Capítulo 38
EDWARD
Avistei um leito mais escondido dos outros, com uma enfermeira ao pé da cama. Só podia ser aquele. Aproximei-me e a mulher quase teve um infarto.
"O senhor não pode estar aqui."
"Eu sei eu só..." Olhei para Bella na cama, e me desesperei. "Ela está tão frágil. Vocês a estão medicando direito?"
"Senhor, eu vou ter que chamar a segurança."
"Espera..." Como se eu já não fosse um chorão, as lágrimas vieram novamente pelo meu rosto, a mulher começou a se acalmar. "Por favor. Deixe-me olhar direito para ela. Eu preciso saber que... Que ela... ainda está v-vi-viva." Segurei meu cabelo angustiado. Eu não podia perdê-la! "Que o coração dela ainda bate aí dentro. Não me tire aqui agora. Por favor. Eu te peço, eu te imploro."
"Mas Senhor..."
"Eu pago! Eu faço o que for! Mas deixe que eu me aproxime dela. Só um minuto."
A mulher teve compaixão, ou algo parecido, e se afastou. Eu peguei a cadeira que estava próxima à parede, e coloquei ao lado da cama.
"Bella, amor, eu não sei se você pode me ouvir..." Toquei a mão dela perfurada com uma agulha, fazendo carinho nos dedos. Eu queria que fosse como um filme agora, e ela apertasse meus dedos, e acordasse para mim. "Você não faz idéia de quantas regras quebrei para estar aqui. Aliás, nem eu sei. Mas, quem se importa?" Era sempre tão fácil estar perto dela. Ser eu mesmo. "Acorda, amor. Fique boa logo. Eu preciso de você aqui comigo. Nossos filhos... Eles são tão lindos. Você tem que vê-los. Eles não puderam colocar as correntinhas ainda, mas elas já estão lá com eles. Acorda Bella, por favor. Volta para mim meu amor, não faz isso comigo. Não me deixe. Eu te amo tanto. Eu não vou aguentar."
Conforme eu ia falando, ia me desesperando.
Ela não me respondia.
Aquela não era a minha Bella.
Eu queria a minha Bella de volta.
Olhei para todos aqueles fios, agulhas, os aparelhos, os tubos, os barulhos... Uma angústia cresceu dentro de mim, e eu tive vontade de gritar, de tirar tudo dela, e pegá-la no colo. Correndo para fora dali.
Não sei o que aconteceu, mas em um minuto eu estava sentado olhando para Bella deitada, e no outro eu estava de pé, e Doutor Foreman estava me tirando de perto dela.
"Senhor Cullen, por favor, fique calmo."
Voltei a mim, e vi que estava debruçado na cama, com as duas mãos no rosto de Bella.
Lentamente o médico foi tirando minhas mãos, e me levou de volta para fora dali.
Minha mãe estava com os braços esticados, e eu corri para o colo dela.
"Ela não..."
"Eu sei filho, eu sei."
Voltamos para a sala de espera, eu como uma criança, agarrado à minha mãe, e ficamos lá, sem poder fazer nada. Sentei na porra da cadeira e fiquei batucando nas pernas inquieto. As enfermeiras vieram pedir para eu parar, e saí bufando para o lado de fora, para a área dos fumantes.
Tantas vezes usei o cigarro como fuga dos meus problemas, para me acalmar. Fiquei ali sentindo aquele familiar cheiro.
Momento perfeito para uma recaída.
Fechei os olhos inalando a fumaça dos outros, enchendo os meus pulmões.
Maldita hora! Lembranças dos momentos que fugíamos para fumar surgiram na minha mente, do cheiro dela misturado ao cigarro... Apoiei as costas na parede, e fui caindo até chegar ao chão. Caí sentado com as mãos grudadas ao meu cabelo, chorando.
Depois de um tempo Jasper apareceu e sentou ao meu lado. Ele só deu duas batidinhas no meu joelho e ficou ali comigo. Fiquei mais confortável com o apoio. Mas ainda não era quem eu queria.
"Ela não pode me deixar."
"Ela não vai cara."
"O que vai ser de mim? Dos nossos filhos?"
"Não pense nisso. Ela vai sair de lá."
"Eu não posso viver sem ela. Já passei por isso, e não foi nada bom. Foi péssimo, terrível! Parecia que uma parte de mim tinha morrido. É como eu me sinto agora. Metade de mim está naquela cama, desamparada..."
