Filho.


– Como você está? Não quero que se preocupe, lembra que está grávida?

– Edward, não dá pra esquecer. E eu estou bem. – Ele me olhava procurando alguma sombra de mentira.

– Ok então, vamos. – Nós caminhamos o restante do corredor, com Edward segurando a minha mão me olhando apaixonado, viramos à direita e, então ele estancou assim que viu a mulher branca com longos cabelos negros formando uma cortina, cabeça abaixada apoiada nas mãos parada à nossa frente.

Assim que a mãe do Ethan percebeu nossa presença ela levantou a cabeça lentamente olhando para Edward e, dele para mim, chocada, horrorizada. O pânico estava em seus olhos. A mulher ficou completamente pálida nos encarando.

Eu olhei imediatamente para Edward, ele estava parado, segurando minha mão com força, sem tirar os olhos dela por um segundo sequer e pude perceber, claramente, que eles se conheciam de algum lugar.

– Edward... – Ele me ignorou, seus olhos cravados na mulher a nossa frente enquanto ela também o encarava.

Só então eu percebi sua mão tremula e a respiração descompassada. Eu estava um passo atrás dele, seu corpo me protegendo seja lá do que.

Eu não entendia o que estava acontecendo com Edward, ele nunca agiu dessa forma com ninguém, parecia aterrorizado, apavorado, chocado. Lentamente ele fechou a outra mão em punho, apertando forte, e a que me segurava, estava absurdamente gelada, sua respiração era lenta e profunda, seus olhos estavam dilatados e semicerrados, ele estava muito pálido.

– Edward... – Eu murmurei tentando chamar sua atenção, mas foi inútil.

Instintivamente eu levei a mão livre a minha barriga, como se precisasse proteger e esconder meu bebê e o frio que parecia cobrir Edward se instaurou em mim. Respirei fundo, tentando me acalmar, sentindo a onda de adrenalina invadir meu organismo e o martelar do meu coração se mudar para meus ouvidos.

A mulher se levantou lentamente do sofá gelo, com uma das mãos a sua frente como se estivesse se rendendo, enquanto a outra estava em seu coração. Ela parecia tão assustada quanto nós.

Parecia que tudo estava acontecendo em câmera lenta, ela olhava, sem piscar, para nós, sem perder nenhuma das nossas reações e eu e Edward fazíamos o mesmo. Havia dor e sofrimento em seus olhos. Pânico em sua respiração enquanto ela apertava um lenço branco de tecido.

– Edward... – Ela falou com a voz melodiosa e eu senti o aperto mais forte da mão dele na minha me machucando me forçando a apertar seu braço para que ele me soltasse.

Parece que essa minha reação o tirou de seu estupor, e ele olhou para baixo abrindo vagarosamente o aperto de minha mão, sem soltá-la, prendendo-a entre suas duas palmas, massageando-me, olhando-me rapidamente com um pedido velado de desculpas no olhar, voltando novamente sua total atenção para a mulher de calça jeans e blusa verde a nossa frente.

– Edward... Por favor... – A mulher alta, com olhos verdes, pequenas rugas no rosto e lábios grossos derramava lágrimas, parecia soluçar enquanto sussurrava implorando, porém permanecia imóvel, assim como meu marido.

Edward, ao meu lado, estava cada vez mais irritado as mãos estavam realmente apertadas e dava para ver os nós e as pontas dos dedos completamente brancos revelando a total falta de sangue.

– Meu filho... Ele é tudo o que tenho... – Filho? Parece que essa palavra trouxe Edward de volta à vida, ele soltou minha mão, ficando a minha frente, tocando-me protetoramente em minha cintura.

– Filho?

– Ele sofreu...

Edward virava seu rosto de lado como que tentando entender do que ela falava. Eu sei que ele está sofrendo, sei que está irritado, assustado, nervoso, com medo. Mas, sei que está ligado no seu nível máximo de proteção. Tentando proteger a mim e ao bebê. Sua postura corporal revela isso melhor do que qualquer coisa.

Eu toquei seu ombro e cintura com as mãos encostando minha cabeça em seu ombro, sentindo sua mão me apertando contra ele, meu peito em suas costas.

