Annabeth's POV
Sai correndo pelos corredores da biblioteca, sem ligar para Percy, que gritava meu nome.
Ok, você não deve estar entendendo nada. Então... Vou voltar de onde possa entender.
*Flashback moden on*
Estávamos andando há alguns minutos pela enorme biblioteca, e eu não tinha ideia do tamanho de seus corredores, já que me pareciam infinitos, suas estantes chegam a 4 metros de altura. E mesmo que tivessem muitos livros em grego, existiam muitos outros em inglês, o que fazia com que seus títulos pulassem para fora das páginas e viessem em minha direção, mas eu não me importava, estava ótimo ficar naquele lugar imenso e cheio de livros. O estranho era que eu não sentia a típica paz que me invadia quando eu entrava numa biblioteca, ao contrário, eu estava mais atenta do que nunca, como se pressentisse que algo daria errado.
De qualquer forma, a cada passo que eu dava podia sentir meus olhos ficando mais pesados, e já iria sugerir para que fôssemos dormir, quando Percy se adiantou:
- É melhor irmos dormir, de manhã podemos vir aqui e...
Percy esbarrou em uma das estantes, fazendo com que um estrondo ecoasse pelo local, além de derrubar dezenas de livros no chão, é claro.
- Nossa Percy! Que bagunça! – disse enquanto me abaixava e o ajudava a pegar os livros caídos – Só você mesmo para esbarrar numa estante tão grande!
Comecei a olhar as capas de livros, e algumas de suas páginas. Alguns pareciam ser ótimas histórias, e tive que resistir ao impulso de ficar ali sentada enquanto os lia, outros pareciam terríveis, acho que isso acontece quando se tem todos os livros do mundo num mesmo lugar. Isso me fazia pensar... Como os livros iam parar lá? Era uma pergunta sem resposta.
Meus pensamentos foram interrompidos quando, ao fechar um dos livros, visualizei uma capa azul-marinho, o qual o título era: "Perseu Jackson".
Perseu Jackson? Será que aquela história de que cada pessoa tem um livro era... Não, não podia ser, senão a biblioteca não suportaria e...
Resolvi arriscar, abri o livro numa página qualquer, só poderia saber se era mesmo dele se o lesse.
Enquanto eu remexia no livro, os garotos falavam, mas eu não prestava atenção.
Abri numa página aleatória. O livro era do ponto de vista de Percy, como se ele estivesse narrando, seus pensamentos estavam ali, e pelo que podia perceber aquilo se passava antes de nossa batalha contra Cronos, e Percy estava com Rachel no carro do Sr. Blofis.
(N/A: recomendo que leiam a página número 12 do livro: O último Olimpiano, para que possam entender o que houve, para que possam comparar os dois textos. Compreenderam em breve...).
A página que em que eu abri o livro começava assim...
" — Um assunto que você quer falar comigo? — perguntei. — Quer dizer... é tão sério que precisamos ir a St. Thomas para conversar a respeito?
Ela franziu os lábios.
— Olhe, esqueça isso por ora. Vamos fingir que somos um casal de pessoas normais. Saímos para dar um passeio e estamos olhando o oceano, porque é legal ficar junto.
Eu podia ver que algo a incomodava, mas ela exibiu um sorriso corajoso. A luz do sol fazia seu cabelo parecer feito de fogo.
Havíamos passado um bocado de tempo juntos naquele verão.
Eu não havia exatamente planejado desse modo, porém, quanto mais séria a situação ficava no acampamento, mais eu tinha necessidade de ligar para Rachel e dar uma escapada, só para respirar um pouco. Precisava me lembrar de que o mundo mortal ainda estava lá, distante de todos os monstros que queriam me usar como saco de pancadas.
— O.k. — concordei. — Apenas uma tarde normal e duas pessoas normais.
Ela assentiu, e eu resolvi prosseguir.
- E Então... Se essas duas pessoas se gostassem, hipoteticamente é claro, o garoto poderia beijar a garota sem levar um tapa na cara?
