Aviso: Inuyasha e Cia. ainda não me pertencem, ainda por que um dia pelo menos o Kouga!

The fury in the snow.

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Parte dois: A poderosa Agome.

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Lembranças.

Kouga podia dizer o que quisesse de Ayame, que ela era uma louca e também uma completa irresponsável, mas era impossível negar que em alguns aspectos ela até tinha razão, como por exemplo, quando dizia que Miroku não sabia se contiver, e sempre acabava falando o que não devia.

Agora mesmo ele queria se bater por causa disso.

_Responda Miroku! – Sango insistiu, puxando-o violentamente – O que Inuyasha tem haver com esta menina?!

Ah por que ele não podia simplesmente ter se mantido calado? Por quê?!

Sango o sacudiu.

_Fale Miroku!

Ele suspirou, um dia teria de aprender a controlar a língua, mas de qualquer jeito, agora não tinha mais volta.

_Rin foi adotada por Sesshoumaru a pouco mais de dois anos, e Sesshoumaru... É o irmão mais velho de Inuyasha, portanto Rin é a sobrinha dele.

Sango o largou.

_Ela... Ela sabe disso Miroku? Kagome sabe disso?

Miroku pegou-se lembrando da razão pela qual estava ali: a promessa que fizera a Rin, porque ela estava zangada com Inuyasha e não queria sair do carro dele porque acreditava que Kagome, embora ela a chamasse por Agome, nunca mais iria vê-la, por ela ser sobrinha de Inuyasha.

E de como Kagome modificara a aparência de Inuyasha, com um único toque.

_Sim. – respondeu – Sabe.

Sango cambaleou para trás. Como assim ela sabia? Por que não havia lhe dito nada? Kagome nunca lhe escondera nada, nunca... Bem, quase nunca se deixássemos de lado aquele caso com Inuyasha. Sango balançou a cabeça, precisava se lembrar de que aquela não era Kagome e sim Agome, e as duas eram completamente diferentes, apesar de ser a mesma pessoa, como Agome sempre gostava de dizer.

_Rin! – Miroku chamou ao pé da escada – Rin vamos embora! Você não quer que seu amo mate o seu tio favorito quer?

Rin veio descendo as escadas correndo, com os braços abertos como gostava de fazer.

_É claro que não quero tio Miroku! – respondeu feliz – Vamos embora que o senhor Jaken já esta dormindo em pé lá fora.

_O Jaken?

Rin parou a sua frente e assentiu, mas fez sinal para que Miroku fizesse segredo, ah a menina não sabia que estava pedindo isso para a pessoa errada.

_Ele está lá fora escondido atrás da cerca viva da casa em frente, mas não podemos vê-lo porque ele é verde, da mesma cor que a cerca viva, só que a Agome sabe que ele está lá, disse que pode senti-lo, ele está lá desde que chegamos.

Miroku sorriu pegando a criança no colo. É claro que Jaken estava lá, Sesshoumaru nunca deixaria a sua preciosa criança andando pela cidade sem vigilância, porque alienígena podiam abduzir ela, girou os olhos.

_Bem, então vamos embora Rin. Você já se despediu de Kagome?

_Agome. – corrigiu a criança, Sango também a chamava assim, talvez Kagome tivesse decidido mudar de nome – Já. Eu já me despedi.

Miroku concordou, e virou-se.

_Então se despeça da bela Sango também, ela é a melhor amiga da K... Agome, e mora aqui com ela. Ah e aproveite para dizer a ela o quanto eu sou bonito, e esperto, e que se ela aceitasse sair comigo não se arrependeria.

Sango ficou vermelha.

_Miroku... – chamou – Já te disse para não me chamar assim. E só não te bato porque você esta com essa menina no colo.

Rin piscou.

_Ah, mas não tem problema, eu posso descer... – ela começou a mexer-se para tentar descer, mas Miroku segurou-a mais firmemente.

"Que covarde, usando uma menina de escudo!" – Sango pensou sem acreditar.

_Agora Rin, porque não diz a ela o que eu te disse? – pediu Miroku todo sorridente.

Rin olhou-o e concordou depois se virou para Sango.

_Até mais tarde bela Sango. O meu tio Miroku é muito bonito, mas não saia com ele, porque ele é muito mulherengo, vai ficar olhando para todas as outras moças e também vai querer ficar acariciando o seu... – Miroku tapou sua boca.