– O que veio fazer aqui? – O tom ácido, de cada palavra dita pausadamente, o comando perfeito, duro e forte em sua voz, me fez tremer, não deixando a menor duvida que ele havia recobrado o poder e, agora, o homem altivo e poderoso estava de volta. A coluna ereta, as pernas levemente abertas, o peito estufado e o queixo levantado também eram sinais disso.

– Ele sofreu um acidente, os paramédicos o trouxeram para cá... – Ethan? Ela baixou a cabeça sem olhá-lo nos olhos enquanto falava. – Eu não sei como está. Só queria saber como ele está.

Edward negou com a cabeça impaciente e contrariado.

– Bella, não é? – Ela perguntou olhando para mim – Por favor, me ajude.

– Não... Se... Dirija... A... Minha... Mulher... Está... Me... Ouvindo? – Deus, ele não aumentou o tom de voz, mas juro que tremi dos pés a cabeça ouvindo a forma fodidamente dura como ele falou olhando para a mulher que derramou lágrimas encarando-o.

Ela arregalou os olhos e afirmou, baixando a cabeça novamente.

Não... Deus... Não é possível.

– Ethan... – Eu ouvi o palavrão que ele disse e vi por um milésimo de segundo a dor, o sofrimento e a compaixão ao dizer o nome do garoto – Sofreu traumatismo craniano, foi operado, deve ficar em observação e passa bem. E eu não quero você perto dele.

– Meu filho – Ela falou alto com ele. - Nem você nem ninguém tem o direito de tirá-lo de mim. - A mulher reagiu ao que Edward havia dito enfrentando-o sem medo algum, de igual para igual, encarando-o com raiva, porém ele não se abalou.

– Meu paciente – Ele falou sério. – E você sabe muito bem por que eu quero distância.

– Você não tem esse direito Edward. Não desconte nele.

– Eu não estou descontando em ninguém, estou protegendo e cuidando do meu paciente.

Ela deu um passo à frente, furiosa, e Edward se virou exatamente na sua direção me impedindo de ver mais claramente, mas a mulher parou.

– Quem abusou do menino? – Ela o olhou assustada. – Quem o violentou? – Ele aumentou o tom de voz – Eu preciso saber e você sabe que é para a segurança dele.

– Meu namorado – Ela respondeu quase num sussurro baixando a cabeça – O nome dele é Mick Adams.

– Quantos anos o Ethan tem?

– Eu não tenho obrigação de fornecer a ficha completa do meu filho.

– Se você não me disser vou descobrir de qualquer forma. Qual a idade?

– Você fez um juramento à sua profissão, tem obrigação de cumpri-lo e vai atender meu filho e imagino que, sendo filho de quem é, deve ser um dos melhores por aqui.

Edward ficou realmente irritado com a menção a Carlisle, sua respiração ficou ainda mais pesada e os olhos semicerraram na direção dela.

– Bella, qual a idade do Ethan, você sabe? – Ao falar comigo tinha toda a doçura e calma que normalmente usava.

Eu olhei para mulher, e dei a mão a Edward, queria mostrar que estava com ele, que sou dele, que não importa o que aconteça ele tem meu apoio e, principalmente, meu amor. Minha lealdade é, em primeiro lugar a ele, na verdade é dele e de mais ninguém.

– 14 anos – Eu respondi depois de suspirar, olhando em seus olhos e ignorando a mãe do Ethan.

E, como se fosse possível, ele ficou ainda mais branco, deu um passo vacilante para trás e virou-se de costas, eu olhava dele para ela que estava com os olhos arregalados balançando a cabeça.

– Não é o que está pensando Edward. Não é.

O que ele está pensando?

– Como teve coragem de fazer isso? Como, ainda por cima, não falou nada? E como o deixa ir à instituição sem saber de nada? Sem que eu saiba de nada? – Edward quase gritou com ela, sua cara estava distorcida numa careta de nojo e raiva.

Desde que conheci Edward já vi muitos sentimentos em seu rosto, mas nunca havia visto nojo. Ele estava com raiva, angústia, terror, pânico, e tantas outras coisas que seria incapaz de descrever, mas também havia a proteção.

O que está acontecendo aqui? O que ele sabe sobre a mãe do Ethan. Pobre menino, o que mais há para sofrer nessa vida?

– Emilie... – Carlisle entrou na sala falando com ela sem nos ver.

Emilie? Quantas Emilie eles podem conhecer?

– Carlisle? – Ela pareceu assustada ao notar a presença dele.

