Olá, pessoal!
Peço desculpas pela demora. Acontece que além de estar com bloqueio (eu sei o que quero e vou escrever, mas nada sai da cabeça para o teclado... é tenso), meus problemas de saúde voltaram (aquelas dores chatas nos ombros), o que não permitiu que eu me dedicasse totalmente à escrita. Espero que me perdoem ^^.
Eu espero que vocês gostem do que preparei aqui e que tenham uma boa leitura ;).
"Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização."
Martin Luther King
O silêncio que se seguiu à comoção no corredor tornou-se insuportável, a ausência de sons incomodava a ponto de ser considerada ensurdecedora. As kunoichis trocavam olhares desconfiados, mas em nenhum momento, decidiram se mover, inclusive, receavam recomeçar o diálogo. Ino temia que Sakura descobrisse o que acontecia no centro de cirurgia e mais ainda, que ela visse Jiraiya, Naruto, ou até mesmo Konohamaru e estes dessem com a língua nos dentes. Antes de evitar o encontro entre eles, a Yamanaka precisava transmitir uma difícil verdade e sabendo que não poderia mais fugir, arriscou pigarrear e retomar a conversa abruptamente interrompida.
― Bem, como eu dizia. –Recuperando total atenção da Haruno, continuou, vacilante. ― Sakura, a Hana... Ela perdeu muito sangue, precisou de várias transfusões... Ela também teve uma concussão e está em coma induzido. A medida foi tomada para a segurança dela. –Resolveu deixar a prudência e lado e soltou, de uma vez. ― A Masumi acredita que ao arrastar-se contigo, ela tenha se desequilibrado ou escorregado no próprio sangue e batido com a cabeça.
― Oh! Kami-sama! –Os olhos esverdeados marejaram instantaneamente, evidenciando o choque e a dor causados pela revelação. ― Eu... Posso vê-la? Onde ela está?
― Acredito que nós podemos vê-la, já que eu tinha conversado com a Masumi sobre a possibilidade de você querer visitá-la, mas não custa nada reforçar, não é mesmo? –Engoliu em seco, notando as lágrimas ganharem força. Novamente, mesmo sem sua permissão, uma onda de ciúmes ameaçou surgir; Ino logo tratou de repeli-la, julgando-se uma tola por permitir que tais sentimentos mesquinhos se manifestassem.
― Eu... Estou me sentindo tão culpada. Se eu tivesse sido mais forte e conseguido controlar o meu chakra, nada disso teria acontecido! –Lamentou, chorando e escondendo o rosto entre as mãos.
― Já disse para você não se martirizar, Sakura. –Ino sentenciou, percebendo o pranto pausar, talvez por conta do tom rígido usado para proferir aquelas palavras. ― Olha, quer saber? Eu ia deixar que a doutora lhe explicasse isso direito, mas não tenho escolha.
Ao ouvir aquele discurso, Sakura arregalou os olhos e rapidamente secou as lágrimas remanescentes, mas sem deixar a preocupação de lado. Ino tinha o rosto afogueado, uma leve carranca podia ser observada, mas nem assim, a Haruno se abalou. Queria saber o que a amiga e a médica estavam escondendo, mesmo que existisse a possibilidade de ser algo ruim, difícil de ser aceito.
― Vamos lá. Os sintomas da sua gravidez estavam intensos porque o feto estava se desenvolvendo no lugar errado, isso você já sabe... Mas a Masumi suspeita que esse não fosse o único motivo.
― E qual seria a outra causa? –Sakura questionou, tensa.
― Bem, ela suspeita que você e o bebê tivessem naturezas de chakras opostas, o que causou a sua fraqueza extrema. –Informou, pousando o indicador no queixo, se convencendo de que realmente, aquela teoria fazia sentido. ― De fato, isso me parece verídico, pois além de estar no lugar errado, ele... meio que te sugava, entende? Ele absorvia sua energia vital.
