Capítulo 36

Acordei com alguém batendo na porta de leve.

— Edward? Já acordou? – ouvi a voz de Esme chamando. Fiquei tensa. O que ela ia pensar de mim, dormindo no quarto do filho dela? Ronronei sonolentamente e me aconcheguei mais a ele, fingindo que não tinha acordado.

O sujeito da questão resmungou antes de falar numa altura audível.

— Ainda estou acordando, mãe. – fez ele, em uma voz muito rouca. Se eu estivesse menos apavorada, teria rido dele. Então, sem nenhum aviso, ouvi a porta sendo aberta.

— Já é tarde, Edward, nós vamos fazer compras hoje, lembra? – cobrou, falando alto e com um tom tão maternal que fez meus olhos encherem de água. – Além do mais, você... – a voz dela sumiu. – Oh.

— Shhhhhh... – ele reclamou para a mãe, ainda soando sonolento. – Ela tá dormindo.

— Huumm... – murmurou Esme. Eu não podia ver o rosto dela, e fiquei curiosa para saber se ela estava brava. – Achei que vocês eram amigos?

— Mãe, eu ainda nem consegui abrir os olhos, me dê quinze minutos, ok? – falou, rolando para fora da cama e a guiando para fora do quarto. – Até daqui a pouco.

Com um click baixo, a porta foi fechada. Ouvi uma risada divertida de Esme soando enquanto ela saía do corredor.

— Okay, e agora você pode parar de fingir que está dormindo. – fez Edward, rindo.

Suspirei e abri os olhos, só para ver que ele estava voltando para a cama, e não parecia inclinado a dormir. Beijando meu pescoço, ele se aconchegou ao meu lado. Eu suspirei, fechando os olhos.

— Bom dia. – murmurei. Ele arrastou sua língua quente pela minha pele e eu tremi.

— Acho melhor levantarmos antes que minha mãe volte. Seria constrangedor. – falou, rindo. Eu suspirei de novo. – Quer ir buscar uma roupa pra vestir enquanto eu arrumo a cama para nós tomarmos um banho juntos?

— Huuum, tentador. – respondi. Então respirei fundo. – Mas acho melhor não. Vou tomar um banho no outro quarto e você se arruma aqui. Nos encontramos daqui a pouco?

Ele gemeu e rolou para o lado.

— Estraga prazeres. – resmungou, e eu ri, me inclinando para dar um beijo leve nele antes de sair dali na ponta dos pés e ir para o quarto que eu deveria ter passado a noite.

Só para dar de cara com Esme arrumando minha cama. Maldita sorte.

— Hã... humm... Nossa, não precisava. – falei, constrangida, e só então ela me notou no quarto, me dando um sorriso de quem sabe das coisas. Corei forte, mordendo o lábio timidamente.

— Imagina, é ótimo ter algo pra fazer. – respondeu, sorrindo carinhosamente. Novamente, ela estava falando com aquele tom maternal. Forcei um sorriso para ela, mas acho que saiu mais como uma careta.

— Se você quiser conversar, sou toda ouvidos. – sugeriu. Eu suspirei e balancei a cabeça. Eu não achava que fosse conseguir aturar o jeito carinhoso dela, que só me lembrava o quanto eu nunca teria isso para mim. Passei a mão pelo rosto, respirando fundo.

— Não é nada, é só... Nada. – fiz eu, dando de ombros. Ela me lançou um olhar preocupado, provavelmente notando meus olhos cheios d'água. Forcei uma risada. – Eu sou uma boba, não é nada demais. Vou... hum, tomar um banho rápido.

E fugi para o banheiro. Meu Deus, o que tem de errado comigo?

Peguei minha nécessaire que já estava no banheiro e alcancei minha cartela de pílula. Gemi. Faltava um comprimido para acabar. Sim, definitivamente TPM.

Tomei uma chuveirada rápida e saí de toalha para o quarto, espiando para ver se Esme ainda estava ali. Ela não estava, mas para minha surpresa, o filho dela estava sentado na minha cama, brincando com meu sutiã distraidamente.

— Hey! – falei, cruzando os braços por cima da toalha. Ele nem teve a decência de parecer envergonhado quando sorriu e me deu oi. – Mexeu na minha mala?

— Sim. Queria ver se você trouxe alguma coisa interessante pra mim.

Congelei. Será que ele tinha encontrado o presente que eu comprei?

— Hey, calma. Eu só mexi na parte das roupas íntimas. Seja lá o quê te fez ficar pálida só de pensar que eu encontrei, eu não achei. – falou rapidamente. Eu respirei aliviada. – Mas só por curiosidade, o que tem de secreto na sua mala?

— Deixa eu me trocar, vai. – reclamei, revirando os olhos para ele.

— Minha mãe disse que você parecia triste... Me obrigou a vir aqui garantir pra você que ela não se importou de nos ver juntos. – fez ele, sorrindo docemente para mim. Eu suspirei e sentei no colo dele, apoiando a cabeça em seu ombro.

