Capítulo Trinta e Oito
Hating Hospitals
(Odiando Hospitais)
Ginny parou em frente à porta do quarto de Harry e o olhou pela pequena janela. Olhou para George por cima do ombro. Ele tinha parado na metade do corredor e estava encostado na parede, os braços cruzados sobre o peito.
- Você não vem? – perguntou, mordendo o lábio por causa do tom triste em sua voz.
George balançou a cabeça.
- Não. Estou bem aqui.
Ginny se voltou para a janela. Harry estava deitado na cama, seu rosto pálido contra os lençóis verde escuros, cortes quase curados e arranhões em suas bochechas. Exceto pelo leve subir e descer de seu peito, ele a lembrou de Fred e tinha certeza de que era assim que George se sentia. Abriu a porta e deixou sua mochila perto dela.
- Ginny... Hermione... Como vocês duas chegaram aqui? – Molly perguntou surpresa.
- George foi à Hogwarts e perguntou à professora McGonagall se ele podia nos trazer. – Hermione disse. Ginny assentiu, olhando para Harry com a boca aberta. Foi até a cama e ia segurar a mão dele, mas esta estava coberta por uma pasta azul. Ambas as mãos estavam cobertas por essa pasta, descansando sobre gazes.
- O que aconteceu? – Ginny perguntou, surpresa com o quão calma sua voz soou quando tinha certeza de que todos conseguiam ver o quanto estava tremendo.
- Ele estava no lugar certo na hora errada. – um bruxo de meia idade, que Ginny nunca vira, respondeu.
- Quem é você? – perguntou.
- Ginny! – Molly sibilou, chocada com o tom rude de sua filha.
Ginny esfregou os olhos.
- Desculpe. – murmurou.
- Peter Wilson. Sou o supervisor de Harry. – Peter respondeu, impressionado com as reações de Ginny. Estivera perto de membros de família com o dobro da idade dela, que não conseguiam lidar com os danos causados por um feitiço tão bem quanto ela estava lidando com os danos causados por uma bomba. – Ele estava indo a um bar investigar os clientes, quando uma bomba explodiu dentro do bar. Ele estava longe o bastante para não ter sido ferido gravemente. – explicou desajeitadamente. – Tentamos avisá-lo de que ele precisava se afastar, mas não o alcançamos a tempo.
Ginny puxou o ar com força, seu nariz coçando com os cheiros das poções curando as mãos de Harry e os piores cortes em seu rosto.
- Entendo. – disse apenas. – O que há de errado com ele?
- O pior é uma concussão, mas ele vai se recuperar em algumas semanas. Teve algumas costelas quebradas, os cortes nas mãos e no rosto e alguns ferimentos mais profundos, dos escombros. – Peter listou. – Deram uma poção bastante forte para ajudar com a dor, por isso ele está dormindo.
Ginny assentiu silenciosamente, seus dedos roçando o braço de Harry. Virou-se e andou até a porta.
- Vou ao banheiro... – murmurou, rapidamente saindo do quarto. Atravessou a área de espera, seus punhos cerrados, e abriu violentamente a porta marcada como o banheiro feminino. Ginny se trancou na cabine mais próxima e se apoiou na porta. Sentiu as lágrimas alcançarem seus olhos e permitiu que elas corressem, aliviada que não fosse pior, antes de uma onda de raiva irracional a acertar. O caramba que não é perigoso!, pensou, batendo o punho na parede da cabine.
- Ginny? – a voz de Hermione ecoou nos azulejos das paredes e chão. – Eu dei uma boa olhada no estado do chão e não vou me rastejar nele para te procurar pelo vão da cabine.
Ginny destrancou a porta e espiou pelo vão.
- Estou bem. – falou, passando as mãos pelo rosto.
- Seu pai mandou uma mensagem para a professora McGonagall, avisando-a que voltaríamos no domingo.
- Certo.
- E o curandeiro acabou de ir ao quarto e falou que precisamos ir embora. Mas podemos voltar pela manhã e que Harry deverá estar acordado.
Ginny assentiu, indo até o papel higiênico e rasgando um pedaço. Assou o nariz ruidosamente e jogou o papel no lixo.
