Capítulo 36 – O adormecer do mal
Ela afastava seus cabelos negros enquanto ele admirava demoradamente o corpo das vampira, esbelto, nu, belo em suas mãos, na ponta de seus dedos que traçavam seus contornos
- Sev.
- Sim?
- Por que...
- Esqueça o porque, ele não interessa.
- Mas...
- O que interessa agora é que meus alunos terão motivos para me chamarem de morcego das masmorras e acharem que sou um vampiro. Eles tem razão.
- Severus – Sentou-se puxando o lençol para se cobrir.
- O que foi?
- Eu... isso esta errado Severus. Você perdeu sua vida, perdeu os privilégios de ser humano... e tudo isso pó mim. Não posso deixar de me sentir mal por isso.
- Não se sinta mal por uma coisa que eu quis fazer – Sorriu de canto ao beijar seu pescoço – Sinta-se mal em saber que terá que limpar as fraudas do pirralho.
Severus achou que deveria ter dito algo errado, pois Ana se encolheu em seus braços e apertou-se em um abraço como se escondendo de algo que a muito a atormentava.
- Disse algo que não devia?
- Não- Respondeu desejando ser humana para chorar as lágrimas que lavariam o peso de seu coração – Onde eu estava Severus? Onde eu estava esse tempo todo?O que houve comigo? Me sinto mal, me sinto como se algo de muito ruim tivesse me apossado, como se eu fosse presa em um lugar longe, de onde não poderia fugir. O que eu fiz Severus. Nosso filho, nosso filho e eu o abandonei, o deixei.
- Odeio dizer isso, mas Alvo tem razão ao dizer que somente o tempo pode explicar as ações que fazemos. Já passou, deixa o passado morrer.
- Onde ela estava?
- No instituto onde você trabalhava. Parece que Narcisa Malfoy...
- Aquela vaca!
- ... Narcisa tinha o dever de matá-la, mas não teve coragem no fim, ninguém sabe qual o motivo dela, mas ela o levou para o instituto ao saber que você já trabalhou lá.
- Não quero falar dessa mulher Severus, ela me traz lembranças ruins.
- Eu sei e espero que um dia você me perdoe.
- Não há o que perdoar.
- Acabou.
- Queria acreditar que acabou, mas sabemos que não.
Novamente pisavam naquele chão lamacento.
Novamente sentiam os calafrios em suas espinhas, , novamente sabiam que estavam indo de encontro ao final. Novamente os pesadelos começaram, novamente os gritos se ouviram.
Eles andaram pelo lugar claustrofóbico seguindo o instinto de que sabiam , não era difícil para eles sentir o cheiro da podridão daquela alma.
Snape ia na frente sendo seguido fielmente, passo a passo, por Ana que evitava olhar para as correntes presas na parede revestida de lodo, tentando não deixar as lembranças assolarem sua mente, sua alma, o restante de sua vida.
Era escuro, era frio, era cruel,e Ra igual a ele, igual ao que se dizia ser seu pai.
- Pai – Cumprimentou Ana ao entrar no recinto sombrio.
- Ana – Sussurrou Voldemort abrindo os olhos vermelhos – Demorou demais.
- Me esperava?
- Claro, por que acha o contrario?
- Não sei, não fiz exatamente o que queria da ultima vez que nos vimos.
- Ora Ana, acidentes acontecem.
- Onde estão seus comensais?
- Morreram ou fugiram, acharam que Lord Voldemort teria morrido aquele dia, bobagem. Não há força que possa me derrotar. Ainda mais quando estou junto com minha filha.
Lord Voldemort se aproximou e devagar ergueu sua mão querendo tocar no belo rosto esculpido da vampira.
- Eu não faria isso se fosse o senhor – Advertiu Ana.
- Como ousa dizer o que Lord Voldemort pode ou não dizer, Ana. Não se esqueça de quem é o pai aqui.
- Não se esqueça de quem é a vampira portadora do poder da pedra aqui – Ameaçou.
Os olhos castanhos instantaneamente ficaram vermelhos como sangue e queimaram de ódio perante a mesma tonalidade de seu genitor.
- Teria coragem de enfrentar-me? Seria tola o suficiente de enfrentar seu próprio pai?
- Não – E seus olhos voltaram ao normal, não seria tola para isso, não teria tanta coragem assim.
- E eu não permitiria – Disse Snape finalmente saindo das sombras.
- Severus, por que não se mostrou antes? Não me diga que quem quer tentar me matar é você? – Riu escrotamente.
- Não, eu não pretendo tomar uma única gota de seu sangue, não posso fazer isso, mas... – Sussurrou juntando-se à vampira e sorrindo para o Lord.
- Mas o que? – Perguntou Voldemort.
- Mas eu posso – Disse a voz atrás do Lord.
Os cabelos loiros brilharam quando o feitiço verde atingiu-lhe o peito nu. Ele riu.
- Você não precisa ver isso – Disse Snape para Ana quando Daeron agarrou-se ao pescoço do Lord.
Eles saíram e sentiram o cheiro da floresta. Caminharam pelas arvores em silencio, caminharam ate onde os gritos não podiam ser ouvidos.
Ela arfava, ela sentia, ela caia.
Em dois segundos o seu corpo já estava nos braços dele. Ela tremia violentamente e o abraçava com medo de que ele fosse embora, deixando-a sozinha.
- Acabou – Ela disse em meio a tremedeira – Finalmente acabou.
- Sim, acabou.
Snape a levou embora pela floresta desviando dos galhos com maestria, como o verdadeiro dono daquele lugar selvagem. Ela apenas o abraçava forte e o sentia a segurar mais perto de seu corpo a carregando de volta para seu refugio pessoal.
Ela nem ao menos percebeu quando as portas das masmorras abriram-se e ele a levou para o quarto a colocando na cama e a abraçando deixando que o tempo voasse do lado de fora da janela onde o sol nascia, onde a maldição os prendia.
