Discleimer: Inuyasha e Cia. Não me pertencem, mas a história sim.

O dinheiro não traz felicidade. Me de o seu e seja feliz. :D

Ela é o cara.

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Continua a contagem regressiva.

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Certa vez o conceito de loucura foi definidito como o ato de persistir, por repetidas vezes, numa ação irracional.

Observando por esse ponto de vista acho que se pode dizer que eu, perguntando para Inuyasha sobre se ele já havia ou não falado com Kikyou, de certa forma o incitando a isso ainda que quisesse impedir aquele momento com todas as fibras de meu ser — notou aí a irracionalidade? — como alguém um tantinho instável mentalmente.

Ainda que não tenham sido exatamente essas as palavras que Kikyou usou para se referir a mim quando eu voltei a procurá-la depois que finalmente percebi — e digo finalmente porque levei mais de vinte e quatro horas para me dar conta -.-' — que, no final das contas eu tinha acabado por não falar para ela o real motivo de eu ter ido vê-la (embora a principio estivesse procurando por Sango) no quarto ontem.

Como posso dizer? Minha mente tende a ser um tanto dispersa e ela me distraindo do assunto por ter uma mente mais dispersa ainda, e Sango não ajudando nada para me manter concentrada, me faz tornar-me mais dispersa ainda.

Eu disse que Kohaku é um ouvinte melhor do que elas, não disse?

E ainda assim eu insisto em falar com Kikyou... Qual era mesmo o conceito de loucura?

—Entendi o problema. — Kikyou afirmou em compreensão — Mas não se preocupe se Inuyasha vier falar comigo...

Quando ele vier falar com você. — a corrigi.

Porque pra mim é certo que, por mais que ele enrole, uma hora ou outro Inuyasha vai acabar vindo atrás dela.

—Certo. Quando. — concordou com um movimento de "tanto faz" da mão. — Eu vou dizer a ele que eu realmente estava interessada em outra pessoa, mas fui rejeitada, então decidi dar um tempo nos relacionamentos. — ela me olhou com uma piscadela — O que não é totalmente mentira é?

—Mas e se ele quiser que vocês dois reatem? — perguntei só um pouco angustiada.

Eu tinha acompanhado Kikyou para uma inspeção no pequeno teatro particular do campus para ver como estava os preparativos para a apresentação da turma dela dali a alguns dias — e me foi realmente uma surpresa saber o quão lotado estava à agenda daquele lugar, tanto que a turma dela só conseguiu reservar um horário para uma segunda-feira, parece que todo mundo quer se despedir do primeiro semestre em grande estilo! — e agora estávamos sentadas em cima do palco.

—Não vai. — respondeu-me com absoluta certeza saltando para o chão e alongando os braços pressionando o cotovelo em direção ao corpo.

—Mas e se ele quiser? — insisti.

Com as mãos nos quadris Kikyou olhou-me por cima dos ombros.

—Sango me contou que você é bem esperta, que tem uma inteligência levemente acima da média. — fiz uma careta com esse comentário, afinal eu não diria que é apenas "levemente", e afinal onde ela está querendo chegar? — Mas que também é um tanto quanto tolinha. E ela tem razão.

Cruzei os braços.

—O que você quer dizer com isso?

—Uma pergunta simples. — ela virou-se para mim, unindo as mãos nas costas — Por que você não conta a verdade de uma vez?

Olhei-a sem entender.

—Como assim?

—A verdade Higurashi. — ela gesticulou em círculos com uma das mãos enquanto girava os olhos. — Que o verdadeiro Sota esteve o tempo todo do outro lado do mundo e que o Sota que ele conheceu durante todo esse tempo era, na verdade, apenas você usando as roupas do irmão.

—Mas que...? — arregalei os olhos — Mas que maluquice é essa que você está falando Kikyou? Eu não posso falar isso a ele!

Kikyou inclinou a cabeça de lado.

—Por que não?

—Porque isso...!

Acabei ficando sem palavras... Mas Kikyou não:

—Você contou para mim.

—Isso...! Isso foi diferente! — argumentei.

—Diferente como?

—Foi uma emergência! Você me deixou em pânico!

—E quanto ao Kouga?

—Ele descobriu sozinho!

—Bem, não podemos esperar o mesmo discernimento de um cara que sempre se surpreende com os vilões do Scoby Doo. — ela encolheu os ombros cruzando os braços — Mas estamos fugindo do assunto aqui. — ah tá, agora ela que se manter focada? — O ponto, Kah, é por que você não conta de uma vez para ele?

—Eu não posso!

—Por quê?

—Porque é um segredo!

—Você tem ideia de quantas pessoas já sabem do seu segredo? — Ela me olhou com uma cara de "sério mesmo?".

—Esse não é o ponto!

