Disclamer: Saint Seiya não me pertence, nem seus personagens.
Esta é uma fic yaoi, ou seja contém relacionamento homossexual entre homens.
Capítulo 26 - Eu Te Amo Como Se Ama A Abóbada Noturna.
Shun POV
Ele estava parado lá, com os cabelos bagunçados, a respiração rápida e o rosto vermelho. Como se tivesse corrido todo o caminho até ali.
Eu não sabia o que fazer. Minha língua parecia ter inchado dentro da boca e meus pés de repente tinham se colado ao chão.
Eu estava no Top The Rock com meu melhor amigo que parecia nervoso com alguma coisa, e eu não tinha idéia nem do porquê ele estava ali, em primeiro lugar. Quer dizer, aquilo não podia ser uma coincidência, podia?
Ele caminhou na minha direção e eu engoli em seco.
— O que… O que você está fazendo aqui? - Eu consegui gaguejar.
Ele me olhou por um tempo, então respirou pesadamente como se pra acalmar as emoções antes de começar.
— Eu vim por sua causa.
Eu franzi o cenho sem entender.
— E como você poderia saber que eu estava aqui em cima?
— Eu vi você. - Ele falou simplesmente.
— Você... me viu? - Eu estranhei.
Ele assentiu.
— Vim fazer outra visita a St. Patrick. Estava na escadaria quando vi você passar correndo pela avenida. Você parecia estar com pressa então eu corri até você. Eu te chamei quando você estava entrando no prédio. Você se virou, mas não me viu.
— E então você resolveu simplesmente subir até aqui? - Eu falei.
Ele assentiu outra vez.
— Eu tinha que subir. Não podia esperar até te ver de novo. Não podia esperar mais. Tinha que falar com você agora. Não podia perder a coragem. Tinha que saber…
Ele respirou tomando fôlego e minha pulsação acelerou.
"O quê? O quê?"
— Por que você mentiu pra mim?
Eu pisquei.
A pergunta me pegou de surpresa. Aquilo definitivamente não era o que eu esperava que ele fosse dizer.
Ele olhava pra mim. Seus olhos azuis estavam imensos e pareciam… inseguros. Eu estava confuso.
— Desculpe, não sei do que…
— No hospital, em julho. - Ele me interrompeu. - Quando fiquei internado em Boston. Eu perguntei pra você se tínhamos tido alguma conversa estranha na sua visita anterior. Se eu tinha dito alguma coisa sobra a gente, ou sobre o meu relacionamento com a Freya. E você disse que não.
Ah, meu Deus!
— Como… Como você sabe disso?
— A Freya me contou.
— Quando? - Eu estava atordoado.
— Há três dias. E desde então eu quero perguntar isso pra você.
Eu engoli em seco sem saber o que dizer, e ele continuou.
— Ela achou que deveria me ver pra contar que estava com o Hagen agora, e pra pedir desculpas pela forma como se comportou. Ela acabou comentando sobre a conversa que vocês tiveram na cafeteria… Em defesa dela eu posso dizer que ela não sabia que isso era um segredo.
Eu concordei com a cabeça. Não duvidava que tivesse sido assim. Eu contara a ela sobre o que o Hyoga me dissera no hospital, mas não mencionei sobre ele não se lembrar disso, muito menos que eu havia omitido essa informação dele mais tarde.
— E então? - Ele insistiu, cruzando os braços sobre o peito - Por que mentiu pra mim?
Eu mordi o lábio, sem saber por onde começar.
— Eu… eu… - Minha garganta estava seca. - Se você tivesse visto sua cara aquele dia. No hospital. Como eu poderia te contar? Com tudo o que você estava passando…
— Mas se você tivesse contado, nós não teríamos perdido tanto tempo. - Ele me interrompeu - Eu não teria perdido tanto tempo. Eu pensei que tinha sido rejeitado. Eu achei que você não estava interessado de verdade.
Eu arregalei os olhos, perplexo.
— Depois de tudo o que aconteceu entre a gente?
Ele encolheu os ombros.
— Bom, já faz algum tempo e… Você não disse mais nada. Eu pensei… Eu achei que você tinha pensado melhor e concluído que não era o que você esperava. E quando eu soube que você tinha mentido pra mim aquele dia no hospital… - Ele mordeu os lábios. - Bem, eu achei que talvez você só tivesse se deixado levar, sabe. Por curiosidade. Que você nunca tinha estado interessado de verdade.