- Certo.
Hermione parou com a mão na porta.
- Parece pior do que realmente é. – contou à Ginny. – Quero dizer, parece ruim, e uma concussão pode ter efeitos colaterais horríveis mais tarde, mas ele já passou por coisas muito piores.
- Sim, eu sei. – Ginny disse sarcasticamente. – Não é a primeira vez que nos juntamos ao redor da cama de hospital de Harry. – esticou a mão por trás de Hermione e abriu a porta. – E suponho que não será a última.
-x-
Ginny colocou seu livro de feitiços no colo e começou o dever de casa que Flitwick tinha passado no dia anterior. Enquanto lia as páginas recomendadas, fazendo algumas anotações nas margens, Hermione terminou de arrumar a cama de armar que elas tinham tirado do porão.
- Não sei por que você não dorme no quarto de Bill. – Ginny comentou. – A cama é muito mais confortável do que essa aí.
- É o quarto de Harry. – Hermione disse simplesmente, prendendo o cobertor ao redor da cama. Depois de afofar o travesseiro e o colocar em uma das pontas, ficou parada por um momento, olhando para a cama cuidadosamente feita. – Certo, eu vou para... Para... Erm...
Ginny sorriu.
- Apenas lembre-se que mamãe acorda às seis da manhã. – cuidadosamente, escreveu mais algumas palavras no livro. – E bagunce um pouco essa cama, antes de subir. Ao menos faça parecer que você dormiu nela.
Hermione vestiu seu roupão. Um dos elfos da escola tinha aparecido n'A Toca mais cedo com algumas roupas das garotas, para a surpresa delas.
- Não é bem um segredo, é? – suspirou em resignação.
Ginny mordeu a ponta da pena.
- Harry, George e eu sabemos, mas acho que mamãe e papai ainda não sabem. Não posso falar pelos garotos, mas eu não vou contar. – diminuiu a intensidade do candelabro próximo a sua cama. – 'Noite, Hermione. Vou deixar a luz acessa para você.
- Não vai te incomodar?
Ginny balançou a cabeça.
- Não acho que vou dormir muito essa noite.
Hermione se sentou na ponta da cama de Ginny.
- Gin, ficar sem dormir realmente vai ajudá-lo?
Ginny abriu a boca e fechou com um snap. As palavras de Carter soaram em sua mente. Fechou o livro, marcando a página com a pena.
- Provavelmente não.
- Durma um pouco. Serão uns poucos dias longos. – Hermione saiu da cama de Ginny. – Vou tentar não te acordar quando eu voltar.
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Hermione se remexeu até estar confortável contra o peito de Ron. Ele enlaçou seus dedos e suspirou pesadamente, seu dedão correndo pelas costas da mão dela. Ele se ajeitou inquieto, seu pé se enroscando no cobertor, enrolando-o ao redor de seu tornozelo. Hermione se virou e se apoiou em um cotovelo.
- O quê? – perguntou sem preâmbulos.
- Nada. – ele respondeu, socando o travesseiro para deixá-lo mais confortável.
- Ron, eu durmo na mesma cama que você há um ano. Você não tem dificuldades para dormir. A não ser que algo esteja te incomodando.
- Achei que seria melhor. – Ron disse rigidamente.
Hermione se sentou, se forçando a não rir e acordar alguém.
- Por que acharia algo assim? – perguntou. – Só porque Voldemort bateu as botas, você achou que tudo seria lindo e maravilhoso?
- Você não achou? – Ron perguntou, incrédulo.
- Por que você pensaria algo assim...?
Ron olhou feio para o teto.
- Por que – começou com um ar exagerado de paciência. – ele era horrível como... Nem consigo chamá-lo de pessoa, sério, mas seja lá o que ele fosse, ele fez várias coisas horríveis acontecerem e agora que ele se foi, não devia mais ser assim.
- Ron, o mal não é um feito apenas de bruxos das trevas. – Hermione disse. – A história trouxa está repleta de pessoas tão ruins quanto Voldemort. – falou em tom de dispensa. – Nós nem sabemos a história por trás do que aconteceu ao Harry. Pode ser que magia não teve nada a ver.