― Oh. –A percepção da real situação a atingiu como um raio, não era possível que ela não tivesse percebido antes. ― Então... Quer dizer que eu e o Kakashi não somos biologicamente compatíveis?
― Bem, eu não sei ao certo. Como ela disse... Provavelmente o bebê não tinha o chakra semelhante ao seu, então, há a possibilidade de numa possível nova gestação, você gerar uma criança que a incapacite novamente.
Ino observou a tristeza se apossar dos olhos verdes, assim como o desapontamento. A amiga estaria realmente apaixonada pelo Hatake? E essa paixão, esse amor, chegava ao ponto de ela cogitar ter uma vida a dois com ele, depois da missão? Tinha ciência de que era muito cedo para abordar tal assunto, por isso se absteve de fazer comentários ou interrogá-la. Precisava tirá-la do quarto sem que ela desconfiasse de que o homem ferido que passara pelo corredor minutos atrás era Kakashi.
― E então, vamos ver a Hana? –Indagou com falso entusiasmo, arrancando-a dos devaneios, nos quais estava submersa.
― Claro. –Anuiu fracamente, provavelmente ainda muito abalada com as revelações.
― Certo, deixe-me ajudá-la a se levantar. –Ergueu o braço contendo o equipo, sentindo-a se aproximar da borda da maca e notou o desequilíbrio sofrido por Sakura. ― Sakura, você está bem? Está sentindo alguma coisa? –Questionou, afoita.
― E-Eu estou um pouco tonta. –Confessou, se firmando melhor na superfície estofada.
― É normal você se sentir assim, ainda mais depois de tudo o que passou. –Ino a tranquilizou, olhando ao redor e sorrindo brevemente ao localizar o que buscava. ― Vou pegar uma cadeira de rodas, sim?! Dessa forma você não corre o risco de cair, ou se cansar no percurso. –Sentenciou, a fim de evitar futuros protestos da rósea.
Caminhou até onde a cadeira estava e a trouxe para perto da maca, auxiliando-a a se afastar e se sentar. Com extremo cuidado, Ino fechou o regulador do soro e removeu a agulha do braço da Haruno, tendo em vista que ele já havia acabado. A Yamanaka sabia que agia de forma errada, pois não fora instruída àquilo, mas ignorou o possível puxão de orelha que receberia e começou a empurrar a cadeira.
― Ino, se não fosse muito incômodo, antes de irmos visitar a Hana, você me levaria ao banheiro? –Sakura soltou, chegando a assustá-la, o que fez com que parasse bruscamente. ― Digo, você me deixa lá dentro e sai, tudo bem? Eu estou apertada para fazer xixi. –Admitiu, as bochechas adquirindo um suave tom de vermelho.
― Mas é claro, Testa. –Riu-se, notando a carranca de formar no rosto da amiga. Há tempos não a chamava assim e poder ver a mesma reação da Haruno ante aquele apelido lhe fazia um bem imenso.
Ino sorriu ao perceber que virariam à direita do corredor para ir ao banheiro, sendo que o "pelotão" que seguia a maca de Kakashi havia seguido à esquerda. Mesmo assim, por precaução, ela contatou Jiraiya por telepatia e o informou que sairia com Sakura, dando-lhe instrução para se esconder e obviamente, levar Naruto e Konohamaru junto. Soube que o garoto fora submetido a exames e relaxou consideravelmente. Ao passar pela porta, Ino arriscou olhar para a esquerda e viu, padrinho e afilhado caminharem na direção oposta à delas, o que fez um peso ser removido de seus ombros.
―X―
O corpo magro e jovem permanecia inerte na maca. Apenas os sons dos aparelhos que a mantinham viva produziam ruídos, o que causava extrema preocupação na Haruno. Após Ino deixá-la na sala, com a desculpa de ter notícias sobre o time de busca, Sakura se viu desabando, as poucas forças que conseguira juntar após acordar se esvaíram ao ver a amiga naquele estado. Havia ataduras no tronco da moça, o que lhe permitia ter uma noção da extensão do ferimento causado pela kunai do shinobi inimigo.
