Disclaimer: Por muito que adore a história e as personagens do anime Shingeki no Kyojin, estas obviamente não me pertencem e todo o crédito vai para a criatividade e talento do Isayama Hajime.

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Rastilho (2º parte)

Marco convenceu o casal com quem estava a não deixar que o bairro, onde vivia o Comandante fosse o último lugar a ser visitado. Nos dois dias que antecederam a execução do plano as insónias e falta de apetite acompanharam o Ómega, que se sentia cada vez mais consumido pela ansiedade. Infelizmente, não conseguia comunicar com nenhum dos amigos e segundo as últimas informações que conseguiu através de Riko, a advogada que os visitou, esta desconfiava que estivessem em alguma base militar. Não por razões de segurança, mas para receberem tratamento de traidores da nação.

Contudo, segundo rumores, o ataque a duas bases militares distintas podia ter sido fruto de retaliação de soldados de Maria e embora não houvesse informações exatas acerca disso, Marco esperava que esses ataques, a ser verdade as informações de Riko, ajudassem os amigos a escaparem.

Apenas no dia da execução do plano, a advogada seria capaz de ver Eren, uma vez que apesar da insistência e de alegar os direitos que o Alfa tinha, os militares e outra advogada de tudo faziam para impedir o acesso ao moreno. O que não deixava de ser caricato, dado que a advogada de defesa deveria ser aquela melhor acesso e não aquela que estava encarregue da acusação.

Contudo, Riko encontrou várias dificuldades no acesso ao Alfa, mas durante a visita à casa de Carolina e Thomas, aproveitou para conversar com Marco no sentido de o aconselhar. Assegurou que ficaria do lado do Ómega, caso este precisasse de apoio judicial, visto que Jean já tinha recorrido aos meios judiciais para que o ajudassem a encontrar o parceiro e trazer de volta para casa. Em consequência disso, caso alguém o encontrasse, seria de imediato levado para casa e a sua vontade seria ignorada. Tendo em conta essa situação, Riko ofereceu-se para defendê-lo e fazer valer a sua vontade, caso o parceiro quisesse obrigá-lo a regressar a casa.

Marco agradeceu o apoio e os conselhos da advogada, pedindo em silêncio que não precisasse de recorrer a tal coisa e que Jean simplesmente respeitasse a sua vontade. Se bem que mais do que preocupado com ele, encontrava-se angustiado pela falta de notícias de Eren e também de Levi, dado que Riko mostrava inquietação, sobretudo no caso do Ómega na casa do Comandante.

Portanto, bem cedo pela manhã, o veículo que levava o casal de amigos e Marco no banco detrás parou no bairro, onde confirmaram que o carro do Comandante Smith já não se encontrava na garagem.

- A nossa ronda deve demorar cerca de uma hora. – Explicou Carolina, frisando mais uma vez os contornos do plano combinado uma e outra vez antes daquele dia. – É com esse tempo que tens que contar, assim que nos separarmos.

- Deves acompanhar-nos à primeira casa e fazer tal como combinámos. – Falou Thomas. – Depois daí, o tempo começa a contar. Vou deixar a porta da carrinha um pouco aberta para entrarem. Uma hora, Marco.

- Sim, eu sei. – Murmurou o Ómega com um frio na barriga, puxando o chapéu que levava para completar o uniforme militar, de modo a ocultar um pouco mais o rosto e saiu do veículo com o casal que se dirigiu à primeira casa.

Nessa residência havia um casal de Betas com dois filhos da mesma espécie. Ao ver o "soldado" da polícia militar logo deram autorização aos prestadores de cuidados de saúde para entrarem, se bem que nesse momento, Marco fingiu estar a receber uma chamada. Fez uma conversa curta, mas audível aos presentes com uma voz firme, transmitindo a ideia de que estava a falar com o Comandante Smith. Deixou no ar a ideia de que Irvin teria esquecido algo no interior da casa e pedia àquele "soldado" para ir buscar ou confirmar algo. A ideia ficava vaga, mas não levantaria suspeitas e assim, teve a desculpa perfeita para ausentar-se por alguns momentos e ir até à casa do Comandante.

De soslaio, Carolina assentiu, confirmando assim que o plano estava a encaminhar-se perfeitamente. Aquela hora bem cedo pela manhã era bastante conveniente. Havia pouca gente acordada e nas ruas, devido não só à hora, mas também ao frio que se fazia sentir.

Assim, o Ómega caminhou rapidamente até ao outro lado da rua, longe dos olhares e encoberto pela neblina intensa que cobria aquela manhã. Ao alcançar o portão da casa, reparou que este estava fechado e tocou à campainha, certo de que Armin não tardaria em aparecer.

Assim como previu, o Ómega loiro apareceu na porta da casa e a neblina com certeza, ajudava o outro a manter o disfarce credível.

- Bom dia. – Cumprimentou. – Peço desculpa, mas o Comandante…

- Eu sei. – Falou com um tom mais grosso, que passou horas a praticar com Thomas para que a sua voz não fosse facilmente reconhecível. – O Comandante Smith ordenou que viesse aqui buscar algo que se esqueceu.

