Alex foi a primeira a acordar. Piper ainda dormia, quando ela decidira ir até a cozinha preparar o café da manhã. Com toda sua criatividade criou panquecas com morangos em forma de Papai Noel. As crianças iriam adorar. Estava espremendo laranjas no aparelho, quando, um estrondo a fez pular para o lado. O barulho veio da sala. Ela fez o caminho em passos habilidosos. No cômodo, a árvore da Natal estava caída até a metade. Luminor balançava o rabinho, animado por encontra-la ali. Automaticamente, levantou-a no lugar.

Você só apronta, não é?

O animal deu uma fungada, arranhando o carpete.

Foda-se. – Voltou para o seus afazeres.

Meia hora mais tarde, Benjamin entrou na cozinha de banho tomado, vestindo um pijama de caveirinhas.

Feliz Natal, mamãe. – disse, com animo.

Feliz Natal, baby. – Alex achou graça no tom que ele usou. Deu uma ultima tragada no cigarro e o apagou. Esperou o menino notar a sua arte no prato. Ele demorou um pouco, até que..

Que lindo. É de comer? – seus olhinhos brilhavam.

Depende.

Benjamin ruborizou.

O que?

Você foi um bom garoto?

Não.

Bom, eu prezo a sua sinceridade. – caçoou.

Eu posso comer?

À vontade. – sentou à mesa, comendo uma fatia de torrada. – Quem lhe deu banho?

A mamãe.

Você a acordou?

Não! – falou de boca cheia, enfiando mais panquecas por cima. – Ela estava acordada. Por que a mamãe está chorando tanto? Ela não é mais feliz?

A mamãe está chorando? – perguntou, alarmada.

Sim. O neném tá machucando ela?

Não, Benj. – Alex colocou-se de pé. – Fique aqui, coma direitinho.

Eu posso abrir os presentes? – perguntou, esperançoso.

Agora não.

Sentada na cama, Piper terminava e calçar sua ugg. Seus pensamentos voavam longe e acabavam ficando por lá. Planejou voltar para a cama assim que terminasse de abrir os presentes junto das crianças. O cheiro do perfume de Alex tomou conta do quarto, indicando que ela se aproximava.

Piper!

Piper se voltou para ela, até que seus braços a apertou em um abraço confortável, fazendo seu corpo sair do chão.

Eu estou aqui. – disse, colocando-a ao solo. – Você está bem? – perguntou, sem conseguir conter a curiosidade.

Sim, querida.

Alex sorriu.

Você sabe que pode conversar comigo sobre qualquer coisa. – Piper piscou, e sorriu um pouco. – Eu sinto muitíssimo por não poder arrancar essa dor que você sente, mas, estou aqui para amenizá-la.

Eu preciso ser forte.. Mas como posso ser forte se sou fraca?

Não diga isso, você não é fraca em nenhum sentido. – Alex encostou os lábios com carinho na testa dela, selando um beijo sentido. – Promete que irá ficar bem, Piper, Lennon precisa da sua força.

Eu prometo. – disse ela, decidida.

Hora de alimentar o meu bebê.

Piper contemporizou.

Benjamin comia sua segunda panqueca, respigando cobertura de caramelo por cima da blusa do pijama. Piper torceu o nariz. Maya roçava seus dois pés nos pelos de Luminor, que estava esparramado no chão, despreocupado. Alex serviu bacon, pão de batata, panquecas e cenouras fatiadas no prato de Piper. Um sorriso maroto dançou em seus lábios, ao contemplar a beleza da namorada. Seus espessos cabelos loiros estavam soltos formando uma onda sobre os ombros. Usava uma maquiagem suave, apenas o suficiente para ressaltar seus traços delicados.

Com esse prato, estou me sentindo a Katina do Seaworld. – argumentou, atacando seu digníssimo café da manhã.

Quanto drama. – Alex deu um beijinho rápido nos lábios dela.

Maya deitou a cabeça na mesa, espalhando seus cabelos por toda parte. Piper capturando o mau humor matinal da filha, perguntou:

Maya, o que houve?

Ela permaneceu calada.

Ótimo. Nunu Elfo está de olho!

Eu quero um gatinho. – com agilidade, ela tratou de olhar Piper.

Bem.. Não.

Eu quero um dinossauro. – Benjamin sentou em cima da mesa, sorrindo ternamente.

Tia Alex..

Alex abraçou Piper, fugindo do olhar da sobrinha.

