Descrevendo uma história:

Cap.38. – The big surprise

Quando abriu os olhos viu que não estava em seu quarto. Sentiu o corpo dele colado ao seu e agradeceu mentalmente por não ter sido um sonho. Voltou a fechar os olhos, fingindo dormir, porque dali ela não queria levantar. Ela queria ficar com ele para sempre.

- Está acordada? – ele murmurou em seu ouvido.

- Uhum. – grunhiu respondendo.

Inuyasha se calou, colocou seu queixo sobre o ombro dela e não falou absolutamente mais nada.

Ayame acordou e se sentou. Ao seu lado o vazio. Ela sabia. Ele tinha ido embora mais uma vez. Abraçou as próprias pernas e chorou.

Inuyasha colocou as calças e se sentou na cama. Kagome ainda estava deitada.

- Não vai levantar?

Ela balançou a cabeça negativamente.

- Manhosa.

Ayame enxugou as lágrimas e começou a se vestir. Ela tinha que trabalhar.

Suas mãos tremiam e se sentia sem forças. Sentia-se completamente fraca.

Kagome abraçou Inuyasha pela cintura.

- Diga para mim que tudo isso é verdade.

Ele riu. – Sim. É tudo verdade.

A maçaneta mexeu e Ayame olhou para a porta. Kouga se aproximou de Ayame, abraçando-a. Ela tremia em seus braços.

- Eu preciso te dizer uma coisa muito importante.

Ela o encarou sem entender.

- Eu quero me casar com você.

Sango trocou a fralda do filho. Miroku já havia saído. Sorriu feliz. Ela era agradecida pela família maravilhosa que tinha.

- Vamos falar com a minha família. – Kagome falou sorrindo.

- Vamos.

Ayame quase berrou ao ouvir isso.

- O quê?

- Casa comigo e dessa vez eu quero tudo para valer.

Ela levou a mão à boca.

Os olhos marejados.

- Não acredito. – murmurou.

- Eu preciso dessa chance.

Kagome e Inuyasha desceram as escadas de mãos dadas. Caminhando pela rua como dois namorados.

- Minha mãe vai me dar bronca por ter dormido fora.

Inuyasha riu.

- Tudo bem, eu enfrento a fúria.

Quando Kagome abriu a porta, sua mãe já veio a abraçando.

- Onde você estava? Eu estava louca atrás de vo... – calou-se ao ver Inuyasha.

- Espertinhos. – disse seu avô. – Que seja, fique para o almoço, ou tem algum outro compromisso? Aliás, Kagome, hoje eu te libero, pode ficar aqui, eu vou à floricultura. Milagres assim acontecem pouco.

Kagome sorriu. – Onde está Kikyou?

- Ela saiu logo de manhãzinha, nem sei para onde foi. – a mãe respondeu. – Venha Inuyasha, venha, apesar de toda a confusão que vocês arranjam sempre, você é muito bem-vindo.

Inuyasha assentiu risonho.

Ali juntos, pareciam uma família. Conversando, brincando, divertiam-se. O avô de Kagome foi com o irmão dela para a floricultura e só voltou para almoçar. Kikyou não havia dado sinal de vida, durante a manhã toda.

Tudo parecia de alguma forma tão incrível, que Kagome mal conseguia acreditar. Era tudo perfeito demais. Só faltava a sua irmã ali para compartilhar essa alegria.

A tarde passou tão rápida, e logo anoiteceu. Como Kikyou não havia dado as caras, a mãe de Kagome começou a se preocupar.

- Onde será que sua irmã foi? – perguntava.

Kagome balançava a cabeça sem saber. – Quer que eu vá procurá-la?

- Já ligou no celular dela?

- Já.

- Que estranho, não? – Inuyasha disse.

- Hmm... Vou fazer assim mãe, eu vou buscar o vovô na floricultura e vejo se a acho na livraria, tá?

- Eu vou com você. – Inuyasha disse.

Kagome olhou para a mãe nervosa e balançou a cabeça. – Não. Fica aqui com a minha mãe, certo?

Dizendo isso, saiu.

Inuyasha foi até a cozinha e trouxe um copo de água para a futura sogra.

- Sabe, Kikyou sempre foi muito independente, mas nunca deixou de dar satisfações. Algo me diz que está tudo bem com ela, mas que algo vai acontecer, só não sei o quê.

