Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
SORRISOS, SEGREDOS E ENGANOS
Side story das fanfictions "O Casamento", "Escute Seu Coração" e "Esperando o Fim"
Chiisana Hana
Oi!
Você não está na fic errada!
Eu mudei o formato mesmo! Mais explicações ao final! ;)
Capítulo XXXVIII
– Procurando alguém, senhor Shura? – Angélica perguntou ao cavaleiro que acabava de entrar no alojamento infantil.
– Não, só vim checar se está tudo bem com as crianças. Como estão indo? Estão se adaptando bem?
Angélica procurou manter o semblante inexpressivo, sem demonstrar qualquer emoção.
– Os gregos estão ótimos – ela respondeu. – Os asiáticos acabaram de chegar, faz só uma semana, então estão tendo um pouco de dificuldade com a língua, mas Shunrei e o Mestre estão ajudando. A menina italiana tem um pouco menos de dificuldade. Shina vem sempre aqui e a Nicoletta tem dado aulas a ela.
– Nicoletta? – surpreendeu-se Shura.
– Parece que o Máscara da Morte fez algum tipo de acordo com ela.
– Hum... sim... desconfiei de algo parecido. E você, como vai?
– Estou bem.
– Fico feliz por isso.
– Duvido muito – ela respondeu, finalmente deixando transparecer alguma emoção. Pretendia que fosse raiva, mas era mais tristeza e mágoa.
– Sinto muito que não tenha dado certo. Do jeito que você queria que as coisas fossem, elas não funcionariam...
– Eu admito que, quanto a isso, você estava certo. Seria precipitado morar com uma pessoa que eu não sabia bem quem era. Sabe o que me magoou? Foi que você nem tentou, apenas me deixou ir, como se eu fosse um nada... Mas agora já não faz mais sentido falar disso...
– É, não faz – ele admitiu e se foi, sem tentar prolongar o assunto, já que não levaria a lugar nenhum.
Antes de voltar para o condomínio, Shura resolveu passar na vila de Rodório. Entrou no único restaurante do lugar, uma espelunca que os cavaleiros costumavam frequentar, mas deu de cara com Máscara da Morte e Fatma, sentados numas das mesas. Ia dar meia-volta quando o colega também o notou.
– Ei, dedo-duro, vai embora não! – Máscara da Morte gritou, chamando-o. – Eu não ligo de dividir a mesa com fofoqueiro.
– Mas eu ligo de ser visto com pessoas desrespeitosas.
– Ainda isso, X-9? O Mestre já pegou o dinheiro do bolão, já me puniu mandando eu buscar a pirralha aspirante lá na Itália e me responsabilizando pela ambientação dela nos primeiros dias.
– Ambientação? Do que você está falando? Quem cuidou da menina foi a Shina e acabei de saber que quem está ensinando grego é a sua amiga Nicoletta.
– Bom, isso se chama terceirização. Eu empurrei mesmo para a Nicoletta. Por uma módica quantia, claro.
– Parece que a punição não foi suficiente!
– Ah, qual é? Um drama por causa de um bolãozinho inocente! E no final das contas, a guria da deusa é mais loira que o Shaka! Claro que não é filha do pangaré!
– A punição não foi MESMO suficiente – enfatizou Shura e começou a se afastar.
– Claro que foi. Deixa de ser chato. Só estou constatando um fato. Senta aí, seu mala. Vem beber com a gente!
– Não provoca, Manu – pediu Fatma.
– Eu só disse verdades! Se ele não aguenta, não é problema meu.
– Toma, come uma azeitona – ela disse, enfiando uma na boca dele. – Ele já foi mesmo.
– Fatma! – alguém chamou.
Um arrepio percorreu o corpo da enfermeira. Reconheceria aquela voz em qualquer lugar, a qualquer tempo. Voltou-se para a direção do som, a tempo de ver o homem se aproximando da mesa.
– Pai… – ela murmurou e engoliu em seco. Não imaginava revê-lo depois de tantos anos e nem o efeito que isso causaria. Notou que ainda sentia medo… Todos os anos de abuso que sofreu vieram novamente à tona, a mãe ficando do lado dele, chamando-a de "tentação de Satã", expulsando-a de casa.