Ron mordeu a unha, contemplando o que Hermione disse.
- É por isso que eu não quis fazer isso. – murmurou. – Bem, um dos motivos, de todo modo. Não sei como ele consegue fazer isso todos os dias. Quase me deixou louco...
- Honestamente, você achou que ele fosse fazer qualquer outra coisa?
- Quadribol...
Hermione bufou.
- Com toda a atenção que os jogadores recebem?
- Mas ele gosta de jogar. – Ron insistiu.
- Acho que era o escape dele. – Hermione murmurou sonolentamente. – O único momento em que ele não precisava ser Harry Potter... – bocejou abertamente, mal cobrindo a boca com uma mão. – Se ele jogasse profissionalmente, pode ser que ele não tivesse mais isso... – ajeitou a cabeça no travesseiro e passou um braço ao redor do peito de Ron. O som de sua respiração lenta indicou que ela tinha adormecido. Ron cobriu a mão dela com a própria e depositou um beijo em sua testa.
Dormir não fora tão fácil para ele. Ficava repetindo a explosão em Hogwarts que tinha matado Fred. Exceto que, agora, quando tentava fechas os olhos, ele via Harry embaixo dos escombros.
-x-
Harry abriu os olhos devagar, se arrependendo disso quase que na mesma hora. Até mesmo a luz fraca do candelabro ao lado de sua cama enviou uma dor insuportável por sua cabeça.
- Oww. – gemeu.
- Ah, senhor Potter, está acordado.
Harry ergueu as mãos e, lentamente, as levou até o rosto, intencionando esfregar os olhos.
- Só um momento, senhor Potter. Você não vai querer essa poção em seus olhos... – Harry sentiu mãos gentis ao redor de seus pulsos. Franziu o cenho e virou levemente a cabeça. O curandeiro estava parado do seu lado esquerdo, mas não conseguia ouvi-lo direito.
- Onde estou? – Harry perguntou confuso.
- St. Mungus. – a voz respondeu com animação. – Você sofreu um acidente feio. – Harry sentiu uma onda de vento frio em suas mãos conforme a poção que as envolvia sumia. – Como se sente nessa manhã?
Harry correu a língua pelos dentes. Parecia que sua boca estava cheia de algodão.
- Morto de sede. – respondeu. Um canudo cutucou seus lábios e, sedento, engoliu vários goles de água e quase choramingou quando o canudo foi removido.
- Pode beber mais depois. Agora, como se sente?
- A cabeça dói. – Harry respondeu honestamente. Ainda estava doendo, ecoando o batimento de seu coração. Tentou se esticar, mas seu corpo doeu, lembrando-o do quão dolorido estava quando acordou depois da batalha. – Tudo dói. – adicionou. – Não consigo ouvir direito com esse ouvido. – Harry disse, gesticulando para o lado esquerdo de sua cabeça.
- Vamos te dar algo para a dor daqui a pouco e sua audição deve melhorar conforme o tímpano se curar. Está com fome?
- Não sei...
- Bem, eu vou lhe trazer algo com a poção. Você provavelmente vai ter fome quando a dor de cabeça diminuir.
Cegamente, Harry correu uma mão pela superfície da mesa de cabeceira.
- Onde estão meus óculos? – perguntou, sentindo um pouco de pânico sem eles. Odiava não conseguir ver.
- Temos um par substituto para você. – o curandeiro disse rapidamente. – O antigo foi danificando muito além de um 'reparo'. E nós tentamos. Até mesmo sua amiga da escola, Hermione, tentou. E ela é bastante inteligente, sabe. Nós conseguimos duplicar o grau do que sobrou das lentes.
Harry sentiu algo volumoso ser colocado em sua mão.
- O que é isso?
- Um dos curandeiros residentes chama de OCN. – o curandeiro respondeu ironicamente.
Cuidadosamente, Harry desdobrou as pernas do aro e colocou os óculos no nariz. Teve a sensação de que era monstruosamente grande.
- O que OCN significa?