O rosto, antes tão belo, estava transfigurado, marcado pelos golpes impiedosos que foram aplicados. Os lábios, antes delicados e bem desenhados, estavam inchados, dando-lhe uma aparência temível, dolorosa. Impulsionando a cadeira e rodas e se permitindo aproximar-se mais da maca, Sakura chegou mais perto de Hana, os olhos já liberando as lágrimas recém-formadas. Tomou uma das mãos dela entre as suas e intimamente, pediu às divindades que conhecia que elas preservassem a vida da amiga. A amizade que desenvolveram, apesar de inicialmente ter sido meio turbulenta, se mostrara verdadeira, forte.
Sakura manteve-se em silêncio, apesar de acreditar que, mesmo em coma, os pacientes podiam ouvir a fala ao redor. Não havia palavras que pudessem traduzir o que estava sentindo: era uma mistura de culpa, preocupação, remorso, amizade, carinho, cuidado. Só tinha certeza de uma coisa: jamais se perdoaria se Hana não sobrevivesse. Além de Kankuro, a família da moça também sofreria com aquela situação; ela precisava sair daquela com vida, sem sequelas e seguir com a vida, constituir a própria família e esquecer o desejo de ser uma kunoichi.
Tinha ciência de que a incentivara a buscar aquele caminho, mas agora se arrependia profundamente de ter colocado em risco a vida da jovem. Gostava muito dela e a última coisa que imaginava ou queria era que ela se arriscasse, se machucasse, ou até mesmo, morresse. Saindo de seu momento de reflexão, se afastou brevemente da maca e percorreu a sala com os olhos, a fim de encontrar a prancheta com os dados clínicos de Hana. Assim que a encontrou em cima de uma mesinha próxima à janela, movimentou a cadeira e a pegou, tomando conhecimento do estado de saúde da moça. O que viu a deixou ligeiramente animada, pois o estado dela não era tão grave assim e de fato, o coma fora induzido para a segurança da paciente.
Recolocou a prancheta no lugar e voltou a ficar perto de Hana, reconduzindo a mão dela por entre as suas. Momentos depois, Ino apareceu na sala, informando-a que o time havia retornado e que Konohamaru queria muito vê-la. Com o coração "quentinho", Sakura se distanciou da morena, não sem antes plantar um delicado beijo na mão da jovem. O percurso até o quarto em que o Sarutobi estava foi relativamente rápido e assim que abriram a porta, ele saltou da cama em que estava sentado, sendo atendido por uma enfermeira e sorriu amplamente ao vê-la.
― Oh, Sakura. Que bom revê-la! –Exclamou, se aproximando e abraçando-a.
― Oh, Kono-kun. –O cumprimento soou mais como um lamento, mas ela logo tratou de mudar a impressão que causara. ― Eu estava tão preocupada. Achei que fosse perdê-lo para sempre. Você está bem?
Apesar da forte emoção dominá-la, ela conseguiu se controlar, evitando que uma nova onda de lágrimas se formasse. O abraço que compartilhavam transmitia toda a sua estima, além de conforto, o que ambos precisavam. O carinho e amor que sentia pelo Sarutobi não poderiam ser medidos, apenas expressados e tendo ciência da ausência definitiva dos pais do garoto, ela pretendia demonstrá-los ainda mais.
― Eu... estou bem, apesar de tudo. –Suspirou, cansado. ― E-eu sinto muito pelo bebê. –Murmurou, sem jeito.
― Como... Como você soube? –Sakura questionou, interrompendo o abraço e dirigindo um olhar confuso ao garoto.
Viu quando ele ficou acuado, olhando dela para Ino, como se tivesse algo a esconder, ou medo do que ela pudesse saber. Desconfiada, Sakura girou a cabeça e olhou para Ino com o cenho franzido. Estariam os dois lhe escondendo algo?