— Meu Deus, Hyoga! Você estava drogado! Você tinha uma namorada. O que você queria que eu fizesse? Eu nem sabia se você queria mesmo dizer aquilo!
— É claro que eu queria dizer aquilo! - Ele se exasperou, dando um passo na minha direção. Então parou, respirando fundo. - Eu quis dizer aquilo, Shun. Eu ainda quero.
Eu balancei a cabeça.
— Eu... não entendo…
— O que eu estou tentando dizer é que eu estou apaixonado por você. - Ele despejou - Eu estive apaixonado por você durante o maldito ano todo!
Eu recuei um passo e pisquei incrédulo.
Hyoga estava apaixonado por mim? Não. Não podia ser verdade. Hyoga não podia estar apaixonado por mim. Ele não podia estar apaixonado por mim o ano todo.
— O… O ano… todo? - Foi tudo o que fui capaz de dizer.
Ele sorriu com desânimo.
— Muito provavelmente desde o primeiro dia, embora eu tenha levado um pouco mais de tempo pra perceber isso. - Ele se aproximou - No trabalho de economia, nós não fomos parceiros por acidente, sabe. Na nossa primeira aula, eu vi o professor juntando as duplas de acordo com o lugar onde as pessoas estavam sentadas. Então eu me inclinei pra frente pra pegar sua caneta emprestada no momento exato pra que ele pensasse que nós estávamos sentados um ao lado do outro. - Ele fixou firmemente os olhos nos meus. - Você entende isso, Shun? Eu queria estar com você… eu queria ser seu parceiro… desde o primeiro dia.
Minha cabeça estava girando.
— Mas…
— Eu vim até St. Patrick hoje acender uma daquelas velinhas ridículas para Virgem de Guadalupe e pedir por você. Eu estava pedindo por você aquela noite também, no poço dos desejos. Eu pedi por você todas as vezes.
— Mas… a Freya… - Eu não conseguia pensar direito.
— Eu a traía o tempo todo na minha cabeça. Eu pensei em você de maneiras que eu não deveria fazer. Várias vezes. Eu só… não conseguia evitar. - Ele olhou pra baixo, depois pra mim outra vez. - E acho que eu não conseguia esconder muito bem também. Por isso ela odiava tanto você. Ela me acusou de traição tantas vezes, e eu nem conseguia desmenti-la. Nós estávamos discutindo por causa disso aquela tarde, quando você nos flagrou na rua. Eu tive tanto medo que você tivesse escutado alguma coisa. - Ele suspirou. - Eu não estava realmente bravo com você, sabe. Eu estava… constrangido.
Eu estava atônito, mal ousando acreditar.
— Isso… não é possível! Você nunca me disse nada. Por que você nunca fez nada à respeito?
Sua expressão ficou triste de repente.
— Porque não importava que tipo de namorado terrível eu fosse, eu não iria traí-la de verdade. Mas ela não era nada comparado ao que eu sentia por você, Shun. Nada. Eu nunca me senti desse jeito por ninguém antes… - Ele suspirou outra vez. - Eu pensei que você soubesse.
Eu balancei a cabeça.
— Como eu poderia saber se você nunca me disse?!
— Eu disse que você era lindo. - Ele se exasperou. - Que te achava atraente. Nós dormimos juntos na minha cama. Eu dei um livro de poesia pra você. Eu… - Ele gemeu. - Deus, como você pode não ter percebido nada?!
— Você estava com a Freya! - Eu acusei um tom mais alto e algumas pessoas olharam alarmadas na nossa direção.
— E você era apaixonado pela Misuki! - Ele revidou sem se importar com os olhares. - Eu não ia correr o risco de ser rejeitado por você outra vez.
— Outra vez? Eu nunca rejeitei você.
— Rejeitou sim. - Seu tom era amargo agora. - Você foi bem enfático sobre a sua opção sexual aquele dia no refeitório, quando o idiota do Nickolas abordou você. E depois, quando eu te perguntei se o seus sentimentos pela Misuki não haviam mudado, você fez questão de me garantir ainda ser muito apaixonado por ela, antes de sair correndo do meu quarto.
— Eu… Eu não… - Eu estava sem fala. Ele estava dizendo a verdade, é claro, mas mesmo assim… - Eu beijei você!
