N.A.: Gente, vocês não estão delirando! É isso mesmo! Finalmente o capítulo 37 SAIU! Mil desculpas pela demora! Tenho estado sem tempo mesmo! Vida agitada, a mil e pouco tempo para escrever! Mil perdões. Vocês são demais! Quando não tiverem conta no , deixem o e-mail para eu responder, tá? *_* Um grande beijo a quem mais me deu forças pra continuar a fic: A JJDani! *_* Uma das minhas autoras favoritas e grande amiga! E aos lindos amigos que me mandaram reviews: Jheni, Mjer Odindotti, Pamila de Castro, Kynn-chan, DalilaC, Megumi Sakurai! ^_^ E bem vindos novos leitores.

Pois é, galera, estamos NA RETA FINAL! Faltam, pelos meus cálculos, menos de 5 capítulos para o final da fic. Foram 3 longos anos em que eu castiguei, sem querer, vocês com 2 longos hiatos! Me desculpem e muito obrigada pela paciência e pelo carinho de terem seguido até aqui comigo! *_*

Curtam o capítulo!

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Entre o Amor e a Razão

Capítulo 36: Penitência

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Sentiu o chão faltar sob seus pés. O coração acelerado, fora de compasso e talvez pela adrenalina, viu os colegas de colégio rindo como se tudo aquilo fosse um filme passando em câmera lenta bem diante de seus olhos.

As fotos expunham seu corpo nu com o de Ichigo.

Uma vingança cruel que havia tirado a vida de uma criança, que a mente ingênua, porém maliciosa de Orihime, entendia como uma brincadeira adolescente para devolver aquele que tanto amava, seu Kurosaki-kun.

Os risos preenchiam os corredores e uma algazarra sem fim enquanto dedos eram apontados na direção da ruiva. Alguns passavam encarando com asco à vulgar menina. E pensar que era tão bem vista, a melhor aluna do colégio de Karakura.

- Deve ser por isso que ela mora sozinha, é uma prostituta... – uma garota dizia.

- Orihime-chan! – veio um rapaz e se ajoelhou. – Me diz, quanto é que tá o seu programa?! Quanto o Kurosaki pagou?!

Orihime estava horrorizada. Estapeou a mão do garoto que segurou a sua e foi, com o par de olhos acinzentados em direção ao mural, de onde arrancou as fotos, as várias cópias que haviam. Sem o menor cuidado, tentava rasga-las. A vergonha a fazendo tremer, suar frio enquanto as risadas eram direcionadas a ela.

Um passo a frente de alguém bem conhecido chamou atenção da atônita Inoue Orihime que tentava recolher as provas de seu crime. Era ele. Ryuuichi, o delinquente que tinha um cínico sorriso no rosto. Era ele a resposta de porque essas fotos estavam ali. Sua bolsa. Eles haviam se vingado e exposto as fotos.

- Não constranjam a Orihime-san. – Ryuuichi exclamou com um sorriso desafiador que fez Orihime morder os lábios. – Deixe ela nos contar como é passar a vida toda se fazendo de boa moça e agora mostrar que na verdade era uma vagabunda qual...

Sem dó, de uma só vez e com toda a força que tinha, o punho do recém-chegado esmagava o rosto do jovem, fazendo-o cair e abrindo espaço na multidão.

- Miserável... – ele disse entre os dentes que ainda sobravam na boca quando teve a queda interrompida pelo chão.

- Cai fora daqui! – com a voz firme e séria, ordenou.

Ninguém ousou falar uma só palavra. Com sua chegada, o rapaz de cabelos laranjas instaurou um silêncio único no local, interrompido apenas pelo grito de Ryuuichi:

- Eu vou te matar, Kurosaki!

Nada foi dito por Ichigo. Encarou Orihime, dando dois passos a frente e a segurou com violência pelo pulso, tirando-a dali.

As fotos deslizaram pelos dedos de Inoue que, sem entender, foi arrastada para longe pelo substituto de shinigami.

Chegaram até a quadra de esportes e assim que avistou um banco, Ichigo lançou Orihime nele, ficando de pé diante dele. A ruiva soluçava, as lágrimas caiam sobre seus joelhos enquanto Ichigo, impassível, observava a menina com frieza.