— Sua mãe é tão fofa. Me dá vontade de chorar. – confessei. Ele acariciou meu cabelo e beijou minha testa.

— Não fique assim. Ela pode ser sua mãe também. É sério, se você der uma brecha, ela vai estar te ligando pra perguntar se você jantou direitinho. – fez ele, sorrindo.

Levantei uma sobrancelha.

— Nós seríamos irmãos. – apontei, e ele fez uma careta. Mas então seu rosto se iluminou.

— Bem, ela pode ser sua sogra. Sabe como é, mãe segundo a lei. – sorriu animadamente. O encarei, tentando segurar uma risada.

— Isso é o mais perto de um pedido de namoro que eu vou conseguir, não é? – Perguntei. Ele deu de ombros com um sorriso.

— Sim. Você sabe que eu sou ruim com essas coisas. – deu de ombros novamente. Suspirei.

— Tudo bem, eu aceito tê-la como sogra. Agora eu posso me vestir?

— Na verdade, não. Tá ótimo assim. – garantiu, sorrindo ainda mais. Ele me beijou lentamente e sua mão começou a subir em direção ao meio das minhas pernas.

Eu virei o rosto e coloquei minha mão em cima da dele.

— Não. – pedi baixinho. Eu quase podia ouvir a confusão em sua mente. – Eu não quero que seja assim. Não quero que seja só sobre isso.

Ele depositou um beijo casto em meu pescoço.

— Nunca foi só sobre isso. – sussurrou. E então suspirou. – Mas eu entendi o que quer dizer. Você quer ir devagar?

Assenti, tímida. Ele beijou minha bochecha.

— Eu vou esperar a hora certa, então. – prometeu, solene. Apertei meus braços em volta dele e ele acariciou meu pescoço levemente com seu nariz. – Provocar pode? – brincou, e eu fui obrigada a rir.

— Cala a boca. – revirei os olhos, saindo do colo dele e o empurrando para fora do quarto. – Me espera no seu quarto, eu não quero descer sozinha, tá?

Me vesti e fui até o quarto de Edward. Ele me esperava, quase quicando na cama que havíamos passado a noite, e eu corei por lembrar de Esme nos encontrando juntos.

— Tem certeza que sua mãe não está me odiando? Quer dizer, ela nos viu juntos e acho que nós deixamos claro até demais que não havia nada entre nós. – murmurei, sem graça.

— Relaxa, Bella. Minha mãe não é nem um pouco o tipo conservadora. – garantiu, e eu suspirei.

— Certeza? Eu não sei se aguento ouvi-la me mandando ir embora da casa dela e dizer que nunca me quis aqui. – falei, e antes que eu percebesse, uma lágrima escapou dos meus olhos. A sequei rapidamente, mas não rápido o suficiente.

— Não fica assim. Minha mãe nunca faria isso. – sussurrou, tocando meu rosto. Respirei fundo e tentei me acalmar.

— Okay. Vamos descer que eu estou com fome. – reclamei, rindo baixo.

Ele pegou minha mão e descemos juntos sorrindo cheios de cumplicidade. Quando chegamos à mesa, Esme, Carlisle, Rosalie e Emmett estavam sentados tentando tão forçadamente parecer casuais, que era simplesmente ridículo.

— Meu Deus, mãe, você não é capaz de segurar a língua, hein? – brincou Edward.

— Não é como se vocês também tivessem entrado aqui tentando disfarçar, não é mesmo? – pontuou Carlisle.

Encarei Emmett e Rosalie, sem saber o que esperar da reação de nenhum dos dois. Eles pareciam alheios ao drama que se passava dentro de mim, ou assim eu pensava... até que senti um cutucão e percebi que Rosalie me entregava o celular dela por baixo da mesa. Ela tinha escrito uma nova mensagem:

"Conheço uma pixie que vai surtar".

Gemi, balançando a cabeça pra mim mesma. A mesa ficou silenciosa e eu levantei o rosto, percebendo olhares sobre mim. Oh, Deus. Por que eu tinha gemido?! Rosalie tinha um sorriso disfarçado na boca, sabendo do meu futuro sofrimento.

— Hm, desculpe. – murmurei, pigarreando. Para minha sorte, Esme começou a falar e um diálogo logo se estabeleceu.

xXx EPOV xXx

— Que porra?! – soltou Emmett, assim que estávamos sozinhos.

Sim, eu sou um filho da puta. Eu tinha acalmado Bella dizendo que eu ia conversar com ele, mas me acovardei e o deixei descobrir. Era uma coisa boa que eu o conhecia o suficiente para saber que ele não iria ser um babaca sobre isso – pelo menos não na frente de ninguém. Ajudava um pouco o fato de que Esme tinha ligado pra ele e falado tudo sobre minha amiga que estava visitando... tudo exceto o nome dela, é claro.

— Não é o que você está pensando. – falei, embora fosse exatamente o que ele estava pensando.

— Então você não está dormindo com uma aluna menor de idade? – desafiou. Dei de ombros.

— Não estamos transando... Não recentemente. – acrescentei depois de notar seu olhar de raiva.

