A ESTRADA ATÉ AQUI
_Dean... Você se lembra...
_Ah, lá vem você de novo.
_DEAN! Você se lembra... Quer dizer, você realmente viu... É verdade mesmo ou talvez seja só os dois brigando? Sobre a mãe ter tentado me matar..._Sam conseguia chamar a atenção quando queria, não adiantava Dean se fazer de surdo ou desentendido.
O mais velho suspirou.
_Sammy...Oh puxa...Eu estava lá uma vez. E ela fez. Ela realmente fez Sam. Ela estava lá ao lado do seu berço apontando um revólver para você e eu cheguei e vi..._os olhos de Dean encheram-se de lágrimas, Sam fez um esforço para controlar as suas, abraçou o irmão._Eu peguei a mão dela, e ela largou a arma e me abraçou e chorou muito. E eu tive que contar para o pai, porque eu fiquei com muito medo. Medo que ela fizesse de novo quando o pai não estivesse lá. Quando eu não estivesse. Porra Sammy, eu tinha cinco anos!
(História de família 6: Mrs Missouri)
_Sammy! O que era aquilo?
_Aquilo o que? Não tinha nada acontecendo._embora Sam soubesse que sua voz tremia.
Dean pensou alguns minutos, então acabou lançando um sorriso benevolente para o mais novo. Veio até ele e colocou a mão em seu ombro._Escuta. Você tem que tomar cuidado com as palavras, cara. Tem gente que não vai entender o que você quer dizer.
Sam na defensiva desviou o olhar do irmão, absurdamente incomodado com o interrogatório, embora percebesse que, de algum modo, Dean não estava bravo com ele.
_Não sei o que você quer dizer com isso.
_Oh Deus._Dean falou quase para si mesmo._É impossível que, com a vida que vivemos, você seja tão inocente assim! Mas então lá vai: Sammy, quando você fala para um cara que "gosta da experiência dele", bem, este cara poderia interpretar isso como uma cantada. Cara, uma cantada!
(Breve História de uma Paixonite 2)
Pôde gritar, pôde chamar seu nome, estremecer sentindo-se vivo e errado e feliz por ter sobrevivido apenas para sentir isso: sentir-se empalado, entregue, possuído e amando cada segundo daquilo. Amando Dean. Amando Dean por inteiro, cada uma de suas personalidades, e desejando que o outro soubesse e sentisse tudo. Amando ouvir aquela voz linda e sensual chamar seu nome, em delírio, amando controlar aquele corpo e amando saber que os dois o amavam, mesmo que fosse de jeitos diferentes.
Quando seu gozo o consumiu, e ele trouxe Dean ao seu ápice dentro de si, ele podia jurar que, no descontrole do mais velho, ele esteve também com o outro Dean.
(Um corpo, Dois Homens)
...
CAPÍTULO 38
...
Dean tinha acabado de desligar o celular, dizendo ao pai que já estavam no caminho de volta e com muitas novidades sobre o que encontraram na casa. Sam espreguiçou-se, inquieto, imaginando se Dean sabia de algo sobre o que acontecera no celeiro. Se não soubesse, ele sabia que talvez ele o ajudasse a lidar com Dean a respeito disso.
Ele tinha a mesma destreza do outro irmão de Sam ao conduzir o Impala maciamente pela estrada. Embora os dois partilhassem muitas semelhanças, eram diferentes na postura do corpo, nas expressões faciais, e até mesmo no jeito de respirar. E por reparar nisso, Sam sabia que havia alguma coisa errada e tensa com Dean. No início, ele não tinha percebido, mas agora começara a acostumar-se com ele. O suficiente para saber que ele estava irritado.
"Dean? Algum problema?"
Dean o encarou por um momento, depois assentiu lentamente com a cabeça. "Não são poucos."
"Eu estou mais acostumado com as evasivas ou gracinhas de Dean, ou o panorama do problema e uma estratégia para resolvermos as coisas, no caso do meu pai. Mas esta sua...sinceridade crua, ...ainda me assusta."