"Ela não está desamparada."
"... e a outra metade está aqui, sofrendo por ela. Pedindo para ter os sorrisos de volta, os toques, os momentos de amor, as brigas..." Comecei a chorar novamente, e Jasper passou um braço pelos meus ombros.
"Bella vai voltar cara. Ela vai voltar." Ele também chorava, e isso só me fez ficar pior.
Ficamos os dois ali no chão enquanto Jasper tentava, em vão, me consolar.
Os minutos foram passando, as horas, as pessoas entravam e saiam, passavam pelo corredor, e nós continuávamos lá.
Jasper arrumou forças não sei aonde para tentar melhorar o ambiente.
"Se Bella aparecesse aqui, ia falar que eu estou tentando te roubar dela. Ia falar que somos dois gays se agarrando, e ia mandar eu tirar minhas patas de cima do homem dela."
"E eu iria te empurrar para longe, e correr para ela." Falei com um sorriso fraco.
Minha mãe apareceu na porta, e nos mandou entrar porque já estava esfriando.
Eu já estava irritado por ter que voltar, e sentar naquelas porras daquelas cadeiras da sala de espera de novo. Eram ainda dez da noite, sentei do lado do meu pai e tive que ficar ali, "quieto". As enfermeiras que não viessem reclamar do meu barulho de novo.
Havia pego no sono, e acordei abraçado à Kate, que ocupava a cadeira onde meu pai estava. Sentei direito para encará-la me olhando com os olhos vermelhos e marejados.
"Voltei agora a pouco. Você começou a ter pesadelos aí. Nossa mãe me ligou, e eu fiquei preocupada."
Tentei lembrar o que era, mas logo desisti. Se tinha sido um pesadelo, eu não me importaria saber.
"Você estava com ela... lá dentro. Como... foi?"
"Apesar do parto ter sido inesperado e ser delicado, estava tudo indo bem. Mas, de repente, os médicos começaram a se olhar, e murmurar coisas que eu não entendia. Eles começaram a ficar agitados, alguns aparelhos começaram a apitar, e uma enfermeira veio me tirar de dentro da sala antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo. Eu estava com ela sorrindo ali, e de repente..."
"Ela não viu os bebês."
"Não. Não deu tempo."
Ficamos chorando em silêncio.
Puxei o braço dela para ver as horas, cinco da manhã. Porra, eu tinha dormido demais.
Levantei da cadeira para não ter como dormir de novo, acabei andando de um lado para o outro.
"Por que vocês me deixaram dormir? O doutor Foreman falou mais alguma coisa? Cadê ele? Como Bella está?"
Meu pai se levantou de onde estava, e foi pedir para chamarem pelo médico.
Uma hora e meia depois ele apareceu. Avancei em cima dele, desesperado por informações.
"Bom senhor Cullen..."
"Edward, por favor."
"Ok Edward, acho que sua invasão na noite de ontem não foi de todo ruim. Sua esposa teve uma significativa melhora essa noite." Eu ri aliviado. "Ela ainda não está cem por cento, ainda não pode mudar para um quarto e receber visitas. Vamos fazer mais alguns exames, acompanhar o estado dela durante o dia e, se a recuperação continuar nesse ritmo, creio que logo você a terá ao seu lado de novo."
"É sério?"
"Eu não dou esperanças em vão, Edward."
Sorri como um bobo e abracei minha irmã. E, pateticamente, o médico.
"Obrigado doutor."
"Bom vê-lo animado. Eu estava quase pedindo o apoio da psicóloga da UTI para você."
"Não, não precisa. Eu estou bem. Não, mentira, eu não estou. Mas eu não vou invadir nada. Não precisa chamar ninguém."
"Posso confiar em você? Você colocou muitos pacientes em risco perambulando pelo hospital."
"Perdão! Nem eu sabia o que estava fazendo. Pode confiar."
"Tudo certo então. Agora vocês me dão licença."
Doutor Foreman saiu, e minha mãe veio me abraçar.
"Eu falei que ia ficar tudo bem!"
"Eu achei que ela fosse me deixar."
"Claro que não, meu filho. Já mandei você parar de pensar nisso!"
Fiquei sentado com Kate enquanto os outros saíram para comer alguma coisa na lanchonete do hospital. Eu não queria sair daqui, ir para longe e perder alguma notícia.
Quem aí está com o coração apertado por Bella e Edward?
Beijo, Nai e Ana.