- Óculos de Controle de Natalidade. Por que são tão feios, que nenhuma garota sã vai querer transar com você, enquanto os estiver usando. Ainda bem que é temporário, só até você poder substituí-lo.
Harry abriu um pouco os olhos e os focou no homem troncudo parado ao lado de sua cama em vestes verdes.
- Quem é você?
- David Leighton. Fui designado para tratar dos Aurores que passam por aqui.
- Oh...
Leighton deu um tapinha no ombro de Harry.
- Volto em um momento com seu café da manhã.
Assim que ele saiu, Harry cuidadosamente examinou suas mãos, notando as marcas rosadas em sua pele. Tentou respirar fundo, mas suas costelas doeram absurdamente. Virou a cabeça com cuidado quando a porta abriu para admitir Leighton novamente.
- Por que estou aqui?
Leighton ofereceu a Harry um frasco com uma poção azul escura.
- Beba isso primeiro.
Harry virou o frasco em sua boca, sentindo ânsia com o gosto amargo. Resistiu à urgência de esfregar a língua no cobertor em seu colo e passou o frasco vazio para Leighton.
- A última coisa de que me lembro, - começou lentamente. – é de estar saindo do apartamento em que ficamos...
- Isso é normal. – Leighton começou a acenar a varinha na direção de Harry. – Você parece estar se recuperando bem. – comentou. – A concussão ainda é um problema, mas pode ser que você consiga ir para casa em uns dois dias.
- Concussão?
- Seu supervisor vai estar aqui mais tarde para explicar tudo. – Leighton disse em tom tranquilizador. – Como está a dor de cabeça?
Harry esfregou a testa.
- Melhor. – respondeu. Era verdade; tinha regredido para uma dor chata e persistente, parecida com a que tinha vivido no ano anterior. Podia aguentar.
- Bom. – Leighton acenou a varinha para a cama e uma bandeja com mingau, torrada e uma tigela de uvas apareceu no colo de Harry. – Vá com calma com o mingau. – Leighton avisou. – Homens mais fortes que você não conseguiram aguentar. Quando você terminar, apenas faça desaparecer. Sua varinha está na gaveta do criado mudo.
Harry pegou a colher e brincou com a superfície do mingau.
- Obrigado...
Leighton riu.
- Não me agradeça ainda. – gargalhou enquanto saia do quarto.
-x-
- Que diabos é isso? – Ron deixou escapar quando entrou no quarto de hospital de Harry.
- Ronald! – Hermione sibilou, lhe batendo no braço.
- O quê?
- Isso não foi educado.
- Por quê? – Harry perguntou, fazendo uma careta. A adição de três pessoas ao quarto aumentara a quantidade de barulho, mesmo que eles estivessem tentando falar baixo. Fazia sua cabeça doer mais um pouco. – Foi o que o Curandeiro disse quando me deu eles.
- Ainda bem que você não tinha algo assim na escola, cara. – Ron disse a Harry, se sentando no pé da cama. – Ninguém ia te olhar duas vezes...
- Ron! – Hermione segurou seu braço e o puxou para fora da cama.
- Curandeiro também disso isso. – Harry disse prestativamente. Franziu o cenho para a presença das garotas. – Quando vocês duas chegaram?
- Viemos noite passada. – Hermione respondeu.
- McGonagall deixou vocês virem? Por isso? – Harry bufou. – Ela deve ter pensado que eu estava em meu leito de morte...
- Bem, George foi bastante insistente. – Hermione comentou, se inclinando para beijá-lo na bochecha. – Fico feliz que esteja melhor.
Harry olhou ao redor do quarto.
- Onde está George?
- Na loja. Ele vai vir mais tarde. – Ron disse rapidamente. – Tem vários pedidos por coruja para atender agora que o semestre escolar começou. – olhou para seu relógio. – É melhor eu ir. Volto mais tarde, então.
- Eu vou com você. – Hermione disse apressadamente. Seguiu Ron para fora do quarto, deixando-o sozinho com Ginny, que tinha permanecido perto da porta.
