Disclaimer: Twilight não me pertence, mas sim a Stephenie Meyer. Stop Drop and Roll também não, a história pertence à Bronze. Mas a tradução é minha! E lembrem-se, plágio é crime!
Oi flores,
Desculpem não ter postado na sexta, como prometido, mas meu computador deu pau e o técnico só veio consertar hoje! Mas, aí está o capítulo! Hum... o que dizer? Preparem uma água com açúcar ou algo forte e peguem a caixa de lenços...
POV Bella
"Edward, pare com isso", eu rosnei, pegando outro pedaço de papel amassado do chão e jogando-o no lixo. Eu não estava com humor para aguentar suas imaturidades nesta manhã e nem tinha tempo para isso.
"Eu não estou fazendo nada," ele afirmou, amassando outra folha de papel e a jogando pela sala. Esta bateu na parede antes de cair no chão, fazendo um barulho suave, me deixando ainda mais irritada.
Eu cruzei a sala, arrancando o caderno de suas mãos. "Pare com isso," demandei mais uma vez, por entre meus dentes.
Ele me encarou. "Eu já acabei de ler o livro, não há nada de bom na TV e você está prestes a sair. O que mais eu deveria fazer?"
"Compre um cachorro," soltei sarcasticamente, apertando a ponta do meu nariz. Se eu chegar em casa e o chão estiver coberto de bolinhas de papel... por favor, me ajude Edward...
Eu catei mais uma, a jogando no lixo apenas com um movimento de pulso.
"Bella," ele sorriu "Essa foi a que eu joguei mais longe."
"Eu estou indo." disse o ignorando completamente. "Você tem terapia essa tarde. Eu estarei de volta para te pegar."
"Eu posso fazer isso sozinho, você sabe", ele murmurou, mas uma vez mais, preferi ignorá-lo, colocando minha bolsa sobre os ombros.
"Não" eu disse enfaticamente. "Você não pode."
Ele resmungou mais alguma coisa, enquanto eu rodava as chaves em meus dedos.
"Eu te vejo mais tarde então," murmurei depois de outro segundo de silêncio angustiante.
As aulas foram preenchidas com debates acalorados e comentários que me fizeram querer sair correndo da sala sem olhar para trás. Normalmente eu não me incomodaria com as discussões e tudo mais, mas com Edward agindo como ele vinha, meu temperamento não estava dos melhores.
Decidida a não ir direto pra casa depois da aula, andei sem rumo pelo campus, tentando colocar meus pensamentos em ordem. Eu não sabia o que fazer com Edward, mas ainda assim, eu queria ajudá-lo mais do que tudo. Eu odiava vê-lo daquele jeito. Aquilo não era justo com nenhum de nós; e não fora por aquela pessoa que eu me apaixonei.
Eu apenas queria aquele Edward de volta,
Eu sempre soube que seu trabalho poderia trazer complicações. E que se algo assim acontecesse, ele voltaria para dentro daquela concha de solidão em que costumava viver. Mas eu não quis prestar atenção nisso. Eu tentei me convencer de que ele ficaria bem; que ele poderia superar porque desta vez, ele tinha a mim.
Uma grande piada. Uma mentira que eu viva repetindo para tornar as coisas mais coloridas. Nada daquilo era verdade e eu me odiava por cada segundo em que eu acreditei.
Lembrando que Edward tinha terapia mais tarde, peguei meu celular e, depois de checar o cartão comercial e discar os números desconhecidos, desejei saber se eu estava fazendo a coisa certa.
Mas eu não tive muito tempo para pensar.
"Consultório da Dra. Ellen Reed, como posso ajudar?"
Eu engoli em seco, minha voz trêmula. Eu sentia como se estivesse invadindo a privacidade de Edward, mas se ele não me contava nada...
"Eu estou procurando pela doutora Reed" disse e, surpreendentemente minha voz saiu forte desta vez. Eu ouvi um digitar do outro lado da linha antes que a recepcionista falasse novamente.
"E quem gostaria?"
Eu mordi meu lábio. "Bella Swan. É sobre Edward Masen; ele é paciente dela."
"Edward Masen?" - ela repetiu, surpresa. "Um momento, por favor."
Eu me perguntei o que poderia ser tão surpreendente no fato de eu estar ligando; ele ia ao consultório duas vezes por semana, há alguns meses já. Teria ela reconhecido meu nome?
"Senhorita Swan", uma voz voltou a falar. "Como eu posso ajudá-la?"
Eu clareei minha garganta. Eu não queria soar como uma mãe preocupada, mas o comportamento de Edward não era normal. Aquilo me assustava. Eu precisava saber mais e, de preferência, a opinião de uma pessoa neutra.
