Ao voltar a abrir os olhos ela encarou a parede e sentiu brotar algumas lágrimas.
— Lisa... — a voz grave invadiu o quarto.
Seu coração disparou; ela conhecia aquela voz. Era dele — era Ele. Por um instante Lisa chegou a pensar que tinha imaginado ter ouvido seu nome, que talvez pudesse ser fruto de um pequeno delírio. Mas a forma na qual aquilo havia esquentando seu coração era impossível ser um delírio. Ela podia sentir a presença dele ali — quase que queimando seu corpo.
Lisa olhou na direção da porta e viu Hugh encostado sob a mesma. Seu ar leve e tranquilo era reforçado por seus trajes: jeans surrado e camiseta branca — estava mais sexy do que nunca. Soltando a respiração que havia prendido sem notar, Lisa suspirou aliviada; e ele não pode deixar de notar o nervosismo que a rondava.
— Fui ao meu apartamento pegar algumas roupas. — ele conta caminhando até ela. — Você está bem? — o colchão afundou com seu peso ao sentar na cama ao lado dela.
Ele mal sentou e Lisa foi de imediato para o colo de Hugh — como uma criança quando acorda assustada de um pesadelo e precisa do colo da mãe — e o abraçou forte. Lisa não falou nada e aquele silêncio o preocupou. Depois de alguns segundos ele perguntou:
— Aconteceu alguma coisa? — Hugh acariciou seus cabelos como se quisesse tranquilizá-la de algo que nem fazia ideia do que se tratava.
Ela afastou-se um pouco para poder olhá-lo nos olhos.
— Eu... — ela pausa, e respirando continua. — Eu achei que você tinha ido embora.
Ele a agarrou pela nuca e a beijou na boca, saboreando-a com a língua, fazendo suas preocupações se desfazer. Quando ele a largou, ela estava sem fôlego.
— Meu anjo. — ele passa delicadamente a mão no rosto dela. — Como você pôde pensar isso? Eu nunca, — ele a beija levemente na pontinha do nariz. — Nunca vou deixar você. Nem que você me pedisse. — ele afirma repetindo o beijo por todo o rosto dela.
— Ha não ser por uma semana. — ela solta baixinho como se estivesse pensando e não falando.
Hugh para a distribuição de beijos.
— Lisa. — seus olhos encaram os dela, sérios.
— Calma. — ela leva uma das mãos até a boca dele. — Não vou mais brigar por conta de sua viagem. — ela o tranquiliza.
— Que bom. — ele sorri e começa a subir a parte do vestido que cobria as pernas dela. — Ainda está muito chateada pra fazer sexo? — ele sussurra cravando levemente os dentes na orelha dela.
Não se contendo Lisa solta uma gargalhada ao ouvir aquela pergunta. Aquilo provocou um arrepio em todo o corpo de Hugh. Àquela risada mexia demais com todos os sentidos dele; cada vez que a ouvia sentia-se ainda mais vivo, como se rejuvenescesse cem anos. Lisa nem fazia ideia disso.
— Você está rindo de mim, meu anjo? — ele pergunta num tom deliciosamente ameaçador.
— Estou. — ela diz ainda sorrindo. — Ninguém fica chateado a ponto de não querer fazer sexo, ao menos eu não. Fazer sexo com raiva é até melhor. — ela acomoda-se melhor no colo dele, ficando com uma perna de cada lado da cintura. — Sexo de reconciliação. — ela diz concluindo o pensamento.
— Ah, é? — ele aperta-lhe a bunda puxando Lisa para mais perto de seu membro. — Eu detesto brigar com você, mas pelo que estou vendo terei que fazer isso pra poder desfrutar desse tal sexo ai. — as mãos sobem e agarram os seios dela.
— Olha que dependendo da briga eu me recuso a fazer sexo. — ela diz com os lábios grudados no pescoço dele.
— Então nesse caso é melhor não correr o risco.
— Aham. — ela impulsiona seu corpo pra frente e faz com que Hugh caia na cama batendo com as costas no colchão, ficando assim com o corpo sobre o dele. — E é melhor não correr também o risco de chegar atrasado à casa de Robert. — ela o beija de leve e logo sai de cima dele. Precisava se vestir para o jantar.
A cada dia que passava Lisa se convencia do quão estava perdida — do quão ficaria desolada caso tudo o que tinha com Hugh chegasse ao fim. Nunca havia ficado tão dependente em um relacionamento, tão dependente de um homem. Sempre era ela quem decidia terminar seus relacionamentos, quando a coisa já não tava tão boa como no começo, ela dava um pé na bunda e partia pra outra, mas antes preferia passar um tempo curtindo a solteirice; se divertindo com as amigas. Só que agora tudo estava sendo diferente, e isso no começo a assustava, mas agora não mais. O temor de perdê-lo se tornou maior que o temor de estar profundamente dependente dele.
Eis que chega a quinta feira — o dia da viagem de Hugh — para a não felicidade de Lisa. Na noite anterior haviam ido a mais um dos eventos sobre séries; e dessa vez não havia sido tão chato quanto os demais.
Lisa resolveu torturar Hugh; aquilo excitava tanto ele, quanto ela. No carro a caminho do evento ela já havia mostrado a cinta liga vermelha que estava usando por baixo do provocativo vestido pérola; justo até a cintura e com babados até a altura dos joelhos, dando assim mais volume a seu quadril — não que ela precisasse, já era muito da gostosa por natureza. Sabia o efeito que aquilo faria em Hugh e como ele ficaria enlouquecido para arrancar toda a sua roupa e transar até o cansaço não permitir mais.
Passaram todo o evento provocando um ao outro. Ela arrepiava-se cada vez que ele a olhava nos olhos e ameaçava arrastá-la para um canto isolado e fudê-la sem se preocupar se seriam pegos; ou quando ele dizia que iria arrancar sua roupa antes mesmo de chegarem ao quarto. Hugh soube controlar muito bem sua excitação, já Lisa... Bem, ela não se conteve desde a primeira ameaça — o estado de sua calcinha era a prova viva disso.
Quando eles finalmente voltaram pra casa, assim que Hugh fechou a porta afrouxando o nó da gravata enquanto olhava fixamente na direção de Lisa, ela se lembrou das seguintes palavras: vou arrancar sua roupa antes mesmo de chegarmos ao quarto.
