No capítulo anterior: Nina ficou confusa, porque disse ter visto Aki numa loja, mas ele negou ter sido ele. Nina chegou à conclusão que tinha de ser Kai. Ray ficou zangado e saiu a correr do centro comercial, seguido pelos outros. Zeo declarou-se a Hilary e ela disse que também gostava dele. Os dois começaram a namorar.

Anne encontrou Kai e prepararam-se para entrarem num táxi, quando Aki avistou Kai e os outros também o viram. Ray correu para Kai, mas Anne entrou no táxi com ele e partem dali. Ray chorou de felicidade por Kai estar vivo. Anne telefonou a Arnold, pois agora tinha de tomar medidas, já que Ray e os outros sabiam que Kai estava vivo.

Quando o taxista que levou Anne e Kai voltou para a praça de táxis, Ray e os outros falaram com ele e depois de Ray se zangar e Nina fazer ameaças, o taxista aceitou levá-los até onde deixara Kai e Anne, à porta da mansão de Anne.

Capítulo 52: Memória

Na mansão de Anne, ela estava na sala de estar, impaciente. Andava de um lado para o outro, olhando para o seu relógio de pulso.

"O Arnold nunca mais chega!" queixou-se Anne.

"Já aqui estou." disse Arnold, entrando na sala. "O que se passou afinal? Descobriram que o Kai está vivo?"

"Sim. Eu disse-te ao telefone, estúpido. Era para teres prestado mais atenção." disse Anne, aborrecida. "O Ray e os amiguinhos do Kai viram-no e agora sabem que ele está vivo!"

Kai saiu do seu quarto, disposto a ir até à cozinha para ir comer alguma coisa. Quando ia a passar pela sala, ouviu Anne a falar e, curioso, ficou à escuta.

"Os amigos do Kai?" perguntou Arnold.

"Sim. Eles já sabem que ele está vivo. Viram-no hoje quando íamos a sair do centro comercial."

"Foi muito imprudente terem ido ao centro comercial." disse Arnold.

"A culpa foi do Kai. Ele saiu de casa enquanto eu estava fora e quando voltei tinha um bilhete dele a dizer que tinha decidido ir ver a cidade." explicou Anne.

"Sabes muito bem que ele não pode sair. Devias ter tomado precauções." disse Arnold.

"Não posso sair? Mas porquê?" perguntou Kai, entrando subitamente na sala.

"Kai? O que estás aqui a fazer?" perguntou Anne, assustada.

"Quero saber a verdade!"

"Já te contei. Não deves sair por causa dos rufias."

Kai abanou a cabeça.

"Não sei se acredito nisso. E porque razão pensam os meus amigos que eu estou morto?" perguntou Kai, de braços cruzados. "O que é que não me estão a contar? E afinal disseste que tinhas ligado a outro Arnold, Anne, mas é o especialista que me está a ajudar a recuperar a memória que aqui está. Quero explicações do que se passa!"

Anne e Arnold ficaram a olhar um para o outro.

"O que vamos fazer, Arnold?" perguntou Anne.

"Eu sei o que vamos fazer." disse Arnold, tirando uma corda do saco que tinha trazido consigo.

"O que vai fazer?" perguntou Kai, dando um passo atrás, mas Arnold agarrou-o e começou a amarrá-lo com a corda. "Porque está a fazer isto, doutor Arnold?"

Nesse momento, outra pessoa entrou na mansão, pela porta que Arnold se tinha esquecido de fechar ao entrar. Essa pessoa ouviu vozes na sala e decidiu dirigir-se para lá, mas por alguma razão que não sabia explicar, parou antes de entrar na sala.

"Eu não sou nenhum doutor. Nem psicólogo, psiquiatra, nem especialista. Nada. Fui apenas contratado pela Anne para fingir ser um especialista e para todos os trabalhos que ela precisasse que eu fizesse." disse Arnold.

"O quê? Mas porquê, Anne?" perguntou Kai.

Anne permaneceu calada, sem saber o que responder.

"É melhor contar-lhe tudo, Anne." sugeriu Arnold.

"O que se está a passar? Anne, tu és minha namorada não é? Então porque andas a esconder-me coisas?" perguntou Kai.