Mamãe disse não, Maya. Seu chocolate quente irá esfriar, tome-o logo. – instruiu, entretanto tudo o que Maya fez foi fazer um bico e balançar a cabeça. Piper esfregou as costas de Alex, prestes a dar uma bronca na menina, porém, a campainha tocou. Luminor disparou seguindo até a porta. – Alex, vá atender..

Estou bem aqui, obrigada. – ela gracejou, dando um beijo no pescoço alvo de Piper.

Eu quero abrir, tá bom? – Benjamin pulou da mesa, fazendo o estômago de Piper se contrair.

Não pule assim, você quer cair e quebrar o braço?

Não. – disse, enrolando a blusa do pijama com o dedo.

A campainha mais uma vez tocou.

Vá. – ela o liberou.

Maya desfez a cara armada, e tomou o chocolate.

Ho-ho-ho! – Nicky cantarolou, arrastando um saco vermelho.

Benjamin soltou uma risada marota, o que fez Piper e Alex olhar na direção da recém-chegada. Nicky usava uma roupa temática de Papai Noel, com direito a barba e gorro.

Tia, eu sei que é você.

Sun, você é uma estraga prazeres. – puxou a barba, chateada. – Feliz Natal. – desejou, contrariada.

Por um minuto Alex encarou a irmã, será que ela pensou mesmo que enganaria alguém vestida daquele jeito?

Nicky, sinceramente?

Sem presentes pra você, Alex. – se adiantou.

Ela estava parecidíssima, Alex. – Lorna comentou, deixando Alex sem saber se ela zombava ou falava a verdade.

Deu de ombros, e voltou a abraçar Piper. O abraço dela era tão pacífico, a sensação se aprofundava quando ela fazia círculos com a palma da mão em suas costas.

Todos na sala em dois minutos. – Nicky avisou.

Os pequenos a seguiu até o outro cômodo, deixando Alex e Piper a sós.

Eu preciso levantar, Alex.

Vai trocar o meu abraço pelos presentes da minha irmã?

Piper não podia ver o seu rosto, mas arriscaria um palpite de que uma linha de expressão se formava na testa da morena.

O que eu posso fazer? Adoro presentes! – ela brincou, recebendo um apertão de Alex.

Não quero te soltar, amor.

Aleeeeeex! – O grito de Nicky ecoou pela casa toda, morrendo na cozinha.

Temos visitas, Al. – deu um tapinha amigável no ombro dela.

Merda. Irei afundar a cabeça dela na neve. – levantou, fazendo pouco caso.

Nicky era uma caixinha de surpresas. Piper não aguentou e morreu de rir quando ela presenteou Alex com um quadro, em que a morena estava sentada em cima de um porco, por volta de uns quinze ou dezesseis anos. A foto era uma relíquia. Alex estava bem melhor agora, Piper admitiu para si mesma, ao abraçar o corpo dela deitado com cuidado sobre o seu entre as almofadas do sofá. Dentro daquele saco vermelho havia tantas coisas, que Piper nunca viu em toda sua vida. Benjamin ganhou um dinossauro de controle remoto, como mãe, ela sabia que duraria até o dia seguinte, ou por dois dias, se o brinquedo desse sorte. Maya foi presenteada com uma caixa enorme, matando todos de curiosidade para saber o que havia dentro dela. Seus olhos ganharam um brilho ímpar quando a tampa fora retirada. Ela se inclinou apanhando o conteúdo, e para a surpresa de Piper.. Um gato! O bichinho era uma bolinha branca, com os pelos lisos. Impossível não se apaixonar. Ele soltou um miadinho fraquinho, piscando os olhinhos azuis.

Eu não acredito!

Piper, sossega a sua perseguida aí. – Nicky tirou um embrulho azul, e a entregou jogando em cima da cabeça de Alex, propositalmente.

Nicole! Eu vou afundar sua cabeça na neve. – ela disse, ignorando o presente em cima de Alex.

Baby, entra na fila.

Alex, olhe aquilo.. Maya ganhou um gato!

Alex espiou a sobrinha com um gatinho adorável entre os bracinhos. Luminor a rondava, tentando cheirar o mais novo integrante da família.

É uma gatinha, P!

Eu quero um dinossauro que faz miau, mamãe. – Benjamin já abria a boca para chorar.

Iremos providenciar um Benjamin. – Lorna mentiu docemente, e obteve sucesso.

Lorna, querida..

