- C-Como? – Emmett encarou Esme e Carlisle com as sobrancelhas juntas, respirando com dificuldade enquanto seu queixo travava. – Como assim Edward é adotado? Ele é meu irmão!
- Os pais dele estão vivos? - O médico pouco se importou com a revelação e simplesmente perguntou.
Para minha extrema surpresa, Charlie respondeu com um aceno negativo. Encarou Esme e Carlisle com um olhar cúmplice e se afastou com Alice para conversar com o médico.
Meu Deus, o que estava acontecendo aqui?
- Sim, ele é seu irmão. - Carlisle concordou. - Mas não é irmão de sangue, Emmett.
Eu estava tão confusa. Tanto quanto Emmett. Então Edward não era filho de Esme e Carlisle? Mas... Não, aquilo não tinha nenhum sentido pra mim.
- Como não é irmão de sangue? - Ele gritou, desesperado. O jeito que ele encarava os pais era um olhar cheio de repulsa, confusão e incredulidade. - Do que... Do que vocês estão falando? Que tipo de brincadeira estúpida é essa?
Não parecia ser uma brincadeira, até porque Esme e Carlisle não brincariam com algo tão sério, muito menos numa hora como essas. Edward tinha acabado de sofrer um acidente!
Não, não podia ser brincadeira.
Rosalie agarrou meu braço e cobriu a boca em choque.
- Não é nenhuma brincadeira, meu filho. – Esme começou a chorar. – Você era muito pequeno pra saber o que acontecia. E foi tudo tão... Rápido. Nós não pretendíamos ter outro filho, mas...
- Nós sempre íamos ao orfanato nos finais de ano. – Carlisle continuou quando Esme parou de falar, pigarreando enquanto olhava o filho. – E tinha essa mulher... Essa mulher que cuidava das crianças... Elizabeth. Elizabeth Masen.
- Ela era muito apegada à Edward. – Esme continuou em lágrimas. – E ela sempre chamava nossa atenção a aquele bebê, dizendo que quem o adotasse seria muito feliz. Nós perguntamos por que alguém colocaria para adoção um bebê como aquele, tão lindo, doce... - Esme suspirou, os olhos fixos em Emmett que sem piscar, derramavam lágrimas grossas.
- Elizabeth disse que ele estava lá porque sua mãe tinha uma doença terminal e seu pai havia morrido. - Carlisle murmurou com os olhos parados no nada, como se pudesse ver a cena que ele contava. - Elizabeth era a mãe de Edward. E ela morreu uma semana depois que nós o adotamos.
- Meu Deus. – Emmett se afastou, respirando fundo enquanto mexia nos cabelos nervosamente e murmurava várias palavras sem sentido ao mesmo tempo. Começou a andar de um lado pro outro em silêncio. - É por isso que eu não tenho o Masen no meu nome não é? É por isso que eu sou tão moreno e Edward é meio loiro, quase ruivo... É por isso que não tem fotos de Edward recém nascido, nem de você no hospital, nem nada do tipo. Meu Deus, como vocês puderam esconder isso de mim? Como vocês esperam que nossas vidas estejam construídas pra dizer uma coisa dessas? Como...
Emmett parou, encarando Esme e Carlisle com um olhar frio e cortante, sem nenhuma expressão no rosto.
- Edward não sabe disso, não é? – Ele perguntou e Esme só soluçou alto, respondendo a pergunta dele. – Meu Deus.
Fiquei de mãos atadas. Confusa e em choque com a revelação. Rosalie ao meu lado quase não respirava para não fazer barulho e Esme não parava de chorar. Dessa vez, nem ela sabia o que dizer.
Mesmo assim, Edward não ser filho de Esme não mudava nada. Eu continuaria o amando e sabia que as coisas eram assim para Esme, Carlisle e Emmett, mas a notícia não deixava de ser chocante.
- Emmett... - Carlisle chamou, mas Emmett só ergueu a mão, pedindo silêncio.
- Preciso pensar. - Murmurou antes de sair pelo corredor com uma expressão dolorida. Rosalie me soltou para ir atrás dele e eu encarei os pais de Edward.
Esme e Carlisle sempre seriam os pais de Edward. Eles o criaram, eles o amavam mais do que qualquer outro casal poderia amar Edward como filho.
- Isso é verdade? - Perguntei baixinho e Esme concordou com a cabeça. Me aproximei para abraçar os dois e suspirei pesadamente em seus ombros. - Emmett vai entender. O que vocês fizeram foi maravilhoso. – Eu me afastei para encará-los, piscando pra poder enxergar os dois, já que minha vista estava um pouco embaçada demais.
Carlisle sorriu e eu me afastei um passo.
- Emmett não vai me perdoar por ter escondido isso. – Esme murmurou, mergulhando no peito de Carlisle para soluçar.
- Emmett vai ficar bem. Ele vai entender e vai apoiar vocês dois, tenho certeza disso. – Confortei, respirando fundo.
