Disclaimer: Por muito que adore a história e as personagens do anime Shingeki no Kyojin, estas obviamente não me pertencem e todo o crédito vai para a criatividade e talento do Isayama Hajime.
Referência musical: (Ikanaide) - Piano version
Vestígios do passado
Flashback
- O teu tio não estava a ser brando contigo, pelo menos não conscientemente, pois para nós não é fácil olhar para ti e ver um oponente que queremos derrubar sem qualquer hesitação. – Dizia Layla, enquanto observava com carinho o filho com o bebé nos braços que adormecia após longos minutos.
- Mas a diferença entre mim e ele era abismal e…
- O teu pai cresceu neste lugar repleto de magia e aprendeu a respirar a vida na natureza à sua volta, aprendeu a envolver-se de tal forma com ela, que nem sempre distingues onde começa um e acaba o outro. – Prosseguiu a Ómega. – Como Elo incompleto não teria sido capaz de metade das coisas que fiz no passado, caso ele não estivesse ao meu lado. Os escolhidos para zelarem pelos Elos têm uma aura muito própria, uma presença por si só muito especial. Se os Elos Primitivos pudessem ser Alfas, o teu pai com certeza seria um e em tempos, perguntei se não seria mesmo possível.
- E não é? – Perguntou Levi curioso, colocando o bebé no berço.
- Não. Se fosse, ele teria assumido o meu lugar e teria protegido Maria durante todo este tempo em que a proteção do templo enfraqueceu por não ter qualquer Elo Primitivo que zelasse por todos. Ainda assim, qualquer pessoa que conhece o teu pai, reconhece algo de especial nele. Eu sou suspeita para falar. – Brincou um pouco. – Mas quanto mais conheceres dele, quanto mais te deixares envolver por tudo aquilo que te pode mostrar, verás a magia de que falo.
- Eu pensava que ele era só… mais brando, um bocado estranho. – Admitiu e a mãe riu.
- Deixa que ele te mostre o mundo, a realidade através de uns olhos diferentes e te contagie. O que fazes com isso depois é coisa tua, mas asseguro-te que nunca te irás arrepender da experiência. – Assegurou a mulher de cabelos negros. – Além disso, o teu pai pode parecer brando, mas ele sabe distinguir muito bem e até melhor do que eu ou teu tio e qualquer pessoa que conheça, quando é que deve ser brando ou deve mostrar força. É uma sabedoria difícil de dominar, aprender e utilizar.
Levi manteve aquelas palavras em mente, quando duas semanas mais tarde tornou a insistir com o pai para que o orientasse nos treinos. O progenitor ainda se preocupava com o estado do filho que tinha passado um último mês de gravidez difícil, seguido de um parto complicado que o deixou debilitado durante dias. Porém, assim que começou a recuperar-se sempre insistia em ser treinado por ele e após tanta insistência, Axel cedeu aos pedidos.
- Como é que fazes? – Ia perguntar o rapaz de olhos diferentes com a respiração alterada e visivelmente cansado.
- Os teus reflexos são bons, mas podiam ser melhores. – Disse o Alfa, colocando-se atrás do filho e cobriu os olhos dele. – Mas agora quero que escutes apenas o que há à tua volta, que permitas o teu corpo relaxar ao ponto de sentir os movimentos à tua volta.
- Não estou a ver como relaxar, pode ajudar a…?
- Shh, não fales. – Murmurou. – Ouve e sente. Há muito que podes aprender, fazendo essas duas coisas. Se és capaz de ouvir as vozes de um passado distante, tens que ser capaz de escutar a terra, o ar, a vida desta terra que não te viu nascer, mas é a tua casa.
As palavras nem sempre eram claras, mas eram diferentes. Os momentos com aquele Alfa não priorizavam os combates nem os exercícios físicos. Era diferente. Abria os olhos dele para outras coisas que mesmo estando à sua frente não teria notado, caso não tivesse sido ensinado a observar as coisas à sua volta de outra forma. Era tal como a mãe lhe tinha explicado, aquele Alfa enxergava a magia, o invisível à sua volta e coisas tão preciosas que iam muito além da força, das técnicas com as quais não perdiam muito tempo.
- Chamam-se constelações. – Explicava Axel ao filho que estava sentado no ramo da árvore para onde os dois tinham subido e viu a expressão maravilhada do jovem, quando conseguiu ver os desenhos que as estrelas formavam. – Embora saiba que elas estão ali, sempre gosto de ver outras coisas. Fazer desenhos diferentes. – Com o dedo indicador, desenhava no ar alguns animais que faziam o filho sorrir.
- Nunca tinha parado para fazer nada disto. – Dizia com os olhos fixos nas estrelas. – É das coisas mais bonitas que alguma vez vi.
- E há tantas mais que com certeza, ainda te faltam ver e a mim também. Só temos que estar abertos a isso, atentos à nossa volta. Há beleza inegável nesta imensidão que podemos ver, mas pensa que essa imensidão está decorada por cada um daqueles pontos brilhantes. Quando vires a beleza que existe também em coisas pequenas e simples, este céu vai-se tornar ainda mais belo.