― Olha, Sakura... Eu não sei se é certo contar assim, mas você ia saber de qualquer forma. –Dando de ombros, Konohamaru suspirou outra vez e molhou os lábios com a ponta da língua, tomando sua atenção novamente. ― O Naruto nos contou, ao final do meu resgate. Você sabe, daquele jeito descuidado que ele tem. O sensei também sabe, mas... –Voltou a olhar para Ino, como que pedindo autorização para continuar. ― Bem, ele está em cirurgia agora, pois sofreu uma fratura, uma lesão, eu não sei ao certo no tórax e teve uma hemorragia interna.
― Kami-sama! –O controle adquirido ameaçou evaporar, deixando-a trêmula e angustiada. Queria ceder ao choro outra vez, mas com muito custo, conseguiu se conter. ― Onde ele está?
― Ele está no centro cirúrgico dessa ala aqui mesmo, mas só poderemos vê-lo mais tarde. –Ino interrompeu, pois conhecendo bem a amiga, sabia que ela seria capaz de invadir a sala de operação, a fim de ajudar a salvá-lo. ― Aqui não é a nossa Vila, por isso não podemos interferir em nada, ok?! Além disso, você precisa repousar, Sakura... A senhorita perdeu muito sangue e ainda está fraca.
― Mas... –Protestou inutilmente, adquirindo uma expressão de pavor.
― Mas nada! A Ino está certa. Você precisa descansar. –Konohamaru interveio, temeroso com o estado de nervos em que ela se encontrava. ― Façamos desse jeito, sim?! Vocês voltam para o quarto em que estavam e logo eu estarei lá, pode ser?
― Claro, Konohamaru-kun. Até breve! –Ino concordou, logo empurrando a cadeira para longe. Sakura continuava estática, em choque com a revelação anterior.
A Yamanaka compreendia que havia muitas informações para absorver em pouco tempo, além de muitas tragédias para processar, por isso queria poupar a amiga de mais dor. Não tinha certeza do que faria quando Kakashi fosse liberado e pudesse receber visitas, pois certamente, Sakura gostaria de ir vê-lo. Seu coração estava espremido no peito, a preocupação vincava sua testa e uma inquietação incomum tomava conta de seu estômago. Sabia que as emoções de todos estavam afloradas e imaginou que seria forte o suficiente para aguentar qualquer "parada", mas a realidade estava se mostrando contrária à sua imaginação.
―X―
Ficar parada, impedida de caminhar e agir não fazia o forte de Sakura, mas ter Ino como sua "cuidadora" tinha suas implicações; quando queria, a kunoichi conseguia ser bem durona, se igualando à sua mãe, Mebuki, nas broncas. Após a visita de Konohamaru, que durou cerca uma hora, elas receberam também Naruto e Jiraiya, que se mostraram muito felizes pela aparente recuperação que ela demonstrava. Apesar de ter se chateado pelo Uzumaki ter soltado uma informação tão dolorosa e inesperada de um jeito escandaloso, ela gostou de revê-lo, amou poder voltar a abraçá-lo.
Ainda que a distração oferecida pelos amigos lhe fosse bem-vinda, uma sensação de incompletude e sofrimento não a abandonaram. Perguntou-se várias vezes o que havia feito de tão ruim para penar tanto, passar por aquele martírio, porém, desistiu de obter respostas e permitiu-se relaxar um pouco e apreciar a companhia daquela gente que lhe era tão querida.
Quando eles saíram, deixaram uma sensação de vazio, ainda mais quando Ino precisou resolver "assuntos pessoais". Logo Kankuro apareceu brevemente no quarto, após ter visitado Hana; segundo ele, os médicos afirmaram que notaram uma mínima melhora no quadro dela e que se este progresso se mantivesse, logo seria tirada do coma induzido. Exultante com as boas novas, Sakura até aceitou comer um pouco da refeição que o hospital oferecia, para alegria de Ino, que havia retornado com a bandeja.