"Doutora Reed, como as sessões de terapia do Edward estão indo? Ele diz que estão indo bem, mas o progresso dele me parece... mínimo." Eu fiz uma careta. "Eu não sei se ainda é muito cedo, mas..."
"Senhorita Swan," Doutora Reed interrompeu. "Edward Masen não aparece em meu consultório há mais de um mês."
Eu senti minha boca abrindo, sem entender direito. "Desculpe?" Perguntei, me sentindo um tanto quanto asfixiada. "O que você disse?"
Sua voz soou calma e controlada. "Você me ouviu corretamente" ela respondeu. "Edward Masen não retornou desde sua primeira sessão em Março."
"Não", eu disse categoricamente. "Eu o estive levando duas vezes por semana há um mês. O que você quer dizer com ele não esteve aí?"
"Senhorita Swan, eu asseguro a você, eu não vi ou ouvi falar do Senhor Masen desde a primeira semana. Eu dei a ele a chance de retornar para uma próxima sessão ou nunca mais voltar e, sua decisão me parece óbvia."
Eu não conseguia encontrar palavras para falar. "Você não ouviu nada sobre ele... por um mês?"
"Exato." ela respondeu. "Senhorita Swan, eu não sei o que o Sr. Masen tem dito para você, mas ele não tem estado aqui."
Eu murmurei algo que eu esperava que tivesse soado como um 'obrigada' e desliguei o telefone, meu corpo entorpecido, mas minha mente funcionando há mil por hora. Eu corri para minha picape, dirigindo rapidamente para o apartamento, gritando para que Edward entrasse logo no carro.
Eu o deixei na frente do consultório, não dizendo mais do que duas palavras em todo o caminho. Ele sabia que algo tinha acontecido, mas eu não seria capaz de falar com ele, sem explodir. Não ainda. Eu queria ter certeza que a doutora havia me dito a verdade antes.
"Eu te vejo mais tarde" ele disse, se inclinando para um beijo, mas pela primeira vez em muito tempo, eu me afastei, não querendo sucumbir ao seu charme.
"Sim," eu disse de modo distante, sentindo meu estômago em nós. "Eu virei te buscar mais tarde."
O olhar ferido que ele me lançou, me fez arrepiar até os ossos, mas eu me virei, não querendo que aquilo me afetasse.
Eu observei enquanto ele entrava no prédio e rapidamente liguei o carro, virando a esquina, onde ele não poderia me ver. Eu esperei, o café da manhã ainda revirando em meu estômago enquanto mantinha os olhos fixos na porta, rezando baixinho para que ele não passasse por ela.
Minha cabeça girou quando o vi. Não havia nenhum engano; ele olhou para os dois lados da rua antes de começar a mancar em uma direção, seu olhar escaneando ao redor a cada poucos segundos.
Grossas lágrimas desciam pelo meu rosto quando a verdade me atingiu como uma tonelada de tijolos. Eu me sentia enjoada e meu corpo tremia quando tomei novamente o assento.
Edward havia mentido para mim. Ele vinha mentindo a um bom tempo.
Por muito tempo eu acreditei que ele estava tentando. Que a terapia seria a resposta; ele iria finalmente tirar o peso do mundo de sobre seus ombros e parar de sentir aquela culpa implacável. Nossas vidas poderiam começar do zero em Nova York, e todos os problemas menores seriam deixados para trás.
Eu ri, sem nenhum humor, ao pensar naquilo. Nosso relacionamento foi construído sobre fragmentos quebrados cheio de mentiras, decepção e culpa. Como poderíamos ter o nosso final feliz? Não estava no nosso destino. Nada estava certo e eu era uma idiota por acreditar que algum dia poderia estar.
Eu não podia me mover. Me sentia completamente entorpecida. As lágrimas continuavam a cair pelo meu rosto, mas não havia soluços. Histeria. Nada. Tudo estava estranhamente calmo, e para qualquer um que passasse agora, pareceriam apenas algumas lágrimas.
Eu não sabia o que fazer. Eu não podia confrontá-lo ali, agora; comentários irracionais e impulsivos sairiam de minha boca, mas eu precisava dizer alguma coisa. Eu tinha estado quieta e paciente quanto aos seus caminhos por tanto tempo, mas aquilo tinha sido a gota d'água. Tinha dado pra mim. Não havia mais como fugir. Eu sabia que o confronto teria de vir mais cedo ou mais tarde, mas eu esperava que seria muito, muito mais tarde, quando as coisas não parecessem tão precárias.