Ele riu nervosamente para Sango, que arqueou uma sobrancelha com as mãos postas nos quadris, e ele passou por ela tomando o cuidado de manter uma distancia segura dela e manter a mão na boca de Rin, na televisão havia homens que usavam crianças adoráveis ou filhotinhos fofos para conquistar garotas, por que Rin não podia ser uma dessas criancinhas adoráveis? Embora Sango não parecesse do tipo que se derretia por crianças e filhotes ele tinha que tentar.

Quando já haviam ultrapassado a porta ele tirou a mão da boca de Rin.

_Por que disse aquelas coisas Rin? – perguntou constrangido – Não foi aquilo que eu te disse pra dizer.

A menina olhou-o da forma mais inocente do mundo, mas Miroku sabia que não passava de encenação.

_Fiz algo de errado titio? – perguntou como um anjinho. Oh claro, agora que Sango não estava olhando ela era a criatura mais encantadora do mundo! – Meu amo me ensinou a nunca mentir.

Ele abriu a porta de trás do carro e a colocou lá.

_Mas o amo Sesshoumaru não está aqui agora.

Rin sacudiu a cabeça e respondeu com cega obstinação:

_Isso não importa! Porque o amo Sesshoumaru é o mestre de Rin, e a vida dela pertence a ele, e por isso Rin sempre vai ouvir e obedecer tudo o que o amo dela disser!

Miroku a encarou com brilhantes e assustadores olhos felinos, e falou com uma voz que fez Rin ter calafrios na espinha:

_Mentirosa. – Rin afastou-se dele com olhos assustados – Eu sei que Sesshoumaru proibiu-a de jogar pôquer, e também vi os cigarros de chocolates escondidos no quarto que você tem na casa do seu avô.

Rin arregalou os olhos.

_Quando foi que mexeu nas minhas coisas?!

Mas Miroku fechou a porta do carro e deixou-a sem resposta, suspirando ele apoiou-se no carro, aquela menina tirava qualquer um do sério, mas quem podia ir contra ela se Sesshoumaru a protegia?

E por falar em Sesshoumaru, era melhor leva-la logo de uma vez para ele, Sesshoumaru não era famoso por ser paciente, abriu a porta e entrou no carro, sem perceber que eram observados por Sango.

Agome parou ao lado dela, com um sorrisinho divertido.

_É uma graça, não é?

_É. – responde distraída vendo o carro partir – Ele ainda nem percebeu o que vocês fizeram no rosto dele.

A outra a olhou travessa.

_Sango. – chamou – Eu estava falando da menina.

_Eu... Eu também! – afirmou enrubescendo.

Os lábios de Agome esticaram-se num sorriso, mas este desapareceu tão rápido quanto apareceu, ela franziu o cenho dando as costas para a rua e encaminhou-se para a escada, Sango observou-a estranhando o repentino silêncio dela.

_Algum problema?

_Não. Nenhum. – respondeu subindo as escadas – Eu só vou dormir um pouco... Acompanhar o pique de uma menina de oito anos por um dia inteiro não é fácil, sabia?

Mas havia algo errado.

Kagome estava se agitando em seu interior, como se de repente tivesse despertado, Agome sorriu consigo mesma, finalmente ela estava reagindo!

*.*.*.*

Kagome olhou de um lado para outro, não importava para onde olhasse só havia uma infinita escuridão, mas de alguma forma ela sentia que não estava só ali, embora soubesse que estava, pois Agome não estava ali, saltou para o próximo espelho a procura da causa daquela estranha sensação, mas tudo estava no mais completo e silencioso vazio.

Apenas espelhos vazios flutuando inconstantemente na escuridão.

Talvez ela estivesse ficando louca por causa daquele silêncio ensurdecedor... Foi quando viu uma menina, ela estava certa, não estava sozinha afinal, havia mais alguém ali com ela, a menina se encontrava de joelhos num espelho não muito distante dali chorando silenciosamente.

Kagome quis chama-la, perguntar por que estava chorando, o que fazia ali e principalmente: como havia chegado ali.

Mas ao invés disso ficou calada. E assistiu.

Longos minutos (ou teriam sido horas? Ou quem sabe apenas alguns segundos quem sabe) se passaram até que uma voz foi-se ouvida, rosnando das profundezas da escuridão.

_Kagome. Quem fez isso com você?

