Epílogo

EPOV

Tentei inutilmente ajustar o nó da minha gravata. E pelo jeito eu não estava fazendo muito bem essa porcaria. Odiava essas coisas estúpidas. Olhei-me no espelho. Senti-me completamente estúpido na primeira vez em que tinha usado essa coisa, e parece que nada havia mudado na segunda, também.

"Papai." - Charlie começou com sua vozinha doce. Ela já estava pronta, usando um lindo vestido branco, os cabelos encaracolados presos em um rabo-de-cavalo. Charlotte sempre foi a mais feminina das duas. Ela queria ser uma princesa, enquanto sua irmã, por outro lado, achava que era uma lagartixa e que poderia viver subindo pelas paredes, literalmente. Ela era mais enérgica do que eu durante toda minha infância.

"Sim, docinho?" - Eu perguntei entre os dentes a medida em que arrancava a gravata. Eu teria que encontrar Bella e pedir-lhe para que arrumasse logo isso. Eu estava ficando de saco cheio por conta dessa merda. Isso simplesmente não era para mim.

Eu estava muito estressado. Sei que precisava me acalmar, porém a preocupação não deixava. Lembrei-me da última vez em que estive em um momento igual a esse. Não queria que se repetisse. Já se faziam mais de quatro anos.

"Por que você está usando um vestido?" - Ela perguntou, puxando as pontas da minha beca de formatura. Eu ri, sentindo um pouco da minha tensão se derreter. Passei minhas mãos sobre meu rosto antes de olhar para ela com um sorriso e responder a sua pergunta.

"Porque o papai está se formando hoje. Não é um vestido. É uma beca. Aposto que algum dia, você irá usar uma destas também."

"Eu acho isso muito feio!" - Carrie resmungou da cama, rolando de barriga para baixo. - "Será que vou ter que usar um?"

"Sim, você vai. Umas duas vezes, pelo menos."- Me virei para ela e pisquei - "Não se preocupe, eu acho isso horrível também."

Ela riu, pulando da cama. Ela mesma havia escolhido sua própria roupa hoje, sempre tão obstinada. Ela pode ter tido um início mais lento que a irmã, porém sua personalidade estava se formando rapidamente. Ela estava usando um vestido preto com uma fita vermelho-escura brilhante, e os cabelos curtos e encaracolados presos à cabeça. Ela tinha pegado uma tesoura logo depois do Natal e tinha feito um estrago grande. Tanto que nós tivemos que aparar tudo para que não ficasse tão feio, mas, mesmo assim... era estranho. Não havia outra maneira de descrevê-lo.

Renee tentou me dizer que isso era exatamente o que crianças de quatro anos de idade fazem. Mas, isso não significava que eu tinha que gostar. A parte boa é que eu tinha que admitir que ficou mais fácil distingui-las agora.

"Para mim você está muito bonito," - minha esposa muito linda e mais uma vez muito grávida entrou no quarto, sua maquiagem já feita e com os cabelos arrumados. Ela estava tão deslumbrante neste vestido preto.

Bella estava agora com oito meses e meio de gravidez de nosso terceiro filho. Um garotinho. Inclinei-me e beijei o topo da sua barriga redonda, as minhas mãos pousadas em cada lado. - "É melhor você ficar por aí, pelo menos até amanhã, garotinho."

"Por favor." - Bella revirou os olhos - "Eu estou ótima. Nada de surpresas hoje, certo? Ou tem algo em que eu deva me preocupar?"

"Não que eu saiba. Eu não sou tão estúpido ao ponto de te fazer uma surpresa quando você está grávida." – Sorri, lhe entregando minha gravata. Bella riu e se aproximou de mim, beijando levemente meus lábios antes de colocar o tecido ao redor do meu pescoço. - "Eu te amo." - eu sussurrei para que as meninas não ouvissem. Elas sempre nos provocavam quando nos beijávamos ou ficávamos "de amorzinho" como elas costumavam dizer.

"Eu também te amo."

BPOV

Assisti com orgulho entre minhas filhas quando Edward atravessou o palco para receber seu mestrado em música. Ele ia começar a ensinar, assim como iniciar seu doutorado, no início do próximo outono. Decidiu passar o verão de férias de modo que estaríamos todos unidos quando o nosso garotinho, que ainda não tinha nome, chegasse.

Esta gravidez também não foi planejada, mas ao contrário de antes, eu não pirei. Eu tinha que admitir que gostei muito quando descobri.

Esme e Carlisle levaram as meninas para Chicago por algumas semanas. Tinha sido o tempo mais longo que tinha ficado separada delas desde que comecei a turnê desse livro estúpido. Meu romance bobo tinha se saído muito melhor do que imaginava. Agora eu era um autora best-seller na lista do top-10. Era apenas um livro sobre vampiros para adolescentes e eu jamais esperava uma reação como esta. Foi tudo tão de repente. Já estavam até falando em cinema, enquanto eu estava trabalhando no terceiro da trilogia atualmente. Minha felicidade era que não tinha mais que me preocupar com meu próprio dinheiro. Já tinha mais do que o suficiente, então estava guardando tudo para que ficasse a disposição das meninas algum dia.

