"QUARTO 111"
Não acredito que eu estou aqui. Não acredito que eu finalmente vou conseguir ver os meus pais. Depois de uma longa espera...
~ FLASHBACK ON ~
- Você o que?! – perguntei ao Zero logo que acordamos.
- Comprei as passagens para Rhode Island. Viajamos semana que vem. Eu não prometi que iríamos ver os seus pais nas férias? – ele sentou na cama e me beijou. – Eu SEMPRE cumpro o que prometo.
- Não precisava ter feito isso... – eu disse isso, mas não consegui conter minha felicidade. Era tudo o que eu queria. Visitar meus pais com o Zero. – Que dia vamos?
- Segunda-feira. – ok. Isso seria a exatamente 6 dias. Precisava me organizar. – Até lá, você entrega seus relatórios, projetos e trabalhos finais e vamos. Só estou esperando o período acabar.
- Hum... – não sabia o que dizer. O que mais eu poderia fazer sem ser agradecer? – Fico te devendo essa, Zero. Não tenho palavras para dizer o quão feliz eu estou.
- Você poderia agradecer me dando um beijo. – ele disse com um sorriso maroto nos lábios.
- Ai, ai... Você não existe. – ri de volta e lhe dei o beijo.
~ FLAHSBACK OFF ~
Zero cumpriu o que me prometeu. Levou-me para visitar meus pais. E finalmente estava na porta do quarto onde eles estavam. Só que agora tinha medo do que encontraria quando abrisse a porta. Será que eles estariam somente dormindo? Ou será que eles estariam cheios de fios conectados a eles? Eu choraria caso visse uma coisa daquelas.
- Vamos, Yuuki. Seus pais estão esperando... – disse Zero bem atrás de mim. Ele deveria imaginar o que eu estava sentindo.
- Certo. – respirei fundo. – Vamos lá. – e abri a porta.
A cena que eu vi me deixou sem palavras. Meus pais estavam deitados na cama. Só que não estavam em coma! Estavam acordados, com os olhos abertos e prestavam atenção nas notícias que passava na televisão. Eu fiquei olhando-os chocada por algum tempo e só depois eles perceberam que eu estava lá.
- Yuuki! – exclamou minha mãe contente em me ver. – Que alegria te ver, minha filha! Vem aqui para perto da mamãe... – disse com uma voz fraca.
- Minha filha... Vem aqui me dar um abraço. – meu pai sorriu fraco.
Não consegui fazer outra coisa a não ser correr para abraçá-los e chorar. Chorar muito. Chorei de saudades, chorei de alívio por vê-los acordamos, chorei de alegria... Chorei por motivos que eu desconhecia. Até esqueci completamente da presença de Zero na porta.
- Como...? Vocês estavam em coma... – perguntei confusa e ainda chorando.
- Não chore pequenina. – disse meu pai. – Saímos do coma tem algumas horas. Acho que faz exatamente 30 horas que acordamos. – disse ele olhando para o relógio na parede.
- Me dê um abraço de novo. – disse minha mãe. – Senti saudades de você, Yuuki. Falaram que seu irmão sempre vinha aqui nos visitar e que ficava contando como você estava. – ela sorriu. Um sorriso estranho. – Mas me conta... É verdade o que a enfermeira me contou? – corei enormemente. Ela estava se referindo ao Zero ou estava jogando verde? – Pela sua reação, vejo que é verdade. – ela sorriu.
- Que história é essa aí, hein? Juuri e Yuuki! Nada de esconder coisas de mim... – falou meu pai, ciumento. Nós duas rimos. – E nem rir de mim! – mas ele no final riu.
- Não aconteceu nada, pai. Só fofocas de mãe e filha. – falei simplesmente. Ta legal que eu ia contar alguma coisa. Resolvi mudar assunto. – Como estão se sentindo? Alguma sequela? Está tudo bem?
- Não. Só uns grandes machucados aqui e ali. – falou meu pai. – E uma horrível dor nas costas.
- Isso nada tem haver com o acidente, Haruka. É a idade mesmo... – brincou minha mãe. Eu gargalhei.
- Muito engraçada querida. – falou em falsa irritação. – Não quero falar do acidente. Quero saber de como estão você e seu irmão.
- Estamos bem. Eu acabei de terminar o primeiro período e Kaname já se formou. Quero dizer, ele já entregou a monografia. – disse simplesmente.
- Yuuki... – chamou minha mãe. – Você veio sozinha?
- Hã? Ah! Não mãe... – disse ficando sem graça.
- Você veio com quem, hein pequenina? – perguntou meu pai desconfiado.
- VimcomoZeroKiryuuonossovizin ho. – falei rapidamente e corando.
- É o que? – perguntou meus pais em uníssono.
- Ai, ai... – suspirei. – Vim com o meu namorado.
- Seu o q-que? – perguntou meu pai tão chocado que chegou a engasgar. – Namorado?
- É pai. Namorado. Estou namorando...
- Desde quando?!
- Pai, faz pergunta fácil. – se eu fosse contar TODA a história minha e do Zero... Vish! Não ia acabar hoje. – A história é longa. Mas deixe-me apresentá-los.
Saí de perto dos meus pais e fui até a porta. Peguei o braço de Zero e o puxei para o centro do quarto. Meu pai ficou estupefato e minha mãe ficou olhando com um sorriso. Zero simplesmente ficou olhando para meus pais esperando algum deles se manifestar. Como o silêncio reinou no quarto, eu tive que ser a primeira a falar.
- Mamãe, papai... Este é o Zero Kiryuu, meu professor da faculdade, nosso vizinho e meu namorado. Estamos namorando há... – Zero me interrompeu.
- Quase 3 meses. – disse. Olhei para ele assustada. 'Quase 3 meses'? Da onde ele tirou isso? Fiquei quieta. – Como estão se sentindo? – acho que ele quis mudar de assunto.
- Estamos bem à medida do possível. – minha mãe respondeu. – Haruka!
