Capítulo 38

"Eu tenho de ir a casa de Lord M ou eu iria enlouquecer no palácio…" Victoria comentou, enquanto se deslocava, de carruagem, pelas ruas de Londres ao final da tarde, na companhia de Emma.

"Então nós iremos lá." Disse a lady-in-waiting.

A carruagem entrou na South Street e depois parou em frente do número 18, a casa do Primeiro-Ministro.

Emma saiu e bateu na porta, enquanto a rainha aguardou no interior da carruagem.

O mordomo abriu a porta e ao ver o rosto que ele conhecia bem, havia muitos anos, ele disse:

"Lady Emma! Por favor, entre."

"Eu não venho por mim, eu trago comigo uma pessoa para falar com Lord Melbourne."

"Com certeza. Essa pessoa pode entrar. Sua Senhoria está na biblioteca."

Emma voltou à carruagem e informou a rainha de que ela podia sair.

Victoria desceu, com um véu a cobrir-lhe o rosto, e as duas mulheres dirigiram-se à porta e entraram.

O mordomo curvou-se reconhecendo a rainha. Era impossível não saber quem ela era. Não era a primeira vez que Sua Majestade entrava naquela casa e uma mulher tão pequena…só podia ser a rainha.

"Sua Majestade nunca aqui esteve!" Emma apressou-se a informar com um olhar severo, antes que o mordomo se atrevesse a abrir a boca para dizer qualquer coisa.

"Com certeza!" O homem respondeu.

Então Emma virou-se para a rainha e disse:

"Bem, eu acho que Vossa Majestade conhece o caminho até à biblioteca."

Victoria movimentou a cabeça em sentido afirmativo. Depois ela virou-se e começou a caminhar ao longo do hall na direção da porta da biblioteca.

Vendo que a rainha se afastava Emma perguntou:

"Hedges…Sabe o que seria simpático da vossa parte?"

O homem colocou um semblante interrogativo.

"Se você me servisse um chá! Na saleta dos fundos."

"Claro, minha senhora!"

Os dois começaram a andar na direção oposta à da biblioteca.

"Isto vai demorar, sabe? Segredos de Estado!" Emma informou.

O mordomo não disse nada.

"Ah, e biscoitos! Também seria simpático se você trouxesse biscoitos." Emma acrescentou.

Se as coisas corressem bem, a espera adivinhava-se longa e, por isso, era melhor ter o conforto de chá e biscoitos. E, embora o mordomo fosse de absoluta confiança, era melhor afastar os ouvidos daquele homem do ruído que pudesse vir da biblioteca.

Victoria caminhou lentamente na direção da porta da biblioteca.

O coração dela batia agora rapidamente e era possível observar o movimento daquele órgão por cima da seda do vestido.

Ela atravessou o imenso hall, parcialmente bloqueado com andaimes agora vazios, mas que eram usados pelos operários que restauravam os estuques e as pinturas do teto durante o dia. Emma sabia tudo o que se passava naquela casa. Ela informara Victoria sobre a melhor hora para ir a casa de William. Quando ele estivesse lá, mas os operários, que se esforçavam por concluir as obras, já tivessem terminado o dia de trabalho. Ela era, de facto, uma excelente amiga!

Victoria achou absurdo que ele vivesse numa casa em tamanha confusão e com pó por todo o lado.

Ela levantou o véu para descobrir o rosto e depois bateu na porta da biblioteca com cuidado. De tudo o que pudesse acontecer depois disto dependia o futuro de ambos.

"Sim!" William respondeu, convencido de que o mordomo viria entregar correspondência.

Victoria abriu a porta e entrou calmamente.

Depois ela fechou a porta e ficou parada à espera que ele a visse.

Aqui dentro, embora houvesse algum caos de livros e papéis, as coisas eram mais calmas. As obras não tinham chegado até aqui.

William estava sentado à secretaria, com as costas viradas para a porta.

Ela adorava entrar aqui, neste espaço dele, masculino e de solidão, uma espécie de covil para ele, e que deveria ser proibido para uma rainha casada, mas que era tão confortável para uma Victoria apaixonada.

Ele vestia apenas o colete por cima da camisa e ela lembrou-se como aquela cena se repetia…

Ele achou o silêncio estranho e virou a cabeça para trás.