Lembranças de nós dois na cabana tomaram minha mente. Tudo parecia tão bem. O amor e a paixão eram tangíveis, mas era como se o encanto tivesse se quebrado no momento em que voltamos para a cidade. Eu odiava aquilo. Eu queria poder voltar ao tempo em que eu não tinha que me preocupar sobre dizer a coisa errada perto dele, ou sobre fazer algo que o desagradaria e o faria explodir. Seu temperamento era uma linha fina que eu frequentemente ultrapassava.
Aquele pensamento voltou a me deixar irritada. Eu havia me enganado, pensando que era para o meu próprio bem; Eu amo Edward o suficiente para me diluir ao seu redor. Eu estava disposta a alterar nosso relacionamento para atender suas necessidades e o que quer que elas incluíssem. Tudo e qualquer coisa eram válidos.
E era assim que ele me agradecia.
Nosso relacionamento sempre precisava de algo que fizesse tudo explodir. Não era estável e não podia ser considerado feliz. Tudo o que precisávamos era de uma faísca que acendesse a dinamite e causasse a explosão.
O vazio em meu estômago aumentou, como se um peso tivesse sido abandonado. Desta vez, a bola da demolição voava a pleno vapor, e nós dois estávamos completa e totalmente impotentes para detê-la.
Eu não lembro de ter dirigido de volta pra casa. Eu me sentei no sofá, minha postura rígida, meus dedos apertando o cartão da Doutora Reed. Eu me concentrei em respirar cadenciadamente, puxando o ar e o soltando, mas tudo o que eu conseguia era pensar nas palavras de Edward.
Não custa tentar, certo?
Você merece mais, Bella. Eu quero fazer isso. Por mim.
Eu irei marcar um horário com a terapeuta.
Eu quero melhorar.
Eu preciso melhorar
Eu ouvi o barulho da porta e meu corpo sacudiu violentamente. Eu havia ligado para Alice e pedido que ela pegasse Edward, dando a ela uma desculpa qualquer, que tenho certeza, ela não engoliu. Eu não conseguiria fazer isso. Eu não poderia ficar confinada num lugar pequeno, ao lado dele. Onde não haveria lugar para correr.
"Bella?"
Eu tremi. Minha garganta estava fechada e seca e eu não conseguia encontrar minha voz, mas eu precisava dizer alguma coisa.
"Estou aqui." Eu fechei meus olhos querendo que tudo sumisse. Eu me sentia derrotada, vulnerável, machucada e fraca.
Eu devia ter pego Edward no consultório e então teríamos um belo jantar, apenas nós dois. Ele se sentiria rejuvenescido mentalmente. Nós falaríamos sobre Nova York e sobre as coisas que faríamos por lá.
Mas não havia nada. Se você retirar a base do alicerce, o resto começa a ruir.
Ao invés disso, ficamos com o isolamento, as mentiras e a tensão. Eu mantive meus olhos fixos no chão, tentando conter as lágrimas enquanto ouvia o som de suas muletas no piso, fazendo seu caminho até onde eu estava.
"Bella?" ele repetiu e eu sabia que agora ele já conseguia me ver. "Bella?"
Eu queria vomitar. "Como foi a terapia?" perguntei, minha voz monótona e sem vida.
Ele hesitou. "Boa," mentiu suavemente, fazendo cada célula do meu corpo querer gritar em agonia. "Como foi o seu dia?"
Eu não pude responder. Eu balancei minha cabeça, rasgando o cartão nas bordas com meu aperto incansável.
"Bella?" ele disse mais uma vez e eu pude sentir ele se aproximando. "O que está errado?"
Ele parou em frente a mim, mas eu me afastei. Eu não podia tê-lo assim, tão perto de mim.
"Isabella Swan", ele disse, sua voz poderosa e exigente. "Diga-me o que está errado. O que aconteceu?"
Eu balancei minha cabeça uma vez mais. Eu não podia fazer isso.
"Foi a Tanya?" ele chutou, sua voz com uma pontada de raiva. Eu neguei com a cabeça, apertando meus olhos enquanto as lágrimas voltavam a transbordar.
"Merda Bella, então o que foi?"
"O que diabos é isso?" perguntei, jogando o cartão todo amassado em sua direção.
Ele o pegou no chão, observando por alguns instantes antes de me encarar novamente. "É o cartão da Dra. Reed, Bella."
Apertei meus punhos diante do seu tom condescendente. "E me diga, como vai a Doutora Reed?"
Eu podia apostar que não estava fazendo o menor sentido para ele, mas ele teria que esperar mais um pouco. "Bem."
"E sobre o que vocês conversaram hoje, Edward?" Eu praticamente zombei, minha voz ficando mais forte a cada pergunta. Toda a frustração vindo finalmente à tona.
