Snape foi levado pelo medibruxo para ver Melvina, sendo alertado de antemão que seria uma visita rápida e que ela estaria completamente sedada. O coração de Snape começou a acelerar desde o momento em que fora permitido de ver sua amada.
Ele deixou o quarto acompanhado de Arthus, vestia um abrigo de moletom do hospital e ainda assim sentia a frieza dos corredores de assoalho extremamente limpo e gelado. Durante o caminho, Snape queria perguntar mil coisas ao medibruxo, mas calou-se e tentou permanecer paciente. Quando ele estava quase se aproximando do quarto onde Melvina se recuperava, ele avistou Minerva McGonagall vindo a passos largos em sua direção, pelo longo corredor de paredes brancas. Ela caminhava rápido, as vestes esvoaçando atrás de si, tinha na face a expressão costumeira de quando ia dar alguma bronca nos seus alunos.
- Severus, você devia estar descansando. - ela falou exasperada.
- Sim, mas Doutor Arthus aqui me permitiu ver Melvina. - Minerva olhou de Snape para o medibruxo, que não sabia o que fazer.
- Severus, você não devia...- Minerva interrompeu-se e olhou na direção do medibruxo. - deixe-nos um pouco a sós, por favor?
O medibruxo assentiu com a cabeça, e caminhou para longe dos dois.
- Por que está tentando me impedir, Minerva? - Snape perguntou com a voz calma, mas deixando transparecer toda a sua ansiedade.
- Severus, eu...- ela desviou o olhar por alguns instantes e voltou a encarar Snape fixamente. - eu quero protegê-lo.
Snape respirou fundo e fechou os olhos, não aguentava mais ficar às escuras do que havia acontecido. Minerva segurou no braço dele e continuou:
- Melvina está se recuperando de acontecimentos muito traumáticos e acho que seria melhor para você se esperasse um pouco para digerir tudo o que aconteceu. - ela disse receosa.
- O problema é que eu não sei nada do que aconteceu, Minerva. - Snape falou com a voz muito baixa, como se estivesse se esforçando para proferir as palavras.
- Vamos voltar para o seu quarto e podemos conversar melhor. - Minerva disse numa tentativa de puxá-lo pelo corredor.
- Não, Minerva, você me conhece muito bem. - Snape suspirou alto e continuou: - Diga-me o que aconteceu com Melvina e então eu irei vê-la. Se ela está realmente mal, é o momento que mais precisa de mim e eu não vou poupar meus sentimentos descansando em um quarto no mesmo corredor.
Minerva percebeu que, como quase sempre que tentou convencer Snape de algo, havia perdido o embate.
- Certo, - ela começou a falar devagar, se aproximou de Snape e dando-lhe um leve aperto no ombro direito. - como eu disse, Ponfrey conversou com Melvina no pouco em que ela esteve consciente.
Ela parou por alguns instantes e Snape apenas acenou com a cabeça para que continuasse a falar.
- Melvina foi torturada, por bastante tempo, ela mesma disse. E disse que a maioria dos ferimentos foi de quando ela conseguiu se livrar dos Comensais. - Minerva podia perceber o ódio exalando dos olhos de Snape. - Bom, isso foi tudo que ela disse, mas...
Minerva estava emocionada e engoliu em seco.
- Mas? - perguntou Snape um pouco impaciente.
- Mas... além de todos os vestígios físicos de tortura, ela também... - Minerva respirou fundo. - ela foi abusada sexualmente, Severus... Além de toda a tortura, mental e física, e os ferimentos da fuga. - Minerva continuou a falar enquanto Snape olhava fixamente para o nada, lágrimas escorrendo pelo seu rosto.
Minerva parou de falar e o abraçou, enquanto seu corpo permanecia imóvel. Ele ficou sem dizer nada, apenas chorando enquanto Minerva estava ali para ele. Quando ele falou, sua voz estava rouca:
- Eu preferiria estar morto para que ela pudesse ter sido poupada de todo esse sofrimento. - ele soluçou baixinho.
