Capítulo 36- Somente amigos

- Como assim, ele te deixou?- Jack indagou, surpreso com o que Kate havia acabado de dizer.

Ela torceu as mãos no colo e voltou a dizer:

- Ele me deixou, Jack. Está tendo um caso com Ana-Lucia. Ele disse isso na minha cara hoje de manhã, pegou a filha dele e foi embora.

Jack colocou Lara de volta no bercinho e fitou Kate.

- Isso é bem típico do Sawyer.

- Poderia ser, em outra época.- Kate discordou dele. – Mas estamos casados há cinco anos e o Sawyer sempre cuidou de mim. Ele estava muito feliz com o bebê. Mas ele descobriu sobre nós, foi por isso que me deixou, e foi por isso que foi atrás da Ana. Porque estava com raiva de mim.

- Sim, ele deve estar muito zangado com nós dois agora porque o enganamos, e eu também não me sinto bem com isso, mas tenho minhas dúvidas quanto aos motivos pelo qual ele se envolveu com a Ana.

- Por que diz isso?

Jack tinha prometido a Sawyer que nunca contaria a ninguém o que acontecera entre ele e Ana na ilha, mas tinha que contar isso a Kate agora que as coisas tinham chegado a esse ponto.

- Kate, o Sawyer e a Ana estiveram juntos na ilha.- ele falou, esperando pela reação dela, mas Kate o surpreendeu:

- Eu já sei de tudo, o Sawyer me contou.

- Você já pensou que o fato dele estar com ela possa envolver sentimentos?

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(Flashback)

Jack estava terminando de empacotar algumas coisas na despensa que gostaria de levar para o navio quando o primeiro bote chegasse para buscá-los. Mal podia acreditar que estava voltando para casa. Isso provocava-lhe uma intensa felicidade, mas ao mesmo tempo sentia-se angustiado. Como seriam as coisas do lado de fora da ilha? Como seriam as coisas para a Kate?

Observou-a de soslaio. Ela estava sentada à beira da praia, mirando o horizonte, abraçando os próprios os joelhos. Ela tinha sido tão atenciosa com ele quando Juliet o operara da apendicite. O que estaria pensando agora? Sawyer tinha voltado há poucos dias da Vila dos Outros junto com todo o grupo que tinha seguido Locke. Ele, no entanto, permanecera, se recusava a sair da ilha. Benjamin Linus estava foragido e alguns homens estavam em busca dele na floresta para prendê-lo.

Desde que Sawyer voltara, Kate e ele não se falaram muito. Pelo menos foi o que Jack observou. Pareciam incomodados com algo. Jack achava que eles tinham tido uma briga e foi por isso que Kate voltou para o acampamento na praia. Estava tão distraído observando-a, que não notou quando Sawyer se aproximou dele na despensa.

- Preocupado com a sardenta, doutor?- Sawyer indagou, com a ironia de sempre. – Ela não merece tanta consideração assim, ambos sabemos disso ou se esqueceu do que eu te falei tempos atrás sobre o egoísmo da Kate?

- O que você quer, Sawyer?- Jack indagou, ignorando as palavras dele e retomando a tarefa de empacotar as coisas importantes.

- Nada.- respondeu ele. – Estou apenas conversando. È que eu confesso que me parte o coração ver você desse jeito por causa da sardenta. Achei que a coisa tinha engatilhado com a Analulu, afinal, ela não participou do grupo que seguiu Moisés até a terra prometida.

- Ela não confia no Locke.- disse Jack. – E pelo jeito, parece que ela estava certa. O John enlouqueceu, só isso pode explicar o fato dele querer ficar nessa ilha.

Ana-Lucia se aproximou deles na despensa. Estava com o rosto pálido.

- Jack, por acaso você ainda tem algum remédio pra enjôo e indisposição?

- Já começou a enjoar antes de entrarmos no barco, chica?- Sawyer gracejou, mas Ana não lhe deu atenção.

- Eu acho que tenho sim, mas preciso saber exatamente o que está sentindo.

- Ah, não é nada demais. Eu estou bem, é só uma indisposição.

Sawyer assumiu uma expressão preocupada e tocou o rosto dela ternamente, dizendo:

- Você não me parece muito bem não, cariño. Talvez devesse mesmo deixar o doutor te dar uma examinada.

O gesto carinhoso de Sawyer pareceu deixá-la um pouco perturbada e ela o empurrou com violência:

- Eu já disse que estou bem homem!