Rachel ficou com o rosto mais vermelho do que os seus cabelos, eu não sabia direito de onde eu tinha tirado coragem para dizer isso a ela, mas quando eu estava com ela... Esquecia todo o resto, era tão mais fácil ficar na companhia dela do que na de... bem, do que na de algumas outras garotas que eu conhecia. Eu não precisava me esforçar, nem tomar cuidado com o que falava, nem queimar o cérebro para decifrar o que ela estava pensando. Rachel não escondia muito. Ela demonstrava o que sentia.
— Poderia. – ela disse sorrindo – Mas só se o beijo for bom!
Aproximei-me lentamente dela, até que nossos lábios se tocaram, e posso dizer. Com certeza, aquele foi o melhor beijo que eu poderia receber ."
Eu não podia acreditar no que eu estava lendo, quer dizer, eu já sabia que Rachel havia gostado do Percy, e que ele gostava da companhia dela, mas saber que ele a beijou... Isso me feriu mais do que uma faca atravessando meu peito, a sensação era pior. Pois, seu eu fosse pela lógica, não havia como ele gostar dela antes da batalha e depois começar a gostar de mim, a não ser que ele não gostasse de mim.
Sacudi esse pensamento da minha cabeça, eu estava zangada com o Jackson, queria mata-lo por ter beijado a Rachel.
Levantei a cabeça olhando em sua direção, seus olhos já estavam em mim antes disso, e por esse motivo nossos olhos se encontraram, lancei lhe meu melhor olhar de fúria.
- Você beijou a Rachel?! - disse me levantando do chão e espalhando os livros ao meu redor, minha voz acabou levantando algumas oitavas.
- Hum? – perguntou Percy fazendo uma cara de lesado que só ele sabia fazer.
- Está escrito no seu livro! – disse passando enorme livro de capa azul-marinho, no qual o título era: "Perseu Jackson".
Ele olhou a capa do livro com atenção, ficando assustado por um momento, e isso só me fez ficar pensando mais no que eu havia lido.
- Annabeth deixe-me explicar!
Eu olhei nos seus olhos, suas palavras só confirmavam o que eu acabara de ler, afinal, se ele não a tivesse beijado teria dito: "Annabeth, eu não beijei a Rachel!", mas ao invés disso, ele queria me dar explicações.
- Não quero suas explicações Percy! Não preciso delas, vá falar com a Srtª. Dare Perfeita, pois ela é "mais fácil de se conviver" do que eu!– disse eu repetindo as palavras escritas no livro. Palavras essas que não paravam de girar em minha mente, ela era melhor que eu, ou, era o que o Percy havia pensado, se é que ainda não pensava.
Virei-me, e comecei a correr pelo enorme corredor de estantes, sendo seguida por Percy e por Bryan.
*Flashback moden off*
Eu não queria falar com nenhum deles, minha vontade era de ir para o meu quarto, não o do hotel que eu dividia com o... Com o Perseu, mas sim o da minha casa, em São Francisco, atualmente, eu podia chamar aquele lugar de casa, de lar. Bem, eu queria ir para lá, deitar e chorar.
"Deitar e chorar não Annabeth! Você não tem motivos para isso, o que você realmente precisa é de uma boa luta, para que possa acabar com alguns monstros."
Repeti essa frase em minha mente, enquanto corria pelos corredores da enorme biblioteca, que era maior do que se pode imaginar.
Percy e Bryan ainda me berravam, e eu ainda estava correndo, tentando despistar os dois. O.K. isso pode parecer idiotice, querer despistar os dois, mas eu precisava de um tempo sozinha, para pensar no que eu havia lido.
Ao longe ouvi o som de algo se arrastando, algo muito grande e pesado. Virei na primeira curva que encontrei, me escondendo atrás de uma estante.
Minha respiração estava ofegante, eu havia corrido tanto que nem notara, deixara os garotos muito atrás. Me controlei, não podia ficar triste ou zangada, tinha de ficar concentrada, sabia que estávamos prestes a sermos surpreendidos por algo, só era uma questão de tempo. Respirei profundamente, tentando me acalmar.
Percy e Bryan passavam ao lado da estante na qual eu estava, gritando por meu nome, quando eu ,ainda escondida, os puxei em minha direção, tapando suas bocas.
Por um momento eles ficaram atônitos por terem sido puxados, mas no segundo seguinte suas expressões mudaram para o alívio, e sendo assim, os soltei.
