Agradecimento especial a minha beta, Waldorf San, pela paciência e compreensão, pois eu tenho entregado os capítulos atrasados, mesmo recebendo-os pontualmente. Vou tentar mudar isso. kkkkkkkkkk Beijos, amiga!
Capítulo 51 — Resolvendo o passado
Steven R. McQueen era um jovem e dedicado médico com apenas vinte e quatro anos de idade. Formado em ortopedia e traumatologia pela universidade de Oxford, na Inglaterra, trabalhava como assistente do doutor Henrique Martinez, este exercia a profissão de traumatologista geral há quase dez anos no principal hospital da Inglaterra: The cure. A ida do jovem médico para o Psychiatric Clinic St. Expedit, em Los angeles, junto ao veterano médico, deu-se devido às suas excelentes referências universitárias passadas pelo professor Arthur Martinez, irmão mais novo do doutor Martinez, e também professor de pós graduação do jovem.
Há um ano, quando Eric chegara inconsciente e ferido, transferido do Hospital Mercy para o St. Expedit, McQueen, acompanhado pelo doutor Henrique e o psiquiatra Adolf Sondem, foi contratado pelo patriarca Johnson para cuidar do seu filho que se encontrava em coma profundo. Desde a primeira vez que Steven pôs os olhos no rapaz, cuidou integralmente dele, chegando a conseguir mais horas de trabalho além do combinado. Antes, trabalhava apenas três vezes por semana; de terça a quinta-feira. Mas, com o surgimento de Johann em sua vida, conseguiu um contrato maior de trabalho: segunda à sexta em tempo integral, no qual viajava às sete horas do mesmo dia, retornando apenas no domingo, à meia noite. Assim, dedicava o fim de semana à especialização na mesma universidade inglesa em que fora graduado. Organizara seus períodos de sono, e em seis meses concluiria a especialização, já planejando conseguir pelo menos dois dias de plantão à noite. Sentia que era isso que devia fazer, e o melhor de tudo é que fazia por prazer, pois, diferente da obsessão de Eric pelo jovem Padalecki, Steven realmente amava o unigênito do senhor Johnson.
Johann e McQueen tornaram-se grandes amigos, e por essa razão o empresário sempre lhe contava detalhes sobre sua vida que nem mesmo tinha coragem de revelar ao doutor Sondem. Conversavam, divertiam-se e se entendiam cada vez mais. E, há cerca de seis meses, Steven propôs a Eric preparar seu desjejum, alegando que acordava demasiado cedo e tinha tempo disponível, antes de ir para o trabalho. E isso era, de fato, uma mentira, já que o rapaz chegava com uma hora de antecedência ao início do expediente apenas para preparar o café da manhã do amigo, e ter algum tempo para uma simples conversa informal com o outro.
Por essas e outras razões, em menos de dois minutos após a saída do casal Jared e Jensen do quarto do empresário, o médico o procurou, encontrando-o abaixado e com as mãos no rosto chorando compulsivamente. Ajudou-o a se levantar, fazendo com que sentasse cuidadosamente na pequena cama do quarto, logo depois deixando que ele deitasse ao longo do móvel, tendo a cabeça acomodada no colo no médico. Procurou ouvi-lo atentamente, no intuito de acalmá-lo.
— Eles nunca vão me perdoar, Steve... Nunca! — em meio às lágrimas, Eric falava abraçando o próprio corpo.
— Eric, você não pode ficar assim... Dê tempo ao tempo; só ele pode resolver qualquer situação. — afagando-lhe os cabelos curtos e loiros, o rapaz buscava consolá-lo.
— Eu os perdi, Steve! Perdi o amor do Jay, e com isso a oportunidade de conquistar a amizade de Jensen se esvaiu completamente!
O coração do jovem médico parecia querer saltar do peito. Será que Eric era realmente apaixonado por Jared Padalecki? Será que ele simplesmente não se livrara da obsessão doentia que sentia pelo outro? Essas e outras perguntas martelavam a cabeça do jovem médico como um tormento profundo, instalando-se no fundo de sua mente como uma erva daninha, envenenando-o, tornando-se seu algoz.