- Hã...? Estou bem, estou bem... – acho que meu pai ainda está em choque. – Ainda tentando digerir algumas coisas...
- Ah, meu Deus, Haruka! Qual é o grande problema? Olha só a cara da sua filha. Está parecendo uma árvore de Natal de tão alegre. – falou minha mãe.
- Mãe! – exclamei. – Não é para tanto...
- Ah, não? – perguntou Zero irônico com um sorriso nos lábios.
- Kiryuu-san? – meu pai se manifestou. Zero se virou para meu pai. – Você ama a minha filha. – foi uma afirmação.
- Amo. – disse convicto. Minha mãe olhou chocada.
- Nossa! – disse ela. – Nem pensou para responder! – riu. Ela não estava ajudando!
A enfermeira entrou avisando que as visitas já tinham excedido o tempo limite. Zero pegou na minha mão e me levou para fora do quarto. Mas não sem antes eu me despedi apropriadamente dos meus pais. Disse a eles que voltava amanhã e que assim que eles pudessem viajar, eu e Kaname pediríamos a transferência deles para um hospital em Tóquio. Eles disseram para não ter pressa, mas mesmo assim queria levá-los de volta para o Japão. Queria tê-los por perto e tenho certeza que o Kaname concordaria comigo.
- Feliz por ver seus pais bem? – perguntou Zero já adivinhando a minha resposta.
- Claro que sim! Só em não vê-los em coma já fico muito feliz. Amanhã mesmo falarei com o Kaname e pedirei para ele conversar com o médico sobre uma possível transferência. – disse animada.
Esqueci de comentar. Kaname e Ágatha-san já estavam morando aqui em Rhode Island. Quero dizer, o estágio da Ágatha-san já tinha começado tem algumas semanas. Ela estava trabalhando em um museu local. Segundo Kaname, ela estava se dando muito bem. Pelo que Zero me contou, esse estágio durava seis meses e era pela faculdade. Então, fazendo algumas deduções aqui... O mais lógico seria o seguinte: Kaname dirigiria a editora enquanto espera o estágio da Ágatha-san acabar. Até lá, meus pais já estariam recuperados do acidente e todos voltariam para Tóquio. Bom, pelo menor eu esperava que assim fosse.
Zero e eu chegamos ao hotel e fomos direto para o quarto. Estava super cansada e queria dormir um pouco. Espero que Zero não arranje ideia de visitar museus hoje. Era só o que me faltava! Para minha total sorte Zero estava tão cansado quanto eu. Deitamos na cama e já estávamos quase dormindo quando o telefone tocou. Atendi meio sonolenta.
- Alô?
- Sinto incomodar Srta. Kuran, mas é uma ligação do Hospital Saint Claire. – Ai meu Deus! Era o hospital dos meus pais! Será que aconteceu alguma coisa? Tinha acabado de sair de lá! – Posso transferir a ligação?
- Claro! Por favor... – falei me ajeitando na cama e saindo do abraço do Zero. – Alô?!
- Filha... – era a minha mãe. – Seu pai quer falar com você. Mas eu sugiro ignorar desde já. – ouvi um resmungo do outro lado da linha e um barulho. Era o meu pai tentando pegar o telefone da mão da minha mãe.
- Oi, pai... Aconteceu alguma coisa?
- Yuuki, onde você está dormindo? – senti vontade de responder 'na cama' ironicamente, mas me contive. – Não quero você dormindo na mesma cama que o Kiryuu-san!
- Que?! – perguntei incrédula. – Ah... pai! Beijos, até amanhã e boa tarde! – desliguei o telefone.
Assim voltei para dormir. Só acordando horas depois para o jantar.
Minha rotina foi basicamente essa durante minha estadia de duas semanas em Rhode Island. Acordava, tomava café, passeávamos um pouco, visitávamos os meus pais, voltávamos para o hotel, dormíamos, jantávamos e passeávamos de novo. Saíamos também de vez em quando com o Kaname e a Ágatha-san.
Falei com o Kaname sobre a ideia de transferir nossos pais para Tóquio e ele foi de total acordo. Acabou-se resolvendo aquilo que eu já tinha previsto. Nenhuma novidade.
Quando estava para voltar para Tóquio, fui me despedir de meus pais. Disse que aguardava ansiosa a volta deles. Eles disseram que assim que conseguissem convencer os médicos de que estavam bons, retornariam, mas os fiz prometer que só voltariam com o Kaname. E devo dizer que essa não foi uma tarefa fácil. Eles são muito cabeças duras...
Foi muito difícil deixar meus pais em Rhode Island e voltar para Tóquio, mas eu tinha coisas para fazer. Como por exemplo, cuidar das minhas inscrições em disciplinas para o 2º período. Zero disse que eu não precisava me desesperar, mas sei lá. Seguro morreu de velho.
Quando desembarcamos no aeroporto de Tóquio, Yori e Ichiru estavam nos esperando. Corri para abraçar a Yori, pois estava morrendo de saudade dela. Contei tudo o que aconteceu e ainda trouxe alguns presentes. Notei que ela estava estranha. Não um 'estranha' que me preocupasse, mas um 'estranha' diferente. Parecia que ela queria me contar alguma coisa. Eu disse que queria ir ao banheiro e fiz com que ela me acompanhasse.
- Ok. Desembucha! – disse. – Você parece em cócegas para me contar alguma coisa. Conta logo!
- Estou noiva! – ela disse quase enfiando o dedo com o anel de noivado na minha cara. – Não é lindo?! Ele me pediu semana passada. Nem acreditei quando aconteceu!
- Você está noiva?! – falei chocada. – Não acredito! – a abracei forte.
Ficamos pulando de felicidade feito duas loucas dentro do banheiro do aeroporto. Quando conseguimos nos acalmar, saímos e fomos encontrar com os rapazes. Fomos para a casa (a deles) e dei todos os presentes que tinha comprado. Yori ficou super contente com o conjuntinho que eu tinha comprado para ela. Ichiru agradeceu o perfume. Zero disse que não gostou nada, nada quando viu o meu empenho em comprar o perfume. Ai, ai... Ciúmes.
