50 dias com ele – Dohko e Shion Version - 44
*Histórias de Jamiel – 5 – O Festival e o Doce*
O casal de namoradinhos praticamente desceu o caminho todo tropeçando de tanta afobação. Dohko porque queria ir muito ao festival na vila, Shion porque não queria ir. Quase foram ao chão diversas vezes, porque não bastasse eles próprios, ainda estavam ajudando Yuzuriha (que se recusava a ser ajudada) e Tokusa (que se recusava porque Yuzuriha se recusava) a mando de Hakurei, já que o mesmo tinha seus próprios probleminhas pra ajudar a descer o caminho estreito e pedregoso. Em uma mão, segurava Asmita, que por mais que tivesse protestado dizendo que podia descer sozinho, Hakurei não lhe havia dado essa escolha. "A menor pedrinha que você não conseguir notar com o seu cosmo e vai se espatifar no chão e se ralar inteiro naquela trilha perigosa!". No outro braço, trazia Atla, infinitamente agitado porque os meninos mais velhos estavam agitados.
A vila estava toda colorida, decorada com bandeirolas, flores e tochas que seriam acesas ao anoitecer. Na praça, a música alegre preenchia todo o ambiente e havia crianças e adultos a dançarem próximos aos músicos, enquanto do outro lado da praça, várias mesas haviam sido montadas oferecendo comidas e doces típicos. E foi naquelas mesas que os olhos de todas as crianças de Hakurei e o olfato de Asmita foram parar imediatamente. Yuzuriha e Tokusa finalmente se soltaram dos garotos mais velhos e correram na frente e Atla esticou os bracinhos na direção daquilo tudo que parecia gostoso. Foi quando finalmente Shion relaxou sobre estar no festival, todos pareciam felizes por terem vindo, até mesmo seu mestre.
- Calma, Atla, mas que gula é essa? Até parece que não comeu pra sair de casa! – Hakurei riu do pequeno, o abraçando com carinho. – Vão se divertir, meninos. – Se dirigiu a Dohko e Shion, que ainda estavam parados ao seu lado.
- Ah, pai, me dá o Atla aqui, vou leva-lo com a gente pra comer bolinhos. – Shion falou, sem nem perceber que tinha pronunciado o que quase nunca na vida pronunciava, enquanto pegava Atla nos braços e ia saindo com ele e Dohko pra perto das mesas.
Hakurei observou o jovem casal que brincava entre si e com o pequenino, os risos despreocupados o preenchiam de uma esperança por eles que ele sabia que não tinha com relação a si mesmo e tão pouco com relação ao jovem que ainda segurava sua mão. Queria poder protegê-lo também, mas ele tinha um destino traçado. Sem perceber, acabou apertando a mão pequena entre a sua.
- O que foi, mestre Hakurei? – Asmita perguntou, sereno, ignorando o pequeno incomodo pelo aperto forte tão repentino, mas que logo se suavizou.
- Preocupações de velho. Nada de mais, Asmita. Não se aborreça por isso. – Continuou reflexivo, embora tentasse afastar certos pensamentos, gostaria de poder aproveitar aquela tarde com a metade do entusiasmo que suas crianças podiam, Shion agora já convencido de que tinha sido uma boa ideia vir ao festival, enquanto dividia um bolinho com Atla.
- Não é que me aborreça… - Asmita falou de repente. – É apenas que não gosto que se ponha angustiado, mestre.
- Como sabe que isto é angústia?
- Porque, de alguma maneira, dói em mim.
O mestre quis prosseguir o assunto, quis perguntar o que mais de seu coração podia ser sentido no coração de Asmita, mas, de repente, o breve instante pacífico foi quebrado por Atla passando correndo por eles, Shion em seguida e Dohko logo atrás, mas o chinês parou. Tinha um doce caramelado no palito e um casal que não era casal que ele achava que, apesar do romance não explícito (principalmente porque Asmita não tinha notado ainda que tinha um romance), eles lhe pareciam exatamente igual ao doce. E estava mesmo difícil perseguir um Atla fujão sem derrubar e desperdiçar comida.
- Mita, segura isso aqui pra mim! Antes que o Shion teleporte o Atla no meio de todo mundo! – Segurou a mão livre de Asmita na altura do rosto e lhe deu o palito para segurar, saindo correndo outra vez. No tranco de todo o ato agitado, o doce acertou o rosto do loiro, deixando um rastro de caramelo melado desde a ponta de seu nariz até seu queixo. Asmita fez uma expressão de desgosto, não fazia ideia do que estava segurando apesar do cheiro doce e agora tinha seu rosto estranhamente melado. Sua expressão mudou de desgosto para imensa dúvida quando ouviu o riso mal contido de Hakurei.
- Perdoe a bagunça dos meninos, é só um pouco de doce, Asmita. – O mestre removeu o lenço pendurado na faixa da túnica e o levou ao rosto do virginiano, segurando seu queixo com delicadeza. – Com licença. – Com o tecido, começou a limpar o caramelo antes que ficasse ainda mais grudento. Seus olhos presos no rosto tão próximo ao seu a ponto de lhe sentir a respiração contra sua pele. Tentou acalmar seu coração, não podia permitir que algo saísse de seu controle e acabasse por magoar seu tão estimado. Frequentemente se perguntava por que o tempo havia sido tão cruel com eles, os separando por séculos. Achava melhor que Asmita ignorasse certas verdades, as considerava por de mais angustiantes. Mas talvez, se ele soubesse, tantas coisas podiam ser diferentes. Terminou de limpar o rosto tão delicado, mas ainda manteve a mão suavemente em seu queixo. Estava a suspirar e não tinha mais certeza de que a melhor decisão era sempre se manter longe dele. – Asmita, eu…
- Sim? – Notou que causara ansiedade no jovem loiro, embora não conseguisse distinguir que tipo de ansiedade era aquela. Muito próximos, muito perturbador para si.
…
Continua…
…
Notas da autora:
Sim, mais um capítulo que é mais Hakurei X Asmita do que Dohko X Shion, mas eu planejei muito com a Deni a história do festival em Jamiel, ela é muito especial porque a situação do doce no palito se entrelaça com a fanfic Yesterday & Today (Asmita version), o que só comprova que o pobre Mita não é muito habilidoso com doces no palito, de qualquer tipo… Bem, assim como muitas situações daquela fanfic se entrelaçam aqui na 50 dias, principalmente os pontos de vista do Dohko e algumas angústias do Shion.
Era pra ser capítulo único esse do festival, mas, pra variar e pra alegria da Deni e da Ba, eu não gosto de escrever pouco, hehehe.
