ERA UMA VEZ... LHANA!
- Hehashiro, eu acho que eu estou grávida.
Era uma linda manhã de julho, o sol finalmente aparecia depois de uma semana escondido entre as nuvens negras da época das chuvas. O casal de jovens havia pouco voltara de sua última aventura em Tóquio, na verdade ainda não havia se re-adaptado completamente à vida no interior pacato da China.
- Lily... O que... como é que...
Hehashiro e Lily estavam sentados na mesa do café da manhã, lado a lado voltados para a janela. Ela segurava firme as mãos do marido, sorindo apesar de preocupada. Já desconfiava que alguma coisa estava errada com ela a algum tempo, e uma rápida consulta com a "enfermeira" da vila – não por coincidência ninguém menos que Yan Urameshi, sua sogra – logo confirmou suas suspeitas. A quase vovó parecia feliz com a descoberta, porém ela sabia que os homens da família poderiam não encarar a notícia com a mesma felicidade.
- Eu falei com a sua mãe ontem, ela não costuma errar essas coisas. – Lily apertou ainda mais as mãos do jovem ao seu lado. Hehashiro estava a uma semana de completar dezenove anos, e ela há pouco havia feito dezoito.
- Mas nós sempre... nós sempre tomamos cuidado... como é que... – Hehashiro se aproximou mais da esposa, puxando-a para que ela passasse a repousar em seu colo. Ele então delicadamente começou a massagear sua barriga no local em que ele imaginava deveria estar o projeto de bebê.
- Quando estávamos em Tóquio, nós nos esquecemos das precauções algumas vezes, lembra? Quando você passava horas tentando fazer seus irmãos largarem do seu pé pra que a gente pudesse ter privacidade...
Estas lembranças em particular fizeram Hehashiro corar. Com sua estada em Tóquio prolongada, a família Urameshi fora obrigada pela falta de dinheiro a se hospedar na casa de uma certa professora de quem Lily gostava muito e sentia muitas saudades. Toshihiro e Vladmir, curiosos com as atividades noturnas de seu irmão mais velho, havia decidido ficar a noite inteira acordados para apreciar os detalhes. Hehashiro teve tanto trabalho trancando os garotos no banheiro por aquelas noites que, quando finalmente pode relaxar ao lado da esposa, não quis pensar em mais nada.
O casal ficou em silêncio por algum tempo, abraçados olhando para o sol nascente. Xigaze era uma vila bonita e tranqüila, onde todos conheciam todos e fofocas se espalhavam mais rápido do que pólvora. Hehashiro pensou em quanto tempo demoraria para as Marias-fofoqueiras da vila começarem a comentar sobre o adolescente irresponsável que engravidara a esposa antes de arrumar um emprego descente e ser capaz de sustentar a família sozinho – ele ainda recebia mesada de seu pai – e se isso ajudaria ou atrapalharia quando ele realmente tivesse que ir atrás de um emprego na região. Ele pensou no que seu pai diria, no que seus irmãos diriam, no que ele deveria dizer. Hehashiro aproximou seu rosto do de Lily, envolvendo-a em um abraço carinhoso. Havia tomado sua decisão:
- Lily, essa é a melhor notícia que você poderia me dar.
Danem-se os fofoqueiros, danem-se os empregadores, danem-se os pestinhas de quatorze anos. Sim, o primeiro bebê da família estava chegando mais cedo do que eles havia inicialmente planejado, mas não seria isso que o impediria de ficar feliz com a notícia.
- Espero que o seu pai também pense assim. – Lily sorriu, aliviada. Não queria admitir, mas estava com um pouco de medo da reação do marido a essa nova situação. Não que ela achasse que Hehashiro pudesse virar aquele monstro raivoso do passado ou algo do gênero, mas ela tinha que reconhecer que o amor de sua vida era um pouco imprevissível em se tratando de surpresas inesperadas.
- Se ele não pensar, azar o dele. Não vai ser a primeira vez que não compartilhamos as mesmas opiniões.
Os dois terminaram o café da manhã em silêncio, ainda abraçados. O fato de que em alguns meses Hehashiro se tornaria um pai de família demorou um pouco para realmente penetrar em sua mente, junto com as implicâncias e responsabilidades da paternidade. Lily se surpreendeu quando sentiu o rosto do marido tornar-se úmido, porém logo entendeu o que se passava.