- Annabeth! – falaram os dois ao me verem.
- Graças aos deuses! – disse Percy me segurando – Fiquei preocupado com você, senti que algo estava... Errado.
Mantive minha expressão o mais inflexível que pude.
- Não tinha por que se preocupar, sei me virar sozinha. – disse eu rudemente – E sim, algo está errado.
Fuzilei-o com o olhar.
- Annabeth deixe-me explicar! – suplicou ele.
- Não há tempo! – disse eu sussurrando e virando meu rosto de seus olhos verde mar– Algo está se aproximando de nós.
De novo ouvi o barulho de algo se rastejando, só que dessa vez, parecia estar bem próximo.
- Vocês ouviram? – perguntou Bryan ao que Percy e eu assentimos – Parece o som que uma cobra faz quando se rasteja.
- Uma enorme cobra então, pois isso foi um estrondo. – disse Percy já colocando a mão no bolso e puxando Anaklusmos, que ainda estava tampada. Bryan já remexia seu anel no dedo, minha mão já havia corrido até o bolso da calça jeans, onde mantinha minha adaga.
-O que fazemos agora? – perguntou Bryan.
No mesmo momento avistamos uma enorme cobra, de mais de quatro metros de comprimento, passando pela fileira ao lado. Sim, ela era monstruosa, se eu pensava isso enquanto ela estava a quase 15 metros de nós, não queria ver como seria quando tivéssemos que lutar com ela.
Congelamos no lugar.
- O que fazemos agora? – perguntou Percy sussurrando – É claro que Lutamos!
Percy já ia destampar Contracorrente quando segurei sua mão. Por um momento, uma corrente elétrica percorreu nossos corpos, e trocamos olhares, iria me perder em seus olhos quando me afastei dele instantaneamente.
- Não pode ataca-lo assim! Não é uma cobra comum!
- Que não é comum eu sei, senão não teria 4 metros de comprimento.
Revirei os olhos.
- Ela quer dizer que esse é um basilisco! – disse Bryan sussurrando.
Olhei em sua direção, ele me surpreendia cada vez mais. Percy estava completamente confuso, pedia por explicações. Passei minhas mãos por cabelo, enquanto decidia mentalmente se o explicava ou não. Achei melhor o explicar, antes que estragasse tudo.
- Basilisco é uma serpente-rei, um dos maiores predadores da mitologia grega, responsável pela morte de milhares de seres e pessoas. Basta uma olhada, e ele te mata. (N/A: Sei que esse mesmo monstro aparece na história de Harry Potter, mas isso aqui não é plágio, o que acontece é que o basilisco é originário da mitologia grega, e suas características também são).
Percy pareceu preocupado, e Bryan engoliu em seco.
- Que ótimo! – disse Percy ironicamente – Uma cobra enorme e eu nem posso olhar para ela direito, porque senão eu morro, e eu nem sei o que é esse basilisco direito ou o que faz. Realmente é pior que a Medusa!
Encarei-o.
- É muito ruim enfrentar algo sem conhecer, mas o pior mesmo, é acharmos que conhecemos algo ou alguém, mas que na verdade, não fazemos ideia de quem realmente sejam!
- Annabeth! Se entendi certo... Pode parar de mandar indiretas-diretas para o Percy agora por favor? Acho que temos que matar um certo basilisco antes – disse Bryan ao meu lado.
Suspirei.
- Entenda como quiser Bryan, digo o mesmo para você Jackson!
Bryan deu de ombros e Percy parecia querer falar comigo.
- Acho melhor formarmos um plano. –disse Percy roubando minha fala, começando a dizer suas ideias malucas, mas eu queria lutar agora, e eu tinha um plano. Só não havia falado para eles.
Olhei ao redor, o bicho não deveria estar muito longe, deveria estra nos farejando, provavelmente nos cercando. Já havíamos perdido muito tempo, era a hora de agir.
- Quietos. – disse eu.
- Tem algum plano Annie? – perguntou Bryan.
Encarei-o.
- Quieto.
Tirei um pequeno livro da estante que estava ao meu lado, podia sentir os olhares confusos sobre mim, taquei-o o mais longe possível. Na mesma hora o basilisco voltou a rastejar, indo na direção do livro.