– Eu sabia que algum dia ia te reencontrar – ele disse, rindo e sentando-se à mesa.
– Ei, quem foi que disse que você podia sentar? – Máscara da Morte perguntou.
– Eu sou o pai dela. Fica na sua.
– Fica na sua é o caralho! – Máscara gritou. – Levanta agora.
O turco não se intimidou e continuou sentado.
– Cliente nervosinho, hein, filhinha? – ele perguntou, ainda com o mesmo sorrisinho cínico na cara.
– Ele é meu marido – esclareceu Fatma, começando a se encher de coragem.
Ela já não era mais uma menina, não tinha razão para continuar tendo medo dele. Já tinha passado por tanta coisa pior… o acidente, o incêndio. Sentia que, apesar de no seu íntimo ainda se sentir magoada e com medo, precisava fazê-lo acreditar que era assunto superado.
– E você não é meu pai! – ela completou, erguendo a voz.
O homem respondeu com uma gargalhada.
– Aquilo? – ele indagou, ainda rindo. – Ah, você ainda tem mágoa daquilo? Só estávamos nos divertindo, filhinha.
– Ainda se atreve a chamar aquilo de diversão? – ela replicou.
– Você está ainda melhor – ele disse, olhando diretamente para os seios dela.
– Achei que ela já estava velha demais pra você, seu pedófilo – interferiu Máscara, sentindo a raiva avolumar-se rapidamente.
– Não, não… Ela ainda serve, está gostosa – ele disse e tentou tocar nos seios de Fatma, que recuou ao mesmo tempo em que Máscara da Morte segurou o braço dele quase a ponto de quebrar.
– Você não devia ter feito isso – Máscara disse, o rosto já contorcido de raiva.
– E o que você vai fazer?
– O que eu vou fazer? Eu vou arrancar a sua cabeça cheia de merda, filho da puta.
O olhar alucinado que Máscara dirigiu a ele deixava bem claro que era realmente capaz disso, mas o turco ainda não se sentiu suficientemente intimidado.
– Ela é uma puta, você sabia? – ele gritou para que todos ouvissem. – Uma puta desde novinha. Ficava me tentando o tempo todo, se exibindo.
– Isso não é verdade... – Fatma disse, profundamente envergonhada por essa conversa estar acontecendo ali, no meio de um restaurante.
– Eu avisei – Máscara começou a falar pausadamente e segurou o homem pelo pescoço. – Eu vou te matar.
O cavaleiro levantou-se devagar, ainda segurando o outro homem e levantando-o junto para o lado de fora.
– O que está fazendo? – gritou Shura, que retornou quando sentiu o cosmo do companheiro exaltando-se.
– Não se mete, Shura! – Máscara gritou de volta. – Eu vou resolver uma coisinha com esse maldito.
– Larga ele, Máscara! – Shura ordenou. – Larga agora!
– Não vale a pena, amor – Fatma disse. – Ele é só um monte de lixo.
Máscara largou o homem, que despencou no chão tossindo e esfregando o pescoço.
– Nunca mais fale com ela – ele disse, com um dos pés sobre o peito do turco. – Nunca mais toque nela, olhe para ela, nem sequer pense nela porque se você fizer uma dessas coisas, eu vou te caçar. E eu vou te matar. E vou pendurar sua cabeça feia na minha casa. Entendeu?
O turco não respondeu. Máscara da Morte segurou o maxilar dele e o forçou a olhar para cima.
– Diga que entendeu! – ordenou.
– Eu entendi – grunhiu o pai de Fatma.
– Ela não está mais sozinha no mundo, filho da puta. Ela agora tem um homem.
– Vamos embora, vocês dois – chamou Shura, puxando o companheiro e Fatma para longe dali, pois já começava uma pequena aglomeração de curiosos. – O que foi aquilo, Máscara? – ele perguntou, quando já estavam suficientemente longe.
– Era meu… pai – Fatma explicou, abraçando-se a Máscara.
– Não dá pra chamar de pai aquela merda – disse Máscara. – Ele só te fez mal.
