PARTE 5 (IV)

LOVE, SEX, MAGIC

Capitulo 42 – Flores

HellPOV

Ali, parada naqueles campos verdejantes eu mal podia acreditar em quem eu havia encontrado!

Eu precisava caçar, precisava pensar e por mais que eu fosse acabar não me alimentando de outro que não fosse um animal, eu queria ficar um pouco longe da tensão que tem habitado aquela floresta muito escura, úmida e verde, entre Forks e La Push. Eu precisava de sol, calor e colorido, quem sabe até ceifar, algo que eu não fazia há meses.

Nova Zelândia? Austrália? África? Brasil? Pra onde eu iria?

Bom, não iria para o Brasil, mandei minha família e seus exércitos para lá e se por ventura, por mais que eu sinta falta e saudades deles, eu aparecer lá, seria certamente interpretado como falta de confiança em seu governo e eu não precisava de mais olhos reprovativos sobre mim!

Pra a África eu também não iria, não quando o inclemente sol me pegaria no meio da caçada, transformando-me em um ponto luminoso na savana. E nem para a Austrália eu iria. "Ausente" como estou, é bem provável que eu acabasse por apanhar de um canguru, ao invés de caca-lo!

Nova Zelândia, sim! Tanto era a ultima das alternativas que me restara. Era igualmente verde, mas era um verde vivo e refrescante. Um verde que te convidava a permanecer, e não um que te pusesse a correr o mais rápido que se podia, sendo humano ou não!

Entreguei-me aos meus instintos em uma praia lotada de morsas, cacei e ceifei. Era terra de lobos, quase na fronteira com uma tênue linha "branca" que separava o território com os de outros vampiros, que eu não sabia quais eram, era um novo cheiro pra mim.

Fiquei curiosa, será que eles conheceriam minha família? Será que poderiam saber algo sobre Joham, Nahuel ou até mesmo o tal exercito de damphirs? Não sei.

Quando dei por mim eu já estava subindo, subindo e subindo, de volta à mata verde e fechada, sem nenhuma presença do lado de lá ou de cá. Mais alguns minutos e muitos metros haviam passado quando adentrei a clareira mais fantástica que eu vira na vida, muito mais linda que aquela de Bella e Edward, que ele me levara para conhecer a anos atrás.

Aquela era uma clareira diferente, era vasta, se espalhava por ambos os territórios, praticamente intocada e belíssima às primeiras luzes de mais um dia de sol. Deitei-me na relva, de olhos fechados, deixei meu corpo descansar, minha mente trabalhar, meu coração se acalmar. Não chorei, já havia chorado demais, mas livrei-me de todas as tensões que carregava, na verdade eu só precisava daquele tempo para mim.

Abri meus olhos e já me vi completamente cercada pelo sol, fiquei mais uns minutos lagarteando, tranqüila, só eu e o silencio. Quando finalmente olhei para o relógio era próximo do meio dia em Forks e todos já deveriam estar mortos de preocupação comigo. Levantei-me com sofreguidão e quando o fiz, vi do outro lado da clareira, do lado vampiro, orquídeas. Muitas delas, coloridas, espalhadas por todas as partes, nos troncos das arvores, escondidas anteriormente pelos espectros da noite.

Corri até lá, nem pensei muito, era tudo tão lindo! Perdi mais uma vez a hora ali, passando por aquele jardim inusitado, foi então, que depois de considerável tempo realmente sozinha, percebi que já não estava tão só quanto pensava. Mas não era uma presença ameaçadora, era uma presença curiosa, presenças, devo dizer, quatro. Três mulheres e um homem e sim, vampiros do tipo "normal".

Eu não podia ve-los com meus olhos, mas sabia que estavam ali, e me observavam, pensavam que eu era uma humana perdida, já que pelas bandas das terras dos lobos, um pouco mais atrás de mim, havia uma antiga trilha de caminhada, mas há muito desativada.