— E eu terminei meu namoro logo depois disso. - Ele falou. - Eu percebi que tinha entendido tudo errado. Que talvez houvesse uma chance, e… Droga, Shun, nós ja tivemos essa conversa. Eu te disse que tinha esperado o ano todo pra te beijar, que a única verdade que eu conhecia era o que sentia quando estávamos juntos.
— E desapareceu por mais de um mês no dia seguinte. - Eu lancei.
Ele abaixou os olhos magoado.
— Você sabe porque eu desapareci.
Eu pisquei para os telhados de New York, as luzes agora destacadas contra o céu arroxeado.
Eu sabia. É claro que eu sabia. Mas isso não impediu que eu tivesse me sentido abandonado por ele.
Eu respirei fundo o ar frio da noite, então olhei pra ele outra vez.
— Se você gostava tanto assim de mim, por que não terminou logo com a Freya? Teria evitado um bocado de problemas.
Ele mordeu o lábio com se hesitasse, antes de dizer.
— Eu tive medo. Medo de estragar a nossa relação. Medo de não conseguir me segurar e afastar você de mim. Então eu usei meu compromisso com a Freya como uma espécie de tábua de salvação. Uma desculpa. Algo a que me agarrar naquele mar de sentimentos novos em que eu ameaçava me afogar. Algo que me impedisse de fazer alguma besteira que acabaria me fazendo perder você pra sempre.
Eu pisquei incrédulo.
— Meu Deus, Hyoga, isso… Isso é…
— Horrível, eu sei. - Ele bufou frustrado. - Eu fui um canalha com ela. E um covarde.
— Sim. Você foi.
— Eu mereço isso.
— É. Você merece mesmo. - Eu cruzei os braços sobre o peito defensivamente. E então suspirei, soltando os braços e tirando uma mecha de cabelo que o vento insistia em soprar sobre o meu rosto.
Nós estávamos andando em círculos. Não iríamos chegar a lugar nenhum daquele jeito.
— E eu também mereço. - Acabei completando.
— O quê? - Foi a vez dele parecer confuso.
Eu suspirei outra vez.
— Eu também fui covarde e estúpido. Você estava certo. Sobre o negócio de eu nunca falar sobre o que realmente importa, sobre o que eu estou sentindo de verdade. Eu... - Eu inspirei fundo, tomando fôlego novamente antes de despejar. - Eu nunca fui apaixonado pela Misuki, na verdade. Nós só tivemos um namoro breve. Ela sempre foi uma grande amiga, só isso. Eu inventei que era apaixonado por ela pra afastar o Nick, e então, de alguma forma, a história se espalhou e eu não consegui mais desfazer a mentira. Pelo menos foi assim no começo… depois eu acho que eu meio que não queria mais desmentir. Eu estava tão confuso. - Eu balancei a cabeça. - No final eu também usei meu suposto sentimento pela Misuki como um lugar seguro pra não afundar. A verdade é que eu também estava inseguro. Eu também fugi. Eu também inventei desculpas… Eu também tive medo.
Hyoga apenas olhava pra mim muito sério, então, aos poucos, um pequeno sorriso foi surgindo em seu rosto.
— Parece que nós estivemos escondendo muitos segredos um do outro, não é?
Eu sorri de volta assentindo, e então nós ficamos em silêncio, olhando a cidade que anoitecia, por um momento.
New York cintilava agora, sob o brilho de todas as suas luzes. Colorida, vibrante, pulsante. Como se despertasse para a noite que chegava.
Sartre que me desculpasse, mas o inferno não são os outros. O inferno somos nós. Só é mais confortável colocar a responsabilidade em outra pessoa, quando na verdade tudo se trata dos nossos sentimentos, das nossas atitudes, das nossas escolhas.
Talvez amadurecer fosse menos sobre a idade e mais sobre isso. Sobre a capacidade e a coragem de olhar pra si mesmo e assumir a responsabilidade pelo que você quer.
— Sabe… - Eu falei depois de um tempo. - Eu estive pensando ultimamente sobre tudo isso… Quer dizer, sobre mim, sobre nós, sobre a forma como eu tenho agido, e sobre a minha mãe e o meu pai. Sobre como ela se acomodou na situação em que está. Sobre como ela fica inventando desculpas pra não ver a verdade. E mesmo eu a amando muito, eu odeio isso nela. E até agora eu não entendia por que ela não criava coragem, por que ela não tomava as rédeas da própria vida e ia atrás do que ela queria. - Eu fiz uma pausa, antes de continuar. - Mas criar coragem não é fácil. Eu entendo isso agora. E no final, eu estive fazendo a mesma coisa que ela. Eu sou igual a ela.