– Certo – Shura disse e impeliu os dois a continuarem andando –, mas você ia matá-lo ali na frente de um monte de gente?
– Talvez. Se ele continuasse com aquele sorrisinho ordinário… Por que você está se importando? É só um cuzão pedófilo. Eu faria um favor ao mundo.
– Você estragaria a vida que está construindo com ela, seu louco! – Shura disse. – É por isso que eu me importo! Ainda bem que eu voltei.
– E o que ia acontecer? Iam me prender? Fala sério! Eu sairia da cadeia em meio segundo.
– O Mestre ia ter que punir você! Ele não ia ter escolha! Você ia querer viver recluso no Santuário?
Máscara da Morte deu uma gargalhada.
– Recluso? É piada, né? O queridinho dele matou o poderoso Julian Solo e está recluso? Andou até passeando de iate por aí! Não deu em nada. Também não ia dar em nada se eu matasse um monte de merda que estuprava a própria filha.
– Ele não matou o Julian numa discussão de bar, Máscara. Não estou dizendo que sou a favor do que Shiryu fez, mas as circunstâncias são bem diferentes.
– Shura está certo – Fatma disse, ainda se sentindo envergonhada por toda ver sua história escancarada dessa forma. – Agora chega desse assunto. Vamos para casa em paz.
– É, mas se ele aparecer de novo eu não vou me controlar – disse Máscara.– Já tô avisando.
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Em outro ponto de Atenas, o casal Mirianthys tinha um compromisso importante: a audiência do processo de adoção(1) de Grace. O juiz responsável já tinha ouvido Lily, que reafirmou tudo que estava na petição inicial do processo: Rose deu à luz em casa, mas teve complicações e morreu dias depois, no hospital; não sabiam quem era o pai da menina porque ela desapareceu por uns tempos e voltou já grávida; Grace estava com eles desde o nascimento, sendo criada como filha.
Na vez de Milo ser ouvido, ele repetiu toda a história e reafirmou o desejo de adotar Grace.
– Eu me afeiçoei a ela – ele declarou. – Não pensava em ser pai agora, estávamos planejando esperar dois ou três anos, mas a Grace chegou de repente e nós a acolhemos. Eu já me sinto pai dela. Quero que ela seja minha filha oficialmente, que tenha meu sobrenome.
Depois de ouvi-los, o juiz ouviu as testemunhas: a parteira e a enfermeira do hospital onde Rose morreu, as quais confirmaram toda a história. Depois, ouviu Violet e Camus como declarantes(2).
Além de confirmar toda a história, quando foi perguntada se tinha interesse em ficar com a sobrinha, Violet respondeu:
– Eu não tenho emprego, moro de favor na casa do meu namorado. Não tenho condições de cuidar dela. Grace está com eles desde que nasceu. Lily tornou-se a mãe dela. Eu acompanho de perto, ajudo como posso, mas ela é a mãe.
Perguntado sobre o comportamento do amigo com Grace, Camus respondeu:
– Ele é um pai excelente. Nunca pensei que seria, pois era um adolescente um tanto irresponsável.
Ele pretendia dizer que até meses atrás Milo ainda era um sujeito completamente irresponsável, que vivia na farra, mas evitou queimar o filme do amigo.
– Mas ele mudou muito – prosseguiu o francês. – Conheceu a Lily, casou-se com ela, tornou-se um homem responsável, um bom marido e bom pai. Tenho certeza que essa menina terá a melhor família possível.
O laudo do assistente social foi lido e a conclusão era favorável. O casal vivia em um condomínio de classe média alta, com quadra, piscina, guarita, segurança. A adotante era dona de casa e o adotante militar das Forças Especiais, pelo menos era o que dizia a papelada forjada pela Fundação GRAAD para justificar o soldo que ele recebia. Tinham uma vida confortável e harmoniosa e não havia nenhum empecilho à adoção da menina, que já convivia com eles desde o nascimento.
Ao final da audiência, o juiz proferiu a sentença deferindo a adoção de Grace. Milo e Lily suspiraram aliviados.
– Agora é oficial – Milo disse, com Grace no colo, quando saíram da sala de audiências. – Você vai ser Grace McLean Mirianthys, minha filha!