- Eu te amo, Lily.
- Eu também te amo, Hehashiro.
Toshihiro e Vladmir receberam tão bem a notícia de que estavam para se tornar tios que Hehashiro quase se arrependeu de tê-los contado. O mestre de Fenku abraçou a cunhada, passando a mão por sua barriga como se esperasse sentir o micro-feto chutando ou algo assim. Quando Hehashiro tentou se aproximar dos dois, Toshihiro lançou-lhe um olhar assustadoramente possessivo que dizia "ninguém toca no meu sobrinho". Em seguida, o adolescente saiu com a Lily para algum lugar que nenhum de seus irmãos jamais ficou sabendo onde ficava. Vladmir, por outro lado, não teve muita escolha a não ser observar o "gêmeo" hiperativo e sentir pena do irmão mais velho, consolando-o após a partida da dupla.
Infelizmente, Jiroh Urameshi não reagiu assim tão bem à notícia de que seria avô. Toda a família estava reunida na sala de sua casa na hora do jantar, depois de Toshihiro ter passado o dia sumido com a cunhada fazendo sabe-se-lá o que. Foi Hehashirou quem falou primeiro, segurando firme a mão de Lily enquanto dava a notícia. Segundos depois de passado o choque, o rosto do chefe da família tornou-se lívido e sua resposta ecoou por toda a casa:
- SEU IRRESPONSÁVEL! – Exclamou ele, levantando-se e agarrando a gola do casaco de Hehashiro. – VOCÊ TEM ALGUMA IDÉIA NO QUE ESTÁ SE METENDO? TEM ALGUMA IDÉIA DO QUE VAI ACONTECER COM VOCÊS DAQUI PRA FRENTE? VOCÊ AINDA É UMA CRIANÇA, COMO ESPERA CUIDAR DE OUTRA CRIANÇA QUANDO VOCÊ AINDA NÃO TEM NEM UM TRABALHO DE VERDADE?
- EU NÃO SOU MAIS CRIANÇA, NÃO! – Devolveu o filho, desvencilhando-se do pai. Os dois saíram da mesa, dirigindo-se para perto da janela. Toshihiro e Vladmir colocaram-se protetoramente ao lado de Lily, que cobria o rosto com as mãos para não ter que assistir à discussão. Yan observava o marido e o filho com o rosto vazio de expressão, esperando pelo momento em que deveria intervir. – E você tem que ter muita coragem pra me criticar depois do que você fez há dezenove anos. Ao menos eu e a Lily somos oficialmente casados...
Paft! O som da mão do pai contra o rosto do filho ecoou pela sala enquanto a cena se desenrolava em câmera lenta. Hehashiro colocou a mão na bochecha dolorida, encarando seu pai com os olhos arregalados. O rosto de Jiroh estava completamente vermelho, sua expressão era assustadora. Alarmada, Yan se colocou na frente dos filhos e da nora, observando atentamente cada movimento do marido.
- Nunca... nunca mencione... isso... de novo... Entendeu? Não ouse usar esse argumento contra mim, Hehashiro! A sua situação é totalmente diferente, você é...
- Chega, Jiroh! – Yan finalmente encontrou o momento certo para agir, colocando-se entre pai e filho antes que seu marido perdesse completamente o controle. – Não importa o motivo, eu não posso ver você brigando com seu filho desse jeito! Será que você não aprendeu nada com o que aconteceu seis anos atrás? Perder seu filho uma vez não foi o suficiente? Acho bom você parar com isso agora mesmo, ou eu não respondo por mim!
Como se por mágica, o rosto de Jiroh voltou ao normal, sua respiração agitada aos poucos se acalmou. Ele em seguida jogou-se nos braços da mulher, sentindo-se cansado e abatido. Os dois se retiraram e não foram mais vistos até o dia seguinte.