- Você está bastante chateada, não é? – Harry perguntou, se acomodando contra os travesseiros em suas costas e fechando os olhos. Isso ajudou com a dor de cabeça.
- O que te faz pensar que estou chateada? – Ginny bufou.
Harry abriu um olho.
- Você está quieta. – falou. – Muito quieta.
- Você sabia que essa missão era perigosa, não sabia? – Ginny perguntou. – Por que mentiu pra mim? – apertou os dentes, restringindo a raiva que sentiu por ter sido enganada, falando em tom de conversa, quando tudo o que queria era gritar. Podia não resolver nada, mas a faria se sentir melhor.
- Não era para ser. – Harry insistiu. – Era só para eu observar esse grupo em Belfast, para ver se eles estavam sendo influenciados pelos Comensais da Morte que não foram capturados em Hogwarts na primavera passada. – fechou os olhos mais uma vez. – Eu não queria que você se preocupasse...
Ginny se afastou da parede e se sentou na cadeira do canto.
- É claro que vou me preocupar. – murmurou, tirando seus livros da mochila. – Eu me preocuparia até se você jogasse Quadribol profissionalmente.
Harry virou a cabeça sobre o travesseiro e abriu os olhos apenas o bastante para olhar para Ginny.
- Pode se sentar desse lado? – perguntou, indicando o lado direito da cama. – Você parece estar sob a água desse lado.
Ginny o olhou por um momento, então se levantou, colocando sua mochila e livros na cadeira, que levou até o outro lado da cama de Harry.
- Mesmo que você trabalhasse na loja, eu me preocuparia. – comentou, quando estava acomodada na cadeira novamente. – Eu escutei muitas explosões vindas do quarto de George e Fred quando era mais nova. – começou a escrever em um pergaminho. – Não minta para mim desse jeito de novo.
- Gin, não posso te contar tudo o que estou fazendo em uma missão... – Harry protestou.
- Eu sei. – ela respondeu calmamente, correndo um dedo pelo texto do seu livro de Transfiguração, pausando quando encontrou o feitiço correto. – Me conte o que contaria a Ron ou Hermione. – sugeriu.
- O que te faz pensar que contei mais a Ron e Hermione do que contei a você?
- Posso não ser uma Auror, Harry, mas entre a mamãe, o papai, George, Ron, Hermione e eu, Ron era o menos surpreso ou atordoado com a notícia de que você estava machucado. Preocupado, claro, todos estávamos, mas é quase como se ele esperasse que algo acontecesse.
- E como sabe?
- George. – Ginny respondeu como se isso explicasse tudo. – Não consegui dormir noite passada, então fui para a cozinha beber chá e George já estava lá. Ele disse que, quando papai foi buscá-los na loja, Ron simplesmente não pareceu surpreso. E quando vocês dois foram para o apartamento no Ano Novo, Ron parecia um pouco ansioso. Não tão ansioso quanto antes de um jogo, mas como quando ele tinha um dever de casa para segunda-feira de manhã e já era domingo à noite. Na hora, achei que ele estava um pouco nervoso sobre pedir a George se ele poderia morar no apartamento. E vocês dois ficaram conversando nas escadas por um bom tempo. Tudo meio que se encaixou quando fui dormir.
Harry começou a rir, mas isso fez suas costelas e cabeça doerem demais.
- É melhor os bruxos das trevas torcerem para que você não se junte ao DELM ou à Suprema Corte dos Bruxos. – ele disse.
- Era para isso ser um elogio? – Ginny perguntou sarcasticamente.
- É um elogio. – Harry fechou os olhos, protegendo-os da fraca luz que entrava pela janela pequena.
Ginny notou o café da manhã abandonado de Harry com um pouco de nojo.
- Mamãe vai vir mais ou menos na hora do almoço. – comentou. – Vai trazer comida e um pijama limpo. E uma muda de roupa para quando você for liberado.
- Isso é um alívio. – Harry murmurou. – Esse mingau deixou muito a desejar.
Ginny soltou sua pena e olhou para Harry por um momento.
- Você se lembra de algo? – perguntou, hesitante.
