A/N: Bom, eu fui verificar a original, depois de traduzir todo o capítulo, e descubro que o capítulo imenso que eu estava traduzindo foi dividido em três capítulos!! Então vocês vão receber 3 capítulos de uma só vez hoje! Então vocês recebem hoje os capítulos 48, 49 e 50!! Faltam somente dois capítulos para chegar na história original! Verifiquem se leram todos os capítulos que eu postei hoje!

XXXXXXXXXXXXXXXXX

A Cada Outra Meia Noite

Capítulo 50 - O qual Tem um Herói Inesperado

Eles passam o dia seguinte planejando e debatendo; selecionando no baú cheio de coisas que a Lily havia trazido, decidindo quais as coisas que eles devem ou não levar. Lily sai e compra algumas coisas, como uma lanterna, e um isqueiro.

"O que é isso?" Sirius pergunta.

"É um isqueiro."

"Um isqueiro?"

"Sim, você aperta o botão, e uma chama aparece."

Sirius aperta o botão. "Não funciona."

"Você tem que apertar, e então empurrar."

Ele tenta. "Ainda não funciona."

"Você tem que apertar e imediatamente depois, empurrar, desse jeito." ela diz, pegando o isqueiro da mão dele, e mostrando como se faz.

"E isso não é mágico?" James pergunta.

"A coisa mais mundana no mundo trouxa. Eles não vão ser capazes de detectar isso. Nem a lanterna. Somente escorregamos isso aqui, e voila, luz sem lumos, indetectável."

Sirius e James inspecionam esses itens com interesse. "Nós realmente não damos muito crédito aos trouxas. Um dicionário, querida?" James pergunta, depois de inspecionar o livro.

"Gobbledygook. Eu não sei quanto a você, mas o meu está um pouco enferrujado." ela diz sarcasticamente.

"Eu acho que o dicionário deveria ficar." Sirius opina.

"E quanto as runas?"

"Os duendes realmente utilizam runas?" Sirius pergunta ao James.

"Ela pesquisou mais sobre minas de duendes do que eu." ele diz, balançando os ombros. "Então, eu acho que sim."

"Algum de vocês dois estudou Runas Antigas na escola?" ela pergunta.

"Não, nenhum de nós dois."

"Eu larguei no ano passado. Faz um tempo, mas eu acho que eu poderia fazer, caso eu tivesse um dicionário."

"Então o dicionário fica?" James pergunta.

"O dicionário fica." Sirius concorda.

E então eles continuam, até chegar a hora de ir.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

A capa realmente não é grande o suficiente para 3 adultos, então eles tem que se agachar, para que os pés deles não fiquem visíveis. Não somente isso, mas eles tem que sussurrar.

Lily fez um feitiço de localização no castelo, e tentou apontar a localização no mapa, mas feitiços desse tipo, com distâncias tão longas nem sempre são acurados. Eles levam duas horas rastejando pela escuridão, antes que finalmente encontrem. Antes que eles tropeçam na entrada, na verdade. Ele engole o enorme palavrão que ele ia dizer, quando o dedo dele colide dolorosamente com uma das várias pedras salientes da formação rochosa com um padrão, no chão.

"Você estava certa." Sirius diz suavemente. "Runas."

"Antes runas do que uma senha Gobbledegook. Nós nunca saberíamos o que seria, e mesmo que esperássemos para ouvir um duende dizer, nós poderíamos nunca ser capazes de pronunciar apropriadamente."

"Ai." James reclama.

"Você está bem?"

"Sim, exceto que eu acho que eu tenho um dedo do pé a menos, do que quando começamos."

"Você consegue ler?" Sirius pergunta para a Lily.

"Eu não consigo ver, James, a luz pode ser vista através da capa?"

"Não."

"Certo, então me dá a lanterna."

"A o quê?"

"A vareta de luz."

"Ah." Ele retira o instrumento do bolso dele, e todos os três se agacham para examinar.

"Oh, faça-me um favor..." ela sibila irritadamente.

"O quê?"

"É um enigma. Um… jogo de runas. Maldição."

"O que diz?"

"Diz… 'Quando você tira isso de alguém que tem, vocês dois tem isso. Se você não tirar de alguém que tem isso, você ainda tem isso. Se alguém der isso para você, eles não são seus amigos. É a única coisa que você deveria aceitar dos seus inimigos.'"

"Parece que você tem que encaixar a resposta ali, como uma chave." Sirius diz, pegando a pedra na qual o James havia tropeçado.

