Iniciada em: 22 de Setembro de 2005

Terminada em: 25 de outubro de 2007

Postada no Fanfic de 03 de Janeiro de 2006 à 18 de Dezembro de 2007

Verificada em 03 e 04 de março de 2009


Prisioneira

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\Epílogo\

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Fechou os olhos, sentindo a leve brisa da manhã tocar seu rosto, enquanto se encontrava sentado num dos galhos daquela árvore que se encontrava no canto do jardim de sua casa, e que deva visão para a casa dos visinhos. E embora fora recomendado, não só pelos especialistas, mas por seus conhecidos, não o fazer, adorava ficar sozinho com seus pensamentos, esquecendo, ao menos por alguns momentos os problemas que o rodavam.

Abriu os olhos de cor dourada, ao ouvir o grito enraivecido de uma mulher e abaixou o olhar em direção à porta de trás da casa de uma família que ele não conhecia, apesar de viver próximo deles. Eles pareciam se gostar, entretanto, ao menos uma vez por semana, uma briga ocorria.

Estreitou os olhos, observando a criança que ali vivia, abandonar a casa, e bater a porta com extrema violência, e caminhar até o centro do jardim pegando uma pedra no chão, e a atirando contra o alvo, que a filha mais velha do casal, utilizava para treinar arco e flecha.

# Não deveria ficar espionando as pessoas!

Ela disse, repentinamente, o fazendo arregalar os olhos. Afinal de contas, como uma menina de oito anos fora capaz de senti-lo ali. Estava muito bem escondido por entre as folhas da árvore, então era impossível que ela o tivesse visto.

# É com você mesmo, com quem estou falando! – disse, virando-se e olhando na direção em que ele se encontrava. – Não vai descer para pedir desculpas por isso? – perguntou. – É muito errado isso!

Observou ela olhar para o chão, em busca de algo, e franziu o cenho quando ela pegou outra pedra, a atirando para o alto e a capturando no ar. E antes que pudesse notar o que acontecia, sentiu a pedra atingir com violência sua testa, e devido ao susto, acabou por cair do galho da árvore, em direção ao chão do seu jardim.

Levantou-se com rapidez e pegou a pedra, pulando o muro, para parar no jardim de seus vizinhos, encarando com raiva, a menina que sorria de forma travessa.

# Sua mãe não lhe ensinou que pode ser perigoso mexer com pessoas que você não conhece? – perguntou, irritado.

# Minha mãe ensinou muita coisa para mim. Inclusive que não devo falar com Youkais ou Hanyou. – deu de ombro, displicentemente. – Mas eu não dou a mínima, ela sabe disso! Por isso brigamos. – sorriu para ele. – E depois… - ergueu o indicador para ele. – Você não é um estranho! Eu lhe conheço desde antes de você ser meu vizinho.

Ela disse, cruzando os braços a suas costas, e balançando o corpo para frente e para traz. Ele a encarou sem entender e ao notar isso, a menina riu.

# Me chamo Kagome Higurashi, Inuyasha Takahashi! – a menina deu as costas para ele, ao notar o estado de choque. – Não me ache uma alienígena… mas antes de você se mudar eu sonhava todo dia com você! – parou e sorriu para ele. – No meu sonho você aparecia e me salvava mesmo após a minha redenção… - abaixou o olhar. – No meu sonho você chorava! No meu sonho você me amava! – mordeu os olhos, e olhou para a porta da casa. – Acho melhor você ir, mamãe está vindo e ela não gosta muito de Youkais, Inuyasha…

# Inuyasha! Inuyasha!

O Hanyou despertou ouvindo seu nome ser pronunciado pela voz calma e feminina, e abrindo os olhos, encontrou os de Kikyou, que lhe sorriu enquanto lhe estendia um copo de café.

# Obrigado! – agradeceu, pegando o copo, e sorrindo para a cunhada. – E Shinzui?

# Com Sesshoumaru! – respondeu, sentando ao lado dele e apoiando os cotovelos nas pernas. – Assim ele começa a treinar para quando tivermos os nossos filhos. – sorriu, alisando a barriga de três meses de gravidez. – Mais dois meses e eles nascem! Ainda bem que a gestação de filhos de Youkais só duram cinco meses.

# Não gosto do fato de Sesshoumaru usar minha filha como cobaia. Ele pode ter diversas qualidades, mas cuidado com crianças não é uma delas.

# Sim, eu sei! – riu. – Mas ele seria o último a deixar algo acontecer com Shinzui. Ele tem amor a vida dele. – Inuyasha soltou um riso fraco, e abaixou a cabeça, apoiando os cotovelos em suas pernas e segurando o copo de café entre as mãos. – Alguma novidade?