Fim do flashback
"Quando encontrares um momento em que é a visão é desnecessária, deixa outro sentido ocupar esse lugar sem medos", repetia mentalmente recordando as palavras dele, enquanto fechava os olhos e se desviava sem dificuldades das espadas que o tentaram atingir, "Escuta a forma como o ar se move, o ruído de um corpo repleto de vida e prevê pela forma como toma o ar para si, a força do impacto. Ajusta os músculos com tempo e deixa que o teu corpo dê forma à interpretação de todos os sinais", cruzou as espadas e deteve o golpe na sua direção.
Abriu novamente os olhos e avançou para cima do soldado que tentava ripostar rapidamente, após ter tido o seu ataque parado. Aqueles escassos segundos de surpresa serviram para uma sucessão precisa e violenta, cuja pressão fez as espadas cruzarem os ares, desarmando um deles.
Não obstante, não teve muito tempo para congratular-se antes de trocar um olhar rápido com o companheiro de equipa que recuou ligeiramente, depois de um ataque que ele apenas decidiu amortecer. Em seguida, tanto Eld como Gunther passaram velozmente ao lado do Ómega, golpeando em sincronia o adversário que fez um gesto para o próximo soldado entrar em campo.
Havia atualmente dois em campo, um que tinha Reiner, Eld e Gunther bem encarregue da missão e ao trocar mais um olhar com Farlan, este distanciou-se do segundo oponente que trocava golpes com Petra e Oluo que mostrava também um bom trabalho de equipa.
- É uma formação muito boa. – Elogiou Gabriel ao lado de Kenny e Carla que assistiam à prova final de admissão à Tropa de Exploração. – Eles estão sempre a atacar e ao mesmo tempo, a cuidar a defesa. Estão bastante sincronizados.
- Estão a proteger-se mutuamente, corrigindo as aberturas daqueles que atacam… - Comentou Kenny com um sorriso. – Mas acima de tudo, estão a seguir sem pestanejar as pequenas indicações do líder do grupo.
- Só espero que continuem no bom caminho. – Comentou Carla um pouco nervosa. – É uma pena que a Layla não esteja aqui para vê-lo.
- Ficaria muito orgulhosa, assim como eu. – Falou Kenny. – Se bem que ainda falta… merda, entraram os três que faltavam.
- São veteranos? – Indagou Carla preocupada.
- Não os três, mas um deles acho que vale pelos sete. – Comentou Gabriel curioso acerca do desenrolar da prova. – Hum, já desarmaram um deles que entrou… muito bem.
O ataque direcionado a Levi foi cortado pelas espadas cruzadas entre Eld e Oluo que impediram a progressão do mesmo, enquanto pelas costas Reiner rasteirava o soldado que saltou, mas logo recebeu uma cotovelada de Petra que o fez desequilibrar-se. Estava aberto para um ataque, mas o companheiro ainda em campo defendeu-o e conseguiu algum distanciamento para safar o colega.
O jovem de olhos bicolor conhecia aqueles movimentos e por isso, olhou para Eld que assentiu. Deixaria o loiro delinear o plano a partir dali, dado que não podiam seguir a mesma estratégia até àquele momento. Se bem que primeiro…
- Fora… - Murmurou Shadis, tentando esconder a surpresa por ver mais um dos oponentes desarmado por uma velocidade e força admiráveis do Ómega em campo.
"Falta só um deles. O mais difícil, mas é apenas um e nós somos uma equipa", concluía Levi, vendo um gesto discreto de Eld que lhe dizia para avançar primeiro, enquanto os restantes preparavam as suas posições.
O choque de espadas era tal como recordava. Forte e preciso, mas o Alfa não recuou. Contudo, desta vez estava preparado para os contra-ataques. Esses que vieram logo em seguida e forçaram-no a recordar a forma como devia amortecer os impactos. A solução seria espalhar um pouco da força recebida por todo o corpo e dessa forma, diminuir a violência do choque entre eles.
Sentiu um frio na barriga, quando pela primeira vez Levi viu o pai recuar ligeiramente e mudar de estratégia, ao mesmo tempo que se apercebia das outras movimentações.
- Está a ter um desempenho ainda melhor do que tu e a Layla tiveram. – Falou Gabriel incapaz de afastar os olhos do confronto. – É impressionante.
- Porque naquela altura, nem eu nem a Layla entendemos uma coisa que ele aprendeu muito bem no tempo em que esteve em Trost. – Começou Kenny. – Aprendeu que a força individual é importante, mas a verdadeira força da Tropa de Exploração está na equipa como um todo. E da mesma forma, como ele protege os outros… - Viu o sobrinho desviar a espada que ia na direção de Petra que se esquivou, graças ao golpe dele e porque Farlan também a puxou. – Ele agora é consciente que… - O ataque ia direcionado a Levi, mas repentinamente o último Alfa viu-se rodeado de espadas, apontadas diretamente aos pontos vitais. – Os colegas também estão dispostos a protegê-lo.
Axel sorriu discretamente ao provocar aquela reação em todos os integrantes da equipa, quando focou os seus ataques naquele que mais queriam proteger. Todos reagiram instintivamente, mas sem atrapalhar a posição dos outros e por isso, acabou com todas aquelas lâminas colocadas perigosamente perto de vários pontos vitais. Todas aquelas espadas e olhares que lhe eram dirigidos, surgiram imediatamente quando ia aplicar um golpe perigoso no filho. Esse que estava logo atrás deles, encarando-o ainda com as espadas em punho e aguardando qualquer movimento que indicasse mais um ataque.
