Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Carina Rissi do seu livro Mentira Perfeita.
Essa fanfic é uma adaptação.
Capitulo 43
Sasuke
— Você é um idiota! Não me passou pela cabeça que pudesse ser tão idiota assim, mas você é, Sasuke — Kakashi dizia.
Ele já estava nisso fazia uma boa meia hora. Desde que chegamos ao restaurante, na verdade, e exigiu que eu lhe contasse tudo.
E eu contei. Não havia mais motivo para segredos. Ele ficou particularmente irritado com o fato de Sakura e Tsunade estarem morando comigo.
— Você já disse isso, Kakashi. — Peguei um pãozinho na cesta e comecei a parti-lo.
O fato de eu não conseguir parar de sorrir irritou meu irmão ainda mais.
— Que tipo de merda você está fazendo, Sasuke? Fingir um noivado para uma senhora doente?
Acabei bufando.
— Kakashi, não começa. Eu sei o que estou fazendo.
— Eu duvido muito. Como você pôde envolver a Sakura nessa história? Como pôde se meter na história dela? Envolver uma mulher doente nessa rede de mentiras? Mentir para os nossos pais? Para mim?!
— Você não acha que é meio irônico me passar um sermão sobre esse assunto? Justo você, que se casou por conveniência, para conseguir uma promoção?
Ele estreitou os olhos para mim.
— Não foi assim. Eu já gostava da Bruna.
— E eu gosto da Sakura. — Joguei os nacos de pão de volta na cesta.
Kakashi ficou calado por um instante, me observando.
— Gosta quanto?
— Muito mais do que devia, Kakashi. Muito mais do que a minha sanidade permite. Eu não consigo parar de pensar nela. É... é um inferno!
— Você está apaixonado? — ele perguntou, perplexo.
— É por aí. — Senhoras e senhores, eu estou apaixonado. Essa era a verdade que eu andava querendo esconder, até de mim mesmo. Mas depois da noite de ontem tinha se tornado impossível. A timidez de Sakura ocultava o vulcão que existia dentro dela. Quando toda aquela paixão entrou em erupção, quando ela se entregou daquela maneira inocente e ainda assim apaixonada, eu me vi sem defesa. Eu poderia viver cem anos e não seria capaz de esquecer a noite anterior.
Eu estava louco por ela. Total e completamente apaixonado.
Os cantos da boca de Kakashi tremeram.
Grunhi.
— Se você sorrir, eu juro que vou te fazer engolir essa cesta!
— Eu não ia. — Mas ele lutou para manter a expressão sob controle. — Então vocês...
— Não sei. Realmente não sei, Kakashi.
Eu estava confuso. Não queria me afastar de Sakura. E depois de ontem nosso envolvimento tinha sido elevado a outro nível. Mas eu ainda tinha tanta coisa para resolver, tantos nós a serem desatados antes que pudesse me arriscar em um relacionamento...
Kakashi, sendo Kakashi, sacou no mesmo instante o que estava se passando na minha cabeça.
— Sasuke, você não devia ficar pensando esse tipo de bobagem.
— Não estou pensando em nada — resmunguei.
Ele me estudou por um momento, desconfiado.
— Está, sim. E devia mesmo parar. A Sakura é uma ótima moça, e está na cara que ela te faz bem. Você devia era pensar numa maneira de contar para os nossos pais sobre ter se envolvido com a sua cuidadora. Aliás, o que eles acharam do seu apê?
— Eles gostaram. A mãe ficou mais tranquila.
Eles tinham ficado impressionados e um pouco surpresos também, levando em conta o alívio estampado na cara da minha mãe e o sorriso besta na do meu pai.
Eles nem ao menos estranharam quando eu disse que o quarto menor estava trancado porque o dono havia perdido a chave e eu estava esperando a cópia ficar pronta. Minha mãe perguntou sobre Sakura, a suposta cuidadora, é claro, mas logo deixou o assunto de lado ao ver a cozinha adaptada.
— Nossa!
— Que belo trabalho fizeram aqui. — Meu pai se agachou para olhar mais de perto meu serviço sob a pia.
— Valeu, pai.
Ele virou a cabeça imediatamente.
— Foi você?
Concordei com a cabeça.
— Bom trabalho, garoto. — Um sorriso presunçoso enrugou a cara do meu velho, e ele voltou a examinar o trabalho com a madeira, correndo a mão por ela.
— Sasuke, meu querido! — Minha mãe começou a abrir os armários e a verificar a arrumação. — Está tão organizado. E funcional! — Ela se virou para mim. — Você pode fazer tudo sozinho.
— Eu posso, mãe.
Ela colocou as mãos em meus ombros e se inclinou para beijar minha cabeça.