- Ah, com certeza. Peço desculpa. – Respondeu Armin de rosto baixo e abrindo o portão e só então, notou a ausência de feromonas e foi puxado rapidamente na direção da casa pelo soldado que demonstrava um comportamento suspeito.

Assim que entraram e Marco fechou a porta atrás dele, levantou ligeiramente o chapéu e viu a surpresa nos olhos do loiro.

- Onde está o Levi? Tens que ajudar-me a tirá-lo daqui e tu também tens que aproveitar a oportunidade para sair desta casa. Não posso acreditar que sejas realmente feliz, como dizes na frente de todos.

Armin confessava-se apanhado de surpresa, mas ao mesmo tempo, finalmente entendeu a chamada de Jean. Este que embora não tenha admitido abertamente a situação, a questão acerca do paradeiro de Marco deixou-o desconfiado. Agora, entendia a razão. Se bem que conhecendo aquele Ómega, nunca julgou que ele fosse capaz de fugir de casa e fazer-se passar por um soldado da polícia militar. Dois crimes severamente castigados.

- Vieste aqui pelo Levi e… por mim?

O cenário soava-lhe absurdo. Que quisesse salvar Levi, podia compreender, mas que também o quisesse incluir, era na opinião de Armin, quase hilariante. Considerando toda a situação e o conhecimento daquele Ómega da sua relação com o parceiro dele, tudo se tornava ridículo. Tão ridículo que teve dificuldades em não rir.

Contudo, a situação caricata devia ser encarada com cuidado, principalmente quando viu que o outro desviou o olhar para um relógio que havia no corredor. Isso deu indicação a Armin de que o plano do outro Ómega devia mover-se de acordo com um tempo limite. O que significava que ele não estava sozinho.

- Ir embora daqui? – Indagou Armin com uma voz trémula. – Mesmo que esteja com medo depois do que aconteceu com o Levi, não posso ir. Vamos ser apanhados. Dois Ómegas não…

- Não vim sozinho. – Apressou-se a dizer. – O Thomas e a Carolina vão ajudar-nos.

"Tão fácil de enganar…", concluiu o loiro, "Confirmou o que suspeitava".

- Eu não sei… - Falou receoso e logo teve as mãos do outro nos seus ombros.

- Podes confiar, tens que confiar. – Falou. – Por favor, leva-me até onde está o Levi. Temos que sair o mais rapidamente possível.

Marco estava cada vez mais nervoso perante a indecisão do loiro. Se bem que mais qualquer coisa no Ómega de olhos azuis lhe dizia que havia qualquer coisa de errado. O que apenas o agitava mais, visto que não conseguia distinguir se era um mau pressentimento relativamente a Armin ou algo em geral.

- Ok… é importante que tires o Levi daqui. – Assentiu Armin num tom ainda trémulo. – Espera só um pouco para que vá procurar as chaves. Ele está preso.

- Diz-me onde. – Pediu.

- Vai andando para o escritório. – Apontou. – Mais ao fundo à direita.

Assim que viu o outro Ómega distanciar-se, Armin foi rapidamente até ao próprio quarto e procurou o telemóvel. Não se atreveria a interromper a reunião com uma ligação, mas enviaria uma mensagem que dissesse o essencial e com certeza, o Comandante veria a mesma discretamente e agiria conforme o que achasse melhor.

Portanto, tendo o tempo contado para que Marco não desconfiasse da demora, escreveu o essencial. O que permitia o Comandante saber que estavam a tentar resgar Levi, os nomes dos envolvidos e que faria os possíveis para manipular a situação a seu favor.

Em seguida, descartou o aparelho e agarrou numa das chaves que já tinha no bolso e dirigiu-se ao escritório, onde encontrou Marco de costas a bater na porta que dava acesso à cave. Este último que tinha detetado as feromonas de Levi e preocupava-o o estado dele, portanto, não notou a forma subtil como Armin se aproximou.

O loiro tinha reparado que além de roubar o traje militar de Jean, o Ómega também tinha trazido as armas mais comuns. Uma arma de fogo e outra…

- És demasiado inocente, Marco. – Ouviu murmurar, antes que o loiro colocasse a mão na sua cintura rapidamente, encostando o taser ao tronco do rapaz antes de ativá-lo e ver como a descarga elétrica o fazia cair no chão e deixava imobilizado.

- Ar… Armin…

Marco arrepiou-se com o riso que ouviu.

- Estou em casa, Marco. – Disse o loiro. – Achas realmente que atraiçoaria o meu Alfa pelo Levi ou por ti? És tão idiota que quase mete dó. – Acercou-se à porta, inserindo uma chave para abri-la. – Vais acabar os teus dias na companhia daquele querias salvar. Espero que aprecies a ironia.

