Capitulo 35

O Mercedes segue rapidamente pela marginal.

Uma tarde tranquila em que alguém encontrou uma nova liberdade: dar-se um tempo. Mas às vezes somos incapazes de aceitar um presente até de nós mesmos.

"Levo você de volta até a moto?"

"Nem falar. Esta tarde é nossa. E, além disso, estou trabalhando em novas ideias para a sua bala."

Edward olha para ela. Bella está com a janela aberta e o vento desarruma levemente os seus cabelos, secando-os aos poucos.

Tem uma folha de papel na mão e uma caneta na boca, que segura como se fosse um cigarro, enquanto busca sonhadora a ideia de sabe lá que grande publicidade.

"Ok"

Bella sorri para ele, em seguida escreve alguma coisa no papel.

Edward tenta espiar.

"Não olhe. Só vou dar quando estiver pronto..."

"Ok. O definitivo."

"O quê?"

"Assim se chama quando o serviço está concluído."

"Ok, então quer dizer que, quando for a hora, vou-lhe dar o definitivo."

"Sim, ótimo, quem dera que você encontrasse realmente uma boa ideia. Eu me poderia presentear com um monte de tempo!"

"Você vai ver como eu consigo, serei eu a musa inspiradora da propaganda da bala."

"Assim espero", e dizendo isso liga o pisca-pisca e sai em direção de Casilina.

"Ei, mas para onde estamos indo?"

"Para um lugar."

"Estou vendo...saímos da marginal."

"Preciso fazer uma coisa para um amigo."

"Aquele do telefonema de antes?"

"Sim."

"E do que se trata?"

"Mas quantas coisas você quer saber. Não se distraia. Pense na propaganda."

"Tem razão."

Bella volta a escrever alguma coisa no papel, enquanto Edward segue as indicações do navegador e pára um pouco depois numa pequena travessa da Casilina. Na beira da rua veem-se velhos carros enferrujados, alguns com os vidros quebrados, outros com os pneus furados. Há latões de lixo destruídos, algumas caixas de papelão abandonadas e sacos de plástico abertos e arranhados por algum gato magro que busca desesperadamente uma solução para aquela dieta forçada já há muito tempo.

"Pronto, cheguei."

Bella olha ao redor.

"Puxa, cada amigo, hein? O que eles têm a fazer num lugar como este?"

"É uma tarefa especial."

Bella olha para ele desconfiada.

"Olha que se os seus amigos guardas nos pegam de novo e nos prendem por posse de drogas, depois você vai ter de explicar aos meus pais que eu estava só acompanhando..."

"Mas que droga, que nada, imagine! É uma coisa que não tem nada a ver. Fique no carro e abaixe o pino quando eu descer, assim você fica trancada aí dentro."

Edward desce do carro e, indo em direção à porta, escuta o barulho do acionamento das travas. Sorri.

Depois, enquanto procura o nome no interfone, pensa em seus "amigos" policiais e no fato de que estavam para prendê-lo de verdade por posse de droga... Tudo por culpa daquele Soldini e da sua vontade de não ficar esquecido. E quem é que vai esquecer aquela noitada?

Sabe lá o que estarão fazendo no escritório. Espero que tenham alguma boa ideia. Mas, que bobagem! Não me preciso preocupar... Para isto sempre tem a Bella.

Em seguida, sorri preocupado. Espero. Finalmente, encontrar o que está procurando. Tony Costa. Terceiro andar. A porta está aberta. Edward entra e pega o elevador. Quando sai, vê uma porta com os dizeres sobre o vidro: "Tony Costa. Investigador particular". Exatamente como nos velhos filmes americanos. Naqueles filmes, quando alguém tocava a campainha, quase sempre atiravam ou era a própria porta que explodia. Mas ninguém se machucava.

Assim, um pouco mais tranquilo, toca a campainha. Um som antigo, alinhado com toda aquela podridão e o cheiro das escadas, o velho elevador e também os tapetinhos gastos por sabe lá quantos pés na tentativa de limpar-se antes de entrar. Edward espera diante da porta. Nada. Não ouve nada. Toca novamente. Finalmente, um barulho atrás da porta. Barulhos estranhos. Depois, uma voz profunda, quente, exatamente como a dos dubladores de Marlowe com Robert Mitchum ou O último boy scout com Bruce Willis.

"Um instante, é que...estou chegando."