Piper eu juro que não sabia do gatinho.

É uma gatinha, amor. – Nicky concertou, fuçando o saco.

Lorna sacudiu a cabeça, com cinismo no olhar.

Eu estou tão feliz. – Maya distribuía beijinhos na cabecinha da gatinha. – Eu a chamarei de Lollita!

Parece um nome de striper. – Piper murmurou, balançando a cabeça.

Nicky e Alex se olharam, como se estivessem ensaiado o ato. As duas entendiam melhor do que ninguém o intrínseco daquela palavra.

Ela será como uma irmã.. – continuou Maya. – Agora que terei três irmãozinhos.

Alex sentiu a vibração de desconforto vinda do corpo de Piper. O brilho dos olhos azuis foi substituído por lágrimas.

O miado da felina ganhou força e a atenção dos demais.

Piper piscou repetidamente, para de esconder as lágrimas. Seus dedos habilidosos abriram o presente que Nicky lhe entregou. Um par de sapatinhos azuis com uma pequena pedrinha no meio brilhou perante o seus olhos.

São diamantes. – Nicky fincou os cotovelos nos joelhos, olhando-a.

Você é maluca, eu adorei.

Alex enfiou os dedos em cada sapatinho, mexendo os dedos.

Porra, esse sapatinho é lindo.. E caro, aposto.

Alex, desfrute de seu quadro.

Nicky, eu comprei um presente maravilhoso pra você, mas estou arrependida.

A campainha novamente soou.

Eu abrirei. – Lorna anunciou.

Piper recuperou os sapatinhos dos dedos de Alex, e os guardou.

Tudo bem? – ela sentou, cruzando as pernas.

Tudo, Alex. – Garantiu, selando os lábios dela.

Eu te amo Maria Mijona.

Diga isso outra vez e irei arrancar a sua cabeça para fazer um boneco de neve.

Ok, por mim tudo bem. Desde que me leve para dormir com você. – Alex avisou, ao mesmo tempo em que Piper encostava a cabeça em seu ombro.

Vocês duas são tão bonitinhas juntas. Irei montar um fã-clube na internet. – Nicky sorriu maliciosamente.

Explicando que Piper é a passiva, não tem problema.

Você tem cara de passiva, Alex.

Piper riu sem emitir som, e beijou a bochecha de Alex demoradamente. – Bem feito. – cochichou em seu ouvido.

Bom dia minhas queridas. – Red retirou as luvas, com um sorriso incomum nos lábios.

Bom dia, Vermelhinha.

O que esta energúmena faz vestida de Papai Noel? – Perguntou, cumprimentando Piper com dois beijinhos.

Nicky fez uma falsa careta, como se estivesse ofendida.

Vovó, eu quero um daquele. – Benjamin apontou o gatinho no colo de Maya, e baixou o olhar, tristonho.

Ora, quem lhe deu um gato Grace?

Tia Nicky, vovó.

Red fuzilou Nicky com os olhos.

Você é doida igual seu pai.

Me orgulho disso. – ela disse, jogando uma linha de tricô nos braços de Red. – Você vai tricotar coisas lindas, vozinha.

Piper querida, você tem se sentido bem?

Nicky fez um gesto com os ombros, sentando Lorna em seu colo.

Sim, Red. Obrigada por perguntar. – mentiu, mas não foi tão ruim assim, se contasse a verdade, teria mais motivos para se sentir mais triste do que já estava.

O tempo foi passando rapidamente naquele dia. Maya, Benjamin e Lennon ganharam mais presentes, cada um de acordo com sua idade. Nicky e Alex levaram as crianças para brincar na neve, Luminor os acompanhou. Taystee apareceu com Vee horas depois, carregadas de presentes. Piper nunca recebeu tantos presentes em um único dia. A maioria deles era para Lennon. Tarde da noite, a casa toda estava em silêncio. Alex a envolvia no calor de seus braços, murmurando palavras gentis em seu ouvido. Não estavam dormindo, apenas desfrutando da companhia uma da outra. De repente, um miado ruiu na calada da noite. Alex sorriu. Silêncio. Outro miado. Piper a olhou.

Eu juro por Deus-

Não, amor. – prendeu um riso.

Miado.

Olha, eu-

Chapman!

Você quer deixar eu me expressar?

Outro miado.

Porra, não. – com a mão direita, ela empurrou um pouquinho à cabeça de Piper para baixo, beijando o coro cabeludo, na sequencia. – Eu te amo.