- Não. – Harry respondeu honestamente. – Eu me lembro de sair do apartamento e caminhar até o bar, mas é isso. Depois disso, eu me lembro de acordar essa manhã. Eles falaram que eu acordei, conversei com eles, insisti que precisa voltar para Belfast. Vou ter que acreditar neles. – virou a cabeça sobre o travesseiro, abrindo um pouco os olhos, observando Ginny fazer o dever de casa. – Nem sempre vai ser assim. – disse em voz baixa.
O canto da boca de Ginny se ergueu em um sorriso amargo.
- Sim, vai ser.
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Ron embrulhou outro pacote e rabiscou o nome do cliente, sob os cuidados de Hogwarts. Olhou para Hermione, habilidosamente fazendo o mesmo, embora a letra dela fosse muito mais elegante que a sua.
- Por que não ficou com Ginny no hospital? – perguntou distraidamente. Não era que ele estivesse incomodado com a companhia dela, mas isso era o oposto do que ela planejara mais cedo. – Achei que você tinha dito que vocês duas iam fazer sua redação de Transfiguração juntas. Não achei que você tinha problemas com hospitais.
- Pensei em dar um tempo sozinho para Ginny. – respondeu com um encolher de ombros. – Imagino que eles não terão muito tempo. E ela parecia um pouco chateada. Eles precisavam conversar em particular.
- Você podia ter esperado na recepção. – Ron argumentou.
- Você quer que eu vá embora? – Hermione perguntou maliciosamente, despachando o embrulho para a pilha no fim da mesa.
- Não.
- Eu vou voltar depois do almoço, de todo modo. – Hermione estudou Ron por um momento, enquanto embrulhava outro pacote. – Você já falou com George sobre o apartamento?
Ron balançou a cabeça, enquanto escrevia outro endereço no embrulho.
- Ainda não. Na verdade, eu ia falar com ele fim de semana passado, porque ele parecia estar de bom humor pela semana toda, mas na sexta-feira ele voltou a agir como um bundão. Está agindo como um Amasso sem dono.
- É por isso que está aqui atrás e não lá na frente?
- Sim... – Ron despachou o embrulho para o fim da mesa. – Eu queria esperar um bom tempo para pedir...
- Como em quando a semana aqui foi boa, nada em particular o lembrou de Fred e todas as estrelas estiveram alinhadas? – Hermione bufou.
- Algo do tipo.
Hermione se inclinou, os cotovelos apoiados na superfície da mesa.
- Você sabe que isso não vai acontecer.
- Certo. – Ron olhou para a pilha de formulários de pedidos e deslizou uma pela mesa para Hermione. – Quero dizer, qual a pior coisa que ele pode fazer? Me enfeitiçar por pedir? – sua expressão suave se transformou em uma sombria. – Ele vai me enfeitiçar por pedir! – quase urrou.
- Ele não vai te enfeitiçar por pedir. – Hermione disse pacientemente, acenando a varinha para a prateleira do outro lado do cômodo. – Honestamente, Ron, o pior que ele pode fazer é negar.
- Sim, mas o apartamento está livre, certo? E é um pouco caro alugar um apartamento no Beco Diagonal. Eu procurei.
- George te paga, não paga? – Hermione riu.
- Bem, sim...
- E eu estou assumindo que ele te paga mais do que uma mera ninharia.
- Suponho que sim... Setenta e cinco galões por semana.
Hermione fez um cálculo rápido em sua cabeça.
- Você pode esperar eu sair da escola? – perguntou. – Se dividirmos o apartamento, não vai ser muito caro.
- Quer dizer que você não quer dividir um apartamento com Harry e eu? – Ron provocou.
- Odeio te dizer, mas se dividirmos um apartamento com Harry, todas aquelas coisas que nós fazemos quando estamos sozinhos, Harry vai fazer com Ginny... – Hermione mordeu o lábio quando o rosto de Ron rapidamente mudou de cor, indo de vermelho para branco, finalmente parando em um tom de verde. – No apartamento.
- É, posso esperar até você terminar a escola...
Hermione se inclinou sobre a mesa e beijou Ron levemente.
