Capítulo 37 – O Campeonato Mundial
Julho de 1994
Oliver não sabia se rir de pura alegria ou chorar de profunda frustração…
O primeiro fim de semana, após se graduar em Hogwarts, havia chegado por fim, e tal como desejara, Fred tinha aparecido na hora combinada à porta da entrada para o staff do Estádio dos Puddlemere United. No entanto, este não viera sozinho; por detrás dele, vislumbrou a pedra no seu sapato, aka. George Weasley.
Os ruivos caminhavam lado a lado, extasiados com a perspetiva que só era possível obter desde o centro do Campo de Quidditch: as vibrantes cores das bancadas, azuis entrelaçadas por faixas de um brilhante dourado, quase faziam tangível escutar os gritos de histeria dos fãs; o vento que teimava em brincar travessamente com os seus cabelos, fazendo-os imaginar como seria voar naquele espaço, apenas acessível para os membros do staff e da equipa profissional; o brasão erguido com orgulho na alta bandeira perto da área dos comentaristas desportivos.
Toda aquela emoção acumulada fazia com que fosse praticamente impossível escutar o que o guia lhes ia indicando, escutando apenas partes do infindável, para não dizer totalmente aborrecido, discurso do homem de meia-idade.
― A fundação… United data de 1163… Equipa mais antiga… Liga… Britânica e Irlandesa.
Em seguida veio um "breve" relato das suas vinte e duas vitórias no Campeonato Nacional e as duas vitórias do Campeonato Europeu, que ninguém prestou real atenção, ao conhecerem já de memória as famosas e renomeadas façanhas da equipa.
Ainda que desejasse dizer que aquele fora um belo dia para o trio, tal não seria verdade. Oliver ocupara a maioria do seu tempo a tentar separar os gémeos, quer fosse dando falsas indicações a George, para que não os encontrasse ao voltar do quarto de banho ou transformando-o no moço dos recados da Equipa de Quidditch Profissional, mas nem assim se conseguiu livrar dele.
O ex-Capitão só queria uma oportunidade para poder, pelo menos, passear de mão dada com Fred e talvez até mesmo compartilhar um gelado ao terminar a visita guiada, mas nada disso foi possível, pois o ruivo mais jovem não parecia disposto a abandonar o seu posto de cão de guarda, zelando cuidadosamente a pureza do irmão… pois Fred pertencia-lhe desde o dia em que haviam nascido.
Eram duas partes de um todo…
Metades de uma mesma alma…
Eram um só!
Um não podia existir sem o outro e, em breve, Fred também seria consciente desse facto. Só tinha que esperar pacientemente pelo momento correto, e seriam por fim um só, em corpo e alma.
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Agosto de 1994
Era um sábado recorrente, nada de incomum acontecera, descartando aquele estranho sonho. Isso até que recebeu um convite do Sr. Weasley para assistir à final do Campeonato Mundial de Quidditch. Harry guardou a carta, temendo que os seus tios ou o queixinhas do seu primo a encontrassem e terminassem por impedir a sua ida.
"Tenho de agradecer aos Weasley por esta oportunidade", pensou o jovem de olhos verdes esmeralda, recordando uma conversa que escutara entre os garotos da Corte de Prata tempo antes. "Draco vai estar lá, não o vejo há muito tempo… Mal posso esperar."
Harry sorriu ligeiramente, deitando-se na cama para aguardar um novo nascer do sol.
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Passava pouco das cinco da tarde quando um enorme estrondo se fez escutar na sala da família Dursley. Os Weasley tinham optado por viajar via flu, apenas para se depararem com a chaminé bloqueada. Não tendo outro remédio, uma vez que haviam ficado presos, sem possibilidade de avançar ou retroceder, Arthur lançou um feitiço que destruiu a lareira elétrica, que Petúnia tanto lutara por comprar, pois Vernon pensava que o seu capricho não justificava o dispendioso gasto.
O patriarca Weasley observava o aparelho com entusiasmo nada dissimulado. Com um fluido movimento de pulso reparou a lareira, começando a divagar sobre a oportunidade de a desmontar, afim de compreender melhor como esta funcionava. Conscientes dos olhares de desprezo por parte dos muggles, os gémeos agarraram o jovem mago, que pegou no baú rapidamente, e adentraram-se na lareira para desaparecer no meio das incandescentes chamas esverdeadas, enquanto Arthur ainda palrava sobre a possibilidade de levarem o aparelho com eles, considerando-o já uma ótima adição à sua coleção privada, ainda quando não fizesse a mínima ideia para o que é que servia.
