– Como? – perguntou o outro quase rindo daquilo.

Naomi parou, olhando para ele com um misto de sensações. Nem ela se entendeu diante daquela pergunta. No fundo, ela sabia que isso era medo de perdê-lo e não ter mais nada que a fizesse sentir sua presença perto de si.

– Mas... – ele pôs a mão na boca, estava surpreso – não há necessidade... digo... falo da responsabilidade. Não acha que isso ainda é distante para nós dois?

– Mas... se você se colocar em risco de morte... pelo menos tenho um pedaço de você comigo. – ela respondeu mais segura.

O ruivo sorriu, nunca achou que ouviria isso de uma mulher. Ela queria mesmo ficar com ele a ponto de ter um filho. Isso era muito bom de sentir, de ver e ouvir. Mas... não fugia de desafios. Hisoka havia acertado com Kuroro que lutaria com ele e não voltaria atrás.

– Acho que... você quer ficar para sempre comigo, não é? – perguntou ela.

– É um dos propósitos.

– Um dos?

– Sim.

– Tem outros propósitos comigo?

– Tenho, claro! – ele foi até ela e passou o braço pelo ombro da mais baixa, levando-a até a cama para sentar junto.

– E... posso ouvir de você todos eles?

– Você vai descobrindo... – ele quis fazer um pequeno mistério para ela – mas não se preocupe, não vou te machucar e nem te abandonar.

– ...

– Acha-me mais fraco que ele? – ele perguntou, referindo-se ao líder do Ryodan.

– Eu não quis dizer isso... mas temo que você sofra um golpe sujo dele, sei lá...

– Não se preocupe... – ele a abraçou, beijando a nuca – eu também sou experiente... saberei me safar de qualquer coisa. Mas o que eu quero é manter sua segurança, Naomi. Entendeu? Só isso. Eu sei me virar de qualquer armadilha, mas você não. E, se acontecer o que eu disse, voltarei para onde você mora como fiz anteriormente.

– Promete?

– Prometo.

– Então... vamos rever o que vou fazer? – disse a morena, saindo do abraço e ficando de frente para ele, ainda sentada na cama.

– Sim... o que quer que eu explique novamente? – ele se posiciona da mesma forma que ela.

...

Dia da tão esperada luta. Naomi estava no quarto, com o gatinho no colo e sentada na cama. Havia prometido para Hisoka e até para si mesmo que não veria essa luta e só sairia dali no horário que ele pediu, caso não retornasse ao quarto. E da maneira conforme haviam combinado.

Já na arena, Hisoka sentia tremer por dentro. Aquilo que havia brochado dentro de si ressuscitou: a vontade de duelar com Kuroro, que estava calmo e aparentemente tediado, como sempre.

– Como vai ser essa luta? – perguntou Hisoka.

– Que tal uma luta até a morte? – o moreno esboçou um pequeno sorriso.

– Ótimo

O juiz se aproximou e acertou com ambos como seria a luta definitivamente.

– Senhoras e senhores presentes, será uma luta até a morte! – gritou a narradora, empolgada, acompanhada dos gritos misturados de aplausos e vaias.

– ...parece que alguém vai sentir novamente a dor... – Kuroro disse em tom de provocação, referindo-se a Naomi. Estava bem convicto do que faria para matar Hisoka e tentar roubar a habilidade dela, caso ele confirmasse que ela tivesse uma.

– Talvez você... – Hisoka destacou bem a última palavra dita – você saiba quem é que vai sentir a dor novamente... ou nem terá tempo para isso. – referiu-se a perda dele e na impossibilidade de voltar vivo para o bando ou para fazer qualquer coisa contra a Naomi.

– LUTEEEM! – autorizou o juiz.

Em sua suíte, Naomi sentia sua respiração um pouco pesada. As mãos trêmulas e levemente suadas acariciavam o gato, que se enroscava entre as pernas dela ainda mais. Era como se Kuro sentisse a necessidade de acalmar sua dona. Ela não podia ver claramente o que estava acontecendo lá na arena, mas era como se ela estivesse vendo. Mesmo que fosse difícil de desconcentrar-se, ela tentou baralhar seus pensamentos com lembranças boas que tinha de sua vida com Hisoka. Até pensou em Eros. Queria saber como ele estava. Sua garganta estava aparentemente seca sem fazer nenhum esforço físico que exigisse água para se hidratar.