O outro Ómega caído no chão recriminava-se por ter confiado em Armin. Quis acreditar que por detrás das palavras de lealdade, na verdade existia alguém oprimido, incapaz de agir e expressar segundo os seus ideais. Perante a atuação que o loiro tinha feito antes, chegou inclusive a sentir-se culpado por ter pensado mal dele, por ter colocado a hipótese de utilizar alguma das armas que levava nele caso fosse necessário. Ponderou ter que enfrentar Armin e como não pretendia magoá-lo com gravidade, diminuiu previamente a potência do aparelho.

Embora continuasse a ser o suficiente para atordoar e paralisar os movimentos, Marco sabia que o tempo de recuperação seria menor e avaliando a calma e a confiança com que o loiro se movia, acreditava que este não tinha notado que a potência da descarga elétrica não tinha sido tão potente como o expectável.

Dessa forma, Marco também teria a oportunidade de encontrar Levi já que assim que a porta da cave se abriu, as feromonas do outro alcançaram o nariz, impregnadas de dor, sofrimento e agonia.

Com dificuldade, mas seguro de que tinha tempo, Armin agarrou nos braços do outro e começou a arrastá-lo para o interior da cave. Nas escadas, a certa altura, limitou-se a movê-lo com os pés para que rolasse pelos degraus, empurrando poucas vezes com as mãos.

O Ómega com sardas no rosto sentia os movimentos a regressar, mas fingiu continuar afetado pela arma elétrica e como tal, deixou-se arrastar e empurrar. Depois de deixar os degraus, ouviu os passos de Armin distanciarem-se para acender algumas velas e isso fez com que com tivesse a oportunidade de vislumbrar o local.

Só poderia descrever aquilo como uma câmara de tortura.

Sobre uma mesa de metal havia várias lâminas de tamanhos diferentes. Afixados numa parede também podia ver alicates, martelos e até mesmo um machado. Quase todas os objetos pelo pouco que podia ver estavam muito ou ligeiramente ensanguentadas. Havia também correntes, tubos de metal, chicotes, uma variedade perturbadora de instrumentos de tortura.

Marco tentava conter as lágrimas, mas então viu num canto onde a parede tinha palmas das mãos, entre outras marcas ensanguentadas, uma corrente em torno do pescoço do rapaz que sem roupa, estava deitado no chão e mordia o lábio para conter os gemidos de dor. Também tremia de frio e o tom de pele manchado pelos golpes assumia uma aspeto doentio em que era evidente que estavam a torturar e definhar lentamente o Ómega. O olhar dele demonstrou alguma confusão relativamente à presença de Marco, que viu Armin reaproximar-se ainda com o taser na mão e com intenções de lhe retirar a arma de fogo da cintura.

Contudo, o loiro foi apanhado de surpresa com o pontapé de Marco na canela que o desequilibrou, fazendo com que caísse com um dos joelhos no chão. Ainda tentou utilizar o taser que lhe caiu da mão ao receber outro pontapé, desta vez na mão. Em seguida, recebeu também um golpe no rosto.

Aproveitando o fator surpresa, apressou-se a tentar recolher o taser quando também sentiu um golpe com um dos pés na cintura que fez com que a arma de fogo caísse no chão.

O pânico de que o loiro alcançasse essa arma fez com que Marco se precipitasse para apanhar o taser e movimentando o regulador da potência, encostou o mesmo à coxa de Armin que gritou e deteve-se quando estava a poucos centímetros de apanhar a arma mais perigosa.

Trémulo, Marco viu como o outro parecia ter perdido a consciência e com um nó na garganta deixou cair o taser e com as pernas bambas, acercou-se a Levi que se forçava a sentar.

- Marco… - Murmurou.

- Vou tirar-te daqui. – Respondeu com lágrimas nos olhos ao ver o estado deplorável em que o rapaz de olhos diferentes se encontrava. Desviou o olhar, procurando qualquer coisa que o ajudasse a partir a corrente.

Marco reparou num ferimento estranho na bochecha de Levi e ao encontrar um prato de comida quase cheio, percebeu que as almôndegas tinham agulhas e que o deviam ter tentado obrigar a comer, daí o pequeno furo e sangue na bochecha. Saber que tinham chegado a esse ponto enjoava o Ómega que notou também num balde deixado perto do rapaz para dar resposta às necessidades fisiológicas.

As condições desumanas eram perturbadoras e fez com que o jovem com sardas no rosto se dirigisse rapidamente até à mesa de metal para pegar num alicate e até um martelo para tentar partir a corrente que o outro tinha no pescoço e aprisionava com pouca distância da parede.

As mãos tremiam bastante com nervosismo, mas também queria chorar, soluçar e abraçar o outro Ómega que tentava perceber o que fazia o outro ali e com aquela roupa de polícia militar.

- Desculpa… desculpa por não ter vindo mais cedo. – Pedia entre lágrimas que não conseguia segurar.