—Então qual é?

Fiquei alguns segundos calada antes de encontrar uma resposta:

—Por mais que as coisas tenham saído um pouco do controle ainda é importante manter o segredo, do contrário eu não vou mais poder estudar aqui!

—Se o ponto é esse. — Kikyou virou-se e começou a se afastar com as mãos unidas nas costas novamente — A sua única preocupação deveria ser não deixar nenhum professor ou alguém da reitoria descobrir. — ela olhou-me por cima do ombro — Mas acho que não faria nenhum mal se contasse a ele.

Olhei-a impassível.

—Kikyou. — chamei — O que você diz não faz nenhum sentido.

E não faz mesmo!

—Tudo bem então. — Kikyou limitou-se a encolher os ombros — Mas pense no que eu disse.

E aí ela foi embora.

Suspirei deitando no palco com os braços abertos.

Contar a verdade para Inuyasha. Há! Qual seria a lógica disso afinal?

132 horas para o desastre.

...

Já havia escurecido lá fora, meia hora depois quando saí.

E eu estava tentando, realmente tentando mesmo, não pensar se o que Kikyou havia dito fazia ou não algum sentido, apesar de eu ter quase absoluta certeza que não fazia, quando o universo decidiu colaborar comigo — ao menos uma vez na vida — me oferecendo algo com o que me distrair:

—Eu estou dizendo, o lobo não é mais problema. — Kohaku estava dizendo quando o vi entrar no pavilhão do dormitório masculino.

O estranho é que ele estava falando com uma caixa de papelão que estava carregando.

—Claro que não, o que quero dizer...

Eu bati de leve em seu ombro.

—Kohaku?

Mesmo eu tendo o chamado calmamente ele se assustou e quase derrubou a caixa, mas ao invés disso fechou-a com uma velocidade quase inacreditável.

—S-senhorita? — ele olhou-me com um sorriso nervoso — O que houve?

Franzi o cenho.

—Eu é que pergunto. — respondi — Por que se assustou?

Ele levou rapidamente um dedo aos lábios para que eu ficasse quieta.

Ei! Por que fechou a caixa? Ei! — a voz de Sota saia de dentro da caixa. — É a voz da coelhinha? Ei, eu quero falar com ela.

—É o Sota? — perguntei baixinho — Também quero falar com ele.

Mas por que ele está carregando o celular — ou notebook — dentro de uma caixa?

—É uma videochamada. — me respondeu ainda mais baixo.

Eu arregalei os olhos e, num passe de mágica, já estava a quase dois metros de distância, nem pensar em ele acabar me vendo assim, usando as roupas dele e tudo!

Por isso que Kohaku está escondendo o celular naquela caixa, se alguém visse o verdadeiro Sota naquela tela... A coisa não ia prestar.

Mas, agora que eu estava prestando atenção, eu ainda era capaz de ouvir Sota dizendo:

Ei! Por que não me responde? Ei!

—Desculpe. — Kohaku abriu a caixa de novo — Eu achei que tivesse visto o Miroku e fechei a caixa.

Então eu entendi que ele não estava levando apenas um celular que estava efetuando uma chamada de vídeo que não deveria, mas também algo para Miroku.

Ah, pobre coitado.

—E quanto à Kah? Eu ouvi a voz dela.

—Está imaginando. — Kohaku nem hesitou.

—Não estou! — Sota insistiu.

—Está sim. — de novo Kohaku nem hesitou.

—Mas por que você não quer que eu a veja?! — Sota começou a se irritar — O que é que você está escondendo?!

—Eu não estou escondendo nada. — Kohaku negou calmamente, acho que ele seria um bom jogador de pôquer.

Ele começou a se afastar... Mas eu o segui.

—Está sim!

—Devia parar de ser tão superprotetor com a sua irmã, vai acabar ficando careca...

—Olha só quem fala, se alguém aqui for ficar careca por ser superprotetor com a irmã esse alguém é você. — Sota devolveu — E não tente me enrolar, nós estávamos falando do lobo!

Por que é que eu sinto que, de alguma maneira, o Kohaku enrolou sim o meu irmão?

Kohaku suspirou.

—Como eu já disse, e você parece não ter ouvido, o lobo não é mais problema.

—Eu ouvi, mas você não me disse o que fez com ele.

Como assim "o que fez com ele"? O Miroku não é mais o único alvo do Kohaku?

—Eu não fiz nada. — não sei se da para confiar no Kohaku — Eu tenho que desligar, tenho que arrumar tudo aqui. — ele parou em frente ao próprio quarto — Mas estou te enviando um vídeo.

Ele desligou, tirou o celular da caixa e mexeu nele por alguns segundos enquanto segurava a caixa com a outra mão, depois guardou o celular no bolso e entrou no quarto, mas assim que se virou para fechar a porta eu já estava de pé lá.