A porta se abre, mas o que se apresenta não tem nada a ver com um daqueles atores. No máximo, parece-se com James Gandolfini, aquele de Os sopranos. E isso também o preocupa. É só um pouco mais baixo, mas igualmente largo. O tipo olha para ele com um olhar inquisidor.

"Então? O que é?"

"Procuro Tony Costa."

"Para quê?"

"É o senhor?"

"Depende."

Edward decide ceder.

"Eu preciso dele, sim, bem, queria-lhe entregar um caso."

"Então, sim, sou eu. Entre."

Tony Costa o deixa entrar. Em seguida, fecha a porta. Arruma melhor as calças caídas, põe até a camisa para dentro enquanto vai em direção da escrivaninha.

"Esta é Giuliana, a minha assistente."

Sem se voltar, Tony Costa aponta uma jovem que está no outro aposento, ela também se ajeitando um pouco.

"Olá."

"Boa tarde."

Giuliana se dirige à outra escrivaninha ali ao lado, mas, antes, fecha a porta do aposento. Mas não tão depressa a ponto de impedir que Edward observe que aquele é mesmo um dormitório.

Tony Costa se assenta e aponta uma cadeira na frente da escrivaninha.

"Por favor, sente-se."

Edward se acomoda diante do outro, enquanto Giuliana passa por trás e senta-se à mesa à sua direita.

Edward percebe que Tony Costa tem uma grande aliança no dedo, robusta, larga. Brilha alquebrada pelo tempo entre aqueles dedos gordos.

Enquanto Giuliana, que está arrumando alguns papéis, só tem um pequeno anel na mão direita.

Quem sabe. Talvez ele tenha interrompido alguma coisa entre chefe e secretária. Mas uma coisa é certa: alguém treinado como Tony Costa certamente não se deixa flagrar por ninguém, e, a ele, o que estava acontecendo lá dentro de fato não interessa nem um pouco. Olha para o investigador.

"Quer tomar alguma coisa? Um gole deste?"

Tony ergue uma garrafa de Beltè que está sobre a mesa, já pela metade.

"Porém está quente, a geladeira quebrou."

"Não, obrigado."

"Como queira."

Tony Costa serve-se um pouco.

"Aproveitando, Giuliana, anote: geladeira para consertar."

Sorri para Edward.

"Viu? Já serviu para alguma coisa, lembrou-me as coisas que temos de fazer."

Depois dá uma golada no copo de chá, bebendo até o fim.

"Ahhh. Mesmo quente é sempre gostoso. Então, o que podemos fazer pelo senhor? Senhor?..."

"Edward, bem, Edward Cullen. Não é para mim, é para um amigo meu."

"Claro, claro, um amigo seu."

Tony Costa olha para Giuliana e sorri.

"O mundo é feito de amigos que sempre fazem serviços para outros amigos... Então, do que se trata? Documentos do escritório, cheques sem fundos, traições..."

"Uma hipótese de traição."

"De parte da esposa desse seu amigo, correto?"

"Exato. Eu não acredito que ela o esteja traindo."

"E então o que veio fazer aqui, desculpe, jogar fora o seu dinheiro?"

"O dinheiro, talvez, do meu amigo."

"Ouça, eu não vou dizer a ninguém que o senhor veio aqui. Será um segredo. É contra o meu interesse, porque, se quer que eu siga essa mulher, eu seria realmente um péssimo detetive se não percebesse que o senhor é o marido... Correto?"

"Correto. Mas eu não sou o marido. O marido é o meu amigo. Eu sou amigo dele e da esposa dele."

"Ah, o senhor é o amigo da esposa."

"Sim, mas não sou o amigo nesse sentido, sou amigo, amigo. É por isso que tenho a certeza de que ela não tem outro, mas o meu amigo está obcecado, está paranóico."

"O ciúme apaga o amor como as cinzas apagam o fogo, dizia Ninon de Lenclos."

Edward não acredita no que ouve. Diabos. Caius citou a mesma coisa.

"Sim, talvez seja isso, de qualquer maneira, agora estou aqui e preciso continuar..."

"Como desejar. Agora as coisas estão mais claras. Giuliana está anotando?"

Giuliana levanta o papel.

"Por enquanto escrevi só Edward Cullen, que é amigo dos dois."

"Sim..." diz Tony Costa e depois serve-se de mais um Beltè.

"Então, necessito do endereço da senhora a ser seguida. Tem filhos?"

"Não."

"Ótimo, melhor..." ~

"Por quê?"

"Não gosto de estragar um casamento quando há filhos no meio."