- Foi aquilo que você mostrou pra Rukia, né?! – indagou furioso.

- K... Kurosaki-kun! – Inoue ergueu o rosto para encará-lo, mais lágrimas vieram.

- Aquilo acabou não só com a vida do nosso filho, Inoue, mas com a sua também! – advertiu. – Eu nunca imaginei que seria capaz de algo desse nível! Sempre contei com você como uma amiga! – declarou esmurrando a parede próxima e fazendo o corpo da menina tremer. – Por que fez isso, Inoue?!

Nada.

Inoue não respondeu nada.

- RESPONDE! – gritou.

A menina chorou, abraçando a si mesma até que Ichigo puxasse seu braço.

- Inoue, me responda!

- Kurosaki-kun, é porque eu te amo!

- MENTIRA! – rebateu. – Quem ama, Inoue, não faz isso!

- Mas eu não tinha saída! Eu queria que você ficasse comigo e...

- Você quase matou a Rukia, Inoue!

- Eu não me importo com a Kuchiki-san!

O punho de Ichigo passou próximo ao rosto de Inoue, o suficiente para fazer balançar as mechas ruivas e longas da bela jovem que ficara assustada. Esmurrou a parede, nitidamente fazendo aquilo por não poder acertá-la.

- Você matou nosso filho, Inoue. – o substituto sussurrou no ouvido da garota que não hesitou e chorou. – Uma criança inocente.

- Kurosaki-kun, eu... eu fiz um bem pra você! Você tem a vida toda pela frente, não tem porque pensar assim! E pra quê? Kuchiki-san jamais permitiria que se casasse e, eu realmente não fiz com esse propósito, mas queria que se separasse dela...

- Você fz mais que isso, Inoue. – Ichigo prosseguiu, os olhos castanhos gélidos de uma forma que a menina não conhecia. – A Rukia sobreviveu por um milagre e mesmo assim, até hoje, sofre com o trauma. E sabe o que é pior? Ela saber que quem matou o nosso filho foi quem ela chamava de melhor amiga!

- Eu não fiz nada, Kurosaki-kun! Você que foi até mim e...

Outro soco na parede a interrompeu. Ichigo ofegou.

- Eu sei que você me drogou. – revelou, fazendo a ruiva arregalar os olhos.

- Eu...

- Você me drogou quando fui a sua casa tirar satisfação porque antes... você tentou matar a Rukia com a própria zanpakutou dela. Não foi?

- Kurosaki-kun, não sei do que...

O telefone tocou e interrompeu a conversa. Ichigo puxou o aparelho do bolso da calça e abriu o flip.

- Diga. – ele preferiu não falar o nome de quem o ligava.

- Kurosaki? Não pode falar agora? – a voz nasalada era inconfundível.

- Posso sim. Estou ocupado, mas sei que tem algo importante a dizer. – sorriu.

- Tenho! Sobre aquela substância que me deu e pediu para eu levar ao meu pai para que ele analisasse... Realmente aquilo é uma mistura de sedativos, usam muito para se drogarem. Mas eu quero saber é onde você arranjou aquilo, Kurosaki, porque...

Desligou o celular. Não era o momento ideal e a pessoa a quem devia explicar naquele momento.

- Acaba de chegar a prova que eu precisava, Inoue. Você me drogou. – explicou, apoiando o pé no banco ao lado da menina.

- Você se envolveu com a gangue do Ryuichi! Sabia que aquilo podia ter me matado? Aliás... você já tentou isso quando tentou com Renji, não é?

- NÃO! – agarrou o corpo do jovem. – Eu jamais faria mal a você, Kurosaki-kun! – chorou.

- Inoue, a partir de agora, eu não quero mais que se dirija a mim e muito menos a Rukia! Eu não permito que se aproxime dela, pro seu próprio bem. – advertiu. – Você não é mais nossa amiga.

- Mas eu te amo, Kurosaki-kun! – Inoue exclamou, puxando a blusa branca do uniforme do colégio do rapaz. – Por favor, me perdoa! Tudo o que eu fiz foi...

- Por seus caprichos, por sua obsessão! – Ichigo retrucou ao interrompe-la. – Eu... não a perdôo pelo que fez, Inoue. Você simplesmente conseguiu destruir o coração da Rukia e isso... eu não perdôo, jamais vou perdoar.