Você é incorrigível.

Alex gargalhou. Lollita miou outra vez.

Não sou incorrigível, só estou apaixonada.

É claro que está.

Silêncio.

O que será que Maya está fazendo para mantê-la calada?

Eu não sei, mas espero que ela continue. – Piper suspirou, fechando os olhos.

Um miado pareceu explodir dentro do quarto.

Alex, olha-

A Nicky é uma puta! Não sei como ela encontrou aquela minha foto em cima daquele porco imbecil. – mudou de assunto. – Nós estávamos na fazenda de vovó na Rússia, e ela disse: Alex monte em um porco, que lhe darei a minha mesada por dois meses. E porra, achei aquela merda fácil demais. Mas o porco era maluco, e impossível de segurá-lo. Eis que minha beleza o encantou, e eu subi em cima dele. Vovó pediu para que a mulher de Joe fotografasse aquele momento histórico.

Incrível. – Piper sorriu. – Mande aquele gato embora.

Piper, é sério?

Muito sério.

Amor você nem levou em consideração o que eu relatei.

Eu aposto que foi uma experiência e tanto, mas, precisamos dormir.

Boa noite, eu te amo tanto.

Alexandra!

Alex virou a cabeça para cima, pedindo paciência à todos os anjos.

Piper, a gatinha parou. E você quer facilitar assim? Maya tem que aprender a ter responsabilidades. Ela não queria aquele maldito bicho? Agora ela vai entender as consequências de suas escolhas. – Piper lançou um olhar perplexo em seu rosto.

Eu amo dormir em silêncio, mas você está certa. E tire esse sorriso idiota do rosto;

- Obrigada por concordar. Eu te amo.

Eu também.

Eu também? – olhou-a. – Tem que dizer a frase.

Eu te amo, Alex Vause.

Melhor impossível, baby.

Trocaram um beijo de boa noite, e dormiram em seguida.

Xxx

Amor, vai se atrasar. – Alex gritou de dentro do quarto.

Só estou retocando o meu batom, que você fez o favor de borrar. – respondeu.

Venha cá, Piper.

Um minuto. – deu uma olhada em seu visual. Usava um vestido de corte reto e discreto na cor branca, um salto baixo a deixava um pouco mais alta, e aquilo não fazia sentido. Caminhou até o quarto. Alex a esperava sentada na cama, vestida com um macacão branco, apertado. Piper soergueu uma sobrancelha, amaciando a sua fome de devorá-la. Seria arriscado transar nessa altura da gravidez, o médico deixou claro quando prescreveu sua alta. – Pronto!

Você está maravilhosa, baby. – Alex puxou-a, fazendo com que ela sentasse em seu colo. Piper contornou seu pescoço com o braço. – Uma pergunta boba.. – hesitou duramente, mas precisava questionar. – O médico disse que você teria sangramentos.. Isso aconteceu?

Piper molhou os lábios com a pontinha da língua, e levantou do colo dela.

Por que essa dúvida agora?

Amor, eu só quero saber.. – num salto, Alex se aproximou.

Mamãe, estamos prontos. – Maya segurava a mão de Benjamin.

Certo! – Piper caminhou na frente.

A virada do ano foi comemorada com champanhe e vinho branco na casa de Red. Apenas os mais íntimos da família compareceram. Alguns russos que Red considerava da família marcaram presença. Alex conversava em russo com a maioria, deixando Piper orgulhosa e.. excitada. Ela deteve os desejos sexuais se afastando da namorada. No salão, alguns casais dançavam juntos uma musica mais lenta.

Perdida, Chapman?

Oh! – ela levou a mão ao peito. – Bennett!

Desculpe.. Eu a assustei?

Nah! – sorriu.

Você me daria à honra de uma dança? – inquiriu, fazendo um gesto um tanto cortês.

Piper o encarou por longos minutos.

Tudo bem. – aceitou a dança. Bennett segurou em sua cintura com uma mão, e com a outra, entrelaçou os seus dedos nos dele. A música ia mudando, mas sempre no mesmo ritmo, lento. Piper acompanhava os seus passos, com leveza.

Com licença. – A voz de Alex entrou no meio da dança.

Bennett parou os passos, e a olhou.

Sim?

Posso roubar a minha mulher por alguns longos minutos?

Piper neste momento riu.

Bem.. Oh, claro.. claro. – Bennett respondeu totalmente sem jeito, se afastando.