Então os quatro saíram de trás das arvores que os mantinham incógnitos, devidamente trajados como trackers, com equipamentos e tudo! Sorte minha que eu estava com meu uniforme de corrida, devidamente sujo e um pouco destruído, claro, eu realmente passava como uma perdida.

- Olá? Alguém?- falei interpretando meu papel. Eu como humana não deveria saber que eles já estavam se aproximando há tempos.

- Aqui, querida!- disse uma mulher bela, loira, com forte sotaque eslavo, meio vampira.

- Ah, por favor, me ajude! Conhece bem esta mata? Poderia me indicar uma trilha? Preciso voltar à praia! Me perdi!- eu disse com lagrimas nos olhos, interpretando o meu papel de desesperada, eu não sabia quem eram, eu não queria também matar sem necessidade, apesar de lupina eu não odeio vampiros ao menos não àqueles que não querem fazer mal a mim ou à minha família.

- Claro, claro, minha jovem...- disse a mulher gentilmente.- mas primeiro acalme-se, aqui, sente-se um pouco na sombra e tome um pouco de água, você parece exausta!- ela me passou um cantil. Claro que eu dei uma cheirada para ver que porcaria ela poderia estar me dando, mas realmente era água. Em sua mente, enquanto ela me olhava docemente, ela me avaliava e tinha quase certeza de que ele concordaria com ela. Eu era perfeita, perfeita pra ele.- Joham! Olivia, Paula! Encontrei uma garota perdida! Qual é seu nome, querida?- meus ouvidos estavam pregando-me pecas? Merlin só podia estar brincado comigo!

- Katherina.- menti.

- Olá, me chamo Kirsten!- sorriu.- Mais calma agora?

- Sim, obrigada.- eu disse com um fraco sorriso, de quem se acalmara.

Devolvi o cantil e os outros três se aproximavam, mas só ele era um vampiro completo, as outras duas mulheres que o acompanhavam eram com a loira Kirsten, meio vampiras. Ele era um misto entre a sensualidade absoluta e a ameaça, tive receio do que eles poderiam tentar fazer a mim, sendo eu uma "humana desprotegida" e uma delas realmente me assustou, meu sangue ferveu de raiva e minha pulsação fora interpretadas por eles como interesse nele.

A tal Kirsten era loira como ele, mas Olivia, a assustadora, tinha a pele azeitonada e cabelos muito negros e Paula tinha os cabelos grossos e cacheados, negra e linda como as outras e como ele, eram irmãs e elas filhas dele. Seus olhos me examinavam, me comiam viva. Comer vivo, era o que eu queria fazer com eles, ali, mas me controlei, eu precisava de informações.

- Olá, me chamo Joham.- mesmo sotaque eslavo de Kirsten.- O que uma jovem bonita como você veio parar aqui nesta clareira?- duvido que ele estivesse usando as mesmas palavras se visse meus cabelos de fogo e minhas verdadeiras feições, ser linda, angelical e loira me davam o disfarce perfeito, humanamente viva.- Sabe, creio que tenha tido sorte de nos encontrar.. Kirsten foi quem quis sair da trilha e acabou achando você!- Merlin, ele realmente era sedutor, centenas de anos aprimoraram suas habilidades de conquista. Oferecendo a mão para que eu levantasse.

- Orquídeas.- respondi sentindo-me envergonhada, no final foram elas que me levaram até ali, até o vampiro que estava caçando mestiços para montar exércitos, que caçara meus filhos e minha sobrinha.- Sou estudante de biologia, vim passear, coletar, mas acabei deixando a alegria me tomar e me perdi. Poderiam me dizer qual a direção que eu devo tomar? Sei que eu estava em uma antiga trilha, aqui perto..deixei todos os meus equipamentos lá..- menti de novo, eu estava me referindo à trilha no lado lobo da fronteira, onde eles não se arriscariam a passar.

- Papa! Eu a quero!- disse Olivia em guarani, mas eu me fiz de louca, assim como os outros três.