- Temos que pensar em Edward agora, meu bem. – Carlisle murmurou, afagando os cabelos de Esme. – Ele ainda precisa de sangue.
- Vou falar com o médico. – Avisei. – Cuide dela, Carlisle.
Saí da sala de espera e procurei por Charlie, Alice e pelo médico, que parecia curioso em ler uma papelada em suas mãos.
- O que vão fazer agora? – Perguntei, mordendo o lábio de puro nervoso. Na minha cabeça, todos os pensamentos se resumiam a como Edward ficaria, quem doaria sangue para ele, quando tempo demoraria para que ele ficasse bem novamente. – Onde conseguiremos um doador, Allie?
- Está olhando para ele. – Alice murmurou, piscando pra mim com um sorriso no rosto.
- Como assim? – Perguntei, confusa.
- Alice tem o mesmo tipo sanguíneo que Edward. – Charlie explicou. – Ela vai doar sangue para ele.
- Mesmo? – Minha mão pousou no peito enquanto eu sentia meu peito encher com a possibilidade de Edward melhorar mais rápido.
- É, parece que vocês dois são compatíveis. – O doutor explicou, concentrado na papelada. – Ótimo, Alice Brandon. É ótimo que você possa ajudar seu amigo.
Nós fomos a uma sala separada e algumas enfermeiras trataram de imediatamente tirar o sangue de Alice.
- E então, como estão as coisas lá fora? – Alice perguntou e eu respirei fundo.
- Não muito bem. – Murmurei. – Não foi a melhor notícia que Emmett recebeu.
- Eu nunca pensei que Edward não fosse filho de Esme e Carlisle. – Alice fez uma careta. – Nem parecia verdade quando Esme disse.
- Eu ainda não estou acreditando...
- Vai dar tudo certo. – Charlie murmurou, concentrado na agulha no braço de Allie com uma careta esquisita.
- Então você sabia disso, Charlie? – Perguntei, o encarando. – Você sabia que Edward era adotado?
Charlie só concordou com a cabeça.
- Carlisle nunca manteve isso como segredo pra mim. – Ele deu de ombros. – Mas eu não sabia que Edward e Emmett não sabiam.
Eu o encarei por alguns segundos antes de olhar para Alice. Não tinha muito o que dizer a Charlie. Não era obrigação dele contar a ninguém, já que Charlie pouco tinha contato com Edward.
As enfermeiras tiraram o quanto podiam antes de encaminhar o sangue à Edward. A doação em si pouco tempo levou, mas a espera de Alice e o tempo que o médico ficou explicando o que havia acontecido, foi maior. Devia ter passado uma hora ou um pouco mais.
- E então? – Esme perguntou ansiosa, assim que voltamos a sala de espera.
- Alice doou sangue para ele. – Charlie explicou, ajudando Alice a se sentar.
- Disseram que agora Edward tem mais chances de ficar melhor mais rápido. – Eu expliquei do mesmo jeito que o médico havia falando comigo. – Edward perdeu sangue e teve alguns cortes, além do gesso que ele vai ter que usar no braço, mas graças a Deus não precisou de nenhuma cirurgia, nem teve nenhum osso quebrado.
Carlisle soltou um alto suspiro de alívio e Esme fez o mesmo, as mãos grudadas no coração enquanto ela relaxava minimamente com a notícia.
- Ah, com tantas coisas acontecendo, eu nem conseguiria pensar direito. – Esme falou, nervosa.
- Obrigada, Alice. – Carlisle murmurou.
- Tudo bem. – Alice murmurou, visivelmente cansada. – E Emmett? Já apareceu por aqui?
- Não. – Carlisle esfregou os cabelos do mesmo jeito que Edward sempre fazia. – Não tivemos notícias dele até agora. Nem Rose nos ligou, nenhuma notícia.
- Eles vão aparecer. – Eu confortei.
- Emmett está com raiva de mim. – Esme falou tristonha. – Emmett me odeia agora.
- Claro que não odeia, Esme. – Charlie negou com a cabeça. – Ele só está confuso e em choque. Passou a vida toda tendo como certo que Edward era seu irmão biológico. Saber que isso não é verdade é um choque pra qualquer pessoa.
- Vocês vão se entender. – Alice sorriu fraca e eu me sentei ao seu lado, deixando que ela encostasse a cabeça no meu ombro.
Ficamos em silêncio por algum tempo até que vimos duas silhuetas virem do corredor. Emmett estava com os olhos pouco inchados e o nariz vermelho, mas sua expressão era fria e pouco emotiva. E Rosalie sorria do melhor jeito simpático que podia diante da tensão do ambiente.
- Como Edward está? – Emmett perguntou, pigarreando antes de falar.
- Vai ficar bem. – Alice murmurou, fechando os olhos antes de se aconchegar ainda mais no meu ombro.
- Alice doou sangue para ele. – Esme explicou e Emmett concordou com a cabeça.
Ficamos em silêncio enquanto Emmett encarava os pais.
- Podemos conversar lá fora?