Não era necessário. Eles estavam no patamar que queria ter visto antes. O grupo estava completo e acima de tudo, estava coordenado. Portanto, deixou as espadas que tinha nas mãos caírem, diante do olhar surpreso de todos que afastaram as lâminas e viram o Alfa colocar a mão no peito em saudação militar, assim como os companheiros.
- Isso significa que… - Ia dizer Farlan.
- Conseguimos? – Perguntou Reiner.
- Passámos o teste? – Indagou Gunther.
- Estamos na Tropa de Exploração. – Murmurou Levi ao ver os soldados assentirem e o sorriso espalhou-se no rosto dos jovens que gritaram, saltaram e abraçaram-se entre festejos. Esses que se contiveram para um momento de cerimónia no interior da base militar, mas depois os jovens ficaram livres para ir ter com amigos e/ou família. O certo é que todos acabaram num dos bares de Maria a comemorar com música, bebida e bastantes conversas, alimentando o clima de festa.
- Vá, só mais um, Levi. – Insistia Reiner com um copo na mão.
- O sabor não é muito bom. – Reclamava o Ómega com o rosto já um pouco corado da bebida oferecida momentos antes por Isabel.
- Esta é doce. – Ofereceu Christa.
- Acredita. – Falou Ymir. – Aqui a loirinha e também a Sasha não gostavam de várias bebidas, mas esta é doce.
- Não sei se é boa ideia dar-lhe estas coisas. – Comentou Gunther um pouco preocupado ao ver que o jovem não parecia precisar de grandes quantidades de álcool para ter uma aparência embriagada.
- Estamos entre amigos. – Falou Connie, sentado ao lado da namorada que bebia mais um pouco.
- Temos que comemorar! – Insistiu Reiner.
Levi pegou no copo e preparou-se para o sabor terrível, virando o copo de uma só vez. Porém, desta vez encontrou um gosto bastante doce.
- Viram só? Tudo de uma vez só! Assim é que é! – Elogiou Reiner.
- E tu tens que parar. – Falou Petra. – Prometemos que te levávamos mais ou menos decente para casa. O Bertholdt não vai ficar contente.
- O Berth ama-me. – Dizia o Alfa visivelmente embriagado. – Vamos cantar um bocado, Levi? Há karaoke ali. – Apontou.
- Vamos! – Concordava Isabel, agarrando o braço do Ómega que um pouco zonzo apoiou-se no ombro de Farlan que preocupado logo se levantou.
- Estás bem?
- Estou…ótimo. – Respondeu, empurrando o Alfa para ir juntamente com Isabel, Reiner e também Christa na direção do karaoke.
Já era madrugada, quando Gunther servia de apoio a Eld e Oluo que se perdeu em declarações de amor a Petra que adormeceu, encostada a Sasha. Connie teve que carregar a namorada às costas, assim como Ymir também teve que fazer o mesmo com Christa que ainda assim antes de se deixar levar, ofereceu a casa a Petra para passar a noite lá. A Beta aceitou, mas teve que receber apoio de Reiner que ria enquanto Farlan tentava que Isabel ou Levi não caíssem.
A Ómega de cabelos ruivos ainda se agarrava ao braço do Alfa caso fosse cair, mas o jovem de cabelos negros ao mínimo contacto batia no loiro, dizendo que não era nenhum inválido. O caminho todo decorreu com o Alfa de cabelos loiros preocupado com os Ómegas que aceitaram que o melhor era ir para casa e Levi ficaria com eles, dado que não queria regressar a casa naquele estado. Era visível os passos um pouco incertos do jovem de olhos diferentes e a forma como sorria do nada na direção de Isabel que lhe cantava músicas inventadas ou dizia alguma piada sem qualquer graça, mas ainda assim os dois riram algumas vezes.
- Ouve bem Alfa oxigenado. – Dizia Levi cambaleando e apoiando-se na porta. – Eu não vou dormir no teu quarto.
Farlan viu Isabel entrar no quarto dela ao mesmo tempo que alguns objetos caíam. Ele fez uma nota mental para confirmar se ela estaria bem, mas só depois de tratar do outro Ómega.
- Vou dormir na sala, Levi. É só para ficares mais confortável. – Argumentou Farlan, vendo os olhos ainda claramente ausentes do raciocínio lógico.
- É a tua cama infestada de feromonas e…
- Posso mudar os lençóis. – Ofereceu e viu-o duvidar por breves momentos.
- Vou dormir na sala e… - Desencostou-se para ir até ao sofá e teria caído, mas desta vez foi contra o peito do Alfa que corou ligeiramente com a proximidade. – A sala está às voltas…
- Queres que te leve? – Ofereceu. – Dou-te apoio, só isso.
- Acho que preciso de ajuda. – Murmurou, agarrando o braço do Alfa que colocou o braço em torno da cintura do Ómega, tentando não pensar em como as feromonas estavam um pouco descontroladas devido ao álcool e por isso, bem mais fortes… e apelativas para um Alfa.
Farlan engoliu em seco e guiou-o até ao sofá, onde o rapaz se sentou e de imediato o loiro, ajoelhou-se à sua frente, começando a retirar-lhe as botas.