Nos meses seguintes, Jiroh Urameshi evitou trocar palavras com o filho mais velho ou mesmo encará-lo nos olhos. Se cumprimentava Lily, era apenas por educação. Yan Urameshi, por outro lado, aproveitara a gravidez inesperada para ficar ainda mais próxima da nora, mantendo-a ao seu lado sempre que possível e cuidando pessoalmente para que ela se alimentasse direito e não fizesse nada que prejudicasse a saúde do bebê. Toshihiro e Vladmir observavam impressionados as mudanças físicas e psicológicas da cunhada durante os vários estágios da gestação, tentando não pensar no que aconteceria quando eles estivessem no lugar de Hehashiro, em um futuro que eles esperavam ser ainda distante. Quando o bebê começou a se mover e a chutar a barriga de sua mãe, os dois se divertiram bastante competindo para ver a qual chamado o bebê responderia. Vladmir normalmente vencia, o que não era exatamente uma surpresa considerando o histórico de suas competições.
Por fim veio o provável nono mês. Era março, o frio do inverno resistia ao início da primavera. Como vinha acontecendo nos últimos quinze anos, Toshihiro mostrava-se muito ansioso para ganhar mais presentes e ter uma desculpa para fazer ainda mais festa, enquanto Vladmir se perguntava se poderia ter pelo menos um aniversário tranqüilo enquanto vivesse com o irmão. A barriga de Lily estava tão grande que ela tinha dificuldades em se levantar e sair de casa, por isso Hehashiro e Yan passavam a maior parte do dia ao seu lado, vigiando-a e cuidando para que nada faltasse a ela e ao bebê. Jiroh continuava agindo como se seu filho mais velho não existisse, o que impressionou até mesmo sua esposa.
- Será que nosso sobrinho vai nascer no nosso aniversário? – Perguntou Toshihiro para seu "gêmeo" à caminho de casa depois da escola. Faltando apenas dois dias para a dupla completar quinze anos, a gravidez de Lily alcansara um estado tão crítico que Yan decidira expulsar Hehashiro e se mudar para o quarto do casal, dedicando-se vinte e quatro horas por dia a cuidar da nora. O novo papai estava sendo obrigado a dormir no tatami da sala sem cobertores.
- Eu espero que não, já é ruim o suficiente ter que dividir a minha festa e os meus presentes com uma criatura inconseqüente. Se o bebê for como você, eu não tenho muita certeza se vou conseguir continuar vivendo aqui por muito tempo. – Respondeu Vladmir, sorrindo ao perceber a mudança na expressão do irmão. Uma das coisas que ele invejava em Toshihiro era a sua capacidade de fazer caretas cômicas. – E também, desde quando ficou decidido que o bebê vai ser menino?
- Ora, tem que ser! Se for uma menina, nós vamos ter que brincar de boneca com ela em um futuro muito próximo! Isso seria uma catástrofe! – Exclamou o chinês trançado, lançando as mãos aos céus para dar mais dramaticidade à cena.
- Quer apostar? Se for um menino, eu faço a sua lição de casa por um mês. – Propôs o russo, sorrindo de um jeito que indicava perigo se aproximando, mas que passou despercebido por seu irmão, uma vez que este estava muito ocupado imaginando- se soterrado por bonecas e bichinhos de pelúcia enquanto era obrigado a tomar chá de mentirinha por um Yoshiyuki de vestido e com cara de menina. A proposta o tirou de seus devaneios, porém:
- E se for menina, eu vou ter que fazer a sua lição de casa!
- Na verdade, eu estava pensando em mandar você fazer as minhas tarefas domésticas por um mês. – Interrompeu Vladmir, agora com uma fingida expressão inocente. – Sabe como é, Toshihiro, não é nada pessoal, mas as suas notas não andam muito boas ultimamente, principalmente em geografia, então...
Len e Jun, que passavam ao lado da dupla em tempo de ouvir a última fala do russo, pararam para poder tirar sarro do mestre de Fenku também. A aposta foi selada depois de muitas risadas e muitos protestos por parte de Toshihiro.
O aniversário dos gêmeos veio e se foi. Com Lily um tanto incapacitada de se mover – sua barriga parecia a ponto de explodir na altura que o dia quinze de março chegou – a festa acabou sendo na casa de Hehashiro, tendo o quarto do casal como centro de tudo. O dia dezesseis também passou sem que nada acontecesse. Somente na tarde do dia dezessete vieram as primeiras contrações. Hehashiro estava no quintal colhendo folhas para o chá quando a voz exasperada de sua mãe chamou-o pela janela. Em pouco tempo, Toshihiro, Vladmir e os Blue Fish também se encontravam no quarto, recebendo ordens da mulher para pegar água quente, toalhas e todas essas coisas necessárias em preparações pré-parto.