― E então, Ino. Tem notícias do Kakashi? –Perguntou enquanto comia distraidamente uma pequena porção de gelatina de morango.
― Ele já saiu da sala de cirurgia e foi encaminhado para o quarto, mas ainda não pode receber visitas. –Informou a Yamanaka, com um leve muxoxo.
― Oh, eu entendo. –Por mais que tentasse esconder, o desapontamento ficara evidente em sua voz, o que não passou despercebido por Ino. ― Eu espero que ele fique bem e se recupere logo. Ele... Ele é muito forte e vai ficar bem. –Disse num tom mais baixo, como se quisesse convencer a si mesma.
― Sim, Sakura. Ele vai sair dessa, aliás, a cirurgia foi um sucesso, mas ele ainda está muito sedado. –Ino anuiu, pegando a outra porção de gelatina para si. ― Você está mesmo apaixonada por ele, não é mesmo?
― Co-como? –Sakura engasgou com a gelatina e logo seu rosto adquiriu uma coloração avermelhada. Pelo engasgo ou pela vergonha, não fazia diferença, o fato era que ela não chegara a verbalizar aquelas palavras e isso ainda a assustava. Muito.
― Ora, não se faça de besta, Sakura. Eu vi como você fica quando fala do Kakashi, ou quando escuta o nome dele. –Escarneceu, depositando o recipiente vazio da gelatina na bandeja. ― Confesso que imaginei que isso fosse acontecer, mas ver isso nos seus olhos... Uau, é melhor do que eu havia pensado!
― Ino, deixe disso, sim?! Você está imaginando coisas. –Sakura negou, ainda corada.
― A quem você pensa que engana, testuda? –Ino riu do embaraço da amiga, mas logo se conteve, pois ela se mostrava bastante constrangida. ― Ok, me desculpe pela indiscrição, mas minha cara... Você está caidinha pelo Kakashi, não adianta discutir.
― Se eu não te amasse tanto, Porca, eu te odiaria. –Furiosa, Sakura empurrou a bandeja para o lado e cruzou os braços diante do peito, exibindo uma expressão emburrada.
― Deixe de ser infantil. Admitir o que sente não a torna mais fraca, muito pelo contrário. –Ino opinou, notando Sakura começar a "amolecer". ― Aposto que vocês viveram momentos lindos. Tanto é que se tudo tivesse seguido o fluxo, iam ter um filho! Seria meu sonho? Conte-me um pouco de vocês, por favor?!
― Eu... –A realidade a atingiu como um balde de água fria.
O envolvimento que tinham não era superficial e pelo que Kakashi demonstrara até o momento em que se separaram, ele também sentia algo por ela. Não era tão inexperiente assim para que não reconhecesse que era, de certa forma, especial para alguém. Talvez ele não a amasse como ela o amava, mas o Hatake demonstrara se preocupar muito; isso ficara evidente em vários momentos e um deles era mais recente: a noite em que foram espionados por Gaara. Ino não precisava saber das minúcias, mas era bom poder, enfim, conversar com alguém sobre o que sentia.
― Ah, Ino. Eu decidi seguir o conselho que você me deu na última carta que trocamos. Eu fui atrás dos meus desejos, do que imaginava que fosse o melhor, efetivamente e ao que parecia, o Kakashi só estava esperando que eu desse o primeiro passo. –Riu levemente, relembrando a noite em que ele a tinha visto somente de camisola quase transparente e correra para o abraço, literalmente.
― Oh, que maravilhoso! –Encantada, Ino relaxou na cadeira que levara para a sala, a fim dar mais espaço para a amiga. ― Eu disse, mulher. Homens mais maduros sabem partir para o ataque, mas dadas as circunstâncias em que vocês estavam, acredito que ele tenha se decidido por esperar um sinal positivo vindo de você.
― E foi isso mesmo. –Sakura concordou, sorrindo mais amplamente. ― Inicialmente, nós dois ficamos meio receosos, após nos entregarmos da primeira vez, mas conversamos e logo estávamos nos amando novamente. –Admitiu, corando levemente e desviando os olhos para as próprias mãos.