- Para ficares mais confortável. – Explicou. – Vou buscar uma almofada e alguns lençóis.
O Alfa aproveitou também para ir ver como estava Isabel e encontrou-a a dormir sobre a cama, ainda com a roupa com que tinha saído. Farlan também aproveitou para descalçar a rapariga e ajeitá-la na cama para que ficasse debaixo dos lençóis e em seguida, fechou a porta. Depois procurou os lençóis e almofada para Levi, que entretanto deitou-se no sofá mas ainda não dormia.
- Estás bem assim? – Questionou Farlan, ajoelhado ao lado do sofá, observando o Ómega.
- Sim… - Murmurou.
- Tens mesmo a certeza que preferes ficar aqui? Ficarias melhor no meu quarto. – Tentou argumentar mais uma vez. – A porta tem chave. Podias fechar, se isso te deixasse mais confortável.
- Sei que não me farias nada… - Falou. – Mas prefiro ficar aqui.
- Se confias em mim, então por que razão…?
- Não olhes assim para mim, Farlan. – Interrompeu.
- Huh? Assim como? – Indagou o loiro confuso.
Os olhos de cores diferentes começavam a fechar, enquanto a resposta saía num murmúrio:
- Porque a última vez que alguém olhou assim para mim, disse a maior mentira que alguma vez ouvi na minha vida.
Se estivesse um pouco mais afastado, provavelmente não teria escutado ou entendido aquelas palavras, mas graças à proximidade, Farlan ouviu-as perfeitamente. Mais uma vez, sentiu um aperto por dentro ao ver aquela tristeza e sentimentos dedicados a alguém que na sua opinião, não merecia aquela atenção. Sempre que pensava estar a dar um passo em frente, acabava a ver o Ómega retroceder ou perder-se em silêncios que denunciavam a presença de um fantasma.
Era muito mais evidente quando tinha a criança nos braços e o Alfa de cabelos loiros sempre tentava mudar de assunto, provocar mais algum sorriso e apagar aquela tristeza. Porém, ele queria mais do que isso. Desejava o lugar que aquele outro Alfa tinha conseguido sem o merecer.
Estendeu a mão na direção do Ómega adormecido e acariciou de leve os cabelos. O aperto no peito voltou ao ver uma lágrima solitária cair pelo rosto dele e limpou-a com o polegar.
"É por causa dele que não acreditas que te quero, que podes ser feliz com outra pessoa… não acreditas na maior verdade que guardo aqui dentro, que te amo. Quero abrir-te os olhos, quero que sejas feliz, completamente feliz. Mereces tanto e eu só preciso de uma oportunidade…", pensava antes de deixar um beijo na testa do jovem adormecido e deixá-lo na sala.
Horas mais tarde, quando Levi despertou apesar das dores de cabeça, reparou que tanto Farlan como Isabel continuavam a dormir. O hábito de acordar sempre à mesma hora continuava enraizado desde da sua estadia em Trost que coincidia também com os horários na base militar.
Recordar-se da vida militar, fez com que sentisse mais uma vez algum orgulho por ter finalmente alcançado os soldados de elite, ainda que soubesse que tinha muito para aprender. Os preparativos para receber os novos recrutas decorreriam durante alguns dias. Nesse tempo, deviam comparecer aos treinos com outros ramos militares, mas não cumprir o horário na íntegra, pois futuramente o objetivo seria dividir-se entre a Tropa de Exploração e outros ramos.
Pretendia-se que não fosse possível associá-los aos soldados de elite e se confundissem com tantos outros, tornando as suas identidades e ramo militar pouco claros, mas sem levantar suspeitas.
O jovem de cabelos negros arrumou as coisas sobre o sofá, calçou-se e saiu sem que ninguém se apercebesse. Iria passar por casa para tomar banho, mudar de roupa e em seguida iria tentar ter um dia que não se perdesse com as dores de cabeça.
- Bom dia, meu querido!
- Hanji mais baixo. – Reclamou, entrando no laboratório depois de se libertar dos braços da Beta.
- Ressaca, querido? – Perguntou divertida.
- Estás muito ocupada? – Indagou, desviando o assunto.
- Para ti nunca estou ocupada. – Respondeu com um sorriso e apontou para a secretária. – Tenho novos testes e um livro que penso que vais gostar.
O Ómega agradeceu e assim como fez várias vezes em Trost sempre que Hanji o visitava ou agora que estava em casa, passava várias horas no laboratório. Admitir que precisava de ajuda para aprender a ler ou escrever tinha sido uma das melhores coisas que fez e graças a isso, não só a sua família, como a investigadora ajudou-o imenso a corrigir essas falhas que insistiu que podia aprender com eles e não frequentando qualquer curso que pudesse existir em Maria.
A Beta mostrou-se mais do que entusiasmada com a ideia, pois assim também poderia avaliar o seu ritmo de aprendizagem e continuar a observá-lo de perto. Em troca de responder a algumas perguntas ou ocasionalmente deixar-se examinar pela investigadora, passou a aceder ao conhecimento, às histórias que nunca leu e cada dia revelava-se como uma descoberta.