- Eu to com medo... E se alguma coisa acontecer com a Lily-san? – Perguntou Kian enquanto ele e Vladmir batiam de porta em porta em busca de toalhas e pedaços de tecidos. Os dois não fazia idéia de para que serviriam tantas toalhas, mas também tinham medo de imaginar.
- Não vai acontecer nada demais, Kian. A minha mãe tem experiência nessas coisas, pelo que eu ouvi, então ela não vai deixar que nada de mal aconteça com a Lily ou com sua netinha.
- Você está convencido de que vai ser uma menina, né?
- Eu fiz uma aposta com Toshihiro, preciso me manter firme.
Vladmir estava decidido a não contar para Kian que na verdade ele também estava preocupado com os pedidos estranhos de Yan Urameshi.
As horas passaram, mas o bebê estava demorando para chegar. Ao anoitecer, as crianças foram expulsas do quarto, deixando apenas Yan e Hehashiro para cuidar de Lily. A matriarca dos Urameshi estava visivelmente preocupada, mesmo seus filhos mais novos puderam perceber que alguma coisa não estava saindo de acordo com os planos. A cada nova contração, o rosto de Lily se contorcia de forma agoniante, ilustrando de maneira bem clara o quão desconfortável – para não dizer dolorida – estava sendo a espera.
- Mãe, a senhora tem certeza que vai ficar tudo bem? – Perguntou Hehashiro após mais uma contração particularmente violenta. Ele não fazia idéia de quanto tempo havia passado naquele quarto, há quantas horas estava sem comer ou beber preocupando-se apenas com sua mulher e o bebê que estava para nascer, só sabia que era tempo demais. Há algum tempo Lily começara a perder sangue, o que para ele decididamente não era um bom sinal. A jovem estava suada e cansada, porém Yan insistia que ela não deveria beber nada ainda. – Desse jeito, a Lily vai...
- Não deixe um pouquinho de sangue te borrar as calças, Hehashiro, não foi pra isso que eu te criei! – De alguma forma, a resposta inesperada acabou animando o mestre de Kufe, que voltou a sorrir enquanto segurava a mão da esposa. – O bebê vai estar chegando daqui a pouco, é normal que haja perda de sangue. Agora fique quieto e não se mexa até eu mandar!
Ao ouvir a nova ordem, Hehashiro encostou seu rosto no de Lily, gentilmente acariciando seus cabelos. A quase mamãe sorriu, apesar do cansaço, e fez menção de tentar alcansar seu rosto com a mão.
- Não, Lily, deixe isso pra depois. – Pediu Hehashiro, falando aos sussurros. – Você precisa poupar suas energias para quando...
Os gritos de Lily, Yan e Hehashiro puderam ser ouvidos por toda a casa. Alarmados, o grupo de adolescentes reunidos na sala por pouco não invadiu o quarto, tentando imaginar o que estava acontecendo. Vladmir consultou seu relógio de pulso: eram duas da manhã do dia dezoito de março. De repente, os gritos cessaram e o silêncio tomou conta.
- Será que... – Começou Len, tentando não pensar no que esse silêncio significava.
Como se para responder à pergunta, um choro anormalmente alto de bebê recém-nascido foi ouvido, seguido do som de uma porta sendo derrubada e dos passos apressados de alguém cruzando o corredor.
- É MENINA! É MENINA! – Tomado pela felicidade, Hehashiro jogou-se em cima de seus dois irmãos, derrubando-os no chão enquanto enforcava-os em seu abraço emocionado sem perceber. Suor e lágrimas se misturavam em seu rosto, o novo papai sorria como nunca antes. Logo, os Urameshi e os Blue Fish encontravam-se reunidos em volta de Lily e da pequena Lhana, que nada mais era do que um emaranhando de trouxinhas que berrava.