Ela não disse mais nada e saiu de lá batendo o pé, muito irritada. Sawyer balançou a cabeça negativamente e disse a Jack:

- Mulheres! Não sei por que eu ainda tento. Elas só sabem me desprezar.- seu tom de voz era sarcástico, mas algo na expressão dele deixou Jack intrigado.

- Do que está falando? Isso ainda tem algo a ver com a confissão que me fez quando Michael baleou a Ana?

Sawyer deu de ombros e disse, antes de se afastar:

- A mulher é difícil, doutor, mas fazer o quê se eu sou gamado nela!

- E quanto a Kate?

- Eu preciso responder?- retrucou Sawyer, e se afastou.

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(Fim do flashback)

Kate assumiu uma expressão séria.

- Kate, eu nunca entendi porque você foi embora com o Sawyer, se diz que sempre quis estar comigo. Talvez ele tenha se cansado de estar em segundo lugar na sua vida.

- Jack, eu me casei com ele!

- Mas não o ama! Ou será que eu estou enganado?

Jack não ficou nada satisfeito com o silêncio dela e seus olhos transmitiram isso.

- Jack, não quero que fique zangado comigo. Sei que está passando por uma situação difícil agora, mas...

- Pretende ficar no hotel ainda?

- Eu vou voltar pra Bexar County.- disse ela. – Meus negócios estão precisando da minha supervisão e a minha casa está abandonada lá. Não tenho nada aqui, meu filho nascerá em breve e eu preciso estar estabilizada. Estou pensando em transferir minha mãe para um hospital de lá. Pelo que andei conversando com o médico dela, não existem muitas possibilidades de mudança no quadro clínico e ela vai continuar precisando de assistência. Tenho que cuidar dela, Jack, apesar de tudo, ela é a minha única família.

- Conversou com o Sawyer sobre isso?

- Eu e o James não conversamos nada. Só discutimos e ele disse que vai tentar pegar a guarda do bebê! Eu estou tão zangada com isso!

Jack a trouxe para junto do peito e a abraçou.

- Ele não vai fazer isso, Kate. Ele está muito zangado, é por isso que diz essas coisas. Você não deve partir ainda. Preciso de você aqui.

Ela ergueu o rosto para ele.

- Agora que nos reencontramos, não quero perdê-la. Por favor, fique!

- Oh, Jack, o dinheiro está ficando pouco, não posso continuar no hotel e...

- Quer ficar na minha casa?- ele indagou, surpreendendo-a.

- Como é?

- Claire ainda pretende ficar mais um pouco, mas creio que ela irá embora logo para dar à luz em Londres. E eu vou precisar de muito ajuda com a Lara, se você...

Kate pensou por alguns instantes. Talvez fosse a melhor solução naquele momento. Não podia voltar à Bexar County sem resolver seus problemas com James. Se estava mesmo tudo acabado, eles tinham coisas para conversar. Possuíam bens juntos, uma casa, negócios e ainda havia Clementine. Apesar do que dissera no momento da raiva, Kate não queria que ele perdesse a guarda da filha.

- Tudo bem, eu vou aceitar seu convite, mas só até resolver as coisas com o James.

- Fico feliz que aceite meu convite, mas Kate será só como amigos, até que você e o Sawyer resolvam suas vidas.

Kate ficou surpresa com o que ele disse. Mas não discordou dele, porque sabia que seria melhor assim por enquanto.

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Sawyer se esgueirou pela cama. Tinha acabado de tomar banho e sua pele cheirava a frescor e loção de barbear. Ana-Lucia inalou profundamente e sorriu de olhos fechados quando o sentiu envolvê-la com os braços fortes, de lado. O quarto estava escuro.

- E as meninas?- ela indagou.

- Acordaram quando eu as coloquei na cama, então tive que ler uma história para que voltassem a dormir. Daí, quando voltei ao quarto você estava dormindo, então tomei um banho pra ficar cheiroso pra você antes de deitar.

- Não acredito que está aqui, comigo.

Ele afastou-lhe uma mecha de cabelo e beijou-lhe a têmpora.

- Eu quis isso, muito.- ela admitiu. – Estava tão apaixonada por você naquela ilha e odiava a mim mesma por isso.

- E eu era um idiota. Devia ter segurado você bem forte assim.- ele a apertou em seus braços fazendo-a rir. – E nunca ter deixado você ir quando veio me seduzir na minha barraca no meio da noite...caramba, você me deixou louco naquele dia!

Ela virou-se de frente para ele e o beijou ternamente nos lábios, depois voltou a ficar de lado, quieta.