"Bem, tem somente mais ou menos 20 chaves. Eu suponho que a gente possa olhar para elas, e ver se a resposta cabe."

Eles começam a pegar cada uma das pedras para olhar, e ver se serve. 15 pedras depois, eles ainda não encontram nada que tenham concordado em ser a resposta.

"Bem, a resposta obviamente é nada." Lily diz. "Mas nada não está aqui."

"Orous," James diz, pegando a pedra.

Lily olha para ele surpresa que ele tenha reconhecido a runa. "Isso significa tudo. Com certeza não encaixa no enigma."

"Não, você está pensando em Orus. Isso é Orous. Até o ano passado, os bruxos traduziam as duas runas do mesmo jeito, embora os significados sejam completamente diferentes. Eles somente haviam assumido que 'ausência' e 'nada' eram a mesma runa. Koplos, quando na verdade eram duas palavras diferentes. Koplos e Orous. Essa aqui."

Lily olha para ele com tanta louvação, adoração, admiração, e desejo, que o James esquece momentaneamente do que eles deveriam estar fazendo. Sirius parece perceber a tensão repentina entre os dois, e a quebra imediatamente.

"Pára com isso, vocês dois. Agora não é hora para procrastinar. Pontas, muito bem, e Lily, se você não piscar ou olhar para longe dele nos próximos 10 segundos, ele vai explodir."

"Desculpa." ela diz olhando para longe, colocando o dicionário de volta no bolso dela.

James pigarreia e retorna a atenção dele para o círculo de pedras, colocando a runa cuidadosamente na abertura. Lentamente, a pedra se derrete com a pedra em volta, e uma pequena abertura cresce na rocha abaixo deles.

A entrada é pequena, não somente curta, mas também muito estreita. Muito estreita para os ombros dele ou do Sirius encaixarem.

"Eu acho que eu caibo." Lily diz, começando a rastejar para fora da capa, e para dentro do túnel. James a agarra pelas coxas, para pará-la. "Não, você não cabe, você não pode entrar sozinha. Nós todos vamos, ou ninguém vai."

"Só uma olhada rápida para ver o que tem lá. Eu volto logo."

"Não."

"James, você está deixando os seus sentimentos pessoais ficarem no caminho do profissionalismo?" Sirius diz baixinho, para que a Lily não possa ouvir. James fecha a cara. Sim, ele está. Se fosse somente ele e o Sirius, ele iria sozinho, ou deixaria o Sirius ir sozinho. Mesmo se fosse a Dorcas ou a Marlene, ele as deixaria ir.

"Certo. Somente um olhar rápido, e então volte, e nós vamos tentar achar alguma outra entrada."

Lily o beija para aliviar aquele pedaço remanescente de desejo. James a beija de volta, mas ela sai mais cedo do que ele gostaria. Agachada, ela rasteja o resto do caminho para fora da capa e se espreme na abertura. James ouve o pequeno ruído, e sabe o que vai acontecer, mas não consegue impedir a rocha de se fechar atrás dela, selando a entrada.

"Merda." James diz furiosamente, socando a rocha. Para piorar mais ainda, as pedras abaixo deles começam a se mover e mudar. Agora tem um enigma novo, com um novo grupo de respostas possíveis. Mesmo com o dicionário, eles não teriam muita chance, sem o dicionário, ele e o Sirius estão completamente sem esperanças.

"Vamos," James diz se levantando, tirando um detetor das trevas do bolso dele. "Se você-sabe-quem fez outra entrada, nós vamos encontrá-la."

XXXXXXXXXXXXXXXXXX

Lily nem mesmo tem espaço o suficiente para se virar, para tentar ver se tem algum jeito que ela possa reabrir a entrada. Ela tem que descer pelo túnel, até que encontre um lugar para virar ao contrário.

Ela rasteja na barriga dela por muito tempo. O corredor é longo, e escuro, então ela pára para acender a lanterna, somente para ver se algo mudou, ou se tem outra abertura. Quando ela pára, ela não ouve nenhum som. É mais silencioso do que qualquer lugar no qual ela já esteve. Ela achava que estar sozinha na biblioteca a noite era a definição de silêncio, mas ela não havia percebido até agora todos os sons que ela ouvia quando estava no castelo. O vento do lado de fora, o gotejar de um cano distante. Ecos longínquos de partes isoladas ou remotas do castelo, que refletem nas paredes até os ouvidos dela, tão sutis que ela nem mesmo sabia que tinha ouvido. Mas agora, a única coisa que ela consegue ouvir é o batimento do coração dela, e a maldição sussurrando. Embora não seja um som verdadeiro, ela ouve com os ouvidos dela.