Inuyasha realizou um gesto fraco com a cabeça, negando, e a ergueu para encarar a cama do quarto da ala hospitalar da SSJ a sua frente. Cama onde Kagome se encontrava deitada e ligada a meia dúzia de aparelhos, há, exatos, dois meses. Dois meses, desde que haviam encerrado o caso com a batalha no castelo de Naraku, cujo corpo, havia sido completamente destruído por Kagome.

Naquele mesmo dia, assim que abandonaram a Ilha onde ficava o Castelo, e onde, agora a SSJ se encontrava trabalhando para descobrir mais a respeitos dos contatos de Naraku, levaram Kagome e os outros feridos para a sede da SSJ. E qual não fora a surpresa deles, ao ouvirem um especialista dizer que o coração da jovem, assim como todos os seus órgãos internos, encontrava-se intacto. Significando, que a menina havia sobrevivido ao ataque de Naraku, entretanto, desde aquele dia, ela se encontrava desacordada, em uma espécie de coma.

E isto, deixava Inuyasha preocupado, afinal, ficar em coma nunca fora bom para ninguém. E por esta razão, ele dedicava ao menos uma hora de seu dia para conversar com os médicos e visitar a amada, aguardando seu despertar.

Shinzui havia crescido um pouco nesses meses que haviam se seguido. Ela parecia em demasia com Kagome, e poderia se passar claramente por uma humana, se não fossem as mechas de cabelo prateados que começavam a surgir no meio dos fios negros. A criava com a ajuda de Kikyou e de Sango, e agradecia muito a elas, por isto.

Sango, que passara por maus momentos durante sua estadia de um mês no hospital, devido a seus ferimentos, agora vivia juntamente à Miroku em uma casa que o Houshi havia comprado na proximidade da nova casa de Inuyasha e da mansão Higurashi. E se não estivesse enganado, em breve, os dois também se tornariam pais.

Sarah parecia estar mais conformada com a morte de sua mãe, mas tal fato só se dava ao fato da menina estar, juntamente a Rin, tendo acompanhamento de uma psicóloga. E agora, estava morando com o pai e Kikyou, aguardando ansiosamente, a chegada dos meio-irmãos. Enquanto Rin, a já ser notificada a respeito do fato de Kagome não ser sua mãe, aguardava na casa de Inuyasha, uma decisão. Pois os agentes buscavam algum familiar com quem poderiam deixar a menina.

Olhou para a janela, e suspirou. Após cinco dias de céu nublado e chuva intensa, o sol finalmente havia tornado a aparecer, permitindo que os moradores de Tóquio, finalmente, deixassem suas casas sem temer serem surpreendidos por uma tempestade a obrigá-los a permanecer onde estavam.

De toda a sede da SSJ, somente a ala hospitalar e a prisão funcionavam normalmente. Os outros departamentos se encontravam em constantes reuniões com o objetivo de definirem seus novos passos, juntamente a Sesshoumaru, que havia assumido o controle de tudo, após uma votação que se tornara unânime.

Kaede e os outros agentes desaparecidos haviam sido encontrados internados em uma clinica psiquiátrica na cidade de Kyoto, e imediatamente foram removidos para a ala especializada da SSJ para realizarem alguns testes, que apenas revelaram que todos eles, não recobrariam a normalidade em um futuro próximo.

Quanto a Ayame. A Youkai apenas despertara quatro semanas depois do acidente, e mesmo assim, ainda se encontrava extremamente fraca. Inuyasha fizera questão de falar com ela, sozinho, ouvindo por, ao menos vinte vezes, os pedidos de perdão da cientista, a lhe revelar o que realmente acontecera enquanto estava nas mãos de Naraku. Confessara que matara Kouga, para se vingar do fato de ele tê-la traído daquela maneira, e que não havia seguido por completo as exigências de Naraku.

Dissera ter alterado o conteúdo da injeção que Naraku dera em Kagome antes de levá-la consigo, de modo que, acelerasse o metabolismo da moça, anulando o efeito da droga Prisioneira, cuja composição conhecia de trás para frente por tê-la estudado no inicio do caso. Entretanto, a gravidez da menina atrapalhara um pouco naquele objetivo, já que fora a criança quem acabara absorvendo uma boa parte da droga, acelerando assim, seu desenvolvimento e nascimento.

E fora, a partir desta informação, que Inuyasha pediu para fazerem um exame completo na pequena Shinzui, descobrindo assim, que a criança, por sorte, não havia sido afetada pelos efeitos negativos de uma droga, por causa do pequeno vestígio de poder espiritual que ela possuía devido sua descendência.