- Ela será minha, mas não hoje..- respondeu Joham também em guarani, por cima do ombro e sorriu, disfarçando.- Olivia conhece bem esta região. Ela disse que você precisa voltar naquela direção e depois descer. Vai dar na praia..- aquele cara estava me tirando. Ela disse três palavras e uma conjunção vogal! Arqueei uma sobrancelha e ele notou que eu não tinha comprado tudo aquilo.- Me desculpe, somos dois a conhecer a região, eu sei de que trilha ela estava falando!

- Bom, obrigada. Presumo que sejam estrangeiros, certo?- perguntei.

- Sim.- respondeu Paula.- Somos botânicos, também viemos coletar...- sorriu como se fosse uma piadinha pessoal.- Eu sou africana. Olivia é peruana e Joham e Kirsten são holandeses, estamos coletando para pesquisa e reprodução assistida...- obrigada pela resposta que eu precisava, otária! Meus olhos devem ter brilhado.

- Poxa, que interessante sair pelo mundo coletando e reproduzindo espécies novas! Eu sou daqui mesmo, até me envergonho de confessar que nunca tinha entrado tanto nesta mata antes, me empolguei!- sorriu envergonhada e dei de ombros.- Foi realmente sorte eu ter encontrado vocês! Poderia ter sido um predador sanguinário! Realmente, obrigada!Naquela direção, certo?- perguntei apontando e três deles me confirmaram acenando com a cabeça. Ia saindo calmamente, mas Olivia saltou ameacadoramente na minha frente. Confesso que eu realmente me assustei com esta investida dela, ela era muito boa em caca.

- Espere. Por que não se junta a nós, poderemos acompanhá-la de volta à praia, mais tarde..- disse ela me devorando com seus olhos negros, tudo bem, era culpa minha cheirar bem para vampiros, lobos ou qualquer outra espécie...merda.

- Adoraria realmente, mas não posso. Tenho que voltar no ônibus das quatro para a capital, tenho um compromisso importante esta noite com minha família...- eu disse meio que me encolhendo, coisa que um humano faria.

- Olivia, deixe-a ir! Não insista!- disse Joham rispidamente.- Pedimos desculpa pelo comportamento dela. Olivia é muito territorial com estas orquídeas, ela está trabalhando a anos nestas pesquisas...

- Imagino que esteja, mas eu não ofereço perigo nenhum, eu só gosto da flor..- choraminguei.

- Tome, leve meu cantil com você, ele está cheio. E por favor, aceite esta flor com os meus mais sinceros pedidos de desculpas, minha cara.- disse ele em sua voz mais suave.

- Obrigada.

- Escute, estaremos pelas redondezas por alguns dias, não gostaria de se juntar a nós em uma próxima coleta?- perguntou Kirsten.

- Gostaria, mas estou realmente ocupada este final de semana e na próxima semana é a semana de provas da minha faculdade, temo que não será possível, mas obrigada pelo convite..- eu disse.

- Não se preocupe, ficaremos por esta região mais umas semanas..- disse Paula.

- Aqui, leve meu cartão e me ligue quando estiver livre!- disse Joham. Olhei disfarcadamente para o relógio de novo e passava das duas da tarde.

- Poxa, mais uma vez obrigada. Mas agora eu realmente tenho que ir.- acenei e sai pelo território Lycan como eles haviam indicado, podia ouvi-los falando sobre mim, ainda me observavam.

- Ela é perfeita, não é, pai?- perguntou Kirsten.

- Sim.- disse Joham.- Mas Olivia quase coloca tudo a perder.

- Foi difícil resistir, muito!- disse Olivia.

- Todos estávamos resistindo aqui!- disse Paula e ela não deixa de estar certa.- Porém não fizemos nenhuma cena!

- Meninas, vocês acabaram de conhecer a sua nova "mamãe"!Quero aquela garota para mim!- afirmou Joham e um calafrio cortou-me a espinha. Pois sim, se eles acabaram de conhecer a nova "mamãe", "mamãe" será o maior pesadelo deles!

...