Isso não foi legal, Miss Chapman. – Alex disse ao pé do ouvido dela. – Esse cara é um tarado.

Para de falar assim, sua voz está sexy pra caralho. – Piper comentou, cautelosamente para que ninguém além de Alex pudesse ouvi-la. – E eu estou louca para fazer amor com você, mas não podemos. Nem um sexo oral, nem mesmo uma simples estimulada no clitóris.

Alex entortou os lábios, em um sorriso sensual. Piper teve vontade de soca-la. Em vez disso, a beijou, movendo seus corpos com a sintonia da música.

Eu sou louca por você.. Maluca, alucinada. – Alex disse, entre um beijo.

Piper encostou a testa na dela, olhando no fundo daquelas esmeraldas que tanto amava. – Eu te amo. – sorriram juntas. – Fiquei feliz em saber que sou sua mulher.

E eu inocente achando que você sempre soubesse.

Você é desprezível. – disse, escondendo o rosto no pescoço dela.

Eu sei. Mas você me ama, querida. – sussurrou, deixando Piper toda arrepiada.

Você está fazendo de novo, Vause. Eu posso gozar só de ouvir essa sua voz cafajeste..

Tente. – Alex sorriu para outros convidados, sem vontade. Desfrutava de sua educação, apenas.

Não. – protestou, recebendo um beijo quente entre o queixo e a bochecha.

Tudo bem, mamãe.

Porra, Al.. Pare. – Piper censurou-a.

Já desisti de te fazer gozar, Pipes. – outro sorriso ressurgiu em seus lábios, dessa vez era para Nicky que, dançava com Lorna e Benjamin entre elas. Piper cravou a unha em sua cintura. – Até Lennon nascer, amor.

Não me provoque, Alex. Não sou de ferro. – grunhiu. – Minha cota de dançarina já se esgotou. Preciso sentar um pouco.

Será que eu posso te deixar um minuto sozinha sem que apareça um cara paspalhão convidando-a para dançar?

Antes de responder, Piper sentou no sofá do salão. A luz estava baixíssima, e o ambiente todo iluminado por pequenas tochas.

Não quero que me deixe. Você já socializou demais, e tem dois amigos de Red que não tiram os olhos de seu traseiro. – observou, divertida. – Eu não os culpo, sinceramente.

Você é tão observadora – Alex disse gentilmente, segurando na mão dela.

Todos ergueram suas taças ao alto, comemorando a entrada do novo ano. Benjamin assim que ouviu os fogos vindos do jardim, correu para os braços de Nicky que estava em um canto mais afastado conversando com Alex. Lorna explicava algo à Piper, gesticulando as mãos, e no final riam divertidas.

Olha Alex, em toda a minha vida eu nunca te imaginei fazendo isso. – Nicky virou o restinho de sua bebida na boca, depois da confissão de Alex, ela simplesmente sentiu o corpo todo tenso. – Já te imaginei transando no ar, tipo a Britney Spears no clipe Toxic. – Alex sorriu. – Agora isso.. É muito louco, porra. Você vai contar à Piper? Ou será outra de suas surpresas?

Eu estou contando com você, e é esse o seu apoio? Esperava mais. E respondendo a sua pergunta, não irei contar nada, quero que dê certo. Iremos amanhã a clinica, tentarei por uns dois meses.

Você tem certeza disso? – perguntou, soltando Benjamin, os fogos haviam parado.

Definitivamente.

Francamente, espero ver esse progresso de perto.

Nicky, esse será nosso pequeno segredo.

Se você não dissesse, eu não saberia. – debochou, andando até Lorna e Piper.

XXX

Piper enfiava uma colher atrás da outra na boca de Brinn. Polly falava ao celular, explicando ou xingando alguém em espanhol. Ela estava ali para almoçarem juntas, mas o plano foi por água abaixo. Estava frio demais lá fora, e a neve dificultava a movimentação dos carros na rua. As crianças estavam vendo filmes na brinquedoteca. Alex havia saído com Nicky, as duas estavam saindo juntas duas vezes por semana, isso já completara um mês. Piper suspeitou de algumas coisas, mas a própria Alex disse que eram assuntos da empresa.

Piper, sua barriga está tão enorme. – Polly desligou o celular, jogando-o em cima da mesa.

Eu tenho me olhado ao espelho. Mas obrigada pela observação. – afastou da mesa. – Olhe essa menina, ou ela pulará.

Polly olhou a filha com cara de nojo. Seu rostinho estava todo melecado de comidinha.

