Capítulo XXXVI

Residência de John Mcallister

O abraço trocado entre os irmãos foi vigoroso. Paulo sentia que não via a irmã há muito tempo, anos talvez. Quando ele a soltou do abraço, Ana-Lucia ainda sorria. Ele tocou o rosto dela com carinho e disse:

- Tu estás tão linda! Há um brilho diferente em teus olhos.

Ana-Lucia segurou a mão dele que tocava-lhe o rosto.

- Quando foi que saistes do convento? E onde está a pequena Kate?.- ele perguntou.

Lorde Sawyer revirou os olhos aou ouvir aquelas perguntas.

- Bloody hell!- xingou Charlie. – Ele ainda não se lembra de tudo.

Paulo voltou sua atenção para Charlie.

- Do que eu não me lembro, Charlie?

- Ah, pelo menos se lembrou de mim. Menos mal.- falou Charlie.

Ana-Lucia ergueu-se e foi ficar ao lado do marido. Paulo pareceu confuso com o gesto dela. Ele olhou ao seu redor e finalmente reconheceu aonde estava.

- Por que eu estou na casa do Macallister?- indagou. – Acaso tínnhamos planejado uma reunião para hoje? E o que Ana-Lucia está fazendo aqui?

- Austen, qual é a última coisa de que te lembras?- perguntou Sawyer.

Paulo pensou um pouco e respondeu:

- Eu estava indo jantar contigo. Tu tinhas mandado-me uma missiva dizendo que queria ver-me.

- Tudo bem.- disse Sawyer. – Isso obviamente aconteceu há algum tempo atrás. Nesse jantar falamos sobre uma possivel invasão do acampamento inglês mas ainda não o invadimos.

Lorde Austen piscou os olhos.

- Muitas coisas aconteceram desde então, Paulo. Não é possível que não te lembres!

Paulo balançou a cabeça negativamente.

- Então nem te lembras que eu e tua irmã Ana-Lucia nos casamos?

Os olhos negros de Paulo se alargaram em surpresa.

- Casaram-se? Mas como se minha irmã estava prometida para o Linus?

- Macallister, traz um garrafa de conhaque.- pediu Charlie. – Porque vamos ter uma conversa muito longa com o Paulo.

Lorde Sawyer concordou.

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Castelo do Cisne

- O que ela diz, primo?- Desmond indagou quando Jack abriu o envelope com a carta de Juliet que Murdock havia lhe entregado.

Os dois estavam sentados em frente à lareira na biblioteca e Jack tinha acabado de contar ao primo sobre seu interrogatório no acampamento inglês e o jantar que aconteceria no dia seguinte no Castelo de Isenwood.

O capitão desdobrou a carta e leu com os olhos por alguns minutos antes de responder a Desmond:

- Ela queria avisar-me sobre a chegada do Rochester. O General Locke foi à nossa casa e contou que eu estava sendo investigado. Ela ficou preocupada e queria alertar-me, diz que não acredita que eu esteja conspirando com os escoceses contra a Inglaterra.

- E ela tem razão para preocupar-se, Jack. Imagina o que ela dirá quando souber que te casastes com uma escocesa. Escocesa e rebelde. A Jules vai surtar!

- Desmond, ninguém precisa saber dessa parte. Eu vou tirar a Kate da Escócia e protegê-la. Aliás conseguistes o que eu te pedi?

Desmond assentiu.

Ele então tirou o saquinho que Naomi tinha entregado-lhe com o sonífero e o entregou a Jack.

- É importante que saibas que só podes dar uma colher de chá para tua esposa por dia. Se passares da conta ela vai dormir por um longo tempo e não saberemos quando irá acordar.

- Conseguistes isso com o boticário?- Jack indagou.

- Não.- respondeu Desmond. – Mas não irei revelar-te minha fonte.

- Mas podes garantir que isso é seguro?- Jack perguntou, preoucupado.

- Sim.- disse Desmond. – Quando pretendes voltar à França? Kelvin de certo está impaciente.

- Saberei melhor depois desse jantar com o Rochester. Veremos como ficarão as coisas. Se eu for acusado terei de fugir, se absolverem-me escreverei ao Locke pedindo para retornar à Paris. Desse jeito manterei minha esposa segura.