Soltando com violência os braços de Inoue de cima de seu corpo, Ichigo deu meia-volta e partiu, mas foi interrompido por Orihime, que correu em sua direção e o segurou.

- Me solte, Inoue. – ordenou.

- Kurosaki-kun, eu não posso viver sem você, sem seu carinho, sem seu olhar! – declarou.

Ichigo balançou a cabeça descrente no que assistia.

Orihime chorava copiosamente de forma lamentável. Mal conseguia encará-la, sentia nojo.

- Você pediu por isso, Inoue. Por favor, afaste-se de mim e da Rukia.

Alguns passos foram ouvidos e uma mão tocou o braço de Inoue.

- Orihime, vamos. – séria, a menina ao seu lado pediu.

A ruiva soluçou, deixando as mãos deslizarem pelo corpo de Ichigo e abraçando a morena.

- Tatsuki-chan!

Ela abraçou a amiga, vendo por cima do ombro da mesma Ichigo suspirar aliviado.

- Cuide dela, por favor. – foi tudo que Ichigo disse.

Arisawa Tatsuki era a melhor amiga de Orihime, aquela que devia, por obrigação, cuidar de sua amiga e tentar ser a única que ficaria ao lado daquela que virara até mesmo uma criminosa em nome de seu amor doentio.

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- Ih, olha lá, é o Kurosaki! – o corpulento punk anunciou.

- Espero que ele esteja pronto! – Ryuichi anunciou, levantando-se e encarando o jovem. – KUROSAKI! – chamou, colocando-se no caminho do jovem.

- Com licença.

Ichigo tentou desviar, mas assim que o fez, sentiu a ponta da faca que Ryuichi sacara em seu pescoço.

- Aonde vai com tanta pressa? – riu sadicamente. – Já conversou com sua namoradinha?

- Não tenho nada a ver com Orihime. Me dêem licença, por favor. – pediu de forma ríspida.

A lâmina encostou na pele do estudante que se manteve imóvel. Ele sentiu o sangue quente verter e escorrer pela pele enquanto o delinquente colocava mais pressão na arma branca com a qual o rendia.

- E então, posso cortar seu pes...

Ryuichi se engasgou quando o joelho direito do Kurosaki bateu com toda a força em seu estômago.

- Chefe! – um dos capangas gritou.

Mas mal se agachou parar cobrir o local atingido e o pulso foi segurado e torcido com força. Um único movimento sendo necessário para fazê-lo soltar a faca afiada que tinha em mãos.

- CHEFE!

O bando se juntou ao redor de Ichigo, que pousou o pé sobre a faca para que ninguém a pegasse.

- Vamos acabar com você! – disse o maior que além de ter um cigarro em sua boca, tinha um canivete em mãos.

- Não vão, não!

A voz nasalada chamou a atenção do grupo que abriu espaço para verem o rapaz de óculos que chegara.

- Há! Agora chegou a mulherzinha! – um dos delinquentes esmurrou a palma da própria mão, lambendo o lábio superior ao fitar o recém-chegado.

- Vamos acabar com isso logo. – anunciou.

- Ishida... – Ichigo chamou.

Mas uma sirene serviu de alerta e rapidamente o bando fugiu. Ambos inocentes permaneceram no mesmo lugar quando um carro da polícia parou frente a eles.

- Ei, vocês! – um dos policiais saltou do carro com a arma em punho.

- Finalmente a polícia para espantar esses...

- Mãos pro alto! – ordenou ao jovem de óculos enquanto apontava a arma.

- Anh?! – o quincy piscou desentendido para o amigo. – Mas nós fomos abordados por aqule grupo e...

- Revistem ele! – o guarda acompanhado cumpriu as ordens do que parecia ser seu superior que agora revistava Ichigo.

O coração de Ishida saltou. Ichigo, inquieto, foi empurrado e prensado contra o muro do colégio. Assim que seu pé saiu do chão, o policial viu a faca banhada de sangue.

- Que significa isso?! – indagou ao jovem que mantinha as mãos atrás da cabeça.

- Aquele grupo de delinquentes me atacou. – explicou, mostrando o ferimento no pescoço.

- Hmpf, bem conveniente... – o policial não parecia convencido.

- Chefe, olha isso!