– Eu soube o que aconteceu com o Ethan, não se preocupe, ele está nas melhores mãos. Edward o atendeu e ele está fora de perigo agora. – Só então Carlisle se virou percebendo que estávamos ali também.

– Edward, me desculpe, não vi que vocês estavam aqui. – Ele caminhou em nossa direção e me beijou no rosto. – Bella querida, como está? – Edward não tirava os olhos de Emilie, e eu não soltava sua mão, sorri para Carlisle, mas pareceu mais uma careta do que qualquer outra coisa.

Deus... Emilie é a babá que violentou Edward por tanto tempo, quando ele ainda era uma criança, é também a mãe de Ethan, que sofreu o mesmo que meu marido. E Carlisle conhecia o menino? Como pode ser? Como ele ainda mantém contato com ela?

– Edward você operou o Ethan e já informou o quadro dele para a Emilie? – Ele não disse nada, e em seu rosto eu vi o horror. O que será que ele está pensando? O que será que está sentindo?

Edward não falou nada, seu olhar cravado em Emilie, sua mão apertando a minha. Carlisle olhando de um para o outro e eu absurdamente tensa com toda a situação.

Eu apertei mais a mão de Edward para que soubesse que estou aqui para ele.

– Emilie, não se preocupe, eu pessoalmente providenciei que todos os recursos necessários fossem postos à disposição de Ethan, e ele ficará bem em breve. – Ela sorriu para Carlisle, que interveio na situação. – E, não se preocupe com o dinheiro, o que importa é a saúde dele.

Edward baixou a cabeça assim que ouviu as palavras do pai, meneando incrédulo. Ele olhava para Carlisle como se não o reconhecesse. Era como se um perfeito desconhecido estivesse ali.

O que está acontecendo? Porque será que ninguém me conta realmente o que está havendo? É como se eu estivesse numa realidade paralela, vendo apenas metade da historia.

Sem se importar com ninguém ou com qualquer regra de educação, Edward apertou um pouco mais minha mão, me olhando com olhos penitentes, se virou, me trazendo consigo e, simplesmente, saímos da sala, deixando Carlisle e Emilie para trás.

Nós fomos até outra parte do 6º andar onde fica a sala de Carlisle. Edward entrou comigo, fechando a porta, enquanto caminhava de um lado para o outro, completamente desesperado e angustiado, perdido em si mesmo, fechado em seu próprio mundo, compenetrado em seus pensamentos, sem notar absolutamente nada a sua volta.

Eu estava encostada em um canto da parede vendo-o andar de um lado para o outro me deixando um pouco enjoada e bastante cansada.

Eu dei alguns passos lentos e vacilantes em direção à cadeira na frente da mesa, e deixei meu corpo cair, cansada demais para reclamar de qualquer coisa, pus a mão na barriga, como numa defesa instintiva a meu bebê, suspirando audivelmente. Isso foi suficiente para trazer Edward de volta de sua crise de pânico e fazê-lo se aproximar de mim se ajoelhando a meu lado, absolutamente preocupado com meu estado físico.

– Como você está bebê? – Ele perguntou exasperado, pondo a mão na minha barriga – Você está se sentindo bem? – Seus olhos estavam tão apreensivos. – E nosso filho? Sente alguma coisa? – Ele procurava as respostas em meu rosto.

– Está tudo bem – Eu respondi passando a mão em seu rosto – Estamos bem, amor. – Eu estou tão preocupada com ele.

– Desculpe-me por isso, Bella. Eu não queria que presenciasse esse momento. Que visse esse tipo de cena, principalmente agora que está grávida. – Ele começou a baixar a cabeça, mas eu a levantei, fazendo com que me olhasse.

– Eu amo você, Edward. Sou sua. E o meu lugar é ao seu lado... Na alegria e na tristeza... – As lágrimas caíram de seus olhos. – Na saúde e na doença todos os dias das nossas vidas. – E as minhas lágrimas caíram também.

Edward me beijou apaixonado, melhor, necessitado. Ele necessitava sentir fisicamente o que eu havia acabado de falar.

– Como está se sentindo? – Eu sussurrei em seus lábios, quando terminamos o beijo, encostando nossas testas.

– Confuso e com medo. Mas eu vou proteger você e nosso filho. – Oh, Edward, eu puxei os fios do seu cabelo que ficavam na nuca.