Com tudo já organizado e de volta ao seu lugar, fui me deitar. Zero ficou conversando com o Ichiru na sala e a Yori veio me fazer companhia. Ela me contou detalhes do noivado e o quão felizes ficaram seus pais ao receber a notícia. Ela disse que eles se casariam ano que vem, mas que ela não deixaria de estudar. E nem ele queria isso. Ele queria que ela tivesse o diploma dela e que ganhasse o dinheiro dela. Resumindo: ele queria que ela tivesse independência.
Como estava cansada da viagem, acabei dormindo. E acordei com a Yori ao meu lado. Comecei a rir feito uma retardada. Parei para pensar quando foi a última vez que eu e ela dormimos juntas. Foi há 2 anos? Em uma festa do pijama? Acho que sim, não tenho certeza. Nossa... O tempo voa mesmo.
Levantei da cama devagar para não acordá-la e fui procurar o Ichiru para levá-la para a cama deles. Encontrei ele e o Zero conversando na beirada da piscina da minha casa. Pareciam descontraídos. Aproximei-me da cerca e o chamei.
- Ichiru! – ele olhou para mim. – A Yori está dormindo no quarto do Zero. Quando você voltar, pegue-a e a leve para o seu quarto? – ele só concordou com a cabeça e voltou a conversar com o Zero.
Feito isso eu fui para a cozinha começar o jantar. Como todos jantariam aqui, tinha que ser algo rápido e que enchesse a barriga dos gêmeos esfomeados. Depois de passar a conviver com Zero e Ichiru, a expressão 'comida para um batalhão' ganhou um novo significado.
Fiz rapidamente um macarrão com molho branco e os condimentos eu coloquei em vasilhas a parte. Eu sabia que Zero não gostava muito de pimentão, mas Ichiru adorava. Vai entender...
ALGUNS DIAS DEPOIS...
Logo o 2º semestre começou. Mudei-me definitivamente para a casa do Zero, assim como a Yori também. Passou a morar nós quatro juntos. Algumas vezes eu ia para a minha casa pegar algumas roupas, colocar outras para lavar, orientar a faxineira... Essas coisas.
Basicamente meu tempo foi resumido a ir para a faculdade, e cuidar (junto com a Yori) da casa. Não tenho NADA do que reclamar. Minha vida estava perfeita.
Depois do meu 'barraco' com a Natsuki, todas as mulheres do prédio ficaram sabendo do meu relacionamento com o Zero. Não que eu me importasse, mas eu juro que sentia alguns olhares mortais para mim. Bom, desde que não façam macumba ou uma boneca vodu minha... Estou no lucro.
Zero ainda recebia olhares lascivos para ele, mas ele ignorava. Ai dele se olhar de volta! Quem vai acabar fazendo boneca vodu de alguém vou ser eu! Akastuki ainda está namorando a Ruka. Estão firmes e fortes. Ele continua vindo me fazer companhia na hora do almoço. Não reclamo. Adoro a companhia dele.
Um dia desses sem querer acabei me esbarrando com o Yagari. Ele não parecia ter raiva ou mágoa de mim. Cumprimentou-me muito educadamente e cumprimentei de volta. Não havia o porquê ficar guardando mágoas. Notei que uma menina alta, de pele clara, cabelos morenos e olhos castanhos o olhava. Ela era muito bonita, mas parecia ser tímida. Não sei se estava vendo coisas, mas resolvi me meter mesmo assim.
- Oi! – falei com ela. Ela se assustou com minha aproximação. – Sou Kuran Yuuki. Do 2º período. Você é nova aqui? – quis parecer simpática.
- Sim. Sou caloura. – ela sorriu. – Me chamo Nagasaki Kaoru. Muito prazer, Kuran-senpai. – ela era simpática! Que legal...
- É... Desculpa parecer meio louca te abordando assim de repente no meio do corredor, mas eu queria saber uma coisa. – fiz uma pausa para poder formular a pergunta. – Você estava olhando para o Yagari? – apontei para ele que já estava no final do corredor conversando com um professor. Olhei-a e vi que corava. Acertei na mosca!
- E-eu... Sinto muito Kuran-senpai! Ele foi seu namorado, né? – O.O?! – Prometo não olhá-lo mais! – ela fez menção de sair correndo, mas eu a segurei pelo braço.
- E o que isso tem haver com alguma coisa? Fomos namorados sim, mas acabou. Não deu certo. Terminei com ele e agora estou namorando outra pessoa. – não ia entrar em detalhes. – Você gosta dele, né?
- Ele é o professor substituto de meu período. Ele dá a matéria História das Artes Visuais I. Gosto muito do que ele ensina! - ela disse empolgada.
- É mesmo?! – perguntei verdadeiramente chocada. Não sabia que ele estava dando aula. – Mas você gosta só da matéria que ele ensina ou dele também? – gente... Como eu estava sendo indiscreta!
- Go-gosto d-dele. – ela enfim falou. – Mas, por favor, não conte a ele! – disse ela vermelha.
- Por quê? Ele está solteiro, sabia? Eu acho que vocês dariam super bem. Peraí que vou chamá-lo. – e gritei seu nome. Ele olhou para mim e fez sinal avisando que já estava vindo. Poucos instantes depois ele se aproximou de mim e de Kaoru-chan.
- Oi, Yuuki. Olá. – ele fez um sinal para Kaoru-chan também. Ela ficou vermelha. – Me chamou?
- Chamei. Queria te apresentar a Kaoru-chan. Ela é caloura. Acho que você está dando aula para ela. – falei simpática. – Estava conversando com ela e ela me disse que gosta do que você está lecionando. Achei que seria uma ótima ideia juntar vocês dois e ver as opiniões de vocês. O que acham?