Ela continua o progresso lento, se puxando para frente com os cotovelos, e girando os quadris para continuar a mover. Ela imagina quanto tempo essa viagem leva para os duendes, eles poderiam caminhar em pé e facilmente. Há quanto tempo ela está aqui agora, meia hora?

Ela vê uma fonte de luz fraca a frente, seguida por um eco estranho e destorcido, que soa como um grito de dor atormentador. Talvez seja a imaginação da Lily, por estar no silêncio por tanto tempo. Ou melhor, ela espera que seja a imaginação dela, mas um mau pressentimento a diz que não foi.

Ela se aproxima mais lentamente do que ela estava indo antes, tentando ao máximo não fazer nenhum som. O progresso dela é insignificante, mas constante e silencioso. Ela passa por dois túneis no caminho dela, mas eles eram menores ainda, e agora ela já está muito curiosa para ver o que tem no final desse túnel.

O choro vem novamente, mas dessa vez é acompanhado por um diálogo. Bem, um monólogo na verdade, porque gritos de dor não podem ser considerados uma resposta apropriada.

O túnel finalmente termina, com a abertura se transformando em uma enorme caverna brilhante. A Lily realmente não está prestando atenção aos arredores dela, ela está focalizada no homem pendurado de cabeça para baixo no ar, com a luz do fogo fazendo sombras sobre o rosto dele, fazendo a agonia aparentar ainda mais assustadora.

Ela suspeita que ele seja um trouxa, pelo jeito que ele está vestido, e você-sabe-quem está conversando com ele facilmente, como se os gritos horripilantes do homem não o incomodassem em nada. Eles não incomodam, Lily se lembra. Ela não sabe se o Voldemort gosta deles, mas ele com certeza não se incomoda.

"Mas é claro que você não entenderia aquilo, sendo um trouxa. Mas isso," ele diz, segurando uma pedra de cor vermelho vivo no ar, "o que você vai fazer parte logo, vai ser o seu maior feito. Sua vida, vai ser minha."

Lily não está se movendo, mas cada partícula do corpo dela congela em horror, enquanto ela sente algo enorme se arrastar por cima dela. Se as cordas vocais dela não estivessem paralisadas, junto com o resto do corpo dela, ela teria gritado em terror.

A serpente gigante pára, quando fica face a face com ela. A mente da Lily está completamente em branco. Ela poderia ter estado em situações mais perigosas, ela não sabe; mas ela sabe que ela nunca esteve tão petrificada em toda a vida dela.

A cobra chicoteia a sua língua bifurcada, tocando por muito pouco a ponta do nariz dela, enquanto saboreia o cheiro dela, enquanto caminha em frente, como se estivesse completamente desinteressada com ela.

O homem começa a gritar novamente, dessa vez em terror em ver a grande cobra, não que a Lily possa dizer que ele estava gritando de dor, ela somente havia assumido. Talvez seja o discurso do Voldemort que tenha aterrorizado tanto ele, porque a Lily não consegue dizer se o Lorde das Trevas o atacou, exceto por estar de cabeça para baixo, e preso em algum tipo de corda brilhante.

"Fique quieto, meu amigo, eu não consigo ouvir o que ela está dizendo com toda essa sua gritaria." Voldemort comanda, quase que bondosamente para o trouxa angustiado. Ele aponta a varinha dele para o homem e o amordaça, sem esperar que ele fique em silêncio por si próprio. Ele provavelmente está correto em assumir que o homem não venha a parar de gritar.

A cobra faz silvos de cobra, e para a continuação do horror da Lily, Voldemort silva de volta; tão facilmente como se ele mesmo fosse uma serpente. Ele é uma serpente, Lily pensa. Os olhos dele, a voz dele, o discurso dele, os modos escorregadios dele.

"Uma mulher, ela me diz!" Voldemort diz com prazer ao homem, que provavelmente não está ouvindo. "Nagini encontrou uma mulher na passagem dos duendes. Eu imagino o que ela possa estar fazendo ali. Vamos perguntar..."

'Merda, merda, merda!' Lily pensa desesperadamente. Ela toca freneticamente com o cordão em volta do pescoço dela. Se existe alguma vez que ela precisasse de sorte, essa vez é agora. E ela precisa de cada grama que ela possa conseguir. Ela apalpa urgentemente, para abrir o pequeno frasco, e o leva até os lábios dela.