– Droga... não queria ficar nessa expectativa! – exclamou Naomi, colocando o gato na cama e indo tomar uma ducha para relaxar. E a ducha daquele lugar era maravilhosa, aliás, tudo ali era luxuoso. Vida de mestre do andar era uma vida de sonhos. O gato pulou da cama e seguiu a dona até o banheiro. Ao acabar a ducha, Naomi deu de cara com o bichano que estava ali como se estivesse tomando conta dela. Ela sorriu – Parece que sou péssima em enganar, não é, Kuro?

Enquanto isso, a luta começava já de forma insana. Kuroro imediatamente assumiu o controle do juiz que acompanhava a luta dos dois com a capacidade que havia tomado de Shalnark, usando-o contra Hisoka e, ao mesmo tempo, atacando-o com as mãos nuas. Depois de uma breve e intensa troca de golpes que Hisoka usou em posição defensiva, Kuroro matou o árbitro, mostrando novas habilidades: uma marca explosiva que fazia o que já mencionava o nome, e um marcador que lhe permitia usar as habilidades roubadas sem ter de segurar seu livro. Kuroro, tranquilo e determinado, está lutando a vencer e quer fazê-lo com estilo. Hisoka precisava se manter na defensiva para estudar seu oponente – como sempre fazia. Os dois discutem sobre as novas habilidades do moreno, e ele declarou que mostraria a Hisoka mais três outras.

Hisoka sentia seu sangue ferver, mas percebia que teria certo trabalho em acabar com ele. Algo lhe dizia que aquilo demoraria bastante. Lembrou-se de Naomi quando ela lhe disse que ele poderia usar um "golpe sujo". Era bem provável ali. Mas tinha algo que o incomodava ali, embora estivesse acostumado: sua atração mórbida de natureza sexual por lutar contra lutadores poderosos. Sentia novamente o próprio órgão sexual formigar como se estivesse sendo estimulado. Uma sensação tão deliciosa como uma típica cópula. As carnes pareciam ficar mais rijas, a pele mais quente. Sentia-se nu, despido ali (embora não estivesse). Oh, se pudesse descontar toda aquela excitação em Naomi ali... no meio de todos... na frente dele, mostrando de quem era sua "fêmea".Porém, não queria mostrar nenhuma aparente "fraqueza" naquele meio, até porque precisava se concentrar na luta para descobrir o ponto fraco do Kuroro. Enquanto se distraía acidentalmente, Kuroro enviou um monte de pessoas da plateia manipuladas por ele mesmo para ataca-lo. Despertando dos pensamentos, Hisoka conseguiu se desviar rapidamente daquela gente.

– Ops... por um triz

Fugindo de Hisoka, os dois acabam na plateia, que Kuroro manipula para atacar Hisoka que reagiu matando os seres humanos controlados pelo outro. O moreno aparece com outras roupas no corpo, pois roubou as roupas de um espectador e os dons dele, e também recuperou a duas antenas invisíveis por seu adversário. "Como ele está sendo tão rápido assim diante de meus olhos? Claro... está aproveitando a multidão, mas... eu sei localizá-lo, mas ele não aparece na minha mira direito!" pensou Hisoka, coçando o queixo. Ele então criou várias cópias com ele, a fim de ter em torno de trinta daqueles humanos atacando Hisoka. O mago é forçado a recuar. Precisava lidar com diversas pessoas para chegar até ele ao mesmo tempo em que precisava ficar atento com as ações dele. E Kuroro não para: roubou o microfone da narradora principal e ordenou para seus humanos controlados e os triplicados a partir de cadáveres.

– Quebrem Hisoka agora!

Todos estes atacam Hisoka, que partiu ao ataque para destruí-los usando as cabeças que pegava de uns como projétil e anexando seu Bungee Gum, usando-os como se fosse um martelo. Um matador de elite. Uma máquina de matar que acabava com vários, sozinho.

– Os seres humanos são máquinas incríveis...