- Não se esqueça de que ela irá ficar furiosa contigo quando descobrir o que fizestes, primo.

- Lidarei com isso depois, Des. O Bakunin quer a cabeça da endiabrada e vai fazer de tudo para encontrá-lá. Não vou deixar que isso aconteça.

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Residência de John Mcallister

Paulo tomou um longe gole de conhaque direto no gargalo e tossiu antes de entregar a garrafa para Charlie. Ele ainda estava tentando absorver tudo o que Sawyer e sua irmã tinham lhe contado. Era coisa demais para a mente dele, mas decidiu que faria o seu melhor para conviver com todas aquelas novidades.

- Muito bem. Se estão casados, meus parabéns!- ele disse finalmente fazendo Ana-Lucia sorrir e tomar-lhe a mão.

- Muito obrigada, meu irmão.- ela disse. Paulo beijou-lhe a mão que segurava. – E como está a pequena Katie?- perguntou em seguida.

Lorde Sawyer ficou com medo de responder mas disse com um leve pigarro na garganta:

- Ela casou-se também.

- Como assim casou-se?- retrucou Paulo. – Com quem? E sem a minha permissão?

- Quer mais conhaque?- Charlie perguntou.

Ana saiu do lado do irmão e foi ter com o marido. Puxou-o para outro cômodo da casa.

- Sawyer, tu achas que Kate deve saber que nosso irmão está vivo porém desmemoriado?

Ele balançou a cabeça negativamente.

- Não, acho melhor não contarmos nada pra ela por enquanto.

- Tens medo que ela conte tudo ao inglês?- Ana perguntou. – Ela não contaria nada!

- Meu cordeirinho... – ele disse com afeição na voz. – Não estou dizendo que ela contaria algo de propósito, mas ela está apaixonada pelo capitão e pode deixar escapar algo, me entende?

Ana-Lucia assentiu. Ele tinha razão mesmo que esconder aquele segredo de Kate a fizesse se sentir tão culpada.

- Minha querida... é só por enquanto.- ele a beijou delicadamente nos lábios. – Eu prometo que assim que pudermos contaremos tudo a ela.

- Pois bem, eu voltarei para o castelo.- disse Ana. – Kate queria ter comigo e eu prometi que voltaria logo.

Sawyer assentiu e disse:

- Tomasso irá acompanhá-la. Eu ficarei aqui e conversarei mais com o Paulo. Nos vemos mais tarde, meu amor.

Ana o beijou e sorriu antes de ir despedir-se do irmão.

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Castelo do Cisne

Nikki entrou na cozinha com uma cesta cheia de toalhas e cobertores limpos que ela tinha acabado de tirar do varal. Rose temperava um coelho para fazer um cozido quando viu a filha.

- Como te sentes?- perguntou. – Ainda enjoando muito?

- Um pouco.- Nikki respondeu sem olhar para ela. Embora não tivessem falado mais sobre a gravidez dela por um tempo, ela ainda sentia-se preocupada sobre o seu futuro e como seu pai reagiria quando soubesse. Tinha desonrado sua família e Bernard provavelmente a mandaria para um convento para que tivesse a criança e depois fizesse seus votos de freira.

- Deverias animar-te, menina.- Rose disse de repente ao ver a expressão consternada no rosto da filha.

Nikki finalmente olhou para ela.

- Estás indagando o porquê de eu estar te dizendo isso?- retrucou Rose. – Pois bem, um passarinho contou-me que teu amado está vivo.

Nikki ouviu o que a mãe acabara de dizer e não expressou nenhum sentimento por alguns segundos antes de desmaiar, Rose só teve tempo de agarrar-lhe pela cintura impedindo assim que ela caisse e estatelasse a cabeça no chão.

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Em seu quarto, Kate estava sentada à escrivanina anotando com sua caneta tinteiro o menu do jantar que seria oferecido ao general Rochester no dia seguinte, ela escrevia tudo com muita atenção para que não se esquecesse de nenhum detalhe. Assim que estivesse tudo pronto ela tinha que ir ao castelo de Isenwood e falar com sua mãe para que ela passasse todas as instruções para a governanta. Era imperativo que o jantar fosse um sucesso e que Rochester ficasse muito impressionado com tudo e acreditasse que Jack era totalmente fiel à coroa inglesa e que ele não tinha nada a ver com os rebeldes.