Você faz uma sujeira dos infernos, Piper.

Qual a graça de comer e não se lambuzar? – inquiriu, secando as mãos em um pano.

Ela precisa de um banho.

Brinn balbuciou alguma coisa, era como se dissesse que não.

Isso é verdade. – Piper confirmou. – Taystee está feliz com a livraria.

Eu sinto muito por ter que abandoná-la. Mas preciso desse novo emprego. Você não vai acreditar no que tenho para dizer..

Ela cuidará muito bem dos negócios. – riu. – Certo, conte-me..

Estou com suspeita de gravidez.

Piper abriu a boca e fechou.

Isso é impossível.

Brinn tem quase um ano e dois meses.

Polly, Jesus!

É bom demais, Pete tem um apetite sexual incrível.

Ew! – ela fez uma careta. – Porra. Eu não posso nem falar nada, né?

Um abraço pela sua sinceridade. – disse, e a abraçou. – Ainda pretendo ter mais dois filhos.

Certo. – Piper saiu da cozinha ainda falando. – Eu preciso me sentar, estou ficando nauseada com essa sua ideia maluca.

Alex chegou em casa no fim da tarde. Piper estava sentada lendo um livro, ouvindo músicas de fundo. Deu a volta por trás do sofá, e se sentou.

Estou congelando. – revelou, e deu um beijo nos lábios de Piper.

Vá tomar um banho, querida. – sugeriu, prendendo o dedo na página do livro.

Alex a olhou.

Que tal-

Não. – se apressou em dizer.

Um convite desses ninguém recusa. – tirou a blusa de frio, dobrando-a. – E as crianças?

Já foram dormir. – mordeu a pontinha da língua para não dizer mais nada.

Que ótimo. – Levantou-se e caminhou até o banheiro. Sentindo que precisava relaxar, encheu a banheira com água morna, colocou alguns sais aromáticos e espuma de banho, tirou a roupa e deliciou-se com aquele banho. Desde que começara o tratamento com Nicky, em hipótese alguma pensou que fosse obter sucesso de imediato. Era uma escolha única, sem dúvidas uma das melhores coisas do mundo. Ela sabia que Piper iria ficar surpresa, e não magoada. Meia hora depois, uma batida na porta do banheiro a fez acordar, uma vez que tirara um breve cochilo.

Entre!

Piper entrou segurando duas xícaras com chá de maçã e canela. O cheirinho apoderou-se do ar, tomando o lugar do cheiro de sais de banho.

Curtindo o seu banho quente? – ela estendeu a xícara para que Alex a pegasse.

Eu prefiro um banho fervente. – enfatizou, aspirando a fumacinha de sua bebida. – Eu te amo.

Há! – Piper sentou na pontinha da banheira, e não entendeu o porquê de tanta espuma ali. – Você leva a serio mesmo essa coisa toda de espuma, né? – Afundou a mão na água, e a sentiu esquentar a palma de sua mão na hora.

Entre, não irei abusar de você. Palavra de Alex Vause.

Esse é o meu medo. – bebericou, de olho nela.

Alex depositou a xícara no canto plano da banheira, e fez o mesmo com a de Piper. Com habilidade, tirou o roupão que ela vestia.

Você precisa ter mais fé em mim, Piper.

Alex, você nunca aceita um não como resposta? – ajudou-a naquele longo processo.

Não quando sei que você precisa de um banho quente.

Piper sentou na banheira devagar, Alex sem perder tempo, a abraçou de frente, apoiando o queixo no ombro dela.

Agora meu banho está completo.

Piper concordou, sorrindo impassível.

Você está tão calada, o que houve? – Alex perguntou, olhando em seus olhos.

Estou exausta. Esse bebê tem judiado de mim. Ele esteve agitado durante toda à tarde. – comentou, com voz sondada.

Você não quer ir ao médico?

Não Alex! – exclamou com a voz curta e grossa.

Amor, faz quase dois meses.. Você não vai ao médico desde-

Te espero na cama. – ia levantando, mas Alex a impediu.

Não vou mais insistir, Piper. Só quero que saiba que eu me preocupo..

É evidente.

Alex devolveu com um sorriso.

Nicky quer preparar seu baby shower.

Nós já conversamos sobre isso. – lembrou-a, unindo uma quantidade generosa de espuma nas mãos, antes de assoprar no rosto de Alex, moveu as sobrancelhas.