Eu me levantei trazendo-o comigo, e me jogando em seus braços, sendo abraçada por ele como se um fosse o bote salva-vidas do outro. Havia confiança, entrega, respeito e fidelidade em nosso abraço.

Edward, meu Edward, pego de surpresa, desprevenido. O menino vindo à tona na frente da babá que deveria cuidar dele, mas que lhe fez tanto mal, e o homem não se deixando vencer, para se proteger, me proteger e a nosso bebê. Uma mulher que só trouxe dor e sofrimento, traumas e confusão para sua cabeça, e que agora, está com o filho na mesma situação em que ela colocou outra criança. E, tão generosamente, ele ainda se preocupou com o Ethan, ainda cuidou dele com carinho. Oh, Edward!

– Bella, você pode nos dar licença um minuto, por favor? – Carlisle disse assim que abriu a porta, interrompendo nosso abraço, nos forçando a olhar em sua direção.

Carlisle estava usando uma calça social cinza e uma camisa azul que realçava seus olhos que nesse momento traziam dor, tristeza e aborrecimento, como eu nunca havia visto. O sorriso, que tanto me lembrava o de Edward, não estava em seu rosto duro e fechado.

– Desculpe Carlisle, mas eu não vou sair do lado do Edward. Não agora. – Eu falei sem alterar em momento algum minha voz, mantendo o tom doce que sempre usei para meu sogro.

– Você está sentindo alguma coisa? – Ele perguntou preocupado e sendo observado por Edward.

– Não, estou bem – Eu respondi meneando a cabeça, olhando em seus olhos azuis, os mesmos olhos do meu Edward.

– Que seja então... – Carlisle falou cansado, eu soltei Edward e voltei a me sentar na cadeira.

Carlisle encarou Edward, e eu vi em seus olhos que não estava feliz, pelo contrário parecia muito decepcionado. Ele ainda caminhou de um lado para o outro, passando as mãos no cabelo como meu marido costuma fazer quando é contrariado.

Tão parecidos... Edward pode ter puxado a doçura, a paixão e o gênio de Esme, mas fisicamente, e em seus trejeitos e manias, é igualzinho a Carlisle. Os mesmo olhos, o formato do queixo, o sorriso, a altura, o porte físico, as longas mãos, a elegância, o falar baixo e calmo, os galanteios, o perfeccionismo.

– O que deu em você Edward? – O tom de voz do Carlisle não deixou duvidas, ele estava irritado com o filho, que estava levando uma bronca como um menininho.

– Eu é que pergunto o que deu em você? Como entra daquele jeito na sala? Falando como se ela fosse algum membro da família. – Edward gritou descontrolado, me fazendo perder uma batida do coração, arregalando os olhos e ofegando.

– Ela pode não ser um membro da família, mas ajudou a criá-lo e eu esperava mais de você Edward, muito mais. – Carlisle estava duro os músculos rígidos enquanto repreendia o filho que trazia as mãos fechadas em punho, à respiração pesada e os olhos semicerrados. – Vou ser sempre grato a ela por tudo o que fez e como cuidou de você. – Eu abri a boca chocada com o que acabara de ouvir. Deus, pobre Carlisle, pobre Edward.

Mais uma vez Emilie estava fazendo mal a eles, a nós, e traumatizando a família. Pai e filho que sempre se amaram, sempre se adoraram estavam nesse momento brigando por causa dela.

Carlisle não sabia o que havia acontecido a Edward, e estava brigando com ele para defender a Emilie, que tanto mal fez à sua criança. Ah, se ele soubesse. Tive vontade de berrar que ele estava errado, que a vitima aqui era o Edward e não ela. Mas, não posso trair meu marido assim. E, mais uma vez ele demonstrava todo seu amor por esse homem, preferindo ouvir suas palavras duras a feri-lo de qualquer forma que fosse.

– Você sabia do Ethan?

