O Ezra despediu-se dos pais e do irmão mais novo. "Tira os próximos dois dias para gastar com a Aria." Diz o pai dele.

"Obrigado pai." O Ezra estava muito animado, ele abraçou o pai.

Eu abracei todos também. "Adeus, voltem sempre que quiserem." Digo-lhes. Eles são pessoas muito amáveis e eu tenho sorte de os ter por perto. Eles saíram e os empregados fecharam o portão, eu olhei para o jardim que também estava a ser limpo por uma quantidade generosa de pessoas. Eu olhei para o resto da visão da casa e voltei-me para o Ezra. "Estamos oficialmente por nossa conta. Nem posso acreditar." Digo com um sorriso.

"Nem eu." Ele diz abraçando-me. "Agora posso fazer isto…" Ele beijou-me. "Todas as vezes que quiser, na frente de todo o mundo." Eu sorri e beijei-o de volta. O meu sorriso foi ainda maior e provocou a mesma reacção no Ezra. Ele pegou a minha mão entrelaçando os dedos. "Vamos entrar? Vou pedir a uma das empregadas para te ajudar a remover o vestido." Ele diz. Ele olhou para o relógio de bolso. "Podes dormir um pouco até ao jantar."

"Não… eu não quero dormir, quero passar tempo contigo." Ela diz amorosa quase numa suplica.

Eu passei a mão pelo seu rosto. "Eu vou estar contigo para sempre Aria, ser agora ou daqui a uma hora vai ser igual. De qualquer forma eu não estava a pensar deixar-te sozinha."

"Então vais ficar comigo?" Ela pergunta.

"Sim eu vou, estou cansado… eu não consegui dormir a noite passada." Admiti. Eu não consegui parar de pensar nela e no facto que podia parar de me esconder ou de vigiar a porta cada vez que estava sozinho com ela. Era um alívio muito grande poder agir na conformidade. Agir como dois amantes, sem restrições.

Uma das empregadas habituais seguiu a Aria até ao seu quarto de solteira para remover a roupa mais à vontade e vestir uma camisa de dormir. Eu fui até ao nosso quarto. A Aria tinha colocado um grande esforço na sua decoração e estava incrível. Eu abri várias gavetas da cómoda, eu sabia onde estava a minha roupa, mas não sabia onde esconder o que a Rose me deu.

Alguns minutos depois encontrei uma forma de colocar o envelope escondido atrás do grande espelho de parede. Era melhor trocar-me se não a Aria iria suspeitar. Removi e dobrei a roupa deixando-a sobre uma cadeira de apoio, uma empregada saberia o que fazer com ela mais tarde. Fiquei em camisa e calças de pijama. Pouco depois a Aria espreitou da porta. "Posso?" Ela pergunta.

"Este também é o teu quarto Aria, aliás, esta é a tua casa não tens de pedir permissão." Eu disse com um sorriso.

"Sim… é verdade." Ela entra apoiada na bengala. "Eu ainda não tive oportunidade de dizer como achei ridícula toda aquela situação da separação dos bens." A Aria diz passando a mão pelo cabelo agora solto e penteado. A camisa dela era longa à semelhança das que me lembrava, mas esta tinha mais rendas e era totalmente branca.

"Não fez diferença Aria. Como disse, eu casei pela pessoa incrível que tu és e não pela fortuna que tens." Eu disse com honestidade.

Eu aproximei-me dela e penteei o seu cabelo para trás da orelha. "Ainda assim foi desagradável." Ela sussurra.

"Esquece isso, vamos descansar um pouco." Olhei para o relógio sobre a mesa de cabeceira, são 17h50, temos até às 19h30 para uma boa sesta antes de jantar.

Ela concordou e encaminhou-se para a cama, eu segui-a e deitei-me ao lado dela como tínhamos feito tantas vezes antes. Algo me fazia sentir diferente, não é proibido e posso estar perto dela sem a desrespeitar. Ela olhou para mim quando nos cobri com uma manta que estava em cima da cama. Não tínhamos de desfazer a cama para uma simples sesta. "Vira-te querida." Eu indiquei-lhe, ela fez isso sem dizer nada e ficou de costas para mim. Eu aproximei-te dela e abracei-a por trás. O corpo dela aconchegou-se naturalmente contra o meu. Ela era tão pequena… "Está bem assim?" Perguntei.