― Aaaah, que lindos. –O grito animado da Yamanaka deixou a Haruno ligeiramente desconcertada, mas logo ela se pegou rindo novamente. ― E o Konohamaru-kun? Ele não desconfiou de nada?
― Bem, ele foi muito esperto e me pediu para dormir na casa de um amiguinho, acredita? –Falou empolgada, notando o rosto de Ino se iluminar. ― Ele ficou fora durante a noite e o sábado inteiro, então você deve imaginar o que estávamos fazendo nesse meio tempo.
― Hm... Danadinhos! –Ino gargalhou, corada de satisfação. ― Eu não quero detalhes íntimos, longe de mim, mas... Como ele agia? Ele parecia, sei lá... Apaixonado?
― Bem, eu não sei ao certo. –Sakura ponderou, sentindo-se boba por não ter se atido aos pormenores do que vivenciaram. ― O que vivemos foi intenso, explosivo, mas ao mesmo tempo, houve um cuidado da parte dele, entende? Ele sempre se preocupava comigo, se eu estava feliz, sentindo tudo na mesma proporção que ele... Então eu acho que sim. –Reconheceu, exibindo um largo sorriso.
― Oh, minha amiga. Eu fico tão feliz por você. E de fato, eu estava certa, não? –Piscou, sorrindo maliciosamente. ― Eu disse que quando você se permitisse viver novas experiências, conhecesse uma pessoa com a faixa etária diferente da sua, você ia gostar. Eu fico extremamente feliz que essa pessoa tenha sido o Kakashi e que ele tenha lhe feito tão bem.
― Ah, Ino. Eu não sei o que eu faria sem você. –Abraçou a Yamanaka, meio sem jeito, mas o que importava era a intensidade do que sentia, tanto por ela, quanto pelo Hatake.
Após o diálogo esclarecedor, as duas se mantiveram em um confortável silêncio. Ino aproveitou para usufruir da tecnologia disponível em Suna e arriscou "fuçar" o celular de Sakura, que já ela havia a autorizado horas atrás, entretanto, não tivera oportunidade para tal. Viu várias chamadas perdidas de Hana, datadas do dia do rapto de Konohamaru e a informou, pois certamente, a Haruno ainda não tinha visto os registros.
Viu um joguinho baixado no aparelho e logo estava fazendo as combinações e comandos solicitados, adorando aquele entretenimento. Jogou por um bom tempo, só voltando a si quando escutou uma risadinha vinda de Sakura; ergueu os olhos do smartphone e observou que ela encarava um ponto próximo à janela, parecendo leve, feliz.
― O que foi, Testa? Está endoidando? –Brincou, chamando a atenção da rósea.
― Me desculpe, Ino. Eu estava... Relembrando os momentos que passei com o Kakashi, mas mais especificamente, o dia em que ficamos sozinho.
― Aquele fatídico sábado sem o curioso do Konohamaru-kun por perto? –Perguntou, se esquecendo completamente do celular.
― Sim. Eu estava rindo da bagunça que ele fez na cozinha. O Kakashi inventou de misturar ingredientes aleatórios, receitas novas e o resultado foi desastroso. –Riu-se novamente, balançando a cabeça em negativa. ― Você precisava ter visto. Ficou um caos! Mas ele logo fez alguns clones que o ajudaram a limpar tudo.
Ino sorriu, genuinamente contente por saber que a amiga tivera muitos momentos felizes ali em Suna e não apenas momentos trágicos, infelizes. Ela se sentia da mesma forma quando estava com Yamato, apesar da resistência inicial que ele apresentara. No fim, tudo se encaminhava para a resolução, para um final feliz e era aquilo que ela esperava que acontecesse com Sakura.
