- Parte 52 -
— A Cana já está muito melhor — anunciou Christine ao sair da Ala Hospitalar, encontrando Anne sentada à porta, o rosto cansado entre as mãos. Já era noite, e as garotas haviam passado o dia inteiro indo e voltando para a Ala Hospitalar, parando apenas para fazer rápidas refeições ou ir ao banheiro.
— Ah, que bom! — exclamou Anne, e seu rosto ganhou um pouco de luz — Espero que da próxima vez, ela pegue mais leve.
Christine sentou ao lado da amiga e a abraçou pelos ombros.
— Agora que já está tudo bem, pode me dizer o que aconteceu?
— Eu não queria te dizer, Chris, porque sei que você vai se alarmar muito, mas… Mas eu preciso de alguém ao meu lado, e além do mais, o que aconteceu lhe diz respeito.
— Você está me assustando, Anne.
— Seus pais se uniram aos meus e estão caçando Jake.
— Como assim? — indignou-se — Jacob não é um cachorro para ser caçado… Quer dizer, até é, mas isso não justifica. Eu vou falar com os meus pais, eles não continuarão com essa ideia idiota, ah, não mesmo!
E saiu decidia em direção ao corujal, mas Anne a chamou de volta.
— Não quer saber qual é a parte que lhe interessa na história?
— É verdade, eu fiquei tão indignada que me esqueci. Mas saiba, Anne, que desde já essa história me interessa, porque o que fere a você, fere a mim.
A garota sorriu e tentou recobrar as forças para dar à amiga a notícia que estava prestes a dar.
— Eles também estão caçando Snape.
Christine abriu a boca duas vezes para responder, mas a voz só saiu na terceira.
— Caçando Snape? Mas a minha mãe não é louca…
— Ela é, Chris, e todo o mundo bruxo sabe disso.
— Então pôs no mundo uma filha mais louca ainda. E Rodolphus, que nem meu pai é! Aquele chifrudo, patrono do Potter! Mas vou agora mesmo mandar uma carta bem mal educada…
— Não será necessário, Chris…
— Como não? Ah, Anne, não tente me acalmar ou me impedir, porque…
— Eles estão aqui, em qualquer lugar do castelo.
A expressão de Christine encheu-se de sombras, e parte da segurança de um segundo atrás se dissipou.
— E só agora você me avisa?
— É que Amy não estava bem…
— Mas ela estava sob os cuidados da velha mal comida da Madame Pomfrey! PUTA QUE PARIU, ANNE! VOCÊ É IDIOTA OU QUER UM NUQUE?
— Sem ofensas, Chris, também estou desesperada.
— Ok, desculpa, mas eu estou indo.
— Para onde?
— Sei lá, vou procurar!
— Calma, Chris, temos que pensar em um plano.
— Que plano, Anne? Não temos tempo. A essa hora eles podem… Nem quero pensar!
— Mas onde você acha que eles estão?
— Nas masmorras, talvez. Vamos para lá. Você está com sua varinha?
— Claro.
— Ótimo!
— Chris, espera! Nós estamos em desvantagem.
— Não estamos, não. Eu não sei você, mas Snape é alguém cujo rosto eu procuraria em meio a uma guerra, e isso não é uma analogia. Somos só nós duas contra eles quatro, e mais quantos comensais eles quiserem chamar, mas nós temos algo que eles não têm, e quer saber o que? Amor, amizade, sentimentos nobres que eles nunca conheceram. Sentimentos que nos une e fortalece. Eu acho que temos grandes chances…
— Tem razão — falou Anne com a voz embargada, secando com o dorso das mãos, as lágrimas insistentes — vamos lá!
O primeiro lugar em que decidiram procurar, foi na sala de Snape. No salão comunal obviamente não estavam, haveria muita gente por lá. Christine hesitou por alguns segundos à porta.
— Força, Chris — encorajou a amiga, dando um tapinha em seu ombro.
Christine deu um sorriso cansado.
— Alorromora!
Mas a sala estava totalmente vazia. Christine ainda entrou e procurou por algum indício, mas não havia nada, exceto alguns papéis, pena e tinteiro sobre a mesa. A garota se adiantou para ler, mas Anne a deteve.
— Agora não, Chris.
— E se for uma pista?