– Restam pequenos trâmites legais – disse o advogado que os acompanhava. – Esperar o trânsito em julgado(3) e então fazer o registro dela.
– Sim, sim, mas é só uma pequena questão de tempo – Milo disse. – O pior já passou.
– Estou tão feliz por vocês! – Violet disse, abraçando a irmã. – Claro que não tinha como ser diferente, mesmo assim fiquei com medo de, sei lá, o juiz ser louco e mandar a Grace para um orfanato.
– Nem fale uma coisa dessas! – exclamou Lily. – Eu tive pesadelos com isso, sabia? Agora estou aliviada.
– Vamos todos lá para casa! – chamou Milo, abraçando a esposa. – A Lily não queria se precipitar, mas eu tinha certeza de que ia dar tudo certo e mandei meu funcionário preparar um banquete daqueles, comprei bebida. Vamos fazer aquela farra! Você também, doutor Ioannis.
– Agradeço, mas é uma comemoração em família.
– Nada disso, o senhor vai junto! Não aceitamos um não!
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No condomínio Olympus, Seika e Shaka foram fazer uma visita rápida ao bebê de Aiolia e Marin.
– Ele é um meninão adorável! – Seika disse, segurando o bebê. – E você está ótima!
– Obrigada, Seika – ela agradeceu sorrindo, embora discordasse. Era só a primeira semana de vida de Aiolos, estava inchada, cansada, sem dormir direito, mas também havia muito amor.
– O Seiya já veio ver vocês?
– Ele tem vindo todos os dias com a filhinha – Marin respondeu. – Sai para passear com ela e sempre vem aqui.
– Pois é. Fico feliz que ele esteja lidando com isso tão bem…
– Isso? – indagou Marin.
– É, de ela não ser filha dele... Não queria vê-lo mal por isso.
– Ele é o pai dela, Seika… Independente de qualquer outra coisa. Ele escolheu ser pai dela. Seu irmão ainda parece um meninão, fala um monte de besteira, mas é um homem incrível e sabe o que está fazendo.
– Estou vendo que sim – Seika admitiu. – E fico feliz por isso.
Enquanto as duas mulheres conversavam no quarto, Aiolia e Shaka estavam na sala.
– Então, como se sente agora que é papai? – Shaka perguntou a Aiolia.
– Tenho passado noites terríveis – Aiolia respondeu. – Aiolos acorda várias vezes. De dia fica aí dormindo como um anjinho. Parece que sabe que a melhor hora de chorar é à noite. Mesmo assim eu estou tão feliz, Shaka!
– Posso imaginar. Achei muito bonita a homenagem ao seu irmão.
– Não podia ser de outra forma. Aiolos, além tudo que significa para mim, foi um cavaleiro que merece todas as homenagens. Ele não pode ser esquecido jamais. Além disso, sinto que meu filho seguirá nosso legado.
– Com pais como você e Marin, sei que ele será um cavaleiro fora de série. O irmão do herói, a mestre do lendário.
– Tomara. Infelizmente ele não será de Sagitário como o tio... Ele é de Escorpião!
– O Milo que se cuide – riu Shaka.
– É – Aiolia também riu. Gostou de ver o amigo virginiano mais leve, fazendo piadas. –Mas tem boas armaduras de bronze e prata vacantes.
– Tem muitas... Foram muitas baixas nos últimos anos.
– Espero que ele herde uma boa armadura.
– Não está muito cedo para falar disso? – Seika perguntou, vindo para a sala com Marin. – Deixa o menino crescer um pouco, ser criança, brincar…
– Ele vai ser, Seika – disse Marin. – Eu vou garantir que ele tenha uma infância feliz até chegar a hora de ser treinado.
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Santuário.
Na casa de Gêmeos, os dois irmãos cavaleiros tinham uma pequena discussão. Saga estava com uma grande mochila nas costas, pronto para partir, e Kanon tentava impedi-lo.
– Saga, aonde você pretende ir? – Kanon perguntou, preocupado. – Só me fala isso.
– Eu preciso fazer uma coisa… – o outro respondeu. Parecia sério e obstinado.
– Certo. Me diz o que é. E eu vou com você.
