50 dias com ele – Dohko e Shion Version - 35
*Sobre deveres de pais e mestres - 2*
Shion colocou a xícara vazia sobre a mesa e voltou a tomar as mãos de seu chinesinho entre as suas. O barulho da chuva forte batendo nas vidraças da janela próxima foi praticamente o único som a ser ouvido por alguns instantes. Os jovens ainda bebiam o chá, quando Dohko retornou à história.
- Assim, eu prossegui como um dia muito tempo atrás, Hakurei me tinha instruído e fui até Jamiel. Deveras cansativo ficar subindo e descendo o Himalaia com aquele coração. Mas era pelo bem de todos, principalmente do Shionzinho, e eu nunca fui preguiçoso para coisas que tivessem a ver com Shion, de qualquer maneira. Eu já sabia o que eu deveria procurar por lá, tinha mantido sempre alguma forma de contato com a linhagem de Sage e Hakurei, desde que Atla, o irmão mais novo de Shion, permaneceu em Jamiel após a Guerra Santa e teve família. Encontrar os lemurianos não foi a tarefa mais simples, desde que se esconderam do mundo, na verdade foram eles que me encontraram, só fui bem vindo entre eles por causa da energia de Shion em mim. Não tive qualquer informação sobre Atla, fui ignorado todas as vezes em que tentei perguntar dele. Mas fui levado a conhecer os descendentes dele e finalmente encontrar alguém que era especificamente o que eu estava buscando. Uma moça, descendente direta de Atla, ou seja, sobrinha de Shion, só que algumas gerações mais jovem. – Mu se remexeu um pouco no sofá, ao que parecia, enfim, a primeira possível menção de sua mãe. Shaka tomou sua mão carinhosamente e passou a lhe dispensar afagos, era certificado de que estes arianos precisavam de afeto para se acalmarem. Dohko apenas prosseguia. - A família era ciente dos deveres com o Santuário de Athena e há muito vinha aguardando o chamado, alguns chegaram a acreditar que nunca viria, por causa de demora, mas outros o esperavam com o devotado compromisso que havia se estabelecido através de eras. Enfim me foi permitido conversar com a jovem sobre o chamado do Santuário, eu lhe expliquei a necessidade específica sobre um filho para o Grande Mestre. Ela já estava tão a par disto que eu não poderia imaginar que se resignaria a sair de Jamiel comigo para vir ao Santuário ter a criança. Mas ela era noiva, apaixonada pelo homem com quem iria se casar. Ela iria perder tudo o que vinham construindo para vir cumprir o dever com o Santuário. Eu lhe disse em verdade que ela não poderia permanecer com a criança e que, portanto, se ela desejasse omitir a especificidade de seu dever com o Santuário de Athena, nada a impedia. Isto parecia cruel, de fato, que o filho não pudesse ter permanência com sua mãe, mas estes são os métodos do Santuário, que vocês bem já conheceram através da história deste lugar, poucas vezes houve exceções. Ela inqueriu sobre o motivo do Grande Mestre não ter filhos com a pessoa que havia escolhido, desde que ela tinha notícias de que era casado. Naquele momento, eu apenas expliquei que a pessoa com quem o Patriarca havia se casado, era completamente incapaz de lhe dar filhos. Ela concordou em omitir seu dever e voltar para casa em seguida, consciente de que teria que abrir mão da criança por completo. Impôs apenas para isso que lhe mandassem noticias da criança sempre e algum dia, lhe deixassem vê-lo. Eu lhe garanti isto e assim, como neste tempo gasto entre os lemurianos, não pude encontrar qualquer pessoa com talentos para suceder a armadura de Áries, tomei o caminho para a Grécia apenas com a moça que daria o filho a Shion. É verdade que a ideia toda me desgastava, embora eu soubesse que era um dever e não qualquer outra coisa. E eu já sabia que, muito pior do que o meu estado emocional sobre aquilo tudo, era o de Shion. Ele sim estava acabado com aquela história, inconsolável.
- O senhor não queria ter filho algum, então? – Mu inqueriu, nenhuma emoção delineada notável em sua voz.
- Deuses, queria! – Shion se apressou a explicar. – Sempre quis ter filhos. Teria meia dúzia se pudesse, para quem tomou conta dos pequenos demônios dourados, hoje eu sei que teria sido um bom pai independente do número de crianças que eu tivesse, então a idéia de meia dúzia não parece absurda. O que eu não queria, o que não me agradava, eram os meios para ter filhos meus. Preferia me abster do meu desejo de paternidade do que dormir com qualquer pessoa que não fosse meu marido.
- Eu entendo isto completamente… - Shaka murmurou, não queria interferir no assunto, mas gostaria, porque em seu coração havia sentimentos que o faziam se compadecer completamente da situação passada de Shion. – Eu também adoraria, hoje, ter ao menos uma criança, um filho, mas não pagaria o preço de estar com ninguém além de Mu para isso. Torna-se a mim, portanto, impossível.
Mu fitou o marido longamente. Shaka não lhe havia falado qualquer coisa sobre esta vontade. Mas julgou que provavelmente pela impossibilidade, achou apenas inútil se lamuriar e por isso não lhe disse nada. Queria lhe perguntar dezenas de coisas que lhe vieram a mente, mas estava procurando não interromper a história de Dohko. Mas iria se lembrar de saber por que Shaka, agora, vinha desejando um filho. Embora suspeitasse do que havia causado isso.
…
Continua
…
Notas da autora:
Bem que o Shion anteriormente disse que essa seria uma longa história…
Beijos!