—Caramba! — assustou-se.

—Que vídeo foi esse que você enviou? — perguntei direta — E o que você tem nessa caixa?

—Quanta curiosidade. — ele sorriu-me gentilmente e afastou-se para o lado — Vamos, entre.

Se eu sabia que ia acabar me tornando cúmplice de novo se entrasse ali naquele quarto? Sabia. E se eu entrei mesmo assim? É, entrei.

Eu sentei na cama e Kohaku me emprestou o celular dele para que eu visse o vídeo.

No vídeo um pouco ao longe, no que parecia ser o estacionamento do campus, Ayame estava agarrada em Kouga gritando enquanto ele tentava afastá-la.

—Pare! Caramba eu já disse para parar! — ele dizia — Ayame não tem porque você ficar tão feliz é só uma bolsa!

—Não é só uma bolsa, é uma Marc Jacobs e você sabe disso! — de repente ela pegou o rosto de Kouga entre as mãos e o puxou para beijá-lo.

Deixando a mim extremamente corada e Kouga de olhos arregalados.

Ouvi a risada de Kohaku por trás da câmera e, de alguma forma, Kouga também ouviu.

—O que...? — ele olhou diretamente para a câmera — Ei! O que você está fazendo?!

—Não liguem para mim, não liguem para mim. — Kohaku respondeu por detrás da câmera.

E aí o vídeo terminou.

—Eu pedi desculpas à senhorita Ayame pela invasão de privacidade. — Kohaku me contou — Mas ela não se irritou, até pediu para eu enviar o vídeo para ela.

Quando ergui os olhos Kohaku estava com um relógio despertador nas mãos, programando a hora que ele deveria despertar, mas não era apenas esse, na mesa ao seu lado havia outros cinco despertadores, Kohaku colocou o que tinha em mãos junto com esses e pegou mais um de dentro da caixa aos seus pés, programou o horário para ele despertar o colocou com os outros e pegou mais um na caixa.

—Mas afinal quantos despertadores você tem aí?

Ele parou com o despertador que tinha nas mãos e olhou para a caixa como se só agora houvesse parado para contar.

—Duas dúzias e meia... Talvez mais. Por alguma razão o senhor mestre dos serventes tinha bastante deles. — ele me sorriu — Eu estou programando todos para tocarem entre as duas e as duas e quinze da manhã, depois vou escondê-los em vários lugares do quarto, até colocarei dois ou três no forro, o Miroku vai enlouquecer tentando achar todos para desligar!

Eu sorri meio sem saber o que fazer. Então Kohaku conta até com funcionários do campus para armar suas pegadinhas? Pobre Miroku.

—Ah, senhorita, se não for muito abuso tem um favor que eu gostaria de te pedir.

—Sim? — respondi — Pode dizer.

—É que vai ficar realmente barulhento aqui quando todos esses despertadores começarem a tocar. — disse — Então por acaso haveria algum problema se eu fosse dormir no quarto que você e Inuyasha dividem?

—Não. — respondi — Problema nenhum, de forma alguma.

Ele sorriu-me.

E assim eu me tornei cúmplice dele.

É. De novo.

...

Horas mais tarde eu acordei quando algo me atingiu na altura do estômago.

—Estão batendo. — Inuyasha me avisou da sua cama, deitado de bruços com a cara enfiada no travesseiro.

Tive vontade de jogar o tênis de volta nele — sim, ele me jogou um tênis! —, mas acabei deixando por isso mesmo e levantando para ir atender a porta, mas se é ele quem sempre acorda quando batem na porta bem que, pelo menos, uma vez ele poderia ir abrir e me deixar dormir!

Abri a porta...! E me deparei com Kohaku parado ali com um saco de dormir debaixo do braço.

Kohaku! Eu tinha me esquecido dele!

—Desculpe vir tão tarde. — disse em tom baixo, obviamente porque é muito educado e não quer acordar Inuyasha — Mas se eu viesse cedo demais Miroku iria desconfiar, então tive que sair quando tive certeza de que ele já estava dormindo.

Concordei e dei espaço a ele para entrar.

—Ele está dormindo agora? — perguntei sem fazer qualquer questão de manter o tom de voz baixo.

Se Inuyasha não tem consideração pelo meu descanso eu também não vou ter pelo dele.

—Está. — Kohaku começou a ajeitar o saco de dormir perto do guarda roupa — Mas não por muito tempo.

Sentei-me em posição de lótus em minha cama com os cotovelos apoiados nas coxas e o rosto entre as mãos.

—Hum... E quando a bomba relógio vai disparar?

—Na verdade deve estar para disparar bem agora...

Inuyasha levantou-se na mesma hora.