— Por que diz isso, Eric? Acha que realmente ama o Jared como homem? — lançou a pergunta que mais temia fazer, receoso do que ouviria como resposta. Porém, não podia simplesmente ficar no escuro.
— Não acho que o ame como homem. Infelizmente, nunca o amei de verdade, assim como ele também nunca me amou. — o que disse, deixou Steven visivelmente surpreso, mas aliviado. — Sabe, eu queria muito me tornar um grande amigo dele e do seu marido. Pensava que assim, talvez eu conseguisse me redimir com os dois pelo mal que lhes fiz, entende?
Foi impossível para o médico conter seu suspiro de alívio. Chegou a ter vontade de gritar, tamanha sua felicidade. Por um momento, achou que todos os desabafos e fatos que o outro relatara a si sobre Padalecki fossem provenientes de um sentimento maior que realmente nutria pelo garoto; que estava apenas encoberto pelo egoísmo e o medo da perda. Nunca se sentiu tão feliz por constatar um engano de interpretação. Almejava o amor de Eric e, respeitando a dor e o desejo de mudança que ele apresentava, sabia, ou melhor, sentia que o conquistaria.
— Posso lhe dizer algo para o seu bem? — perguntou com um pouco de receio — Promete não ficar ofendido?
— Pormeto, Steve. Manda! — falou firme, apesar do pranto.
— Pare de se culpar. O que você fez foi errado, mas não foi imperdoável, acredite! Eric, aqueles dois precisam de tempo para pôr as ideias no lugar, digerir o seu pedido de perdão. Não faz nem um ano que você resolveu ser um homem diferente, então tenha um pouco mais de paciência...
— Mas, eu realmente... — o jovem levantou a mão em um pedido mudo para que o deixasse terminar.
— Eu acredito em você; seu pai acredita em você; os doutores Henrique e Adolf acreditam em você; mas Jared e Jensen não, porque eles foram os que mais sofreram com sua antiga personalidade. — Andrew respirou fundo, interrompendo suas lágrimas. Entendia as palavras do amigo, e sentia que havia sinceridade nelas.
MacQueen ficou apenas encarando os olhos avermelhados do loiro por alguns instantes. Percebendo que nada seria dito, decidiu continuar:
— Por favor... Não quero que chore mais. Aqueles que buscam a verdade não merecem sofrimento. Pegue! — esticou um lenço branco em direção a Eric, que o pegou sem hesitar — Seque suas lágrimas. Vou lhe aplicar um sedativo, e ficarei com você até que durma, tudo bem?
— Obrigado, Steve. Você, sem dúvidas, é o meu melhor amigo.
O rapaz sorriu confiante. Era certo que desejava o amor daquele homem, mas também era verdade que se tornara seu melhor amigo, seu confidente. A felicidade dele vinha em primeiro lugar. Aplicou-lhe o sedativo e ficou ao seu lado na cama, observando-o quando o sono o envolveu.
— Descanse, meu amor... O período da manhã começou difícil para você, mas isso não significa que o resto do dia será assim. — repetia a frase em sua mente com os olhos fixos na face adormecida daquele que amava em segredo.
J2
Desde que deixaram o St. Expedit, Jared e Jensen seguiram para a Incorporating Financial. No entando, notando que o esposo ainda estava nervoso e com raiva, o moreno tomou a liberdade de ligar para o senhor e a senhora Ackles, pedindo permissão para chegarem atrasados, pois ele e o cônjuge tinham assuntos pendentes para resolver. O pedido foi prontamente aceito, apesar do loiro, mesmo estando ao volante, fuzilar Jared com o olhar.
— Posso saber por que você fez isso? Eu estou bem! Não precisava fazer esse drama. — vociferou.
— Querido, por favor, estacione na praça em frente à empresa do seu pai. — falou ignorando a bronca do mais velho.