- Será que eu posso... – Começou Toshihiro, indicando com seus braços que gostaria de segurar a sobrinha.
- Se você não for como a Rumiko e realmente souber como segurar uma criança... – Quem respondeu foi Vladmir, que se adiantara ao irmão e já estava com a trouxinha barulhenta nos braços. Assim que o garoto a acomodou, porém, o choro parou, revelando apenas um rostinho fofinho e careca adormecido.
- Inveja... – Exclamaram Toshihiro e Hehashiro ao mesmo tempo, provocando risadas de todos os presentes.
- Eu te amo, Lily. – Hehashiro se aproximou da esposa, aproveitando-se que o bebê não estava mais em seus braços para abraçá-la e começar um daqueles beijos cinematográficos que eles adoravam fazer na frente das crianças menores para ver suas caretas. – Amo você e a nossa menininha mais do que qualquer coisa.
- Eu também te amo, Hehashiro, eu também...
Yan Urameshi não deixou que ninguém além de familiares e amigos muito íntimos visitassem Lily e Lhana durante cerca de uma semana, alegando que elas preisavam descansar. Jiroh apareceu para visitar apenas uma vez, porém não queria ver o bebê, o filho ou a nora. Estava atrás de sua mulher, que mesmo após o nascimento do bebê continuava agindo como babá vinte e quatro horas e se recusava a voltar para casa. Lily teve que insistir para que a sogra fosse embora com o homem, não querendo presenciar outra briga. Yan voltou algumas horas depois, não deixou mais a casa do filho e não teve que aturar outra visita do marido. Ninguém fez perguntas.
Tão logo as visitas foram liberadas, a vila inteira fez fila na porta da família Urameshi. Em uma tentativa de organizar o tumulto, Toshihiro, Vladmir e os Blue Fish monstaram uma espécie de recepção na sala de visitas e um sistema de senhas para atender aos visitantes por ordem de chegada. Como havia perdido a aposta sobre o sexo do bebê, o mestre de Fenku acabou sendo obrigado a servir de recepcionista enquanto seus amigos entretiam a fila de espera contando maravilhas sobre as peculiaridades de Lhana.
Lhana Urameshi ao nascer pesava quase quatro quilos, media cerca de cinqüenta centímetros e tinha olhos escuros. O pouco cabelo que tinha era preto. Seu narizinho era pequeno e redondo, lembrando vagamente o nariz do pai de Lily. O que mais intrigava qualquer visitante, porém, era a cor de sua pele, um marrom claro, um tanto amarelado, que Kian apelidara de "cor de pergaminho". A população da vila, acostumada com os chineses amarelos, aprovou a mudança. Algumas mulheres solteras gostaram tanto do que viram que já cogitavam ir para a África em busca de um marido.
As visitas continuaram chegando em grande número por todo o primeiro mês de vida de Lhana. Pelo menos cinqüenta senhas eram usadas todos os dias, para desespero do "recepcionista" que tinha que organizar e distribuir todas elas e ainda arrumar tempo de estudar e fazer a lição de casa. Aquele dia dezesseis de abril começara como outro qualquer para o garoto, sentado em sua almofada próxima à porta da sala com uma pilha de papéis numerados ao seu lado, quando uma visita muito especial entrou na sala, um pouco envergonhado, um pouco ansioso:
- Pai? O que o senhor está fazendo aqui? – Perguntou Toshihiro, surpreso com o encontro. – Eu achei que você e o Hehashiro...
- A vila inteira só fala nessa criança, eu acho que sou o único em toda Xigaze que ainda não a viu. Eu não posso ficar por fora das fofocas, posso? – Jiroh forçou um sorriso, deixando transparecer o quão nervoso realmente estava. Toshihiro sorriu de volta, levantando-se para guiar o pai até o quarto do bebê, onde Lily provavelmente estava dando de mamar a sua filhinha gulosa.
- Lily, Hehashiro, vocês têm visita! – Exclamou Toshihiro, batendo na porta.
- Pode entrar! – Respondeu a voz abafada de Hehashiro do outro lado. O mestre de Fenku assim o fez, indicando que seu pai deveria entrar. Os olhos de Jiroh logo encontraram os do filho mais velho, e o quarto todo ficou tenso por alguns segundos.