Além disso, em Trost também aprendeu outras coisas com os habitantes do local, entre elas através da mãe do Comandante Gabriel que possuía um talento inato para qualquer instrumento que lhe colocassem nas mãos. O jovem pediu que o ensinasse, até porque queria melhorar as performances que inicialmente não o convenciam muito, mas depois via os olhares e as feromonas que indicavam o impacto positivo na vida daqueles que através da música viam um mundo que não se cobria somente de tons escuros. Se podia fazer algo diferente, algo mais por aqueles que carregavam vidas tão difíceis e transmitir no meio do entretenimento mensagens que também os fizessem ver a vida de uma forma diferente, então já valia a pena.
- Até à próxima! – Dizia Farlan ao seu lado, acenando a todos os que tinham acompanhado as canções e gritavam o nome dos integrantes da banda, à medida que o vocalista principal saía depois de um simples aceno.
Apesar da atitude um pouco mais distante e pouco conversadora com o público, por alguma razão que o próprio não entendia, continuava a atrair as maiores atenções do público.
- Hoje estava bastante gente. – Comentou Reiner.
- Até Alfas. – Apontou Eld e assim como os restantes elementos teriam começado a retirar as ligaduras que lhes cobriam os olhos, mas Christa parou a todos.
- Nem se atrevam, meninos!
- Achas que vou assim para casa? – Perguntou Levi.
- Combinaste mais alguma sessão de…? – Ia questionar Farlan e os elementos suspiraram ao entender que a noite ainda não tinha terminado, pois Christa e Isabel a quem ouviam ao longe provavelmente ter-se-iam comprometido com mais uma sessão de autógrafos.
- Vais dizer-me o teu nome hoje ou vou ter que esperar pela próxima reencarnação?
- Teresa! Teresa! – Repetia a rapariga ainda entusiasmada, apesar do tom do rapaz que fez os colegas questionarem-se mais uma vez de que lhes adiantava sorrir o tempo todo, se a fila imensa continuava numa direção em específico. – O meu nome é Teresa! Sou a fundadora do teu clube de fãs oficial, Rivaille! – Dizia enquanto o rapaz assinava a t-shirt e também um caderno. – Posso tirar uma foto contigo? Por favor, posso morrer feliz depois! Um selfie, nem precisas de sair daí.
- Uma coisa rápida porque ainda tenho essa fila imensa. – Falou por fim e mais gritos soaram.
- É tão lindo!
- Também vou querer uma foto!
- Eu também!
- Rivaille!
As duas Ómegas e a Beta observavam de uma lateral a afluência cada vez maior de fãs à sessão de autógrafos. Cada uma delas levava uma peruca de cabelos negros e uns óculos, além das roupas de estilo mais formal que lhes permitia por vezes, irem em auxílio dos constituintes da banda. Normalmente, apenas duas participavam em algumas ocasiões no próprio concerto, mas as três vigiavam para que ninguém ultrapasse os limites e quisesse manter-se demasiado perto dos jovens que assinavam um autógrafo atrás do outro.
- Nunca pensei que o nome que inventámos ficasse tão bem nele. – Comentou Petra.
- E tal como previ, é o que tem mais fãs. – Disse Isabel num tom bastante satisfeito e ambas viram que Christa acabava de atualizar mais uma vez a página oficial da banda.
- Já falta pouco para o concerto em Rose e olhem só a quantidade de pessoas de lá que estão a comentar e a dizer que gostavam de poder ter estado neste concerto.
- Wow! – Disseram as duas.
- Acho que a Hanji comentou ontem que o número de downloads também tem aumentado, sobretudo dos solos do Rivaille. – Comentou Petra.
- E não só, há cada vez mais grupos ou páginas criadas por fãs da banda. – Acrescentou Christa. – Como disse ao Comandante e ao General, este é o momento ideal para levá-los a Rose. Agora que estão na Tropa de Exploração, nada como juntar o útil ao agradável. Ao mesmo tempo que vamos enlouquecer os fãs, vamos também salvar aqueles que estão oprimidos.
"E se ainda conheço o Eren, como acho que conheço… ele tem que estar entre os fãs e se tudo correr bem, pode ser que também queira ver o Rivaille de perto", pensava a loira.
A água dos esgotos sem qualquer tratamento preenchia o ar, atribuindo-lhe características pútridas e até ácidas que paravam o avanço de alguns soldados. Os que não suportavam o cheiro e podiam escapar, enviavam os subordinados no seu lugar; mas também havia os que não suportavam e tinham até vontade de vomitar, mas não podiam recusar pois eram ameaçados.
O certo é que os aromas cruzavam-se com o sangue que corria e os cadáveres que apodreciam junto daqueles que agora também caíam sem vida ao lado deles.
A respiração do soldado escondia-se atrás de um pequeno lenço que caiu com o último golpe, que trespassou o coração do oponente. O nariz do soldado já se tinha habituado aos cheiros fétidos, após horas com poucas pausas entre um confronto e o seguinte.
As casas decadentes formavam um bairro fantasma, onde imperavam os mortos espalhados pela rua, caídos na entrada das residências ou numa posição anormal sobre o solo húmido.
A morte rodeava o único sobrevivente e também o ceifeiro de grande parte dos cadáveres, daqueles que eram mortos recentes e morreram em vingança dos outros que o soldado encontrou já sem vida. Novos passos ressoaram, mas o soldado reconheceu as feromonas antes de a voz anunciar a chegada da nova companhia.