"Histórias."
Eu ri, sem nenhum humor, o som cortando o silêncio. "Histórias, ele diz." Eu repeti, apertando meus dentes. "Vocês falaram sobre histórias."
"Sim Bella. Nós falamos sobre histórias. Por que diabos isso importa? Eu estou indo, não estou?"
Aquela era a faísca que faltava para reacender o fogo. Eu levantei, a raiva saindo por cada um dos meus poros.
"Não!" eu gritei, fazendo o melhor para encará-lo cara a cara. "Você não está. Você... você mentiu para mim. O tempo todo."
"Sobre o que você está falando?"
Eu queria bater nele. "Você esteve mentindo para mim por um mês. Dizendo o quanto você estava tentando, que a terapia era boa para você e que você estava no caminho certo. Besteira!" Você estava... Deus, Edward."
Eu caí em prantos, meu corpo tremendo com os soluços que eu havia conseguido conter pela última hora. Eu não me permitia olhar para o seu rosto, com medo do que eu iria ver, mas eu podia apostar que ele sabia que tinha sido pego.
"Bella..."
"Não." eu o cortei, com toda a malícia que pude acumular. "Não ouse me dar uma desculpa patética qualquer; eu quero a verdade. Eu estou cansada de ser enganada por você."
Eu pude ouvi-lo suspirar, mancando ao redor, como se não soubesse para onde ir ou o que dizer. Eu não queria deixá-lo daquele jeito, mas doía muito. Meu peito estava doendo enquanto eu tentava me recompor o suficiente para forçar uma explicação dele, mas aquilo estava se mostrando impossível.
"Bella."
Sua voz, desta vez, não estava mascarada. Estava rouca, suas lágrimas se tornando visíveis, atrapalhando sua fala. Emoção crua, um mix de remorso avassalador, tristeza e desejo, mas do quê eu não sabia.
Era terno e doce, mas a tristeza não estava mais subjacente, como costumava ser. Ela brilhava, me instigando a olhar para ele. Minha raiva estava sumindo, aquela palavra gravada na minha mente, mesmo que fosse algo tão simples como meu nome, mas a breve sensação de dormência foi rapidamente substituída pela dor, devastação e choque.
Eu não podia olhar para ele. Machucava por demais. Minhas lágrimas cegavam minha visão, e um pequeno gemido desconfigurado escapou da minha garganta quando eu percebi que aquele poderia ser o fim.
Um deslize e tudo poderia estar acabado.
Isto não era apenas sobre ele mentindo. Não apenas sobre ele me enganando e machucando a si mesmo ainda mais. Era tudo. Toda a decepção, todas as mentiras, segredos e animosidade entre nós. Estava tudo exposto sobre a mesa, nada mais poderia ser escondido.
'Não era assim que as coisas deveriam acontecer,' eu gritei despesperada para mim mesma. 'Nós deveríamos ter podido falar. Nós devíamos ter sido capazes de ouvir um ao outro. Eu deveria ter sido capaz de ajudá-lo. Ele deveria ter percebido...'
Aquele poema que eu falei para ele um dia veio em minha mente.
.
Deitados ao sol
Teria, Poderia e Deveria
Conversavam sobre as coisas Que teriam, poderiam e deveriam ter feito
Mas todos os "ias"
Fugiram e se esconderam
Quando o fiz apareceu.
(tradução livre do poema Woulda-Coulda-Shouldas)
.
Eu continuei pensando sobre as coisas que poderíamos ter feito. O que poderíamos ter feito para evitar isto. Como as coisas poderiam ter sido diferentes... evitadas.
Mas não fizemos. As coisas foram empurradas para debaixo do tapete e esquecidas, e se eu pudesse voltar atrás, eu mudaria tudo. Eu não sabia se iria empurrá-lo tão duro quanto eu fiz.
Talvez tenha sido isso que o tenha afastado.
Houve um pequeno pedaço de minha mente que me disse que eu estava novamente tentando tapar o sol com a peneira Edward podia fazer o que quisesse, se ele não queria ir à terapia, eu não poderia forçá-lo.
Mas ele mentiu. Ele não sentia como se pudesse confiar mais em mim.
Quando eu finalmente olhei para ele, não podia imaginar que a mágoa em seu rosto fosse ser tão poderosa. Lágrimas inundavam seus olhos e apenas uma conseguira escapar e correr pela sua bochecha, Nenhuma emoção foi mostrada, mas a mágoa em seus olhos me queimou. Era tudo que eu podia ver.