- Entendo. Vou ver se Kagome já está chegando.

Ele não sabia o que fazer e resolveu ir para fora tomar um ar.

Ficou esperando Kagome do lado do portão. Esperando ela chegar.

Distraiu-se olhando as estrelas, e se virou quando sentiu uma mão sobre seu ombro. Era Kikyou sorrindo.

- Onde estava? Todo mundo ficou louco atrás de você.

- Sesshoumaru me ligou.

- O que ele queria?

- Ele tem boas notícias. Conseguiu um contato para mim e para você. Você sabe escrever em inglês?

- Hã? Sei, por quê?

- Ele fechou um contrato com uma editora americana. E só irmos para lá e escrevermos um livro! Quero dizer, cada um escrever um. É uma oportunidade única e rara. Claro que precisamos continuar com ele, sabe? Escrever um livro para ele, claro, mas um em inglês vai nos dar mais visibilidade. Podemos melhorar ainda mais. O que acha?

Inuyasha mal conseguia absorver tanta informação. Ele ia ficar rico. Abraçou Kikyou com força, beijou-lhe o rosto e a testa.

- Vamos ficar ricos! – exclamou.

- O que é isso? – uma voz estridente os tirou do transe.

Kagome não conseguia acreditar no que via. Inuyasha se afastou o mais rápido que pode, desfazendo o abraço e virou-se com uma cara de culpa descarada.

- Não é isso que você está pensando. – disse.

Kikyou deu um sorriso amarelo.

- Estou cansada! – Kagome exclamou e entrou na casa.

O vô de Kagome balançou a cabeça negativamente. E o irmão dela deu de ombros, de alguma forma estava se acostumando com essas confusões.

- O que houve? – o avô perguntou.

Inuyasha ia entrando atrás de Kagome, mas Kikyou o parou. – Eu falo com ela. – disse e entrou.

- Eu sei lá! Acho que eu que cansei. – disse e sem pensar, virou-se e foi embora.

Kikyou entrou no quarto de Kagome, e fechou a porta.

- Kagome, acho que está na hora de você mudar esse seu jeito.

Kagome afundou a cabeça no travesseiro e fingiu não ouvir a irmã.

- Acho que está na hora de você fazer tudo isso valer à pena.

Inuyasha pegou seu celular e ligou para o irmão.

- Kikyou me falou. – disse ao atender.

- Então?

- Eu topo, quando eu viajo?

- Assim que fala, maninho.

Kikyou fechou a porta do quarto e deixou a irmã ali.

Aproveitou que todos, além da irmã estavam ali e resolveu anunciar a novidade.

- Recebi uma proposta de escrever para uma editora americana, e resolvi viajar.

- Quando? – a mãe perguntou.

- Parto logo. Por isso, amanhã mesmo já vou correr atrás de meus passaportes. Sei que é algo do nada e tudo mais, mas eu sinto que é uma ótima oportunidade. Andei meio parada com meus livros, sem muitas propostas, preciso aproveitar.

- Aproveita sua chance, minha neta, porque a vida é assim. Ou a gente aproveita, ou alguém leva.

Kagome prendeu a respiração ao ouvir o que acabar de ouvir.

Dentro dela algo apitava... Talvez o abraço não tenha sido um ato amoroso, somente carinhoso... Mas... Era tão difícil dar o braço a torcer.

Os dias foram corridos, um mês se passou enquanto Kikyou e Inuyasha marcavam a viagem juntos. Pretendiam dividir o apartamento por lá. Correram com o visto e passaporte, esperando que tudo desse certo. Sesshoumaru estava bancando boa parte dos gastos, mas eles tinham mais um contrato. Além de escrever em inglês deveriam voltar com um livro para a editora dele. Seria praticamente duas histórias distintas escritas por cada um em um ano. Sentiam-se sobrecarregados com tanta responsabilidade e ao mesmo tempo eufóricos por fazerem algo novo.

- Vai dar tudo certo. – a mãe de Kikyou disse para ela no aeroporto.

Kagome não havia vindo. Ela evitava falar com a irmã desde aquele dia e nunca mais havia procurado Inuyasha.

A mãe abraçou Inuyasha. – Cuide de minha menina, por favor.

- Eu vou. Obrigada por tudo.

- Sabe, Kagome precisa amadurecer um pouco mais.