– Sabia. Eu o conheço desde que nasceu. Quando nós a dispensamos, logo em seguida, ela descobriu que estava grávida, não conseguia arrumar trabalho em lugar algum e pediu minha ajuda. Eu pago algumas despesas dele desde então, o que inclui uma escola. Mas, não tive muito contato a não ser em seus aniversários, quando mandava um presente em nosso nome. – Edward ouvia o que Carlisle falava completamente furioso, eu já o vira assim duas vezes, quando ele me deu a primeira carona e quando descobrimos sobre o bebê, e sei que não era uma boa estar na mira dessa fúria, também sei que o Dr. Cullen, não vai se deixar intimidar. Antevejo uma briga de cachorro grande por aqui... - Mas, quando ele foi abusado e o padrasto se tornou ainda mais violento, Emilie me procurou mais uma vez querendo ajuda para fugir, ela estava desesperada, querendo salvar o filho... – Edward pôs as mãos na cabeça puxando os cabelos. – Eu os tirei de lá, levando-os para um bairro afastado, paguei todas as despesas até que ela conseguisse um novo trabalho para se reerguer. – Eu estava chocada com o que ouvia. Foi Carlisle então o amigo que os ajudou? – Eu não podia permitir que o Ethan passasse por isso, não ele. Uma criança até então tão doce. – Eu chorava ouvindo o que estava sendo dito, tudo parecia tão injusto, tantas vidas nesse sofrimento tão absurdo. – Eu indiquei a instituição, porque sabia que ele seria bem tratado e poderia ser sua única chance de sobreviver.

Edward parecia não acreditar no que ouvia. Ele estava completamente paralisado, abismado, sem tirar os olhos do pai. Eu estava chocada, mal respirava, porque sabia que se o fizesse realmente, passaria a gritar tamanho era o meu desespero.

– Você sempre soube? – Edward gritou depois de um tempo em silêncio. Era possível ver o seu cérebro funcionando. Em quantas coisas ele estava pensando? Quantas possibilidades diferentes? - Você sabia de tudo o tempo todo e não fez nada? Como permitiu que isso acontecesse? – Ele partiu para cima de Carlisle furioso.

Não houve tempo para que fizesse nada a não ser me colocar de pé, Carlisle não desviou, apenas permaneceu onde estava esperando a fúria do filho atingi-lo, mas antes que isso acontecesse, a porta foi aberta inesperadamente e Esme entrou assustada.

– Edward? – Ela gritou me assustando ainda mais, e trazendo os homens à razão. Ele parou olhando enojado para o pai, e apavorado para a mãe. Suas mãos agarraram o cabelo, e ele se virou de costas, não encarando nenhum de nós – Carlisle? – Ela fechou a porta, e pôs a mão no coração. Só então me olhou chocada. – O que está acontecendo? Dá pra ouvir a gritaria do corredor. Isso aqui é um hospital e vocês deveriam dar o exemplo. – Ela balançou a cabeça, olhando séria para os dois. – Pelo amor de Deus, alguém me diga o que está acontecendo? – Ela perguntou olhando para Edward.

– Pergunte a seu marido, parece que ele tem muita historia pra contar. – Edward respondeu de uma forma que jamais imaginei que faria com Esme.

– Carlisle? – Ele apenas nos olhou, suspirando ainda mais cansado. Parecia ter envelhecido uns 10 anos. E, da sua boca, não saiu palavra alguma, ele apenas olhava para Edward, enquanto caminhava e sentava em sua cadeira, vencido pela exaustão.

– Vem Bella, vamos embora. – Edward, falou sem deixar margem para qualquer discussão, pegando em minha mão e caminhando até a porta.

– Ainda não terminou o seu plantão Dr. Cullen. – Eu pude ver o aperto que Edward deu na maçaneta da porta. – Você tem vidas para cuidar, não seja um menino mimado colocando a vida de pessoas inocentes em risco. – Carlisle falou calmamente, e eu sabia que era a sua forma de feri-lo.

– Eu tenho certeza que ninguém vai morrer por minha culpa. – Edward rebateu virando-se lentamente e olhando para o pai. – O grande Dr. Cullen não permitiria que ninguém morresse em seu plantão. E muito menos por causa da irresponsabilidade de um menino mimado. – Eu sabia que isso doera, e muito, nele.

– Não foi assim que criei você Edward. E hoje, você me decepcionou imensamente.

– Você me decepcionou mais do que pode imaginar Carlisle. – Jamais ouvi Edward chamar o pai pelo nome, ele está muito mais do que decepcionado. – Você ajudou a matar o seu menino, sendo ele mimado ou não. – Carlisle juntou as mãos a sua frente e baixou à cabeça, a dor estava estampada em seu rosto.