A menina que chorava também ouviu a voz, e assustou-se, quando ela ergueu a cabeça Kagome percebeu que se tratava dela mesma ali, porém numa versão mais jovem, talvez com treze anos, Kagome inclinou a cabeça de lado observando tudo aquilo e perguntando-se se aquela menina seria outra parte sua como assim Agome.

_Eu perguntei quem fez isso com você Kagome. – Repetiu a voz sombriamente e uma menina materializou-se na escuridão a frente da pequena Kagome.

Kagome assustou-se ao perceber que a menina que havia surgido à frente da jovem Kagome era outra Kagome, afinal quantas Kagomes existiam ali naquele lugar e por que havia tantas?!

Aquela Kagome que havia se formado da escuridão vestia-se de negro e vermelho escuro, era um vestido negro tomara que caia com o decote coração, com o corpete muito apertado, valorizando curvas que ainda mal existia, todo negro cortado por linhas verticais de um profundo tom de vermelho escuro. A saia negra chegava-lhe até metade das coxas na frente, mas arrastava-se no chão atrás toda negra, mas forrada de vermelho escuro, mostrando bem as botas de cano que lhe ultrapassavam seus joelhos, era negras, mas de certa forma reluziam vermelhas, seus braços estavam cobertos ate os cotovelos por luvas negras com detalhes em vermelho que não lhe cobriam nem os dedos nem as palmas das mãos.

Mesmo daquela distância Kagome pode ver que as unhas dela estavam pintadas de vermelho, assim como seus lábios, mas havia duas lascas de gelo no lugar de seus olhos, percebeu então que aquela que estava de pé não era uma versão mais jovem sua e sim de Agome.

E por que aquela cena lhe parecia tão familiar?

_Quem é... Quem é você? – perguntou a jovem e chorosa, Kagome.

_Eu sou você. – respondeu a jovem Agome – Quem fez isso com você Kagome?

A pequena Kagome deu uma resposta, mas a Kagome que assistia não foi capaz de ouvi-la, e a jovem Agome parada a frente da pequena apenas fez um leve aceno com a cabeça e afastou-se, sendo novamente engolida pela escuridão, logo em seguida a pequena Kagome também desapareceu e o espelho voltou a ficar vazio.

Tudo era silencio e escuridão novamente numa imensidão sem fim de espelhos flutuantes.

Mas Kagome ainda não se sentia só ali. Ela olhou a volta procurando por mais garotinhas nos espelhos, porém não encontrou mais ninguém ali, determinada a encontrar a causa daquele desconforto ela saltou e subiu para um espelho que flutuava bem acima de sua cabeça, olhou dali tudo do alto por entre os pés, era como olhar para o mundo por um chão de vidro, inspecionando cada espelho atentamente, e então ela viu dois olhos dourados que se destacavam na escuridão e olhavam diretamente para ela, e o dono dos olhos tinha uma longa cabeleira prateada, e Kagome gritou quando reconheceu Inuyasha ali parado e caiu sentada no espelho piscando surpresa, mas quando voltou a procura-lo estava sozinha na escuridão.

Desta vez, verdadeiramente só.

Ou foi o que pensou até ver a mulher caminhando pela escuridão, com a cauda felina arrastando-se preguiçosamente aos seus pés, e então ela parou exatamente em baixo de si e olhou para cima, com olhos que eram como gelo, e ela sorriu, era um habito que havia adquirido depois de ter recebido seu coração.

_Ai esta você! – exclamou – O que esta fazendo ai em cima?

Kagome deitou a cabeça de lado, havia algo estranho em Agome, ela parecia... Feliz.

_Estava apenas olhando. – respondeu – Há um segundo havia aqui comigo duas meninas.

_Não havia. – contradisse Agome.

Kagome irritou-se.

_Sim havia! – e apontou para o espelho onde antes as meninas haviam estado – Bem ali!

Agome inclinou-se para trás e riu. De uma forma tão aberta e tão sincera como Kagome nunca havia visto antes, e isso a surpreendeu quase mais do que a visão de que tivera Inuyasha ali também, há poucos segundos.

_O que você tem?!

_Estou feliz! – Agome respondeu erguendo os braços – Você finalmente despertou!

Kagome sacudiu a cabeça e moveu-se para um espelho mais próximo de Agome.

_Não esta falando coisa com coisa Agome!