- Não peças desculpa. – Sussurrou com uma voz fraca. – Mas Marco… se não tiveres cuidado…se te encontrarem aqui…

- Não, não te preocupes comigo! – Falou entre lágrimas e frustrado por não conseguir realizar movimentos sem tremer e consequentemente, dificultar a tarefa de partir a corrente. – Preocupa-te contigo. – Resolveu bater com o martelo sobre o alicante que prendia a corrente várias vezes e quando começava a desesperar, viu a mesma ceder. – Finalmente…

Repentinamente, Marco sentiu um puxão nos cabelos e encontrou Armin que o afastou de Levi enquanto lhe batia. Perante esse momento, percebeu que teria demorado mais tempo do que pensava para partir a corrente. Arrependia-se por não ter utilizado uma descarga elétrica ainda mais forte e perigosa. Claramente Armin estava contra eles e por isso, o mais acertado teria sido uma reação definitiva da parte dele.

Entretanto, o Ómega de cabelos negros apesar da corrente partida, tardava em encontrar forças nas pernas para se erguer e ajudar Marco. O corpo estava mais debilitado do que pensava e assistia a poucos metros à troca de golpes entre os outros Ómegas.

Subitamente, viu o taser tocar de leve no braço de Marco, o suficiente para afastá-lo e para que Armin acabasse com a outra arma na mão, apontando à testa do Ómega.

- Acabou aqui… - Falou o loiro enquanto arfava e sangrava do nariz e do lábio cortado. – Ia deixar-te aqui para que o Comandante decidisse o que fazer contigo, mas direi que agi em legítima defesa e o assunto fica arrumado.

- Por que razão, estás a fazer uma coisa dessas? – Perguntou Marco. – Tu dizias gostar dele. Não consegues ver o quanto isto é errado? O quanto isto é desumano? Ele é como tu, um…

- Não é como eu! – Contrariou. – Veio do lixo! Veio tirar um lugar que é meu!

- Ele nunca quis o Comandante e até tu sabes disso! – Respondeu Marco. – Ele ama o Eren!

- Então é outro coitado que nunca vai ter o que quer. – Falou com rancor. – A vida é mesmo assim, exceto quando és inteligente o suficiente para manipular as coisas a teu favor e aí podes ter o que quiseres, quem quiseres. – Sorriu de lado nas duas últimas palavras. – Ser bonzinho fez com que chegasses a este momento ridículo em que tentas salvar aquele que se deitou várias vezes com o teu Alfa. Já pensaste em como és patético? – Riu. – Aposto que se ele aparecesse aqui, dizendo que te amava, voltarias com o rabinho entre as pernas para casa.

- Ele não me ama. – Murmurou com uma certa mágoa.

- Hum, é um progresso. Finalmente, és consciente disso já que te a boca que te disse isso a ti, é a mesma que sussurrou as mesmas palavras para mim. – Sorriu novamente. – Pensa bem em como sou desejável e perfeito aos olhos dos Alfas. Desde do Comandante, ao Jean, ao Eren… todos cederam e voltaram para mais.

- E tu gostas de ser usado?

Armin riu.

- Não, eles gostam de voltar. Eles querem ser usados, exceto o meu Comandante que é o único que merece todo o meu carinho e dedicação. – Falou num tom que soava completamente doentio e sorrindo de uma forma que só podia ser descrita como perturbado, acrescentou. – Adeus, Marco…

O dedo no gatilho teria sido premido se o que compararia a uma onda o abalasse. Sensações que preenchiam todo o ar à sua volta, recordando a estranha sensação no dia em que na casa de Carla, testemunharam o mesmo acontecimento estranho. Se bem que dessa vez, não escutavam a voz, mas ainda assim toda a atmosfera parecia impregnar-se por algo que racionalmente não podia ser explicado. Eram feromonas, mas numa intensidade e com um aroma e força inexplicáveis.

- Baixa a arma… - Ouviu uma voz fraca murmurar.

Marco olhou de soslaio, vendo Levi tentar levantar-se e apesar do estado visivelmente debilitado, as feromonas que exalava transcendiam tudo o que pudesse imaginar. Apesar da intensidade não eram hostis, nem forçosas, eram… diferentes de tudo, pois faziam-no sentir como se entrassem dentro dele e chamassem por algo que nem ele próprio conhecia.

- O que… o que é isto? – Dizia Armin recuando ligeiramente e sentia-se tremer por não conseguir entender como, nem porquê o Ómega de cabelos negros era capaz de emitir algo tão poderoso e assustador. Foi o medo que o motivou a erguer a arma novamente e apontar na direção de Marco e então, viu os olhos desiguais focarem-se nele ao mesmo tempo que dizia:

- Larga a arma… Ómega.

A arma caiu no chão e trémulo, o loiro caiu no chão. A voz de Levi não soou como se fosse apenas ele a falar. Era como se ouvisse claramente outras vozes distantes, como se marcassem a sua presença de uma forma inexplicável. Vozes que arriscaria dizer que pertenciam a algo distante, mas que soaram naquele momento, naquele espaço e dentro dele.

Diria até pediam para obedecer àquelas palavras, mas sem que a ideia de submissão lhe passasse pela cabeça. Era impossível, inacreditável que um Ómega pudesse fazer tal coisa, sobretudo aquele que tornou a cair de joelhos no chão ao mesmo tempo, que as feromonas estranhas perdiam a sua força.