—Bomba relógio?!

Ele pulou da cama e saiu correndo quarto afora.

Kohaku e eu nos entreolhamos e rimos.

Depois que Inuyasha se foi eu disse a Kohaku que ele poderia ficar com a cama dele se quisesse, mas Kohaku recusou, e disse que o saco de dormir já estava bom o bastante para ele.

...

Por uma coincidência do acaso no dia seguinte Inuyasha e eu chegamos cedo demais ao treino, e por isso estavamos apenas nós dois sentados na arquibancada esperando o resto do time — e o treinador — chegar.

—Caramba, fala sério, por que vocês não disseram que a "bomba relógio" era só um monte de despertadores irritantes normais? — ele reclamou abrindo uma lata de refrigerante e bebendo, pelo menos, metade do conteúdo de uma só vez.

—E como poderiamos dizer alguma coisa quando você saiu tão rápido daquele jeito? A culpa foi sua por achar que Kohaku realmente tinha armado uma bomba de verdade, já te disse que ele não é um maníaco. — sorri divertida — E por que não voltou quando viu que eram apenas relógios despertadores normais?

Ele havia passado quase a noite inteira fora, e estava com olheiras e expressão cansada até agora.

Encostando a lata de refrigerante à lateral da cabeça ele me respondeu:

—Miroku me fez ficar e procurar os malditos despertadores com ele.

—Claro que fez. — concordei ainda com o sorriso divertido na cara.

—Havia até três deles no forro! No forro! Como aquele cara conseguiu esconder até no forro?!

—Francamente eu não sei. — respondi encolhendo os ombros.

Era mentira, é claro, porque eu ainda fiquei lá vendo enquanto Kohaku escondia, no mínimo, os oito primeiro relógios despertadores.

Ele suspirou jogando o rosto um pouco para trás ainda pressionando a lata contra a lateral da cabeça.

—Ah, nós caçamos aquelas coisas a noite inteira, e sempre que achavamos um, outros dois começavam a tocar, é inacreditável, mas é quase como se ele tivesse sintonizado todos para começarem a tocar um após o outro! Havia até um dentro da caixa do vaso sanitário. Dá para acreditar? Ele selou em um saco plástico e deixou lá. — reclinou-se ainda mais para trás, fechando os olhos — Ah, eu estou com dor de cabeça. Muita dor de cabeça.

Meu sorriso se desvaneceu.

—Espere, você está passando mal? — perguntei preocupada.

—Não... Não é nada demais. Eu apenas vou esperar pelo treinador para avisar que não vou treinar hoje e depois vou me deitar na enfermaria. — abrindo os olhos lentamente ele me olhou de canto — Mas bem que você podia dizer para a sua irmã vir aqui cuidar de mim.

Eu desviei o olhar para o lado oposto.

—Mas... Mas do que você está falando? — perguntei coçando a bochecha esquerda — É claro que a minha irmã não vai pegar um avião só porque você está com um pouco de dor de cabeça.

—Então ela podia pegar um trem. — sugeriu.

—Taisho...

—Não custava nada tentar.

É estranho como agora me parece tão natural falar de mim na terceira pessoa com Inuyasha, como se "Kagome" realmente fosse outra pessoa.

Isso me fez pensar no que Kikyou me disse ontem: por que não contar?

Olhei para Inuyasha, ele estava reclinado para trás com o antebraço sobre os olhos e ainda segurando a lata de refrigerante contra a lateral da cabeça.

Será que eu deveria?

Respirei fundo.

—Taisho? — hesitei.

Ele tomou mais alguns goles do refrigerante sem tirar o braço de cima dos olhos.

—O que?

Será que eu conseguiria?

—Eu... — engoliem seco — Eu acho melhor você ir logo para a enfermaria, eu aviso o treinador no seu lugar.

Internamente eu suspirei.

É eu não devo, e mesmo que devesse eu não consigo.

Não dá, simplesmente não dá.

Sem dizer nada Inuyasha apenas concordou e foi embora. Tavez ele esteja pior do que disse.

Eu suspirei longamente afundando a cabeça entre as mãos.

Eu não consegui, simplesmente não consegui falar nada, porque sou uma covarde, mas também porque eu não entendo porque eu deveria contar...! E ao mesmo tempo também não entendo porque não deveria contar.

Voltei a suspirar.

—Se continuar suspirando assim vai deixar escapar toda a sua felicidade.

Senti o pescoço estalar quando, no susto, virei a cabeça rápido demais.

Nice estava sentada no alto da arquibancada com o rosto entre as mãos.

—Nice! — ela me sorriu fechando os olhos e inclinando a cabeça levemente de lado. — Há quanto tempo você está aí?

Ela juntou as pontas dos dedos polegar e indicador.