Piper! – ela cuspia toda a espuma que entrara em sua boca, quando sentiu o bebê pressionar a sua barriga através da de Piper.

Uow! – ela gemeu, e mordeu o lábio.

O que foi isso?

Não sei, mas não foi legal. – encostou as costas na borda da banheira.

Baby.. – Alex a olhou, desconfiada.

Depile as minhas pernas, estão horríveis.

Olharam-se, e não puderam conter uma risada animada.

Porra, que coisa mais estranha.

Vá á merda, Alex. – sorriu pela última vez. – Eu levaria muito tempo para conseguir fazer isso sozinha. Tudo o que você precisa está no gabinete da pia.

Alex levantou, indo a procura dos intens. Piper a devorou com os olhos. Uma nova pontada em seu ventre a fez prender a respiração. Instantes depois, Alex ergueu uma de suas pernas e espalhou o gel por toda a extensão da pele, deslizando o aparelhinho devagar para não cortá-la.

Você é boa nisso, Alex.

Prática.. – finalizou.

Ah é?

Em mim, amor. – explicou. – Barba?

O que? – Piper não havia entendido.

Você não quer fazer a barba agora?

Se for aquela barba, enfie a mão ai embaixo, e verá que não precisa.

Alex riu, cerrando os olhos.

Você é fofa.

Alex saiu do banheiro naquela noite usando um baby-doll de cetim preto, coberto por um robe curto da mesma cor. O modelo era bem discreto, mas bastante sexy, pois o tecido não revelava as curvas de seu corpo escultural. Com muita complexidade, Piper desviou os olhos daquela tentação. Ela finalmente retirou o robe e deitou-se na cama.

Boa noite, meu amor.

Boa noite, querida. – Piper com alívio, apagou a luz. Mesmo no escuro ela não conseguia esquecer a visão do corpo de Alex.

Estava falando com Lennon.

E eu respondi por ele. – Alex a abraçou, e um arrepio percorreu seu corpo. Encolheu-se nos braços dela.

Piper sentiu as primeiras contrações. Passava de uma da manhã. Um espasmo a fez inclinar o corpo para aliviar a dor. Até o momento, pensou que fosse aguentar mais um pouco. Quando grávida de Maya, as contrações duraram um dia inteiro, e ela foi nascer no dia seguinte. Outra contração a fez ficar assustada. Alex dormia pesadamente. – Merda! Ai.. – exclamou gritando, ao sentir uma nova contração. O pânico se intensificava de acordo com a dor. – Alex.. – chamou-a diversas vezes, até que ela acordasse.

Calma amor. – Alex vestia uma calça de pijama, e uma blusa de frio por cima. – respire devagar.. Irei ligar para Nicky. – saiu apressada do quarto.

Ai! Deus, do céu! Meu filho, espere. – Piper esfregou o ventre, ao levantar e enfiar os braços dentro de um casaco.

Baby, calma.. Respire.. – Alex estava tão apavorada, que por ora era cômico.

Alex, está tudo bem, relaxe. – sorriu com enlevo. – Eu só preciso chegar ao hospital. Você está tão nervosa, querida. – afirmou, passando a mão em seus cabelos negros.

Eu não estou nervosa e sim ansiosa. Irei conhecer o meu segundo garoto preferido.

No hospital, Piper prosseguiu em trabalho de parto durante a madrugada inteira. Pela manha, ela estava muito exausta. Alex estava do seu lado, lhe afagando a cabeça, já que os dedos ela quase os quebrou enquanto sentia as contrações. Quase às oito da manhã, um médico veio examiná-la. Alex ficou embaraçada ao vê-lo olhar entre as pernas de Piper, que no momento não ligou, pois estava concentrada em sua dor.

Irá demorar mais um pouco. – o médico disse. – Senhorita Chapman, por que você não vai dar uma volta pelo hospital? Pode acelerar o processo.

Oh! Jesus! – ela gemeu, e segurou os dedos de Alex. – Você está brincando?

Alex sentiu uma dor miserável, e gemeu baixinho. Quando Piper soltou-os, ela abriu e fechou a mão rapidamente para o sangue voltar a circular.

A dilatação do colo do útero está progredindo. – garantiu.

Isso vai demorar? Ela está com dor, e pode não aguentar muito tempo. – Alex não estava mais aguentando vê-la gemer de dor, e esmagar seus dedos.

Iremos monitorar os batimentos cardíacos do bebê. – ele disse, mas Piper o impediu. – É preciso, nós só iremos verificar os batimentos, nada mais do que isso.