– Não precisa, Kanon.
– Saga, você não vai sozinho. Isso não é uma escolha.
– Eu estou sob controle, Kanon. Eu não tive mais nenhum… surto.
– Não é uma escolha – Kanon repetiu calmamente.
Saga percebeu que não tinha saída e finalmente cedeu:
– Eu vou consertar toda essa trapalhada que eu fiz.
– Sobre a filha da Agatha? Foi bem mais que uma trapalhada...
– Eu sei, tá? Mas eu quero consertar. E eu vou.
– E como pretende fazer isso?
– Encontrando a verdadeira filha dela. Viva ou morta. Devo isso a ela, mesmo que ela nunca me perdoe.
– Então vamos fazer isso juntos – Kanon declarou, depois de ponderar por alguns segundos.
– Não, você tem a faculdade, tem suas coisas. Eu já estou afastado de tudo mesmo… Tanto faz.
– Eu disse que não era uma escolha! E eu tenho minhas "coisas"? Essas coisas não importam. A única família que tenho é você, então vamos fazer isso juntos, sim. Agora largue essa mochila. Precisamos de planejamento, ver de onde podemos partir, qual caminho seguir... Sair por aí sem planos não vai ajudar muito.
– É, você tem razão… – admitiu Saga e largou a mochila.
Os dois sentaram-se no chão do salão principal.
– O que você sabe sobre a menina? – Kanon perguntou.
– Que foi raptada pelo próprio pai quando era pequena. Agatha me contou uma história confusa de que ele a teria levado para a África, depois para a Ásia... e então ela ficou sabendo, não me pergunte como, que os dois sofreram um acidente e morreram no Japão. Acontece que ela não encontrou registro desse acidente, nem dos óbitos. Eu também não encontrei nada quando comecei a procurar. Foi aí que eu inventei... você sabe. Meu palpite é que esse cara forjou o acidente, fez com que ela soubesse, depois se aproveitou disso e sumiu vez. Ele a fez desistir de procurar, sabe?
– Certo... então devíamos começar pelo Japão... procurar de novo algo sobre esse suposto acidente. Talvez tenhamos sorte trabalhando juntos.
– Talvez... Ele não deve usar o nome de antes, nem a menina, que agora já é uma mulher.
– Com certeza. Vai ser difícil, muito difícil.
– Eu sei, Kanon. Eu mesmo tentei desencorajar a Agatha a procurá-la porque achei que era uma busca sem sentido, sem chance nenhuma de dar certo. Mas devo isso a ela e vou morrer tentando.
– Eu não pretendo morrer fazendo isso! – riu Kanon e cruzou os braços atrás da cabeça. – Alguma coisa nós vamos achar. Se o Ikki achou a Esmeralda, nós vamos achar essa menina, ou o túmulo dela, ou sei lá o quê. Vamos achar algo.
– Espero que sim – Saga disse e abraçou o irmão gêmeo. – Obrigado por estar aqui.
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Quando Shura, Máscara da Morte e Fatma retornaram ao condomínio, encontraram-se com Shiryu passeando com Keiko.
– Sua filhinha está crescendo rápido – Shura disse a Shiryu, depois de cumprimentá-lo.
– Sim! Já está quase falando. E aposto que ela falará papai antes de mamãe.
– Talvez ela fale vovô primeiro, se depender do Mestre – riu Shura.
– Isso é verdade. Mas ainda acho que vai ser papai.
Fatma aproximou-se e tocou a mãozinha da menina.
– Oi, lindinha – ela falou. – Nós somos parceiras de milagre. Fomos salvas pelo sangue de Athena.
– É, aquele sangue que não te deram quando podiam dar – alfinetou Máscara. – E eu praticamente tive que arrancar do chinês.
– Veio quando teve de vir – Fatma corrigiu. – Já falamos sobre isso.
– E eu já te disse que não sabia… – justificou-se Shiryu.
– Mas o seu Mestre querido sabia – retrucou Máscara da Morte. – Ele sabia o tempo todo.