Uma única gota toca a língua dela, antes que ela seja arrancada para fora do buraco, puxada magicamente para o centro da caverna. Ela fica parada no ar sem defesa, com o pingo de sorte dela agora se arrastando pela bochecha dela, da onde ele derrama. Ela está tocando a mão dela no rosto dela, para tentar lamber da mão dela, mas cordas repentinas a prendem, assim como prendem o homem ao lado dela.

Ela entende agora porque ele estava gritando. A 'corda brilhante' queima como fogo. Não tem chamas, não tem como apagar. As roupas dela não são queimadas com o contato, elas simplesmente queimam insuportavelmente.

Ela não grita. Ela não vai gritar. Ela não vai dar essa satisfação para ele, se ele receber alguma com isso.

Ela pára de se debater quando ela vê vários corpos de duendes espalhados no chão embaixo dela. Seja qual for o motivo pelo qual o Voldemort precisou dele, claramente ele não precisa deles agora. Ela está indignada. Ela quer vomitar, mas está muito paralisada com choque, dor e medo.

"Ah… um prazer te ver novamente. Hoje é a sua noite de sorte." ele diz. Lily somente pode rezar que realmente seja, mas ela duvida muito que ela e o Lorde das Trevas tenham idéias remotamente similares do que seria 'sorte'. Talvez ele quis dizer que a morte dela seria rápida e relativamente indolor. "Por que você tem o grande privilégio de ser a primeira pessoa a testemunhar algo extraordinário. Você vê isso?" ele pergunta, segurando a pedra na frente dela, em toda a sua perfeição. Ela não consegue impedir. Mesmo com dor, mesmo com medo, ela quer aquela pedra para ela mesma. Tem algo sobre essa pedra. Além do fato que seja perfeita e a coisa mais linda que ela já tenha visto em toda a vida dela, ela sabe quanto potencial uma pedra como aquela realmente tem.

Voldemort abaixa a coisa preciosa, e os olhos da Lily a seguem, paralisados. Ela sente um tipo de divertimento na mente dela, que não é dela mesma.

"Eu percebo que você aprecia o que eu encontrei."

"O que os duendes encontraram." Ela o corrige da forma mais viciosa que ela consegue. 'Tola, cala a sua boca. Ser insolente com ele não vai te levar a lugar nenhum, exceto ao chão junto com os duendes.' ela diz para si mesma.

"Eles serviram o propósito deles." ele diz, indicando os cadáveres no chão, como se ele estivesse lendo os pensamentos dela. "Você, por outro lado, ainda pode se provar ser útil."

Lily não sabe o que ele quer dizer com aquilo, mas com certeza não pode ser nada de bom.

"Agora nós começamos o evento principal. Este trouxa aqui se chama Tom, não é?"

Tom não pode responder, estando amarrado e amordaçado, ele simplesmente treme.

"Eu odeio o nome, não que o seu destino fosse diferente caso você tivesse outro nome. Você ainda é um trouxa. Olhe só, Srta. Evans. Você está prestes a testemunhar o meu triunfo."

Ele levanta a varinha dele para o homem, mas ele não diz Avada Kedavra, como a Lily havia esperado. Ele diz algo que a Lily não entende, mas os resultados são tão chocantes e deploráveis, como se fizessem a Lily esquecer que ela não ouviu.

Tem um som alto de rasgando, e o pobre Tom cai mole, ainda suspenso no ar pelas suas amarras de fogo, mas está claro que a vida o deixou. Lily sabe disso porque ela pode ver isso. Assim como um dementador suga a alma de uma pessoa, Voldemort retirou a energia vital do corpo dele. A energia flui pelo ar, e para dentro daquela pedra. O fato que possa conter uma vida humana, é prova da sua perfeição. Uma coisa é segurar uma maldição da morte, ou um amor protetor, mas uma vida humana verdadeira é algo completamente diferente.

Não é a pedra filosofal, nem é um horcrux; mas um filho bastardo e assustador de ambos.

Ela não quer mais essa pedra. Ela não quer ficar nem perto dela. Mais uma vez, Voldemort parece ler a mente dela, e se aproxima com a pedra, colocando-a na bochecha limpa dela. Ela se debate tentando se libertar, quebrar o contato. Vale a pena sofrer a dor causada pelas amarras dela. Ela sente, a vida, a força que uma vez esteve no Tom trouxa, naquela pedra, ela sente a pedra espalhar um calor que formiga na bochecha dela. Se ela não soubesse o que isso realmente é, ela poderia ter considerado isso uma sensação agradável. Como ela sabe, ela não sente nada, exceto repugnância desprezível. As cordas em volta da cintura dela, dos tornozelos dela, e dos pulsos dela, a deixam exaustada, e ela pára de se debater, muito fraca para continuar.