Não! – ela insistiu, encolhendo os dedos dos pés. – Puta que pariu, esse menino vai me pagar.

Alex e o médico sorriram.

Eu não vou aguentar.. Por favor, tire essa coisa de mim, eu irei empurrar.

O médico a examinou mais uma vez, e Alex fechou o cenho. Ele saiu sem nada dizer e depois voltou com duas enfermeiras, Piper estava suando, e pronunciando coisas sem sentido. Quinze minutos depois, ela empurrava com toda a força, ajudando no parto. Alex preferiu ficar segurando em suas mãos, os dedos já não eram mais sentidos naquele momento crucial. Piper chorava, e dizia que não iria conseguir. O médico lhe pedia para continuar. Ela respirou fundo e empurrou com força.

Continue, eu estou vendo a cabeça dele.

Puta merda. – Alex fez uma careta, chamando por Nicky em pensamentos.

Piper respirou outra vez e empurrou, no exato momento em que o bebê abandonou seu ventre. O chorinho desesperado tomou conta da sala de parto. Alex deixou que a emoção tomasse conta do momento, e acabou chorando junto do filho. Piper sentiu sua cabeça palpitar de dor.

É um menino! – O médico ergueu o pequeno no ar para que ambas o vissem, e o passou para uma das técnicas de enfermagem o limpar. – Você precisa empurrar novamente..

Piper desejou morrer naquele momento. Alex prendeu o choro, sentindo toda a dor dela naquele momento.

Vamos! Empurre! – o médico pediu, paciente.

Querida.. Coragem! Vai ficar tudo bem.

Eu não posso.. – ela chorava com pesar.

Vamos, lá.. Empurre. Iremos terminar isso de uma vez logo, creio que vocês querem conhecer o bebê.

Piper voltou a repetir o longo processo. Era torturante, mas ela sabia que precisava dar um fim naquela dor de uma vez. Alex beijava sua cabeça com cuidado, suas lágrimas molhavam os seus cabelos, não que fizesse diferença, eles estavam molhados de suor.

Força, mamãe! – O médico a encorajou.

Um chorinho tímido tomou conta da sala toda, diferentemente do primeiro choro.

Alex sentiu um soco no estômago, e foi levantando a cabeça devagar. Não era possível. E não era mesmo.

É outro menino! – o médico disse.

Alex.. – Piper disse, antes de fechar os olhos.

Aquilo não estava acontecendo, ela estava sonhando, e iria acordar em instantes ao lado de Piper na cama em seu quarto.

Ela está bem, só fez muita força. – Uma enfermeira disse, se referindo à Piper.

Dois.. Dois bebês?

Sim. – o médico falou sorridente. – São dois meninões.

Eles estão.. Os dois.. Vivos? – ela estava em choque, ao escutar os choros dos dois bebês, seus pulmões eram potentes.

Filha, você está alucinando? – ele perguntou.

Meus bebês estão bem? Eles estão vivos? – Ela invadiu o espaço pessoal do homem, e não deu a mínima para as suas luvas cheias de sangue. Seus olhos buscaram os dois bebês peladinhos, agitando as perninhas no ar, enquanto seus punhos estavam fechados, socando o nada. – Eu não.. – Alex não disse mais nada, parou diante os dois bebês e chorou. Aquilo era impossível, o médico garantiu que um dos bebês morrera devido ao acidente. Lennon recebeu uma pulseirinha azul em seu tornozelo, com o numero 01, o segundo bebê chorava, e enfiava a mãozinha minúscula na boca, em sinal de fome. Alex o pegou com cuidado, e beijou sua cabecinha com vontade, a mulher que o limpava implicou, mas a cena acabou amolecendo o coração dela. O menino chorava, resmungando de fome.

Como isso é possível? – iria buscar por respostas, mas não no momento. O bebê era tão gordinho, ele abriu os olhinhos se acostumando com o ambiente um tanto estranho, piscou algumas vezes, e voltou a chorar.

Eu preciso limpá-lo, senhorita.

Ela entregou o filho para a mulher, e secou as lágrimas. Lennon não era chorão igual o irmão, ele apenas tinha o choro mais potente, porém, não estava a fim de prosseguir com o chororô. Tudo o que ele fez foi fechar os olhinhos, e comer sua mãozinha, como o irmão.

Alex.. – Piper a chamou, com a voz abafada.