"Ela esconde-te coisas porque ela não é e nunca foi tua namorada." disse Lucy, entrando de rompante na sala de estar.

"Não! O que estás tu aqui a fazer, Lucy?" perguntou Anne, surpresa.

"Eu vinha visitar-te, mas parece que descobri algo que desconhecia sobre ti." respondeu Lucy, cruzando os braços. "Anne, eu pensava que já não eras obcecada pelo Kai e afinal…"

"Lucy, tu não devias ter descoberto isto!" gritou Anne.

"Tu… não és a amiga da Anne?" perguntou Kai.

"Sou sim, Kai. Ainda não percebi é como consigo ser amiga dela. Não percebo o que se passa aqui, mas vejo que a Anne tem algo a ver com isto e…"

Lucy não terminou a frase, pois Arnold agarrou-a, tal como tinha feito com Kai.

"Não, largue-me!" gritou Lucy, debatendo-se. "Largue-me seu brutamontes!"

Mas de seguida, Arnold também a tinha amarrado.

"Pronto, problema resolvido." disse Arnold.

"Não está nada resolvido!" gritou Anne. "Agora a Lucy também sabe a verdade. O que vamos fazer?"

"Eu tenho uma solução. Não te preocupes." disse Arnold, sorrindo maliciosamente.

Anne sabia que entre Arnold e Stuart, o seu antigo empregado, havia grandes diferenças. Além de Arnold ser muito mais mal-educado, tratando-a na maioria das vezes por tu e pelo primeiro nome, ele era muito mais malvado que Stuart.

Arnold não tinha escrúpulos. Por dinheiro e pela sua segurança, não hesitaria em matar. No final de contas, Anne tinha contratado Arnold, pois sabia que ele não teria o mesmo problema de consciência que Stuart.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

No Japão, na mansão de Aki, Hilary e Zeo reuniram Aya, Tyson, Max e Kenny na sala de estar. Vénus estava deitada em cima de um dos sofás, a dormir.

"Pessoal, nós reunimos-vos aqui porque temos uma novidade para vos dar." disse Zeo.

Tyson e Max entreolharam-se e sorriram.

"Eu e a Hilary começámos a namorar." anunciou Zeo.

"A sério? Parabéns aos dois." disse Aya, sorrindo. "Espero que sejam felizes."

"Vocês fazem um casal muito bonito." disse Kenny.

"Quando é que é o casamento?" perguntou Dizzi, do seu portátil.

Hilary corou.

"Estamos só a namorar." disse ela, atrapalhada.

"Eu sei, mas ficaste atrapalhada." disse Dizzi, numa voz animada. "Isso é sempre interessante."

"Então Max e Tyson, não dizem nada?" perguntou Zeo.

"Nós já sabíamos que vocês estavam a namorar." admitiu Max, encolhendo os ombros.

"Como?" perguntou Hilary.

"Vimos que vocês vieram para a sala, para ter uma conversa séria. E então ficámos à escuta." explicou Tyson.

"Tyson, seu coscuvilheiro!" gritou Hilary. "E o Max também."

"Nós só queríamos ver se vocês se entendiam." disse Max.

"Eu já tinha dito que o Zeo gostava de ti, Hilary." disse Tyson. "E via-se que tu também gostavas dele."

"A sério? Era assim tão óbvio?" perguntou Zeo.

"Enfim, em certas ocasiões era. Noutras nem por isso." respondeu Max.

"Pois. No dia em que conhecemos a Nina, achei logo que o Zeo gostava da Hilary, mas depois ele pôs-se a olhar para a Nina." disse Tyson. "Fiquei na dúvida."

"A Nina… tem um brilho especial." disse Zeo. "Mas é da Hilary que eu gosto."

Hilary sorriu-lhe.

"Bem, felicidades aos dois." disse Aya. "Para comemorar, vou fazer uns pratos especiais."

"A sério? Que bom." disse Hilary, sorrindo.

"Aya, tu és muito boa para nós." disse Zeo.

"Ora, vocês também são muito bons para mim." disse Aya. "É como se fossem todos meus filhos."

"Aya, és muito nova para teres filhos da nossa idade." disse Hilary.