- Kuran-senpai, Yagari-sensei deve estar muito ocupado agora. – disse Kaoru-chan evasiva. – Não acho que ela vá querer conversar com uma caloura agora.
- Na verdade estou no meu horário livre. – disse ele simpático. Por favor, que dê certo. Por favor, que dê certo! – Vamos à lanchonete e aí conversamos.
- Bom, vão vocês, pois agora tenho aula com o chato do Nobunaga-sensei. – fiz cara de tédio. – Nos falamos depois Kaoru-chan. Tchau Yagari! – e saí de perto o mais rápido possível.
Não sei se o que eu fiz ajudou ou atrapalhou. Só sei que nas semanas seguintes eles passaram a almoçar juntos todos os dias. Soube que Kaoru-chan se ofereceu para ajudar o Yagari em algumas pesquisas para o mestrado dele. Ela toda vez que encontra comigo no corredor, conta alguma novidade. Imagino que eu tenha juntado um casal. (UHUL!)
O meu 2º período passou sem muitas surpresas... Ah! A Natsuki foi tirar algumas satisfações com o Zero. Quero dizer, 'satisfações' não é bem a palavra. Acho que na verdade ela foi tentar convencê-lo a voltar para ela. Eu não sei dos detalhes, pois não estava presente. Soube por que o Zero me contou quando estávamos voltando para a casa um dia desses. Fiquei chocada com o que ouvi, mas Zero mostrou quem é que manda. Ele disse na cara dela que nunca a amou e que se arrepende amargamente de ter dormido com ela. Deu graças a Deus por ser estéril, pois não aguentaria ser pai de um filho com ela. Fiquei imaginando a cara dela... Bom, dane-se ela! Não estava nem aí.
No início de dezembro, Kaname me ligou e disse que já estava preparando as coisas para voltar. E que estava voltando com a Ágatha-san e com meus pais. Pulei de felicidade ao saber disso. Meus pais estavam voltando! E não só eles como também a Kira-san e o Kusama-san. Cozinhar nunca mais!
Não deu nem duas semanas que Kaname tinha me ligado avisando e já estava me ligando novamente avisando o dia e a hora que era para buscá-los no aeroporto. Pedi para Zero ir comigo, pois não caberia todo mundo no meu carro mais as malas de quatro pessoas! Meu carro era grande, mas não era uma combi...
Quando avistei Kaname e Ágatha-san na área de desembarque, comecei a pular para chamar a atenção deles. Kaname me viu, mas resolveu ignorar. Irmão idiota... Meus pais acenaram felizes. Depois que todos pegaram suas malas, nos dirigimos aos carros e fomos para a casa.
O restante do tempo passou-se sem grandes emoções. Meus pais voltaram a assumir a gestão da editora, Kaname os auxiliava como administrador (cargo merecido) e Ágatha-san trabalhava como curadora de várias exposições que aconteciam no Museu de Arte de Tóquio.
UM ANO DEPOIS...
- Ai, Yuuki... Estou tão nervosa! – disse Yori enquanto vestia o vestido de noiva. – E se ele disser 'Não'?
- Aí eu pego o buque e parto a cara dele ao meio. – falei dando o último ajuste no véu. – Pronto. Está perfeita. – disse contente. Nem acredito que minha melhor amiga estava casando.
- Acho que estou hiperventilando... Preciso de ar. – ela correu para a janela.
- Fique calma. Não adianta ficar nervosa. Vamos indo. O carro já está esperando para nos levar à igreja. – disse a puxando para fora do quarto.
Hoje era o dia do casamento da Yori com o Ichiru. Durante a semana, Zero e eu quase enlouquecemos com aqueles dois! Eles não paravam de falar no casamento. Casamento daqui, casamento dali... Zero disse que se ouvisse a palavra casamento mais uma vez, ele surtaria.
Yori estava linda em um vestido de corte reto, decote tomara que caia, bem justo no busto e na cintura e na altura do quadril vinha um tecido fino esvoaçante que se movimentava lindamente conforme ela andava. O buque era de rosas vermelhas (foi um pedido do Ichiru).
Finalmente chegamos à igreja e todos já estavam em seus lugares. Só faltava, logicamente, a noiva. A cerimônia foi linda com direito a choro e tudo. A hora do 'Sim' foi a coisa mais linda do mundo! Yori chorou ao ouvir o Ichiru. E ele não esperou o padre dizer "Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva". QUE NADA! Pegou a Yori e tascou o maior beijão nela! Todo mundo aplaudiu. Eu fui a mais favelada de todos, é claro. Até assoviei.
A festa foi na casa dela mesmo. Era só para os íntimos. Zero ficou comigo a festa inteira. Disse que quando nos casássemos, o que seria em breve segundo ele, seria mais ou menos assim. Tudo mundo íntimo. Concordei na hora, pois não gostava muito da ideia de ter várias pessoas transitando pela casa.
A hora mais esperada por mim tinha chegado: A HORA DO BUQUE! Fiquei de prontidão esperarando a Yori tacar o buque. Zero duvidava que eu seria capaz de pegá-lo. Iria mostrar para ele. Yori contou até três e jogou o buque. Foi uma confusão dos diabos. Mão na cara, pé na bainha dos vestidos, um caos! Mas no final alguém conseguiu pegar o buque.
- CONSEGUI! – gritei eufórica. – HAHAHAHA! Eu te disse que pegaria o buque. – falei apontando o buque na direção do Zero. Ele nada disse, apenas riu. Voltei a me sentar na mesa. 'Momento Mico' tinha passado.
- Você quer tanto assim se casar comigo, é? – perguntou ele com um sorriso nos lábios.
- Lógico que sim! Que pergunta mais sem propósito... – devolvi com o mesmo sorriso. – Parece que é você que não quer casar comigo. – disse fingindo tristeza.
- Uhm... Vou te provar isso hoje à noite. – ele tinha aqueles olhar felino. Tremi de excitação. – Vamos aproveitar que Yori e Ichiru vão viajar para lua de mel... – ele se aproximou e mordiscou minha orelha.