Quando ele a viu, William levantou-se imediatamente da cadeira e virou-se para encará-la de frente.

Alguns metros separavam ambos.

"Victoria! O que é que você está a fazer aqui?" Ele perguntou surpreendido e, aparentemente, incomodado com a presença dela.

Ele pensara que depois daquilo ela enviaria uma mensagem dizendo que o dever tinha sido cumprido. Porém, afinal, ela tinha vindo pessoalmente.

Victoria observou a virilidade dos antebraços dele que se expunham, porque a camisa tinha as mangas dobradas atá quase aos cotovelos.

Ela hesitou antes de responder e, como ele não caminhou até ela e não a beijou, ela perguntou:

"Você não fica feliz por me ver?"

Ele também hesitou e respondeu:

"Eu não esperava você aqui…"

Talvez ele não estivesse muito feliz por vê-la, mas ela sabia que ele se tinha afastado do palácio com um único propósito.

"Quem veio com você?" Ele perguntou com preocupação na voz.

Ela notou como a inquietação dele, para encobrir o que existia entre eles, estava sempre lá.

"Emma."

O nome familiar deixou-o mais descansado.

Victoria abriu a bolsa de tecido bordada que trazia com ela e tirou lá de dentro o que ela tinha encontrado na gaveta da cómoda, quando ela procurava memórias do passado. Depois ela estendeu o braço direito na direção de William e disse:

"Eu vim devolver isto."

William olhou para a mão dela, mas não se mexeu.

Havia um lenço de homem na mão de Victoria.

Perante a quietude dele, permanecendo com o braço dela estendido, ela explicou:

"Você disse que se algo vosso ficasse esquecido no palácio você tinha a certeza de que eu o mandaria entregar para você. Em vez de ordenar a entrega eu resolvi que viria eu mesma."

Aquela tinha sido uma ótima desculpa para ela ir a casa dele! Victoria pensou. Quando ela vira o lenço dentro da gaveta uma campainha tinha soado dentro da cabeça dela. Bem, talvez não fosse uma boa desculpa, mas agora ela já estava aqui.

Finalmente, ele deu alguns passos na direção de Victoria e agarrou o lenço que retirou da mão dela.

Victoria desejou que ele tivesse tocado nos dedos dela, mas ele não o fez.

"Este lenço é meu?" Ele perguntou, mostrando que estava bem distante daquilo de que ela queria que ele se lembrasse.

"Sim, você emprestou-me esse lenço para eu secar as minhas lágrimas no dia em que eu contei para você que eu não tinha consumado o meu casamento…"

William engoliu perante essa memória. Agora ele reconhecia aquele lenço.

"E o porquê de isso não ter acontecido…" Victoria acrescentou.

Ele fechou os olhos por um instante e movimentou a cabeça em sentido afirmativo.

"Eu nunca tinha devolvido esse lenço, até hoje." Disse ela.

"Obrigado, então. Agora ele foi devolvido." Ele agradeceu, enquanto metia o lenço no bolso das calças, do lado direito.

"É só isso que você tem para me dizer?" Ela perguntou.

"E o que é que eu deveria dizer mais?"

"Que você me ama e que me deseja e que gostaria de ficar comigo para sempre."

"Eu não preciso de dizer isso. Você já sabe que isso é verdade."

"Eu gostaria de ter ouvido isso quando eu cheguei aqui."

"Victoria eu…"

"O quê?"

"Eu sinto muito…"

Ela deu alguns passos na direção dele e perguntou:

"O quê? O que é que você sente muito?"

"Que você tenha feito o que você fez…E também que você tenha sido obrigada a passar por esse sacrifício."

"Eu não fiz nada!"

"Não?"

"Não. Você não sabe que Dash mordeu em Albert?"

"Eu sei."

"Então, isso aconteceu antes de…E depois disso Albert precisou de ajuda médica. E nos dias seguintes ele nunca mais falou comigo."

"Eu ouvi dizer que o Príncipe estava no vosso quarto e eu pensei…"

"Esse incidente foi antes que qualquer outra coisa pudesse ter acontecido."

"E você veio aqui para me dizer isso?"