Eu senti calor da mão do Hyoga contra a minha, pousada sobre a guarda de vidro, e prendi a respiração, estremecendo com o contato.
— Você não é igual a ela.
— Eu sou. - Eu falei observando a noite outra vez. O vento gelado soprava mais forte agora jogando nossos cabelos pra todos os lados. Provavelmente ia nevar novamente. - Mas não quero ser. E não vou ser. Eu tive medo por muito tempo, eu estive me escondendo por muito tempo… até que você entrou na minha vida. Até que você me tirou do meu quarto e me mostrou o mundo. - Eu suspirei - Obrigado, Hyoga… Obrigado por ter vindo até mim.
— Ah, Shun… - Ele tocou a minha bochecha com sua mão quente, puxando o meu olhar de volta para ele outra vez. - Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci na vida. Você é lindo e inteligente. Você me faz rir como ninguém consegue. Eu posso conversar com você… E você me escuta. E quando nós nos beijamos… Meu Deus, eu nunca me senti tão fora de controle na minha vida. E eu sei que depois de tudo o que aconteceu eu provavelmente não mereço você, mas o que eu estou tentando dizer é… é… que eu te amo. Eu amo o seu rosto lindo, e seus olhos verdes. Eu amo seu apelido ridículo e seu cabelo exótico. Amo sua gentileza e sua força. Amo seu sorriso sincero quando está feliz, e a forma como seus olhos brilham quando está irritado. Amo a sua inocência e os arroubos de sensualidade em situações inusitadas, que imagino muito provavelmente será o meu fim. - Ele suspirou. - Eu amo você, Shun. Muito.
Eu prendi a respiração.
De repente estava muito difícil encontrar as palavras. Minhas mãos tremiam.
Eu não conseguia acreditar. Suas palavras era tão perfeitas. Perfeitas demais pra serem verdade. Devia haver algum mal entendido. Tinha que ser um mal entendido.
— Eu te amo, Shun. - Ele falou outra vez, e seu polegar desenhou uma linha pela minha bochecha. - "Je t'adore à l'égal de la voûte nocturne"
Eu balancei a cabeça de forma estúpida.
— C-como?
— "Eu te amo como se ama a abóbada noturna." - Ele sorriu. - As Flores do Mal. Eu marquei essa passagem pra você. Você nem chegou a abrir o livro, não é?
Eu me sentia fraco, sem ar. Eu tinha esperado tanto por esse momento… E finalmente… Finalmente ele havia chegado. Hyoga havia dito que me amava. Ele realmente dissera! Não que gostava de mim, ou que me achava atraente, mas que me amava.
Ele me amava! Era real. Estava acontecendo de verdade.
Eu senti meu coração apertar, e sabia haver lágrimas se acumulando por baixo dos meus cílios.
— Você… Você disse que era para as aulas. - Eu consegui sussurrar de forma instável… E então estava chorando.
Ele disse que quisera estar comigo desde o primeiro dia. Que pedira por mim no poço dos desejos. Que pedira por mim todas as vezes.
"Eu te amo como se se ama a abóbada noturna." Ele havia marcado essa passagem pra mim.
Nós dois… Meu Deus, nós estivemos apaixonados um pelo outro o tempo inteiro!
Os soluços aumentaram.
— Ah, Droga. - Hyoga tirou a mão de mim como se eu o tivesse queimado, e recuou um passo. - Eu estraguei tudo de novo, não foi? Desculpa, Shun, eu não queria jogar tudo isso pra cima de você de repente… Quer dizer, eu queria sim, por isso eu vim até aqui, mas… - Sua voz vacilou. - Eu vou embora. Só… só pensa no que eu falei, tudo bem?
Ele começou a se virar pra sair, mas eu agarrei seu braço.
— Não!
Seu corpo pareceu congelar por um momento e ele se virou pra mim outra vez, o rosto ansioso.
Eu não conseguia parar de chorar
— Eu sinto muito, Shun. Eu não pensei que isso pudesse te magoar assim.