- Benjamin Linus. Quando nós o transferimos para o Forte Miles, ele disse que daria 3,2 milhões dólares para quem o tirasse da cadeia. Sawyer, aquele homem não pode sair de lá! Não depois de tudo o que ele nos fez!

- Hey! Vai ficar tudo bem, ele não vai sair de lá. Não acredito que aquele bastardo disse isso! Da onde ele tiraria 3,2 milhões de dólares? Não sabia que os coqueiros da ilha valiam tanto assim!

- Às vezes eu penso no quanto é assustador nunca mais terem encontrado a ilha desde que saímos de lá.

- Aquilo é um buraco negro, Lulu, e nunca mais teremos de voltar pra lá. O esbugalhado continuará na prisão.

Ana acariciou o rosto dele com as pontas dos dedos.

- Você não me disse porque veio pra cá, porque deixou a Kate?

- Não quero falar sobre isso agora, por favor.- ele pediu com a expressão angustiada. –Só quero te beijar!

Ele começou a beijá-la e afastou o cobertor que a cobria a partir da cintura, ficando por cima dela. Ana ergueu uma sobrancelha:

- Você está nu?- como o quarto estava escuro, ela ainda não tinha notado esse interessante detalhe.

- O que é que tem?- ele provocou. – Você é quem está muito vestida pro meu gosto.- ele começou a subir a camiseta folgada que ela usava.

- Sawyer, e se uma das meninas acordar e vier nos procurar? A Èrica nunca bate na porta, você viu hoje de manhã.

- Eu tranquei a porta, então se umas das meninas precisar de nós teremos tempo de nos vestir.

- Sawyer...- ela suspirou quando as mãos dele deslizaram suavemente pelo corpo dela.

- Sem calcinha?- ele indagou, malicioso, deslizando a mão para baixo, sentindo os pêlos macios da feminilidade dela.

- O que é que tem?- ela retrucou, afastando as pernas provocantemente. – Achei que seria perda de tempo vesti-la.

Sawyer devorou-lhe os lábios e pressionou uma das mãos no seio dela, mantendo a outra entre as pernas de Ana, acariciando-a com os dedos. A respiração dela tornou-se mais rápida e ele impulsionou seu corpo sobre o dela, erguendo uma das pernas de Ana e enroscando-a em seu quadril, começando a penetrá-la. Ela buscou por ar, gemendo:

- Sim...é disso que eu preciso...oh, Sawyer!

Ele se empurrava contra ela, tomando-a com força e Ana sorria de satisfação, erguendo os quadris para cima e para baixo. Era capaz de esquecer tudo, as palavras ásperas de Benjamin Linus, os problemas emocionais, o medo da solidão, as cobranças de sua mãe. Tudo, desde que Sawyer estivesse em sua cama, amando-a com toda aquela paixão.

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- Mentiroso..mentiroso...mentiroso...- Shannon repetia como um mantra dentro de seu carro, batendo com os punhos furiosamente no volante. Tinha estacionado há vários minutos diante do local da suposta reunião de Sayid.

Passavam das nove e ele não retornara ao hotel para jantar com a família como tinha prometido. Desde que saíra do hotel, ainda de tarde, ele fora direto para aquele lugar, num bairro ermo de Los Angeles. Entrou em uma casa de madeira, com cerca mal feita na frente, a pintura descascada. Entrou lá e não saiu mais.

Shannon estacionou o carro nas proximidades, esperando que ele saísse para surpreendê-lo, para dizer que sabia que ele estava mentindo para ela desde que tinham chegado à Los Angeles. Um dia, ele jurara a ela jamais mentir, jamais deixá-la, jamais magoá-la. Mas não era o que estava acontecendo agora. Ela sentia seu mundo desabar e lembrar-se de momentos felizes só a faziam sofrer mais.

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(Flashback)

Vincent bebia a água que Shannon colocara em uma vasilha com avidez. O cachorro vivia sempre sedento. Ela acariciou a cabeça do animal, e ergueu-se beijando-lhe o pêlo sedoso. Sayid apareceu por detrás dela e jogou-lhe sua mochila, dizendo:

- Vamos! Pegue suas coisas!

- Pra onde a gente vai?- ela pergunta com um sorriso. Mas ele não para de andar, ela o chama antes de segui-lo: - Sayid!

Ele caminha pela praia e para mais a frente.

- Bem aqui!

- Onde?- ela indaga, sorrindo, empolgada.