- Jaeger, vamos voltar.
Os olhos verdes voltaram-se para o superior e este viu como aquele soldado estava encharcado de sangue, vestígios de estranhas e mesmo assim, esboçava um pequeno sorriso.
- Cumpri o desafio. – Começou por dizer. - Os Ómegas já estavam mortos, mas eu ocupei-me de castigar os responsáveis… um por um. Portanto, temos um bairro limpo, Comandante Smith.
Irvin forçou-se a manter a postura impassível, mas na verdade não esperava aquele comportamento. Mesmo que muitos à sua volta afirmassem que o jovem estava mudado, manteve a desconfiança. Procurou desvios, incoerências e em algumas ocasiões provocou o jovem em busca de uma reação.
Contudo, a atitude não se alterava mesmo que já não se falassem como antes. Havia ainda assim as palavras necessárias para manterem uma relação acima de tudo profissional. Se aquilo era uma máscara, o loiro não a conseguia fazer cair e pior, começou a notar a proximidade de Eren relativamente ao General. Existia confiança e consideração, o que deixava o loiro em alerta.
O Alfa de olhos azuis supunha que tudo aquilo que Eren fazia tivesse uma intenção, um objetivo que não fosse simplesmente encaixar e viver, segundo os ideais de Rose e Sina. Portanto, aguardou pela oportunidade para levar o jovem numa expedição. Deu-lhe uma missão perigosa com uma hipótese baixa de sobrevivência, visto que teria que matar dezenas de pessoas, se quisesse sobreviver num dos bairros mais mortíferos. A taxa de sucesso era muito baixa e o número de mortos naquela zona costumava ser muito elevado.
Partindo do princípio que o jovem moreno sobrevivesse, Irvin esperava que pelo menos tivesse ferimentos graves. Queria afastá-lo das atenções de tudo e acima de tudo de Zackley.
Porém, Eren não só tinha sobrevivido com ferimentos ligeiros, como ainda sorria diante do espetáculo macabro que o rodeava. Corpos em posições estranhas (provavelmente fraturas graves), desmembrados e desfigurados.
- Vamos regressar à base. Fizeste um bom trabalho, Jaeger. – Falou, virando as costas e ouvindo os passos atrás dele.
- Obrigado, Comandante Smith.
- E então? O que vai ser? – Perguntou o loiro. – Disse-te que podias fazer um pedido, caso cumprisses o desafio.
- Hum, posso convidar-me para um café na sua casa?
Irvin olhou de soslaio para o jovem.
- É esse o teu pedido? Tens a certeza?
- Sim, senhor. – Respondeu sem hesitar.
- Por curiosidade, posso saber porquê? – Irvin estava honestamente curioso.
- Gostava de ver o Armin. Só o tenho visto de longe a longe e tenho a certeza que ele pode ser uma boa influência para a Nicole.
Eren estava convicto que a ausência de resposta indiciava a falta de vontade do Comandante em aceder ao pedido, mas este não contava com a insistência do General. "Inocentemente" após o regresso da expedição, contou onde tinha sido colocado e que como correspondeu às expectativas do Comandante, apenas fez um pedido muito simples que infelizmente não teve resposta. Como um bom manipulador, fez um ar um pouco culpado e disse que talvez o mau passado dos dois, ainda impedisse Irvin de conviver com ele fora do trabalho. Porém, propôs-se a fazer o melhor para que o Comandante algum dia acedesse ao pedido dele.
A conversa decorreu em frente ao portão da casa de Zackley, quando foi deixar Olga em casa e por "coincidência" encontrou o pai da Ómega, que logo deixou os dois a sós para conversarem.
Evidentemente, o moreno planeou bem os seus passos para originar aquela troca de palavras e o efeito não se fez esperar. Poucos dias depois, tanto ele como outros membros do exército estavam convidados para um jantar de convívio na casa do Comandante Smith.
tooku eto kieteiku boku o oitette
Desapareces, indo para bem longe, deixando-me para trás
mou zuibun mienai yo yoru ga kuzureteiku
Já não consigo ver e a noite desmorona
naicha dame naicha dame
Não chores, não chores
demo hontou wa iitai yo
Mas a verdade é que quero dizer em voz alta
Ikanaide
Não vás embora…
O moreno repetiu mais uma vez o último verso da canção, enquanto esperava por Nicole no carro. As músicas a solo daquele cantor da banda No Name, Rivaille soavam-lhe tão próximas, que mesmo ficando com um nó na garganta, não podia evitar ouvi-las uma e outra vez. Lembravam-lhe tudo aquilo que o tempo não apagava. Se fechasse os olhos, podia vê-lo novamente nos seus braços, escutar as suas palavras, o batimento do coração debaixo da sua mão e as raras ocasiões em que desviava os olhos mais preciosos que ainda o assombravam. Não com um olhar de carinho ou indiferença, mas sim a mágoa, o ódio daqueles orbes repletos de lágrimas na última vez que se viram. Aquela vez em que os sonhos se rasgaram e ficou apenas aquela ferida aberta, que sufocava e escondia atrás de toda aquela pessoa que se movia em Sina. Sabia que viveria o resto da vida com aquela ferida aberta, com o ódio daquele olhar e com a certeza, que embora o destino os tenha feito encontrar-se… eles nunca poderiam ficar juntos. Era uma história demasiado perfeita para ser real.
