A Lei da Sexualidade por Rakina

tradução: Rebecca Mae
betagem da tradução: Ivich Sartre


Capítulo Cinqüenta e Três: Jornais

Ponto de Vista do Harry:

Chegamos à cozinha na hora do café e não consigo deixar de sorrir, satisfeito. Severus se controla mais. Quando olho para Sirius e Remus, o sorriso desaparece.

"O quê?", eu digo.

Nenhum deles fala, mas Sirius empurra a edição matinal do Profeta Diário através da mesa para mim. Meu estômago despenca, e não é a primeira vez, quando vejo a manchete do dia.

HARRY POTTER PERDE A VIRGINDADE
Severus Snape, ex-Comensal da Morte, escolhido como Capacitador.

Um registro de rotina sobre Remoção de Virgindade foi preenchido na semana passada. Uma ocorrência cotidiana para o Ministério da Magia, mas desta vez foi especial e muito chocante! Na lacuna onde se lê "Nome do Virgem" havia o nome de Harry James Potter, estudante, 16 anos. Ainda mais surpreendente é que o Capacitador foi identificado como Severus Snape, professor, 36 anos. Snape é notório por seu julgamento no final da última Guerra, no qual foi identificado como Comensal da Morte por vários outros membros convictos da organização das trevas. Foi solto baseado no testemunho de Albus Dumbledore, excêntrico diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, que declarou que Snape foi uma vez Comensal, mas se tornou espião para a Ordem da Fênix. Trabalha na famosa escola de magia desde então, sob a garantia pessoal do próprio Dumbledore. Ele detém a posição de professor de Poções, mas também é conhecido como perito em Artes das Trevas.

O fato tornou-se uma surpresa para todos que conhecem Harry Potter, que sempre mostrou nada além de extremo desgosto pelo ex-Comensal até esta primavera. A aparência e personalidade nada agradáveis de Snape são bastante conhecidas dos anos do presente e do passado, o que torna um pouco estranho que o Sr. Potter subitamente o ache atraente. Esta repórter pergunta se essa atração é completamente natural, ou poderia ter sido magicamente induzida?

Dada à importância de Harry Potter na luta contra Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado e seu séquito de Comensais da Morte, isto é algo que deveria ser cuidadosamente investigado. O público tem o direito de ficar preocupado.

Por Rita Skeeter, correspondente especial.

"Mais ou menos o que esperávamos". Severus comenta por cima do meu ombro, de onde lia a material.

Eu assinto, sem surpresa. A sra. Skeeter já acabou com o meu dia antes e provavelmente o fará de novo. Embora esteja acostumado a esse tipo de atenção, o frio envolve minha emoção conforme eu leio a notícia novamente, encontrando ainda menos prazer que da primeira vez que fui alvo do profeta.

"Sente-se e tome um pouco de chá, Harry", Sirius diz.

Ele me olha com simpatia, já que ele sabe tudo sobre mídia negative, afinal. Sento em minha cadeira e aceito a xícara quente, agradecido. Severus senta perto de mim e, para minha surpresa, Sirius lhe entrega uma xícara também, sem comentários.

"Não vejo nada que possa ser feito agora, nada mudou por isso", eu digo.

"Pode tornar o ano letivo um pouco estranho, Harry", Remus diz. "E para você também, Severus".

Severus ergue o olhar e dá de ombros. Ele não se incomoda com a imprensa negativa também, é tão familiar a ela quanto Sirius. Lembro de sua pouca reação quando recebeu os Berradores e imagino que vai se adaptar da melhor forma possível. Remus pega o jornal e atira na lareira da cozinha e eu assisto com satisfação as folhas se tornarem cinzas, o perfeito lixo que é.

Comemos tranqüilamente. É como se o ataque em comum a Severus e eu fizesse Sirius perceber que estamos juntos e ele parece determinado a me proteger e a Severus, por extensão, do criticismo alheio. Ouvi Ron dizer que famílias são assim, brigando o tempo inteiro, mas se zangando bastante quando alguém de fora os critica. É a primeira vez que sinto isso.

Depois de comer, Severus se despede e eu vou com ele até a pronta da frente. Ele vai aparatar de volta aos portões de Hogwarts do beco ao lado. Eu o abraço fortemente, relutante em deixá-lo partir. Sei que ele estará de volta na última semana das ferias, mas vou sentir falta dele mesmo assim. E agora que estou bastante ciente do que vou sentir falta na cama, é ainda mais difícil me despedir.

Ele me beija e segura apertado, e nos perdemos na boca um do outro por alguns minutos, ou horas, ou talvez apenas segundos. Quando ele se afasta, meus olhos estão úmidos e eu luto para controlar meus sentimentos.

"Eu tenho que ir, há muito para fazer", ele sussurra.

"Eu sei. Tome cuidado".

"Talvez eu tenha que fazer um relatório, depois do artigo do Profeta...".

Eu engulo em seco. Se Voldemort tocar Sev…

"Vai ser uma coisa de rotina, Harry. Você poderá sentir se houver um problema, mas não haverá. Confie em mim".