Só um pouquinho.

Por que eu tenho a impressão de que não é tão pouquinho assim?

E como Inuyasha não a sentiu aqui?!

Tá, tudo bem que ele não é o ser mais perceptivo do mundo, mas mesmo assim...

—Eu fiquei contra o vento. — Nice me disse de repente, como se lesse meus pensamentos.

—Afinal o que você está fazendo aqui?

Ela levantou-se. Hoje estava usando uma blusa branca de ombros caídos e mangas compridas, uma saia de três camadas, cuja primeira camada era azul céu com bolinhas brancas, a segunda branca e a terceira azul céu e sandálias brancas que amarravam até o meio da batata da perna, os cabelos estavam presos num rabo de cavalo baixo com uma flor azul jogado por cima do ombro.

De novo tão fofa que quase parecia que ia derreter.

—O que será, não é? — ela veio descendo a arquibancada até um degrau a baixo do meu, onde deu um giro quase de ballet e inclinou-se em minha direção com as mãos unidas nas costas. — Na verdade eu estou apenas checando umas coisas.

—Que coisas?

—Uma aposta de família. — ela sentou-se — Eu sou a responsável pelo bolão então vim checar como andam as coisas. — sorriu-me delicadamente, de uma forma que me pareceu estranhamente familiar — E como aparentemente "não é seguro me deixar atrás de um volante" Rin veio comigo — disse fazendo aspas no ar — Ou isso ou para garantir que eu não vou adulterar os resultados. Provavelmente os dois. Como se eu fosse capaz de uma coisa assim.

Realmente, ela não parece ser o tipo que trapacearia em algo.

Mas de novo o sorriso. Onde foi que eu já vi um sorriso assim...?

Kohaku!

Ela tem o mesmo sorriso doce e gentil do Kohaku! O mesmo tipo de sorriso que faz qualquer um acreditar em sua inocência e ainda por as mãos no fogo para defender!

Meus olhos arregalaram-se só um pouco ao perceber isso, e pensar que realmente existem dois seres nesse mundo capaz de dar esse tipo de sorriso!

—Rin veio com você? — perguntei me recompondo.

—Veio, mas eu a perdi em algum canto. — respondeu-me olhando em volta como se esperasse avistá-la — Ah, eu vi Kohaku agora a pouco.

Comentou do nada, de forma pensativa encostando um dedo ao queixo.

—O Kohaku? — repeti.

—Sim, ele estava conversando com uma garota pequena e fofa de cabelos castanhos compridos que estava se debulhando em lágrimas... Calma, calma, não acho que ele a fez a chorar, ele parecia mais a estar consolando. — riu ao ver minha expressão de choque.

Ah sim, agora sim parece mais a cara do Kohaku.

—Eu fiquei curiosa então fiquei para espiar, acho que foi aí que me separei de Rin. — Nice continuou casualmente. — Então, essa garota estava dizendo algo sobre ter sido um erro largar ele, que ela nunca deveria ter trocado ele por aquele... Como foi mesmo que ela chamou? Ah sim, "bobão" é, foi isso. Disse que ele não a valorizava, que a tratava mal... E então começou a pedir para os dois reatarem. — Ela deve estar falando de Kanade, a garota de óculos e cabelo castanho que Sango quase partiu para cima em frente ao laboratório de química, então foi isso o que aconteceu, ela trocou o doce e gentil Kohaku por outro... Por um "bobão" que não a valorizava. — Aquela garota... Ela magoou o Kohaku, sabe? Dava para ver na cara dele, mas ele reclamou? Disse isso a ela? Não, ao invés disso ele passou a mão na cabeça dela e disse "Kanade, aquele cara não era a pessoa certa para você, e eu também não era" — ela girou os olhos simulando uma voz grossa que definitivamente não era nem de longe parecida com a de Kohaku — E ela continuou insistindo para que os dois voltassem, e sabe o que ele fez? Deu um beijinho na testa dela, dá pra acreditar? E aí disse "Não se preocupe, você vai encontrar a pessoa certa um dia".

—Kohaku é assim, ele é gentil. — sorri.

Nice suspirou.

—Gentil até demais. — disse — Isso é irritante.

Pisquei.

—C-como?

—É, eu sempre digo isso aos meus primos: Eles têm que ser eles mesmos. Mas eles quase nunca me escutam, meninos. — ela girou os olhos — O que estou dizendo é: Enquanto o Kohaku continuar escondendo quem é de verdade ele só vai ser deixado de novo e de novo.

—Mas... O Kohaku não finge, ele é realmente alguém gentil! — defendi-o chocada.

