. Parecia fácil, mas era visível o nervosismo de Sakura. Aquilo estava o deixando nervoso, já que juntos, eram uma dupla e precisava da garota concentrada.

– Onde esta Kurenai em uma hora dessas...?

O professor murmurou baixo. Provavelmente, notou o quanto Sakura errava em tons fáceis, devido ao nervosismo.

– Eu vou atrás de Kurenai. E vocês continuem ensaiando – escutou-o falar saindo pela porta.

– Mas...

Sorriu ao ver a expressão frustrada de Sakura, que tentara argumentar com o professor e este não dera chance.

– Você está bem? – perguntou olhando a garota confirmar com o rosto baixo. – Não é o que parece – suspirou. – Até mesmo o professor percebeu, por isso foi atrás de Kurenai.

– O que você quer, Uchiha? – a expressão da rosada era de irritação.

– Por que esta desse jeito? – falou sério.

– Não te interessa!

– Me interessa, sim, já que você e eu somos uma dupla – disse irritado. – Temos que dar o nosso melhor.

– Eu sei, mas... – ouviu-a suspirar. – Eu não consigo.

Os olhos da rosada se fecharam, o que o fez se aproximar. Colocou uma das mãos sobre o ombro da garota.

– Você consegue, sim – disse vendo-a abrir os olhos e encará-lo.

– Não conseguirei cantar em frente a tantas pessoas – a garota murmurava com os olhos lacrimejados, mas sabia que não era aquilo. Era a necessidade que sentia de tê-lo nos braços, era o amor inegável que havia admitido sentir pelo moreno. Sabia que cantar em frente a tantas pessoas não importaria, aliás, apenas uma pessoa importava, e frustrou-se ao perceber isso.

– Você é ótima, Sakura – sorriu Sasuke docemente, como jamais imaginou fazer. – E não cantará sozinha – passou as costas da mão sobre a bochecha rosada da garota. – Estará comigo.

Viu-a abrir um pouco mais os olhos e os orbes verdes brilharem.

– Eu não sei...

– Você conseguirá, pois canta com o coração - sorriu lembrando-se da aula que teve com a garota, o que a fez sorrir também. – Você que me ensinou isso.

– É – ela falava sorrindo. – Estou sendo uma idiota.

– Não, você está sendo irritante – sorriu ainda mais ao vê-la fazer bico pelo comentário. – Vamos ensaiar?

– Sim.

Olhou-a nos olhos e se afastou, colocando a música novamente. Voltaram ao ensaio e não pôde desviar os olhos da garota, que fazia o mesmo com ele. Não sabia bem o porquê, mas sentia-se melhor daquela maneira.

Ahhhhh obrigada pelas reviews foram empolgantes.

Como sempre agradeço a vocês xuxus por sempre comentarem. ;p Isso realmente me deixa muito feliz.

Espero que tenham gostado deste capitulo tbm e que ele mereça muitos comentários.

Bjaum ^^