— Estou tão orgulhosa, Sasuke. — Sua voz tremeu.
Não me ofendi com sua surpresa. É claro que ela ficaria preocupada comigo.
Não foi assim quando Kakashi se mudou? Ela ligava para ele oito vezes por dia. Até que ela estava lidando bem com minha saída de casa. Ligava apenas nove vezes, em dias úteis.
— Que bom — a voz de meu irmão penetrou meus ouvidos, me trazendo de volta para o restaurante. O celular dele tocou. Kakashi relanceou a tela. — Vou ter que ir, Sasuke.
— Beleza. Também tenho um compromisso. — Já eram quase duas. Eu tinha que sair agora ou acabaria me atrasando para a consulta.
Eu me despedi do meu irmão, mas não disse para onde estava indo. Era apenas uma consulta de rotina — mais uma naquela infindável sucessão —, e não havia motivo para incomodar ninguém.
Àquela altura, eu já conhecia cada detalhe do consultório do dr. Orochimaru.
Dos vasos de madeira espalhados nos cantos aos cartazes nas paredes alertando sobre osteoporose, desvio de coluna, fraturas diversas. Um ambiente calmo e bem iluminado onde as pessoas entravam ansiando por um milagre. Eu era apenas mais uma delas.
O dr. Orochimaru entrou na sala com seu jaleco branco.
— Olá, Sasuke. — o homem alto, de traços firmes, passou por mim e se acomodou atrás da mesa. — Como você está?
— Bem. E você, doutor?
— Muito bem. Continua praticando esporte?
— Eu nado pelo menos três vezes por semana.
Ela puxou minha pasta e começou a fazer anotações.
— E a fisioterapia?
— Continuo fazendo tudo direitinho.
— Notou algum sinal de melhora desde a última vez que nos vimos?
Eu me remexi na cadeira.
— Não.
— Humm... Você conhece o procedimento. — Ele se levantou, os instrumentos já dispostos sobre a mesa, e eu me peguei pensando que, quando ele usava a expressão "humm...", sempre vinha depois um "não vamos nos precipitar". Não gostei daquilo.
O dr. Orochimaru fez os exames de rotina em mim, verificando da pressão arterial aos reflexos. Sua testa estava vincada quando ele terminou.
— Sasuke, quero pedir novos exames. Mas não se preocupe. Não é nada que você já não tenha feito antes.
— E por quê? — eu quis saber, desconfiado.
— Quero analisar o progresso da sua lesão.
Eu entendi o que ele não disse. Já fazia tempo demais desde que a sensibilidade nas pernas voltara. Apenas isso. Nada mais acontecera.
Nenhum movimento, nenhuma mudança.
— Está demorando muito, não é? — perguntei, de chofre.
— Cada pessoa reage de um jeito, cada corpo tem um ritmo diferente, Sasuke.
Ao que parecia, o meu era o mais lento possível.
— Mas já devia ter ocorrido alguma mudança.
— Humm... Não vamos nos precipitar. — Ela deu um tapinha em meu ombro. — Sua última ressonância tem três meses. Preciso saber o que aconteceu de lá para cá.
Ele ligou para a clínica onde eu faria o exame e o marcou para dali a meia hora.
Fiz tudo no automático. Fui de um lugar para outro, observei meu braço ser espetado e o contraste ser injetado e tentei muito não pensar no que aquilo poderia significar. No fundo eu sentia como se estivesse chegando ao final de uma longa corrida. O resultado podia ser tanto a vitória que eu desejava quanto ficar no meio do caminho.
E não pude parar de pensar em Sakura. Ela lidava muito bem com minha limitação. Na maior parte do tempo, parecia se esquecer dela. E estávamos no início de algo que poderia ser ainda mais... mais. Eu queria isso. Queria tudo que envolvesse Sakura.
Mas não pude evitar me perguntar se poderia funcionar. Eu seria capaz de dar tudo o que ela precisava, ser o que ela precisava, se nunca mais voltasse a ficar sobre meus próprios pés?
Por que agora?, me peguei pensando. Por que eu tinha que ser obrigado a pensar em tudo isso justo hoje, quando estava feliz como havia muito tempo não me sentia?
Enquanto eu me deitava na cama estreita da máquina de ressonância e me mantinha imóvel, me peguei pensando se aquele era o meu julgamento, se o veredito seria dado em dois dias. O último deles, sem salvo-conduto, réplica, recursos.
De uma coisa eu estava certo. O resultado daquele exame mudaria minha vida. De um jeito ou de outro.
Continua!
Capitulo dedicado as lindas Bela21, Obsidiana Negra, Isa e Mei Itaik pelos comentários, vocês são uns amores!