"Eu consegui. Isso," ele diz, acariciando a pedra, "é a chave para a vida eterna. Eu finalmente criei um jeito para conquistar a Morte. Enquanto eu tenha vidas aqui, e essa pedra seja minha, a Morte jamais poderá me encontrar. Ter a vida estendida é uma boa sensação, não é?"

Ele toca a pedra na pele dela, mais uma vez. O choque não é tão poderoso quanto antes, provavelmente porque ele (e ela também, tristemente) já absorveram. Mesmo assim, ela usa a força restante dela para tentar se debater para longe dela novamente, empurrando a mão dele sem varinha, para longe.

"Você rejeita o meu presente generoso?" Ele pergunta em uma surpresa simulada. Ela duvida que ele saiba o que realmente é a generosidade. "Você sabe que não precisa ser desse jeito. Você pode se unir a mim. Por que não? Eu teria um lugar especial para você. Uma criatura rara, nascida trouxa, e mesmo assim tão forte. Assim como eu."

Lily pára de se debater. "Você é um..."

"Meio. Eu admito para você que eu sou meio-sangue."

"Por que você está me contando isso?" ela pergunta, com a cabeça dela rolando para frente, enquanto os músculos do pescoço dela finalmente se exaurem.

"Se una a mim." ele diz, sem responder a pergunta dela. O tem dele não é mais estridente e ameaçador, mas suave e sedutor. De alguma forma, isso o deixa ainda mais sinistro. "Eu vou te dar até de manhã para decidir. Você vai se unir a mim de qualquer maneira. Me sirva de boa vontade, ou me negue e a sua vida vai ser minha de qualquer jeito."

Lily não se lembra de nada mais depois disso; ela deve ter desmaiado. Quando ela acorda, ela não tem noção de que horas são, ou quanto tempo ela tem até a manhã. Ela está tão profunda dentro da terra, que ela não consegue dizer se é dia ou não, e nem sabe dizer a quanto tempo ela esteve inconsciente. As amarras de fogo dela ainda a estão segurando, estendidas do jeito que ela fazia, quando deitava na neve para fazer anjos de neve. Ela e Petúnia costumavam fazer anjos de neve no inverno…

Ela nunca mais vai fazer anjos de neve de novo, ela sabe disso agora. Ela não vai se unir ao Voldemort, e ele vai arrancar a vida dela tão rudemente quanto ele arrancou a do Tom.

Um homem se aproxima, um Comensal da Morte. Ele não chega tão perto dela que ela possa cuspir nele, mas ela tenta mesmo assim. Ele deve ter sido mandado para checar ela, para ter certeza que ela ainda está ali, porque no momento que ele a vê, ele se vira e caminha para longe.

Pelo menos ele não está levando ela de volta ao Voldemort. Ela ainda tem um pouco de tempo restante. Mas o que esse tempo restante vai trazer de bom para ela? Toda vez que ela se debate, as cordas sem fogo queimam, as áreas em volta dos pulsos dela, dos tornozelos dela, e do estômago dela parecem cruas, empoladas e queimadas, como se a pele ali tivesse sido completamente queimada.

Ela está quase que desmaiando novamente, a cabeça dela cai e ela não consegue levantá-la novamente. Ela nem mesmo disse ao James que o amava. Que tola que ela foi; com medo de dizer algo tão simples, tão verdadeiro; com medo de admitir para a melhor coisa na vida dela. Ela cai sobre as cordas novamente, perdendo toda a sua força própria. No meio de toda a dor ardente, ela ouve o colar sussurrando na alma dela mais uma vez.

Ela está muito quebrada para ficar surpresa, mas ela teria ficado, caso ela não estivesse a ponto de desmaiar novamente. 'Ainda não,' diz a maldição, 'Ainda não...'

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Depois de uma hora agonizante de procura inútil, o detetor das trevas finalmente liga. Os dois homens congelam embaixo da capa, enquanto um Comensal da Morte se aproxima. Sirius observa, enquanto o melhor amigo dele desativa apressadamente o detetor das trevas, para que pare de fazer os sons, e eles seguem a figura coberta silenciosamente. Uma entrada aparece repentinamente, enquanto outro Comensal da Morte sai. O primeiro não entra, ele devia só estar esperando pelo camarada dele, mas James e Sirius entram rapidamente, antes que o portal se feche novamente.

As minas são como um labirinto. Eles seguem e viram, giram e curvam, seguindo sem propósito em uma direção que eles esperam que venha levá-los até a Lily.

