Outtake 01: Dia em que conheceu Edward

A notícia chegou pela manhã. Não que eu não a esperasse, mas ouvir da boca de um médico que a pessoa mais próxima de você acabou de morrer não é algo de fácil digestão.

Quando a vovó soube de sua doença, já estava praticamente com os dias contados, mas ela não se abalou. Seguiu com sua rotina inalterada tanto quanto foi possível. Apenas passou a me incluir em seus compromissos com frequência e a dedicar mais tempo a minha educação. Ela queria que eu conhecesse toda a empresa antes que ela partisse.

Nos últimos dias, não sei de onde retirava forças para sair da cama. Nunca fui contrária por saber que se a impedíssemos de fazer o que mais gostava, com certeza, ela partiria mais rápido.

Nosso advogado ficou encarregado de todos os trâmites legais e práticos, cabendo a mim, apenas o último adeus à mulher que foi minha única família nos últimos anos.

Enquanto eu peguei um voo de carreira para atravessar o país, o corpo de minha avó foi trasladado em um avião particular horas antes.

Quando cheguei à Forks, conheci algumas pessoas que nunca tinha tido contato - em sua maioria Cullen's. Foi um deles, que não sei precisar o nome, que me buscou no Aeroporto de uma cidade vizinha e me levou até onde vovó seria velada e, posteriormente, sepultada ao lado de seu marido – homem este que a ouvi falar com saudade e amor absolutamente todas as vezes em que o mencionou. Nada mais justo que descansar ao seu lado, eternamente.

Eu nunca gostei de ser o centro das atenções. Não só por constrangimento. O traidor do meu corpo sempre mandava todo sangue possível para o meu rosto, deixando-o fortemente corado, de modo que era impossível que não soubessem que eu estava desconfortável com o que quer que seja. Ainda havia minha falta de coordenação patológica.

Infelizmente, tornei-me o centro das atenções e meu rosto assumiu uma nova cor assim que sai do carro e caminhei de cabeça baixa para o velório da vovó.

Eu sentia os olhares em minha direção. Olhares de pena, de curiosidade, de dó. Afinal, eu era a garota cuja mãe teve uma morte trágica e que também tinha acabado de perder a mulher que a adotou. Mas também era a pessoa que, a partir de agora, juntamente com Carlisle Cullen, teria todo o poder do Império Cullen nas mãos. Era difícil, para vários deles, aceitar que uma bastarda controlasse a fortuna da família.

Eu sabia que, por direito, a herança era minha e de Carlisle. De ninguém mais. E aprendi também que dinheiro corrompe o ser humano. Independente de sangue ou honestidade.

Quando conheci Carlisle – porque vovó fez questão que nos encontrássemos, decobri um homem justo e amável. Justo com sua esposa, tinha um filho, um pouco mais velho que eu e que, no futuro, assumiria uma parte dos negócios.

Fiquei curiosa ao saber que minha avó tinha um neto que não a visitou em tanto tempo, mas que ela nutria um amor profundo, sem mágoas ou rancores. E eu gostaria muito que ele estivesse em seu velório, para, pelo menos, despedir-se adequadamente.

Ao aproximar-me da porta da frente, senti vários braços ao meu redor. Pessoas que nunca tinha visto estavam manifestando seus sentimentos por minha perda – verdadeiros ou não – e me amparando. No meu mar de tristeza, pude sorrir ao ver Carlisle também mostrar seu carinho – neste caso verdadeiro – me abraçando apertado.

- Eu sinto muito, querida – e percebi que sua voz demonstrava tanta tristeza pela perda da mãe como eu já senti um dia.

Devolvi o abraço na mesma intensidade, tentando encontrar as palavras adequadas ao momento. – Eu sei que ninguém sente mais do que você, Carlisle. Saiba que pode compartilhar sua dor comigo.

Voltamos a nos abraçar, desta vez apenas nós. Ergui meu olhar e reconheci Esme ao redor. Me afastei de Carlisle e a abracei também. Era tão confortável estar em seus braços.

Nós três seguimos para dentro e quando olhei adiante, vi duas coisas que, naquele momento, tive certeza que levaria pelo resto da minha vida.

A primeira delas era a imagem da minha avó, dentro de um caixão, com o semblante sereno que poderia estar dormindo.

A outra imagem pertencia a um rapaz tão branco quanto eu, com cabelos bagunçados cor de bronze e que me lembrava uma escultura de deus grego, ou um anjo de Michelangelo.

Com o braço de Carlisle em cima de meu ombro, fui conduzida até o caixão da minha avó, bem perto do anjo em forma de humano e que eu poderia passar anos apenas admirando.

Me censurei por ter tais pensamentos em uma situação triste como aquela e os guardei em algum lugar de difícil acesso em minha mente para que, em algum momento oportuno, eu pudesse perguntar sobre ele a Carlisle.

No momento em que cheguei, não havia mais ninguém a ser esperado. Sem demoras, partimos para o Cemitério de Forks, onde, sob muita emoção, vovó foi enterrada.

O mesmo parente que me buscou no Aeroporto de Port Angeles me levou para a mansão da família naquela cidadezinha do estado de Washington, onde haveria um pequeno café.

Lá, sentei em um banco de madeira do enorme jardim e imaginei como poderia ter sido a vida de minha avó, seu marido e seu filho, ainda criança, naquela casa tão grande.

Quando menos percebi, Carlisle estava sentado ao meu lado, provavelmente sugando o máximo de lembranças possíveis.

Segurei sua mão na minha e ficamos em silêncio por muito tempo, até que ele decidiu falar.

- Eu queria ter podido criar Edward nesta casa, nesta cidade. É tão calmo e me traz tantas lembranças boas... – divagou.

- E por que vocês não vieram para cá?

Um sorriso triste saiu de seus lábios. – Eu não tive coragem de pedir para Esme mudar sua vida por mim. Além disso, Edward não teria todas as oportunidades que tem em Nova Iorque. Esta cidade é muito inocente e ele não teria a malícia necessária para os negócios.

Então me lembrei de Edward. Será que ele estava em Forks? Eu não o conhecia, não tinha como saber. Talvez até tivesse cometido a grosseria de passar por ele sem cumprimentá-lo.

- E ele veio? Edward está aqui? – quase não consegui esconder a curiosidade na minha voz.

Carlisle sorriu para mim. – Sim, Bella. Ele está aqui. - E quando eu ia interrompê-lo para perguntar onde ele estava, Carlisle continuou a falar – Você passou por ele, Bella. Assim que chegou, ele estava ao lado do caixão.

Oh, Deus! Meu anjo de cabelos bronze também é um Cullen. Edward Cullen.