Certa hora, Hisoka consegue grudar sua goma elástica em Kuroro, atraindo para si e acertando com um soco bem dado. Um soco daqueles. Descontando sua raiva por diversos momentos, inclusive quando ele abusou de Naomi no tempo em que ela era cativa. Agora sim. Ele aproximou-se do corpo, mas viu que era falso, não era o de Kuroro. Mas não se enraiveceu, tudo aquilo tinha ficado no corpo que havia destruído com o seu soco. Agora, precisava buscar Kuroro entre tantos seres que o atacavam manipulados pelo moreno.

De repente, a cabeça que o ruivo estava segurando explode na mão, fortemente ferindo-o e destruindo quatro de seus dedos. E não foi a dor que o fez arregalar os olhos, e sim o pressentimento do que poderia acontecer. Esperava que Naomi fizesse o que ele havia dito. E de fato, ela não estava ali, estava bem longe. Imaginou naqueles instantes Kuroro usando-a para ataca-lo. Até riu sozinho daquilo.

Em uma posição favorável e estando bem escondido, Kuroro observou Hisoka rindo. Sacudiu a cabeça negativamente. "Ele é um louco, mesmo. Farei o favor de livrar Naomi desse cara." Pensou ele, prestes a explodir mais uma parte do corpo de Hisoka. Mas rapidamente, mandou uma mensagem pelo mesmo celular de Shalnark para os outros, para que cercassem a área da suíte onde estava Hisoka.

Machi, junto apenas com Shalnark, foram até a área e tentaram usar o Gyo para perceber a presença de Naomi dentro do local.

– Será que devemos invadir? – perguntou Shalnark.

– Espera... não sabemos se tem alguma armadilha do Hisoka para tentar proteger Naomi. – disse Machi.

– Ela vai sair daí, se realmente ela estiver aí dentro. Pela janela, ela não pode pular a não ser que voe.

– Tem a janela... – Machi deixou escapar.

– Mas é impossível que ela pule por ali... nem árvore tem para ela descer por onde. Aqui não é como é o nosso esconderijo... nossa, isso está sendo nostálgico...

– ...não sei... fica aqui, eu vou até o lado de fora. – disse Machi, criando linhas de Nen entre os dedos das mãos.

– Certo. Tenha cuidado.

Machi acenou com a mão, dizendo que estava tudo bem. Ela se adiantou, aproximando-se de uma sacada que dava vista para a grande janela da suíte do Hisoka e pendurou os fios na sacada e em suas costas, escalando tranquilamente a parede como se estivesse caminhando na areia. A cortina estava fechada, mas nada que atrapalhasse a mulher de cabelos rosados a usar o Gyo novamente para encontrar a presença física de Naomi. Nada, não havia uma alma viva sequer. "Provavelmente, ela já deve ter ido embora daqui até mesmo por ordem do Hisoka. Aquela garota, também!..." refletiu Machi. De onde estava mesmo, uma explosão tremeu a torre. Ela imaginou o que estava acontecendo. Resolveu então sair dali e voltar para Shalnark.

Dentro do quarto, Naomi usava o In para se ocultar. E mais a sua habilidade de invisibilidade que ocultava não só a presença física como também a sensação de presença o menor dos ruídos que poderia fazer. E com o gato no colo, para ocultá-lo também. Mesmo escutando o barulho de explosão, Naomi não se desconcentrou mas voltou a ficar preocupada.

– O que deve ter acontecido? – perguntou ela para si mesma.

...

– Machi, Shal... retornem até esse ponto que falei. Desapareçam com o corpo do Hisoka, dando ao menos um lugar tranquilo e secreto para descansar. – Kuroro ordenava pelo celular, estando um pouco suado e levemente cansado.

– Então... – Machi ficou meio sem palavras por outro lado da linha.

– Venham logo. – o moreno desligou. "Há quanto tempo... não usava a energia assim... preciso descansar um pouco!" pensou ele, bocejando, tirando a boina grande que havia roubado de um dos espectadores.

Parecia loucura. Hisoka aceitou a derrota mortal da forma mais calma o possível. Sabia que havia exagerado na forma que havia lutado, mas um embate físico diretamente com ele seria difícil de acabar logo. E aquilo havia lhe perturbado por anos. Agora, ele sozinho tentaria buscar Naomi apenas para lhe roubar a habilidade... e no momento de divertia tentando adivinhar que tipo de habilidade seria.

Machi comunicava seriamente e friamente aos outros a ordem do chefe.