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Enfim tinha chegado o dia tão ansiado pelo Mundo Mágico em geral; a tão esperada Final do Campeonato Mundial de Quidditch iniciaria dentro de breves instantes.
A família de ruivos dirigiu-se às bancadas, juntamente com Harry e Hermione. Pouco depois, Oliver Wood uniu-se a eles, sentando-se no assento vazio ao lado direito de Fred, resultando num George pior que estragado, pois nem no dia reservado para o tempo em família se livrava daquele empecilho.
O jogo foi progredindo e toda a plateia da equipa irlandesa reagia em uníssono aos eventos ocorridos no campo, gemendo quando o apanhador perdia o rasto à snitch, gritando eufóricamente à mera menção de um novo ponto dos batedores e ofegando ao ver o apanhador da equipa adversária aproximar-se à esfera dourada, que daria a partida por terminada.
Viktor Krum lançou-se sobre a snitch, pouco se importando com o seu nariz partido, resultado de uma cotovelada de um membro da equipa contrária, dando assim o jogo como concluído, mas ainda assim perdendo o Campeonato Mundial, com um placar de cento e setenta contra cento e sessenta. O estádio vibrou de excitação, o jogo fora pura emoção, enquanto a equipa búlgara se retirava de cabeça erguida, sabendo que ainda quando não haviam vencido, possuíam, sem sombra de dúvidas, o melhor apanhador do mundo e isso ninguém o podia negar.
Enquanto isso, Harry não cessara de buscar a localização do seu Anjo, encontrando-o finalmente no Camarote Principal, sentado entre Lucius Malfoy e o Ministro Cornelius Fudge, que se despedia do Ministro da Bulgária com um sorriso cortês extremamente profissional. Atrás dele distinguiu uma familiar cabeleira ruiva, recordando as reclamações sem fim de Ron, clamando que Percy era um traidor, por algum motivo que não lembrava, pois estivera mais ocupado a sonhar acordado com o seu futuro reencontro com Draco.
O moreno viu um casal aproximar-se ao loiro maior; Harry não podia evitar imaginar a ligação entre eles, ainda mais perante o facto de que Draco se encarregou de fazer um curativo no nariz do búlgaro que os acompanhava, usurpando o posto à jovem enfermeira, que se afastou carrancuda, e tomando posse do seu kit de poções curativas. Krum parecia realmente animado pelo que podia entender, parecia já nem recordar a derrota passada; na verdade, ambos pareciam dar-se muito bem, constatou, ao ver o loiro ralhar ao mais velho. Sim, já conseguia distinguir as expressões do Príncipe de Prata ao ponto de saber quando este estava a dar um raspanete a alguém, afinal, vira-o fazer a mesma coisa vezes sem conta, quando Zabini se metia com ele ou com o seu tímido amigo Neville.
Não muito depois, começou o evento que marcaria as férias dos nossos protagonistas, a Marca Negra brilhava sob o céu estrelado e Death Eaters corriam por entre as tendas, aterrorizando magos e bruxas inocentes, que haviam viajado de todas as partes do mundo para assistir àquele fenomenal evento desportivo.
O caos instalou-se e as pessoas correram sem rumo certo, atropelando-se umas às outras e espezinhando as pobres almas caídas.
A maioria dos bruxos demonstravam um uso esplêndido das famosas expressões: "salve-se quem puder" e "cada um por si".
― Estás à espera do quê, Harry? ― gritou Ron ― Não podemos ficar aqui, vem. ― Fez um gesto com a mão, incitando o amigo a unir-se a ele. ― A nossa tenda não está longe, o meu pai foi na frente para a colocar feitiços de proteção. Despacha-te, os feitiços não servirão de nada se não estivermos dentro do seu raio de ação!
― Já vou! ― Olhou à volta, querendo localizar o menor dos Malfoy, mas falhando miseravelmente. ― Leva a Hermione, assegura-te que não lhe passa nada, eu vou lá ter depois ― gritou na direção dos leões, desatando a correr na direção da saída do Camarote Privado, onde vira o seu Querubim Platinado pela última vez, deixando para trás os dois amigos que ainda gritavam o seu nome.
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A primeira reação de Oliver e George foi agarrar cada um num dos braços de Fred e correr em busca de refúgio. Infelizmente, ambos optaram por direções completamente opostas, resultando numa cena que poderia muito bem ter sido considerada cómica, se não tivesse sido ofuscada pelo ambiente trágico que assolava o estádio. Ambos os pretendentes do gémeo maior entraram em acordo tácito e correram para o bosque, levando Fred com eles.