- Parabéns pela criança, Hehashiro. – Foi tudo que Jiroh disse antes de fazer menção de se retirar. Toshihiro segurou-o antes que ele pudesse realmente deixar o quarto, porém:
- Hey, pai, não vai nem olhar pra Lhana? – Perguntou Toshihiro, um pouco incerto se deveria se referir ao bebê como "sua netinha", caso seu pai ficasse irritado novamente. Com a insistência do filho mais novo, Jiroh não teve outra alternativa. Recusando-se a encarar Hehashiro novamente, o homem se aproximou de Lily, que indicou que ele deveria pegar a criança em seus braços. Lhana havia recém acabado de mamar, estava no meio do processo de tirar seu soninho da tarde. Com a segurança de quem já criou dois seres daquele tamaninho, Jiroh segurou a netinha pela primeira vez, observando atentamente seu rostinho gorduchinho e gracioso. Em poucos segundos, todos os sentimentos negativos desapareceram de seus olhos, ao mesmo tempo em que seu coração era preenchido por uma sensação de felicidade que ele só sentira duas vezes em toda a sua vida, há quase vinte e há quinze anos atrás.
- Ela é linda. – Disse ele, com a voz fraca. Seu orgulho de macho foi a única coisa que impediu-o de deixar rolar a água acumulada em seus olhos. A visão do bebê tão frágil e delicado dormindo confortavelmente em seus braços tirou qualquer vontade que ele poderia ter de permanecer brigado com o filho mais velho, de chamá-lo de imaturo ou irresponsável. Afinal, que ser imaturo e irresponsável seria capaz de produzir uma criatura tão linda? Aos cinqüenta anos de idade, Jiroh Urameshi era o avô mais orgulhoso do mundo, segundo ele próprio. – E vocês vão precisar cuidar muito bem dela daqui pra frente.
Hehashiro recuou instintivamente quando percebeu o pai se aproximando. Lhana ainda estava em seus braços e ele não parecia irritado, tenso ou a ponto de iniciar uma discussão.
- Pai, o que...
- Eu vou aumentar a sua mesada. – Declaro o homem, sorrindo de orelha a orelha. Hehashiro, Lily, Vladmir e Toshihiro ficaram sem reação, mais ainda depois que o homem completou sua declaração. – Você não pode deixar que uma coisa tão insignificante como um trabalho impeça você de acompanhar o desenvolvimento de sua primeira filha. Pode deixar que eu vou pessoalmente cuidar para que nada falte a vocês nesses próximos meses.
Hehashiro achou melhor não dizer nada. Não tinha muita certeza do que havia causado a mudança repentina de atitude de Jiroh, nem tinha certeza se queria saber. Voltando a sorrir, o filho abraçou o pai, deixando que este abraço expressasse por ele o quanto estava agradecido e aliviado agora que as discussões terminaram.
Um tanto desconfortável entre os dois homens, Lhana decidiu que era hora de reclamar, fazendo seu choro potente repercutir em todo o quarto. Pai e filho sorriram mais uma vez, imaginando as confusões que os aguardavam nos próximos anos.
Lhana:Eh, parabens pra Lhana! XDDDD Parabens pra Lhana! XDDD (Lhana brincando no meio de uma montanha de baloes com marcas melecadas de chocolate em volta dos olhos)
Vladmir: O parabens estah atrasado... u.u Achei que voce fosse reclamar...
Lhana: Lhana cumeu chocolate, Lhana nao precisa reclamar! XDD
David: Olha soh, gente... Ela jah tah tao grandinha com tres aninhos... Eu fico ateh emocionado... T.T (lagrimas de colirio) Minha afilhadinha cresceu tao rapido...
Hehashiro: Jah era hora de ela ganhar a sua propria fic. Lhana tem sido parte integrante dos off-talks desde... desde tanto tempo que eu nao consigo nem lembrar... O.o
Lhana: Lhana ganhou presente! XDD Mas Lhana nao sabe ler o presente, entao Lhana acha que o presente eh muito chato! XDD
(Lhana rabiscando na versao impressa da fic com giz de cera colorido)
Toshihiro: E olha soh, ela tem talento artistico tambem! (Olhar fascinado)
Lhana: Tio Toshio quer ver o meu talento? XD
(Lhana sobe em cima da mesa e comeca a rabiscar a cara do Toshihiro)
(Toshihiro fica com cara de besta enquanto todo mundo elogia a Lhana pelo maravilhoso trabalho)
Rumiko: Oh, Lhana, o Toshihiro ficou uma gracinha!
