N/a: Ok, post um pouco atrasado essa semana, mas considerando que postei o anterior na quarta, vocês não podem reclamar!
Quis dar um fechamento para o tema Russ / aniversário, por que já tenho planos para a sequência.
Nina, obrigada pela eficiência!
Mikaelly, sim, irmãs mais velhas são legais! Eu sou uma, por isso sei! hahaha Fraan Marques, sorry, esse tive que resolver em dois capítulos, daí tenho que cortar em algum lugar... Bethy, eu não diria tenso, talvez um pouco sofrido. Afinal, o Booth é ótimo em amenizar as coisas para a Brennan. ^^ Viviane, que bom ver você por aqui novamente! Segunda vez entre aspas mesmo, por que se for contar as vezes no hotel.. hahaha Angie, muito obrigada! Um pouco mais de família nesse capítulo! mary-gwg, não acho que o Russ irá aparecer pra valer, não agora. Mas eu lembrei que ele fala na série que sempre tentava falar com ela no aniversário. baahnisaggio, eu também não perdôo e acho que muito menos a Bren! Zooey Gibbard, wow, você é rápida! Fico feliz que tenha gostado e, para a sua sorte, pegou a atualização rapidinho. :) Fraan Marques [2], calma, não quero ser responsável pela morte de ninguém! Aqui está o capítulo novo!
Brennan's Song
53. Sem começo nem fim
Eu puxei as pernas para cima do banco, sentando de pernas cruzadas e mirando a casa. Em alguns minutos, com certeza Booth viria atrás de mim. E ele não me decepcionou, logo o vi se aproximar com sua expressão preocupada. Ele não falou nada, sentou a o meu lado e ficou me mirando.
-Você falou com ele? – perguntei sem o encarar.
-Não, quando cheguei ao telefone a ligação já havia sido cortada.
-Como ele descobriu onde estou?
-Não deve ser difícil, o estado deve ter um registro das foster homes.
-Então ele deve saber que estou com vocês, que estou bem. Por que ligou?
-Ele só quis te dar os parabéns, Bones.
-Ele me abandonou, Booth. Por que se importa agora?
-As pessoas podem se arrepender, sabe?
-Agora é tarde demais.
Ele suspirou pesadamente.
-Ouça. Hoje é o seu dia, e você deve aproveitá-lo da melhor forma possível. Logo ali, na sala de casa, tem um grupo de pessoas que realmente se importa com você. Que a ama muito. E eles estão esperando você para comemorar seu aniversário. Então por que não esquecemos isso por ora e vamos até lá satisfazê-los?
Eu dei um sorriso mínimo, ainda sem o olhar.
-Acho que você tem razão.
-Eu sempre tenho. – senti ele pegar minha mão, e se erguer. – Vamos, Bones. O presente do Pops está em cima da sua cama, ele disse que quer que você use hoje.
Booth me levou pela mão de volta à casa, e eu me desculpei com meus amigos, dizendo que logo poderíamos sair. Eu entrei no meu quarto e tive que sorrir.
Sobre minha cama estava estendido um vestido lilás muito delicado, e sapatilhas combinando. Eu me aproximei, sem acreditar no tato de Hank.
-Temperance, nós nunca tivemos meninas na família, sempre vieram só garotos. – só então eu percebi que Hank observava minhas reações, da porta - Não estou acostumado a comprar esse tipo de coisa, a moça da loja disse que...
Eu não deixei ele terminar de falar. Depois da pequena cena no quintal, aquilo me trouxe tamanho calor ao peito que eu fui em frente e fiz o que já tinha feito com todos os meus amigos. Dei um abraço em Hank, um abraço terno e apertado.
-Ei, você gostou então? – disse ele, visivelmente sem jeito.
-Vocês esperam até que eu me troque?
Ele me olhou com uma careta debochada, que às vezes via Jared usar.
-E você acha que vamos sair sem a aniversariante?