"Perfeito." Ela bocejou, a respiração foi ficando mais calma tal como a minha até ambos adormecermos assim.


Acordei com um leve bater na porta, a Aria não despertou, mas a pessoa do outro lado bateu novamente. Ela mexeu-se, mas ainda assim não acordou. Olhei por cima do ombro para ver que eram 19h50. É tarde… o jantar seria às 20h. Quer dizer… agora são as nossas regras… não temos de nos apressar.

Levantei-me contra a minha vontade para atender a pessoa insistente do outro lado da porta. Abri para revelar o Paul, ele parecia um pouco desconcertado com algo. "Paul."

"Sr. Fitzgerald, o jantar será servido em breve pensei que gostaria que o avisasse. Nós não sabíamos quando queriam o jantar então fizemos no horário habitual. Devo chamar alguém para ajudar a senhora Aria?" Ele pergunta.

"Fizeram bem em manter o horário. Por favor, trata-me apenas por Ezra. Sr. Fitzgerald apenas me lembra o meu pai."

"Sim senhor." Ele diz.

"Eu vou acordar a Aria, ambos estávamos muito cansados e dormimos tempo de mais."

"Devo chamar alguém para ajudar?"

"Hmm… não é preciso, nós já descemos."

"Certo, com licença."

"Paul?"

"Sim?"

"Não precisas ser tão formal, ainda somos amigos depois de tudo."

Ele sorri e concorda com a cabeça antes de ir. Eu voltei a entrar fechando a porta. Peguei o meu roupão e o da Aria. Vesti o meu e voltei à cama. "Aria?" Sussurrei. Mexi na mão dela na esperança de a acordar suavemente. Ela apertou a minha mão gentilmente e eu beije os seus dedos. "Hora de acordar Aria."

Ela moveu-se a abriu os olhos suavemente. Ela pareceu confusa por alguns segundos, mas depois sorriu. "É muito agradável acordar contigo ao meu lado." Ela diz sentando-se. Ela olhou para o relógio. "Meu Deus… é hora de jantar… ainda devo trocar de roupa…"

"Sobre isso…" Eu entreguei-lhe o roupão dela. "Não faz sentido trocarmos de roupa agora, quando terminarmos a refeição voltaremos." Eu disse.

Ela concordou e vestiu o roupão. Ela saiu da cama com o apoio da bengala. Abri a porta para ela e ajudei-a a descer a escada.

"Eu vi tão pouco a Amora hoje." Diz ela.

"Ela deve estar com as empregadas ou o Paul." Eu disse.

Nós terminámos de descer e entrámos na sala de jantar. Dois pratos estavam colocados juntamente com todos os talheres e copos que julgaria ser de cristal. O Paul entra no momento. "O jantar será servido agora." Ele diz.

"Paul? A Amora?" A Aria pergunta ocupando um lugar e eu fiquei na cabeceira da mesa, agora sou o chefe da casa. É tão estranho.

"Eu vou trazê-la senhora. Ela dormiu durante o dia e passou o final da tarde no jardim." Ele informa-a.

A Aria parecia satisfeita. "Sim, traga-a por favor." Ela diz educada.

As empregadas entraram imediatamente e serviram os pratos por nós. Quando elas saíram o Paul voltou com a Amora que ganiu quando viu a Aria e agitou-se para chegar a ela. A Aria sorri e eu também. A Aria agarrou nela e deixou-a no colo, ainda assim a cadela estava eufórica. "Tem calma, eu estou aqui baby." A Aria diz.

Eu sorri. "Eu acho que ela está muito empolgada por não te ver o dia todo."

"Eu não vou voltar a fazer isso, vamos passar muito tempo juntas." A Aria diz.

"Estou a ficar com ciúmes." Digo.

A Aria olha para mim. "Também passaremos muito tempo juntos Ezra. As noites serão sempre tuas." Eu notei que ela corou um pouco quando disse isso.

Ela pareceu um pouco tensa… será que ela teme esta noite?


(shanalystuff. tumblr. com) Publiquei as imagens deste capítulo!

Muito obrigado EzriaBeauty! ;) Pelo menos o calor deu umas tréguas, não sei se aguentava mais. E no próximo capítulo sou eu que vou fazer aquecer o ambiente :P

Espero que tenham gostado! Muito obrigada por lerem e pelo apoio! Até ao próximo capítulo! Beijinhos!