Para desespero dos dois adolescentes, o guarda havia pego no bolso de Ishida aquela pequena embalagem transparente que trazia dentro um pó de substancia misteriosa.

- Há! Então vendem drogas na porta da escola, não é? Vão ser detidos!

- Não é nada disso, senhor! – Ishida tentou argumentar, mas antes que pudesse dizer algo, aproveitando uma distração do policial que o rendia, Ichigo fugiu, correndo e puxando o jovem de óculos pelo braço. – Está louco, Kurosaki?! Temos que provar que...

- Vamos embora! – gritou Ichigo.

- Parem! – o guarda apontou a arma em direção aos jovens, mas foi detido por seu superior que segurou o cano do objeto. – Vamos encontra-los depois, estudam aqui.

Ichigo e Ishida correram o máximo que puderam, até que finalmente, sentindo-se seguros, pararam e, ofegantes, descansaram.

- Que droga! Agora vamos ser procurados! – Ishida concluiu.

- Não há provas contra nós. – Ichigo avisou. – Só não quero o babaca do meu velho indo me buscar numa delegacia... Já tenho problemas demais. – ele parecia exausto e aquilo não passou despercebido pelos olhos perspicazes de Ishida.

- Kurosaki?!

- Hm? – o shinigami piscou, sentando-se no banco próximo a eles. – Não se preocupe. – suspirou. – Só... por favor, não desampare a Inoue.

O quincy observou os olhos castanhos que focaram o horizonte, hesitando encará-lo.

- Que houve com a Inoue?! – Ishida estava alterado.

- Não esquenta. Só que agora eu acho que dificilmente ela voltará a escola.

- Por quê?! – o quincy inquieto perguntou.

- Aqueles bandidos foram os caras de quem ela arranjou esse pó. Eles chantagearam ela e colocaram as fotos que ela enviou para a Rukia no mural da escola.

- As fotos em que você e ela... – Ishida cobriu os lábios. – Não acredito...

- Ishida, não quero mais contato com a Inoue. – revelou. – Eu estou querendo terminar o colégio logo porque vou me casar com a Rukia e vou viver na Soul Society com ela.

- Kurosaki... – Ishida piscou, admirado com a determinação do amigo.

- Não posso permitir que ela fique sozinha, desprotegida lá. Byakuya está arranjando tudo e vamos nos casar em breve! Ficar vivendo nesse meio-termo, metade do tempo aqui e metade na Soul Society. Se eu não tivesse deixado Rukia só, nada de mal teria acontecido com ela! – anunciou.

- Entendo... – suspirou.

- Sei que é algo bem difícil o que estou pedindo... – o shinigami cruzou os dedos entre as pernas. – Mas por favor, cuide da Inoue. Apesar de tudo... eu sei que ela é uma pessoa! Sei que você é o único que pode colocar juízo na cabeça dela!

Uryuu suspirou, recostando-se no banco.

- Não acredito que ela se envolveu com traficantes.

- Ah, é, e sobre a droga? – Ichigo perguntou.

- É como meu pai disse, é uma mistura de sedativos refinada. Aliás, tem muita sorte de estar vivo, Kurosaki, ele disse que uma dose alta pode ser fatal.

- Com certeza a Inoue não mediu esforços para me separar da Rukia...

Ishida via a angústia exposta nos olhos de Ichigo. Estava decepcionado.

Sua amiga havia tentado até mesmo mata-lo em nome de algo doentio que, com certeza, não era amor. Além disso, por culpa dela, havia perdido um filho.

- Como está a Kuchiki-san?

- Está bem. – sorriu. – Ansiosa para o casamento.

Aquele sorriso nos lábios de Ichigo significavam algo muito bom que fez Uryuu corar.

- Que bom saber que ela está se recuperando. Mande lembranças quando vê-la! – ajeitou os óculos. – Bem, vou ao aconselhamento de carreira hoje, você não vai?

- Não, tenho um compromisso agora a tarde. – levantou-se.

- Tem certeza de que não vai mesmo investir na faculdade?

- Não, Ishida. Meu lugar não é aqui... É ao lado da Rukia.

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Cinco dedos bateram na face esquerda de Orihime, deixando-na atônita, de olhos arregalados e os lábios entreabertos.