Ela revisou os nomes dos pratos e das sobremesa, lendo em voz alta:

- Entrada: queijo caboc com pão preto e ervas e salada de glasgow, refeições principais: torta de carne e pudim vermelho com batatas cozidas e para a sobremesa cranachan. Precisamos de mel puro e framboesas...

Kate ouviu uma batida na porta seguida da voz de Ana-Lucia:

- Katie, sou eu. Posso entrar?

- Entre.- respondeu Kate sem tirar a atenção de seus papeis.

- O que estás fazendo?- Ana-Lucia indagou, curiosa ao entrar no quarto.

- Estou preparando um menu para um jantar que teremos amanhã à noite em Isenwood.

- Um jantar?- retrucou Ana.

- Sim, era sobre isso que eu queria falar contigo.- disse Kate. – O Rochester disse ao Jack que quer ser convidado para um jantar amanhã em Isenwood. Ele quer conhecer toda a nossa família.

- Estás falando sério?- indagou Ana sentando-se na cama.

- Aye!- confirmou Kate. – O Rochester está querendo condenar o Jack por traição, portanto nós temos que mostrar a eles que somos a família mais tradicional do mundo. Para todos os efeitos nós amamos a coroa inglesa.

- Certo.- concordou Ana. – E como vamos explicar que o nosso irmão está sendo procurado?

- Não tocaremos neste assunto.- disse Kate. – E se acaso o general mencionar alguma coisa, falaremos do quanto estamos preocupadas e aflitas com as más companhias do nosso irmão que os levaram para esse caminho sem volta.

- Acha mesmo que o general vai acreditar?

- Analulu, o Jack já concordou com o jantar. Não temos escolha!

- Pois bem, deixe-me ver tuas anotações.- Ana-Lucia pediu. Ela examinou-as um pouco e disse: - Nossa, tu pensastes em tudo, Katie.

Kate assentiu.

Ana-Lucia ergueu-se da cama e disse:

- Iremos à Isenwood então. Mandarei que Tomasso prepare os cavalos!

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Quando Lorde Sawyer retornou da casa de Mcallister, ele foi direto procurar por Jack. Encontrou-o na biblioteca com Desmond e Kelvin que tinha a pouco juntado-se a eles.

- Boa tarde a todos.- saudou o escocês.

- Boa tarde, Lorde Sawyer.- cumprimentou Jack primeiramente, seguido por Desmond e Kelvin.

- Capitão eu gostaria de falar com o senhor em particular.- disse Sawyer.

- Muito bem.- respondeu Jack. – Eu também precisava ter com o senhor.

- Pois acompanhe-me.- pediu Sawyer.

- Com sua licença, cavalheiros.- pediu Jack antes de retirar-se.

Assim que os dois homens deixaram a biblioteca, Kelvin queixou-se para Desmond:

- Quanto tempo mais vamos ficar no castelo dos escoceses? Eu não aguento mais este lugar, Sir Hume. Desejo retornar à França e já que o capitão Shepard desposou uma dama escocesa, imagino que não estamos mais nesse castelo na qualidade de reféns.

- Como assim reféns brotha?- retrucou Desmond. – Somos convidados nesse maravilhoso castelo e temos sido tratados como reis.

- Desmond, homem, sabes do que estou falando!- insistiu Kelvin. – Eu não consigo confiar nesses escoceces, todo as noites temo que venham matar-me enquanto estou dormindo.

- Bobagem, homem!- exclamou Desmond. – Sabe do que tu estás precisando? Estás precisando é de usíque, cerveja e uma boa mulher, de preferência uma ruiva.- ele bateu no ombro de Kelvin que pareceu considerar a ideia. – Que tal irmos à Lósda hoje à noite. Eu, tu e o cocheiro? O que tu dizes?

- Como dizem os escoceces, bloody hell! Vamos!

Desmond deu uma gargalhada.

- Assim é que se fala, brotha!

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Castelo de Isenwood

- Um jantar para um general inglês!- exclamou Diana assustada quando as filhas lhe contaram sobre o jantar para Rochester. – Vocês só podem estar loucas!