- Severus,- Minerva se recompôs e falou com a voz firme - você precisa ser forte. Você, mais do que ninguém, precisa estar forte para ajudar Melvina a se recuperar dessa experiência traumática.
Severus respirou fundo e endireitou um pouco sua postura curvada, sentindo uma fisgada forte no pescoço, que ignorou completamente.
- O quanto ela está machucada?
- Ela teve alguns ferimentos fundos no abdômen, do que parece ter sido um adaga ou faca...- Snape arregalou os olhos, alarmado - com sorte não atingiram nenhum órgão, mas os ferimentos nos músculos precisam ser bem cuidados.
Snape permaneceu em silêncio, meio atônito. Minerva realmente achava que ele precisava descansar e processar melhor o que havia acabado de ouvir.
- Eu acho que eu preciso vê-la,- por fim Snape disse.- mais do que nunca.
Minerva apontou em direção ao quarto que Melvina estava.
- Eu estarei aqui, se precisar de mim.
Snape apenas assentiu com a cabeça, segurou a mão na maçaneta por alguns segundo e entrou. Minerva ficou o observando com pesar, agora que ela via Snape com outros olhos, ela queria que ele tivesse toda a felicidade que ele pudesse ter.
Snape ficou parado por alguns segundos olhando para a mulher deitada na cama do hospital. Era dia, mas as cortinas mantinham o quarto escuro o suficiente para que se pudesse dormir, e, à exeção dos machucados, ela parecia dormir tranquilamente. Notou os inúmeros frascos de poções no criado mudo, incluindo a poção do Sono sem sonhos.
Ao se aproximar da cama, Snape foi se desesperando cada vez mais. Ela tinha a bochecha e a parte inferior do olho esquerdo roxos e alguns arranhões, quase cortes, do outro lado, ele esticou a mão e acariciou de leve o seu rosto. Descendo o carinho para seu pescoço, e então pelo braço descoberto sobre a manta que a cobria. A cada marca física da tortura e violência que ela sofreu, Snape mentalmente lhe pedia desculpas. Ao chegar com sua mão na mão dela, ele notou duas talas, no dedo indicador e no mindinho, e curativos nas suas pontas, onde ela teve as unhas arrancadas. Snape não aguentou, chorou alto, sentiu seu corpo mole e sem vida. Como alguém poderia ter feito essas coisas horríveis com ela? Ele evitava imaginar o que haviam feito com ela e o quanto sofrimento lhe foi causado. Snape se ajoelhou do lado da cama e, ignorando todas as dores vinda dos seus próprios machucados que era bem menor que a dor emocional que ele sentia, deitou a cabeça sobre a beirada da cama e chorou, chorou por Melvina e pela culpa de tudo que ele não pôde fazer por ela.
Snape soluçava enquanto murmurava desculpas, mesmo sabendo que Melvina não estava ouvindo. Depois de algum tempo, ele levantou a cabeça devagar, o pescoço latejando, e depositou leves beijos na mão enfaixada de Melvina que estava a seu alcance. Ficou de pé com algum esforço e continuou acariciando de leve os braços dela e o rosto. Desta vez, dizia palavras de conforto. Ouviu batidas na porta e sabia que seu tempo ali havia se esgotado. Mexeu no cabelo dela como despedida e disse:
- Por favor, fique bem, Mel.
Olhou-a mais um vez, enxugou as lágrimas do rosto e saiu do quarto.
Nota: Postei e saí correndo! Eu avisei que ia ser pesado, não? Devia ter avisado... Desculpem-me pelos meus atos trágicos nessa fanfic, eu prometo que sou uma pessoa legal! Bom, vai ter mais, digo, mais capítulos, talvez menos coisas tristes. Veremos. Vou ficar muito feliz se receber reviews, nem que seja pra me xingar! haha
Até o próximo capítulo!