Lhana: Tia Rumiko gostou? XD Entao Lhava vai fazer arte na Tia Rumiko tambem! XDDD
(Lhana rabisca a cara da Rumiko)
(Rumiko e Toshihiro fazendo um belo par de caras-pintadas)
James: (Aparece do nada fantasiado de jumento) Oh, que momento mais solene! (Pose dramatica do Jumento James)
Vladmir: O que eh solene? O Toshihiro e a Rumiko como expressoes vivas a arte moderna infantil? u.u
Jumento James: Nao, nao, nao! Eu disse que eh um momento solene porque a partir de hoje, com essa fic, a Lhana passou a ser parte oficial do elenco da historia! Fora que hoje eh o aniversario de 22 aninhos da Lily tambem... Entao hoje eh um dia duplamente especial! XD
Rumiko: Por que voce estah vestido de jumento?O.o
Jumento James: Porque eh isso que eu tenho sido na ultima semana... Eu estou SOZINHO fazendo a nossa mudanca, trabalhando feito um jumento pra levar os nossos cacarecos do muquifo velho em que a gente vivia pra um apartartamento decente a umas 3 quadras de distancia. Eu fiquei taaaaaaaaaaaaaaaaaao cansado e taaaaaaaaaaaaao ocupado desde sexta passada que nem consegui escrever os capitulos atrasados! T.T (James chorando copiosamente no ombro da Lily)
Lily: Hey, por que no meu ombro?
(Porque voce eh a futura psicologa que entende e aceita incondicionalmente todos os personagens pitorescos desta historia. E, claro, eh o seu aniversario, entao voce precisava dar as caras de alguma maneira. u.u)
Hehashiro: E lah vamos nos discutir com as frases entre parenteses de novo. Eu sou da opiniao que elas andam aparecendo demais ultimamente)
(Ah, eh? Bom, azar o seu...)
(Raio cai na cabeca do Hehashiro e ele desmaia por tempo indeterminado)
Lhana: Oh, nao! XD Papai foi nocauteado! XDD O que vamos fazer agora? XDDD
David: Vamos comemorar, oras! O que pode ser melhor para uma aniversariante do que nao ter seus pais por perto e poder fazer tudo que quiser?
Lily: David, eu ainda estou aqui. u.u (Lily sentada em uma cadeira com o Jumento James ainda chorando copiosamente no colo dela)
David: Uh-oh... serah que as frases entre parenteses conseguem fazer alguma coisa quanto a isso?O.o (Esperancoso)
(Na verdade... nao... i.i)
David: Nao? Como nao? As frases entre parenteses podem fazer qualquer coisa!
(Eu nao posso fazer nada contra o poder do aniversario. Lily e Lhana hoje estao imunes aos meus poderes. Infelizemente. i.i)
David: Droga! Isso nao eh justo!
Lily: Voce por um acaso estah querendo se livrar de mim, David? (olhar sugestivo e perigoso da Lily)
David: (Acuado contra a parede) Eu... eu... Imagina! n.n Mas claro que nao! Por que eu gostaria de me ver livre de voce neste off-talk, Lily?
Lily: Pra voce e Lhana poderem fazer tudo o que quisessem sem que os pais estivessem por perto para impedir. u.u
David: hey, eu nunca disse isso!
Lily: Disse. E nao fazem tantas linhas assim pra voce jah ter esquecido. u.u
David: Eu nao disse! (fazendo birra que nem o Yoshiyuki)
Lily: Disse.
David: Nao disse.
Lily: Disse.
David: Nao disse.
Lily: Disse.
(Eh, David, voce disse)
David: Agora ateh as frases entre parenteses estao contra mim! Achei que fossemos aliados!
