Capítulo 36

Sesshoumaru se levantou da cama e colocou umas calças de couro limpos e uma camiseta negra. Rin dormia profundamente a seu lado. Quando a beijou, ela se mexeu.

— Vou ao primeiro piso — disse ele, lhe acariciando a bochecha. — Mas não sairei de casa.

Ela assentiu, roçou-lhe a palma da mão com os lábios, e se afundou de novo no descanso reparador que tanto necessitava. Sesshoumaru colocou os óculos de sol, abriu o ferrolho da porta e se dirigiu às escadas. Sabia que mostrava um estúpido sorriso de satisfação no rosto e que seus irmãos zombariam dele.

Mas que demônios lhe importava?

Ia ter uma verdadeira shellan, uma companheira. E eles podiam lhe beijar o traseiro.

Empurrou o quadro e passou ao salão. Não pôde acreditar o que viu.

Sarah, com um vaporoso vestido cor creme, e o policial ante ela, acariciando seu rosto, evidentemente encantado. Por toda a estadia flutuava o delicioso aroma do sexo.

Naquele momento, Inuyasha irrompeu na residência com a adaga desembainhada. Evidentemente, o irmão estava pronto para estripar ao humano por tocar a que ele supunha que era a shellan do Sesshoumaru.

— Tira as mãos...

Sesshoumaru deu um salto para diante.

— Inuyasha! Espera!

O irmão se deteve em seco enquanto Kohako e Sarah olhavam ao redor com aspecto desconcertado.

Inuyasha sorriu e arrojou a adaga ao outro lado da residência, para o Sesshoumaru.

— Adiante, meu senhor. Merece a morte por colocar as mãos em cima dela, mas não podemos brincar com ele um pouco?

Sesshoumaru prendeu a faca.

— Retorna à mesa, Hollywood.

— Ah, vamos. Sabe que é melhor com público.

Sesshoumaru sorriu com afetação.

— Outra vez será, irmão. Agora nos deixe.

Devolveu-lhe a adaga e Inuyasha se apressou a embainhá-la antes de partir.

— É um verdadeiro desmancha-prazeres, sabia? Um maldito desmancha-prazeres de merda.

Sesshoumaru dirigiu o olhar a Sarah e o detetive. Para ser justo, tinha que aprovar a forma como o humano tinha utilizado seu corpo para protegê-la.

Ao melhor, aquele tipo era algo mais que um bom competidor.

Kohako olhou ferozmente ao suspeito e estendeu os braços, tratando de rodear a Sarah. Ela se negou a permanecer atrás dele e se colocou de lado, passando para frente.

Estava protegendo-o?

O detetive a segurou por um de seus delicados braços, mas ela resistiu.

Quando o assassino de cabelo prateado esteve a sua altura, ela se dirigiu a ele resolutamente em um idioma que Kohako não reconheceu. Ela se acalorava à medida que avançava a discussão, e o homem gesticulava muito. Mas gradualmente Sarah foi se tranquilizando.

Logo, o homem apoiou uma mão sobre o ombro da mulher e se voltou a olhar ao Kohako.

Santo Deus, o pescoço daquele homem mostrava uma ferida aberta em um lado, como se algo o tivesse mordido.

Perguntou algo a Sarah, que respondeu vacilante, mas a fez repetir as palavras em um tom mais forte.

— Que assim seja — disse aquele bastardo, sorrindo ligeiramente. Sarah se moveu até colocar-se junto ao Kohako. Olhou-o e se ruborizou.

Algo tinha sido decidido. Algo...

Com um rápido movimento, o vampiro agarrou a garganta do Kohako.

Sarah gritou:

— Sesshoumaru! merda, outra vez não, pensou Kohako enquanto lutava.

— Ela parece interessada em você — disse o assassino ao ouvido do Kohako. — Assim que eu permitirei seguir respirando. Mas lhe faça mal e o esfolarei vivo.

Sarah lhe falava com rapidez naquela língua desconhecida, e não lhe cabia dúvida de que o estava amaldiçoando.

— Compreendeu-me? — perguntou Sesshoumaru.

Kohako entrecerrou os olhos, dirigindo-os para o rosto do vampiro.

— Ela não tem nada que temer de mim.

— Que assim seja.