Sayid mostra a ela uma cabana, feita com pedaços da fuselagem do avião, bambu e folhas de bananeira.

- O que acha?

Shannon fica surpresa.

- Dá pra entrar nela?- pergunta, divertida.

Ele puxa a cortina que recobre a cabana e eles entram. Shannon se surpreende ainda mais. Dentro da cabana tudo está impecável para eles. O ambiente iluminado com pequenas velas confeccionadas por ele, frutas e uma garrafa de água sob um balcão de madeira, além de um ramalhete de flores.

- Quando fez isso?

- È toda sua!- ele responde, convicto.

Eles ficam se olhando por alguns segundos. O momento é mágico para ambos. Seus corações batem forte. Sayid dá um passo a frente e a beija. Shannon fecha os olhos e se deixa beijar, sentindo os lábios macios de Sayid nos seus. A língua ousada explorando-lhe o interior da boca. As mãos dela descem pelas costas dele até chegar aos quadris, quando ela para de repente.

Embaraçado, Sayid retira uma pistola do bolso da calça e diz:

- Desculpe.- ele procura um lugar para guardar sua arma.

- Precisa carregar sempre isso?- ela perguntou, sentando-se na cama que ele improvisara.

- Só carrego porque agora tenho alguém para proteger.

Sayid volta a beijá-la e eles caíram na cama. Os beijos começaram a ficar mais exigentes e intensos. Ele começou a subir a camiseta dela, enquanto suas coxas se encaixavam.

- Quer mesmo fazer isso?- ele sussurrou ao ouvido dela.

Shannon não respondeu, apenas o abraçou mais forte. Confiava nele plenamente.

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(Fim do Flashback)

Depois do que pareceu uma eternidade a Shannon, Sayid deixou a casa acompanhado de uma mulher que usava um lenço escuro. Quando chegaram à rua, a mulher gesticulou, conversando com ele. Ela retirou o lenço dos cabelos e um manto negro cobriu-lhe as costas. A mulher sorriu e o coração de Shannon apertou-se dentro do peito.

- Nádia...- murmurou, horrorizada.

Não pôde conter sua fúria. Desceu do carro e caminhou até os dois com passos decididos e expressão furiosa.

- Sayid!- Nádia o chamou, mostrando Shannon que atravessava a rua.

- Shannon!- ele exclamou.

- Como pôde fazer isso, comigo? Seu desgraçado!- Shannon empurrou o marido e encheu o peito dele de socos, os punhos cerrados.

- Shannon, acalme-se!- ele pediu, tentando segurá-la.

- Não! Você mentiu, Sayid! Sempre mentiu!- ela o empurrou.

- Shannon...

Ela olhou para Nádia e nada disse, apenas saiu correndo de volta para o seu carro com uma vontade imensa de gritar. Aquilo não podia estar acontecendo com ela.

- Shannon, volte aqui!- Sayid gritou, correndo atrás dela. Mas Shannon entrou no carro, deu partida e saiu cantando pneus.

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Kate cortou a carne no prato e ergueu os olhos para as outras pessoas à mesa. Estava visivelmente embaraçada de estar hospedada na casa de Jack. Ainda era casada com Sawyer, estava grávida. Era óbvio que todos ali sabiam disso. Charlie, Claire e principalmente a mãe de Jack, Margot Shephard.

- Aaron, use o garfo, querido.- disse Claire quando o viu o filho tentando comer macarrão com a mão.

- Então, Kate.- começou Margot. – Quanto tempo você e seu marido ainda pretendem ficar em Los Angeles?- a palavra marido foi cuidadosamente enfatizada.

- Bem...- Kate olhou para Jack que tomou um gole de sua bebida, visivelmente incomodado com a atitude de sua mãe. – Estou esperando que minha mãe melhore um pouco mais para transferi-la para um hospital em Bexar County. E o James, ainda está cuidando da papelada sobre a guarda definitiva da filha dele.

- È uma atitude nobre da sua parte aceitar a filha de seu marido depois de tanto tempo sem saber que ele tinha uma. È complicado cuidar do filho de outra pessoa. Estou preocupada com essa idéia do Jack de assumir a filha da Sarah.

- Mãe!- Jack interviu. – Não comece, por favor! Já tomei minha decisão!

- Mas Jack, você é solteiro, filho! E cirurgião ainda por cima! Como vai cuidar de uma criança?

- Eu acho que o Jack tem plenas condições de cuidar dela, Margot.- disse Claire.