"Ahan." o outro apenas concordou, voltando a atenção para a estrada, como se não quisesse prolongar o assunto.
"Ah qual é, Dean? Vamos, não comece a agir como se fosse o... Dean, se recusando a falar as coisas, mentindo... Eu quero saber. Além do que, ainda temos que esclarecer muitas coisas sobre este seu acordo com ele e..."
"Você queria que ele estivesse lá, no meu lugar?" a pergunta, feita em tom calmo e casual, embora levemente irônica, pegou Sam totalmente desprevenido, e ele sentiu um fluxo incômodo deixando seu rosto rosado. Maldito! Será que ele iria admitir quer era um telepata, afinal de contas? Como ele podia saber de coisas que nem mesmo Sam tinha certeza de pensar ou querer?
"Eu...Eu... acho que você está louco! O que é isso, algum tipo de crise de ciúmes?" talvez sua voz tenha saído apressada, esganiçada demais para soar verdadeira.
"Seu olhar... procurando por ele, toda hora, Sam. Como você queria que eu me sentisse? Feliz?"
Se Dean nem se dava ao trabalho de fingir não estar puto da cara e com ciúmes, sim, ciúmes de Sam, o que o mais novo dos Winchesters poderia argumentar?
"Cara, isso... é surreal! Vocês estão no mesmo corpo, eu às vezes fico... incomodado!
Com um tom sombrio, Dean respondeu, sem olhar para ele:
"Eu te conheço bem demais para saber do que estou falando."
O moreno sentiu-se como um menino pego colando... Ou coisa pior. Ficou em silêncio, considerando o tom pesado que Dean usara, e sabia que ele estava realmente bravo.
"Eu não pude evitar me sentir um pouco... espionado. Foi só isso." Era verdade, ao seu modo, e tudo o que ele podia falar a respeito, sem parecer um estúpido filho da mãe, era isso. "Você sabe muito bem que, desde que você apareceu, eu estou confuso e... eu ainda não tinha entendido o porquê Dean faria isso... E como funciona. Agora... se eu não entendo o que sinto, como é que posso me justificar?"
"Sua sinceridade também é chocante, Sam." A voz amarga e ríspida dava ao mais novo uma boa noção de como tinha magoado o irmão. Tinha aquele mesmo quê decepcionado que algumas vezes ouvira. Sam sabia que, apesar de se considerarem pessoas diferentes num mesmo corpo, eles eram um só, uma só alma. Então, havia coisas que partilhariam, querendo ou não. Também tinha certeza que eles mesmos já deveriam ter pensado muito a respeito disso. A não ser que não fossem realmente um. Fossem na verdade duas almas e isto...Isto seria assustador, porque significava que não haveria salvação para um deles, no final. E Sam não queria sinceramente perder nenhum deles.
Depois de alguns minutos de silêncio, quando Dean ergueu a mão para ligar o som do carro, Sam a interceptou:
"Desculpe, Dean. De verdade, desculpe. Eu não consigo fazer diferente."
Dean demorou um pouco para assentir, refletindo antes de aceitar suas desculpas. Sam queria que ele sorrisse, porque significaria que tudo estava bem, mas tudo o que teve foi um esboço de sorriso naqueles lábios tão apetitosos. Ele se jogou contra o assento do carro, resignado.
"Será que algum dia eu vou conseguir fazer tudo certo?"
"É a pergunta do século." Ele sentiu que era uma provocação amistosa, afinal. Virou-se sorrindo, procurando cumplicidade nos olhos esverdeados do mais velho.