- Como foi capaz?! – Tatsuki puxou a garota pelo laço vermelho que adornava o uniforme escolar. – Quer matar o Ichigo ou a Kuchiki-san?! – ela estava em choque.

- Eu não tive culpa, eu... eu...

Inoue desabou em lágrimas, sem o apoio de sua amiga que ficou horrorizada ao saber do que sua confidente era capaz. Arisawa tremia freneticamente, incapaz de acreditar em toda aquela história que a menina acabara de relatar.

- Inoue, não faz muito tempo que eu soube o que você tramou com o Ichigo e agora... olha no que você se tornou! Disse a mim que tinha se arrependido! – a garota forte não se conteve e quase chorou também. – Você... não é assim, Inoue. – balançou a cabeça. – NÃO É! – gritou.

Não havia mais o que fazer. Levantou-se e pegou a mochila. Orihime teve de ser rápida e segurar seu braço.

- Onde vai, Tatsuki-chan?! – indagou a chorosa menina.

- Vou me afastar de você! – a morena deu um passo para trás. – Você não é a Orihime que eu conheço!

Sem suportar mais, Arisawa rendeu-se as lagrimas e partiu, sem olhar para trás e ver a ruiva que caiu de joelhos sozinha, em choque. Sozinha. Era tudo o que ela era.

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- Experimente esse, Rukia-chan! E esse também!

A loira estava animada, pegando qualquer vestido exposto na arara da loja. Claro que ela pegava os mais ousados ou mais chamativos.

Rukia sentia-se estranha naquela vestimenta. Não imaginava casar-se com um vestido ocidental, e sim com um kimono tradicional japonês. A ideia partira de Ichigo e fora aceita por seu irmão, Byakuya.

Já estava no quinto vestido que provava, observando no espelho o caimento rodado e longa cauda que caracterizavam aquele traje matrimonial repleto de brilhantes e rendas.

- Está lindo, Kuchiki-san! – os olhos da tenente de seu futuro marido brilharam ao vê-la pronta.

- Você acha? – Rukia sorriu acanhada, as mãos na nuca tentando ajeitar os fios negros repicados. – Acho meio grande pra mim...

- Está perfeita, Rukia-chan! – a exuberante loira bateu palmas extasiada ao vê-la tão linda. – Eu ficaria com esse com certeza! – revelou.

- Eu também... – um sorriso largo cruzou os lábios de Hinamori Momo ao se imaginar casando com o capitão do décimo esquadrão.

- Mas acho que para uma calda longa dessas, Rukia-chan precisa de um véu longo. – pontuou Rangiku levando a ponta do dedo ao queixo. – Não acha, Hinamori-san?

A pequena nem ouviu. Estava no mundo de seus devaneios, adentrando a igreja ao lado de Hitsugaya Toushirou.

- Hinamori-san! – chamou.

A morena riu para Matsumoto que balançava as mãos na frente do rosto da tenente.

- É aqui?

E antes que Rukia pudesse pensar em se esconder, a voz inconfundível surgiu quando Ichigo surgiu à porta, dando de cara com a cena mais linda que poderia ter visto. Rukia estava vestida com um belíssimo traje de noiva. Um vestido rodado de brilhantes por toda a saia e colo. Tomara-que-caia, bem definido nos seios, valorizando o colo da pequena, o longo vestido tinha uma cauda gigantesca, a qual quase pisou em cima sem querer.

- I-ICHIGO! – gaguejou, tentando se esconder atrás do sofá onde Rangiku e Momo se sentavam.

- Ichigo! Não pode ver a noiva vestida antes do casamento! – Rangiku se levantou, irritada. – Saia daqui agora! – ordenou ao capitão.

- Parem de superstição. – o substituto coçou a cabeça e voltou a fitar a baixinha envergonhada. – Ei, Rukia, deixe eu te ver. – sorriu.

Rukia estava mais que vermelha, estava um pimentão.

Deu dois passos a frente e Ichigo pode contemplar a beleza a sua frente. Ela mantinha os braços cruzados, adornados de lindas luvas longas rendadas.

- É esse que você vai usar para casarmos?

- Claro que não, idiota, você já viu! Seria se não tivesse entrado! – interrompeu a loira extremamente irritada. Parecia que ela era quem iria casar.