"Ora, já tenho trinta e cinco anos." disse Aya. "Já não vou para nova."

"Ah, mas ainda podes encontrar um homem jeitoso." disse Hilary, sorrindo.

"Mas enquanto isso, nós gostamos muito de te ter aqui." disse Max.

"Fazes uns cozinhados óptimos." disse Tyson. "E és boazinha."

Aya sorriu a todos.

"Vocês são uns queridos."

"Bem, eu vou telefonar ao meu pai." disse Zeo. "Tenho de lhe contar as novidades."

"Pois. Já não o vês há bastante tempo." disse Kenny.

"Ele tem estado ocupado no laboratório que tem em África." disse Zeo. "Mas não faz mal."

"Pois, eu também não vejo o meu pai e o meu irmão há algum tempo." disse Tyson. "Do meu pai tenho saudades. Do Hiro nem por isso."

"Não se dão bem?" perguntou Aya.

"Digamos que podíamos dar-nos melhor." disse Tyson.

"Eles sabem que tu e o Max estão juntos?" perguntou Hilary.

"Por mim, não souberam. E como estão nas explorações do Egipto, ninguém lhes há-de ter contado." respondeu Tyson. "Também não importa que eles saibam ou não. O meu avô sabe e aceita e é só o que importa."

"Eu tenho de contar aos meus pais." disse Hilary. "Vens comigo depois, Zeo?"

"Claro. Vou telefonar ao meu pai e vamos a seguir."

Zeo telefonou ao seu pai, o doutor Zagart, dando-lhe a notícia. Zagart ficou feliz por o filho ter arranjado uma namorada. Depois, Hilary e Zeo foram contar aos pais de Hilary a novidade.

"Pareces bom rapaz, Zeo." disse a mãe de Hilary.

"Sim. Mas tens de tratar bem a minha filha." disse o pai de Hilary. "Senão, tens de te haver comigo."

E assim, os pais de Hilary aceitaram a relação.

Beyblade: História de um Amor Conturbado

Na mansão de Anne, Lucy e Kai, ainda amarrados olhavam para Arnold e Anne.

"Eu quero uma explicação!" gritou Kai.

"Eu também." disse Lucy.

"Se é isso que querem, a Anne vai contar-vos." disse Arnold.

"Não. Não lhes posso contar." disse Anne. "Eles ficarão a saber de tudo…"

"Eu quero saber o que se está a passar!" exigiu Kai. "Se eu não estivesse amnésico, saberia de tudo."

"Estás amnésico?" perguntou Lucy, surpreendida. Depois, juntou as peças do puzzle. "Claro, por isso é que estás aqui. A Anne deve ter-te manipulado, feito que perdesses a memória e viestes aqui parar. Aposto que te encheu a cabeça de mentiras."

"Cala-te, Lucy!" gritou Anne.

"Anne, como pudeste? Toda a gente pensa que o Kai está morto." disse Lucy, incrédula. "E afinal, ele está vivo e tu estás a mantê-lo aqui."

"Não tens nada a ver com isso, Lucy. Não te devias ter metido nesta história."

Lucy virou-se para Kai.

"Kai, eu conheço a tua história."

"Cala-te, Lucy!" gritou Anne.

"Kai, tu és um blader. És óptimo a usar beyblades. Há mais ou menos oito meses, apaixonaste-te por um amigo teu, o Ray. Quando estiveram um tempo aqui em Berlim, para participarem num torneio, a Anne conheceu-te pessoalmente e ficou obcecada em ficar contigo." disse Lucy.

Anne aproximou-se e tapou-lhe a boca, mas de seguida, Lucy mordeu-lhe a mão e Anne recuou.

"Ai, sua selvagem!" gritou Anne.

Arnold assistia a tudo, sorrindo. De qualquer maneira, para ele, Kai e Lucy teriam de morrer, por isso tanto fazia se Kai sabia de tudo ou não.

"A Anne armou um plano que não deu resultado." continuou Lucy. "Tu não deixaste o Ray. Há pouco tempo correu a notícia de que tinhas morrido num incêndio na Rússia. Mas estás aqui, vivo. Não sei como vieste aqui parar. Mas isso de certo que a Anne saberá."

Kai olhou para Anne.