― Quando nós não estávamos... Você sabe... Compartilhávamos de conversas leves, risos fluídos, carícias despretensiosas. Mas o que não chegamos a fazer foi algo fundamental: planos. –O semblante, de sereno e feliz passou a ser sério, compenetrado. ― Sei que poderia parecer apressado, precipitado, mas nós tivemos outras noites de amor após a primeira e a cada vez, nossa relação se aprofundava, o envolvimento ficava mais íntimo, intenso e apesar de sempre conversarmos, nunca falamos sobre o "depois". O depois da missão, para ser mais exata.
― Ah, Sakura. Vai ver ele não quis pressioná-la, ou não quis dar a impressão de que a estava apressando tudo. Talvez ele quisesse aproveitar o momento, sem ter a preocupação de pensar tão adiante. –Murmurou de modo compreensivo. ― O que importa agora é que o perigo já passou e quando vocês estiverem bem, poderão voltar para Konoha e, quem sabe, recomeçar?
― É... Talvez. –Sakura não parecia tão convicta, porém, o que Ino poderia fazer? Nada.
Os dois deveriam e necessitavam se acertar, mas para tudo havia uma hora e lugar e talvez, um pouco de tempo fosse necessário para isso. Suna já havia deixado traumas suficientes naquela "família", a Vila ser palco de outras decisões poderia não ser uma boa. Em sua concepção, o período que seriam obrigados a passar ali – para a recuperação da saúde de todos –, deveria ser aproveitado exclusivamente para esse fim e situações a serem acertadas deveriam ser deixadas para ser concluídas em Konoha.
As emoções poderiam estar conflitantes, controversas; as palavras e até mesmo as ações poderiam ser influenciadas pelos últimos acontecimentos, pelo meio em que conviviam. A confusão, apesar de ligeiramente arrumada, persistia, não favorecendo uma análise mais profunda de anseios para o futuro, a percepção de sentimentos. Tudo deveria ser feito em etapas: primeiro a recuperação de todos, logo após, a resolução de questões burocráticas e afins e finalmente, a etapa mais aguardada... o retorno para Konoha e o acerto de pendências.
O ar tranquilo da Vila natal e as antigas rotinas seriam bons aliados para a tomada de decisões, para a percepção do que lhes era necessário, além de um bom descanso, é claro. Viver sob constante ameaça deixaria qualquer um tenso, com nervos aflorados e Konohamaru, principalmente, precisava dessa paz. Ele carecia de uma desintoxicação, tanto de corpo, quanto de alma; o medo exacerbado, a tensão sofrida ao ser raptado, a perda dos pais... Tudo isso o deixara fragilizado, não precisava ser sensitiva para notar. Faria o possível para ajudá-lo, mas antes, precisava ser o porto seguro de Sakura, ela estava fragilizada demais, tanto física quanto emocionalmente.
Foi com espanto que, ao dar uma rápida olhada no visor do celular, a Yamanaka percebeu que estava muito tarde. A madrugada se iniciava e nada de novas notícias sobre Kakashi chagarem. Apesar da animação exibida momentos antes, estava cansada e precisava dormir um pouco. Não queria deixar Sakura sozinha, por isso lhe avisou que logo retornava e saiu, à procura de Naruto ou de Jiraiya. A amiga assentiu, esfregando os olhos, estes que estavam vermelhos; talvez fosse o sono, ou poderia ter sido pelo choro, o fato é que era visível o cansaço naquele rosto.
Quando retornou ao quarto, cerca de meia hora depois, notou que a Haruno dormia, ressonando tranquilamente. Aliviada, ela abriu mais a porta e permitiu a entrada de Jiraiya que trazia um pequeno sofá – emprestado de um dos quartos que estava sem paciente – e o instruiu a deixá-lo num canto, de modo que ainda permanecesse próximo à maca de Sakura. Após a tarefa, o Sannin se despediu brevemente e pegando um cobertor que encontrara num dos armários, Ino se aninhou no estofado, logo cedendo a um sono tranquilo e sem sonhos.