Anne tomou posse do papel e leu rapidamente algumas linhas.
— Parece uma poesia — falou, colocando-0 de volta à mesa — vamos, vamos logo.
E saíram.
— Espera, Chris — Anne estacou — e se eles ainda estiverem a salvo?
— Você realmente acha que nossos amados pais perderiam tempo?
— Não sei, mas não custa tentar. Vamos ao salão comunal.
Mas Christine estava certa, e não havia vestígio algum de Jake e Snape no aposento. Anne começou a entrar em desespero.
— Não sei — sua voz voltou a embargar — para onde eles os levariam? Não consigo pensar com a cabeça dos meus pais.
— Mas eu consigo — observou Christine, com um ar pensativo — mamãe é do tipo que mata a cobra e mostra o pau, estou certa de que ela quer que vejamos tudo.
— E se meus pais estiverem na liderança do grupo?
— Bellatrix jamais se deixou liderar. Agora preciso pensar… Onde? Lógico que não fariam nada às claras, mas também certamente não foram para longe daqui.
— Sala Precisa?
— Não, seria praticamente impossível que conseguíssemos ver o mesmo lugar. Mas eu tenho uma outra sugestão…
— Então diga de uma vez.
— A Casa dos Gritos.
— Mas a Casa dos Gritos fica em Hogsmeade, como é que nós…
— Justamente! Existe uma passagem daqui de Hogwarts diretamente para a Casa dos Gritos, e eu acabei por comentar isso com a mamãe certa feita.
— Uma passagem? Como é que você sabe disso, Chris?
— Foi Lupin que me contou, sem querer, é claro.
— Vocês costumavam se encontrar a sós?
— Sim, mas não vem ao caso agora, Anne. Vamos, Casa dos Gritos. Foco!
— Tá, mas onde fica a tal passagem?
— No Salgueiro Lutador.
— Chris, é quase meia-noite. Como vamos sair do castelo sem que sejamos notadas?
Christine pensou por alguns segundos, depois falou com total convicção:
— Voando, ué!
— Voando? Como?
— Como os bruxos voam, Anne Hale?
Hagrid podia jurar que vira dois vultos em vassouras saírem da torre de Astronomia e irem em direção aos jardins, mas julgou que fosse simples ilusão causada pela boa quantidade de bebida que tomara no jantar. De qualquer maneira, Christine imobilizou o Salgueiro com um feitiço e pediu que Anne a seguisse. Passaram habilmente por debaixo dos galhos, e o único contratempo foi a saia de Christine ter enroscado, mas ela a puxou e não se importou que sua saia perdesse pelo menos metade do comprimento.
Anne respirou aliviada quando passaram o túnel e ganharam uma espécie de saguão, mas olhou para a amiga com estranheza.
— Chris — murmurou — você viu o tamanho que ficou a sua saia?
— Perdi boa parte dela nos galhos daquele Salgueiro filho-da-puta.
— E agora tá parecendo a Geyse Arruda.
Christine fez um gesto obsceno com o dedo médio e pediu que Anne a seguisse em silêncio. Chegaram a um corredor, no qual havia apenas uma porta iluminada por velas que tremeluziam. De lá, vinham vozes sussurradas, e depois um riso mais estridente, que Christine reconheceu como o de sua mãe. As garotas caminharam cuidadosamente, e quando estavam quase perto de entrar, ouviu-se a voz e Bellatrix dizendo:
— Queria imaginar a carinha de indignação da Chris quando visse isso…
E aí a garota, enfurecida, deixou todo o cuidado de lado e se adiantou, varinha em punho.
— Ou de ódio — disse com firmeza, adentrando o quarto — muito ódio.
Anne soltou um gemido ao ver Jake acorrentado por magia, o que levou Christine a olhar para a mesma direção e ver Snape em semelhante situação, ao lado direito. O rosto da garota contorceu-se em preocupação ao notar que ele tinha o lado direito da face machucado, mas ela se manteve firme, não queira se mostrar fraca perante os inimigos. Aprendera isso durante a sua vida inteira.
— Agora eu posso saber que palhaçada é essa? — indagou a garota com sua voz inalterada.
— A amiguinha não te contou? — perguntou Bellatrix desdenhosamente.
— A Anne ficou tão arrasada… — disse Sarah Hale com um falso olhar de pena.