Ele era uma pessoa estragada que se movia por objetivos e se a vida fosse justa pelo menos para o Ómega, ele teria encontrado outro Alfa para dar-lhe a vida diferente… longe dele.
Bateu no volante do carro para desanuviar a raiva que o atravessou por duas razões diferentes: uma odiar o Alfa que estivesse no lugar dele e a outra saber que não tinha qualquer razão para sentir-se dessa forma.
- Tenho que parar de pensar numa história que não era suposto acontecer… - Murmurou, mudando a música para algo mais alegre, assim que viu Nicole fechar a porta de casa e sair.
- Desculpa pela demora! – Disse ao entrar no carro.
- Não faz mal. – Respondeu o moreno.
- Ainda vamos buscar o Jean?
- Sim, mas como sabes ele sempre se atrasa um pouco. – Recordou Eren.
Na casa do Comandante Smith estavam presentes sobretudo as altas hierarquias e poucos se fizeram acompanhar pelos Ómegas, o que em certa medida desviava as atenções deles. Embora, Nicole chamasse sempre a atenção pela cor da pele, mas não lhe podiam apontar qualquer problema no comportamento. Além disso, o facto de ainda não ser bem aceite, fazia com que Eren pudesse relaxar um pouco relativamente aos cuidados redobrados. Por uma questão de aparências e prestígio, muitos não queriam sequer estar muito perto dela, o que a ver do moreno era ótimo, pois não queria sujeitar a Ómega a atitudes de Alfas pervertidos.
No entanto, não teve que se preocupar com isso e também podia contar com Jean para estar atento a qualquer conduta menos apropriada perto da jovem com longas tranças a caírem-lhe pelas costas e que conversava numa mesa colocada no exterior para os poucos Ómegas presentes. Não queriam a presença deles na mesma mesa ou sala e daí que aproveitando o bom tempo, deixaram-nos no exterior. Algumas vezes tanto Jean como Eren olhavam para fora e confirmavam que de facto, não havia qualquer razão para preocupações.
As trocas de palavras com os jovens também os distraíram e mais uma vez, o jovem de olhos verdes notou como Jean podia estar próximo a algum tipo de promoção, mas a ideia ficava sempre num impasse devido à sua recusa em procurar algum Ómega. Tratava-se de um requisito obrigatório para qualquer Alfa, principalmente após o número de soldados ter descido abruptamente depois do último confronto.
Quanto a Eren ia sorrindo sempre que necessário e tentando durante a maior parte do tempo, dizer o que todos esperavam ouvir dele. Apesar de já ter Ómega, por vezes ainda o pressionavam para passar à próxima fase que seria ter filhos. Com subtileza escapava à insistência e desculpava-se algumas vezes com as expedições que o faziam ausentar-se várias vezes e pelo grau de perigo, não queria pensar na hipótese de não estar presente para educar as possíveis crianças. Quando lhe diziam que isso seria a tarefa da Ómega, sempre se safava com uma resposta que os outros, por orgulho, não podiam negar.
- Os Ómegas não estão qualificados o suficiente para serem os únicos envolvidos na educação. É preciso uma figura parental forte. – Respondia e viu alguns a concordarem, enquanto degustava mais um pouco do vinho. – Hum, acho que vou buscar algum gelo à cozinha.
- Chama um dos Ómegas. – Comentou o Comandante Smith.
- Não é necessário. – Dizia Eren, levantando-se e trocou mais um olhar com Jean. – Volto já.
Mais uma vez durante aquela noite, os dois jovens notaram alguma hesitação no que dizia respeito à presença de Armin. No passado, exibia o Ómega loiro como um troféu para que todos invejassem e mesmo que tivesse tecido alguns elogios, havia algo diferente. Depois do Ómega de olhos azuis ter servido a refeição, ordenou que se juntasse aos restantes no exterior. Normalmente, sempre o mantinha por perto e qualquer coisa que pedisse, Armin seria sempre o primeiro a ser chamado para dar resposta ao pedido. Porém, mesmo que os restantes estivessem já distraídos com o álcool que lhes corria no sangue ou simplesmente não se interessassem nesse aspeto, os dois jovens ficaram desconfiados.
Portanto, Eren aproveitou o momento em que viu Armin passar perto de uma das janelas para entrar na cozinha pela porta das traseiras e dirigiu-se também ao mesmo local. Apenas tinha dito boa noite ao loiro e se nada acontecesse nos próximos momentos, teria a oportunidade de dizer mais algumas palavras.
- Eren?
- Vim buscar gelo. – Respondeu, vindo até ao congelador.
- Deixa estar, eu posso…
- Não. – Cortou o moreno, abrindo o congelador de costas para o Ómega que retirava algo de um armário. – Conta-me, Armin… há alguma razão em especial para ligares quase sempre à mesma hora para a minha casa?
Ouviu o Ómega prender a respiração.
- O…quê?
Eren voltou-se para ver o Ómega que entretanto, se recompunha e tentava aparentar que não sabia do que ele estava a falar.