— Por quê? Vamos deixar de trabalhar para perder tempo em uma praça? — perguntou com sarcasmo na voz.
— Por favor, querido, apenas pare.
Resmungando sozinho, Ackles fez o que o esposo pediu. Ao cruzarem o sinal da principal rua que dava acesso a Incorporating Financial, estacionou o carro no lado esquerdo, parando na praça em frente ao lugar. Então, ao tirar seu sinto de segurança, sentiu uma mão suave e de dedos longos virar seu rosto em direção contrária à porta de saída. O beijo que recebeu depois disso foi calmo, molhado e ao mesmo tempo apaixonado. Jared acariciava com uma mão o rosto de Jensen, enquanto se curvava em uma posição que dava total acesso ao contato com o amado. Quando finalmente se soltaram, o moreno resolveu quebrar o silêncio.
— Está se sentindo melhor agora, meu amor?
— Sim, Jay... Muito... — sussurrou o mais velho, olhando atônito para o moreno.
— Veja aqueles dois bancos de frente à fonte. — apontou — Vamos para o posterior. Foi lá que eu o conheci.
Ao saírem do automóvel, deram as mãos e foram para a praça, sentaram no lugar que o jovem havia apontado. Ainda era cedo, e algumas pessoas transitavam lentamente pela estonteante praça; algumas faziam cooper, e ainda havia aquelas que apenas desfrutavam da companhia umas das outras, em uma conversa informal. Os rapazes também agiram assim. Ao sentar, Jensen puxou o mais novo em direção a seu peito, mantendo-o em um abraço suave e acolhedor.
— A primeira vez que vim a essa praça, eu não tinha mais esperança. Sentia-me sozinho, abandonado, doente... — relatou o mais novo.
— Sempre gostei de vir a essa praça depois do almoço. Aqui sempre foi seguro, tranquilo, acolhedor... Aqui eu sempre conseguia encontrar a paz. Passei a gostar desse lugar ainda mais, depois que te conheci, Jay.
— Jen... Eu lembro como se fosse hoje. Eu estava fraco e à beira de perder a consciência. Então você me ajudou.
Ackles respirou fundo, apertando o abraço no amando, ao mesmo tempo em que iniciou um carinho em seus fartos cabelos.
— Quando eu o vi, seu semblante demonstrava tanta tristeza... Mas, o que realmente me chamou atenção... Bem, perdoe-me, mas não foi isso. — confuso, o jovem se afastou um pouco do abraço, olhando-o com atenção.
— E o que foi então, Jen? O que lhe chamou atenção quando me viu?
— Você! — exibiu um sorriso genuíno ao moreno, antes de continuar.
— Quando o vi, tive certeza que já o tinha visto em algum lugar, que o conhecia, por isso o olhei fixamente, mas isso não durou muito, pois quando percebi seu desmaio, corri para ajudá-lo.
— Então, por isso você se sentiu na obrigação de assinar o termo de responsabilidade pelo meu tratamento?
— Não, querido! Eu não me senti obrigado, eu me senti responsável por você. Era como se fosse o certo a se fazer, algo que eu nem sequer cogitei a possibilidade de deixar de lado, sozinho, entende? — o rapaz voltou a encostar-se no peito do loiro, permitindo novamente que ele o abraçasse.
— O senhor Andrew me falou que uma das histórias que Eric lhe contou, depois que voltou do coma, foi que a mãe dele falou que não devia tentar nos separar, pois somos almas gêmeas.
— Lembro que você me falou a respeito e adorei saber sobre isso. Peço que não me leve a mal, mas podemos deixar Eric de lado? Não estou a fim de falar sobre ele. — o mau-humor voltara ao semblante do mais velho.
— Jen... O segundo motivo para termos vindo aqui é para falar justamente sobre ele.
— O que? — Jensen se afastou abruptamente de Jared, segurando-o pelos ombros. Porém, arrependeu-se ao ver os olhos ressentidos dele.