Em vez de dar uma resposta concreta ela disse:

"Eu sinto a vossa falta."

Ele respirou fundo.

Era isto que ele temia que acontecesse. Que ele fosse confrontado com as emoções dela e com a forma como isso o enfraquecia.

"Victoria, nós temos de fazer uma pausa…"

"Eu quero você!"

"O vosso marido é o Príncipe e você deve…"

"Eu não quero que isso seja um dever! William, com você não é um dever."

Ele caminhou até junto ela e disse com convicção:

"Victoria o que existe entre nós é lindo! Você é maravilhosa! Uma bênção na minha vida! Eu não acredito que eu possa ser merecedor de tamanha beleza e de tanta generosidade, mas você sabe que ter ajuntamento carnal com o vosso marido é uma circunstância inevitável para a vossa condição de rainha."

"Eu não irei fazer isso nunca! Você pode não querer casar comigo, mas eu nunca farei isso com Albert! Eu me pergunto… Como é que o trono terá um herdeiro?" Ela disparou em desafio.

Ele justificou, de novo, o porquê de nunca concordar com ela:

"Eu não sou capaz de mergulhar você num escândalo, nem de conduzir você a uma abdicação forçada, nem posso suportar saber que daqui a alguns anos eu vos deixarei sozinha…"

"William! Eu ficarei sempre sozinha, em qualquer das circunstâncias. Isso não muda nada. Você não vê que, mesmo que você não case comigo, no dia que você desaparecer da face da terra eu ficarei sozinha? Eu não tenho mais ninguém, além de você! E você está a impedir-me a mim, e a você mesmo, de usufruir de todo o tempo que fosse possível para nós vivermos juntos."

Ele ficou em silêncio. Ele estava a integrar o que ela tinha dito.

William caminhou para além dela, quase até junto da velha poltrona que estava num dos extremos da biblioteca e onde ele tinha passado tantas horas da vida dele.

Victoria virou-se para trás para poder olhar para ele.

O casaco, o chapéu e as luvas estavam a incomodá-la. Eram atavios de viagem e tornavam as coisas muito formais. Até isso era uma barreira entre eles. Ela desejava um ambiente doméstico. Victoria tirou as luvas e o chapéu e colocou-os sobre uma cadeira próxima. E depois ela despiu o casaco e colocou-o no mesmo sítio.

A seguir ela caminhou até junto dele.

William virou-se de novo para ela.

"Porque é que o vosso amor por mim é carregado de culpa?" Ela perguntou. E depois ela pediu: "Liberte-se da culpa! Viva apenas o amor que nos une!"

"Eu gostaria de concordar com você…Você tem razão sobre o fato de você ficar sozinha, mas o escândalo e a abdicação…Eu não posso permitir isso para você." Disse ele.

"Então, se você não pode casar comigo, faça-me um filho!"

"Mas isso não faz sentido… Se nós não somos casados você não pode ter um filho meu, assim…"

"Ter um filho vosso seria, além de tudo mais, uma memória…Você está sempre a dizer que não quer deixar-me sozinha no mundo. Eu teria um pouco de você através dessa criança."

Ele foi arrasado pelas palavras dela. Esta imagem era triste e difícil de gerir. Ele imaginou-a sozinha com uma criança pequena, depois que ele partisse… E como ele gostaria de ter vivido com ela e com essa criança numa vida doméstica pacífica. E como ele lamentaria não poder acompanhar o crescimento dessa criança. Mas ele não poderia mostrar fragilidade. Talvez pela última vez, ele teria de ser forte agora. Se ele conseguisse convencê-la a regressar ao palácio, abria-se de novo a possibilidade de que o dever fosse cumprido.

"Como é que você justificaria perante o vosso marido o facto de você estar à espera de uma criança?" Ele perguntou.

"Eu contaria a verdade. Nós três faríamos um acordo e manteríamos um segredo. O que Albert poderá fazer? Se ele revelasse a verdade ao mundo isso só iria prejudicá-lo. Ele é muito preocupado com a família e com a imagem perante a opinião pública. Ele é casado com a rainha de Inglaterra e, mesmo nas condições em que o nosso casamento está, ele não trocaria isso por nada. Eu acredito que ele assumiria ser o pai dessa criança. Se necessário eu pagaria ao Príncipe por esse silêncio."