"Dean...vamos lá. Precisamos conversar um pouco sobre isso. Depois de tudo o que aconteceu ele simplesmente te chamou e...disse que não ia empatar, ou algo assim? O que ele disse? Nosso dia ontem foi um caos, eu fui um idiota manipulador, eu... eu tentei me comunicar com você na outra noite, mas claro, Dean estava lá e toda esta merda aconteceu, isso sem contar na tarde horrível que tivemos e...Eu não consigo entender. Ele estava muito calado, e depois, você volta...? Com um laço de presente e tudo? O que vocês conversaram? Conversaram, certo?" Sam disparou feito uma metralhadora, e falaria mais se um olhar do mais velho não pedisse silêncio:
"Sam. Ele está assustado. Está assustado por perceber que "eu" não sou um amigo imaginário de quem ele se envergonharia. Assustado por perceber que eu sou real e forte. Está assustado que você saiba sobre mim. Que o pai saiba, embora não pareça ter entendido muito bem, com aquele jeito dele de nunca ver os filhos como são, nem saiba o que fazer para consertar as coisas. Porque, creia-me, ele vai tentar, mais cedo ou mais tarde. Também está assustado porque nos conhecemos, eu e você. E claro, porque transamos. E porque você fez um nó na cabeça dele, muito maior do que já era."
Sam sentiu-se sem palavras em frente a estas revelações. Também sentia o olhar perscrutador do mais velho, avaliando suas reações. Ainda se abismava de quanto este Dean e seu outro irmão eram diferentes em pequenos detalhes.
"Ele está... bravo porque... transamos, tipo, por eu não ser uma garota ou algo assim, ou ele está bravo porque eu sou..."
"Gay? Esta é a palavra que você está procurando?"
"Ahn...é." Sam ficou vermelho novamente, mas no fundo, estava feliz por ter alguém com quem conversar sobre seus dilemas. E jamais seria com Dean ou com o pai, claro. "Talvez não seja bem a palavra certa, porque eu me atraio por garotas, mas... Eu sempre tive atração por um cara e..."
"Céu Vermelho?"
"Ahn?" Sam ficou vermelho e sem graça, fora surpreendido com a casualidade de Dean, que apenas lançou-lhe um olhar curioso voltando a dar atenção para a estrada. Buscou a garrafa d'água para aliviar a tensão. "Ééééé... Mas,... como você sabia?"
Novo olhar de lado, um doce sorriso misterioso. "Dean me contou."
Agora Sam praticamente se engasgou com o líquido, pois realmente não esperava por esta revelação. Dean passou a mão em suas costas, aliviando o incômodo, mantendo ainda aquele leve sorriso. Mas seus olhos não sorriam.
"Ainda gosta dele?"
"Não, espera aí. Agora não vamos falar disso." Sam armou-se, pois sentia que ia perder algo importante se deixasse a conversa seguir este rumo. Dean era ciumento e ele já percebera, mas não era bem isso que queria verificar. "Dean...sabia? Ele sabia e te contou? Este tempo todo ele...por que ele nunca falou nada, por que não me... Por que ele foi tão egoísta, podia ter me contado sobre tudo, sobre você , sobre saber dos meus segredos! Isto não é justo! Vocês esconderam tudo de mim! Me excluíram! Meu irmão era meu herói, sabia? Ele... tinha seus defeitos, eu sei, talvez um pouco implicante, meio sufocante, meio egoísta, tosco, mas...Mas na verdade, ele nunca se importou em dividir nada comigo! Nada que fosse realmente importante! Claro! Ele tinha você. Aposto como ficavam rindo de mim! Dean sempre foi um mentiroso! Estou me sentindo um idiota, sabia? Estou aqui preocupado em como contar a ele algo que eu sei que vai chateá-lo, mas ele nunca se preocupou em manter segredos de mim!"
O motorista franziu as sobrancelhas, preocupado com a irritação do mais novo.
"Claro que se preocupou, Sam! Ele sabe que você vai se magoar quando souber de tudo o que ele escondeu de você. Mas o Dean... Ele acha que tem o dever de te proteger. E é verdade, por mais que você o considere vulgar, implicante e mandão, já devia saber que ele é assim... por você."