- Yuuki! – Yori me gritou. – Venha tirar fotos comigo e com o Ichiru. Você também Zero. Afinal, vocês são os padrinhos! – ela não se aguentava de felicidade. Estava feliz por ela. Ninguém mais merecia a felicidade do que a Yori.
Já quase no final da festa, os convidados foram indo embora. Só restando mesmo o pessoal contratado para a limpeza. Yori e Ichiru já tinham ido para a lua de mel. Eles iriam passar na casa de campo que os pais dele deixaram de herança. Aquela mesma casa onde o Zero ficou durante aqueles terríveis 10 dias. Só que ela agora estava reformada e trazia um ar mais alegre e menos pesado.
ALGUM TEMPO DEPOIS...
Yori e Ichiru já estavam de volta. Voltaram antes do ano letivo começar. Yori entraria para o 5º período assim como eu. Zero e Ichiru continuam lecionando na faculdade. Nada de novo, exceto por uma coisa: Vou ser titia! Isso mesmo... Kaname e Ágatha-san vão ter um bebê! Fiquei eufórica quando soube. Ela já está grávida de dois meses. Descobriu acidentalmente quando estava fazendo um ultrassom dos ovários. Ela ficou em choque. Imagino... Descobrir que está grávida indo fazer um exame nada a ver.
Nem preciso dizer que minha mãe ficou toda contente. Ela sempre quis um neto ou uma neta. Ela disse que Ágatha-san viveria na nossa casa até que o bebê nascesse, pois ela queria acompanhar de perto todo o desenvolvimento da criança. Ágatha-san não pôde negar isso a minha mãe. Acho que ela nem queria. Só sei de uma coisa: a casa superlotou!
DOIS ANOS DEPOIS...
Nem acredito que eu estou me formando! Estou tão nervosa! Minha monografia estava uma bosta! Zero disse que estava muito boa e que as bases que eu usei são bem sólidas então não havia como eu me dar mal, mas sou eu, né? Se há novecentos e noventa e nove maneiras de algo dar errado e uma de dar certo, pode ter certeza de que eu vou conseguir me dar mal as novecentos e noventa e nove maneiras... Sou super azarada!
Zero foi o meu orientador, mas sei lá! Estou nervosa mesmo assim. Será que eu consegui? E se eu não consegui? O que vou fazer da minha vida? AH! DESESPERO! Preciso me manter calma, zen e torcer para que tudo dê certo.
- Yuuki... – Zero me chamou. – Seu resultado saiu. – ele disse impassível.
- E está esperando o que para me contar?! – disse nervosa.
- Você se acalmar... – disse irônico.
- Zero! Por favor, colabore. – pedi nervosa.
- Tudo bem, tudo bem... Aqui está o resultado. – ele me entregou um papel. Nele tinham várias anotações e várias notas. Todas muito boas, sendo bem sincera. No final do papel estava escrito: PROJETO APROVADO.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
Eu passei! Eu finalmente me formei! Não acredito! Todas as noites sem sono, todas as xícaras de café, todas as noites dormindo no sofá valeram a pena! É ISSO AÍ! Agora é só cair nas graças no meu emprego! Que eu não tenho ideia de qual será... Acho que vou lecionar aqui enquanto começo a pensar no meu mestrado. Vou fazer igual ao Yagari. Não acho má ideia.
- Agora vamos para a casa, pois temos muito para comemorar. – Zero me pegou no colo e me levou até o elevador. – Tenho uma surpresa para você quando chegarmos em casa.
- Surpresa? Que tipo de surpresa? – perguntei desconfiada.
- Você vai ver... – e não tocou mais no assunto.
Quando entramos em casa, Zero me levou direto para o quarto. Deitou-me na cama e saiu. Fiquei olhando todo o quarto a procura da minha surpresa, mas não encontrei nada fora do lugar. Quando ele voltou, tinha nas mãos um livro. Não era grande, mas era grosso. Cabia mais ou menos na palma da mão. Fiquei curiosa imaginando sobre o que seria aquele livreto. E quem no mundo leria algo tão pequeno.
- Toma. Para você... – ele estendeu o livro para mim.
- Um livreto? – perguntei meio desanimada. Jurava que seria outra coisa.
- Se não quer, me devolva. – falou ele de mau humor. – Não precisa aceitar se não quiser.
- Para com isso! – me ajoelhei na cama e o abracei. – Adorei. – dei-lhe um beijo. – Sobre o que é a história?
- Abra e veja. – ele sorria maroto. Ele estava aprontando alguma coisa.
Fiz o que ele me pediu. Abri pequena capa do livreto e qual a minha surpresa ao ver que o livreto era oco! Ele na verdade era uma caixa. Uma caixa com um anel dentro! NÃO ACREDITO! ZERO ESTÁ ME PEDINDO EM CASAMENTO?! EU VOU MORRER DE FELICIDADE!
- Gostou do anel? – ele disse tirando a caixa da minha mão e pegando o anel de dentro dela. Pegou minha mão direita e colocou o anel no dedo anelar. Eu estava em choque demais para falar qualquer coisa. – Yuuki, você aceita casar comigo?
PAUSA! ESTOU LITERALMENTE HIPERVENTILANDO! NÃO ACREDITO. NÃO ACREDITO. NÃO ACREDITO!
- ACEITO! – me joguei em seus braços e fiz com que caíssemos na cama. Beijei-o o mais avidamente que consegui. – Claro que aceito! Não acredito que você me pediu para casar com você! Estava esperando por isso há séculos!
- Ok, exagerada. – ele retribuía meus beijos. – Nos casamos mês que vem.
- O QUE?! – mas já?! Como eu ia preparar tudo em apenas um mês? Não sou a mulher maravilha! Mas parecia que ele já tinha as respostas para tudo.