_Não estou? – ela virou-se com um sorriso cativante – Se eu soubesse que bastava te dar uma bofetada para fazer você reagir eu já teria te batido há muito tempo! Você viu mais alguma coisa nos espelhos Kagome? – porém a alegria de Agome pareceu esvair-se um pouco quando Kagome desviou o olhar – Quem você viu?

_Inuyasha. – murmurou – Por que ele estava aqui? Você fez algo com ele?

_Não. – a outra respondeu – E ele não estava aqui, o que você viu foi apenas uma memória.

_Uma memória? – Kagome piscou.

_Eu sei que parece, mas você não está só aqui Kagome, estes espelhos estão cheios de memórias e sentimentos reprimidos, lembra-se de quando eu te disse que tentava falar com você em sonhos, mas você sempre esquecia ao acordar? É porque você sempre deixava tudo trancado aqui junto comigo.

Então por isso a cena das duas meninas que havia visto lhe pareceu tão familiar, era uma lembrança reprimida sua, Kagome e Agome já vinham se encontrando há muito tempo.

_Por isso havia uma memória de Inuyasha aqui, você esta tentando reprimir os sentimentos de nosso coração por ele?

Agome balançou a cabeça e respondeu tranquilamente:

_Não fui eu que trouxe Inuyasha até aqui. Foi você.

_Eu?!

_Eu pensei que tivesse poupado você toda a dor, pegando o seu coração, mas aparentemente há aqui um sentimento tão grande que nem mesmo eu pude absorvê-lo por completo.

Agome atravessou a mão pelo espelho em que estava Kagome e introduziu-a no peito de Kagome, ela sentiu o calor aumentar e uma terrível e opressiva sensação de aprisionamento, sentia os dedos de Agome fechando-se em torno de seu coração novamente.

Mas isso não estava certo, como podia a mão de Agome estar fechando-se em torno de seu coração, se ele já não estava mais ali?!

Agome sorriu preguiçosamente, e Kagome sentiu seu coração libertar-se lentamente à medida que via sua outra eu retirar a mão de seu peito.

_Sim definitivamente ainda há uma parte do amor que sente por Inuyasha ai dentro, mas você já não sente a dor porque essa sim eu tomei por inteira, você viu a nós, e viu a Inuyasha, vai ver também a Sango, Kouga e a todos os que amamos, quando eu lhe bati algo em você entrou em colapso e agora o que sobrou de seu coração dentro de você, e que antes estava dormente despertou. – e sentenciou: – E agora que esta finalmente acordada essa escuridão irá oprimir você ao seu limite e vai fazê-la querer sair daqui desesperadamente e abrir os olhos para a luz mais uma vez. E então seremos uma novamente.

*.*.*.*

Rin desceu do carro de Miroku assim que ele parou em frente ao grande e luxuoso prédio residencial youkai, de volta a sua gaiola de ouro, ela gostava de morar com seu amado amo Sesshoumaru, e com o senhor Jaken também, mas simplesmente odiava aquele prédio!

Atrás de si, Miroku baixou a janela do carro, ele torceu a boca, fazendo o gato em sua bochecha distorce-se e o bigode estilo Hitler ficar torto, e jurou:

_Rin, o dia em que eu pegá-la dormindo irei desenhar com tinta permanente na sua cara.

A garota riu abertamente e correu para dentro do prédio.

Nada nunca iria superar a reação que seu tio postiço Miroku tivera quando descobrira sua cara toda pintada enquanto ajeitava o espelho retrovisor do carro – ao parar no sinal vermelho. Fora simplesmente cômico, Rin queria que Agome estivesse ali naquele momento!

_Menina não corra no saguão! – gritou o porteiro surgindo a sua frente.

Rin parou subitamente e por pouco não trombou com ele o porteiro era um velho youkai que parecia sempre ter balas paras as crianças do prédio fossem elas youkais ou Rin, ele era um dos poucos youkais que eram gentis com ela.

_Desculpe, não voltarei a fazer.

O velho youkai acenou afirmativamente e entregou uma bala para ela.

_Você é uma boa menina. Não conte ao seu senhor que te dei isso. Aquele sapo me disse que você estava proibida de comer doces.

Rin desembrulhou a bala e a pôs na boca.

_E isso é só porque o dentista disse que eu deveria tomar cuidado com as caries. Acredita?

O velho youkai riu e bagunçou seus cabelos.

_Vá para casa, pequena, vá logo.

Rin acenou e virou-se para correr até o elevador, discou rapidamente a senha de acesso à cobertura e esperou enquanto subia.