— Mas que porra é essa então, Ed? Se não está transando com ela, o que está fazendo?

Respirei fundo.

— Eu gosto dela.

— Eu sei disso.

— E ela gosta de mim. – finalizei, dando de ombros.

— Simples assim? – fez ele, irônico. Eu sorri involuntariamente.

— Simples assim.

Ele me encarou, analisando-me por vários segundos. Por um momento, achei que ele fosse me empurrar na parede e socar minha cara, mas aparentemente ele já tinha superado a fase de me bater por me aproveitar da menininha inocente que ele conhecia.

— Legal. – comentou, se rendendo. Depois disso, nós só podíamos rir.

xXx

Quando a noite chegou e todos foram dormir, eu me debati sobre ir até Bella. Eu não tinha certeza como ela interpretaria aquilo e não pretendia pressioná-la: ela queria ir devagar, nós iríamos devagar. Aproveitei o tempo livre para ler alguns artigos que eu estava enrolando demais para analisar. Consegui terminar um, e quando percebi já passava das duas da manhã. Dizendo pra mim mesmo que se a luz dela estivesse apagada eu iria voltar para meu quarto dormir, andei na ponta dos pés até minha porta e a abri silenciosamente.

— Olá, você. – fez Bella, rindo. Eu tinha levado um susto tão grande ao encontra-la da minha frente que dei um passo pra trás. Vendo o espaço, ela simplesmente entrou, fechando a porta atrás de si. – Indo pra algum lugar?

— Eu- eu ia ver se você estava dormindo. – admiti, rindo baixo.

— Não estou ainda, mas estou caindo de sono. Vim mesmo pra te falar boa noite. – avisou, sorrindo devagar.

Peguei a mão dela e a puxei para minha cama, indo me deitar e incentivando-a a fazer o mesmo.

— Dormiremos, então. – concordei, me aconchegando ao pequeno corpo dela.

Seu suspiro soou alto no quarto silencioso.

— Boa noite, Edward. – sussurrou, fechando os olhos.

— Boa noite, minha pequena. Durma bem.

— Impossível não dormir bem com você aqui. – murmurou, suspirando de novo.

Sorri e beijei sua testa carinhosamente, trazendo-a impossivelmente para mais perto de mim. Sua respiração se estabilizou, eu sabia que ela estava dormindo, mas ela ainda estava sorrindo de leve.

— Eu amo você, pequena.

Congelei quando ela se mexeu, mas ela apenas resmungou algo ininteligível e suspirou dormindo. Não tinha problema. Eu sabia que não importava que agora estávamos juntos de volta, ela ainda não estava pronta para ouvir isso. Eu ia esperar. Por ela, eu poderia esperar a vida toda.

xXx

Olá, olha quem tá aqui? Hehe. Sim, Jenny from the block!

Duas coisas bem bobas mas que eu quero dizer: Não vou mais colocar títulos nos capítulos e nem músicas neles. Por que? Simples: Isso me consome MUITO tempo. Esse capítulo está pronto desde quinta-feira, e até o presente momento eu estava tentando achar uma música que se encaixe e um nome bom; não consegui nenhum dos dois e decidi postar mesmo assim.

Capítulo menorzinho, porém tá aí. O próxima vai ser um pouco mais emocionante, promise! Teremos a reação da Allie, possivelmente alguma ação beward (rawr!) e outras cositas mas.

Meu aniversário é quarta-feira (dia 3 de setembro), então por favor me amem com uma reviews bem fofa!

Respostas de quem tem conta, chequem suas mensagens que respondi por PM.

GENTE QUE NÃO TEM CONTA: POR FAVOR prestem atenção no nome de vocês. Tô recebendo várias reviews escrito "guest" (visitante) e sem nomes :( Assinem no final da review pra ver quem são vocês, por favor!

Guest Hahaha. Engraçada que essa é uma das poucas fics que eu gosto bastante do nome que eu criei, haha. Obrigada pelos elogios!

Guest Pode deixar que o Charlie não vai saber de nada. Esses dois vão virar mestres em se esconder! E por enquanto nada de declarações muito apaixonadas, eles tem umas coisas pra resolver ainda. Muito obrigada por considerar YG no seu top 10! É uma honra pra mim escrever algo que as pessoas gostam!

Kiaraa Obrigada pelo apoio! Essa crise me atingiu meio tarde né, mas veio hahaha. Obrigada pelos elogios também, linda! *-*

Guest Obrigada! *-* Será mais difícil pra eles esconder, sim, mas eles vão fazer o melhor. Quanto à outras pessoas, acho que eles ainda precisam conversar sério sobre isso.

Oi Oi! Haha; Obrigada!

Bah Kika Docinho! Calma que já te respondi, mas ainda tem um andamento bom na fic até o final. Hahaha. E a vida é difícil, senão não seria vida!

AVISO: Semana que vem estarei na casa da minha mãe, então é bem provável que eu não poste no sábado. Esperançosamente, pretendo voltar até dia 10, no máximo 13.

Beijos enormes pra vocês,

Jenny.