William engoliu e passou a mão pela testa como se isso o ajudasse a pensar.

Depois ele deslocou-se alguns passos pela sala afastando-se um pouco dela.

Victoria rodou de novo para poder segui-lo com os olhos e sentiu que a parte de trás da saia do vestido roçou pela poltrona que ficou atrás dela. Na anterior visita dela a esta casa, ele estivera sentado nesta poltrona e tinha-lhe oferecido outro assento, e ambos tinham tido uma conversa interessante. Ele não tinha dito o que ela queria ouvir, mas tinha sido interessante.

"Um acordo, um segredo…Segredos são muito difíceis de manter e as mentiras, mais cedo ou mais tarde, são descobertas…" Disse ele virando-se de novo para ela. "E nós não podemos ter a certeza de que o Príncipe aceitaria isso. Imagine que depois que nós contássemos o que se passa entre nós, ele iria contar isso para toda a Corte, para os jornais…"

"Eu acho que ele manteria o segredo. Afinal, há tantos segredos deste tipo no seio de tantas famílias…Você mesmo foi educado por um homem que não era o vosso pai."

"Isso é diferente. Eu não teria de herdar uma coroa. Se fosse do conhecimento público que o vosso filho não era do Príncipe, essa criança seria impugnada e não poderia herdar o trono."

Vendo que ele continuava hesitante ela perguntou:

"Você nunca irá concordar comigo?"

Ele suspirou com ar de lamento e disse:

"Eu não posso…"

A postura dela mudou drasticamente. Victoria disse com determinação e como se isso fosse a coisa mais natural do mundo:

"Então eu vou voltar para o palácio agora, eu vou chamar Albert ao meu quarto, eu vou deitar-me na minha cama e eu vou abrir as pernas para ele."

"Victoria!" Ele gritou em repreensão.

Como é que ela podia ser tão explícita na descrição daquela imagem que entrava pelo cérebro dele sem que ele pudesse suportar visualizá-la.

"E se eu gostar?" Ela perguntou em tom de desafio, abrindo muito os olhos na direção dele.

"O quê?" Ele perguntou incrédulo.

"E se Albert não for assim tão inexperiente como você supõe que ele é, e se eu gostar do que ele fizer comigo?"

O ciúme roeu os ossos dele quando ela falou na possibilidade de gostar de ter intimidade sexual com aquele idiota alemão!

"Você não é esse tipo de mulher…Não brinque comigo! Você só consegue sentir prazer com o homem que você ama." O tom de voz dele era de descrédito, mas o interior dele temia que isso se pudesse tornar verdade.

"Mas nem eu nem você podemos adivinhar o que irá acontecer. Você quer correr esse risco?" Ela perguntou com firmeza.

Repentinamente, visivelmente enfurecido, com a mão direita ele agarrou e apertou o braço esquerdo dela acima do cotovelo dela.

Ela sentiu que ele estava a apertar demasiado, mas ela aguentou estoicamente sem se queixar. Ou ele cedia agora ou ela nunca conseguiria que ele fizesse aquilo.

Ele não tinha a noção da força que ele estava a fazer sobre ela. Ele estava concentrado no ciúme, na revolta e na dor. Por causa do que tinha sido e do que não podia ser. Aquele invasor alemão era a causa de todos os males! Albert tinha-o separado de Victoria, tinha acabado com os dias idílicos em que eles viviam só os dois e apenas um para o outro, tinha casado com ela no lugar dele, e agora ainda tinha o direito de ter um filho que, para haver justiça, deveria carregar o nome da família Lamb!

Os olhos de William brilharam sobre Victoria de uma forma que ela nunca tinha visto e, por um momento, ela questionou-se se ele poderia bater-lhe. Ela não acreditava realmente nessa possibilidade, isso não era algo que ela alguma vez pudesse esperar dele, ela nunca tinha visto nele o mais pequeno ato de violência, mas ela tinha sido verbalmente incisiva, e sabia que estava a provocar uma fera enjaulada por princípios que a restringiam. Se a besta se libertasse ele poderia fazer qualquer coisa com ela…

Ele largou o braço dela e disse como uma ordem:

"Coloque-se de joelhos sobre a poltrona!"