- Não ligue pra ela, taichou. – Hinamori sorriu.

- Acho... que sim. – a morena desviou o olhar.

- Que bom!

- Você gostou? – ela estava imóvel, a cabeça baixa evitando encará-lo.

- Está linda! – exclamou com animação. – Terei muito orgulho de leva-la ao altar assim.

Rukia corou e quando viu, as amigas e a atendente da loja decidiram deixa-los a sós.

- Já viu suas roupas? – a morena perguntou erguendo o rosto e mostrando a vermelhidão que foi acariciada pela mão do capitão.

- Ainda não. Vou ver essa semana ainda, em Karakura mesmo. – respondeu, fazendo a futura esposa se arrepiar com seu toque.

Mas Rukia conhecia bem aqueles olhos. E via que havia inquietude neles. Angústia. Algo perturbava Ichigo, alguém tão decifrável.

Então notou que havia um curativo mal-feito em seu pescoço, ainda manchado de sangue.

- Que aconteceu?! – ficou na ponta dos pés para tocar o lugar.

- Na-nada! – desviou, afastando-se.

- Ichigo, a última vez que me escondeu algo...

- Shhh! – selou os lábios dela com um beijo, domando a garota que se debatia, não querendo ser levada pelo sentimento e rendida pelas carícias do amado.

Afastaram-se e Ichigo a segurou firmemente em seus braços.

- Está tudo bem. Agora sim eu garanti que tudo ficará bem. – avisou.

- Que aconteceu, Ichigo? – Rukia perguntou apreensiva.

- Inoue não vai mais vir a Soul Society, pedi para Urahara-san proibi-la de vir.

- E esse ferimento? – ela não estava contentada com apenas aquilo.

- Uns delinquentes da escola me pegaram.

- Ichigo... – preocupada, Rukia se assustou. – Mas por quê?

- Não vem ao caso. – afagou os cabelos da pequena. – Bem, vou voltar ao nosso esquadrão, tenho muito trabalho lá por hoje e ainda vou decidir com Byakuya sobre os convites de nosso casamento. Aliás, minha tenente está muito relapsa, minha mesa está coberta de papéis. – brincou.

- Papéis que o sr. Capitão Kurosaki-taichou-dono devia assinar, não é? – irônica Rukia cruzou os braços.

- É verdade! – riu. – Bem, te vejo mais tarde na casa do Byakuya.

Deu um selinho no topo da fronte da morena e um em seus lábios antes de se despedir.

Rukia assistiu ao capitão sair. Seu futuro marido. Aquele com quem para sempre viveria feliz. Aquele que um dia o destino colocara em seu caminho e havia abandonado todo seu mundo para se dedicar a ela.

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Havia meia-hora que uma discussão intensa havia começado na casa onde a paz costumava reinar. A garota ruiva, tipicamente tão calma e gentil gritava exaltada perante o loiro impassível que permanecia em harmonia mesmo sendo atacado pela jovem.

- Eu preciso ir! – Orihime exclamou, batendo a mesa e fazendo o chawan cair e derramar o chá pela mesa. – Não pode me impedir!

- É claro que posso, Inoue-san. – Urahara explicava calmamente, não se deixando levar pelo nervosismo e impaciência da adolescente. – Inoue-san, para seu próprio bem, não deve ir a Soul Society.

- Mas eu só quero ir visitar a Kuchiki-san! – explicou.

O ex-capitão suspirou pesadamente. Ao seu lado estava Tessai, extremamente tenso pela situação.

- Quem pediu para eu não ir? Foi Kurosaki-kun, não é?!

- Exato. E como você bem sabe, Kurosaki-san é capitão do Gotei, então... – abriu o leque, se abanando, seu álibi perfeito. – não posso descumprir sua ordem.

- Mentira! – exclamou e mais um soco foi desferido contra a mesa. – Eu tenho que ir... Eu...

- Inoue-san, me diga... Por que quer ir a Soul Society? – Urahara a interrompeu.

- Para... para...

- Inoue-san, todas as vezes que esteve lá quem abriu passagem fui eu. Você sabe quais foram as consequências de suas últimas idas até lá. – explicou.

- Eu vou pedir desculpas... a Kuchiki-san. – choramingou.