"Então, eu nunca fui teu namorado?"

"Não. Mas eu quero que sejas." disse Anne.

"Então o Ray… não é um rufia… é o meu namorado… por isso é que sonhei muitas vezes com ele."

Kai começou a sentir uma forte dor de cabeça. Começou a lembrar-se de Ray e Seena, a beijaram-se na loja no Brasil, depois lembrou-se de Ray junto à sua cama de hospital e por fim, lembrou-se do primeiro beijo deles.

"Ray… o Ray… já me lembro dele!" exclamou Kai.

"Raios!" gritou Anne, furiosa.

"Mais vale contar-lhes tudo, Anne." disse Arnold.

"Enfim, está bem. Já está tudo perdido na mesma. Quando eu fiz dezoito anos, estando os meus pais em viagem, contratei o Stuart com o dinheiro da conta que agora controlava. Eu e o Stuart fomos para o Japão, para te raptarmos, Kai." explicou Anne. "Mas o Stuart descobriu que tu já tinhas sido raptado e tinhas sido levado para a Rússia. Quando os teus amigos viajaram para lá, eu e o Stuart fomos também, no meu jacto privado, mas claro que os teus amigos não sabiam."

Anne respirou fundo e continuou.

"Chegámos com pouca diferença dos teus amigos. Mas para não sermos vistos, tomámos outro caminho. Quando chegámos à mansão, do lado oposto onde estavam o Ray e os outros, ela já estava a arder. Eu sabia que tu estavas lá dentro. Por isso, eu e o Stuart entrámos por uma porta dos fundos. Estava tudo a arder." explicou Anne.

"O tal incêndio onde o Kai supostamente tinha morrido." murmurou Lucy.

"Encontrámos-te estendido no chão, Kai. Eu e o Stuart puxámos-te para fora da mansão e pusemos-te no carro que tínhamos alugado. Ninguém nos viu. O Stuart apagou as marcas do carro. E depois, saímos dali e trouxemos-te para Berlim o mais rápido possível. Ficaste inconsciente por um tempo, devido ao fumo inalado, mas depois recuperaste."

"E não o levaste ao hospital?" perguntou Lucy. "O Kai podia ter morrido se tivesse fumo a mais nos pulmões."

"Se o levasse ao hospital, o meu plano ia por água abaixo. E não tinha nenhum médico de confiança que pudesse chamar, por isso esperei. E correu tudo bem."

Nesse momento, Kai sentiu uma nova dor de cabeça.

"E começaste a mentir-lhe, não foi?" perguntou Lucy. "Tu és maluca, Anne!"

"Ora, se não fosse eu, hoje o Kai estaria verdadeiramente morto!" gritou Anne. "Eu e o Stuart salvámos-lhe a vida."

"Para depois o prenderes aqui, ao pé de ti?" perguntou Lucy, zangada.

"É onde ele pertence."

Nesse momento, Kai soltou um grito. Várias imagens invadiram-lhe a cabeça. Ray a sorrir… uma fotografia tirada ao pôr-do-sol… uma noite de luar num castelo… um beijo… um corredor enorme… a sua primeira vez.

Depois, Kai lembrou-se do que tinha acontecido, naquele dia, na mansão na Rússia.

Flashback

"Raios, esta mansão é enorme! Onde fica a saída?"

Kai andava pelos corredores, mas não conseguia encontrar a saída. Ainda não se tinha cruzado com ninguém. Começava a ficar preocupado. Conseguiria sair dali? O fumo toldava-lhe a visão.

"Bolas, tenho de encontrar a saída."

Kai correu pelo corredor. Tinha de achar uma saída, o mais rápido possível. Mas Kai não conhecia a mansão. O fumo era demasiado e pouco depois, Kai perdeu os sentidos.

Fim de Flashback

"Kai, estás bem?" perguntou Lucy.

"Sim… estou… lembrei-me." disse Kai. "Lembrei-me de tudo."

" De tudo?" perguntou Lucy.

"Sim. De tudo. Do Ray, dos meus amigos, da minha vida. Tudo!"

"Oh não!" gritou Anne, alarmada, olhando para Arnold. "Arnold, o que é que vamos fazer agora?"

Continua…