- Já reservei a igreja, já falei com seus pais, a Yori já está viu o vestido... Estou esquecendo de alguma coisa? Ah! A lua de mel é segredo.
- Justo o mais importante você me oculta?! Seu boboca! – fingi irritação. – Você não vai mesmo me contar, né?
- Não.
- Então vou ter que esperar um mês para descobrir...
UM MÊS DEPOIS...
Esse casamento é uma loucura! Foi tudo tão rápido! Já estou parada em frente ao altar esperando o Zero dizer o 'Sim'. Acho que estou tremendo. Acho que vou causar um terremoto na igreja de tanto nervosismo. O meu vestido tinha o corte reto, decote tomara de caia, justo no busto, mas quando chegava na cintura ele soltava um pouco. O modelo era parecido com da Yori.
- Sim. – AI MEU DEUS! ELE DISSE SIM! ELE DISSE SIM!
Não acredito que eu estava finalmente aqui. Parada em frente ao Zero no altar de uma igreja. Depois de tudo o que passamos merecíamos, né? Fico aqui pensando o que deve estar se passando na cabeça do Zero. Será que ele está feliz? Será que ele acha que fez a escolha certa? YUUKI! PARE DE PENSAR!
- Yuuki? – sussurrou Zero baixinho. – Você quer fazer o favor de responder logo ao padre se quer ou não casar comigo? – SANTO DEUS! Eu estava aqui divagando e nem notei que o padre tinha feito a pergunta.
- Sim! Sim, claro que aceito. – falei com um sorriso de orelha a orelha.
- Eu os declaro, marido e mulher. Pode beijar a noiva. – e foi o que ele fez.
Zero me puxou para perto dele e me deu AQUELE BEIJO! Fiquei sem graça de ter feito algo tão erótico na frente do padre e das pessoas na igreja, mas depois não me importei. Passei a retribuir o beijo. Zero chupava a minha língua e acariciava minha cintura. Parou de me beijar e aproximou seu rosto para perto do meu ouvido.
- Eu espero que esse vestido seja fácil de tirar. – tinha um tom erótico na sua voz. – Vamos logo para a festa, pois já estou querendo ir para a lua de mel. – e me puxou para fora da igreja.
Fomos para a casa (a dele). A festa seria lá. Yori tinha ajudado na organização e estava tudo divino! Ela também já tinha arrumado a minha mala para a lua de mel. Senti medo ao imaginar o que ela tinha posto. Com certeza ela deve ter colocado um monte de lingeries que só irão agradar meu marido.
- Yuuki! Hora de jogar o buque! – gritou minha mãe. – Venha logo!
Corri para jogar o buque. Queria muito que a Ágatha-san pegasse. Ela estava com a pequenina Misaki no colo. Era a minha afilhadinha/sobrinha! Ela é a coisa mais linda desse mundo! Ela tem só um ano e pouquinho de idade. Pedi que ela tentasse pegar o buque, então deixou a pequenina Misaki no colo do Kaname e se juntou ao grupo. Tentei mirar a jogada do buque para as mãos da Ágatha-san. E não é que eu consegui?!
- PEGUEI! – ela gritou para o Kaname. Ele só riu. – Agora podemos casar. – riram.
Antes da festa acabar, eu e Zero fomos para a lua de mel. Não sei se fiquei surpresa ou admirada, mas também era naquela casa dos pais. Perguntei o porquê de passarmos a lua de mel ali e ele me respondeu o seguinte.
- Quando vim para cá daquela vez, fiquei pensando na possibilidade de você conhecer os meus pais. E quando o Ichiru me disse que ainda tinha fotos dos nossos pais na casa, pensei em mostrá-las para você. Espero que não se importe.
- É claro que não me importo. É a casa dos seus pais. Eu nunca me importaria em ficar lá.
E era a verdade. Não me importava em absoluto. O que eu mais prezava naquele momento era a companhia do Zero. Queria ficar perto dele para sempre.
A casa era maravilhosa. Não era luxuosa ou grande, mas era acolhedora. Uma graça. Nela havia três quartos: o do Zero, o do Ichiru e o dos pais deles. Ela foi reformada antes do casamento da Yori. E agora os quartos dos rapazes tinham camas de casal e o quarto dos pais foi transformado em um quarto infantil. Talvez para o futuro.
- Gostou da casa? – perguntou Zero enquanto descarregava as malas do carro. – Sempre achei essa casa linda.
- É maravilhosa... – disse sincera. – Tem cheiro de lírios.
- É por causa da plantação atrás da casa. Eu e Ichiru fizemos em homenagem a nossa mãe. Ela adorava lírios.
A lua de mel passou tranquila. Zero e eu passamos a maior parte do tempo na cama. Ah! Isso me lembra... Adivinha o que tinha na mala que a Yori fez para mim? Isso mesmo! Lingeries eróticas! Tinha de todos os jeitos e cores. Prefiro não entrar em detalhes.
ALGUM TEMPOS DEPOIS...
Voltamos da lua de mel tem uma semana. Ficamos na casa dos pais dele mais ou menos um mês. Zero tinha pedido licença da faculdade e eu, como estava desempregada, fiquei de boa. Eu, Zero, Yori e Ichiru continuávamos morando na mesma casa. Tirando alguns eventos, eu diria que viver com quatro pessoas não é lá tão insuportável. Yori reclama que o Ichiru não arruma a cama quando acorda. Já eu reclamo que o Zero não recolhe as roupas dele. Bom, é a vida de casal. A gente vai levando...
- Yuuki! A Yori está passando mal. Corre aqui! – gritou Ichiru. Eu estava na cozinha fazendo o almoço. Desliguei correndo o fogão e fui socorrer a Yori.
Ela estava no banheiro do quarto deles com a mão na boca. Parecia que tinha acabado de vomitar. Aproximei-me dela e a ajudei levantar. Ela sentou na tampa do vaso e ficou respirando fundo. Quando vi que ela já estava melhor, resolvi perguntar o que tinha acontecido.