As mulheres estavam sentadas na sala de visitas particular de Lady Diana Austen. Libby também estava presente.

- Mamã, nós precisamos fazer isso para ajudar o meu marido e também para proteger a causa rebelde.- falou Kate.

- Marido?- retrucou Diana com mágoa na voz. – Ah, sim. Não posso esquecer-me que minhas duas filhas casaram-se recentemente e eu nem sequer estive presente nas cerimônias. Sequer conheço o teu marido, Katherine!- ela bradou. – Um inglês!

- Mamã eu o amo!- afirmou Kate.

- Amor?- Diana disse com voz de sarcasmo. – O que o amor tem a ver com isso? Amor é para os camponeses e tolos, nós da nobreza precisamos de proteção, prestígio, linhagem!

- Mamã, Lorde Shepard parece ser um homem bom.- comentou Ana-Lucia tentando ajudar a causa da irmã.

- Ah, sim. Imagino o quanto ele seja bom, bonito, tentador, luxurioso!

- Mamã!- exclamou Kate, corando aos comentários da mãe.

- Pare de bancar a santa!- continuou Diana. – Imagino o quanto já tenhas te resfolegado com ele na cama.

Libby queria rir, mas guardou o humor para si mesma quando disse tocando os ombros da lady.

- Ei, acalme-se Lady Austen. Eu conheço o capitão e ele realmente é difícil de resistir.

Kate sorriu ao comentário de Libby. Ela estava sempre tão à frente das convenções sociais.

- As meninas tem razão.- Libby continuou. – Precisamos fazer esse jantar. Se não o fizermos estaremos dando pano para que o General Rochester desconfie de nós ainda mais. O capitão Shepard está apaixonado por Katie e quer protegê-la. Isto significa que ele protegerá o nosso clã também.

- Muito bem.- disse Diana. – Espero que tu consigas mantê-lo apaixonado, Katherine para que nosso clã não seja destruído de uma vez! Por Deus...nem sabemos aonde o teu irmão está.

Ana-Lucia sentiu vontade de contar que Paulo estava vivo para ajudar a apaziguar os nervos da mãe, mas permaneceu calada, cumprindo a promessa que fizera para Sawyer de não contar ainda. Libby certamente já deveria estar sabendo.

- Mamã...- disse Kate com lágrimas nos olhos. – Por favor, eu o amo...

Diana sentiu o coração apertar ao ver as lágrimas da filha mais nova e finalmente disse:

- Muito bem. Vamos fazer o tal jantar. O que eu preciso fazer?

Ana e Kate sorriram e correram a abraçar a matriarca do clã Austen.

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Acampamento do exército inglês, Colinas Errantes

Menos de uma hora depois, o General Rochester recebeu diretamente em sua tenda um convite com o símbolo do clã Austen assinado pela própria Lady Austen convidando-o para jantar no Castelo de Isenwood no dia seguinte às seis horas da tarde.

O General Bakunin viu quando ele recebeu o convite e comentou:

- Então eles cumpriram a promessa de convidá-lo para jantar, General. Muito bem. Suponho que eu estarei acompanhando o senhor neste jantar?

- De maneira nenhuma, Mikail.- respondeu Rochester com a voz muito calma. – Vou levar o Murdock.

- Por que o Murdock?- questionou Bakunin.

- General, se eu chegar ao castelo de Isenwood acompanhado pela pessoa que levantou as acusações contra o Capitão Shepard, obviamente não conseguirei descobrir nada porque eles estarão preocupados demais com a tua presença e não é assim que eu trabalho.

Bakunin assentiu.

- Confie em mim, se o Shepard está escondendo alguma coisa eu logo descobrirei.- disse Rochester, confiante.

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Castelo do Cisne

- Um jantar em Isenwood.- comentou Sawyer com Jack. – Muito bem, não me parece tão difícil.

- O Rochester está preparando uma armadilha para mim e esse jantar será apenas a primeira de muitas coisas que ele irá fazer para tentar me fazer confessar traição e eu precisava saber se eu poderia confiar no senhor.

- Enquanto estiver protegendo minha cunhada, capitão seremos aliados. Acha que ela estará segura nesse jantar? E se o Bakunin reconhecê-la?