O pedido era tão repentino e inesperado e diferente de tudo que, durante um milésimo de segundo, o cérebro dela hesitou em obedecer. O que é que ele iria fazer a seguir? Mas ela só podia querer fazer o que ele pedia.

O coração dela disparou.

Victoria virou-se de frente para a poltrona e levantou as saias ligeiramente acima dos joelhos.

Depois ela subiu para a poltrona, colocando-se de joelhos sobre o assento.

Ela ainda não tinha tido tempo de se equilibrar completamente quando o corpo dele embateu contra o dela.

Ele pegou nas mãos dela com as duas mãos dele e conduziu-a a agarrar a parte superior as costas da poltrona dizendo por cima da cabeça dela:

"Mantenha-se firme!"

Ele largou as mãos dela, e ela manteve-as apoiadas nas costas da poltrona.

Agora ela sentiu que ele lhe desabotoava as costas do vestido com urgência.

Oh, Deus! Ele iria fazer aquilo aqui? Ela pensou.

Depois do vestido ter sido desabotoado até à cintura, o corpete também foi aberto com pressa. Embora houvesse uma camisa interior ele precisava de ter acesso à pele dela e para isso ele tinha de conseguir puxar para baixo as diferentes camadas de tecido.

Contrariamente à urgência de segundos antes, agora, calmamente, as mãos dele tocaram a nudez visível das costas dela, abaixo dos ombros. E ele beijou suavemente as costas dela.

Victoria fechou os olhos, suspirou e sorriu. Ele estava no caminho que ela desejava!

A urgência regressou quando ele levantou as saias dela para cima, rapidamente, e agarrou o tecido das cuecas.

"Hoje você tem cuecas?" Ele perguntou, como quem tinha encontrado um obstáculo.

"Eu não iria deslocar-me pelas ruas de Londres sem cuecas… Parecia estranho..." Ela justificou.

Victoria percebeu que ele puxava as cuecas dela para baixo e ouviu o tecido rasgar, à medida que sentia a libertação da carne. O som das fibras rasgando-se e a súbita exposição do corpo provocaram um puxão no estômago dela, o que direcionou um raio de excitação mais para baixo.

Aquilo que tinham sido as cuecas bordadas dela estavam agora atiradas para o chão da biblioteca.

Neste momento ele tinha as mãos na cintura dela e ela estava nua por baixo das saias. Existiam apenas as meias que chegavam acima do joelho. Victoria sentiu que o ar da sala, com a temperatura mais baixa do que a do corpo dela, lhe tocava na pele.

A boca e o nariz dele encostaram ao lado esquerdo do pescoço dela e ela sentiu a respiração quente e ofegante dele sobre a pele. Um arrepio percorreu-lhe a coluna.

Ele largou a cintura dela e as saias desceram, cobrindo-a parcialmente.

As mãos dele procuraram agora os seios dela e puxaram-nos o mais possível para fora do decote do vestido. Ele apalpou-os com determinação enquanto lhe beijava as costas e o pescoço.

Victoria gemeu.

As mãos de William agarraram as ancas dela, expondo de novo o traseiro redondo.

Ela era tão deslumbrante que um homem poderia ficar mudo só de olhar.

Tudo aquilo ali exposto e à mercê dele, disponível para a mãos e para a boca e para tudo o que ele quisesse fazer com ela.

"Afaste as pernas." Ele pediu.

Victoria agiu em conformidade com o pedido.

William exerceu pressão sobre os calcanhares dela e descalçou-lhe os sapatos.

Ela sentiu-se pronta para ser montada. O aumento da circulação sanguínea e dos batimentos cardíacos era notável e a respiração estava acelerada e a pele quente. Esta conjugação entre estar vestida e despida ao mesmo tempo era muito excitante. Havia o vestido, mas ela estava nua e exposta da cintura para baixo. Havia o espartilho, mas os seios dela estavam livres. Havia as meias, mas não existiam os sapatos.

Os braços dele rodearam a cintura dela, mas ele não a envolveu completamente. Ao invés disso, os braços dele desceram e as mãos dele tocaram a parte interna das coxas dela, logo acima dos joelhos.