– Machi... nós já sabíamos o que ia acontecer. – disse Shal.

– Não tem como derrotar Danchou, ainda mais que Shal e eu emprestamos nossos poderes a ele. – disse Kurotopi.

– Ora... vocês falam isso para mim como um consolo? De quê? – disse ela, rindo – eu temia muito mais a morte do Danchou. Mas graças aos céus que isso não aconteceu.

Os outros dois pareceram compreender e se calaram. No fundo, achavam que Machi nutria algum tipo de sentimento por Hisoka.

– Agora... vamos até a arena busca-lo. – disse Machi, indo à frente.

– Tem certeza que não pode localizar Naomi?

– Ela já se foi daqui há tempos... tudo organizado pelo Hisoka, claro. – concluiu Machi.

A Torre toda estava um rebuliço. Repórteres e diversos profissionais de emergência estavam à porta e dentro do local. E o assunto que mais comentavam ali: Hisoka entre os mortos durante a grande explosão causada por Kuroro. Em outras arenas, lutas foram paralisadas. Havia diversas reações acerca do fim da vida do insano mágico, o "Deus da Morte", como era conhecido ali. Desde risadas satisfeitas até choros de quem o admirava.

Quando os três se puseram diante do corpo injuriado, ficaram chocados e em especial Machi. No fundo, estava se sentindo mal com aquilo. Tinha tudo para se sentir feliz, afinal havia jurado para si mesmo que preferia vê-lo morto. Mas sua reação era diferente.

– Danchou... – ela deixou escapar pela boca.

Shalnark e Kurotopi ficaram quietos. Apesarem de não ter nenhum tipo de impressão por Hisoka, sentiram uma sensação estranha diante dali que não sabia explicar para si mesmos.

– Machi... vamos leva-lo logo daqui antes que venham buscá-lo. – disse Shalnark, batendo no ombro dela de leve.

– Vamos dar a ele um enterro digno. – disse ela, com um tom de voz mais baixo.

Retirando o corpo dali, levaram até um dos vestiários. Estenderam o corpo no chão. Machi analisou as feridas e as piores foram no pescoço, que estava quase aberto como se duas mãos o haviam estrangulado.

– Danchou foi bastante rígido... será que ele também está machucado? – ela deixou a pergunta para os dois para disfarçar o que sentia diante do corpo do ruivo – bom, como pediu o líder, vamos dar um descanso digno.

– Já podemos ir agora?

– Vou ao menos fechar as feridas... depois podemos prosseguir. – disse Machi.

– Certo, esperamos lá fora!

Shalnark e Kortopi sairam depois que Machi disse que ficaria para cuidar de seus ferimentos antes de leva-lo dali. Ela fechou os olhos antes de tentar costurar seu pescoço.

– Eis um agradecimento por ao menos ter ajudado Danchou a recuperar seu Nen...

Ela foi juntando os músculos e a pele do pescoço, passando a mão por volta dele. Então, ela notou algo. A aura de Hisoka... ainda existia como se ele estivesse só inconsciente. Ela parou o que faria com suas linhas e ficou chocada ao ver sua aura reemergir de seu corpo.

– Mas... o que é isso?

E o corpo dele parecia se mover por conta própria. Pelas aberturas das feridas e parte de órgãos atingidos como o nariz sem a cartilagem e o pescoço quase cortado inteiramente, começou a sair sangue.

– Ah... está perdendo seu Nen, não é? – Machi acreditava que eram os últimos segundos em que o corpo morto dele estava perdendo totalmente sua aura. Sentiu tristeza ao ver aquilo. Suspirou fundo e fechou os olhos. Mas ao abrir, deparou-se com algo mais absurdo: sua energia não estava desaparecendo e sim triplicando sua força. O Nen dele estava mais forte que o comum. Machi caiu sentada para trás, vendo as mãos do ruivo se mexer. Ele pareceu tirar a mão de dentro do peito, logo apertando os punhos em seguida.

– Será que... então... o Nen fica mais intenso após a morte? Mas... faz com que ele tenha movimentos involuntários? – ela perguntou para si mesmo chegando a essa conclusão.

Hisoka abriu os olhos. Nem ele imaginou aquilo. Voltaria a ver novamente? A respirar novamente? Então... sua última esperança deu certo.