- Ponderei várias hipóteses de quem pudesse ser, mas pela tua reação já tenho a minha resposta.
- Não sei do que estás a falar, Eren.
- Ah sim? – Provocou, colocando o gelo no copo que tinha na mão. – Será que se pedir um extrato detalhado de todas as chamadas que fiz ou recebi, não vou encontrar o número desta casa? – Viu o rapaz desviar o olhar. – Hum, quem diria que não pensaste nessa hipótese. Achavas que não iria descobrir porque nunca dizias nada sempre que atendia o telefone? Não sou tão ingénuo, Armin. O que foi? O que te está a deixar tão distraído ao ponto de não veres falhas em planos tão simples como esse?
Armin não queria deixar transparecer, mas estava a ser apanhado de surpresa com aquela atitude do moreno. Já tinha escutado Irvin ou Mike comentar sobre a estranha mudança de Eren, mas desde que tudo aconteceu, nunca mais voltou a falar com ele. Mal saía de casa e também as visitas do jovem de orbes verdes nunca mais aconteceram. Porém, agora que o via interagir com os outros e acima de tudo, a forma calculista e ao mesmo tempo irónica como falava com ele deixava-o com um nó na garganta. Aquele Alfa antes não estaria tão atento e nem se comportaria daquele modo. Será que ter sido deixado por Levi, família e amigos foram os ingredientes necessários para mudar daquela forma?
- Desculpa. – Murmurou.
- Estou curioso. – Falou. – O que será que queres falar comigo, mas não tens coragem? Será peso na consciência pelo que fizeste contra mim naquela noite? Ou pelas coisas que fizeste ao Levi? – Sorriu de lado ao ver o ar quase pálido do loiro. – É… acabei por descobrir que tens mesmo duas caras, Armin. – Deu alguns passos até o rapaz de olhos azuis recuar e encostar-se trémulo ao frigorífico. – Achavas que podias mentir, Ómega? Que me podias enganar com essa falsa inocência? Põe-te no teu lugar.
- Eu…ah… peço perdão. – Dizia cada vez mais assustado e ouviu o Alfa rir um pouco perto da sua orelha. Não um riso alegre, mas sim arrepiante.
- Parece que precisamos de falar e eu vou encontrar a ocasião ideal, até lá pensa bem naquilo que vais responder e que achas que quero saber. Se a resposta não for o que espero… é melhor que te prepares. – Distanciou-se, retirando o pacote de bolachas da mão do rapaz que estava pálido e deu alguns passos na direção da porta da cozinha, onde apareceu Mike.
- Estás perdido na cozinha?
Eren teve que conter o sorriso irónico e ergueu o copo com gelo e na outra mão o pacote de bolachas.
- Encontrei o Armin depois de ter tirado o gelo e ele ofereceu-me bolachas. São de chocolate, não consegui resistir à oferta. Quer alguma, Vice-Comandante?
- Não. – Respondeu num tom seco enquanto via o jovem passar por ele.
- O senhor é que sabe. – Disse relaxadamente, embora de soslaio tenha notado o ar desconfiado do Alfa que parecia tenso e desconfiado de alguma coisa, mas Eren contava com o Ómega para não abrir a boca até porque se o fizesse, também teria problemas.
- O Mike foi logo atrás de ti na cozinha e nem dois minutos ficaste lá. – Murmurou Jean.
- Sim, eu reparei. – Comentou Eren, partilhando as bolachas com o amigo.
- Estás estranhamente contente para quem está no meio destes tubarões.
- Depois de saber que o meu pai está cada vez mais desequilibrado, comecei a pensar que também estes dois merecem a minha atenção e dedicação para os fazer cair.
- Achas mesmo que estão a tramar alguma coisa?
- Sei que pensas que eles podem estar atrás do lugar do Zackley e isso também pode ser considerada uma possibilidade, mas há mais qualquer coisa e eu vou descobrir o que é. – Falou, erguendo o copo na direção do General que o chamava. – Até lá, vamos fingir mais um pouco.
-X-
Preview:
- E acho que o Gunther e o Eld vão estar com as famílias deles e se calhar, não devem vir. – Comentou Hanji. – Mas depois podes pedir um presente para compensar.
- Mas eles p'ometeram! – Falou, retirando os pés da água e colocando-se de pé. – É o meu aniversário!
- Eu sei coisa fofa, mas vais ter que acertar as contas com eles depois.
- Tch…
Hanji riu ao ver a mesma expressão que tantas vezes via em Levi. Aliás essa não era a única característica que a pequena tinha do Ómega, (…)
(…)
- Vais denunciá-los? – Perguntou Armin com uma voz tímida.
- Vou criar um espetáculo. – Falou o moreno com um meio sorriso. – Mas isso é um segredo meu. – Falou, guardando o telemóvel que tinha emprestado ao loiro no último mês.
- Mereço alguma recompensa? – Perguntou esperançado. – O Jean veio contigo?
- Ah, estás mais interessado no Jean, loirinho? – Perguntou com um sorriso estranhamente afável.
- Se fores tu, também não me importo.
- Claro que não. – Falou, levantando-se da mesa e retirando umas luvas pretas do bolso.
- Eren?
- Sim? – Falou, enquanto colocava umas luvas pretas com cuidado.