Eu assinto. Sem perguntas. Severus dá um passo atrás, abre a porta e se vai. Eu continuo a ficar em pé, encarando a porta fechada, com uma sensação estranha de vazio.


Caros Ron e Hermione,

Dumbledore fez os arranjos para nossa cerimônia matrimonial. Será ao mesmo tempo que a de Sirius e Remus, isto é, no dia 29 de agosto, em Hogwarts. O sr. e a sra. Weasley foram convidados, então vocês não terão problemas em viajar. Severus disse que eu posso convidar quantos amigos eu quiser, mas só quero que vocês dois estejam presentes. Não acho que a maioria das pessoas esteja pronta para isso e, até onde me cabe, vocês são os mais importantes, de qualquer forma.

Deixem-me informado se vocês virão.

Amor,

Harry.


Levo a carta para meu quarto e encontro Hedwig, ainda sentada em seu poleiro, parecendo triste consigo mesma. Ela ergue o olhar quando me aproximo, olha a carta e se senta ereta.

"Tudo bem, garota?", eu pergunto, fazendo cócegas em seu pescoço.

Ela pia suavemente em resposta e estica a pata. Não se sente triste de voar, eu fico feliz de ver.

"Leve para a Toca, garota", eu digo a ela, "que é importante. É um convite de casamento para Ron e Hermione. Tome cuidado agora!".

O pio que ela solta em resposta soa estranhamente triste e ela alonga as asas um pouco antes de se atirar ao vento morno, voando pela janela aberta.


Caro Harry,

Estamos um pouco surpresos de saber que a cerimônia acontecerá antes do retorno às aulas, mas é claro que queremos ir! Não perderíamos por nada!

Se é isso que você quer e se é isso que o fará feliz, você sabe que tem nossa aprovação para o que quiser fazer, Harry, e o se o Professor Dumbledore fez os arranjos, deve estar tudo bem.

O sr. e a sra. Weasley dizem que nós podemos ficar em Hogwarts depois da cerimônia, já que está bem perto do começo das aulas mesmo. Embora estejam um pouco surpresos sobre você e o Professor Snape, acho que eles aprovam que vocês se casem depois da Capacitação. A sra. Weasley é antiquada nesse aspecto e posso ver que eu e Ron sofreremos um pouco de persuasão nesse caso.

Lemos O Profeta Diário ontem; não nos surpreendeu, quando vimosquem assinava o artigo. Aquela mulher deveria ser atirada em Azkaban! Eu me pergunto se não deveríamos ter deixado Ron esmagá-la quando ele se ofereceu...

Deixe-nos saber se precisar de algo em especial.

Todo o nosso amor,

Hermione e Ron.

PS: Ron está bastante irritado de que você esteja tão à frente dele, primeiro com a Capacitação, depois com isso! Como se fosse uma corrida!

Hedwig parece mais resignada que feliz por estar de volta. Dou a ela mais um biscoito de coruja tentando animá-la, mas não funciona muito. Ela come um pouco, mas sem grandes entusiasmos. Queria saber o que a preocupa. Como Severus diz, não parece ser físico. Quem sabe a atmosfera obscura do Largo Grimmauld a incomode e, se for assim, não posso culpá-la. Se não fosse pela excitação do meu novo relacionamento e a alegria de estar longe dos Dursley, eu ficaria bastante deprimido aqui.

Esse pensamento me deixa mais compreensivo sobre as atitudes de Sirius. Eu me determino a ser legal com ele e o mais compreensivo que posso. Espero que a cerimônia o anime e que minha presença e a de Severus não estrague tudo para ele. Nunca considerei realmente quando Dumbledore anunciou e agora me sinto egoísta, pensando em como Sirius vai se sentir.

Decido pedir a ele para passar um tempo descrevendo os presentes que me deu de aniversário. Desse jeito podemos passar algum tempo juntos sem mencionar Severus.


Sirius ficou bem feliz quando passamos o resto do dia experimentando os presentes. Ele está feliz com Remus, posso ver. Deve ser ótimo estarem juntos de novo, depois da terrível separação de Azkaban. Não me sinto mais envergonhado quando se beijam, ou quando se sentam abraçados. Sei exatamente como é bom relaxar em sua própria casa. É o que quero ter com Severus, enquanto minha vida anormal permitir. Se vou ser morto encarando Voldemort, quero ter vivido um pouco primeiro.

Este dia foi só o começo de uma temporada mais prazerosa com meu padrinho, fico feliz por isso. Conforme as semanas se tornam mais relaxadas, ele não precisa mais se eriçar quando o nome de Sev vem à tona.

Estou menos feliz, entretanto, com a saudade que sinto dele. Quando ele se foi, eu fiquei com lágrimas nos olhos, mas durou pouco. Mas ainda tem semanas até o fim das ferias e agora que eu sei do que sinto falta, sinto terrivelmente. Tem uma ansiedade perpétua no meu coração. Sei que não é o coração exatamente que dói, mas dói tanto no meu peito e só pára quando estou com Severus.