Urahara fitou a menina realmente preocupado. Ela tinha olheiras enormes, os cabelos geralmente tão bem alinhados e bonitos estavam despenteados e os olhos inchados, mostrando que havia chorado muito.

- A melhor maneira de se desculpar com os dois... é se afastando deles.

- JAMAIS! – gritou, levantando-se, para a surpresa do cientista que arregalou os olhos. – Você não vai me impedir, Uraha...

E o homem que antes estava sentado calmamente a sua frente, subitamente estava de pé, ao seu lado, segurando seu braço com firmeza. Seus olhos cor-de-mel encararam os cianetos da princesa que ficou intimidada.

- Inoue-san... – ele permaneceu a falar baixo. – Acalme-se, por favor. Se quiser ficar, peço para o Tessai-san preparar um quarto para você, está tarde, agora... Eu não permito que vá a Soul Society.

A ruiva engoliu a seco, desabando em lágrimas. Urahara suspirou. Era difícil ver aquela menina decaindo tanto.

- Tessai-san, prepare o quarto para a Inoue-san. – o loiro pediu enquanto afagou o cabelo da ruiva que chorava copiosamente.

- Sim, senhor. – Tessai prontamente partiu, deixando-os na companhia de Jinta e Ururu que receberam sinal de Urahara para que o deixasse a sós com ela.

- Inoue-san... – o loiro começou, sentando-se ao lado da jovem, segurou a mão que tremia freneticamente. – O que fez, não preciso dizer, foi muito errado. Porém, o Kurosaki-san gosta muito de você. E está sendo doloroso para ele ter que afastar você, mas imagine como ele se sentiu... Ele pode ser só um garoto, mas ele estava ansioso para ter um filho com a Kuchiki-san.

- SEMPRE A KUCHIKI-SAN! – gritou Inoue, baixando a cabeça sobre a mesa. As lágrimas caiam sem parar.

- Ele ama a Kuchiki-san, Inoue-san.

- Eu sei! E todos tem que jogar isso na minha cara todo o tempo! Por que eu sempre tenho que suportar calada? Eu... eu não quero aceitar! Eu... não tenho ninguém! Só tinha... o Kurosaki-kun!

- Inoue-san, se você tirasse essa venda que só te permite enxergar o Kurosaki-san... – suspirou. – Você veria que existe alguém muito especial que te ama mais que tudo nesse mundo.

E com tais palavras, deixando Inoue engolir seu choro, Urahara se levantou.

- Fique o tempo que quiser aqui, Inoue-san. Por favor, descanse. – pediu. – Ah, e não tente ir até onde fica a passagem para a Soul Society. Colocamos uma barreira lá e duvido que até mesmo com seus poderes você consiga rompe-la. Vai acabar se machucando.

O loiro saiu, balançando o leque e com um imenso peso nas costas. A dor daquela menina era tão intensa. Mesmo cometendo tantas maldades, tudo o que ela queria era o objetivo de quase todo ser humano: alguém para amar e que pudesse, reciprocamente, ama-la também.

Ela se sentia perdida. Desolada.

Por mais que uma mão fosse lhe estendida e tivesse tanto carinho pelo dono e os membros da Urahara Shotten, Orihime não se sentia feliz daquela maneira. Precisava procurar um sentido, algo que realmente pudesse fazê-la se sentir completa.

Olhou para os lados e saiu. Não se sentia bem ali, aliás, em lugar algum.

Já passava das 11 da noite e as ruas de Karakura estavam desertas. Ainda estava com o uniforme da escola, então o vento gélido castigava sua pele. Se ao menos aquele frio pudesse congelar seu coração. Anestesiá-lo com sua frieza, fazê-lo parar de, a cada batida, suspirar o nome que não saia dele. Kurosaki-kun...

Mas distraída, Inoue não percebeu que era seguida. De repente, ela sentiu uma forte pancada na cabeça e dali, apenas a escuridão da noite se tornou visível. Mas antes que ela pudesse ir ao chão, seu corpo foi amparado por seu algoz que trazia uma barra de ferro em mãos. Logo vários saíram do beco próximo a casa de Urahara e se juntaram a ela. Com ironia e um sorriso no rosto, que era tudo que havia destapado naquele rosto encapuzado, disse:

- Chegou a hora de nos vingarmos contra o Kurosaki-kun...

Continua...