- Me senti tonta de repente e quando o Ichiru chegou perto de mim senti vontade de vomitar. O cheiro do perfume dele me deixou assim... – ela falou depois de lavar o rosto e escovar os dentes.
- Você enjoou com o cheiro do perfume dele? – perguntei desconfiada. – Ih... Yori, médico. Ou melhor, ginecologista. Vamos marcar agora. – a puxei para fora do quarto e fui pegar o telefone. – Marca o dia mais próximo que tiver. Eu vou com você. – e foi isso que ela fez.
- Marquei para semana que vem. Não conte nada ao Ichiru, por favor. Estou com medo de ser outra coisa e acabar criando falsas expectativas nele.
- Tudo bem. Não contarei nada. – eu compreendia o lado dela.
O dia da consulta com o ginecologista chegou. Como prometi, fui com ela. Eu precisava fazer meu preventivo e ia aproveitar a oportunidade. Yori contou tudo ao médico e ele pediu um ultrassom e um exame de sangue. E eu fiz o meu preventivo.
No mesmo dia ela fez esses exames. O resultado saía em alguns dias.
Depois dos resultados prontos, voltamos ao médico. Ele confirmou a gravidez. Ela estava grávida de dois meses! E de gêmeos! O.O Meu Deus! Quase surtei ao imaginar que dentro do pequeno corpo da Yori estava crescendo dois bebês. Fico imaginando a cara do Ichiru ao saber. Ele vai pirar! No sentido feliz da palavra, é claro.
O médico me pediu um ultrassom e um exame de sangue também. Achei estranho, mas preferi não contrariar. Levei Yori para a casa e depois fui fazer os meus exames.
Quando voltei para a casa, Ichiru estava abraçado na Yori e não a largava de jeito nenhum. Achei cômica a cena. Zero se aproximou de mim e me beijou.
- Fico feliz por eles. – ele me abraçou. Senti uma dor no peito. Eles teriam filhos, nós não. Deve ser isso que o Zero está pensando. Ele deve estar vendo a felicidade da Yori e imaginando que jamais vai ser capaz de me dar aquela felicidade. – Yuuki? Está chorando?
- Não... – mentira. Estava. – Eu só estou pensando na felicidade deles. Não me importo em não ter filhos, Zero. Juro que não. Já fico feliz só em ter você ao meu lado. – o abracei. Não queria se ele se sentisse incompetente por não poder me dar esse tipo de felicidade.
- Eu te amo. – ele me beijou.
- Eu também. – retribuí o beijo.
Ficamos namorando um pouco até a hora do jantar. Depois fui prepará-lo. A Yori tentou me ajudar, mas ela enjoava com todos os cheiros e antes que ela vomitasse no jantar, pedi para ela esperar na sala. Ela se sentiu mal, mas disse que não era a culpa dela. E que assim que os enjoos passassem, ela iria cozinhar todos os dias.
Só que algo inesperado aconteceu. Senti-me tonta e passei mal. Por sorte Zero gostava de me ver cozinhar (ele achava sexy, vai entender) e viu que eu estava passando mal. Correu para me amparar. E apaguei.
Acordei algum tempo depois na cama. Ainda estava zonza e precisei de um momento para me situar. Olhei para os lados e vi o Zero deitado ao meu lado. Ele estava zelando o meu sono?
- Melhorou? – perguntou ele preocupado. – Você me deu um susto desgraçado, sabia?
- Desculpa. Não sei o que aconteceu. De repente me senti tonta e apaguei. Não sei explicar o que aconteceu.
- Não vou mais deixar você sozinha.
Não quis discutir isso com ele. Eu sabia que não venceria. A minha sorte era que meus exames de sangue e ultrassom já estavam prontos e logo eu teria a consulta com o ginecologista. Espero que ele possa me dizer o que eu tenho.
- Você está grávida também! – ele disse. Ri em choque. Como assim grávida? Zero não podia ter filhos!
- O senhor tem certeza disso? Meu marido não pode ter filhos. Ele é estéril. – se ele sugerisse que eu pulei a cerca... Não respondo por mim!
- Algumas vezes, os casais que tem pelo menos um dos parceiros estéril, podem acabar engravidando. No caso do seu marido, por exemplo, ele deve ter produzido espermatozoides não estéreis e eles terem fecundado o óvulo. É um caso, não vou dizer raro, mas é bem difícil de acontecer. Acho que você pode se considerar com sorte. Meus parabéns!
Saí do consultório em choque. Eu estava grávida. Meu Deus... Como vou contar isso para o Zero? Ele provavelmente vai enlouquecer! E se ele achar que o filho não é dele? Ai meu Deus!
Voltei para a casa correndo e para a minha total desgraça, Zero estava em casa. Porque, de todas as pessoas, tinha que ser logo ele?
- E aí? Como foi no médico? Está tudo bem? Aquela tontura era o que? Nada grave, né? - ele me encheu de perguntas. Senti-me tonta.
- Zero, calma. Uma pergunta de cada vez. – conto ou não conto? Meu Deus! – Está tudo bem comigo. Não estou com problema nenhum. Eu só tenho uma coisa para te contar e eu espero que acredite em mim.
- O que é?
- Estou grávida, Zero. Grávida de você! – ele me olhava em choque. Ele precisou se sentar no sofá. – Zero, fala alguma coisa! Por favor...
- Grávida? Você está... grávida. É sério isso? Mas como? Eu não... Eu não posso ter filhos.
- O médico disse que somos um casal com um caso especial. Ele acredita que você conseguiu produzir espermatozoides não estéreis e que por conta disso acabei engravidando. Ele disse que isso acontecer é muito difícil. Eu estou em choque até agora. – disse me sentando ao seu lado no sofá.
- De quanto tempo você está?
- Não sei. Esqueci de perguntar. No choque, acabei esquecendo de perguntar muitas coisas. Mas a Yori tem consulta com ele no próximo mês e eu vou com ela e pergunto.