Edward tinha voado para Nova Iorque, uma vez que tinha deixado as meninas em Chicago, só para passar algum tempo comigo. Eu tinha algumas entrevistas no dia seguinte e estava além de nervosa por conta disso. Então ele me levou para jantar e dançar, e depois para um bar onde me ajudou a esquecer de tudo. E de novo, de novo e mais uma vez.

Acho que transamos, trepamos, fodemos e fizemos amor em cada superfície daquele quarto de hotel. E fizemos isso nas duas semanas seguintes. Já fazia algum tempo desde que tivemos um tempo de verdade à sós e tínhamos que usá-lo, caramba! Bem, um mês e meio depois eu descobri que estava grávida e também outra coisa; não estava nem um pouco preocupada com isso. Estava realmente empolgada.

Ouvi o filho de Emmett e Rose, soltar um gritinho agudo quando todos começaram a aplaudir, assim como um bebê de nove meses de idade, ele achou que as palmas eram para ele. A filha de Jasper e Alice de quatro anos, Dylan, estava apagada ao dormir no ombro de Jasper. Ela herdou a calma do pai e conseguia relaxar em praticamente todos os lugares. Alice estava grávida também, mas ela tinha apenas seis meses. Os meninos reclamaram dizendo que nós duas tínhamos planejado isso de propósito ou algo assim. Mas a verdade, era que Alice se aproveitou dessa coincidência para comprar mais roupa de bebês do que a Humanidade jamais viu.

"Oh, olhe lá o seu pai!" - Carlisle sorriu saltitando Carrie em seus braços. - "Ele vai ser um professor. O que você quer ser quando crescer?"

"Um tigre!" - Ela soltou uma risadinha, o provocando.

"Bem", - ele apertou os lábios como se estivesse pensando: - "Eu acho que você pode ser o que quiser. Então, você será um tigre branco ou um laranja?"

"Uma rosa!"

Eles continuaram a conversa, enquanto Charlotte permanecia em silêncio ao meu lado. Eu gemi baixinho, colocando a mão nas minhas costas. Estava começando ficar dolorida depois de tanto tempo em pé. - "Mamãe, você está bem?" - Perguntou ela, puxando a ponta do meu vestido preto.

"Sim, eu estou bem, querida. Mamãe está apenas um pouco cansada. Foi um longo dia e seu irmãozinho está apenas reclamando um pouquinho."

"É melhor ser bonzinho." - disse ela, falando com minha barriga. Edward tinha implantado esse hábito nelas. A este ritmo, meu novo bebê reconheceria mais as vozes deles do que a minha. E isso não era uma idéia tão ruim assim.

"Bella, você está bem?" - Minha mãe sussurrou logo atrás de mim. Meneei a cabeça, colocando as mãos nas minhas costas.

"Sim, eu vou ficar bem, mãe. Estou apenas cansada."

Nosso relacionamento não era um dos melhores, mas também não era o pior. Phil e ela acabaram voltando, mas apenas na condição de que ela continuasse sua medicação. E ela continuou. Nós começamos a passar mais tempo juntas, porém, eu ainda continuava cautelosa. Acho que era algo que iria morrer comigo. Embora, ela entendesse o porquê. Renee tentou me tranqüilizar durante essa gravidez e ainda tentou se dar bem com Edward.

"Estou pronta para que este dia termine." - eu disse, recostando minha cabeça no ombro do meu pai.

Após a cerimônia, fomos comer no restaurante japonês favorito do Edward. Eu birrei um pouco porque Edward se recusou a me deixar comer um sushi de verdade. Tive que ficar com todos os rolinhos Califórnia. A médica não queria que eu comesse muito peixe cru. Depois disso, fomos todos para o calçadão, onde vimos algum filme infantil bobo que deixaram todas as crianças muito felizes, incluindo Emmett. Acho que poderia ter envolvido um macaco, mas não tenho muita certeza porque eu adormeci nos primeiros quinze minutos.

Eu tinha acabado de colocar as meninas na cama quando entrei no nosso quarto, Edward sentado na extremidade da cama com a gravata frouxa em volta do pescoço, desabotoando o botão do colarinho. Aquela visão completamente sexy... eu o queria agora. Me aproximei devagar, passando os braços firmemente em torno de seu pescoço. - "Mm, olá Professor Cullen."

Ele grunhiu de prazer enquanto meus lábios viajavam pela lateral de seu pescoço, mordiscando-o levemente. - "Você está pensando em fazer algumas coisinhas muito ruins comigo, não é?"

"Ah sim, com certeza." - E então eu senti algo quente e molhado deslizar pelas minhas pernas. - "Oh!"

"O que foi?" - Edward perguntou, olhando-me. A sala estava apenas iluminada pelo abajur de modo não era de se admirar que ele não tivesse visto o que tinha acontecido.

Eu olhei para minhas pernas, e depois de volta para Edward lentamente. - "Minha bolsa acabou de estourar."


E vinte e sete anos depois... FIM.

Obrigada a todas que nos acompanharam pela paciência e pelos comentários. E desculpas mais uma vez pelas demoras.

Nós estamos traduzindo outras histórias da Jay mas vai levar um tempinho visto que a vida agora tá agitada tanto pra mim quanto pra Lili. Mas voltaremos =D