Se a hora que eles gastaram tentando encontrar a entrada foi agonizante, vagar pelo subterrâneo por outras quatro horas é absolutamente insuportável. Sirius está movido com desconforto e preocupação pela Lily; ele não consegue nem imaginar como o James deve estar se sentindo. Mesmo assim, eles precisam de um plano melhor; vagar por um labirinto escuro não está levando eles a lugar algum, a não ser perdidos.

"James, cara." ele sussurra tristemente. "Nós não vamos encontrá-la desse jeito."

"Que outro jeito você sugere?" ele reclama.

"Eu não sei, mas nós vamos ter sorte se conseguirmos encontrar o nosso caminho de volta, muito mais encontrar a Lily."

James pára de andar, e Sirius colide nele. "É isso!" o amigo dele sussurra com alegria, batendo no peito do Sirius. "Sorte! Sorte é o que nós precisamos!"

James coloca as mãos no casaco dele, e retira um cordão, seguido por um frasco que está preso ao cordão. Ele o desatarraxa e o bebe, jogando o líquido dourado diretamente pela garganta dele. James suspira alegremente, enquanto o coloca de volta embaixo do casaco. "Por aqui."

Sirius não tem escolha, exceto confiar no amigo dele, e seguir a liderança dele. Considerando as quatro horas que eles haviam gasto chegando a lugar nenhum, os próximos 45 minutos parecem passar rapidamente. Sirius ouve a respiração do amigo dele se prender, e um instante depois ele vê o porquê.

Cordas douradas brancas estão amarradas a cada pulso e a cada tornozelo, e parecem puxá-la, exceto que eles não estão puxando. O cabelo ruivo dela está jogado sobre a cabeça caída dela, escondendo o rosto dela da vista deles. Sirius é o primeiro a se sacudir. Ele cutuca o amigo dele, tentando fazer que ele vá até ela. James sai do seu atordoamento, e eles começam a ir até ela, mas eles param novamente, quando outro Comensal da Morte se aproxima.

Ele não está usando uma máscara, e Sirius o reconhece imediatamente.

"Snivellus!" ele fala furiosamente, começando a andar para a frente, para atacar. James o segura, e o impede.

"Espera!" ele sussurra. "Espera até ele sair, aí nós vamos."

"Se ele machucar ela, eu juro que eu vou arrancar o pequeno seboso..." As palavras morrem na boca dele, que fica aberta em descrença, com o que ele vê o seu inimigo mais antigo fazer.

Mexendo a varinha dele, as cordas desaparecem e ele a segura antes que ela atinja o chão. Ele retira o cabelo do rosto dela. "Lily? Lily!"

"Severus?" ela responde fracamente, mal conseguindo erguer a cabeça para olhar para ele.

"O que você está fazendo aqui? Eu achei que tinha dito para você ficar fora disso."

"Humm?" a cabeça dela rola para um lado novamente; na verdade, para o ombro do Snape.

"Vamos, Lil. Você não tem tempo. Você tem que ir, agora. Daqui a pouco enquanto eu vou ter que contar para eles que você fugiu, e quando eu contar, eu quero que você tenha ido. Não somente ido, mas ido para bem longe, você entende?" ele diz, ajudando ela a se levantar.

"Sim." ela diz, soando estar levemente mais forte. A determinação que eles estão tão acostumados a ouvir, voltando a voz dela.

"Você consegue ir sozinha?"

"Eu não tenho muita escolha, não é? Mas eu não sei o caminho."

Snape conjura um pedaço de papel, que começa a se dobrar sozinho para uma ave de origami, que flutua no ar na frente dela. "Isso vai te mostrar a saída. Rápido. O mais rápido que você puder."

"E quanto aos outros?"

"Têm outros?" ele pergunta, com os olhos estreitando. Lily não responde. "Ah bem, eu posso culpar a sua fuga neles. Agora vá. Eventualmente eu vou ser assassinado por isso."

"Então por que você continua a fazer isso?"

"Somente Merlin sabe. Só não me faça fazer isso novamente."

"Obrigada, Severus."

"Vamos!" ele diz, empurrando ela afobadamente na direção da ave que está voando para longe. "Rápido!"

Snape se vira e começa a caminhar para longe, e a Lily começa a tropeçar fracamente no sentido deles. James imediatamente vai até ela, esquecendo a capa, e segura um dos braços dela e coloca em volta da cintura dele, para suportá-la, e apressar a caminhada dela.