"Apenas me diga por que, Edward", eu finalmente suspirei, minhas sílabas quebrando o silêncio. O seguro e bem vindo silêncio.
"Por que o que?" Ele perguntou, sua fala nítida e concisa. Aquilo me partiu em pedaços como uma faca. Eu queria me manter firme, mas estava com medo de perder o equilíbrio e parecer ainda mais patética.
Eu estava enxergando em vermelho, meu corpo lívido; cada célula querendo atacá-lo e exigir o por que. Por que ele não sentia como se pudesse confiar em mim, por que ele pensou que eu não aceitaria...
Mas minha mente estava cansada. A exaustão estava vencendo a batalha, cansaço acumulado das constantes brigas, das noites preocupadas sobre como ele ficaria fora do hospital, os pesadelos terrivelmente vívidos com incêndios que sempre acabavam da mesma forma. O corpo sem vida de Edward sendo transportado para fora da casa enquanto eu observava de longe, impotente e fraca.
De repente eu só queria ser acalentada por ele. Eu queria que ele acariciasse meu cabelo como costumava fazer quando eu estava preocupada ou assustada e me dissesse que as coisas iam ficar bem; que nós conseguiríamos superar porque estávamos juntos.
Eu nunca tinha me sentido tão só.
Nós havíamos passado do ponto em que havia conserto. Ele não podia trazer nada de volta e nem eu. Eu não sabia o que fazer. Eu queria gritar, eu queria bater nele, eu queria me agarrar a ele e nunca mais largar.
Tudo parecia estranho. Meus movimentos pareciam fracos e fluidos, mas meus pés pareciam presos no chão, como chumbo. Eu não podia me mover.
Respirei fundo, ainda olhando para o seu rosto. Nós não quebramos o contato visual, mas ainda assim, nenhum de nós falou desde a minha pergunta.
Eu não tinha direito de estar com tanta raiva. Era sua vida, sua decisão. Mas então, por que eu me sentia tão traída?
Eu ri amargamente quando a resposta me atingiu. 'Porque ele disse que você era a sua vida,' eu lembrei a mim mesma, não importando o quão ácida cada palavra me soasse. 'Você costuma incluir as pessoas em decisões importantes, especialmente como essas.Você não afasta as pessoas. Você não as empurra para longe. Você não mente, você não...'
Esta nova rodada de pensamentos histéricos fez Edward se mover. Ele apoiou as muletas antes de se ajoelhar na minha frente, um silvo de dor escapando de seus lábios.
"N... não" - eu balbuciei. "Não faça... levante-se... sente-se, você vai acabar se machucando..."
Ele me ignorou, a paixão lúdica habitual em seus olhos se extinguindo. Eles brilhavam com as lágrimas não derramadas, mas eu podia ver a sua determinação em não deixá-las cair.
"Calma, Bella", ele disse, acariciando minhas costas como Renée costumava fazer, a fim de me acalmar quando eu era criança. "Não chore."
Aquilo me fez tremer ainda mais. Eu quis me afastar dele, não querendo sucumbir, mas foi impossível. Eu estava enraizada em meu lugar, e quando tentei exprimir a minha preocupação com sua proximidade, ele tomou isso como um convite para se aproximar ainda mais, a mão apoiada, suavemente, em meu ombro.
"Não", eu disse de modo desafiante. "Não faça isso."
Eu me encolhi, tentando me afastar, parando um momento para respirar. Segurei a cabeça entre as mãos, apoiando-a sobre os joelhos enquanto soltava o ar gentilmente, tentando não pensar em nada. Eu nunca conseguiria conversar direito com ele, se não estivesse sob controle.
"Bella, eu não tinha a intenção de mentir para você,"
Eu engoli o bolo que estava se formando em minha garganta. "S... sim, você tinha," eu acusei, estreitando meus olhos e encarando o nada a minha frente. Eu não podia mais olhar para ele. "Caso contrário, você não teria feito isso."
"Eu só fiz para te proteger!"
Eu virei minha cabeça em sua direção. "Me proteger?" repeti com toda a energia que me restava. "Você mentiu para mim por um mês sobre algo tão frágil como a sua saúde, para me proteger?" Minha voz tinha um quê de histeria, enquanto eu o encarava, querendo que ele falasse.
"Eu sei como a terapia era importante para você", ele disse baixo, envergonhado. "Eu sei o quanto você queria que eu melhorasse."
Eu parei tentando organizar meus pensamentos desordenados e incoerentes. "Você ao menos tentou?" me encontrei perguntando. Não havia nenhuma acusação, apenas uma mera curiosidade.