― Fred! ― gritou o seu irmão gémeo, em pânico, ao sentir a mão deslizar-se da sua e vê-lo correr na direção contrária.
George seguiu-o, encontrando-o frente a um grupo de meninas da Casa de Salazar Slytherin, escudando-as com o seu corpo e protegendo-as de um Death Eater, com a varinha erguida, mesmo não tendo idade suficiente para fazer magia fora da escola. Oliver, que viera todo o percurso atrás do ruivo mais novo, desarmou o agressor, desmaiando-o apenas por precaução.
― Devemos ir… Agora! ― exclamou o ex-Gryffindor ao ver um grupo de Death Eaters aproximar-se a eles velozmente.
Fred assentiu com a cabeça, agarrando as mãos das irmãs Greengrass e retomando o caminho para a floresta. George imitou-o, tomando Pansy e Millie, sendo seguido por Oliver, que de varinha em riste, desmaiava quem se atrevesse a interpor-se no seu caminho, portando uma máscara e uma túnica negra.
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Harry corria o máximo que as suas pernas cansadas lhe permitiam.
― Draco! ― gritou ao ver uma conhecida cabeleira loira.
― Harry! ― Ambos correram ao encontro um do outro. ― O que é que estás fazer? É perigoso! Não deverias estar aqui sozinho.
― Queria ter a certeza que estavas bem ― respondeu o moreno, lançando miradas escrutinadoras, procurando indícios de ferimentos.
― Vem! ― Draco guiou o leão até à tenda do Ministro da Magia, empurrando-o com força, ao ser abordado por um homem mascarado.
― Olhem só o que temos aqui! Ora vejam só se não é a cria do traidor ― disse a outra figura mascarada, empurrando o loiro para longe do refúgio onde Harry tentava soltar-se dos braços de um severo Percy Weasley, que tentava restringir os seus movimentos para que não cometesse alguma estupidez sem nexo.
― Se saíres agora só vais acabar por estragar o esforço que Malfoy fez para te salvar.
O trio de Death Eaters rodeou o loiro, avaliando qual deveria ser a sua ação seguinte.
― O que achas? Mata-mo-lo já ou tortura-mo-lo um "pouquinho" prime… ― disse um dos Death Eaters, sendo interrompido por uma voz a lançar um feitiço.
― Desmaius! ― Lucius iniciou uma batalha contra o trio de criminosos, escudando o filho em todo o momento. ― Assim que tiveres uma oportunidade… Corre! Entra na tenda dos Krum… É a mais próxima, está mesmo atrás de ti. Eu vou distraí-los, pelo que assim que puderes esconde-te e diz para erguerem as barreiras.
― Mas… E tu, papi?
― Faz o que te estou a dize… ― exclamou o patriarca Malfoy, sendo interrompido por um novo feitiço ofensivo.
A batalha estava renhida, quando a tenda dos Krum tremeu e uma cabeça fez ato de aparição.
― Venham! ― gritou Viktor, com o seu marcado acento, puxando o tecido que cobria a entrada da tenda. ― Eles não serão capazes de entrar, colocámos feitiços de proteção. Vamos ativá-los assim que entrarem.
― Vai! Eu estou mesmo atrás de ti ― murmurou Lucius, virando o rosto para o filho, fazendo ondear a sua longa cabeleira.
Draco assentiu com a cabeça e correu na direção do apanhador da Bulgária, que o abraçou pelos ombros, guiando-o até ao interior da tenda em segurança.
― Onde está o meu papá? ― perguntou o Slytherin, passados vários minutos ― Já deveria estar aqui… Não! Temos de esperar! ― gritou na direção da mulher ao vê-la ativar a barreira. ― Assim ele não vai conseguir entrar.
― Olha para mim! ― exclamou Viktor, agarrando o menor pelos ombros ― O teu pai vai estar bem, ele é um bom duelista! O mais importante agora é manter as barreiras para que os Death Eaters não entrem. Está bem?
― Hmm… ― murmurou Draco não muito convencido.
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Lucius desmaiou o último oponente e observou o símbolo escuro que assolava o céu noturno, conforme os criminosos se iam dispersando e abandonando o terreno agora desolado.
"Acaso isto é um indício de que ele vai voltar? Se assim for… Não podemos permanecer aqui durante muito mais tempo… Não posso permitir que nada aconteça ao meu Pequeno Dragão, fiz-te uma promessa Cissa e vou cumpri-la… Sem importar o custo. Nada, nem ninguém tocará no nosso bebé!"