– Carlisle... Edward... – Esme murmurava desesperada, enquanto as lágrimas caiam e suas mãos tremiam tanto quanto as minhas. Com certeza ela nunca imaginou que isso um dia pudesse acontecer. Quem imaginaria?

– Você será advertido Dr.

– Dr. Cullen, pegue a sua advertência e... – Eu apertei sua mão, tentando trazê-lo a razão.

– Chega. Edward pare – Esme gritou. – Filho, não diga nada que possa se arrepender depois. – Ela implorou a Edward e eu também com meu olhar. – Carlisle, não faça isso. – Seu tom agora era mais duro – Deixe-o ir, ele fará mais mal do que bem se ficar. – E, finalmente ela me olhou. – Bella, por favor, leve-o daqui e cuide do meu menino por mim. – Eu fiz um gesto com a cabeça, vendo suas lágrimas e a boca trêmula.

Eu sei que nesse momento Edward, além de incrivelmente puto com toda a situação, deve estar com seu sentimento de culpa em nível máximo. Mas, eu estarei ao seu lado para o que ele precisar, e sei que vai e muito.

– Espere aqui, por favor. – Ele me olhou e a dor estava ali. – Ângela fica de olho nela por mim – Ele falou assim que chegamos à área das enfermeiras, depois saiu correndo pelo corredor. Eu sabia que elas tinham ouvido a briga entre Carlisle e Edward, mesmo que não tivessem entendido as palavras, imagino que a essa hora, todo o hospital já está sabendo que pai e filho se desentenderam.

Ângela como sempre foi à doçura e discrição em pessoa, me perguntando se poderia fazer algo por mim ou se estava me sentindo bem. Eu agradeci suspirando, tudo o que queria era poder voltar para minha casa. A única coisa que perguntei foi por Ethan e ela me disse que ele estava bem, que a cirurgia fora um sucesso.

– Ângela, me faz um favor pessoal? – Edward voltou chamando nossa atenção, e caminhamos até o elevador. – Me informe tudo o que acontecer com o Ethan. Se a mãe for embora, ou como está se desenvolvendo o quadro dele. – Ela concordou sorrindo reconfortante para ele. - Eu volto assim que possível, só preciso de um tempo.

– Pode deixar Edward, vou ficar de olho nele, não se preocupe. Agora vão pra casa, vocês estão com cara de cansados.

– Só mais uma coisa... Em hipótese nenhuma permita que um homem chamado Mick Adams se aproxime desse andar. Peça à mãe uma descrição dele, para facilitar o reconhecimento. E fique de olho nela, não confio nessa mulher. – Por mais que a cara da Ângela fosse de incompreensão total ela apenas afirmou a cada pedido feito por ele e tenho certeza que serão todos cumpridos.

Ele se virou para mim, arrumando a mochila que havia ido buscar na sala dos médicos.

– Você está se sentindo bem? – Seus olhos estavam preocupados. – Hoje não dá pra ser o médico e eu preciso...

– Estou bem, não se preocupe comigo. Agora vamos para casa?

Descemos sem dizer uma palavra sequer, seus olhos estavam fechados e ele trancado em seu mundo. Oh, Edward, quão quebrado você está, meu amor?

– Edward me dá a chave? – Eu pedi assim que chegamos à frente da instituição onde ele sempre deixa o carro. Seu rosto mostrou claramente que não havia gostado nada da minha ideia. – Você está nervoso demais, amor, pode ser perigoso... Por favor? – Ele me entregou a chave de sua BMW e eu nos levei para casa.

Quando o elevador chegou ao 11º andar ele saiu primeiro, abriu a porta de casa entrou, pegou um abajur que fica em cima do aparador e o jogou na parede com raiva, fazendo-o se partir em vários pedaços. Eu estanquei e ele seguiu em direção à sala. Apenas fechei a porta, deixei minha bolsa no móvel e o segui calmamente a uma distância segura.

Eu realmente cogitava ligar para o Emmett para que ele tentasse segurar e acalmar o Edward, porém ele estava sentado no sofá, como se nada tivesse acontecido.

– Um banho e já volto. – Eu o olhei abobalhada, não havia o que dizer então apenas pisquei tentando fazer meu cérebro voltar a funcionar. Deus, havia me esquecido da faceta bipolar do meu marido. Não que ele realmente seja, mas, às vezes, só isso justifica suas atitudes. – Não vou fazer nenhuma besteira, não se preocupe. – Sem querer respirei aliviada.