―X―
― Sakura! O sensei acordou e quer vê-la. –A voz de Konohamaru interrompeu o agradável silêncio mantido pelas duas amigas, que tomavam o desjejum tranquilamente.
― Konohamaru-kun, não seja rude. –Ralhou Ino, notando Sakura engasgar com o chá que havia acabado de bebericar. ― Não entre no quarto das pessoas gritando desse jeito.
― Eu... Perdoem-me, por favor. –Se aproximou de onde as duas estavam e pegou um guardanapo na bandeja, entregando-o à Sakura. ― É só que me pareceu urgente. Eu vou avisá-lo que logo você irá, tudo bem?
Sem condições para falar, a Haruno apenas assentiu, assistindo com preocupação a partida do Sarutobi. Após tossir e se livrar de vez do engasgo, ela dirigiu um olhar desesperado para Ino, sem saber como agir. A Yamanaka entendeu os temores da amiga de imediato e largando a refeição pela metade, pegou uma bolsa guardada em um dos armários presentes no quarto e a ergueu, sorrindo amplamente.
― Testuda, eu tenho um arsenal aqui, minha amiga. –Riu, apontando para uma porta lateral, mais para o fundo do quarto. ― Sabe aquela porta? Pois bem... É um pequeno banheiro e nós, desnorteadas como estávamos ontem, sequer notamos!
― Oh, eu não acredito que usei o banheiro público tantas vezes! –A acompanhou no riso, lamentando ter tido tanta dificuldade para se locomover, sendo que tinha um banheiro particular ao seu dispor.
― Pois é, querida. Então se apresse, vá tomar um banho e trocar de roupa, pois eu passei por lá hoje mais cedo e peguei vários itens indispensáveis. –Gabou-se, depositando a bolsa em cima da maca.
― Está certo. –Levantou-se, feliz por não estar mais se sentindo tonta. Dispensou a ajuda que Ino tencionou prestar e olhando-a nos olhos, murmurou com voz embargada: ― Muito obrigada por estar aqui, Ino. Eu não sei o que seria de mim sem você.
― Ah, Sakura. –Também emocionada, Ino a abraçou forte, controlando as lágrimas que ameaçavam rolar. ― Você sabe que eu te amo. Você pode contar sempre comigo.
― Eu sei. –Sakura concordou, desfazendo o abraço. ― Mas eu a agradeço mesmo assim. –Riu de leve, começando a se afastar em direção ao banheiro.
Ela não quis demonstrar, mas estava extremamente nervosa com o reencontro que teria com Kakashi. Ao acordar, Sakura chegou a uma importante decisão, mas não compartilhou com a Yamanaka por ela ainda estar sendo digerida, planejada lentamente. Evitaria pensar enquanto estivesse com ele, faria o possível para mostrar que estava bem, que se preocupava com ele e o resto... Bem, o resto teria que esperar, ao menos por ora.
Bem... Inicialmente, eu pretendia matar a Hana, mas eu me afeiçoei tanto a ela, que acabei desistindo ^^. Eu vou fazê-la acordar e se despedir da Sakura dignamente, podem ficar tranquilas. Como dei a entender agora mesmo, o período em Suna está acabando. Amém?! Amém! No próximo nós já teremos alguns acontecimentos importantes, afinal, estamos na reta final! Ai, que emoção! :D Pretendo voltar o quanto antes, mas não posso garantir nada =/.
Enfim, espero vê-las nos comentários. Kissus e até breve! :*
P.S: Já ia me esquecendo. Eu apaguei minha página no Facebook e vou migrar minha interação com vocês para o Tumblr. O link está no meu perfil, mas vou deixá-lo aqui, já direcionando para a tag que vou usar para fazer os posts. Quem puder/quiser me seguir, fique à vontade. Para quem não tem conta, eu deixarei a askbox de lá aberta, assim vocês poderão me mandar perguntas, elogios, etc;
Link: shadowsinthenight . tumblr tagged / personal (é só tirar os espaços).