- És um monstro qualquer… um lixo que não devia ser capaz de fazer uma coisa destas. – Falava o loiro, olhando para a arma no chão. – Se o Comandante souber, pode ser que te queira manter vivo e isso eu não posso permitir.

Apesar do choque pelas feromonas que Marco diria terem-no envolvido, apenas e só com o objetivo de proteger, ele deduziu pela reação de Armin que este não via as coisas da mesma forma e seria louco o suficiente para disparar não na sua direção, mas em Levi que não teria como se defender.

Portanto, atirou-se para pegar na arma e mesmo antes de pensar no que iria fazer, só conseguiu pensar nos risos e comentários do loiro, em todas as noites que chorou e discutiu com o parceiro por sentir as feromonas, o cheiro de outro… e talvez esse tenha sido o rastilho que o levou a disparar a arma de fogo mais do que uma vez. O primeiro disparo apanhou o loiro na cintura, mas de raspão. O segundo perfurou a coxa e deixou o Ómega de olhos azuis a gritar e chorar.

Em seguida, Marco sem largar a arma mas trémulo aproximou-se de Levi e ajudou-o a levantar-se com cuidado, vendo que as pernas do outro continuavam a tremer imenso.

- Precisamos sair… - Murmurou o jovem com sardas no rosto.

- Podes andar, eu… farei o melhor que puder para te acompanhar. – Dizia Levi, olhando de soslaio para Armin que agonizava no chão enquanto os outros dois avançavam a passos lentos. – Não precisas ter tanto cuidado, Marco…

- Mas eu vejo-te quase a cair ao mínimo passo, temos que ter cuidado. – Retrucava o outro.

- Preciso de roupas e… que vás ao quarto do Comandante e pegues numa das espadas que guarda lá.

- Espadas?

- Não podemos depender apenas e só das armas de fogo. As balas acabam… - Falava, enquanto tentava conter as queixas ao começar a subir os degraus.

- Devagar, sei que deves estar com dores.

- Não podemos perder tempo. – Sussurrou. – Devem ter ouvido os disparos… temos que sair rápido.

- Tens razão, não pensei nisso. – Falou Marco nervosamente e apressou um pouco mais os passos, fazendo com que Levi prendesse um pouco a respiração pela forma mais descoordenada como subiram os degraus que restavam.

Assim que alcançaram o escritório, o Ómega de cabelos negros teve que habituar-se novamente à claridade e tornou-se mais consciente de que estava sem qualquer roupa. O outro apercebeu-se do pouco à vontade e retirou o casaco que levava, colocando-o sobre os ombros do Ómega tão mal tratado e pediu que aguardasse ali, enquanto ia procurar algumas roupas e trazer as espadas.

Encostado à secretária, Levi agradeceu e disse que esperava, mas pediu a Marco que não demorasse muito e que pegasse na primeira coisa que encontrasse dado que o tempo continuava a correr.

Em pouco tempo, o jovem com sardas no rosto regressou com um casaco que ia até aos joelhos de Levi que precisou de ajuda para se vestir e abotoar os botões. Nessa altura, os olhos castanhos encheram-se novamente de lágrimas ao ver sob a claridade o estado maltratado e ausência de unhas nas mãos do outro que ainda assim, se esforçava para não se queixar e incrementar a preocupação em torno dele. Ao ficar mais perto dele, enquanto o ajudava a vestir-se, notou a presença ténue das feromonas estranhas de antes e embora, quisesse questioná-lo sobre isso, sabia que os dois não tinham tempo para falar sobre isso.

Puxou também o capuz para que cobrisse a cabeça dele, mas concluiu que seria melhor complementar com mais alguma coisa, tendo em conta as temperaturas baixas do exterior.

- Deixa-me ajudar-te a calçar estas meias.

- Não é preciso perdermos mais tempo. – Disse Levi, apoiado na secretária.

- Está muito frio lá fora. Eu faço isto rápido. – Falou Marco e não tendo mais respostas que oferecessem resistência, colocou umas meias no rapaz que se preocupou em pegar nas duas espadas.

- Talvez seja melhor…

- Não. – Interrompeu Levi. – Também ajudam a servir de apoio e assim não tens que estar a segurar em mim. Podes precisar de ter as mãos livres. – Respirou fundo. – Vamos sair.

Mesmo que quisesse oferecer mais apoio a rapaz de olhos diferentes, este recusou-se, apoiando-se nas espadas que levava. Marco seguia um pouco mais adiante e abriu a porta da saída com cuidado, observando o espaço aparentemente vazio.

Não obstante, a calma aparente sentiu o sangue gelar ao ver dois carros da polícia militar parados a meio da rua, provavelmente na casa onde se encontravam Carolina e Thomas. O que significava que não viável ir ao encontro dos dois, nem na direção da carrinha que se encontrava entre os dois carros da polícia militar.