Mas eu não estava bem certa de que Edward poderia perceber isso. "Sim", ele disse imediatamente, sua voz repleta de convicção. "Bella... eu não podia fazer isso. Você não entende como é. Ela era... intrometida, e intrusiva, e ... eu não podia, Bella, eu não podia. "
Vê-lo sucumbir na minha frente foi a coisa mais difícil que eu já presenciara. Ele pressionou o rosto em meus joelhos, os braços fechados em um aperto ao redor das minhas pernas, mantendo-se agarrado a mim.
"Deus, Bella, eu não podia falar sobre aquilo. Eu tentei, eu tentei por você, mas..."
Eu pude, com dificuldade entender o que ele estava dizendo, mas a dor sufocante em meu peito tornou mais difícil focar em algo além da queimação. Gentilmente eu levei minha mão até seu cabelo, correndo meus dedos pelos fios acobreados até acalmá-lo o suficiente para que ele voltasse a falar de forma inteligível.
"Eu sinto muito."
"Pelo que?" perguntei. Eu queria ouví-lo falando aquilo, não importando o quão sofrido parecesse.
"Por falhar."
Eu balancei minha cabeça, o empurrando para longe. "Merda, Edward!" gritei, frustrada. "Eu não me importo que isso não tenha funcionado! Você não tinha que ir à terapia. Você marcou o horário porque disse que queria fazer isso por você. Que queria ajudar a si mesmo."
"Eu..."
"Me deixe terminar", eu interrompi. "Edward, você mentiu. Eu não me importaria se você se tornasse um recluso e nunca mais saísse desse apartamento. Se você voltasse a ser exatamente o mesmo que era antes do acidente. Eu não me importaria porque foi exatamente por este Edward que eu me apaixonei. Eu não posso mudar isso."
"Então..."
"Edward!" Eu o cortei, exasperada. As lágrimas começaram a cair novamente, mas eu as ignorei, me recusando a perder tempo com elas.
"Desculpa", ele murmurou. "Eu irei escutar."
"Você... você mentiu", eu disse, minha voz quebrando ao repetir isso em voz alta. "Você... você me afastou, você não confiou em mim, você... você não me ama o suficiente para..."
"Isabella Swan", ele disse, sua voz contendo mais autoridade do que eu jamais ouvira antes. Eu o encarei, amedrontada de ver a escuridão cobrindo seus olhos de uma forma que nunca vira antes.
"Nunca mais diga que eu não amo você", ele rebateu. "Eu posso ter escondido a verdade de você, mas eu sempre te amei. Mais do que você pode imaginar."
Era um golpe baixo e eu sabia disso. "Você obviamente não me ama ou confia o suficiente para acreditar que eu aceitaria o fato de que você não queria ir a terapia."
"Como eu podia?" Ele replicou, os olhos em fendas enquanto rangia os dentes. "Você estava tão fodidamente feliz cada vez que eu ia. Como eu podia tirar isso de você?"
"Mas olhe onde nós estamos agora." Eu disse. "Edward, a gente quase não consegue ficar no mesmo ambiente. Você não consegue suportar me ter te ajudando e eu não suporto essa atitude, essa pessoa que você se tornou. Você não pode fazer isso sozinho, por que você não deixa as pessoas te ajudarem?"
"Porque eu não quero isso, Bella", ele respondeu, um sorriso diabólico e amargo adornando seu rosto. "Você não vê? Eu não quero ajuda."
"Você obviamente não se importa consigo mesmo", eu rebati, lívida. "Você se lembra do que me disse sobre como você estava depois da morte do seu pai? O morto vivo em que você se tornou?"
Eu pude ver as lembranças passando pelos seus olhos. "Não..."
"Você realmente quer ser assombrado por isso o resto da sua vida?" perguntei retoricamente, minha voz um pouco mais alta que um sussurro. "É isso que você quer? Ser uma pessoa masoquista e depressiva que não consegue ficar ao redor das pessoas que o amam?"
"E se for?" Ele gritou, seus olhos chamuscando. "Funcionou da outra vez, não foi? Eu ainda estou vivo, não estou?"
O silêncio que em algum momento eu considerei seguro e bem vindo, era agora angustiante, como uma freada brusca no asfalto, ou vidros se partindo após a batida entre dois automóveis.
Edward suspirou, a irreversibilidade pairando sobre nossas cabeças. Eu me curvei, segurando meus braços em volta do meu tronco em uma tentativa física de me manter inteira, enquanto esperava por suas próximas palavras.
"Eu não tenho jeito, Bella", o ouvi dizer. "Não há reparo. Você não pode me ajudar e eu não posso me ajudar. Acabou."