— Eu vou soltá-los — disse Anne decidida.
Mas quatro varinhas apontaram para a garota.
— Não, não vai — falou o pai de Anne saindo da penumbra, a varinha empunhada e o rosto sombrio a fitar a filha com um ar severo — você já fez muita besteira na vida, Anne, e como seu pai, impedirei que faça mais uma.
— Vocês não são mais a minha família — a voz da garota saiu mais fria do que nunca — eu tenho vergonha de tal sangue correr em minhas veias. Preferia mil vezes ser filha de qualquer sangue ruim, ou até ser trouxa e não possuir nenhuma magia, ou…
Mas a garota foi calada foi um feitiço estuporador, que a lançou contra a parede. Jake se debateu inutilmente, mas foi Chris quem agiu pelos dois.
— Crucio!
Nathaniel Hale começou a se debater com tanta força e veemência, que sua boca espumava. Todos olharam assustados para a agressividade de Christine, que superava a da própria Bellatrix. A mamãe coruja, porém, começava a sorrir fascinada, vibrando de orgulho. Tencionou abraçar a filha, mas ela a repeliu.
— Será que agora eu posso falar? — indagou a garota com sua voz mais suave, enquanto ajudava a amiga a se levantar.
Ninguém respondeu, todos a olhavam com extremo cuidado e curiosidade.
— Presumo que isso seja um sim — ela prosseguiu, olhando para cada um dos rostos com seu olhar oblíquo — pois então, acho que tenho uma história. Todos gostam de histórias, não é? Uma pequena história da família Black.
— Cale-se, Chris! — exclamou Rodolphus.
— Não, eu não me calo. E eu não ia contar nada sobre o seu chifrinho, papai, mas já que insiste…
Rodolphus apontou a varinha para Christine, e ela rebateu fazendo o mesmo, com um olhar tão sádico que ele não ousou prosseguir com sua ameaça.
— Você não queria falar nada sobre isso, Christine — falou entre dentes.
— Mudei de ideia. Sabe o que é, gente? Eu não sou filha deste homem — e apontou para Rodolphus — sou filha de Voldemort. É, de Voldemort, por que essas caras? Vocês não sabem da missa o terço. Antes de ser nosso honrado mestre, Voldemort foi Tom Marvolo Riddle, filho de Merope Gaunt, descendente de Slytherin, e Tom Riddle pai, um trouxa. Ah, por favor, que caras são essas? Vocês não sabiam que Voldemort, na verdade, é um sangue ruim? Bom, antes tarde do que nunca! Então, como se pode concluir, eu sou tão sangue ruim quanto os dois rapazes que estão acorrentados. Não é de muita hipocrisia que eu estava solta? E de mais hipocrisia ainda que mamãe seja o membro principal dessa guerra idiota, quando ELA MESMA TEM UMA FILHA COM UM MESTIÇO?
O rosto de Bellatrix ganhou uma cor de cera, e as palavras saíram trêmulas.
— Voldemort não é qualquer mestiço — ela disse quase espumando de ódio — eu deveria fazê-la em pedacinhos…
— Mas não vai, não antes que eu conte a minha historinha. Pois bem, há muitos anos atrás, um homem chamado Cygnus Black, a quem eu costumava chamar de "vovô", acabou tendo de viajar para a reserva americana de La Push, para fins de pesquisas alquímicas, às vésperas do casamento com certa Druella Rosier, a quem eu chamava de "vovó". Acontece que, uma vez no povoado, vovô Cygnus se apaixonou por Anette Wapasha, filha do lobisomem alpha, com quem teve uma única noite de amor. De fato, mesmo apaixonado — e apaixonado por uma lobisomem trouxa — ele se casou com Rosier ao retornar para o Reino Unido, e dois anos depois, teve com ela a sua primeira filha, mamãe Bellatrix. — e apontou com um falso carinho para a mãe, que estava simplesmente atônita — Mas quando vovó Druella estava grávida de sua segunda filha, a tia Andrômeda, Cygnus não suportou mais e voltou a La Push, esperando ver o rosto da amada. E mais do que isso, ele viu com ela um menino de aproximadamente seis anos, e antes que pudesse fazer alguma conjetura, o furioso lobisomem esfregou-lhe na cara que o bruxo lhe engravidara a filha e fora embora. Cygnus