Capítulo 36 (Alya first word)
O dia amanhecia escuro, como todas as manhãs naqueles últimos dias, Rigel continuava sem falar muito, confinado ao quarto. As noites junto de Inês repetiam-se, não falavam, apenas beijavam-se ela dormia nos braços dele, sentados na berma da janela. Eles tinham uma espécie de contracto mútuo, aquela relação não passava dali mesmo, das paredes do quarto dele.
Talvez ela conseguisse suportar assim a ideia, talvez assim fosse mais fácil.
Todos notavam a mudança em Rigel. Ele sempre trazia um sorriso no rosto e uma boa disposição que contagiava qualquer um, agora confinava-se a solidão, apenas Diana conseguia falar com ele, mas até esta tinha a sua dificuldade.
A chuva batia violentamente na ampla janela da sala. Narcisa e Bellatrix conversavam baixo sobre algo enquanto Sirius lia calmamente o profeta diário que trazia na capa mais um ataque dos Devoradores da Morte.
Rigel olhava para todos e foi a mãe que deu pela presença dele, ele não disse uma palavra mas sentiu alguém atrás de si. A irmã olhava-o com a cara de quem "já não te suporto mais assim"
- Anda Rigel! – Ela disse-lhe, mas ele não lhe respondeu. Ela ficou apenas mais irritada.
- REAGE DE UMA VEZ! – Ela disse-lhe abanando-lhe os ombros, ele apenas se desenvencilhou dela bruscamente. – VAMOS FAZ QUALQUER COISA. REAGE!
Ela atirou a varinha para o chão, enquanto todos a olhavam.
- VAMOS ATIRA! REAGE RIGEL!
- CALA-TE! – Foi a única coisa que ele disse – CALA-TE!
- NÃO CALO! – Ela respondeu – VAMOS TU CONSEGUES FAZER MELHOR! ATIRA!
- PARÁ! AGORA! PARÁ! – Ele gritou-lhe – IMPEDIMENTA!
- ISSO MESMO- Ela defendeu o golpe do irmão facilmente, ela sabia que só expelindo a raiva é que ele voltaria ao normal – ENTÃO DESISTES? VÁ! INERVANTE! – Ela disse, o feitiço atingiu o irmão em cheio, fazendo-o cair para trás com a força do impacto.
- Diana já chega! – A voz da mãe não parecia ter efeito. Bellatrix preparava-se para tirar a varinha e desarmar a filha, quando Rigel se levantou rapidamente lançando em Diana um feitiço que ninguém percebeu, mas que fez a varinha dela voar alguns metros, enquanto Rigel lançava um grito de raiva, apesar de todos estarem estupefactos com a cena, Diana mantinha uma expressão calma, como se soubesse que tudo estava bem agora, aproximou-se do irmão, e estendeu-lhe a mão que este aceitou no momento em que olhou nos olhos dela.
- Melhor agora?
Ela perguntou enquanto se abraçavam.
- Estou bem. – Ele disse – Eu sabia que tu ias perceber.
- Eu percebo sempre – Ela apenas sorriu ao irmão, enquanto os outros olhavam para eles como se fosse extraterrestres que tinham acabado de aterrar na Terra.
- Eu devia pôr-te de castigo Diana, não são atitudes de pessoas normais. Mas tendo em conta que resultou e que nem eu nem o teu pai somos muito 'normais' e não vou comentar. – Bellatrix disse tentando perceber.
- Não tens nada com que te preocupares, o Rigel está de volta ao normal. – Ela sorriu ao irmão que pela primeira vez em muito tempo trazia o típico sorriso sarcástico no rosto, como se o peso do mundo lhe tivesse saído de cima dos ombros.
Inês observava agora com um certo sentimento de culpa Rigel voltar ao normal. Por um lado sentia-se aliviada por ele estar bem novamente mas isso provavelmente iria significar mais uma discussão entre ambos, mais uma discussão sobre o certo e o errado e ela não queria aquilo, não queria ouvir outra vez tudo de novo e repetir tudo o que ele já sabia que ela sentia.
Os olhares dos dois cruzaram-se por breves instantes, ele sorriu-lhe abertamente como que em agradecimento, ela apenas suspirou, esboçando um sorriso cansado que adivinhava algum sentimento de exaustão que não passou despercebido a Rigel.
Apesar de ainda estupefactos ninguém ousou perguntar a Rigel onde tinha andado, o que tinha feito ou o porque de toda aquela reacção que aos olhos de muitos era demasiado exagerada para o que realmente tinha acontecido.
Quanto a Cygnus Black e sob orientação de Albus Dumbledor, ele encontrava-se preso naquele momento na velha e imunda cave de uma casa longe dali, era interrogado diariamente pois sabia-se que a marca negra no braço não era por acaso, ela tinha contacto directo com o próprio Voldemort e alguma informação para a Ordem era valiosa.