Quando o banho dele terminou eu já havia trocado de roupa e usava uma camisa branca sua e o esperava sentada no meio da cama. Ele veio de boxer e camiseta ao meu encontro, parecendo tímido.

– Você gostava muito do abajur? – Eu tive vontade de rir.

– Eu gosto mais de você – Ele sorriu sem o menor humor. – Vem aqui Edward, por favor.

Edward engatinhou e se sentou a minha frente na nossa cama, eu sorri e, sem dizermos nada, as lágrimas começaram a cair de nossos olhos, abri meus braços e ele se deitou em meu peito inchado pela gravidez, acariciando minha barriga.

– O que está se passando nessa cabecinha – Eu toquei sua cabeça – E nesse coração? - Levei a mão ao seu peito. Ele pegou-a e beijou-a.

– Eu acho que ele é meu. – Apenas respirei profundamente.

– Quem Edward? Quem é seu?

– Ethan. Acho que ele pode ser meu filho. – Eu o fiz olhar para mim, para ver se ele tinha enlouquecido em algum momento. – Nunca usei camisinha com ela. Nem sabia que existia. Não considero, porque foi só com você que eu fiz amor.

– Eu sei amor. Eu sei – Eu afagava seus cabelos. – Edward, eu não entendi... – Ele me olhou. – Foi por isso que perguntou a idade dele?

– Bella, quando vi a Emilie... Eu senti tanto medo, como se ela pudesse me fazer mal novamente, como se pudesse fazer algo contra você ou nosso bebê... Só depois entendi que era mãe do Ethan, e gelei, nem sei o que senti, me apavorei... Queria saber a idade dele. Se ele tem 14... Ela ficou lá em casa até meus 13, é possível, não é?

– E você acha que Carlisle sabe disso?

– Bella ele disse que sabia...

– Espera Edward, não é possível. Uma pessoa como o Carlisle jamais permitiria que seu menininho passasse pelo que você passou. Você foi abusado, não era sua intenção transar com sua babá. – Eu apenas sentia o movimento de seus dedos em minha barriga e as lágrimas em meu peito. – Olhe pra mim... – Ele me encarou. – Você nunca permitiria que algo acontecesse com nosso bebê...

– Não estou entendendo.

– Você é pai agora. Nosso filho ainda está protegido aqui na minha barriga, mas eu sei que você nunca permitiria que nada acontecesse a ele, assim como Carlisle jamais deixaria alguém machucar o bebê dele.

– Bella...

– Você é o bebê dele Edward, ele o ama mais que tudo, eu sei disso, eu vi isso, antes mesmo de começarmos a namorar. Ele me escolheu pra você, falou o quanto te admira... Eu acho que ele acredita na historia que ela contou.

– Mesmo assim, não apaga a forma como ele a defendeu contra mim. A forma como falou comigo.

– Hoje não é o dia para falarmos sobre isso, descanse meu amor... – Eu afaguei seus cabelos – Eu estou aqui, Edward por você e para você. – Beijei seu cabelo e todo seu rosto, até chegar a sua boca. Suas mãos percorreram meu corpo, me excitando e me amando e, eu sei que era para mostrar, fisicamente, o que seu coração sentia.

SPOILER

– Esme está muito abalada Edward. Porque você não tenta conversar com ela? – Ele me olhou como se eu tivesse três olhos.

– Você realmente está me perguntando isso Bella? Você sabe por que estou evitando minha mãe, na verdade toda minha família.

– Edward me ouça – Ele se virou me encarando. – Esse tipo de clima não vai resolver a situação. Não estou dizendo para contar a ela o que aconteceu. Estou dizendo para não ignorá-la como se ela tivesse alguma doença contagiosa.

– É melhor para todos eles ficarem distantes, vão sofrer muito menos...

– Você tem noção do que está dizendo Edward? Como uma mãe como a Esme pode sofrer menos estando longe de seu filho? Ela ligou pra cá aos prantos só pra ouvir sua voz e dizer que te ama. Me explica como uma pessoa que faz isso vai sofrer menos com a distância? Me explica como alguém que foi capaz de passar pelo que você passou para proteger sua família pode sofrer menos com a distância?