— Perdoe-me... Perdoe-me, amor! — e dizendo isso, tomou suas duas mãos entre as suas e as beijou, antes de continuar. — Acho que é nítido que eu não perdoei e não sei se vou conseguir perdoar esse cara. Sempre que o nome dele é mencionado, um sentimento negativo estremece dentro de mim. Se eu pudesse, daria mais uma surra nele só para ver se esse sentimento diminuiria.
— E, se você fizesse isso, não seria o homem gentil e cavalheiro pelo qual me apaixonei. — Jared falou firmemente.
— Jay?
— Jen, preste atenção no que vou te dizer: você é um homem de bom coração, doce e sem sombra de dúvidas é capaz de fazer quem ama feliz. Você me salvou de todas as maneiras que alguém pode ser salvo; você me conquistou e, quando nos desentendemos, também foi você quem não permitiu que eu aceitasse o emprego na alemanha, mostrando-me que eu estava agindo de maneira intransigente e infantil, lembra?
O loiro, em silêncio, apenas meneou a cabeça em concordância, e então Jared continuou:
— Jen... O homem com quem me casei, o qual mais amo, depois de Deus, é o mesmo capaz de perdoar o pai e o meu ex-namorado, eu sinto isso. Eu te amo e não quero que esse sentimento ruim que está dentro de você incube a pessoa maravilhosa que você é. Amor... Não acho que você não seja capaz de perdoar o Eric ou seu pai, acho que você não quer perdoá-los. — mais silêncio — Estou enganado? — Ackles baixou o rosto, envergonhado, confirmando com um aceno de cabeça a pergunta do jovem, antes de falar:
— É como uma forma de punição pelo mal que fizeram àquele que mais amo. Sinto-me como se isso lhes devolvesse a dor e a tristeza que eles lhe submeteram.
— Mas, fazendo assim, você está se assemelhando a eles... Você não é como eles, amor!
O mais velho levantou o rosto, fitando os olhos expressivos daquele à sua frente. Por Deus, como o amava! Sabia que ele estava certo e, se continuasse agindo assim, provavelmente deixaria que tudo de bom que lhe foi passado, por meio do amor paternal de Isaia Belrrimore, seria enclausurado, esquecido.
— Lembre-se Jen: há quase um ano quando, o senhor Andrew nos pediu para falar com Eric, foi eu que me opus por nós dois. Mas agora, também por nós dois, peço-lhe que juntos possamos resolver nossas diferenças com ele e com seu pai, para que nosso amor se liberte do mal que os dois fizeram a ele. — acrescentou, sentindo que havia conquistado a reação que esperava no marido: ter consciência de que estava agindo mal.
Jensen se aproximou mais de Jared, tomou-o em seus braços e o beijou, sussurrando-lhe ao olhá-lo nos olhos.
— Eu te amo, minha vida, e mais uma vez aprendi que tenho muito que aprender com seu amor por mim. Está na hora de resolver o passado para mão haver mais nada de ruim entre nós.
— Isso quer dizer que... — a animação do moreno era visível em sua face; como se o sol estivesse iluminado em um dia de chuva.
— Isso quer dizer que ainda hoje vou ligar para o hospital e marcar uma nova reunião com Eric Johann Johnson e, dessa vez, não haverá imprevistos.
Continua...
Respondendo ao rewie:
Jade - Desculpe-me por fazê-la esperar querida, mas tenho uam novidade: o capítulo final de Sweet August sairá segunda-feira sem falta. Obrigada por gostar tanto assim de Sweet August. Tenha um santo e abençoado Natal. Beijos!
Boa tarde, pessoal!
Aqui estou novamente com mais um capítulo de Sweet August e mais uma vez, resolvi adiar o final dessa fic que me trás alegrias não só para vocês, meus leitores fieis, mas também para mim. Sexta-feira postarei o capítulo final de Seguindo em frente e mais um capítulo de Erros do passado, ok?
Tenham todos uma noite de Natal maravilhosa e que todos os seus sonhos se realizem.
Tenham uma segunda-feira e um início de semana cheio de Luz.
Beijos!