Eu balancei a cabeça, secando minhas bochechas molhadas. Depois deslizei os dedos pelo seu rosto gelado. Ele ficou imóvel. Os olhos fixos em mim.
— Por favor, pare de se desculpar. - Eu falei quando consegui controlar a minha voz. - Hyoga, eu estou feliz. Eu estou chorando porque estou feliz. Eu esperei tanto por isso, e agora… - Eu levei minha mão livre ao outro lado do seu rosto. - Ah, Hyoga você foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida.
E foi como se um feixe de luz tivesse atravessado seu corpo.
Seus olhos brilharam de uma maneira que eu nunca tinha visto antes, e ele colocou ambas as mãos sobre as minhas em seu rosto, as envolvendo por completo. Aquelas mãos quentes, perfeitas. Feitas pra se encaixar às minhas.
Como em um movimento coordenado nós nos inclinamos pra frente e nossas testas se tocaram.
— Diga isso de novo. - Ele sussurrou rente aos meus lábios.
Os primeiros flocos de neve dançavam no ar, derretendo-se nos nossos cabelos.
Eu fechei os olhos.
— Você foi a melhor coisas que já aconteceu na minha vida. - Eu repeti.
E então nós estávamos nos beijando.
E diferente das outras vezes, esse beijo foi suave e curioso. Como se estivéssemos descobrindo algo totalmente novo. Como um concerto de língua acariciante e lábios macios. Calmo e delicado, e ainda, profundo e entorpecente. Me fazendo esquecer de mim mesmo, de onde estava, de tudo o que não fosse a suave pressão dos lábios dele nos meus. De tudo que não fosse aquela sensação ao mesmo tempo morna e vibrante que parecia preencher todo o meu corpo quando ele me beijava.
Ele afastou o rosto devagar e esperou por um momento até que eu abrisse os olhos. O que eu fiz não sem certa dificuldade.
— Shun? - Ele segurou meu queixo e traçou com o polegar uma linha no meu maxilar.
— Hum? - Eu pisquei, ainda zonzo pelo beijo.
— Será que você poderia dizer que também me ama agora? - Ele sorriu - Eu estou morrendo aqui.
Eu ri, depois fiquei na ponta dos pés, passando os braços pelo seu pescoço e mergulhando meus dedos nos cabelos lisos e macios.
— Eu te amo, Hyoga. - Eu disse. - Eu sempre te amei.
E então nós estávamos nos beijando outra vez.
Sem nos importar com a neve fina que caía. Sem nos importar com o frio. Sem nos importar com a multidão de turistas em volta. Sem nos importar com os olhares.
Mais rápido dessa vez, pra compensar o tempo perdido. E então bem lentamente, porque, afinal, nós tínhamos todo o tempo do mundo.
E os lábios dele ainda tinham gosto de chocolate derretido. O melhor sabor do mundo. E o jeito profundo, cuidadoso e apaixonado com que ele os movia contra os meus me dizia que ele estava sentindo o mesmo que eu.
E entre beijos eu disse que o amava outra vez.
E de novo…
E de novo…
E de novo...
Oie, aqui estou eu outra vez pra não matar vcs de angústia (eu ainda quero meus leitores vivos, afinal XD). E aqui está o penúltimo ch dessa história, pela qual eu fui me apaixonando aos poucos. Com muito açúcar, fofuras e esclarecimentos. Espero que gostem desse ch tanto quanto eu gostei de escrevê-lo ˆˆ
Sim, finalmente nossos pombinhos se acertaram o/, depois de tanta enrolação, depois de tanto mal entendido, depois de tanto sofrimento, espero que esse ch tenha vindo pra sanar as feridas e que esteja a altura das expectativas de vcs.
E no fim, se o Shun tivesse aberto aquele livro, heim? Mas não, sinceramente eu não acho que teria mudado tudo. Na verdade, Shun ainda era muito imaturo pra assumir um relacionamento com o Oga naquele momento, e ele mesmo admite isso agora. Que esteve inventando desculpas, que esteve fugindo porque tinha medo. Mas o Oga se revelou um belo de um romântico eu achei. Vcs, não?
Bom, mas é isso, muito obrigada por acompanharem até aqui, e próximo ch teremos enfim o tão aguardado primeiro lemon do casal o/.
Meus agradecimentos especiais à: Axly e a Dark. ookami, pelos lindos comentários que sempre me incentivam a melhorar. Obrigada mesmo de coração.
Bjos