O mais novo mordeu os lábios, entre irritado e nervoso, com o peso destas palavras.
"Claro que você vai defender ele. Vocês têm um pacto, não é?" sentia lágrimas nos olhos, de irritação e mágoa.
"Você é irmão dele também, devia saber até onde vai a lealdade dele. E a minha." Havia repreensão na voz de Dean, claro, mas Sam percebia que ele estava tentando se manter calmo. Seus olhos estavam escuros, maxilar travado, e o moreno percebia muito bem que tinha tocado em um vespeiro. Mas, apesar de não querer magoar Dean tanto assim, sabia que era o momento de continuar e conseguir entrar mais no mundo dos "gêmeos".
"Não gostei de saber que ele esconde coisas de mim. Esconde do pai também? Ou será que eu sou o único excluído aqui? E se ele esconde, o que mais pode ser? Por que eu ficaria...decepcionado? E você, vai me deixar de fora também? Os segredos deles também são segredos seus?"
Dean suspirou pesadamente, apertando as mãos fortemente no volante.
"Não. Porque nem sempre estamos de acordo, Sam. Você já devia saber disso."
"E por que você não está de acordo? O que ele anda fazendo?" Sam inclinou-se na direção do irmão, utilizando o corpo nesta manobra de conseguir a verdade. Do mesmo modo que Dean costumava guardar segredos, seu Dean parecia não suportar mentiras. Estivera calado tempo demais para se importar.
"Acho que isto é algo que ele mesmo tem que contar pra você. Eu seria desleal se fizesse."
Sam jogou o corpo novamente contra o encosto do banco, desesperado. Porque ele era sensível o suficiente para perceber em Dean uma angústia que se relacionava com o sofrimento do que quer que fosse que tinha acontecido com Dean, em algum lugar e época desconhecida. Ele poderia jurar que não estava enganando quanto a isso. Sam conseguia, em alguns momentos, talvez devido aos seus dons paranormais, ter uma aguda empatia, e isto com certeza nunca era bom. Tudo o que ele sabia é que Dean andara sofrendo, e muito, longe da família, mas o motivo ainda lhe era desconhecido.
" Mas que porra, Dean! Você precisa me contar! Talvez se eu souber, possamos ajudá-lo, nós dois. Talvez o pai também..." Era um absurdo imaginar que Dean, além de ter esta idéia maluca de ser seu guardião oficial, ainda estava disposto a fazer tantos sacrifícios por Sam e, ao mesmo tempo, jamais deixá-lo ajudar.
"Eu sei que todo o que você quer fazer é ajudá-lo, Sam. Mas tudo está bem agora. Ele tem alguém que o ama e a quem ele ama. Ele está ficando em paz. Eu acho."
Embora as palavras tenham sido ditas em tom tranqüilizador, uma luz de alerta acendeu-se na cabeça de Sam Winchester.
CONTINUA
Bom, meninos e meninas, talvez este tenha sido um dos capítulos mais difíceis de escrever até aqui, espero que tenham gostado e aproveitado. Quero agradecer imensamente a todos que estão acompanhando o novelão mexicano. Eu achei que estava complicado o suficiente, mas alguns leitores querem mais! Tenho tentando responder nas reviews, mas não resisto e fico dando spoilers, sou mesmo muito tagarela! Não faltarão reviravoltas, tanto amorosas quanto sobre o Apocalipse, tem gente que já aposta que a história vai até o fim do ano, de tanta trama acontecendo! Espero dar conta de colocar tudo por escrito! Obrigada a quem me mantém motivada a atualizar com mais freqüência do que minha vida pessoal deveria permitir, deixando reviews!
B. prepare seu coração para novidades sobre Leon, Dean e Sam. Acho que não vai ser possível um romance com o Cas, mas nunca direi nunca!
SE ALGUÉM TEM ALGO A DECLARAR, FALE AGORA OU FALE SEMPRE! REVIEWS SÃO PRA ISSO!