—Sim, sim, claro que é, mas ele não é gentil, é? Ele devia dizer para as garotas quando está chateado, quando está magoado, devia pensar um pouco mais em si mesmo e principalmente, devia mostrar um pouco mais esse lado maluco dele que pinta a cara do colega de quarto com tinta azul que brilha no escuro. — ela riu — Até porque alguém tão gentil assim é tedioso, e se ele apenas trata todo mundo de forma tão gentil nenhuma garota nunca vai se sentir especial com ele, por isso as meninas vão apenas continuar trocando-o por caras mais interessantes, mesmo que depois descubram que são completos babacas, e eu disse isso a ele quando nos conhemos... Ou pelo menos parte disso, mas, assim como meus primos, ele parece que não me escutou. Meninos. — ela balançou a cabeça, como uma mãe que acaba de descobrir que os filhos estavam jogando bola na sala de casa e quebraram alguma coisa — Se bem que... Eu não devo ter muita moral para aconselhar sobre relacionamentos, já que, tecnimente, estou sempre saindo com "caras interessantes" que acabam se revelando verdadeiros babacas... Ou então vai ver que eu só estou contrariando meus pais, eles não acreditam nessa coisa de "ser você mesmo", acreditam que as aparências é que importam.

Ela riu de si mesma, até que o celular tocou e ela atendeu.

—Era Rin. — informou-me alguns segundos depois, quando desligou — Eu tenho que ir agora, onde é a enfermaria? Acho que vamos lá ver o Inuyasha, ah, deixa, a gente descobre, ali vem o seu time.

Ela apontou e eu virei-me, sete jogadores mais o treinador acabavam de chegar, quando virei-me novamente Nice já havia sumido. Claro que ela já tinha sumido.

...

—Esse é apenas o estado natural de Nice. — Inuyasha me falou, horas depois — Quando não está naquele baixo astral por causa do fim de algum namoro ela é assim mesmo, gosta de se intrometer na vida e nos "problemas amorosos" de todo mundo.

As luzes estavam apagadas e ele estava deitado porque a cabeça ainda doía, mas ao menos ele me deixou ligar a televisão num volume baixinho.

—Ela disse que veio aqui com Rin. — comentei — Elas te encontraram?

—Ah sim, e como encontraram. — ele gemeu com o antebraço sobre os olhos — Aquelas duas são barulhentas, queriam saber como eu ando me relacionando com meu colega de quarto, se estamos nos dando bem e não sei mais o que, graças a Buda a enfermeira as colocou para fora.

Eu o olhei.

—Elas te perguntaram sobre mim?

—Acho que foi o que eu disse. — respondeu — Ei me passa algum daqueles comprimidos que a enfermeira me deu?

Eu me levantei e peguei os comprimidos, Inuyasha me estendeu a mão.

—Ela não disse que voucê só poderia tomar, no máximo, um a cada seis horas?

Ele me estendeu a mão, insistindo.

Suspirei, e entreguei a ele, ele engoliu dois de uma vez a seco mesmo.

—É bom você não ter uma overdose.

—Feh. — resmungou.

Nice disse que estava aqui por causa de uma aposta de familia, mas ela e Rin estavam perguntando para Inuyasha sobre mim.

Eu não tenho um bom pressentimento.

Definitivamente não tenho.

106 horas para o desastre.

...

Rin e Nice não voltaram a aparecer, e o resto dos dias se seguiu basicamente como uma repetição uns dos outros: treinos matinais extras de futibol, dia sim, dia não, paranoia com as reais intenções de Nice e Rin por aqui, Kohaku aprontando aqui e ali com Miroku, paranoia com Naraku me espreitando, Kouga e Ayame juntos por aí, paranoia com... Ah, você já entendeu, não é?

Então o dia da apresentação de Kikyou com o resto de sua turma finalmente chegou, ela vinha ensaiando bastante nos últimos dias, mas não me deixou assistir nenhum ensaio porque queria que fosse uma surpresa.

—Acha que ela está nervosa? — perguntei para Sango, enquanto ela acabava de se arrumar.

—Se ela está nervosa? — Sango estava passando a sombra rosa no banheiro — É claro que ela está nervosa! Deve estar mastigando os cabelos agora!

—Eca! Sango que nojo!

Ela virou-se para mim.

—Eu só disse a verdade.

Balancei a cabeça.

—Mas então, você vai levar Kohaku ou Miroku? Você ainda não me disse.

—E quem disse que eu vou? — ela colocou as mãos nos quadris — Eu posso estar me arrumando apenas para sair com Miroku.

—Sango...

—Kohaku. — me respondeu — Já faz um tempo que saímos juntos.

—Ah que bom. — suspirei aliviada levando uma mão ao peito.

—Por que todo esse alivio? — ela parou a minha frente e me estendeu a mão para levantar, já que eu estava sentada em sua cama.