Ela sentiu a respiração dele no lado esquerdo do pescoço e no rosto dela.

Então ele arrastou os dedos em sentido ascendente pela pele do interior das coxas dela.

Oh, ele queria enlouquecê-la, com certeza. O meio das pernas dela pulsou de excitação. Ele poderia tocar lá? A proximidade das mãos dele ao sexo dela sem que ele lhe tocasse deixava-a louca de desejo para que as coisas avançassem.

As mãos dele passaram agora para as nádegas dela. Ele apertou deliciando-se com as formas redondas e abundância da carne.

William ajoelhou-se e abarcou, com a boca, um pedaço de carne das nádegas dela. Depois ele repetiu a mesma ação, distribuindo atenção pela generalidade da superfície, beijando e sugando.

Victoria debruçou-se mais para a frente e apoiou a cabeça na parte superior das costas da poltrona. O meio das pernas dela fervia em antecipação. Mas ele adorava não lhe tocar lá, para a deixar ainda mais desejosa de que ele fizesse alguma coisa que trouxesse para ela uma recompensa.

Ele só queria enterrar-se no corpo dela: apertado, quente e molhado.

Ela percebeu que ele se colocava de pé.

A mão esquerda dele firmou-se na barriga dela e…

Ele entrou!

Todo de uma vez, procurando espaço dentro de ela.

Ela pôde sentir como ele ultrapassava todas os obstáculos e subia através ela, afastando, bruscamente, a superfície interior.

E, de imediato, ele estava a sair dela e a entrar novamente. De forma contínua e impetuosa.

Ele não estava preocupado se ela estava a conseguir acomodá-lo. Ele só queria entrar e sair e entrar e sair, e isso era avassalador.

"Você gosta por trás, não é?" Ele perguntou no ouvido esquerdo dela.

"Sim…"

Ela não estava a vê-lo, mas isso só apurava a capacidade de senti-lo. Cada polegada dele que entrava dentro dela, o toque dele por dentro…

"Você sabe quantas noites eu passei nesta poltrona pensando em você?" Nova pergunta dele.

"Não…"

"Você sabe quantas noites eu imaginei você entrando por aquela porta?"

Ela observou como o tecido das costas da poltrona estava desgastado, ameaçando rasgar-se em diversos pontos.

"Muitas…Eu suponho." Victoria respondeu.

"Muitas! Muitas vezes em que eu desejei foder você!

"O quê?" Ela perguntou.

Como é que ele nunca tinha usado esta palavra com ela? Embora aquele conjunto de letras lhe passasse pelo cérebro muitas vezes, até hoje nunca parecera necessário para ele verbalizá-la.

"Foder! É o que os amantes fazem, Victoria! Foder é aquilo que nós fazemos! Ajuntamento carnal é o que você faria com o vosso marido." Ele explicou.

"Eu compreendo…"

Foder. O uso daquela palavra desbloqueava alguma coisa dentro dele e desbloqueava algo que ainda não tinha sido libertado entre eles. Eles já tinham feito muita coisa, mas ele nunca tinha dito aquilo.

"Oh, quantas vezes eu imaginei que eu fazia isto consigo? Exatamente assim!" Ele confessou enquanto continuava a insistir mais rapidamente.

"É isto que você quer de mim?" William perguntou.

"Sim!"

"É isto que você está a sentir? Você está a sentir? O que é que você está a sentir?"

"Tudo! Tudo de você! E é tão bom!"

"Você não vai fazer isto com o Príncipe porque eu sou o único homem que pode entrar em você!"

Agora isto era uma ordem e era tudo o que ela queria ouvir!

"Não, eu nunca farei isto com ele." Ela declarou ofegante.

"Você é minha, só minha!" Ele insistiu, com determinação na voz e no corpo.

"Eu sou, eu sempre fui e eu sempre quis ser só vossa…Foi você que me empurrou para Albert."

"Eu vou deixar você toda fodida!"

"Sim! Ame-me como só você faz, ame-me como só você faz…" Ela pediu.

O dia lá fora estava a caminhar para o fim e a luz da biblioteca estava a reduzir, o que tornava o espaço ainda mais atraente.