- O Rochester não levará o Bakunin para o jantar.- afirmou Jack. – Ele quer investigar as coisas sozinho. Kate estará segura.

- Muito bem, estamos entedidos então, capitão Shepard?- indagou Sawyer estendendo a mão para Jack.

- Estamos.- concordou Jack estendendo sua mão para ele.

Os dois selaram seu acordo de aliados naquele momento.

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Vila de Lósda

Como tinha prometido à Kelvin, Desmond levou a ele e o cocheiro até a vila para tomar uns tragos na Estalagem Widmore. Uma vez que estavam lá, Kelvin pareceu esquecer todos os infortúnios de sua viagem à Escócia no fundo do copo de uísque.

- E então, quando vamos conhecer as damas?- Kelvin perguntou depois de uns três tragos.

-Calma, brotha. A noite ainda desperta. Temos bastante tempo.

Desmond virou mais um trago de uísque e foi naquele momento que o seu mundo parou. Foi a primeira vez em que ele a viu. Ela carregava uma bandeija com queijo e pão para outra mesa no bar. Ela era alta e esguia, seus cabelos loiros, parte cacheados cobriam-lhe as costas. Seus olhos azuis eram curiosos e seu sorriso doce. Desmond Hume nunca mais esqueceu aquela noite.

- Penny!- o dono da estalagem a chamou. – O cordeiro já está pronto para a mesa cinco.

- Sim, papa.- Penélope respondeu. – Já estou indo!

- E eis que o anjo fala... – disse Desmond com a voz sonhadora sem tirar os olhos da moça.

O cocheiro riu.- Sir Desmond o senhor já está bêbado?

- Se a embriaguez faz-me ver anjos, meu caro amigo, que o álcool continue a guiar-me. Amém!

Kelvin e o cocheiro riram sem ter ideia do que ele estava falando.

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Castelo do Cisne

Ana-Lucia ia começar a escovar os longos cabelos diante da penteadeira quando seu marido adentrou o quarto e a interrompeu. Ela sorriu carinhosa para ele. Sawyer se aproximou e pegou a escova das mãos dela e começou a escovar-lhe os cabelos delicadamente.

- Meu amor... – ela murmurou. – Tu levastes um bom tempo conversando com o capitão hoje.

- Sim, ele e eu tínhamos coisas importantes a tratar. Mas pusemos todos os pingos nos is.

- Isso muito me agrada, marido. Eu e Kate cuidamos de tudo para o jantar de amanhã. Nossa adorada Libby tomou à frente e tudo estará pronto.

Ele afastou uma mecha dos cabelos dela e beijou-lhe o pescoço.

- A Srta. Thompson sempre cuidando de tudo.- ele comentou voltando a escovar os cabelos da esposa.

- Sabe, eu fiquei muito triste quando vi a Katie implorando a mamã que fizesse o jantar para ajudar a salvar o marido dela. Ela o ama muito. Tu achas que ele a ama do mesmo jeito?

- Tenho certeza.- disse Sawyer.

- E como tens certeza?- Ana se voltou para ele.

- Por causa do olhar de cervo perdido que ele faz quando está diante dela.

Ana-Lucia deu uma risadinha.

- Ele faz mesmo!

Sawyer riu também e entregou a escova de cabelos de volta para ela. Ana continuou escovando seus cabelos enquanto ele se despia diante da cama. Ela podia vê-lo pelo espelho. Adorava vislumbrar seu marido desnudo. Sentia-se com tanta sorte por ter se casado com um homem tão bonito e carinhoso.

- Está a espionar-me, Lady Sawyer?- indagou ele fingindo zanga.

Ana mordeu o lábio inferior e disse segurando o riso:

- Não, meu senhor. Eu sou uma mulher de respeito.

- Pois bem.- disse ele. – Sinto dizer minha cara que eu não sou um homem de respeito. Eu sou um homem indecente.

Ela deixou o riso sair.

- Ai, por favor! O senhor não entende nada de indecência.

- E a senhora entende?- ele rerucou indo para a cama e ficando debaixo das cobertas de lã.

Ana terminou com seu cabelo e foi até o marido na cama, entrando debaixo das cobertas com ele, ainda usando sua camisola.