Lembrava-se do dia em que conhecera o seu amo, era um dia frio e ela tremia sob o casaco esfarrapado grande demais para ela, que havia conseguido no abrigo para sem tetos sentava-se na calçada em frente a uma confeitaria vendo pessoas entrarem e saírem dali sem vê-la, era como se fosse invisível.

Foi quando ele passou a sua frente, apressado em seu sobre tudo, não olhando para canto nenhum como se o resto do mundo fosse todo insignificante, a principio ele também não a viu, mas então ela esticou o braço e agarrou-lhe a ponta do sobre tudo foi apenas um toque suave, mas ele parou imediatamente.

E um par de olhos dourados virou-se para ela.

_O que quer? – sua voz era ríspida e o rosto impassível, como se suas expressões tivessem congelado na neva, algo nele parecia implicar que se ela não o soltasse naquele instante ele o mataria, mas ainda assim ela não o largou.

Ficaram parados, ela sentada na neve toda suja e esfarrapada o segurando pela ponta do sobre tudo, e ele de pé com as mãos nos bolsos olhando-a de forma que deixava clara a coisinha insignificante que ela era para ele.

Ele havia perguntado o que ela queria, e ela queria um lar, e uma família, ela queria um doce, mas não podia dizer nada disso, porque seu irmão havia dito para não falar nada, tinha que ficar em silencio "fique quieta ou eles a matarão" foi o que ele dissera.

O grande senhor ainda a olhava, ele não parecia do tipo acostumado a ter suas perguntas ignoradas ou mesmo dado a repeti-las, e então se virou e foi embora, Rin sentiu o tecido escorregar por entre seus dedos.

No dia seguinte a cena se repetiu, ele sempre passava em frente aquela mesma confeitaria naquele mesmo horário.

_O que quer? – ele voltara a perguntar, quando ela aprisionara novamente um pedaço de seu sobre tudo entre os dedos.

E ela voltou a olhá-lo com os mesmos imensos e achocolatados olhos de sempre, implorando por um lar, uma família e um doce, mas ele não podia ler pensamentos e voltou a afastar-se.

E por mais três dias a cena se repetiu, aquela breve troca de olhares entre a menina esfarrapada e o grande senhor já era quase um ritual para a menina, mas então no sexto dia foi enxotada dali pelo dono da loja.

_Fora! – ele gritara – Já esta aqui há uma semana espantando meus clientes! Vá vadiar em outro lugar!

Ele bateu-lhe com uma vassoura para afastá-la, e derrubou-a na neve, e então a chutou para que se levantasse, mas quando ela continuou deitada na neve ele a agarrou bruscamente pelo braço e a puxou não era um homem gentil.

_Não está me ouvindo? Vá embora!

E jogou-a aos tropeções para longe. E ela se afastou calada e lentamente. E pode ouvir o homem resmungar as suas costas:

_Que menina estranha, ela nem sequer chora.

Mas a menina não foi embora, ao invés disso ela ficou ali próximo só espreitando, pois queria ver de novo aquele grande senhor de longos cabelos prateados, ele não era de atrasos, sempre passava no mesmo horário.

Mas naquele dia a menina não estava ali para segurar-lhe o sobre tudo, porém ao invés de passar direto tal como ela esperava, ele parou, e ficou por longos minutos olhando o canto em que ela costumava sentar-se.

"Ele sentiu a minha falta" – a menina percebeu com um sobressalto no peito enquanto o via partir.

No sétimo dia ela estava de volta em seu posto, arriscando-se a apanhar novamente do dono da confeitaria, mas não se importava, ela só queria tocá-lo mais uma vez, e sempre pontual ali estava ele mais uma vez, só que desta vez quando ela o segurou e ele a olhou a pergunta foi outra:

_O que houve com seu rosto?

Além do dono da confeitaria, um punhado de outras crianças de rua havia lhe batido para roubar dela o prato de macarrão com queijo que a dona do restaurante, onde ela estava mendigando, havia lhe dado.

Mas Rin não disse isso a ele, seu irmão havia dito para que ficasse quieta, e quieta ela ficaria, ao invés disso ela apenas sorriu. Aquela reação pareceu deixar o senhor confuso.

_O que foi? – ele perguntou – Por que esta sorrindo? Eu só fiz uma pergunta.

Ela sorria porque estava feliz. Desde que perdera sua família aquela havia sido a primeira vez que alguém havia se importado com ela.