—Porque pelo menos assim eu não fico de vela! — respondi aceitando sua ajuda para levantar — E vai ser divertido, nós três saindo juntos de novo.

—Pode ser. — ela concordou saindo do quarto comigo e fechando a porta — Mas qual é a desse povo de inventar de fazer uma apresentação segunda-feira à noite?

—Kikyou me disse que foi o único dia que eles conseguiram arranjar, parece que várias classes estão com apresentações marcadas, acho que todo mundo quer se despedi das aulas em grande estilo ou coisa assim. — expliquei.

Sango bocejou.

—Perda de tempo.

Eu agarrei-me ao braço dela.

—Vamos Sango, vai ser divertido!

Ela me olhou pelo canto dos olhos.

—Você já olhou suas notas não olhou?

—Pode apostar que sim! — ri alegremente.

Sango resmungou que ainda estava tomando coragem para olhar as notas dela, mas por fim acabou rindo e enlaçando seu braço ao meu, nós encontramos Kohaku onde Sango havia marcado com ele, ele estava sentado usando jeans, tênis camisa branca e blazer, e segurava um buquê com, pelo menos, uma dúzia de margaridas amarradas com uma fita.

Sango franziu o cenho para as flores.

—Por que as flores?

Kohaku franziu o cenho de volta.

—Bem, você disse que foi a Srta. Kikyou quem te deu os ingressos pessoalmente.

—E daí?

—Como somos convidados de uma das estrelas não seria groseria aparecer de mãos vazias?

—Oh Kohaku! — ela girou os olhos e desenlaçou o braço do meu para pegar uma das margaridas do buquê — Tudo bem, mas fique sabendo que ela vai ficar insuportavel se achando e eu que vou ter que aturar isso, e a culpa vai ser sua.

Ela cutucou o peito dele inofensivamente com a margarida e depois a colocou por detrás da orelha.

Kohaku sorriu.

—Ficou bonito. — elogiou. — Mas eu ainda vou entregar as flores.

Sango voltou a girar os olhos.

—Faça como quiser. — deu meia volta e se foi.

Kohaku me olhou.

—Hum... Você quer uma também, senhorita?

—Não precisa. — eu sorri — Mas obrigada.

—Ei, vocês dois! — Sango que já ia razoavelmente longe nos chamou — Andem logo! Quanto antes nós formos mais cedo isso tudo acaba!

Rindo um para o outro nós dois começamos a nos mover para segui-la.

—Ela não quer admitir, mas, na verdade está bem animada para ver Kikyou no palco. — cochichei para Kohaku.

Ele acenou concordando.

Kikyou havia reservado nós.

A peça era "sonho de uma noite de verão", e Kikyou estava interpretando a fada Teia De Aranha, descalça com o rosto e a pele pintada de branco, os lábios e a maquiagem em volta dos olhos eram negros, os cabelos presos estavam num coque alto e usava um vestidinho tomara que caia de decote coração e saia cheia até os joelhos, todo preto mais com padrões brancos de teias de aranha desenhados em toda parte de cima, em suas costas estavam presas duas pequenas asas de borboleta transparentes com padrões negros de teias de aranha desenhados nela.

E havia purpurina, muita purpurina, para todos os lados.

A peça foi realmente muito boa, Kohaku jogou as suas margaridas, uma por uma no palco, durante os aplausous, enquanto os atores agradeciam ao público.

É claro que eu tive que ir ver Kikyou nos bastidores depois.

—Não vá. — Sango segurou meu braço fazendo uma careta — Aquelas flores do Kohaku já vão deixá-la convencida o suficiente, ela não vai parar de falar nisso por, pelo menos, três semanas.

—Ah, Sango, deixa de bobagem! — puxei meu braço — Você não quer vir comigo também?

—Claro, e talvez mais tarde eu vá andar sobre brasas, só por diverção. — respondeu-me sarcastica.

—Certo, eu explico para Kikyou que você é tímida, mas que adorou a peça. — girei os olhos.

Sango deu um sorrisinho minimo.

—Diga... Que de todas as coisas que eu poderia fazer numa noite de segunda-feira, até que essa não foi a pior.

Eu sorri.

—Eu digo. — e olhei para Kohaku — Você vem?

Ele ergueu a mão.

—Não, tudo bem, mas dê meus parabéns à senhorita Kikyou por mim.

—Darei. — acenei.

E então, lá fui eu.

Os bastidores estavam uma loucura, todos estavam andando de um lado para o outro, festejando e falando sobre como a peça fora um sucesso — acho que ouvi até alguém sugeri que eles deviam fazer uma turnê! — com atores ainda parcialmente, ou completamente, fantasiados andando de um lado para o outro.