Embora eu goste do tempo que passo aqui, é tudo muito incompleto sem a presença dele. Costumava pensar que todos esses poemas românticos e histórias de amor das quais eu ouvia falar eram exagerados e bobos, coisas de garotinhas. Eu estava tão, tão errado.

Sento-me freqüentemente à noite, segurando os presentes de Sev. Li seu livro três vezes ao menos e adoro ficar só segurando-o, olhando a página com o título, onde seu nome em tinta preta me lembra que ele é real, que eu não sonhei isso tudo. Seu anel me conforta e eu espero que signifique o que Dumbledore sugeriu, eternidade para nós. Eu giro-o em meu dedo com freqüência, deslizando a ponta do meu dedo indicador pela cabeça da serpente. Que sonserino!

Eu ergo o olhar e vejo que Remus está olhando para mim e sorrindo.

"Você sente saudades, não é, Harry?".

"Sim". Eu admito. "Mais do que pensei que fosse sentir. Fico meio vazio sem ele".

Remus sorri e assente. "Eu sei exatamente como é isso", ele diz.

Tenho certeza que sim. Eu lanço um olhar para Sirius, receando vê-lo com raiva, mas ele parece apenas pensativo. Por favor, aceite, Sirius, porque eu realmente o amo.

"Espero que vocês não se importem muito de Dumbledore fazer uma cerimônia dupla", eu digo a eles. Queria falar sobre isso há algum tempo.

"Não é o que eu tinha em mente!", Sirius diz. "Mas isso é por conta de com quem você vai se casar. Com qualquer outra pessoa, eu estaria maravilhado. E sim, eu sei que você disse que eu tenho que me acostumar, tudo bem?".

Eu assinto. "Não posso pedir mais que isso, Sirius".

"Da minha parte", Remus diz, "estou bastante contente. Faz sentido, é uma longa jornada para muita gente e faz bem fazer em conjunto. E me sentirei honrado de ser acompanhado pelo 'famoso Harry Potter' na minha própria cerimônia!". Ele ri.


O dia 22 de agosto é uma quinta-feira e, uma semana antes da cerimônica, Severus chega finalmente. Eu abro a porta da frente e mal posso esperar para envolvê-lo em meus braços, mas sou obrigado a me conter porque ele carrega uma mala de aspecto bem comum, a qual eu o deixo colocar no chão antes de abraçá-lo fervorosamente.

"Harry", ele sussurra e sua voz profunda navega numa linha reta pela minha espinha até meu cóccix.

"Sev", eu sussurro em seu ouvido, feliz de sentir um tremor enquanto isso.

Beijamo-nos e quase nos perdemos aqui no corridor. Severus deve sentir que não estamos sós, porque se afasta e eu percebo que Sirius e Remus vieram à porta da cozinha e estão olhando.

"Severus", Remus diz.

"Lupin", Sev responde.

Vou ter que dizer a ele que o chame de Remus, ou vai ficar muito estranho. Ele me surpreende, acrescentando, "Black".

"Snape". Sirius replica e é melhor do que a hostilidade direta que vi anteriormente, mesmo que a palavra pareça um pouco ácida. "Kreacher! Leve a bagagem do Professor Snape ao quarto de Harry!".

Bom, ao menos ele está encarando a realidade. Mas o elfo esquisito não chega e Sirius bufa de irritação.

"Onde está aquela maldita monstruosidade? KREACHER!".

O grito nos faz tamper as orelhas, mas funciona, porque o reticente elfo aparece, arrastando os pés como se tivesse todo o tempo do mundo.

"Mestre? filho da Casa dos Black que não vale nada, não vale o nome que carrega...".

"Leve a bagagem de Snape ao quarto de Harry e rápido!".

"Sim, Mestre, Professor Snape sempre foi um bruxo das trevas, Kreacher fica feliz de servi-lo. Ele não devia ficar com esse pirralho amante de trouxas, que não merece a companhia do Professor!".

Os murmúrios tornam-se menos audíveis conforme ele sobe as escadas, batendo a mala nos degraus.

"O que você trouxe ali, Sev? Parece pesado", eu pergunto.

Ele ri. "Nem tão pesada quanto esse elfo a faz parecer. Tem alguns livros para estudarmos antes da cerimônia e alguns itens que quero lhe mostrar. E minhas roupas, é claro".

"Bom, isso é um alívio", Sirius diz. "Ao menos não vamos ter que assisti-lo andar por aí pelado".

Eu lanço um olhar temerário a ele, mas vejo, para minha surpresa, que uma ruga ou duas ao redor de seus olhos. Poderia Sirius estar brincando conosco? Severus estreita os olhos dubitosamente, mas não responde.

"Madame Malkin está vindo esta tarde para medir todos para confeccionar as vestes da cerimônia. Você vai usar os serviços dela, Severus?", Remus pergunta.

"Parece uma boa idéia, assim me poupa uma viagem àquela loja terrível". Ele concorda.

"Vamos tomar um chá". Eu sugiro. "E depois podemos desfazer sua mala".

E posso desfazer essas roupas também, se eu tiver sorte.