Quando começava a sentir a esperança a esvair-se, viu outro carro conhecido no sentido oposto. Do interior, viu a mulher com quem tinha falado antes acenar-lhe para que fosse na direção dela e depressa percebeu que o casal devia ter optado por um plano B, na eventualidade do plano original falhar.

- Houve uma mudança de planos, mas vamos conseguir escapar. – Assegurou Marco, sorrindo a Levi que apenas assentiu e seguiu o outro para o exterior, quando repentinamente várias bombas de fumo explodiram. – Levi! – Chamou ao deixar de ver o rapaz e assustou-se ao ver alguém com vestes escuras avançar na sua direção com uma espada.

Marco paralisou, pensando que iria morrer com aquele ataque, quando viu as espadas do desconhecido chocarem com as duas que o Ómega de cabelos negros levava. Incrédulo, o Ómega com sardas no rosto viu como para defendê-lo, o outro encontrou forças para deter o ataque furtivo do inimigo desconhecido que apesar do fumo que os rodeava, arriscaria dizer que não pertencia a um ramo militar conhecido.

Esse que pensava ter a vida do soldado da polícia militar nas mãos, quando teve os seus ataques travados por uma defesa bem conseguida.

Os olhos cinzento espelharam surpresa pela destreza e força de alguém que emitia feromonas, indicando um grande sofrimento e debilidade, mas ainda assim uma vontade imensa de lutar, se isso implicasse proteger.

"Ómega?", pensou ainda atordoado, quando teve novamente que defender-se do seu atacante com duas espadas que o fazia recuar e procurar esquivar-se, "Puta que pariu, como é que pode estar a fazer-me frente neste estado? Estas feromonas são…", paralisou por instantes e isso valeu-lhe um corte no rosto ao mesmo tempo que o outro se desequilibrava lentamente e arfava, claramente em dificuldades mas teimando em não desistir, "Estas feromonas são parecidas com…", sentiu um frio no estômago e avançou rapidamente, usando a espada apenas para levantar o capuz e foi como se o tempo tivesse parado.

O rapaz ergueu o rosto com marcas de maltratos, mas não foi isso que fez o Alfa prender a respiração e sim, as feições do rosto, a cor do cabelo e os olhos… cada um deles pintado com as cores das duas pessoas que considerava mais importantes na sua vida. Não havia margem de erro. As cores eram as mesmas. As características físicas e mesmo toda aquela vontade de lutar, mesmo que tudo lhe dissesse para desistir.

O som de uma buzina, associada à voz de uma mulher chamou a atenção do Ómega.

- Rápido! Corram os dois!

De imediato, Marco correu até agarrar o braço do rapaz que estranhou que aquele Alfa desconhecido tivesse parado o ataque e apenas o observasse. Ele também não sentiu vontade de continuar a atacá-lo, aliás não sentiu nada de ameaçador vindo dele. Porém, não teve tempo de pensar muito sobre isso, pois foi arrastado por Marco e enquanto tentava acompanhar os passos rápidos, ainda ouviu:

- Levi?

Os olhos desiguais encontraram os do Alfa que parecia exibir um comportamento cada vez mais estranho e embora, o rapaz pudesse jurar que nunca tinha escutado aquela voz antes, teve mesmo que ser arrastado por Marco, caso contrário talvez ficasse para questionar como é que aquele desconhecido sabia o nome dele.

Contudo, assim que entrou para o carro, ouviram-se outros disparos e ao olhar para a mulher de óculos ao seu lado e ar preocupado, tentou falar, mas a sua consciência acabou por deixá-lo assim que se sentou.

No exterior, Kenny procurava abrigo dos disparos e retirava das suas vestes um pequeno engenho explosivo. Viu outros veículos da polícia militar passarem e sabia que se não os impedisse, seria uma questão de tempo até que alcançassem o veículo, onde estava o seu sobrinho. Portanto, antes de ir buscá-lo, definiu que a sua prioridade seria em primeiro lugar fazer com que ele pudesse escapar em segurança já que se tornou óbvio que avaliou mal a situação. O outro rapaz que estava com roupas da polícia militar também era um Ómega e sabia perfeitamente que o estatuto dos Ómegas em Rose e Sina não permitia que alcançassem esses cargos. Consequentemente, podia deduzir que aquele seria um amigo de Levi que o tentou salvar, tal como Christa o tinha avisado. A loira preveniu-o que haveria outros amigos que tentariam ajudar e naquele momento, repreendeu-se por não ter considerado essa hipótese como real.

"Tenho que mudar os planos e tenho que começar por impedir que o sigam… assim que estiver em segurança, vou buscá-lo", pensou, voltando a sua atenção para os veículos da polícia militar.


O casal movia-se tão cuidadosamente quanto possível. Pese embora, a urgência em encontrar o filho que os dois nunca aceitaram que tivesse morrido, havia culpa presente na consciência de ambos. Uma culpa subjacente à possibilidade de que o filho estivesse realmente vivo, o que lhes dava a sensação de o terem abandonado à sua sorte, quando essa razão não podia estar mais distante da verdade.