Estavam tão felizes que devo ter sido, abraçada e parabenizada — e bombardeada de purpurina, diga-se de passagem — umas sete ou oito vezes antes de encontrar Kikyou.

—Kikyou! — chamei erguendo o braço.

Ela deu um gritinho ao me ver e veio correndo em minha direção, pulando sobre mim assim que ficou perto o suficiente.

—Você foi maravilhosa! — exclamei a abraçando de volta.

E nem liguei para o fato de que com certeza eu ia levar mais de um mês para tirar toda aquela purpurina do corpo.

—Eu sei! — ela gritou aguda e animadamente me abraçando de volta — Obrigada!

—E sabe o que mais?! Você foi fantástica! — exclamei.

—Eu sei! — ela estava cada vez mais animada — E sabe o que mais?! Eu te amo!

—Eu também te amo! — empolguei-me.

E no auge da empolgação nós começamos a rir e pular juntas de mãos dadas.

E então, Kikyou gritou.

E não foi um grito bom do tipo "estou tão animada porque fui simplesmente fantástica!" foi um grito ruim, muito ruim, do tipo "isso é pior do que um apocalipse zumbi!", e empurrou-me.

Eu me virei. Inuyasha estava bem atrás de nós;

Claro que ele tinha que chegar bem agora.

—Inu...

Ele olhou-me furioso e foi embora.

Por que universo? Por quê?

E adivinhem? Esse nem é o tal desastre sobre o qual a tal contagem regressiva vem falando.

13 horas para o desastre.

*.*.*.*

E finalmente, após quase três meses eu ressurjo dos mortos com um novo capitulo!

Posso ouvir um aleluia? Aleluia!

Em fim, sobre a contagem regressiva eu decidi perguntar a opinião de vocês...

É o seguinte: há tempos (nem sei quanto) estou empacada numa determinada parte do próximo capitulo, o que era um dos motivos para eu até então ainda não ter postado — Se desempaquei? Não, mas eu queria postar antes de voltar às aulas, ainda que fosse nas minhas últimas horas de férias... — então a pergunta é essa:

Eu deveria continuar tentando forçar e continuar o capitulo para terminar com essa contagem regressiva já no próximo capitulo — levando em consideração o tempo excessivo que pode demorar, caso escolham essa opção, baseando no tempo que já estou empacada.

OU

Eu deveria encerrar o capitulo onde empaquei e passar para o próximo, demorando assim ainda mais capítulos para encerrar a contagem regressiva (um a mais para ser mais especifica) — levando em consideração que, devido ao meu histórico, eu ainda assim vou demorar para postar, mas não tanto quanto demoraria caso escolhessem a opção um.

E então? É com vocês, eu sinceramente fico jogando cara ou coroa aqui e ainda assim não consigo me decidir.

Ah! E por último, aquelas que quiserem saber sobre o andamento das fics, ou apenas me perturbar pela demora basta me seguir no Twitter:

/Fl0r_D0_De5ert0

Respostas ás Review's:

Naomy: toda vez que eu lia seu comentário eu imaginava uma dancinha feliz diferente huahuahsuhs

Kkkkkk Eu nunca aprontei nada do tipo com o meu irmão, e graças a Deus ele nunca aprontou nada comigo também — porque aquele menino tem uma mente diabólica, eu juro! Todas as pegadinhas do Kohaku? Basicamente ele é quem dá a idéia para a maioria delas.

De nada fofa, espero que continue curtindo. :x

patyzinha: Não, não, não se preocupe e tenha certeza de uma coisa: Por mais que eu demore, a menos que eu morra vocês não vão se livrar de mim enquanto houver uma estória a ser terminada!

A do Smurf foi demais mesmo! kkkkkk

Não é? Parece que finalmente nosso lobinho a está levando a sério. ^^

A respeito da contagem temos teorias... Mas qual será a certa? :D

Desculpe, acho que infelizmente vou continuar sumindo assim, mas não as abandonarei '^'

Ok, eu posso até desistir da sua idéia nessa fic (ou será que não?), mas não garanto nada a respeito de minhas próximas estórias! kkkkkk

Espero que tenha um coração forte!

Anna: Todos os dias? Nossa! Quanta dedicação! :O

Espero que não tenhas desistido depois de todo esse tempo.

Teorias, teorias... Mas qual será que está certa sobre a contagem? :D

Ah! Nisso é algo que todas concordamos: Como não amar o Kohaku? :D

Agome chan: Seu notificador não te avisou? Mas que sacanagem! :O

Espero que ele avise dessa vez. ;)

Kkkkkk se usar não diga onde aprendeu!

Todas têm suas teorias a respeito da contagem, resta saber se alguma de vocês acertou. ;)

Beijos, até a próxima!

P.S: Não precisa ter medo não... Ou será que sim? *risada maligna ecoando ao fundo*