"Mas talvez não precise estragá-lo."

"Ah, sim, claro... Vamos ver."

Tony Costa pega uma folha de papel e o dá para Edward.

"Enquanto isso escreva o nome, sobrenome e endereço da pessoa a ser seguida."

Edward pega a folha de papel e aponta uma caneta num porta-lápis.

"Posso?"

"Claro, faça o favor."

Edward escreve rapidamente alguma coisa sobre o papel.

"Pronto, este é o nome da senhora, este do marido e onde moram."

Tony Costa examina a letra.

"Perfeito. Dá para ler. Agora eu queria mil e quinhentos euros para começar a trabalhar de imediato."

"Ok, aqui estão."

Edward abre a carteira, tira três notas de quinhentos euros e as coloca sobre a mesa.

"A outra metade me vai dar quando eu lhe entregar as provas daquilo que o marido suspeita."

"Certo...ou talvez não me poderá entregar nada."

"Sim, mas também nesse caso o senhor vai pagar. A verdade é a verdade e quando se encontra se paga."

"Muito bem."

Edward pega um cartão de visita da sua carteira e o entrega. Apoia o indicador sobre um ponto.

"Eu gostaria que o senhor me procurasse neste número."

"Claro, como quiser."

Tony Costa pega a caneta e faz um círculo ao redor do número apontado por Edward. O de seu celular.

Edward se dirige para a saída.

"Quando vamos nos falar?"

"Eu ligo assim que tiver alguma coisa para mostrar."

"Sim, mas mais ou menos, sabe, só para dizer ao meu amigo."

"Bem, acredito que daqui a umas duas semanas tudo deverá estar mais claro...a verdade é a verdade, não requer muito."

"Muito bem, obrigado. Então a gente se fala."

Edward sai.

Giuliana alcança Tony Costa. Ficam assim, no meio daquele escritório com poucas luzes, sobre o velho tapete bordo gasto, com a planta de folhas pouco amareladas no canto e o grande mapa da cidade de Roma preso na praia por trás de um vidro lascado numa quina.

Edward se despede mais uma vez.

Em seguida, fecha a porta do elevador. Aperta o botão T. O elevador desce bem quando Tony Costa fecha a sua porta de vidro.

Edward imagina o detetive e a sua assistente. Voltarão às suas pesquisas de prazer, antes de se ocupar daquelas de Camilla.

Camilla. A esposa de seu amigo Caius.

Fui testemunha daquele casamento, pensa Edward, e hoje de tarde fui testemunha do fato de que daqui a pouco alguém irá segui-la sem ela saber.

Edward olha para o relógio. Tudo se desenrolou durante dez minutos. Fecha o elevador e sai pelo portão. São necessários só dez minutos para arruinar a vida de uma pessoa. Bem. Se uma pessoa quer arruiná-la.

Edward decide não pensar mais nisso e vai em direção ao carro.

Bella o vê, sorri e destranca as portas do Mercedes.

"Puxa, estava na hora! Você não sabe as ideias que eu tive!"

Edward entra no carro e arranca.

"Conte, então."

"Não...ainda não tenho as ideias claras."

"Mas como, você teve um monte, mas confusas?"

"Ufa!...não encha. Quando chegar à hora eu conto."

Bella coloca os pés sobre o painel. Mas é suficiente que Edward olhe para ela um instante e rapidamente Bella os retira.

"Ok. Mas vamos fazer assim: se você gostar da minha ideia, isto é, se ao final você utilizar a minha ideia, então nós vamos andar o dia inteiro no seu carro com os meus pés sobre o painel, ok? E então, negócio fechado?"

"Ok."

"Não, prometa."

"O quê?"

"Aquilo que acabei de dizer..."

"Mas nada, além disso, hein? Ok. Eu quero saber bem o que estou prometendo. Porque, quando eu prometo, eu gosto de cumprir... Ok?"

"Ok. Mas você é difícil, não?"

"Não, é questão de querer cumprir."

"Ok, então só um dia com os pés no painel."

"Então está bem..."

Edward sorri.

"Prometido."

Bella estende a mão para ele. Edward a aperta.

"Então, o que você fez lá em cima?"

"Nada, eu já falei, uma coisa para um amigo meu."

Bella junta os cabelos e enfia a caneta dentro, segurando-os assim.

"O seu amigo quer saber se a mulher o está traindo."

Edward olha para ela, admirado.

"Ora, como você sabe..."