- Veja pelo lado positivo. Isso te dá mais alguns meses até as estrelas se alinharem antes de você falar com George.
-x-
Leighton observou Harry, parado tremulamente do lado da cama.
- Sente-se antes que caia. – falou com diversão. Aurores sempre tentavam sair da cama cedo demais. Eles eram pacientes piores que os próprios Curandeiros, e isso queria dizer alguma coisa. Consultou sua prancheta e fez algumas anotações na ficha de Harry. – Certo. Quando sua, erm... Bem, família, eu suponho que você os considere, chegar, você pode ir. Mas eu tenho algumas indicações para você seguir até eu te liberar.
"Primeiro, você está de licença médica por, no mínimo, duas semanas. Eu quero te ver de novo na sexta-feira. Se você tiver mais alguma perda de memória ou sua visão piorar ou uma dor de cabeça que não passa, é para você voltar imediatamente, ouviu?"
- Sim. – Harry disse, cansado. Apenas o ato de se lavar e se vestir nessa manhã o tinha cansado. Colocou uma mão na cama e cuidadosamente se sentou na ponta.
- Eu tenho algumas poções para você tomar para a dor de cabeça, se precisar.
- Certo.
- Não suba escadas, se puder evitar. Se não puder, tome cuidado. Vá com calma. Tome cuidado extra durante o banho por um tempo. Nada de usar o flu, obviamente. Nada de voar em vassouras, e nada de aparatação.
- Como eu vou voltar para casa? – Harry perguntou sarcasticamente.
- Oh, alguém pode te aparatar, mas nada de fazer isso sozinho.
- E por quanto tempo vou ter de ser tratado como uma criança? – Harry perguntou com irritação.
- Até que não tenha mais nenhum sintoma.
- E quanto tempo isso vai demorar?
- O quanto demorar. Mas, geralmente, duas semanas. – Leighton passou uma folha de pergaminho para Harry. – Está tudo escrito aqui para você.
- Brilhante. – Harry olhou para o pergaminho, fazendo uma careta para as limitações de suas atividades.
- E não tente voltar a trabalhar até estar liberado para isso. – Leighton adicionou. – Aurores são conhecidos por não seguirem o conselho de seus Curandeiros.
- O que eu vou fazer por duas semanas? – Harry se perguntou.
- Vejamos... – Leighton olhou para a lista sobre o ombro de Harry. – Descansar, descansar e... Descansar mais um pouco.
Harry bufou.
- Você sabe o quão chato isso vai ser?
Leighton deu um tapinha no ombro de Harry.
- Pelo que eu aprendi sobre você, Harry, você poderia fazer bom uso de duas semanas sem nada para fazer.
- Oh, bom, você ainda está aqui. – Peter disse quando entrou no quarto. – Eu estava com medo de ter que ir te procurar em Devon. – ele se sentou na cadeira perto da cama. – Os julgamentos dos Malfoys foram adiados. – ele falou, ignorando qualquer papo furado. – Para o final do mês que vem. – ele olhou para Leighton. – Presumo que isso seja tempo o bastante para que Harry seja considerado mentalmente saudável?
- O suficiente. – Leighton respondeu.
- Espera aí. – Harry disse, se sentindo irritado por estarem falando dele como se não estivesse no quarto. – O que quer dizer com mentalmente saudável? A Suprema Corte ainda não pensa que eu estou maluco, pensa?
Peter suspirou e esticou as pernas.
- É algo que eles criaram após a guerra. Qualquer testemunha de um julgamento de um ex-Comensal da Morte deve ser avaliada como, bem, sã... Apenas para prevenir falso testemunho.
- Eu não me lembro de ter sido avaliado. – Harry disse em confusão. Eu fui?
- Bem, você não foi, na verdade. Não formalmente, como qualquer Auror trainee, mas Kingsley jurou por você. E nós não queremos que os julgamentos aconteçam enquanto existirem dúvidas da sua capacidade como testemunha.
- Certo. – Harry murmurou, esfregando a testa.
A cabeça de Arthur apareceu na porta.
- Você está pronto para ir?
Harry desceu cuidadosamente da cama.
- Você não tem ideia. – resmungou.