Contudo, existia outra culpa que também lhes deixava um peso no peito. A forma como deixaram Maria para trás sem pensar nas consequências, sem pensar no estado em que o amigo se encontrava, quando disse que estava preparado para reassumir as suas responsabilidades. Gabriel apareceu quando tanto Axel, como Layla discutiam com o General e outros responsáveis para que os dispensassem. Não podiam ignorar que o filho podia estar vivo. Aliás, pela forma como tinham falado, diziam que não havia margem para dúvidas, as características do Ómega apontavam apenas numa direção: era o filho que ambos nunca aceitaram que tinham perdido.

Portanto, insistiram que não podiam permanecer em Maria e aguardar pelo ataque a Rose e Sina. O ataque que como todos sabiam, inevitavelmente levaria a vida de inocentes. Não podiam sequer ponderar correr um risco desses e também não estavam em condições de ajudar nos preparativos das estratégias, mantimentos e últimos ajustes antes da grande guerra que iria começar em breve.

No momento em que o General afirmou que estavam a ser pouco razoáveis e insinuou que estavam a pôr em causa a segurança e lealdade a Maria por não serem capazes de libertar-se de fantasmas do passado, antes que Layla pudesse reagir, o seu parceiro já se encontrava na frente do superior. Rosnava, falava entre os dentes e parecia preparado para atacar o homem à sua frente a qualquer momento. Ela compreendia-o perfeitamente, mas era a primeira vez que o via reagir daquela forma visto que usualmente era bastante calmo e a favor de evitar conflitos.

Outros presentes na sala iam avançar para afastar o Alfa cada vez mais hostil tanto em feromonas, como na postura, quando o General fez sinal para que ninguém interferisse e pediu que Axel se acalmasse enquanto dizia que não tencionava ofendê-lo com o comentário, mas apelava mais uma vez ao bom senso, dizendo que não podia abandonar os subordinados e todos o que contavam com ele, agora que Kenny estava ausente.

Apesar de toda a agressividade que exalava, Layla podia mais uma vez como ele nunca se perdia completamente nas sensações negativas. Por mais que instintivamente quisessem condicioná-lo a levar-se pelas reações impensadas, havia nele características intrínsecas pelas quais se tinha apaixonado. Entre as quais, colocar-se rapidamente no papel de outra pessoa, aquela sensibilidade que o fazia magoar-se em vez de magoar os outros. Algo que a parceira chegou a apontar, como forma de o fazer ver que nem sempre podia agir dessa forma, mas no fim acabava por admirar aquela bondade, aquele carinho que conseguia nutrir mesmo que lhe causassem sofrimento.

Portanto, podia ver isso mesmo nos olhos dele quando aquele azul vívido e doce cruzou-se com o seu olhar. Ele queria ir, encontrar o filho de ambos, mas estava dividido. Queria ser egoísta, mas pensava na gravidade que aquilo tudo representaria para os seus amigos, companheiros, habitantes… a lealdade à região que o gerou e viu crescer.

Layla compreendia-o. Mesmo não tendo nascido ali, aprendeu a amar e a respirar a terra que a acolheu. Entendia perfeitamente o dilema e era consciente de que bastava meia dúzia de palavras para que ele passasse isso para segundo plano e fugisse naquele preciso momento com ela em busca do filho.

Era quase ridículo, mas as palavras sufocavam na sua garganta à medida que as lágrimas caíam. Queria dizer-lhe para abandonarem Maria, mas as palavras ficavam presas. Ainda assim, decidiu engolir o nó que sentia e abriu a boca no preciso momento em que a porta do salão se abriu e fardado e ar sério, Gabriel entrou com passos firmes.

Ninguém escondia o pasmo e mesmo o General perguntou o que fazia ali o Comandante que estava dispensado, tendo em conta os recentes acontecimentos. Sem hesitar, respondeu que pretendia retomar as funções, dizendo que ficar de luto não alteraria nada e que não lhe podiam pedir que se ausentasse de algo de tão importante como a guerra que se avizinhava.

Evidentemente, o General tentou argumentar, mas perante os argumentos e o momento em que o Comandante, executando a saudação militar pediu que o deixasse defender e lutar pelo povo por quem jurou dar a vida, todos testemunharam que ele não sairia dali até receber uma resposta positiva.

Com efeito, alcançou o pretendido e assim que teve oportunidade, aproximou-se do casal e murmurou as palavras que lhes davam permissão para irem em busca do filho e tentarem regressar o quanto antes, quanto mais não fosse porque serem apanhados no meio do conflito poderia ser igualmente perigoso.

Os dois não sabiam como agradecer um gesto como aquele, mas prometeram voltar logo que recuperassem o filho e ajudar em tudo o que fosse necessário.

Portanto, depois de horas de impasse em que não aprovaram a sua saída, finalmente puderam fazê-lo com o aval do Comandante e amigo que os dois ainda viram que trazia nele uma aura, que indicava que estava a fazer um esforço para manter-se forte e firme, quando deveria estar a chorar as suas perdas e a receber o carinho e conforto dos amigos.