"Estava escrito 'Tony Costa. Investigador particular' no interfone. Não foi tão difícil..."

"Eu disse para ficar dentro do carro."

"E eu havia pedido para contar o que estava fazendo."

Edward continua a guiar.

"Bem, não quero falar desse assunto."

"Ok, então eu vou falar. Mas o que é pior do que querer saber uma coisa que o outro não quer contar? Por exemplo: você disse que se separou da namorada, não é?"

"Também não quero falar desse assunto."

"Ok, então eu vou falar disso também. Você, por exemplo. Gostaria de saber se ela o traiu?"

Edward pensa: mas o que está acontecendo? Agora todos estão fixados com a minha história?

Mas Bella o atropela novamente.

"Não é pior? Isto é, talvez tenha sido uma história bonita, que necessidade há-de ficar mal? Isto é, eu, por exemplo, deixei o meu namorado, não é? E então, o que passou, passou. Chega, não tem mais nada para saber. Foi bom. Mas foi…não é mais fácil assim? Mas talvez saber que ela o traiu faz que você se sinta melhor. Mas para quê? O que você quer, uma justificação para estar melhor? Necessita de um outro no meio para ficar sem ela? Eu acredito que é importante o que se experimenta. Claro, se não acabou para você...aí é outra história. Então você tem vontade de ficar mal..."

Bella olha para ele, curiosa.

"Então?"

"Então o quê?"

"Bem, sim, afinal, você ainda está mal?"

Justo naquele instante, toca o celular de Edward.

Edward pega-o e olha o display.

"É do escritório."

"Ufa. Mas esse escritório está sempre salvando você! Mas como é..."

"Alô?"

"Alô, Edward..."

Edward tampa o microfone com a mão e, dirigindo-se a Bella:

"É o meu chefe".

Bella olha para ele como quem diz:

"E eu, o que posso fazer?"

"Sim, Leo, diga."

"Onde você está?"

"Circulando. Estou colhendo alguns dados."

"Muito bem, eu gosto disso. O produto é para as pessoas, e é entre as pessoas que precisamos procurar... Você teve alguma boa ideia?"

"Estou trabalhando nisso. Sim. Tomei algumas notas."

"Ah..."

Silêncio do outro lado.

"Alô, Leo?"

"Sim, desculpe. Não deveria contar a você. Bem, Mike e a sua equipe me apresentaram um projeto."

Novamente silêncio.

Edward engole em seco.

"Sim?"

"Sim."

"E como é?"

Silêncio, mais curto dessa vez.

"Bom."

"Ah, bom?"

"Sim. Bom...mas clássico. Sim, quer dizer, de um rapaz como ele eu esperava alguma coisa melhor, isto é, não sei como dizer...mais forte. Quer dizer, não mais forte, não conservador, assim, sei lá, revolucionário. Sim, isto é, não revolucionário novo. Isto, novo... Novo e surpreendente."

"Novo e surpreendente. É justamente nisto que estou trabalhando."

"Eu sabia. Eu sabia, nada a fazer. No final, o mais revolucionário é sempre você. Isto é...você é sempre novo e surpreendente."

"Sim. Espero."

"Como, espero?"

"Não, eu queria dizer, espero que você goste."

"Eu também espero... Escute, amanhã de manhã eu tenho uma reunião, mas à tarde você me consegue mostrar alguma coisa?"

"Bem, sim, acho que sim."

"Ok, então às quatro no meu escritório. Tchau, um abraço. Continue andando no meio das pessoas. Me agrada esse seu novo jeito de fazer pesquisas. Novo e surpreendente. Circulando...sim, nada a fazer, do seu jeito você é realmente revolucionário."

E desliga.

"Alô... Leo..."

Edward olha para Bella.

"Ele desligou."

"Bem, agora me parece mais fácil."

"Como é?"

"Precisamos só encontrar uma ideia nova e surpreendente."

"Ah, claro, fácil."

"Bem, ao menos as ideias estão muito mais claras. Você verá que amanhã, antes das quatro horas, eu vou-lhe dar uma das minhas ideias novas e surpreendentes."

Edward pega novamente o celular e disca o número.

"O que está fazendo, está chamando ele de novo? Vai mudar a reunião? Olhe que eu até as quatro consigo certamente..."

"Não... Alô, Andrea?"

"Sim, chefe, que prazer ouvi-lo. Como vão as coisas?"

"Péssimas."

"Por quê, ainda tem trânsito?"

"Não, amanhã tenho uma reunião com Leo, à tarde. Tenho que apresentar um projeto."