Ayame acrescentara também, que havia feito uma pulseira que agüentasse os poderes de Kagome e que só se destruiria se recebesse uma grande carga de poder, não corrompido, mas puro. E que, o coração e o ferimento de Kagome, havia sido regenerado devido a capacidade de cura da moça Miko. Poder que retornara pelo fato de ela não estar mais corrompida quando fechou os olhos, colocando-se, inconscientemente em um estado de êxtase, para recobrar seus níveis naturais de energia.

Fato que acabara por fazer desaparecer, por completo, os poderes espirituais de Kagome. Como eles haviam descoberto quando uns dos médicos decidiram realizar o mesmo teste que Ayame havia feito antes, comparando ela e Kikyou. E que preocupara Inuyasha, afinal de contas, se Kagome não era mais a portadora de todo o poder, sua filha seria, significando que deveria ter um maior cuidado com ela.

E neste momento, Ayame estava no litoral da Inglaterra. Voltara a viver com seus pais, a tomarem conta dela, uma vez, que ela não mais podia, ao menos por um longo tempo, andar sem a ajuda de uma cadeira de rodas.

Inuyasha ouviu Kikyou murmurar alguma coisa, antes de se levantar e sair do quarto. E ao ficar sozinho, lançou um ultimo olhar para a janela, se lembrando do sonho que tivera quando adormecera sentado naquela cadeira. Sonho, que lhe fizera lembrar a maneira como havia conhecido Kagome quando ela tinha oito anos de idade.

Ficara em choque ao ouvi-la dizer aquilo após acertá-lo com uma pedra, mas agora compreendia as palavras dela. E depois daquela dia, ela não o deixou mais sozinho. Arranjava um modo de ir até ele, e o infernizar com perguntas e mais perguntas, até conseguir com que ele conversasse com ela, como se fosse uma adulta, sua amiga.

Lembrava-se que a mãe dela, ao descobrir a respeito de sua amizade com ela, quase enfartara, e fez de tudo para retirá-lo daquela casa. E ao conseguir, frustrou-se ainda mais. Pois, embora tenha conseguido com que se mudasse, com a ajuda de Kikyou, Kagome e ele se falavam.

Sorriu inconscientemente e olhou para o relógio em seu punho, se colocando de pé. Já estava na hora de pegar Shinzui e Rin para voltar para casa.

Caminhou até a cama, e tocou o rosto de Kagome, alisando-a, enquanto abaixava-se para depositar um leve beijo em seus lábios. Despediu-se e rumou em direção a porta.

# Inuyasha?

A voz que chamou seu nome foi quase morta, e o fez congelar seus movimentos. Voz que ele reconheceu e por esta razão se virou para a cama de Kagome, observando-a virar o rosto para o lado direito e em seguida o esquerdo, ainda com os olhos fechados.

Soltou a maçaneta e, a passos lentos, se aproximou da cama, sentindo seu coração parar de bater quando Kagome chamou seu nome mais uma vez, enquanto abria os olhos. Segurou a mão dela, com força, e sorriu, levando a outra para a face dela.

# Quanto tempo…? – ela perguntou, engolindo seco, e sentindo um gosto horrível em sua boca.

# Dois meses! – disse, tentando controlar suas emoções. – Eu nem acredito que finalmente acordou! - revelou, a fazendo sorrir. – Você não sabe o que me fez passar quando desmaiou em meus braços naquele dia! Achei que havia lhe perdido para sempre.

# Não foi o único! – ela sussurrou, virando o rosto para o lado contrário ao dele, olhando para a maquina que controlava a batida de seu coração, afinal, também achava que iria morrer. – Como está Shinzui?

# Bem! – respondeu. – Foi ela que me segurou por todo esse tempo!

# Me desculpe por não ter te contado! – pediu, o encarando. – Eu não sei o que estava passando por minha cabeça naquele momento. Pela primeira vez eu não sabia o que fazer.

# Tudo bem! – ele disse. – Agora espere um momento que eu irei chamar os médicos para lhe ver.

Kagome sorriu fracamente, realizando um gesto positivo com a cabeça e Inuyasha foi até a porta do quarto, gritando para uma das enfermeiras do andar. Não queria deixar o quarto e correr o risco de deixá-la entrar em coma novamente. Sabia que era uma idéia boba, mas era assim que se sentia naquele momento.

Assim que os médicos chegaram, Inuyasha abandonou o quarto para chamar Kikyou e os outros e contar o que haviam acontecido. Apenas Shinzui não pode entrar para ver Kagome, entretanto, segundo os médicos, ela não demoraria a ir para os braços da mãe. Mais dois dias internada no hospital para terem certeza de que ela não mais entraria em coma, e ela poderia voltar para casa.