- Ah, claro!- ironizou Margot. – Você como filha do Christian tem que pensar desse jeito!

- Mãe, vamos parar com isso agora mesmo!

- Deixa ela falar, Jack! Por ela era melhor que eu tivesse ficado naquela ilha para sempre.

Aaron levantou-se de sua cadeira e foi refugiar-se no colo do pai. Ele não gostava quando sua mãe discutia com Margot, a mulher que ele aprendera a chamar de vovó.

- Eu não disse isso, Claire.- falou Margot, desculpando-se por causa de Aaron.

- Perdi a fome.- disse Claire, levantando-se da mesa.

- Boa noite a todos. Nós vamos indo.- anunciou Charlie.

- Vão pro hotel?- Jack indagou, Kate permanecia calada à mesa, sem se intrometer naquela discussão de família.

- Desculpe Jack, sei que teve um dia difícil hoje.- falou Claire. – Eu poderia ficar aqui mais alguns dias com o Aaron até voltarmos pra Londres, mas já que Kate vai te fazer companhia, eu vou voltar pro hotel com o Charlie. Vou só pegar minhas coisas.

Claire dirigiu-se ao quarto com Aaron e Charlie. Margot ergueu-se da mesa e despediu-se de Kate.

- Eu também já vou indo. Boa noite, Kate. Foi um prazer conhecê-la.

- Igualmente.- respondeu ela, sem se mexer do lugar.

Jack ficou parado à porta d cozinha, fitando as duas.

- Pense melhor sobre essa idéia de ficar com a filha da Sarah, Jack. Foi terrível o que aconteceu com ela, mas você não pode consertar tudo.

- Boa noite, mãe.

Depois que todos foram embora, Jack desculpou-se com Kate.

- Eu esperava que tivéssemos um jantar agradável.

- Não se preocupe, Jack. Foi muito gentil ter me convidado para ficar aqui Eu não ia agüentar ficar naquele hotel sozinha mesmo...

Ela fez menção de beijá-lo nos lábios. Mas ele virou o rosto delicadamente. Iria manter o que tinha dito no hospital sobre serem apenas amigos enquanto as coisas entre ela e Sawyer se resolviam.

- Se estiver cansada, deixei o quarto de hóspedes pronto pra você...

- Obrigada. Boa noite, Jack- ela respondeu com seriedade. - Sinto muito pela Sarah.

- Eu também.- disse ele.

Kate se retirou para o quarto e Jack sentou-se no sofá. Ficou algum tempo pensando no rumo que sua vida estava tomando, na nova responsabilidade que assumiria como pai de uma criança até que cochilou. O som da campainha o despertou do sono leve.

"Quem pode ser a essa hora? E por que o porteiro não me avisou"?- irritado, ele mirou o olho mágico e ficou mais aborrecido ainda ao ver uma de suas amantes ocasionais do lado de fora, esperando-o.

- Bandido!- a bela morena exclamou, entrando no apartamento sem ser convidada. – Por que nunca mais me telefonou? Estou morrendo de saudades, Jack.

- Tamara, não é uma boa hora para conversarmos, baby. Eu ligo pra você quando tiver um tempo.

- Um tempo? Ah, Jack, eu vou morrer se não puder ter você outra vez, os seus braços me apertando, seus lábios no meu corpo...

Ela estava falando muito alto e ele temia que Kate acordasse.

- Tamara, melhor você ir embora!

Mas a mulher ignorou as palavras dele. Ela estava usando somente um vestido largo e botas. A roupa não foi difícil de remover e ela colocou-se seminua na frente dele, usando apenas uma minúscula tanga preta.

- Vista sua roupa, Tamara!

- Jack?- a voz de Kate soou duvidosa no corredor. Ela caminhou até a sala e o encontrou com uma mulher nua, de corpo espetacular. Embaraçada, ela nada disse e voltou correndo para o seu quarto.

Mesmo assim, Tamara pôde vê-la e inclusive notar a barriga saliente na camisola branca, denunciando seu estado de gravidez. Jack balançou a cabeça negativamente e repetiu a ordem:

- Eu disse que era melhor você se vestir!

A mulher pegou o vestido e passou-o rapidamente pela cabeça, indagando:

- Quem é ela, Jack?

- Isso não é da sua conta, Tamara.

- Ela é sua esposa? Você se casou? Foi por isso que sumiu? Jack, ela está grávida.

- Eu sei que ela está grávida e você, Tamara, deve ir embora! Agora!