"Mas ainda não estamos prontos! O que podemos fazer?"

"Não sei. Certamente precisamos encontrar uma ideia nova e surpreendente."

"Sim, chefe."

"E depois você pode fazer mais uma coisa."

"Diga, chefe."

"Pegue já aquele atalho!"

"Ótimo, não esperava outra coisa!"

Edward desliga.

"Mas o que é aquele atalho?"

"Ah, nada."

"Mas por que você responde sempre 'Ah, nada'? É pior do que quando eu era pequena e me diziam 'Isto é coisa para adultos'."

"Ah, nada... Isto é coisa para adultos."

"Quando você faz assim, eu realmente não o suporto. Vamos, saia daí, me deixe guiar..."

"O quê?"

Bella quase sobe em cima dele.

"Mas o quê, enlouqueceu? Já tivemos um acidente, vamos pelo menos esperar pelos seus dezoito anos para os outros!"

"Nem falar... E, além disso, por que você me precisa desejar azar? Por que inevitavelmente eu tenho que ter um acidente?"

"Bem, existem boas possibilidades..."

"Não...saia daí, vá!"

"Não."

"Desculpe, você não viu como eu me saí bem com os dois guardas? Eu os convenci...vá! Só um pedacinho do caminho... Quem sabe enquanto dirijo eu tenho alguma outra bela ideia para as suas balas."

"Não são minhas."

"Pare, não encha..."

Bella quase sobe em cima dele.

"Vá, desça!"

"Mas se você disse que este carro não lhe agradava porque tem o câmbio automatico."

"Sim, já pensei nisso, este carro é tão grande que, se eu conseguir manobrar e pegar o jeito dele, então serei capaz de dirigir qualquer um!"

Edward sai de debaixo de Bella e desce do carro.

"O problema é se não conseguir com este carro..."

Bella coloca o cinto, enquanto Edward dá a volta.

"Entenda, depois do acidente que você teve, por sua culpa, o carro terá que ser levado para o funileiro, não? E então, um amassado a mais ou a menos..."

Edward sobe e coloca o cinto.

"Melhor um amassado a menos."

Bella sorri, e começa a mexer no navegador.

"O que você está fazendo?"

"Vou testar esse troço, já que nunca terei um no meu carro. Os meus pais vão dar um básico. Como se tira o som?"

"O som?"

"Sim, aquele que fala como Star Trek e diz trezentos metros virar à direita."

"Ah, assim."

Edward aperta uma tecla no monitor e aparece "no áudio".

"Muito bem."

Bella começa a programar o navegador, em seguida percebe que Edward a está observando.

"Não olhe pra mim!"

"Ok…", Edward vira para o outro lado, "…mas aonde você quer ir?"

"Você vai descobrir. Pronto."

"Saia devagar. Cuidado."

Mas Bella não lhe dá atenção e aciona o acelerador, saltando para a frente.

"Bem, eu havia dito devagar."

"É, pra mim isso é devagar."

Edward sacode a cabeça.

"Rendo-me."

Bella sorri e começa a dirigir. Desta vez lentamente. Passa no meio dos carros, dá o sinal, vira. De vez em quando, Edward a ajuda, pega a direção e corrige a curva.

"Você sabe que é melhor do que todos os meus amigos instrutores?"

"Mas como? Você não aprende com o seu pai?"

"Meu pai não tem tempo."

Edward olha para ela. Sorri. Que curioso.

"Meu pai divertia-se quando me ensinava a dirigir."

"De fato, ele lhe transmitiu certa calma, paciência e tranquilidade."

"Eu quero encontrar tempo para ensinar os meus filhos a dirigir..."

Bella olha para ele e ergue os ombros.

"Claro, e enquanto isso você o encontrou para mim. E isto é bom..."

Em seguida, Bella sorri.

"E eu, de minha parte, mantenho você em forma para quando chegarem os seus filhos."

"Ah, claro."

Edward olha para ela. Depois pensa consigo. Sim...mas sabe-se lá quando. Eu gostaria de ter um menino. É simples... Só me falta a pessoa com quem fazê-lo. Tanya foi embora.

É tomado por uma certa tristeza. E estou aqui com uma que é como se fosse uma criança crescida e que, além do mais, me obrigou a adotá-la. Sei lá!

Bella dá o sinal e estaciona.

"O que você está fazendo? Não vamos continuar a aula?"

"Não, chegamos."

Bella solta o cinto e desce.