Com a ajuda do origami de papel, eles saem do labirinto em 10 minutos, com todos eles escondidos embaixo da capa quando saem. Eles não falam nada, caminhando o mais rápido que ousam (o que é mais rápido do que a Lily poderia agüentar). As pernas dela enfraquecem constantemente, e o James tem que carregar ela durante várias partes do caminho. Sirius tem certeza que os pés deles estão visíveis; na pressa deles, eles não se importaram em se agachar, ou tomar o tempo necessário para ficarem completamente escondidos.

Sirius acelera a moto fortemente quando eles saem. Ele está tão furioso que ele está controlando o temperamento dele por pouco. Ele tenta, ele honestamente tenta, mas é tão ofensivo, tão errado, tão desleal.

Snape. Snape de todas as pessoas. Por que, de todas as pessoas do mundo, tem que ser ele?

Ele dirige por alguns minutos, até eles estarem fora da cidade, mas incapaz de agüentar mais, ele pára no acostamento da rua.

"Por que nós paramos?" James pergunta, aconchegando a pequena traidora nos braços dele.

"Que diabos foi aquilo, Evans?" ele grita furiosamente. "Snape? Snape! Você está em contato com o Snape? Um Comensal da Morte? Você sabe o que ele é! O que ele faz! Como que você pode fazer isso?"

"Sirius, não é isso."

"Parece ser! Parece que ele acabou de salvar a sua vida! Você se importa em explicar isso?" ele grita novamente.

"Não." ela responde.

"Não é bom o suficiente!" ele grita.

"Eu conhecia ele. Nós crescemos juntos. Ele era como um irmão para mim." ela explica relutantemente.

"Um o quê?" Sirius pergunta, horrorizado. Sirius nunca havia experimentado o ciúme antes na vida dele, mas arde dentro dele agora. Ele que deveria ser a pessoa que ela venerasse, a pessoa que a protegesse, a pessoa que…

"Foi a muito tempo atrás. Essa foi a primeira vez que eu o vi faz anos. Nós nos distanciamos."

"E depois de todos esses anos, e de se distanciarem, ele ainda arrisca a vida dele para te salvar?"

"Eu acho que sim."

"E quanto a você?" ele ataca para ela, furiosamente.

"O que tem eu?"

"Depois de todos esses anos, e quanto a você?"

"Eu sou grata pelo o que ele fez."

"Não minta! Você se importa com o cretino! Admita! James, pára de abraçar ela, ela traiu nós dois!"

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Lily quer fugir, teria fugido caso as pernas dela tivessem forças para carregá-la. Eles viram, o segredo vergonhoso dela, o que ela escondia mais cuidadosamente, agora é conhecido pelas duas pessoas das quais ela mais queria manter escondido.

"Sirius, pára com isso."

"Não! Ele é um Comensal da Morte detestável, e você… você..."

"Só porque nós dois crescemos na mesma vizinhança isso me faz uma traidora? Sirius, você é mais importante para mim do que ele é! Eu amo você!"

"Oh, e isso deveria fazer eu me sentir melhor, não é? Não me faz ser muito especial, aparentemente você ama todo mundo, até o Snape!" ele cospe.

James não disse nada. Ela não sabe se isso é uma coisa boa ou ruim. Ela não consegue deixar de contar na mente dela. 2 minutos. Ela escala para fora do carrinho lateral para ficar ao lado dele, comandando as pernas dela para não desabarem.

Ela olha para ele, e ele olha de volta por um longo tempo. Os olhos dele nunca estiveram tão duros. "Sirius, você se lembra do que eu te disse ontem?"

"Ha! Como que eu posso confiar em uma palavra que você diga?"

"Sirius, por favor." ela implora, perdendo a coragem. 3 minutos. Ela reza que ela não chegue a 6. James disse que são cinco ou para sempre.

"Por favor o quê? Por favor, esqueça que eu descobri a verdade?"

"Por favor, entenda."

"Oh, eu entendo perfeitamente, Evans."

"Você não entende, senão você não estaria fazendo isso!"

Ela sabe que o Sirius se sente traído, sabe nos olhos dele, que essa é a prova suprema que as mulheres não podem ser confiadas. Ela, a única mulher que ele permitiu dentro do coração dele, o machucou profundamente.