Eu coloquei o vestido, amarrando a fita da parte posterior e me olhando no espelho. Enquanto estive em foster homes, nunca pude me preocupar muito com aparência. Mas desde que havia começado a morar com Hank e os meninos, as coisas haviam mudado. Hank sempre perguntava se eu precisava de algo e às vezes, quando saímos, insistia para que eu levasse uma ou outra peça de roupa. Booth dizia que era por que ele nunca tivera filhas, netas, ou mesmo sobrinhas, por isso gostava de me mimar.
Eu mirei meu reflexo no espelho, a correntinha com pingente de golfinho que havia ganho de minha mãe um ano atrás. Já não era mais tão dolorido pensar nisso, talvez por que agora eu estava, novamente, no que se podia chamar de família.
-Tempe, vai demorar muito? – veio a voz de Jared do outro lado da porta – Eu estou com fome!
Eu sorri com o jeito dele, e corri a calçar as sapatilhas antes de me juntar aos meus amigos.
O restaurante tinha um clima aconchegante, com mesas compridas e cadeiras almofadadas sem encosto. Prontamente nos levaram até nossa reserva, e depois de um pouco de discussão sobre o que comeríamos fizemos dois pedidos conjuntos, um deles não tão apimentado por que Zack não gostava de pimenta.
-Tempe, quando você vai pegar o carro do vô? – perguntou Jared, sorrindo. Ele era fascinado por carros, e queria mais que tudo ter idade suficiente para dirigir.
-Por mais que agora tenha idade para isso, eu não sei como dirigir.
-O baixinho vai te ensinar. – garantiu Hank – Na falta dele vamos precisar de alguém que dirija, além de mim.
-A Bones dirigindo um carro? Não quero nem ver no que isso vai dar. – disse Booth, e olhei para ele desconfiada.
-Por que diz isso, Booth?
-Ora, da última vez que você dirigiu algo eu acabei com essa cicatriz aqui. – ele exibiu a linha branca e fina, perto do início do cabelo.
-Wow, esse foi feio. – disse Hodgins.
-13 pontos.
-Como aconteceu? – perguntou Angela.
-A Bones teve a brilhante ideia de me levar na garupa da bicicleta dela.
Eu me lembrava muito bem do desespero de Booth para chegar a tempo ao campo de baseball, e tive que me opor à forma como ele havia exposto os fatos.
-Você disse que queria chegar a tempo para o jogo, de bicicleta era mais rápido que correndo. E não foi por causa de alguma inabilidade minha que caímos, estávamos rápido demais quando entramos naquela curva.
Ele deu um sorriso convencido.
-E vai me dizer que isso não é inabilidade pra dirigir?
-Você estava me apressando!
-Ok, o resumo disso tudo – interrompeu Hodgins, rindo – Foi que vocês se arrebentaram e ainda perderam o jogo, não foi?
-Nós caímos, eu abri a testa no meio fio...
-E mais uma vez o Matt me ligou dizendo que vocês tinham se machucado e teria que levá-los até o pronto-socorro. – completou Hank.
-Mais uma vez? – perguntou Angela – Você era do tipo de aprontar quando era pequena, Bren? Não sabia disso.
-Eu sempre fui uma criança muito quieta. – disse, me lembrando de como gostava de brincar no meu quarto sozinha, ou no quintal de casa. - Nunca havia me metido em problemas, ou me machucado gravemente, não até...
-Não até você me conhecer. – disse Booth, me olhando com um sorriso.
-É verdade... não até eu conhecer o Booth.
Todos na mesa começaram a rir, e Hodgins deu uma palmada no ombro de Booth, perguntando por que ele havia me levado ao "mal caminho".
-Olha, esses dois sempre me deram muito trabalho com quedas, birras e brigas. – disse Hank, apontando para Jared e Booth. – Mas o Seeley e a Tempe? Eram uma dupla e tanto.
-O passado obscuro se revela... – disse Angela, olhando para mim e rindo.
-O que você quer dizer com isso? – e novamente, todos caíram na gargalhada.
Depois disso a comida chegou, e Zack e Jared acabaram por se distrair em uma conversa sobre vídeo games, enquanto Hodgins contava algumas das histórias de infância dele para nós.