– Ahh! – exclamou enquanto se levantava, passando a mão que tinha os dedos inteiros pelo pescoço. Olhou o sangue entre os dedos. – então foi isso... – parou de falar quando olhou para o chão e viu uma Machi estarrecida.

– Machi? ... há quanto tempo!

– Hisoka...

– O que faz aí?

– ...

– Aliás... o que eu faço aqui? – disse ele olhando para todo seu corpo e a roupa manchada de sangue. – parece que... foi uma briga intensa... ugh! – gemeu baixinho ao sentir uma dor forte por todo o corpo, mas nada que o incomodasse. Era como se nada tivesse acontecido.

E começou a rir incrédulo, de si mesmo. Lembrou-se dos momentos finais da luta.

– Eu não... imaginava vê-lo vivo novamente. – disse a outra, se levantando do chão e ainda incrédula do que via. No fundo, aquela sensação desconfortável desaparecia rapidamente. Ela não acreditava que nutria algum sentimento por aquele idiota.

– Lutar com um homem do nível do Kuroro é algo bem intenso...

– Viu só?

– ...mas foi muito pouco o que vi dele.

– Pouco?! Você é realmente doido, não é?

– Ele não lutou comigo como deveria. Mas isso, vamos resolver mais para frente.

Machi franziu a testa, também balançando a cabeça negativamente.

– Hisoka...

Ele a olhou daquela mesma forma serena e irritante ao mesmo tempo.

– Bem... quer que eu costure...

– Não precisa, meu bem... dou um jeito nisso sozinho. – e começou a se curar, usando suas duas conhecidas técnicas. Conseguiu recuperar os tecidos abertos e os lábios arrancados, além de recuperar o pé direito que havia sido amputado, juntamente com os dedos da mão esquerda que haviam sido cortados com as explosões. – mas muito obrigado por ter feito companhia. Não estou lindo novamente? – brincou sarcástico.

– Você não é um ser humano comum! ...bem, parece que minha presença e meu serviço não serão úteis aqui. Combinei com Shalnark e Kurotopi, a pedido de Kuroro, e te dar um lugar digno para descansar e... agora não sei o que fazer. De preferência, quero que você suma de uma vez e dê-se por morto para nós.

– Como você é má, viu? Mas isso não me preocupa.

Machi deu as costas, mas Hisoka prosseguiu a fala.

– A partir de agora, eu vou controlar meus inimigos de acordo com as necessidades que tenho e darei um jeito até chegar ao seu líder.

– Faça o que quiser... até mais! – Machi não deu atenção, pensando: "Ele insiste em morrer pelas mãos do Danchou...".

De repente, ela sentiu o corpo paralisado e uma sensação maligna vinda por trás. Hisoka pôs-se atrás dela e lhe falou ao pé do ouvido.

– Estou falando das Aranhas, Machi.

Sem tempo de reagir, ele entornou os braços nela. Veio aquela lembrança maldita dele, naquele cativeiro improvisado por Kuroro enquanto mantinha Naomi. Ele faria com ela o que fez com a Naomi? Ela tentava sair se debatendo, mas Hisoka paralisou-a com sua aura elástica.

– Poderia passar o recado para os outros? A partir de agora, mais uma pessoa irá se vingar do chefinho de vocês até que ele aprenda que a nossa luta deve ser finalizada entre nós, e não pelos outros!

– Oraaa... seu! – a de cabelos rosados esbravejava.

– Não se estressa ainda... apenas faça esse favor para mim?

– Você não aprende! E vai acabar envolvendo "dos seus" nessa! – ela manda a indireta que Hisoka entende logo.

– Fala de quem, daquela linda garota que anda comigo? Ela não está mais aqui. E vai ser muito pior que seu chefinho quiser qualquer coisa com ela. A luta dele é comigo, somente comigo!

Machi, por não ter visto a luta, não entendia o que Hisoka queria dizer. Pelo que ele dizia, ela entendeu algo como se Kuroro tivesse usado mais de uma pessoa para lutar com o ruivo. Mas, o que aquilo importava?

– Até mais! – despediu-se com um beijo na bochecha dela, o que a deixou mais louca.

– HISOKAAAAAAAA! – Machi gritou, sentindo uma única lágrima descer pelo olho esquerdo.