- O que? – perguntou Percy – Pensei que era para ficarmos quietos.
Dei de ombros.
- Ele tinha nos cercado. – disse simplesmente – Vamos nos separar, cada um de um lado, nós vamos o cercar, para mata-lo, é só atingir a espada em seu coração. Aconteça o que acontecer, não o olhe nos olhos. Agora, corram!
Empurrei cada um em uma direção.
Sai correndo, minha adaga em punho, tirei o boné dos Yankees do bolso, e o coloquei na cabeça.
Invisível, me aproximei do basilisco, que estava cheirando o livro, ele parecia ferido, como se tivesse sido atacado, mas parecia ter sido há algum tempo, pois já estava quase tudo cicatrizado. De onde eu estava conseguia ver que Percy se preparava para atacar, Anaklusmos em mãos. Do outro lado, Bryan (também com a espada em punho) parecia analisar cada movimento da serpente, mas cometeu um erro, deu um passo a frente, fazendo com que a serpente captasse o movimento.
Instantaneamente, o basilisco se preparou para um bote. Se rastejando e se enrolando, ao mesmo tempo em que levantava a cabeça para Bryan, que fechou os olhos fortemente. Percy e eu demos um passo em direção ao monstro, eu sabia que Bryan não conseguiria matá-lo, e muito provavelmente sairia ferido. Mesmo assim Bryan, num golpe de sorte, enfiou a espada em sua boca, e isso só fez o mostro o seguir com mais vontade. Bryan ( de olhos fechados) preparou-se para correr, mas Percy foi em sua direção, tentando desviar a atenção do basilisco, espetando-o, furando-o e cortando-o. Eu também fazia o mesmo, só que de nada adiantava.
Num ímpeto de adrenalina, pulei em cima da cobra, que ao me sentir começou a se sacudir, eu continuei a esfaqueá-la, sua couraça era muito forte e eu desconfiava de que era necessário acertá-la por baixo para poder machuca-la. Meu boné acabou caindo no chão, e meu elemento surpresa fora perdido. E sendo assim, eu era o novo alvo.
- Annabeth! – berrou Percy – Cuidado!
A cobra começava a se enroscar, mas por sorte consegui pular a tempo, sai em disparada pelos corredores, sendo seguida por ela. Os garotos entenderam que eu seria a isca.
Só de ouví-la se rastejar eu sabia que estava próxima, por isso tentei empurrar uma das estantes em seu caminho, mas era muito pesada, e perdi mais tempo do que eu pensava que gastaria. Porém, consegui empurrar as centenas de livros no chão, o que atrapalhou a serpente.
No entanto eu não fiquei para ver o que aconteceu, continuei correndo por um tempo, como se algo me puxasse para um caminho, me perdendo cada vez mais na biblioteca, me confundindo no meio dos livros.
Enquanto corria pelos corredores avistei um livro de capa branca e dourada, o título estava em grego, e significava: " A espada". Eu não sabia o motivo, mais sabia que precisava pegá-lo, que era importante, e tinha certeza de que não o acharia novamente.
Subi numa enorme escada e cheguei ao topo da estante, onde se encontrava esse livro, mas antes, aproveitei para olhar ao redor. Conseguia ouvir o som de espadas em algum lugar, mas parecia um pouco distante, não sabia o quanto havia corrido, só sabia que eu deveria estar ali.
Analisei a capa, procurando o nome do autor, a única coisa que se via era um delta.
- Esse livro foi escrito por Dédalo! – sussurrei para mim mesma.
Revirei suas páginas, lendo sobre algumas espadas, e outras armas gregas, na maioria, armas muito importantes, o que significava que ali deveria haver algo sobre a espada de Athena.
Achei uma página que falava sobre a espada de minha mãe, que fora um presente de Hefesto, e dizia que quando uma espada desse porte não era extinta, se dividia em quatro partes.
- Existem quatro partes. Mas onde estão?
Ouvi outro barulho, dessa vez mais perto. Peguei o livro e desci a escada.
E mesmo exausta, zangada, surpresa, magoada e triste, corri em direção ao barulho, segurando o livro firmemente, próximo ao meu corpo.