"Mas onde?"

Edward também desce do carro.

"Você tem outra competição?"

"Não, são oito e meia e estou com fome. Espere que vou avisar em casa."

Disca rapidamente um número.

"Alô, mamãe... Sim fiquei estudando na casa de uma amiga... Eu sei. Ela estava um pouco abatida e lhe fiz companhia... Não. Não, você não a conhece."

Bella sorri para Edward.

"Agora vamos comer alguma coisa... Sim, se você me procurar, o celular não pega, estamos no Zen Sushi em via Scipioni... Sim... É. Ligue para as Páginas Amarelas, você vai encontrá-lo, ou então você passa por aqui, se for urgente. Não. Viemos aqui para comer, ela estava com fome, insistiu... Decidiu que é ela quem paga. Sim. Não, é ela que quer pagar. É o jeito dela! Não, você não conhece, mas logo vou apresentá-la. Ok, sim. Vamos estudar mais um pouco e depois volto pra casa, volto logo, sim. Prometido. Não, prometido, logo, sério. Tchau, um beijo e um abraço para o papai."

Bella desliga o telefone.

"Eu disse que você paga, assim ela acredita que estou com uma amiga que está realmente mal e que me obriga a ir jantar com ela, e eu lhe dei o endereço do restaurante para que ela fique tranquila sabe..."

"Ah, entendi, e em vez disso?"

"Em vez disso é igual, você paga e espero que se divirta. Desculpe, viu? Mas eu não lhe vou entregar o logo já desenhado e a ideia para a campanha de graça."

Bem naquele instante toca de novo o celular de Bella.

"Droga, aqui tem cobertura... E agora, quem é?"

Decide atender.

"Alô."

"Oi, mas onde você está?"

Bella se volta para Edward.

"É a Alice. Diabos, eu tinha que ter ligado pra ela..."

"Nós estamos na esplanada para o BBC. Você disse que hoje viria...e talvez até participasse."

"Eu menti..."

"Está bem, mas venha do mesmo jeito!"

"Mas sério, vocês estão aí?"

"Sim!"

"Hoje também? Mas não se enchem?"

"Não, não é chato. É genial, o seu ex está aqui e está aprontando. Está meio bêbado e procurando por você como um louco. Perguntou como é que você não está aqui com as Ondas!"

"Por que eu estou aqui com um fofo..."

"O quê? Quem é? Conte agora e já, tudo!"

Depois Alice sorri do outro lado do celular.

"Ah, entendi... Não é verdade, você está mentindo, não é?"

"Não, você sabe que eu não falo mentiras."

"E se o Fábio te pega?"

"Pouco me importa, nos deixamos exatamente porque ele não me deixava sair nem com vocês. E então? Eu me deveria preocupar justo agora que não estamos mais juntos? Nem pensar. Olhe, Alice, agora eu vou desligar. Diga ao Fábio que eu ia dormir, mesmo porque ele não tem coragem de ligar para a minha casa, e amanhã eu lhe conto tudo..."

"Não, não, espere, espere, Bella, espere..."

Tarde demais. Bella desligou.

Olha para Edward, que ainda está arrasado.

"Eu desliguei o meu. Por que você não desliga o seu? Assim nos presenteamos com uma noitada tranquila para terminar bem esta jornada."

Bella sorri e entra primeiro no local.

Edward pega o seu celular. Observa-o por um instante. Decide não esperar, ao menos essa noite, o eventual telefonema de Tanya. Essa idéia lhe dá certo prazer. Desliga o aparelho e, satisfeito, guarda-o no bolso. E entra com uma estranha sensação de nova liberdade no restaurante.

Pouco depois, os dois estão comendo. Rindo. Brincando, como um dentre os inúmeros casais felizes por estarem juntos, aqueles que sonham, que ainda têm tudo a descobrir, os que têm um pouco de medo e um pouco não... Como aquela sensação estranha que se experimenta quando estamos na praia e está quente. De repente, temos vontade de tomar banho. Então nos levantamos da toalha. Aproximamo-nos da água. Entramos na água. Mas a água está fria. Às vezes muito fria. Então há os que desistem de tudo e voltam para se deitar, sofrendo com o calor. Há os que se atiram. E só estes últimos, depois de algumas braçadas, conseguem saborear até o fim aquele sabor único e um pouco tonto de liberdade total, até de si mesmos.

Notas Finais:

Então que dizem?

Estes dois passam imenso tempo juntos…

Beijos.