Talvez tenha sido por puro acaso, ou por destino, que eles voltaram a se ver, desta vez não em frente à confeitaria, mas no estacionamento de um restaurante chique, em certa noite que era espancada pelo mesmo punhado de crianças de rua que lhe batera anteriormente.

_Olhem pra ela! – um deles dizia enquanto a chutavam, Rin tinha quase certeza de que se tratava de uma garota – Ela nem sequer chora!

_Ela nunca fala nada! – respondeu outro, enquanto Rin apenas encolhia-se no chão – Ela é tão estranha!

_Nos peça para parar! – disse um terceiro – E nós pararemos.

Mas Rin não disse nada, ao invés disso continuou quieta como seu irmão havia dito para ficar, precisava ficar quieta ou então a matariam, ela estava quieta, então por que continuavam a bater nela? Por quê?!

Foi quando a voz dele surgiu, mais fria que o próprio gelo.

_Parem.

E seja o que for que as crianças tenham visto quando olharam para trás, foi o bastante para pô-las rapidamente para correr empurrando e tropeçando umas nas outras, apenas Rin ficou lá, deitada no chão, ele abaixou-se ao seu lado, com um dos joelhos no chão, e quando ela o viu deu o mais tênue dos sorrisos.

Por trás dele havia uma criaturinha verde espiando a tudo que a olhou como se ela fosse a mais vil e repugnante das criaturas, e fosse capaz de cuspir nela.

_Amo Sesshoumaru, é só uma garotinha humana.

Mas para a surpresa da menina e do lacaio verde o grande senhor a tomou dos braços como se ela fosse tão leve quanto uma pluma e levantou-se em silêncio.

Ele nunca disse nada, mas Rin sabia que ele cuidaria dela para sempre.

Agora ela estava segura, ninguém mais tentaria machuca-la, ela podia falar novamente.

As portas do elevador abriram e Rin saltou para fora, sua mãe costumava dizer que nunca andasse de elevador porque eram maquinas muito perigosas, mas teria de perdoá-la, ninguém aguentava subir e descer 30 andares de escadas todo dia.

Entrou na cobertura onde morava, tendo o cuidado de cuspir a bala num vaso de plantas no corredor antes.

_Rin.

Chamou o seu senhor e ela foi de encontro a sua voz no escritório.

Parou respeitosamente a cinco passos da mesa e curvou-se.

_O que deseja de sua Rin, meu amo e senhor?

Sesshoumaru pousou a caneta e olhou para a criança parada a sua frente.

_Você se divertiu na casa daquela humana?

Rin ergueu-se com um sorriso.

_Sim!

Sesshoumaru acenou.

_Isto é tudo.

A menina reverenciou-o mais uma vez e depois saiu correndo, mas quando já estava no topo das escadas pode ouvir claramente seu amo chamando por Jaken, e no segundo seguinte a pequena criatura verde atravessava a sala correndo, provavelmente havia subido pelo elevador de serviços para não ser visto por ela, e tinha um bando de papéis nos braços, seu senhor havia pedido um relatório completo do dia dela. Típico. Rin soltou uma risadinha e foi para seu quarto.

*.*.*.*

_Inuyasha para de ligar pra cá! – Miroku reclamou tentando limpar o rosto, mas aquele bigode não saia de jeito nenhum – Minha mãe já esta pensando que temos algum romance.

_Pare de dizer asneiras Miroku. – Inuyasha respondeu.

_Então pare de ligar!

_Como está Kagome?

_O que? Ela está ótima. Mudou o nome para Agome e está cem vezes mais perigosa um pouco doida talvez, mas continua a mesma criança de sempre, só que pior, porque uniu forças com Rin.

_Ela... Falou de mim?

_Não. Isso é tudo?

_É.

_Ótimo. – Miroku desligou, pensou por um momento e tirou o telefone do gancho também.

*.*.*.*

Pronto desde 07/07/13, finalmente, pensei que não fosse acabar nunca!

Bem, aí vem provas de novo, poxa eu não tenho uma folga! -.-'

Respostas as review's:

Veraozao: E deste o que achou?

patyzinha: Bem, finalmente Kagome esta despertando!

E também um gato e um bigodinho KKKKK

joh chan: Ah mais elas vão se unir, só mais uns capítulos...

KKKK Tadinho do Kouga! Enganado por um travestir de peruca!