Neste período de tempo, tornaram a repetir a bateria de testes para medir os níveis de poder de Kagome, verificando, que, a moça, realmente não possuía mais, nenhum vestígio, de poder espiritual. Ela era, agora, uma humana completamente normal.

No dia em que ela recebeu alta, Inuyasha foi buscá-la na companhia de Sesshoumaru, Kikyou e Miroku, já que Sango havia ficado na casa onde ela moraria com Inuyasha, tomando conta de Rin, Sarah e Shinzui. E dera a menina a noticia, de, uma vez que Rin não possuía mais nenhuma família viva, ela iria fica permanentemente com eles. Com a única mãe que as memórias dela lhe permitia lembrar. E assim que eles chegaram à casa, o Hanyou levou-a imediatamente para ver a criança que se encontrava dormindo tranquilamente no berço.

# Eu só gostaria de ter meus poderes de volta para poder devolver a Rin as memórias de seus verdadeiros pais! – Kagome disse, sorrindo para o bebê em seus braços, enquanto caminhava pelo quarto, montado por Inuyasha, especialmente para a criança. – Mas acredito que seja melhor assim! lembrá-la deles, apenas a fará se lembrar de como eles morreram. – sorriu tristemente. – E de quem os matou.

# Não se martirize com isso, Kagome! – Inuyasha pediu, enlaçando-a pela cintura e lhe beijando a face. – Tudo o que aconteceu não foi culpa sua. E agora você pode viver como realmente deseja! Temos duas filhas para criar. – sorriu para ela.

# Sim! - virou o rosto para Inuyasha. – Quero visitar os túmulos de meus pais qualquer dia desses, Inuyasha!

# Lhe levarei quando você desejar! – falou sorrindo para ela. – Agora me deixe descer para ver como estão as coisas lá embaixo. – deu um rápido beijo nos lábios de Kagome e abandonou o quarto, fechando a porta com cuidado a suas costas, depois de Sesshoumaru entrar.

# No fim, eu não necessitei te matar. – o Youkai enterrou a mão no bolso de sua calça, e observou Kagome, sorrir, com a criança em seu colo. – O que mudou para que tudo seguisse um caminho diferente do que aquele que você viu?

# Ayame não me traiu! – ela respondeu em tom baixo o encarando. – E você não conseguiu me matar. - olhou para o bebê. – Não fui capaz de ver isso em minhas visões. – tornou a encará-lo. – Obrigada, Sesshoumaru!

# Não me agradeça. Eu desejei sua morte, quando vi o que fez ao meu irmão! – ela sorriu. – Mas não vim aqui para isso! – fez silêncio. – Você não me contou quem iria morrer caso eu fosse tirar satisfações com Kagura. Eu desejo saber isso agora!

A morena deu alguns passos adiante, sabendo que ele não deixaria aquele detalhe passar em branco, depois de tudo ter terminado.

# Você sairia transtornado, e iria até Kagura. – iniciou. – Naraku já havia preparado uma armadilha, sabendo que eu abriria a boca. Haveria uma luta com o próprio Naraku e alguns de seus seguidores... Kagura seria a primeira a morrer, ao lhe defender. Em seguida, viria você. – suspirou. – Na mesma noite Naraku iria de encontro a Kikyou e a atacaria mostrando seu corpo morto. Entristecida ela seria incapaz de se defender e sucumbiria. Logo em seguida viria Sarah, a assistir tudo, e enterrar-se em tristeza e falecer antes que Naraku pudesse pegar seu coração. - terminou. – Eu lhe disse que estaria fazendo o certo, embora Kagura tenha mesmo morrido.

# Sim! Lhe agradeço por isso! - disse. – Com licença! – e saiu.

Kagome mordeu os lábios e sorriu para o bebê em seus braços, feliz por tudo finalmente ter acabado, mesmo que ainda sentisse dores no local onde Naraku havia lhe atingido para matar. Agora poderia viver com quem amava e cuidar de quem necessitava dela. Uma nova vida começava.

Colocou Shinzui, com cuidado, dentro do berço, e a cobriu com o leve cobertor de cor rosa. Cruzou os braços sobre o berço e deitou a cabeça neles, olhando com carinho para a criança, enquanto uma lágrima escorria de seus olhos, e o sorriso continuava em seus lábios.

Ouviu Rin gritar por ela, e ajeitou a postura, limpando qualquer vestígio de lágrima de seus olhos, indo até a porta. Parou ali e olhou para a janela com as cortinas abertas. Moveu a mão direita para o lado esquerdo e a cortina se fechou como mágica. Lançou um último olhar para Shinzui e, sorrindo, saiu do quarto.

OWARI