Esme e Carlisle saíram e Rosalie veio se sentar ao meu lado, enlaçando o braço no meu.
- Pode pegar um copo de água pra mim, Charlie? – Alice pediu e ele concordou com a cabeça, saindo pelo corredor atrás de um bebedouro.
- Bella, você está bem? – Alice perguntou, mesmo sem estar bem o suficiente pra cuidar da minha saúde.
- Estou legal.
- Está com fome? – Rosalie sussurrou pra mim e eu neguei com a cabeça. – Bella, estamos aqui há algumas horas, você não acha que deveria comer alguma coisa?
- Não estou com fome, Rose. – Eu franzi o nariz. – Sabe, eu estou até enjoada.
- Como essa nosso mini-Edward aí? – Rosalie perguntou, apontando pra minha barriga e eu sorri minimamente, internamente desejando que Edward pudesse me fazer a mesma pergunta. Mas ele ainda estava em alguma sala, rodeado de médicos. E também não sabia do começo de vida do nosso filho.
- Esperando por notícias do pai.
- Edward vai amar saber desse bebê! – Alice bateu os cílios, ainda meio fraca. – Eu tenho direito de ser madrinha depois de doar sangue ao pai, não tenho?
Rose riu e eu revirei os olhos.
- Bella, se cuida. – Rosalie murmurou. – Não esqueça de sempre comer alguma coisa.
- Ok, mamãe. – Eu sorri e Rose fez o mesmo. – Quando eu tiver alguma notícia melhor de Edward, nós vamos comer alguma coisa, pode ser?
- Pode ser pra mim. – Alice retrucou. – Estou morrendo de fome!
Nós rimos brevemente antes de esperar o silêncio da sala de espera se acomodar novamente.
Rosalie suspirou, varrendo a sala com os olhos. Olhou Charlie voltando com um copo de água e me encarou, curiosa.
- Ele sabe sobre a gravidez?
- Não. – Respondi e Charlie se aproximou para dar o copo de água a Alice.
O silêncio voltou enquanto Charlie se sentava a nossa frente, me encarando com um olhar preocupado.
- Você está muito pálida, Bella. – Charlie franziu o nariz. – Devia aproveitar que está no hospital e visitar um. Não é normal ter essa cor de defunto!
- Anemia. – Dei de ombros, encostando minha cabeça na parede atrás do banco.
Na verdade eu estava me sentindo um pouco fraca demais, meio tonta demais, pesada demais. Eu estava completamente esgotada!
- Você já foi ao médico, Bella? – Charlie começou, assumindo um semblante preocupado.
- Já. – Concordei. – Estou tomando suplementos, Charlie. Vou ficar bem.
- Eu espero que sim. – Charlie franziu os lábios. – Ou eu mesmo te levo ao hospital, ouviu mocinha?
- Certo, certo...
Me acomodei no ombro de Alice e ela apoiou a cabeça sobre a minha. O silêncio da sala e a velocidade dos meus pensamentos se misturaram ao meu cansaço e eu devo ter pegado no sono naquela posição mesmo.
Acordei com a voz de Alice no meu ouvido, cutucando meu ombro levemente.
- Bella... – Alice chamou. – Bella, acorda, meu bem.
Abri os olhos, piscando pra enxergar melhor o ambiente. A janela já mostrava que a noite tinha chegado e eu não tinha visto e que as coisas entre Esme, Carlisle e Emmett estavam melhor, já que os três estavam de mãos dadas no banco a nossa frente, sorrindo pra mim cheios de compaixão.
O olhar de Carlisle em mim me trouxe uma sensação estranha de acolhimento que eu nunca senti ao vê-lo. Os olhos desviaram para Esme antes de encararem minha barriga lisinha e eu corei.
Esme deveria ter contado a ele. Ele sorriu e eu disfarcei, esfregando o rosto com as mãos.
- Que hora são? – Perguntei, ignorando tudo aquilo.
- Sete e meia. – Charlie respondeu prontamente, se abaixando na minha direção com um sorriso simples. Deslizou as mãos pela minha testa e ajeitou meu cabelo. – Você está bem?
- Estou. – Concordei sem nem parar para pensar se eu realmente estava ou não, e Charlie me entregou um de seus casacos, que eu sem titubear, vesti por cima do vestido. – Como Edward está? Alguma novidade?
- Ele está bem. Se recuperou muito bem depois da doação de Alice, está sob efeito de medicação... Mas já pode receber visitas. – Charlie sorriu e eu suspirei pesadamente, sentindo certo alívio em ouvir aquilo.
Isso era bom. Era ótimo. Era quase como ter Edward de volta para mim. Para mim e para o meu filho.
Olá leitoras. :D
Antes de qualquer coisa, peço desculpas pela ausência na semana passada.
Não apareci porque minha avó não estava muito bem e as coisas saíram da rotina por aqui :(
Mas está tudo bem agora, e o capítulo novinho está postado para vocês.
Próxima semana eu respondo as reviews, pode ser? Promessa minha. :)
Vejo vocês por aí,
XxX :*