— Em troca você, essa é outra história.

O homem o soltou. Alisou a camisa do Kohako, e lhe mostrou um amplo sorriso.

Kohako franziu o cenho.

Deus, havia algo extremamente estranho nos dentes daquele indivíduo.

— Onde está Rin? — exigiu saber Kohako.

— Está a salvo. E em perfeito estado.

— Não será graças a você.

— Unicamente graças a mim.

— Então, temo que não compartilhamos a mesma opinião. Quero vê-la por mim mesmo.

— Mais tarde. E só se ela quiser vê-lo.

Kohako se encolerizou, E aquele bastardo pareceu sentir uma onda em seu corpo.

— Tome cuidado, detetive. Agora está em meu mundo. Sim, à merda com você, amigo.

O policial estava a ponto de abrir a boca quando sentiu que algo lhe sujeitava o braço. Baixou a vista. O medo brilhava nos olhos da Sarah.

— Kohako, por favor — sussurrou. — Não o faça. O suspeito assentiu.

— Deve ser mais amável, e fica com ela — disse o homem. Sua voz se suavizou ao olhar a Sarah.

— É feliz em sua companhia, e merece essa felicidade. Falaremos da Rin mais tarde.

O senhor X levou ao Billy de volta a sua casa, depois de ter ficado várias horas percorrendo a cidade no carro, falando. O passado do Billy era perfeito, e não só por causa de seu caráter violento. Seu pai era exatamente a classe de modelo masculino preferido do senhor X. Um lunático com complexo de Deus. Tinha sido jogador de futebol americano. Era corpulento, agressivo e competitivo, e tinha ridicularizado ao Billy desde seu nascimento.

Tudo que seu filho fazia era um desastre. Mas o que o senhor X mais gostava era a história da morte da mãe do Billy. A mulher caiu na piscina depois de ter bebido muito, e Billy a tinha encontrado flutuando de barriga para baixo. Tirou-a da água e tentou reanimá-la antes de chamar o 911. Logo que levaram o corpo ao depósito com uma etiqueta em um dedo do pé, o distinto senador do grande estado de Nova Iorque sugeriu que seu filho a tinha assassinado. Evidentemente, Billy teria que ter chamado primeiro à ambulância em lugar de ficar a fazer de médico.

O senhor X não questionava os méritos do matricídio. Mas, no caso do Billy, o moço tinha recebido treinamento como socorrista, realmente tinha tentado salvar à mulher.

— Odeio esta casa — murmurou Riddle, olhando as paredes, as colunas e os vidros belamente iluminados.

— É uma pena que esteja em ponto de espera. A universidade o teria tirado daqui.

— Sim, bom, podia ter entrado em uma ou duas. Se ele não tivesse me obrigado a me apresentar somente na de Ivies.

— E o que pensa fazer?

Billy deu de ombros.

— Ele quer que vá daqui, que consiga um emprego. É só que... não sei aonde ir.

— Me diga uma coisa, Billy, tem noiva?

Ele esboçou um pequena sorriso.

— Um par.

Certamente era certo, porque era bastante bonito.

— Alguém em especial?

Os olhos do Billy piscaram.

— Estão bem como diversão, mas não me deixam em paz. Chamam-me a todas as horas, querendo saber onde estou, o que faço. Exigem muito, salvo, eh...

— Você o que? — Billy entrecerrou os olhos. — Vamos, filho. Não há nada que não possa me contar.

— Eu, ah, eu gosto mais quando são difíceis de conseguir... — clareou a garganta

— De fato, eu gosto quando tentam escapar.

— Você gosta da força?

— Eu gosto de forçá-las. Entende?

O senhor X assentiu, pensando que havia outro voto a favor do Riddle. Sem ataduras a uma família, sem ataduras a uma noiva, e com uma disfunção sexual que seria curada durante a cerimônia de iniciação.

Riddle empunhou o trinco da porta.

— Em todo caso, obrigado, sensei. Isto foi fabuloso.

— Billy.

Riddle fez uma pausa, olhando para trás com curiosidade.

— Sim, sensei?

— Quer trabalhar comigo? Os olhos do Riddle faiscaram.

— Quer dizer na academia?

— Algo assim. Deixe-me falar um pouco do que teria que fazer, e logo pode pensar com calma.