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- Você está bem? – Ginny murmurou sob o som das conversas ao redor da mesa, tentando manter a voz baixa para que Molly não a escutasse.
- Sim... – Harry empurrou uma cenoura pelo prato. Não tivera muita fome desde que acordara sexta-feira de manhã.
Ginny olhou para seu prato ainda cheio com ceticismo.
- Você mal tocou seu almoço. – ela disse.
- Estou bem, Ginny. – Harry falou em exasperação. – Só não estou com fome.
A cabeça de Molly se ergueu.
- Você está se sentindo mal? – ela perguntou com preocupação.
- Estou bem. – suspirou. – Só não estou com fome. – repetiu.
- Bem, por que não tira um cochilo? Eu te levo um pouco de sopa mais tarde. – ela sugeriu.
- Não estou cansado. – Harry disse com teimosia, as manchas sob seus olhos revelando o quão exausto se sentia.
Ginny afastou seu prato.
- Terminei. – falou rapidamente. Olhou para Harry. – Talvez você possa dar uma olhada nas minhas anotações de Defesa. Acho que estou esquecendo algo...
- Gin, suas anotações estão... – a voz de Harry morreu quando Ginny o cutucou sob a mesa. – O quê? – Ginny o olhou feio, seus olhos indicando Molly. – Oh, certo. É. Você pegou o encantamento errado para aquele feitiço... – afastou sua cadeira e se levantou lentamente, aborrecido com o quão trêmulo estava. Seguiu Ginny para a sala de estar e cuidadosamente se sentou no sofá. – Obrigado. – disse suavemente. – Eu amo sua mãe, mas...
- Ela gosta de paparicar. – Ginny terminou. – Então, o que vai fazer até poder voltar ao trabalho?
- Não sei. – Harry admitiu. – Não consigo ler por mais que alguns minutos sem ficar com tontura. Claridade meio que me dá dor de cabeça. E andar em linha reta está fora de questão.
- Dormir é uma boa. – Ginny disse alegremente.
- É... – Harry descansou a cabeça no encosto do sofá e fechou os olhos. – Talvez, em alguns dias, eu possa ir para a loja com Ron e George e talvez ficar de olho no balcão da frente.
- Pode ser.
Harry tirou os óculos e olhou feio para eles.
- Comprar óculos novos. – falou. – Dois. Aí eu vou ter um par extra para o caso de algo acontecer. Esses são apenas...
- Horríveis. – Ginny afirmou.
Molly entrou apressada na sala de estar, com um cobertor e alguns travesseiros.
- Ginny, deixe Harry se esticar um pouco para descansar. – ordenou. Ginny saiu do sofá e foi se sentar na poltrona mais próxima. Molly desdobrou o coberto sobre Harry, prendendo-o sobre seus joelhos, e colocou um travesseiro extra em suas costas.
- Molly... Por favor, eu estou bem. – Harry fez uma careta perante o tom rabugento em sua voz. Não queria choramingar, mas queria ser deixado em paz.
- Fique bem aí. Eu já volto com um pouco de sopa.
- Mas eu não estou com fome. – Harry protestou fracamente. Inclinou a cabeça para poder ver Ginny. – Vai ser assim até eu melhorar, não é?
- Temo que sim.
A cabeça de Hermione apareceu na porta da cozinha.
- Ginny, está na hora de irmos.
- Vou em um minuto. – Ginny se moveu para a ponta do sofá. – Posso te beijar?
- Beijos fazem parte do processo de cura. – Harry falou seriamente.
- Por que não disse? – Ginny se inclinou sobre ele e o beijou levemente. Ela estava prestes a se afastar, quando a mão de Harry se enrolou em seu cabelo e ele aprofundou o beijo, separando-os apenas quando Molly pigarreou ruidosamente da porta.
- Me sinto muito melhor. – Harry disse.
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Nota da autora: sessenta e cinco galões é o equivalente a $755 dólares americanos, $375 libras ou $553 euros.
Nota da tradutora: e todos esses valores supracitados são equivalentes a, mais ou menos, R$ 1.324,57 na cotação atual.