Inuyasha suspirou. – Com a correria eu evitei pensar em sua filha. Mas, devo dizer que nada mudou. O problema é que eu sinto que se ela é incapaz de confiar em mim, então não existe como eu fazê-la feliz. – beijou aquela mulher bondosa na testa e se dirigiu para o portão de embarque.

A filha sorriu e acompanhou o amigo.

Kagome se sentia mal. Havia um tempo que se sentia mal. Sabia que a causa era a viagem da sua irmã e de Inuyasha.

Sofria pela própria teimosia. Mas, não conseguia mudar. O que ela podia fazer?

Entretanto, conforme os enjôos foi aumentando, ela começou a desconfiar que talvez não fosse somente tristeza.

Respirou fundo. Nunca havia urinado em tanta coisa e tanto pote. Todos espalhados pelo chão de quarto. Tudo era óbvio se mudasse de cor era positivo.

Inuyasha sentou na poltrona do avião.

- Sabe quando você sente que está deixando um pedaço de você? – perguntou.

- Uhum.

- Eu sinto que estou deixando algo.

- Kagome?

- É algo maior, entende?

- Não. – Kikyou riu.

- Eu queria ter me acertado antes de viajar.

- Entendo.

Não podia ficar azul.

Azul.

A fita estava azul.

A cor não podia mudar.

Mudou.

Kagome estava estática. Não podia ser... Uma única vez, só uma mísera vez... E... Não tomava pílula, não havia tido camisinha...

- Estou grávida.

Kikyou fechou os olhos e resolveu dormir. Tinham uma longa viagem pela frente.

- Melhor ir dormir.

- Sim.

Inuyasha olhou pela janela do avião.

Algo o incomodava. Ele sentia como se estivesse perdendo uma parte de si. Talvez fosse a parte de seu coração que somente Kagome era capaz de habitar. Puxou o caderno para seu colo e começou a escrever.

Today is not one of my best days. Maybe because I've left my heart too far away from me. So far away that I can't even listen to the sound of its beat. I know I lost it. I lost it and I can't hold on to this pain. The pain of the void. The void of not having her.

Inuyasha parou. Ele não conseguia continuar. Doía. Sabia que o livro em inglês falaria de perda. Só conseguia pensar no pedaço que havia deixado.

OnedayI'llfillthat void.

Sorriu.

Quando escrevia tudo era possível.

Olhou para o rosto sereno de Kikyou. Tê-la ao seu lado seria bom. Ela ia ajudá-lo ao máximo.

Kagome começou a chorar. Não estava nos seus planos ter um filho.

- O que eu faço?

Continua...

Hello pessoal!

Esse capítulo veio triplamente mais breve do que o anterior.

Obviamente porque eu estou animada e aproveitei o feriado da Páscoa para escrever. Inspiração divina, talvez?

Muito chocados com a reviravolta? Aposto que sim!

Mas, mesmo assim, eu que ia matá-los completamente de curiosidade resolvi oferecer um pedacinho do próximo e último capítulo:

- Sango, obrigada. – agradeceu.

- Eu sou contra. – a amiga disse.

- Então, por que me trouxe até aqui?

- Porque na vida temos que pagar por nossas escolhas. – ela respondeu e sem dizer nada deu partida no carro e deixou a amiga sozinha.

Kagome olhou para aquela casa branca, aparentemente normal. Segurou entre os seus dedos o panfleto. Era ali a casa de aborto.

Inuyasha encarou Kikyou. Seus lábios quase encostando.

Então, o telefone tocou.

Inuyasha atendeu.

- O que foi?

- Oi maninho, sou eu Sesshoumaru, como vão os livros?

- Bem, bem...

- Você já sabe das novidades?

- Quais novidades?

- Ouvi dizer que você terá uma surpresa... Aliás, uma das grandes quando chegar aqui.

- Do que você está falando?

- Kagome está grávida.

- O QUÊ?

É isso pessoal.

O último será eletrizante e virá o mais breve possível. Podem apostar.

Preciso agradecer:

Aline L., Katryna Greenleaf, Cosette, Agome-chan, Nandinha82, Carolshuxa, Kallyne Rigurashi Taysho.

Obrigada gente pelo carinho, por lerem e comentarem, podem ter certeza que é por vocês que esse penúltimo capítulo chegou assim tão rápido.

Obrigada gente e aguardem o último que vai vir ferevendo

Dani