explicou que era casado, e quisesse o alpha ou não, tudo o que podia fazer — e fez com muito gosto — era dar o seu nome para o menino, o pequeno Billy, — neste momento Jake tencionou falar, mas Christine ergueu a mão, pedindo silêncio — que ele amou até mais do que às filhas reconhecidas. Deu-se que Billy Black não ingressou no mundo bruxo, não por opção, mas por falta de oportunidade. Tanto é que seu nome não consta na tapeçaria dos Black, por isso acredita-se que, se ele for da família, é em grau muito afastado. Mas não é. Billy jamais se desenvolveu como bruxo, mas passou o seu sangue mágico para o filho Jacob, — apontou, então, para um Jake, que ouvia a tudo boquiaberto — que é meu primo em primeiro grau. Quando descobri isso, há cinco anos, mexendo na penseira de vovô, no dia de seu funeral, eu me senti absolutamente mal. Não conhecia o tal Jacob, o neto que ele visitava escondido, mas o odiei, porque sujou o sangue de minha família. Anos depois, eu o amaldiçoei por aparecer na vida da minha melhor amiga, e consequentemente na minha, tornando aquela mácula viva e absoluta. Odiei Jacob Black de verdade, e há alguns meses eu até ajudaria em seu assassinato, mas aos poucos ele foi se mostrando a pessoa incrível que é. Fez de Anne, que é a irmã que não tive, a pessoa mais feliz do mundo, salvou o meu romance com Severus, e, mesmo que não saiba, ensinou-me a ver a beleza nas coisas simples da vida. Jacob é um lobisomem sangue-ruim, escória dos Black, mas é o que considero o melhor membro de minha família… E pensar que eu achava exatamente o contrário… Como são as coisas! Invejo Jacob por não ter o nome naquela tapeçaria imunda, mas creio que logo o meu será queimado, como o de Sirius. Assim nós poderemos mostrar que o sangue que corre em nossas veias, secará quando nosso corpo perecer, mas o sentimento que guardamos em nossa alma, esse sim passará para nossas futuras gerações. E acho que terminei a minha história… E é por isso que não permitirei que matem o único membro decente de minha família.
Christine lançou um rápido olhar de cumplicidade para Jacob, e percebeu que ele tinha lágrimas nos olhos.
— Decência — desdenhou Rodolphus — você falando de decência? Você, que sempre foi uma vagabunda? Olhe para seus trajes!
— Isso foi um acidente — ela disse com a voz calma, apontando para a saia — e eu posso ter sido uma vagabunda da pior espécie, não vou negar, e novamente foi salva por um sangue-ruim, — apontou para Snape, que a olhava com curiosidade e uma vasta admiração — que é esse homem a quem vocês também querem matar. Mas, queiram ou não, eu o amo, e para protegê-lo, usarei todos os feitiços e defesas que vocês, meus queridos pais, me ensinaram arduamente desde os meus cinco anos, quando eu nem ao menos possuía uma varinha.
— Chega dessa palhaçada — falou a Sra. Hale, caminhando na direção de Jacob, apontando a varinha.
Anne se colocou entre os dois, olhando muito firme para a mãe.
— Terá que me matar também.
Mas ela simplesmente empurrou Anne para o canto, e a garota novamente colidiu contra a parede. Quando sua boca começava a articular a palavra "Avada", ela foi surpreendida por um feitiço estuporador de Christine. E foi como se todos acordassem para a batalha. Feitiços voavam para todos os lados, como luzes agourentas. Christine e Anne se desviavam habilmente e lançavam outros, nenhum mortal. Jake se debatia contra o feitiço, revoltado por toda a sua força ser anulada com magia, e Snape murmurava encantamentos, mas não podia fazer muito sem sua varinha.
— Muito bem — ofegou Bellatrix desvairada — eu não vou matar de uma vez, não — e se encaminhou para a direção de Snape, ficando, ainda assim, a alguns metros de distância — Avada Kedavra é muito rápido para você, seu mestiço! Vai morrer aos poucos com o seu próprio feitiço… Sectumsempra!