(Eu jah disse, nao posso fazer nada contra o poder do aniversariante. Lily usou este poder para me trazer para o lado dela neste off-talk)
(O que significa que eu agora preciso arrumar um jeito de me livrar de voce de uma maneira nao muito perigosa e que nao envolva danos fisicos, porque a Lily nuna deixaria eu machucar voce)
David: Oh, que legal... Deveria ficar feliz com isso? u.u (Transbordando sarcasmo)
(Devia. Isso significa que eu nao posso jogar um raio na sua cabeca como eu fiz com Hehashiro, por exemplo)
David: Aquela era uma pergunta retorica, nao precisava responder. ¬¬'''
(Mas eu respondi. E eu estou entrando em contato com o Ken agora para arrumar uma maneira de te tirar do off-talk sem violar as regras impostas pela Lily)
(Off-talk congela enquanto frases entre parenteses conversam com o Ken)
(Frases entre parenteses ficam apreciando o off-talk congelado e o silencio ambiente antes de voltar a acao)
(Off-talk descongela e frases entre parentes excutam seu plano para tirar o David do off-talk)
(David sente uma subita dor de barriga por causa dos quatro hamburgeres e tres pizzas de anchorras que comeu no almoco e precisa se ausentar por tempo indeterminado do off-talk)
Lily: Hum... bom plano, considerando que deve ter saido do Ken...
Lhana: Dindo David foi pro banheiro! XDD E agora nao pode brincar com a Lhana! XD
Lily: Nos todos estamos aqui para brincar com voce, Lhana, nao soh o dindo David.
(Aparece o trenoh do Papai-Noel com o Yoshiyuki como motorista e a Momoko e o Hikaru como passageiros)
Yoshiyuki: Bem-vinda a bordo, aniversariante! XD Esse eh o trenoh dos bebes, que leva todos os bebes e criancinhas fofinhas para uma excursao inesquecivel e secreta para o lugar dos sonhos! XDD Voce quer embarcar?
Lhana: Eu quelu! XD Eu quelu! XD
Lily: Isso nao eh perigo, Yoshiyuki?
Yoshiyuki: Que nada! XD Eu planejei tudo, nao tem perigo! XD
Koichi: Na verdade o fato de voce ter planejado tudo por si soh eh perigoso... ¬¬'
Yoshiyuki: Nii-chan estah exagerando. XD Nao tem nada demais em um tour por geleiras congelantes, vulcoes ardentes, nuvens de algodao doce e todas as fabricas de chocolate e brinquedo do mundo! XD Nao tem! XDDD
(Yoshiyuki pega a Lhana e coloca ela no no trenoh)
(Yoshiyuki some com a Lhana, o Hikaru e a Momoko antes que a Lily possa protestar)
Lily: Achei que as frases entre parenteses nao podiam se livrar dos aniversariantes... O.o
(A Lhana queria ir. Eh diferente quando o aniversariante se manda por vontade propria)
(E antes que voce me mande trazer ela de volta, eu soh posso fazer isso quando a Lhana quiser voltar)
(E eu nao tenho o poder para fazer ela querer voltar)
(Nao adianta chorar ou esperniar)
Lily: Como se eu fosse fazer qualquer uma dessas coisas... ¬¬
Toshihiro: O que faremos agora que a estrela do off-talk foi embora?O.o
Vladmir: Vamos terminar o off-talk, oras. Quem vai destruir o mundo desta vez?
Lily: Sabe, a gente podia nao destruir o mundo hoje, afinal a Lhana estah por ai se divertindo em algum lugar, e qualquer coisa que a gente tentar pode acabar estragando a diversao dela...
(Beybladers ficam pensando sobre o argumento da Lily)
(Beybladers decidem que a felicidade da Lhana eh importante demais para ser demolida e decidem nao explodir a Terra)
Lily: Oba, um final variado para o off-talk, jah estava na hora...
(Frases entre parenteses, no entanto, nao concordam com o concenso dos beybladers e destroem a Terra mesmo assim)
(Como sem a Terra nao pode haver mais marcacao de dia, e sem marcacao de dia nao tem aniversario, as frases entre parenteses podem silenciar os protestos da Lily e dos outros beybladers)
(E ateh o Jamie voltar a postar os capitulos da fic principal, as frases entre parenteses nao vao deixar o bem triunfar! MWAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)
OWARI