Sabe, eu devia ter matado o pai da Fatma lá no bar só pra ver o tipo de tratamento que eu teria. O pai dela, um pedófilo filho da puta que abusava dela, apareceu em Rodório e eu não o matei porque o Shura aqui impediu. Queria ver se teria o mesmo tipo de compreensão que tiveram com você, Shiryu. Se eu também teria privilégios.
– Eu não me orgulho do que fiz – Shiryu disse. – Mas também não me arrependo. Faria tudo de novo e farei se alguém tocar na minha mulher ou na minha filha outra vez, com "privilégios", como você chama, ou não. Então, eu te entendo, Máscara. Entendo que queira proteger sua esposa. E acho que agora você entende o que houve naquela nossa luta na casa de Câncer, o ódio que eu senti.
Máscara abaixou o olhar, sentindo-se ligeiramente envergonhado.
– É, eu entendo – ele disse, engolindo em seco. – E sinto muito.
– O que você fez em Tinos redimiu tudo que houve no passado. Tudo.
A essa altura, Shura queria arrancar os cabelos.
– E eu pensando que você ia reprovar a atitude dele! – Shura disse a Shiryu. – Ele ia matar o pai da Fatma no meio da vila!
– Era um homem protegendo sua amada, pelo que entendi – Shiryu justificou. – Quando você amar alguém a esse ponto, entenderá também.
– Não, eu nunca vou entender isso – negou Shura. – É preciso ser racional!
– Eu sei – assentiu Shiryu. – E eu tento ser. Mas em certas ocasiões, é impossível...
– É isso, Dragão – concordou Máscara. – Fico feliz por ter conseguido salvar sua mulher e sua filha.
– Somos muito gratos por isso, tenha certeza.
– E tenho muito orgulho de você, meu amor – disse Fatma, abraçando Máscara da Morte.
– Não começa, Fatinha... – ele pediu, encabulado. Já era demais ter de admitir que ele e o Dragão pensavam da mesma forma, pelo menos em um aspecto.
– Eu tenho orgulho de você por tudo – Fatma continuou. – Por me aceitar, pela Nic, pelo que fez pela Shunrei, pelo que aconteceu hoje, ali me defendendo do meu pai. Tem um coração enorme aí dentro. Você só não gosta de admitir.
– Para, mulher. Que coisa chata…
Milo chegou de carro e parou perto deles.
– Pessoal, vamos lá para a minha casa – ele convidou. – Deu tudo certo na adoção da Grace e vamos comemorar! Quero todo mundo lá!
Máscara da Morte suspirou aliviado pela abençoada chegada de Milo, que interrompeu Fatma.
– Já que acabamos não comendo direito em Rodório – ele disse –, vamos lá comer de graça na casa do Milo!
Continua...
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(1) Não sei como funciona na Grécia, mas para a Justiça brasileira a adoção por tio é um tema delicado, geralmente deferido em casos como o da Grace, que ficou sem a mãe e não se sabe o paradeiro do pai.
(2) A testemunha tem o compromisso de dizer a verdade, sob pena de crime de falso testemunho. Quando tem relação de amizade (ou inimizade) com a parte geralmente é ouvida como declarante, que não presta esse compromisso.
(3) É quando a sentença se torna definitiva, pois acaba o prazo para as partes apresentarem recurso.
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Oi, pessoal!
Mudança de formato de roteiro para narração. Eu realmente estava de saco muito cheio de escrever roteiro… Parecia mais fácil quando eu comecei, hoje se tornou um tormento, me dava um trabalho do cão, era uma chateação… Então, mudei e pronto.
Pretendo reescrevê-la toda e já comecei esse processo, mas vou pegando devagar porque são muitas fics em andamento e a prioridade é delas. E vai dar mais trabalho do que eu pensava, muito mais… ¬¬ Fora a tentação de mudar um monte de coisas que fiz na época e hoje acho meio toscas. Mas pretendo não mexer nisso, só vou tirar o que for realmente muito tosco, desde que não afete as outras fics paralelas.
Com esse processo de reescrever, também entro numa fase de catar tudo que ainda está pendente e resolver, para poder fazer uma grande passagem de tempo.
É isso!
Obrigada a todos que acompanham desde o começo e também aos que chegaram agora!
Até mais!
Chii