A noite foi caindo e pouco a pouco todos regressavam aos quartos, Narcisa e Bellatrix subiram primeiro com a desculpa de terem de tratar de algumas coisas que ninguém percebeu bem do que se tratava. Sirius foi deitar Alya que havia adormecido nos seus braços enquanto Diana e Draco, subiram para falarem de qualquer coisa, na sala ficou apenas Inês a um canto lendo um pesado livro e Rigel observava-a compenetrado.
Ela sentiu o olhar pesado dele nela e tentou esquecer, mas acho que seria melhor ir para o quarto.
- Boa noite Rigel – Ela disse rapidamente ao passar por ele. Ele não fez objecções. Apenas lhe sorriu e disse.
- Têm uma boa noite Inês.
Ela quase que se derreteu ao ouvir as palavras dele mas seguiu em frente num passo bem acelerado.
O dia amanhecia solarengo em Londres, já se adivinhava um dia bastante quente e quando Diana acordou, Narcisa, Inês e Draco já tinha retornado a casa, embora a contra-gosto de Sirius que ainda acha que eles estavam mais seguros em casa.
- Bom dia pai. – Diana disse sentando-se no longo sofá da sala.
- Olá pequena, dormiste bem? – Sirius perguntou com um sorriso. Ela apenas acenou com a cabeça.
- A mãe? – Ela perguntou. Bellatrix tinha o hábito de acordar cedo, as vezes até cedo demais na opinião de Diana.
- Foi até a Diagon-All comprar qualquer coisa… - Sirius reflectiu, tentando-se lembrar do que a mulher lhe havia dito que ia fazer, mas pareceu em vão – Fazer qualquer coisa relacionada com vocês, acho que foi buscar as vossas capas ou algo assim…
- Ah claro – Diana disse – Foi buscar o que nos faltava para a escola, o stock de poções já não existe e os meus mantos estão a ficar pequenos e gastos, acho que deve ter sido isso que ela foi buscar.
- Quem é o bebé mais giro do mundo – Eles ouviram a voz de Rigel nas escadas e um riso muito fino.
- Quem é? É a Alya! – Ele trazia a irmã de quase seis meses no colo.
- Bom dia Rigel – O pai disse lhe, ele apenas sorriu.
Rigel sentou atrás de Diana com Alya nos braços a gémea imediatamente se virou para trás. Sirius observou os filhos, Diana e Rigel cada vez mais se assemelhavam a si e a Bellatrix mas Alya era completamente diferente deles, os cabelos antes loiros escureciam para um castanho avelã e os olhos ficavam cada vez mais azuis.
Os risos preenchiam a sala quando Bellatrix entrou em casa.
- Olá mãe! – Rigel e Diana disseram em coro.
- MAMA – Uma voz fina disse. Bellatrix que naquele momento beija Sirius levemente nos lábios olhou para Alya que ria no colo de Rigel.
Ela pegou Alya nos braços. – O que é que tu disseste querida?
- Mama – Ela repetiu rindo – Mama
Os olhos de Bellatrix inundaram-se de lágrima que ele segurou, mas era bastante evidente que não tinha tido grande sucesso.
- Ela disse a primeira palavra. – Diana constatou – Ela disse mamã.
Bellatrix beijou a testa da filha mais pequena que ria alheia ao que tinha feito. Apesar de ter noção que os filhos mais velhos a adoravam, Bellatrix tinha perdido toda a infância deles, as primeiras palavras, o primeiro riso, tinha perdido tudo. Mas o facto da primeira palavra de Alya ser "Mama" tinha trazido a Bellatrix um sentimento de plenitude que ela nunca tinha experienciado.
Ela sorriu para a filha, sentando-se no meio do sofá entre Sirius e Diana com Alya nos braços, quem os visse naquele momento poderia dizer que eles eram felizes.
Dois capítulos num só dia. É para compensar este tempo todo sem escrever.
Esta fic vai ser mais longa do que eu pensei inicialmente, irá ter pelo menos mais dez capítulo e uma continuação na certa, é… acho que fiquei demasiado apegada a fic e não consigo desligar-me dela.
Apesar de tudo, tenho feito um balanço muito positivo. Muitas pessoas têm seguido a fic, tal como a Sol, a AndreaBi e a Molly67 que tem mandando algumas mensagens para tentar saber o que irá acontecer, apesar de não puder revelar fico extremamente grata que o façam, significa que apreciam o meu trabalho e isso dá imenso alento para continuar. Como não podia deixar de ser, a minha querida Sol têm me também dado uma enorme força para continuar esta fic, o meu muito obrigado por comentares todos os capítulos e continuares fiel a todo o meu trabalho aqui no Fan-Fiction.
Como não podia deixar de ser a minha Turtle, que todo o santo dia me chateia para escrever mais e passa a vida a perguntar pelo final da fic ou por mais cenas do Sirius e da Bellatrix.
Espero sinceramente que continuem a seguir o meu trabalho aqui no Fan-Fiction e que eu consiga corresponder as vossas expectativas.
Beijos com sabor a sapos de chocolate vendidos no Expresso de Hogwarts,
SofiaBellatrixBlack