Havia uma certa violência na forma como ele se movia para dentro dela, de uma forma que ele nunca tinha usado antes, empurrando-a com ele, mas isso não estava a assustá-la, mas a excitá-la ainda mais.

"Eu estava aqui nesta poltrona na noite do vosso casamento. Aqui, imaginando que você partilhava uma cama com aquele príncipe idiota e que você estava a ser fodida por ele…"

Ele nunca tinha revelado isto antes. O desejo, o ardor, a luxúria associada a esta poltrona e o que tinha acontecido na noite do casamento dela.

Enquanto ele se movia dentro ela, agora lentamente, ele contou:

"Eu bebi até ficar encharcado em brandy e quando eu me levantei desta poltrona eu caí no chão porque eu estava bêbedo… Essa é a verdadeira explicação para a marca que você encontrou no meu rosto. Eu fiquei doente, Victoria, doente por você!"

Victoria interiorizou, mais do que nunca, a forma como aquele homem a desejava.

A velocidade dele aumentou. Ela estava a senti-lo embater dentro dela. Neste momento ela precisava de se vir e tinha vontade de chorar de satisfação pelo que ele tinha dito e por tudo o que estava a acontecer. O desespero para que se concretizasse estava a dominá-la, estava quase, mas ainda faltava um pouco mais.

Ele já não tinha domínio sobre si. Ele só queria fodê-la! Agora ela conseguiria gerir fisicamente e emocionalmente este modo selvagem de possuí-la sem ficar magoada ou assustada.

Ele estava profundamente dentro dela e ela sentia que estava muito mais expandida do que no início. Aquele sentimento de prazer crescente e dominador estava agora parado num limbo. Ela precisava que avançasse, mas naquele estádio estava divinal. E, por ser tão bom, era quase impossível de suportar.

"Oh, isto é tão bom! Tão bom, William! Eu não consigo suportar algo tão bom!"

"Você aguenta tudo, Victoria! E quanto mais você aguentar melhor será!"

Ele insistiu mais algumas vezes naquele vai e vem celestial.

A onda de prazer varreu-a e passou por ela com vigor!

"Oh, William! Eu estou a vir, eu estou a vir… William, William…"

As pernas dela tremeram e os dedos dos pés dela moveram-se, repetidamente e de forma descoordenada, tentando gerir a intensidade da energia que emanava dela.

Ele empurrou de novo contra ela, uma e outra vez e exclamou em arrebatamento:

"Nós estamos perdidos!"

Então ela sentiu-o, grosso e macio, pulsando ereto dentro dela, a inundá-la gloriosamente aos borbotões.

Ele tinha feito aquilo! Ele tinha-se vindo dentro dela!

Ele aplicou sobre ela mais alguns impulsos fortes, mas espaçados, enquanto gemia e expelia as rajadas finais.

Agora ele era totalmente dela! Ela estava satisfeita, feliz e realizada. E, com sorte, ela já teria mais do que isso…

Ele beijou o pescoço dela, ligeiramente transpirado, e retirou-se de dentro dela.

Depois ele tirou o lenço do bolso das calças e meteu-o entre as pernas dela para receber o fluido que iria escorrer, com o objetivo de poupar a roupa dela tanto quanto possível.

Ela pensou que aquele era o mesmo lenço com que ela tinha limpado as lágrimas dela no dia em que tinha confessado que se mantinha virgem para ele!

Ela vibrou com o toque dele, de novo lá, sobre o sexo dela ainda sensível.

Ele manteve a mão quieta, mas ela esteva à beira de se vir de novo.

Victoria sentiu que ele passava agora o lenço entre as pernas dela, da frente para trás.

A sensação de ele a limpá-la era indescritível! Nunca ninguém, que ela tivesse memória, tinha feito isso. Se ela ainda se lembrasse de que era a Rainha, era um facto que o Primeiro Ministro dela acabava de lhe limpar o espaço entre as pernas com o próprio lenço dele, após tê-la fodido e impregnado de fluido fértil.

O corpo dela tremeu com as réplicas de êxtase.

Ele atirou o lenço para o chão e agarrou Victoria, virando-a depois para ele e colocando-a de pé.

Então, na quase escuridão da biblioteca, eles selaram com um beijo profundo o ato sagrado que tinha acabado de acontecer entre ambos.