As palavras, embora não no contexto que eu estivera pensando, pareceram me cortar. "Então é isso?" gritei, histérica. As grossas lágrimas tornavam difícil ver qualquer coisa, mas eu me recusei a desviar o olhar. "Você está acabado?"
"Eu estou cansado," ele respondeu sem rodeios, friamente. Sua expressão estava morta e vazia, fazendo-me estremecer.
"Cansado de que?" Perguntei hesitante, com medo.
"De tudo."
"Então é isso?" repeti, sem me importar por já ter feito aquela pergunta antes. "Você vai fugir como um covarde?"
Eu o vi hesitar, mas tirando aquele pequeno movimento, ele não demonstrou nada.
"Eu estou cansado de tentar ser algo que não sou por você Bella," ele disse, sua voz morta. "Você está tentando me transformar em alguém que eu nunca vou ser. Um namorado perfeito e sem problemas. Este não sou eu, Bella. E nunca vai ser."
"Eu não quero isso!" tentei corrigir subitamente o rumo dos acontecimentos
"Eu não posso ser quem você quer que eu seja e eu estou cansado de tentar. Cansado de ouvir como você quer que eu mude e seja algo diferente e..."
"Eu não..."
"Você sabe..." ele me interrompeu, me encarando com uma tristeza tão profunda, que doía apenas de olhar. "Eu nunca pensei que pudesse estar tão próximo de alguém como foi com você. Que alguém conseguiria ficar comigo tempo o suficiente para saber quem eu sou."
Ele agarrou as muletas, mancando de um lado para o outro da sala. "Quando eu te conheci, parecia que eu tinha alcançado a lua, de tão extasiado que fiquei. Eu pensei que você seria a única pessoa, além da minha mãe, que poderia me ver como uma pessoa, e não alguém que teria de se encaixar em um molde perfeito como todos os outros."
"Edward, eu..."
"Mas você não é diferente", ele disse, seu tom beirando a histeria. "Você é exatamente como todas as outras pessoas, que me deu uma única olhada e decidiu que não valia a pena. Que eu nunca seria alguma coisa."
"Isso não é verdade," respondi, com toda a convicção que consegui colocar em minha voz. "Eu te amo, Edward. Eu não..."
"Eu não posso fazer isso mais", ele disse balançando a cabeça. "Eu não posso continuar vivendo nessa caixa fechada, onde todos a minha volta não querem estar. Não é justo com ninguém."
"Se você pudesse abrir os seus olhos por um segundo, você saberia que você mudou sim", eu gritei. "Você não é a pessoa por quem eu me apaixonei. Você é apenas uma casca e eu não... eu não sei o que fazer."
"Então talvez isso seja para o melhor", ele replicou secamente. "Vamos apenas acabar com isso antes que você realmente se arrependa."
"Você acha que não pode fazer isso mais?" eu disse, meu maxilar dolorido de tanto gritar com ele. "E quanto a mim, Edward? Eu não posso lidar com essa montanha russa de emoções. Eu odeio não saber em que humor você estará ou ter que me preocupar sobre como agir ao seu lado para não te irritar. Eu... eu odeio me sentir fraca ao seu lado."
Sua expressão suavizou ligeiramente. "Eu não quero que você se sinta fraca."
Eu balancei minha cabeça. "Talvez você esteja certo," murmurei encarando o chão. "Talvez nós devêssemos dar um tempo."
Uma centelha faiscante cruzou seus olhos, mas ele a mascarou rapidamente, voltando à sua máscara de indiferença.
"Se você acha que é o melhor."
Eu tentei imitar sua postura, mas estava certa de ter falhado miseravelmente. "Você não acha?"
Eu odiava aquilo. Eu queria passar meus braços ao redor do seu corpo e me manter atada a ele para sempre. Eu queria dizer que o amava, que eu estava errada e que sentia muito por minha estupidez, ingenuidade e que iria com ele para onde ele quisesse.
Mas já não havia mais tempo.
Nós estávamos parados ali, de cabeças quentes, posturas rígidas, prontos para bater em retirada a qualquer momento. Eu pude sentir a realização do que tinha acontecido se aproximando, as lágrimas tomando meus olhos já vermelhos e os meus lábios tremendo, minha cabeça prestes a estourar.
Antes que eu pudesse dizer outra palavra ou retirar tudo o que havia dito, corri para o quarto, pegando, sem olhar, blusas, calças e outros objetos que eu pensei que pudesse precisar. Na pressa, derrubei o abajur, a lâmpada se partindo em vários pedaços no chão, mas eu não tomei conhecimento.
"Cuidado para não se cortar."