"Sirius, eu sei que eu machuquei você, mas eu não fiz isso de propósito! Eu não conhecia você quando eu tinha 3 anos. Se eu pudesse mudar o meu passado, eu me omitiria completamente dele! Eu gostaria que eu nunca tivesse conhecido ele! Eu me arrependo de cada dia da minha vida que nós éramos próximos! Você acha que eu tenho orgulho de ter amado um Comensal da Morte? Acha que me dá satisfação que eles tenham me pedido para me unir a eles? Você acha que não me mata saber que a culpa é minha que eles mataram os meus pais porque eu os recusei?" Ela não sabe se as lágrimas que caem são de raiva ou miséria. Ambas as emoções parecem rodopiar dentro dela, como uma. "Eu era uma criança estúpida! Eu não sabia! Eu não pensei! Eu sei muito melhor agora. Os meus olhos estão abertos, e Sirius, eu juro pela vida do James, que você é muito mais importante para mim. Eu preciso de você."

Sirius fica parado ali de braços cruzados, encarando ela inescrutavelmente. Ele esconde todos os pensamentos dele dela. Lily está começando a entrar em pânico agora. Quanto tempo se passou? 4 minutos? 5?

"Sirius…" ela diz, estendendo a mão para ele. Ele agarra o pulso dela com força, impedindo ela de tocar ele, e jogando para longe. Por mais que ela não queira, ela grita de dor, quando a mão dele e o tecido da roupa dela irritam as abrasões empoladas no pulso dela. Ela retira o braço dela rapidamente, apoiando no peito dela.

"Desculpa!" ele diz imediatamente, segurando o braço dela mais cuidadosamente para examinar o machucado mais cuidadosamente. Lily suspira aliviada. Se ele está preocupado em machucar ela, então ele não está bloqueando ela. Ele ainda a ama, ainda se importa. "Eu… não sabia."

Ela ainda está chorando. Merlin, ela está chorando muito, mas ela está tão feliz em não ter perdido o Sirius, que ela não consegue impedir. Ela se joga nele, e o abraça fortemente.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

James sabe que o Sirius e a Lily têm um dinâmica interessante e única, então ele simplesmente os deixa sozinhos.

O pedaço do pergaminho ainda está no bolso dele, ele o sente lá, frágil e seco contra os dedos dele. Ele sabe o que diz, e agora ele sabe quem o mandou.

Você deveria ter ficado 'morta'. Você estava mais segura desse jeito. Eles não vão ficar felizes com isso.

S

Uma vez, ele salvou a vida do Snape, e o Snape pagou aquele débito e mais agora, tendo feito o mesmo pela pessoa cuja a vida é mais preciosa do que a dele. Como que ele pode verdadeiramente odiar o Severus agora, tendo visto a bondade que ele é capaz de fazer? Nunca, em todos os sete anos juntos, o James viu o Snape agir daquele jeito, ouviu ele falar daquele jeito.

James não se sente traído. Ela escondeu isso dele, mas isso não é algo novo, e ele pode entender o porque dela ter feito isso. Ela tinha medo que ele fosse reagir do jeito que o Sirius reagiu. É claro que ela está envergonhada por isso. Ele se lembra de perguntar no caminho para a irmã dela. Tudo faz sentido agora. Várias perguntas foram respondidas, e ele não a ama nenhum pouco menos por isso.

Ela ainda está chorando quando ela se vira para ele, com esperança e medo escritos no rosto dela. Para erradicar os medos dela, ele sorri para ela. "Viu só? Sirius pode ouvir a razão. Vamos sair daqui. Snape disse para ir para longe, e eu não sei quanto a você, mas isso ainda não é exatamente o que eu consideraria uma distância confortável."

Ela suspira e sorri fracamente. Ele estica os braços, convidando ela de volta para o carrinho lateral, aonde ela entra desajeitadamente, e se derrete nele.

"Oh, James, eu estou tão cansada. Voldemort, ele… ele..."

"Shhh… Descansa. Você pode nos contar o que aconteceu quando chegarmos a casa do Sirius." Ele sussurra, acariciando o cabelo dela, e dando um beijo no topo da cabeça dela.

"Eu te amo." ela diz, com a voz muito baixa, mais baixa que um sussurro. Ele beija a pálpebra fechada dela, e eles saem novamente.

Enquanto eles continuam o caminho deles até em casa, Lily cai no sono, e James faz um ode ao Horace Slughorn e a Felix Felicis.

Ele não a perdeu.

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

A/N: Peço mais uma vez, por favor, deixem um review por capítulo, ok? Quero saber o que acham de cada um deles!

Para quem não lê o meu blog, o meu noivo chegou para me visitar por um mês, então as próximas atualizações vão demorar um pouco mais. Espero que entendam… O próximo capítulo tem em torno de 30 páginas, então não devo demorar tanto. Creio que no fim de semana que vem estou postando.