Porém, tanto Layla como Axel não imaginaram que o controlo estivesse tão intenso à entrada de Rose. O número de militares que se deslocavam nas ruas era bastante superior ao que encontraram na última vez que estiveram na região e quando estavam próximos ao bairro que procuravam, ouviram disparos e sirenes.

Com o coração nas mãos, ambos acorreram rapidamente ao local e perante o caos instalado nas ruas próximas, Axel sugeriu à esposa servir como distração para dar oportunidade à parceira de chegar à casa com a promessa que se encontrariam na mesma em pouco tempo.


Entretanto Irvin acabava de chegar à zona próxima da sua casa, após ter saído a meio da reunião. Não duvidava da inteligência de Armin, mas temia que o Ómega não fosse capaz de fazer frente e um plano bem engendrado que podia ir além dos nomes referidos na mensagem que tinha recebido. Nem queria acreditar que um dos amigos de Eren tinha cometido a loucura de pensar que podia entrar na sua casa e levar o que lhe pertencia.

O Comandante ponderou ainda que o seu Ómega pudesse ocupar-se da situação, mas através da Marca deduziu que algo de errado teria acontecido e por isso, abandonou a reunião com pressa e ao ver o caos que havia na rua, questionava-se se de facto, tudo aquilo poderia ter algo a ver com o que tinha acontecido na casa dele ou se por uma infeliz coincidência, membros da Cidade das Trevas teriam atacado aquela área.

Quando chegou a casa encontrou uma ambulância na frente da casa e logo viu o seu Ómega inconsciente sobre uma maca. Aproximou-se rapidamente, exigindo saber o que tinha acontecido. Os paramédicos disseram que o rapaz tinha perdido a consciência devido à perda de sangue e ao choque, mas que se o levassem naquele momento para receber tratamentos médicos, ficaria bem. Essas palavras produziram um grande alívio no Alfa, mas em seguida indagou quem tinha chamado os serviços de urgência e não lhe souberam dizer, embora aparentemente a casa estivesse vazia.

Irvin queria acompanhar Armin até ao hospital, mas sabia que isso não era o expectável e por isso, pensou que o mais seguro seria que o levassem para receber tratamento e iria mais tarde ao seu encontro. Precisava entrar em casa e tentar entender o que teria acontecido.

Como é que Armin tinha acabado ferido? Teria Marco disparado a arma? E como é que esse Ómega conseguiu sozinho levar o outro que mal se aguentava nas pernas? Ele sabia que Thomas e Carolina não conseguiram levar o plano adiante, pois ordenou que os prendessem e julgassem como traidores.

"Mas tem que haver mais alguém…", pensava cada vez mais agitado, vendo o rasto de sangue e notou que Armin esteve deitado no sofá da sala, "Alguém o deitou ali e chamou os serviços de urgência? Mas quem? O Marco não teria interesse ou tempo já que pelos vistos, existiu algum tipo de confronto".

O som de algo a cair no interior da casa deixou-o alerta. Preparado para atacar quem encontrasse na casa, não entendia quem ainda poderia estar ali depois de todo o ocorrido. Com passos cuidadosos, reparou que o som provinha da cave.

"Será que não conseguiu fugir?", sorriu de lado, "Eu não deixei a chave do cadeado que havia na corrente em casa, por isso não me surpreenderia que o outro tivesse desistido e abandonado o Levi à sua sorte".

Com a mão sobre a arma, deixou os degraus de acesso à cave convencido de que teriam abandonado o Ómega, depois de concluírem que seria inútil tentar salvá-lo. Porém, o que encontrou foi alguma iluminação de várias velas e o canto onde deveria estar o Ómega, estava outra pessoa com vestes escuras. Os trajes usualmente utilizados por membros da Tropa de Exploração, ainda que não pudesse ver qualquer símbolo do ramo militar. Porém, a postura calma não encaixava no comportamento animal apresentado por alguém da Cidade das Trevas.

A figura esperou que ele acabasse de descer os degraus para se voltar na sua direção, levando nas mãos duas espadas e podia apenas ver dois olhos cinza que procuravam transmitir frieza, mas ele podia ver ódio naquelas íris estranhamente familiares.

- Divertiu-se muito com esta câmara de tortura? – Questionou uma voz feminina que o surpreendeu ao fazer-se acompanhar de feromonas que indicavam um Ómega.

- Tropa de Exploração? – Indagou incrédulo e recordando os testemunhos de quem julgou ter enlouquecido, quando disse ter sido derrubado por um Ómega na noite do ataque a Sina.

"Será possível? Um Ómega… uma mulher?", questionava-se.

- Neste momento, pouco importa o meu ramo militar ou de onde venho. – Falou, dando alguns passos em frente. – A única coisa que precisa saber é que sou mãe e é pelo meu filho que vou pintar todas estas paredes com seu sangue!

Foi tudo o que ouviu, antes da primeira espada o trespassar pois não teve tempo de reagir à velocidade assustadora à sua frente.


-X-

Até ao próximo capítulo!