Foi só horas depois que saímos do restaurante. Eu estava com a sensação de que havia comido além da conta, mas estava feliz. E foi só quando me despedi de meus amigos, e nós quatro entramos no carro para ir para casa, que percebi que não havia mais sequer me lembrado de Russ.
Eu ia rumar para meu quarto, mas Booth me segurou pela mão, me puxando para o quintal. Ele abriu a porta de vidro e abriu espaço para eu passar, eu caminhei até o deck e me virei para ele com um olhar inquisitivo.
-Eu ainda não dei meu presente. – disse ele, sorrindo. Então levou a mão ao bolso da calça jeans e tirou algo pequeno de lá. – Bones, por favor, não pire.
Eu comecei a rir.
-Por que eu iria pirar? Você sabe que essa expressão é usada para pessoas com transtornos psicológicos, não é? Isso não acontece de uma hora para a outra.
Ele concordou, um pouco impaciente, e falou novamente.
-Não é o que parece... – ele se interrompeu, e com insegurança revelou uma pequena caixinha preta – Eu sei como você se sente com simbolismos e representações, casamento, alianças, isso tudo.
Ele abriu a caixinha, revelando duas alianças prateadas, lisas e finas.
-Mas não é essa minha intenção. Eu só queria algo que representasse o que temos, e que me fizesse lembrar de você. Algo material. A aliança, ela represente uma união por que...
-Por que ela não tem começo nem fim, como uma união deve ser. – respondi, sorrindo.
-Isso. – ele sorriu de volta. Então se aproximou, se postando às minhas costas e abrindo o fecho de minha corrente. – Isso não é uma forma das pessoas verem que você tem namorado, nem mesmo a promessa de algo mais, como um noivado. É só algo nosso, para nos lembrarmos de nossa união, está bem?
Eu sorri, a aliança agora presa em minha corrente, junto do pingente de golfinho.
-Está bem.
Ele prendeu a outra aliança na própria corrente que usava no pescoço, a com o medalhão de São Cristóvão.
-Vai ser um conforto para mim, ao estar longe, saber que você vai estar usando o par dessa aliança.
Eu poderia falar várias coisas para ele. Falar que ele não precisava de objetos materiais para se lembrar do que tínhamos, ou mesmo que não seria uma aliança que faria alguma diferença em nosso relacionamento. Mas eu nada disse, entendendo os sentimentos dele. Me lembrando como a correntinha que eu ganhara de minha mãe era importante para mim, mesmo sendo apenas um objeto.
-Para mim também.
Nós nos sentamos no deck juntos, confortáveis apenas com o silêncio e a presença um do outro. Então Booth lançou o olhar para o fundo do quintal, para o banco, e eu soube no que ele estava pensando.
-Você acha que ele vai ligar de novo? – perguntei, incerta.
-Bones, se ele ligar, fale com ele. Ele é sua família.
-Vocês são minha família. – eu disse baixinho, olhando para meu colo.
Vi a mão dele repousar sobre a minha.
-Sim, nós somos. Mas o Russ também é, e independente do que aconteça, ele sempre será seu irmão. Ouça Bones, talvez ainda seja um pouco cedo e tudo ainda esteja muito recente... Mas vai chegar uma hora que você vai perdoá-lo. Então, me prometa que você vai se esforçar ao menos em ouvi-lo, está bem?
Eu concordei com um meneio, ainda sem o olhar.
-Venha aqui, baby.
Ele me abraçou, e eu fiquei com a cabeça repousando em seu ombro, observando o quintal enquanto ele passava a mão pelos meus cabelos. A aliança pendurada na correntinha balançou, batendo contra ele e contra mim até parar totalmente e eu pensei naquilo, no novo peso do objeto em meu pescoço, de quanto eu havia me machucado com Russ e meus pais, e de quanto eu já estava envolvida com Booth, Hank e Jared. Do risco de eu me machucar novamente, do medo de que, quanto mais eu me envolvia, mais difícil seria no dia que eu me magoasse.
Se eu me magoasse, tentei argumentar para mim mesma.
Fechei os olhos com força, querendo parar de pensar naquilo, me concentrando no perfume masculino de Booth em vez disso. Aquilo me tranquilizou.