Meu estômago deu um salto ao som de sua voz, mas o que doeu mais do que ouví-lo novamente foi o fato de que ele não estava fazendo nada para me parar. Naquelas cinco palavras, ele tinha me convidado a partir.
Ele estava me deixando ir.
Eu fechei a bolsa, esfregando furiosamente as lágrimas traidoras que haviam caído pelo meu rosto. Eu me recusei a olhar para Edward, que voltara a se sentar no sofá, olhando para além do piano, seus dedos fechados ao redor do que parecia ser uma folha de papel.
Um soluço morreu em minha garganta quando o encarei uma última vez, colocando a bolsa sobre meu ombro. Ele não se moveu, não falou e eu não estava bem certa se ele ainda respirava. Ele permanecia perfeitamente sentado, o olhar preso no majestoso instrumento, com uma expressão ilegível no rosto.
Eu não sabia o que dizer. Eu não sabia se nos despediríamos ou se eu sairia intempestivamente, irritada. Mas Edward tomou a decisão por mim. Em um movimento rápido ele pegou novamente suas muletas, mancando duramente para fora do cômodo, batendo a porta do quarto com força suficiente para fazer a luminária tombar em minha direção.
Um quadro pendurado na parede do corredor, ao lado da porta caiu, me fazendo gritar. Eu corri instintivamente o pegando e limpando a poeira e os cacos de vidro.
A foto foi o que fez as lágrimas caírem. Edward tinha seus braços em volta de mim com força, nossos sorrisos amplos de uma forma como eu jamais tinha visto. A chuva caía suavemente em segundo plano, mas nenhum de nós parecia se importar.
Meu aniversário de 19 anos.
Eu não sei como dirigi para longe do apartamento. A picape balançou sob o meu controle, balançando na rua enquanto eu tentava limpar minha visão. Palavras impulsivas e retorcidas percorrendo minha mente, me queimando por dentro.
Com alguma relutância consegui sair da picape, não me importando em bater na porta à minha frente, antes de abrí-la com força; uma Alice chocada parada há alguns centímetros, sem dúvida assustada com minha estrondosa entrada.
"Alice", eu consegui balbuciar, soltando a bolsa no chão. Ela se moveu, me pegando antes que eu perdesse meu equilíbrio e viesse abaixo, minhas lágrimas histéricas fazendo todo o meu corpo balançar. Eu pressionei o rosto na curva do seu pescoço, minhas lágrimas manchando seu capuz.
"Bella," ela disse suavemente, acariciando meu cabelo. "O que aconteceu?"
Eu balancei a cabeça, desejando que tudo fosse embora. Todas as lembranças, os pensamentos, as palavras - tudo. Eu queria que tudo se fosse.
Ela me balançou, sussurrando palavras sem sentido em meu ouvido até que eu me acalmasse.
"Bella, eu preciso que você me conte o que aconteceu."
Minha voz estava rouca do choro, meu olhos ardiam e minha cabeça latejava. Eu podia sentir os braços fortes de Edward ao meu redor enquanto ele cantarolava minha canção de ninar e depositava beijos pela minha testa.
Eu soltei um gemido tranquilo, derrotado. "Eu acho que ele se foi."
Calma, calma, lembrem-se que a Bronze garantiu gostar de finais felizes! Bem, acho que já estava mais do que claro que isso ia acontecer né? Mas ainda assim, confesso que foi duro traduzir, assim como imagino que deve ter sido duro para vocês lerem. E então, o que vocês acham que irá acontecer a partir desse momento? Quero muito ouvir vocês, saber o que estão pensando. Que tal uma review me contando tudo?
Falando em reviews, vamos às respostas de quem não é cadastrado no site:
Yara: oi flor! Nem fala em chorar, eu me acabo com esse capítulo! Mas, por mais triste que seja, os dois chegaram em um ponto onde retroceder um pouco se fazia necessário. Continuar insistindo seria a pior coisa a fazer. Vamos torcer para que esse tempo ajude os dois a colocarem as cabeças no lugar. Bjussss
Sayuri: oi flor! Vamos torcer para que sirva realmente para o Edward se dar conta de que ele precisa de ajuda! Bjussss
ana alice matos: Oi flor, brigadinha pelos elogios à tradução! Como eu costumo dizer, o trabalho fica fácil quando a escritora é fera também! E você tem razão, por mais problemáticos que os Edwards da Bronze sejam, é impossível não se apaixonar perdidamente por eles! Mas isso não impede que eu queira esganar esse Ed aqui, de vez em quando rsrsrs É isso aí, vamos torcer para que tudo dê certo mesmo! Bjusss
Bem flores, é isso aí. Próximo capítulo estará on no dia 29. Beijinhos