Christine que há pouco estivera lutando com o Sr. Hale, esquivou-se habilmente quando percebeu que sua mãe se dirigia a Snape, mas não tivera tempo de bloquear o feitiço, e, como saída de emergência, colocou-se à frente, recebendo-o no peito, que imediatamente começou a sangrar profusamente, e ela caiu desacordada. Bellatrix recuou com uma expressão que beirava à loucura, e apesar de toda aquela maldade, o sentimento de mãe gritou em seu peito, mas ela simplesmente não sabia o que fazer com relação àquele feitiço, então recuou. E pela primeira vez, Snape gritou e se debateu inutilmente, culpando-se em voz alta por aquele feitiço estar matando a única pessoa que ele amara.
Anne até estava segurando as pontas sozinha, mas quando percebeu a amiga caída ao chão, sucumbiu ao desespero, e teria largado toda a causa para defendê-la, se antes Jacob não gritasse para ela que o soltasse. E como se só lembrasse naquele momento, ela desfez o feitiço, e Jacob postou-se habilmente ao seu lado. Anne estava cercada por seus pais e por Rodolphus Lestrange, já que Bellatrix ainda olhava como uma louca para o corpo da filha, que ia perdendo a vida a cada segundo.
— O que é que você pode fazer, sangue-ruim? — desdenhou Rodolphus, com uma gargalhada sonora — nem uma varinha possui no momento. Pensa que pode nos abalar com sua força bruta?
Jake sussurrou para Anne que em seguida libertasse Snape, e voltou-se para Rodolphus.
— Acho que sim — respondeu, com um sorriso enviesado.
E se transformou no enorme lobo de pelagem castanho-avermelhada. Os três oponentes recuaram imediatamente, não sabendo como lidar com um lobisomem a estirpe de Jacob. Enquanto isso, Anne libertou Snape, que correu a cuidar de Christine, usando a varinha da garota, que jazia ao lado de seu corpo.
— Ela vai morrer? — indagou Anne desesperada.
— Não sei — respondeu Snape com a voz oscilante — esse feitiço é poderoso demais. Eu vou aparatar com ela para minha casa da Rua da Fiação, tenho lá algumas poções que podem cuidar disso.
— Aparatar em Hogwarts?
— Nós estamos em Hogsmeade, tecnicamente.
— Mantenha-me informada.
Snape assentiu e aparatou com Christine nos braços. Bellatrix soltou um gemido ao perceber que a filha sumira, e ficou ainda a olhar para o lugar manchado com seu sangue. O lobo Jacob avançou para Sarah Hale, e quase a pegou realmente, mas no exato momento, ela aparatou com o marido. Rodolphus, sentindo a ameaça eminente, puxou Bellatrix pelo braço e fez o mesmo.
Anne respirou aliviada e se deixou cair ao chão. Tendo voltado à forma humana, Jake se enrolou em um lençol velho que jazia na cama do precário quarto e abraçou a namorada, que agora chorava como uma criança, desabafando toda a tensão daquela batalha.
— Acabou — ele sussurrou — está tudo bem, Anne.
— Eles vão voltar — balbuciou.
— Não, não vão. Eles perceberam o perigo, e o máximo irão excluí-la da família. Mas eu estarei ao seu lado, eu sempre estarei com você, minha coelhinha corajosa.
— Eu não fui corajosa — um grande soluço a interrompeu, mas ela prosseguiu — foi Chris quem lançou a maioria dos feitiços.
— E foi você que segurou as pontas quando ela…
— Jake, ela vai morrer, eu conheço aquele feitiço. Quando Chris descobriu que era da autoria de Snape, ela o estudou profundamente, e eu acabei estudando junto. Não há chances, Jake, simplesmente não há.
— Snape com certeza conhece um antídoto, e fará de tudo para salvá-la. O coitado deve se sentir duplamente culpado, por ter inventado o feitiço e por Chris tê-lo recebido em seu lugar.
— Eu queria ter essa sua fé, Jake. Ai, me abraça forte?
E Jake aninhou a namorada ao seu peito, fechou os olhos e agradeceu por estar vivo, não por sua vida em si, que ele julgava menos valiosa que um nuque, mas pela vida que dependia da sua, pela garota por quem ele acordava todos os dias, e dormia, e respirava.
— Você é um presente que eu não mereço — ele sussurrou — mas que, como uma alma ambiciosa, eu aceito de bom grado e nunca quero abrir mão.