- Eu vou ser pai... – ele ainda estava digerindo a novidade. – Inacreditável.
- Não fale assim... Eu estou achando que não gostou da novidade.
- Que absurdo! Eu amei essa novidade! – se jogou sobre mim no sofá. – Ai meu Deus! Meu filho. Desculpa.
- Zero, calma. Ele não vai quebrar...
- Não sei. É melhor não arriscar. Vamos manter uma distância segura. – ele disse se afastando de mim.
- Ah é? Então está bom. Distância segura, né? Então agora você dorme no sofá.
- Ok. Não vamos exagerar. – ele disse me puxando para um beijo.
OITO MESES DEPOIS...
- Yuuki! Por favor, me ajude aqui com os bebês! – gritou Yori do quarto. Ela estava pedindo ajuda para tirá-los do banho. – Cadê o Ichiru quando se precisa dele?
- Yori, calma. A barriga aqui não me permite movimentos rápidos. – disse enquanto acariciava a barrigona de já nove meses. Eu também esperava gêmeos. – O que precisa?
- Tente tirar a Shizue-chan da banheira, por favor? Estou trocando a fralda da Yoko-chan. Essas meninas me enlouquecem! – ela disse divertida. Yori tinha dado a luz a duas meninas. E eu esperava uma dupla dinâmica masculina. – E como está essa barriga?
- Me impossibilitando de dormir cada vez mais. Zero já não aguenta dividir a cama. Ele disse que está ficando sem espaço. – nós rimos. Senti uma pontada na barriga. Doeu! – Ai!
- Está tudo bem? – perguntou Yori preocupada. – Quer que eu chame o Zero?
- Não... – disse ainda débil da dor. Outra pontada. – Ai! Yori, chama o Zero sim! Por favor... Está doendo.
- ZERO! ICHIRU! A YUUKI! – ela saiu gritando pelo corredor.
No minuto seguinte ouvi Zero gritando o meu nome desesperado. Ele me pegou no colo e me deitou na cama. Eu estava zonza de dor.
- Yuuki... Yuuki... Os meninos estão machucando você? Quer ir para o hospital? – ele segurou minha mão.
- Ligue... para o médico... – eu respirava difícil. – E peça a ele... para ir agora para o hospital. Acho que eles querem nascer.
Zero não pensou duas vezes. Pegou o telefone e ligou para o médico enquanto pegava as malas dos meninos e a minha. Pediu ao Ichiru que pegasse as chaves do carro e me ajudasse a andar. Eu estava me arrastando de dor. De repente, senti algo escorrer pelas minhas pernas. Era a bolsa. Droga! Agora sim eles nasceriam de qualquer jeito.
- ZERO! A BOLSA! – gritou Ichiru. – Yuuki, fique calma. Respire. Já vamos para o hospital. – ele tentava me acalmar. Em vão devo dizer. – Yori, eu já volto.
Eles me levaram para o hospital. Eu estava cansada e já estava sentindo as contrações. Minha sorte é que seria cesariana. O médico já estava lá quando chegamos. Ele me encaminhou para o centro cirúrgico e depois apaguei.
Acordei algumas horas depois já no quarto com o Zero próximo da cama. Meus pais estavam na porta e Kaname estava sentado no pequeno sofá. Fiz menção de me levantar, mas Zero me impediu.
- Você precisa descansar. Os meninos já estão vindo para cá. – ele segurou a minha mão. – Você foi maravilhosa. Os meninos são saudáveis e grandes. – ele sorriu. – Seus pais e Kaname vieram correndo para cá assim que souberam.
- Fico feliz... Nossa! Estou cansada. – falei sorrindo.
- Então descanse. Vou te acordar assim que os meninos chegarem. – concordei e voltei para dormir.
Voltei a acordar alguns minutos depois com dois pequeninos chorando querendo mamar. Zero me ajudou a sentar para poder alimentá-los. Coloquei um em cada braço e com a ajuda do Zero os segurei.
- Como comem! – Zero comentou surpreso.
- Tiveram a quem puxar, né? – disse irônica. – Eles têm os seus olhos... E meus cabelos.
- Por isso que são perfeitos. – ele sorriu e me beijou.
Fiquei no hospital mais alguns dias e depois voltamos para a casa. Zero me ajudou a ajeitar o quarto dos meninos e depois me ajudou a arrumar minhas coisas. Ele estava sendo um pai/marido maravilhoso. Ninguém diria que ele era assim.
UM ANO DEPOIS...
- Zero! Cuidado com o Akira-kun na piscina! – gritei desesperada. Aqueles meninos eram umas pestes! – Sano-kun! Fique quieto... Deixe eu trocar sua roupa! – ele não me deixava tirar a roupa molhada.
Os meninos agora tinham um ano. As meninas da Yori tinham um ano e um mês. A diferença de idade era ridícula! Todos eles se davam muito bem. Fora os ciúmes dos pais em relação aos fiilhos/filhas... Tudo estava na maior paz.
- Yuuki, me passe a toalha, por favor. – me pediu Ichiru. As meninas também entraram na piscina. Dei a toalha a ele. – Obrigado.
- Cadê a Yori? Preciso ver se ela já lavou as roupas de cama das crianças.
- Deve estar na cozinha fazendo o almoço.
- Então vou esperar ela voltar.
Fiquei sentada na espreguiçadeira vendo Zero brincar com os meninos. Era a cena mais perfeita de todas. Ver meu marido brincando com meus filhos. Estou sem palavras. Estava tão concentrada na cena que nem percebi a aproximação do Zero.
- Oi, amor. – ele se sentou ao meu lado. – Estava pensando em mim? – ele perguntou divertido.
- Sempre... – eu ri. – Estava pensando nos meninos também.
- Eles são maravilhosos. Você é maravilhosa. Amo você. Não quero me separar de você nunca.
- Nem eu, Zero. Nem eu. – o beijei. – Te amo muito, meu amor.
FIM