- Eu costumava ter esse sonho o tempo todo.- ela contou.

- Que sonho?- ele indagou curioso abraçando-a debaixo das cobertas.

- Eu sonhava com esse homem que invadia o meu quarto, fazia amor comigo e me deixava louca de prazer...

- Que homem era esse?- indagou Sawyer enciumado.

- Bem, eu não sabia quem ele era até fazer amor contigo. Agora eu tenho certeza de que eras tu, James Sawyer.

Aquela declaração de amor deixou Sawyer sentindo-se como bobo e de repente ele não soube o que dizer.

- Tens certeza de que era eu?- ele perguntou apertando-a mais contra o seu corpo.

- Aye!- ela respondeu.

- Tha mi gad ghràdh.(Eu te amo) – Sawyer disse com os olhos um pouco molhados.

- Tha mi cuideachd gràdhach dhut (Te amo também).- Ana disse.

Ela acariciou o rosto dele e franziu o cenho ao notar que os olhos dele estavam molhados.

- Estás chorando?

- Não.- respondeu ele apertando os olhos. – Acho que caiu um cisco no meu olho.

Ana sorriu.

- Vem cá, meu homem.- ela disse puxando o rosto dele para si e beijando-o.

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Jack entrou no quarto e encontrou Kate de pé usando apenas seu espartilho e as saias da combinação. Ela estava se preparando para ir para a cama.

- Boa noite, Lady Shepard.- disse ele ao entrar no quarto.

- Boa noite.- ela respondeu num fio de voz.

Ele notou de imediato que ela estava chorando.

- Kate, o que aconteceu, meu amor?- Jack indagou indo até ela e abraçando-a por trá estremeceu ao toque dele. – Diga-me, por favor!

- Eu estou com medo do jantar de amanhã. E se o Rochester descobrir que eu sou a endiabrada e mandar enforcar a nós dois? E se ele matar toda a minha família?

Jack a virou de frente para ele e beijou-lhe o rosto cheio de lágrimas.

- Isso nunca vai acontecer, minha Katie, minha endiabrada linda. Eu nunca vou deixar! Eles podem enforcar-me, mas não te enforcarão.

- Não!- ela exclamou. – Eu nunca deixaria te enforcarem!

Ele sorriu.

- Então estamos bem. Cuidaremos um do outro, Katie.

Eles se beijaram, primeiro uma leve carícia que se intensificou rapidamente.

- Eu te quero... – ela sussurrou.

- Agora?- ele sussurou de volta, mas já sabia a resposta.

- Aye!- ela disse passando as mãos pelos lados do corpo dele e pousando-as em seu membro masculino por cima da calça.

Jack suspirou.

- És mesmo endiabrada...

Ela o beijou novamente e Jack empurrou-a contra sua escrivaninha antes de virá-la de costas para ele novamente, erguendo a combinação dela e tocando-lhe o bumbum. O capitão beijou-lhe o pescoço e suas mãos foram parar nos laços do espartilho dela, soltando-os um a um até poder ter acesso aos seios dela. Segurou-os com cuidado enquanto acariciava os mamilos dela com a ponta dos dedos. Kate gemeu e esfregou-se no quadril dele, provocando-o ainda mais.

Jack a virou de frente e fez com que elase sentasse na escrivaninha, separando as pernas dela e mergulhando lábios e língua em seu recanto mais íntimo. Kate gemeu mais alto:

- Jack, me toma, me toma agora...

Ele abaixou as calças e a possuiu devagar, gemendo junto com sua amada, desfrutando do amor que tinham um pelo outro e que expressava-se naquele momento através de seus corpos mergulhados em prazer.

O dia seguinte viria logo e com ele o jantar que ambos temiam. Mas Jack queria acreditar que passaria no teste de Rochester e que ele e Kate continuariam juntos para viver aquele amor até que ele pudesse levá-la para a França.

Continua...

Meninas, será que o Rochester vai descobrir de cara quem é a Kate? Quanto tempo a Ana-Lucia vai aguentar sem contar pra Kate que o Paulo está vivo? E será que o Desmond tem chance com a Penny?

Próxima Atualização: Time Zero.