Tamara não teve escolha senão partir, mas antes de sair, ela disse:

- È uma pensa perder um amante como você. Essa mulher tem muita sorte!

Depois que ela finalmente se foi, Jack foi até o quarto de Kate. Bateu na porta e a ouviu dizer, com a voz raivosa:

- Tudo bem, Jack. Se eu estiver incomodando, é só me dizer que eu volto pro hotel. Não quero interferir em sua vida particular.

- Eu a mandei embora. Kate, não quero ficar com ela! Será que eu posso entrar?

Ela nada respondeu e ele resolveu entrar assim mesmo. Kate estava encolhida na cama, com o lençol cobrindo-a até a altura do peito.

- Você está zangada?- ele indagou.

- Não tenho o direito de estar zangada.

- Mas está zangada...- ele se aproximou da cama, bem devagar.

- Me deixe em paz, Jack!

Mas ele não se importou com as palavras dela, dizendo:

- Eu a mandei embora porque não existe outra mulher que eu queira senão você, Kate. Não quero nenhuma outra, só você!

Ela sentou-se na cama e Jack abraçou-a. Ele ainda estava abalado com a morte de Sarah, Kate podia sentir. Mas as palavras dele eram sinceras, ela também sabia. Kate tocou a face dele e disse:

- Acredito em você. Mas preciso que também acredite em mim. Eu te amo, Jack.

Eles beijaram-se intensamente e acabaram caindo na cama. Kate começou a tirar a camisa dele, ávida por mais uma noite de amor, mas antes que as coisas esquentassem muito, Jack parou-a e fez com que ela deitasse na cama - Você vai deixar o Sawyer?- a pergunta escapou sem que ele pudesse controlá-la.

Kate demorou alguns segundos para responder, mas disse:

- Não quero ficar sozinha, Jack. Meu filho precisa de um pai!

- Você não respondeu a minha pergunta.

- Eu quero resolver as coisas com ele, Jack. Pelo bem do nosso filho.

- E quanto a nós dois?

Kate virou de lado, enterrando a cabeça no travesseiro e disse:

- Eu não mereço você!

Jack respirou fundo e beijou-a no pescoço antes de se levantar da cama e dizer:

- Se isso é uma competição pelo seu coração, Kate. Espero ser o vencedor no final. Boa noite.

Depois que Jack saiu do quarto, Kate demorou um bom tempo para dormir, pensando. A hora de tomar uma decisão definitiva sobre Jack e Sawyer estava chegando. Mas antes de pensar em si mesma, tinha que pensar no bebê que esperava. Ele era mais importante do que tudo. Juliet tinha razão, as chances dela engravidar de novo depois que tivesse esse filho eram complicadas por causa do que a Dharma fizera com ela, portanto não podia perder esse filho. Ele era seu bem mais precioso. No dia seguinte procuraria Sawyer e resolveria de uma vez por todas sua situação com ele. Não podiam mais continuar casados, mas ela queria saber como seriam as coisas dali para frente com o nascimento do bebê.

Kate colocou as duas mãos na barriga e adormeceu conversando com seu filho.

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O cheiro bom de café e panquecas atraiu Ana-Lucia diretamente para a cozinha quando acordou. Não encontrou Sawyer junto com ela na cama e imaginou que ele estivesse preparando o café da manhã.

Como pegaria no serviço mais tarde àquela manhã, vestiu apenas um robe e desceu. Encontrou as meninas comendo e brincando à mesa.

- Mamãe, o que acha de termos um bichinho?- indagou Èrica empolgada, ainda vestindo seu pijama e as pantufas de ursinho.

- Em primeiro lugar, bom dia.- disse Ana, fingindo zanga.

- Bom dia mamãe.

- Bom dia, Ana.- disse Clemen parando de devorar o cereal com leite e mel por alguns segundos.

- Bom dia pras duas. Esse café da manhã parece delicioso, mas onde está o cozinheiro?- Ana inquiriu.

- Ele disse que tinha que sair um pouco.- respondeu Clementine.

- Mãe, você não respondeu à minha pergunta. Podemos ter um bichinho? A Clemen vai me ajudar a cuidar dele.

- É, Ana, vou sim.

Ana-Lucia balançou a cabeça negativamente, com um sorriso.

- Vou pensar no assunto.

A campainha tocou. Ana abriu outro sorriso.

- Deve ser o Sawyer. Eu vou abrir para ele.

Ela correu até a porta e ficou bastante surpresa quando viu quem estava do outro lado.

- Kate?

Continua...