Ele a olhava de modo encantador enquanto ela dormia. Não queria acordá-la de jeito algum. Pensou que poderia ficar sentado ali, olhando para ela para sempre, sem nunca se cansar do que estava vendo. Por toda sua vida, se fosse necessário.
Ela parecia estar sonhando, porque seus cílios tremiam e sua pálpebras se contraiam. Mas não ousaria acordá-la, ela precisava descansar. Esperava que ela não ficasse chateada quando acordasse e o visse ali, no seu quarto, sem ter ao menos pedido para entrar ou por ter entrado enquanto dormia.
Ele tirou uma mecha do seu cabelo ruivo que havia caído no seu rosto com cuidado. Só agora havia se dado conta de quanto ficara envolvido com ela. E isso não era bom. Prova disso eram seus últimos namoros...
Ele sempre se envolvia demais e quando ele acabava... bom, resumindo a tragédia, ele não ficava muito bem. Carregava os lencinhos de papel para onde quer que fosse, assuando compulsivamente o nariz que não parava de escorrer. A dor era tamanha que ele às vezes sentia vontade de morrer, pensando que não aguentaria mais sofrer.
Então... a dor começava a passar, as noites não pareciam mais tão longas, o torpor começava a diminuir, até ele se recompor absolutamente, pronto para mais um desastre amoroso.
Sempre lembrava a si mesmo de ir com calma, mas quando via, já estava envolvido até o âmago. E depois era só esperar para a garota se cansar dele e o jogar fora como uma embalagem de papel. E depois o sofrimento, a dor, a solidão e a recuperação. Seus amigos não aguentavam mais.
Deu um suspiro profundo. Não devia ficar ali, mas a companhia de Amy exercia uma atração especial sobre ele. Dava-lhe a sensação de ter sido sugado para um campo magnético; tinha que usar tanto a força física quanto a força de vontade para se ver livre.
E agora, olhando para ela, pensava que não havia meios de se livrar do sentimento que acelerava seu coração. Outro suspiro profundo. Isso só podia terminar de um jeito. Mal. Não fazia tanto tempo que terminara com sua última namorada, e agora lá estava indo ele a toda velocidade rumo a um novo sofrimento. "Isso é o que chamo de ser autodestrutivo!"
Mas podia sentir que aquela garota era diferente. Havia sentido algo diferente assim que a viu, algo muito forte, algo que não sentira por nenhuma outra garota. Talvez com ela desse certo. Uma pontinha de esperança surgiu em seu peito e irradiou para fora como uma luz verde. Vislumbrou-se feliz com ela ao seu lado, mas no mesmo momento se repreendeu. "Como pode pensar nisso agora!". E quem havia dito que ela queria algo com ele? Ela mesmo havia lhe confessado que gostava de Ian.
A atração que sentia por suas namoradas não eram nada se comparada ao que estava sentindo por Amy agora. A lógica sussurrava de forma maligna no seu ouvido: "a queda não será maior por isso?".
Queria poder vê-la só como amiga, como ela o via. Mas já era certo. Gostava dela. Já gostava dela quando a viu pela primeira vez.
O café da manhã dela ainda estava em cima da escrivaninha, onde ele havia deixado quando percebera que ela ainda dormira.
Amy se mexia, inquieta, e Henry observou que ela estava prestes a acordar. Ela lutou para levantar as pálpebras. Mas, quando o fez, ele ficou impressionado de ver o quão verdes eram seus olhos.
– Bom dia, dorminhoca. – ele falou.
– Bom dia. – ela sussurrou um pouco grogue, mas logo um sorriso se espalhou sobre seus lábios, fazendo-o sentir um milionário. – O que você está fazendo aqui?
– Bom... – ele gaguejou enquanto coçava a nuca – Na verdade eu não tenho uma desculpa convincente. Mas trouxe seu café – disse, mostrando-lhe a bandeja.
– Obrigada. – ela agradeceu.
– Dormiu bem?
– Não muito. Sonhei bastante. – ela falou indecisa.
– Com o que? – ele perguntou curioso.
– Só não foi com você. – ela riu e ele corou, percebendo o quando indiscreto havia sido – Na verdade eu não me lembro direito. Só vejo flashes passarem rapidamente e quando eu tento focalizar, eles somem. – ela olhou inquisitiva e preocupada para ele. – Não é esquisito?
– Não. Tem gente que não consegue se lembrar do que sonhou. É normal. – ele falou de modo tranquilizante. Ela soltou um suspiro.
– Queria me lembrar. Oh! Isso é tão frustrante! É como se fosse importante para mim e eu precisasse lembrar, mas não consigo! – ela lhe olhou meio desesperada.
– Tenho certeza que não é nada importante. – ele falou, estendendo-lhe o chocolate quente. Ela pegou, mas parou antes de beber.
– Mas não dizem que você sonha com o que está no seu subconsciente?
– Dizem? – ele perguntou com uma risada. Ela levantou o olhar para ele.
– Você não tem jeito! – mas não conseguiu ficar séria enquanto falava.
– Sabe o que eu acho que você está precisando? De comida. Sim. Minha mãe sempre me dizia que nunca deveria se começar o dia pensando em assuntos sérios ou desagradáveis. Tanto que a primeira coisa que ela fazia ao levantar da cama era sorrir e nos dizer "A vida não é maravilhosa?".
– Sua mãe parecia ser realmente uma pessoa maravilhosa. – Amy disse – Pelo visto Pilar não aprendeu muito com seus ensinamentos.
– Pilar sempre foi critica. É dela. Mas ela sempre foi maravilhosa. Depois da morte de mamãe é que ela ficou amarga. Acho que foi um estalo de que a vida não era do jeito como mamãe sempre dizia. Ela ficou com raiva... raiva de tudo. De que tudo que ela acreditava era uma "mentira". Eu sei disso porque às vezes também me sinto assim. Meio que 'perco as esperanças'.
– Eu sei como é. – Amy falou distraída. – Mas, como sua mãe disse, não vamos pensar em coisas tristes! – de certo modo ela se surpreendeu que tivesse sido ela mesma que havia falado aquilo.
– É, você está certa. – ele concordou.
– Eu sei. – Amy brincou, soberba. Henry lhe olhou como se dissesse "o que foi que você disse?" e ela caiu na gargalhada. Se sentia extremamente bem. Feliz. Pra falar a verdade, Henry lhe deixava assim. Quis poder nunca desgrudar dele.
Qual será os sonhos que a Amy não consegue se lembrar? Será que eles são mesmo importantes? E o Henry? Sempre fofo!
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PS:O próximo capítulo promete, viu!
